Capítulo 12 – Sob o eclipse

Bonito-Mato Grosso do Sul, Brasil.

BIANCA

Nua, ela se deleitava na água do lago que se formara entre as rochas na entrada da pequena gruta. Já havia visitado a parte interna da caverna, nadando com uma habilidade que não tivera enquanto mortal. Alimentara-se antes de entrar na mata. Ao contrário de Emanuela que havia partido pelo mundo, Bruna preferia seu próprio país. Planejava conhecer belos lugares históricos internacionais, mas queria curtir e muito as belezas naturais brasileiras antes que estas desaparecessem para sempre devido à negligência de muitos mortais gananciosos. A lua começava a ser encoberta – naquela noite, haveria um eclipse total. Bruna olhava o céu. Quando era pequena, acreditava que, se fizesse um desejo para a Lua ela o realizaria, mas seria apenas um desejo durante toda a sua vida, por isso, tinha que pensar bem o que pediria. Não sabia ao certo de onde tirara esta ideia. Sorriu ao lembrar-se dos seus tempos inocentes. Finalmente chegara o momento de fazer o seu pedido à lua… Fechou os olhos e pediu que o grande amor de sua vida a encontrasse. Ao abrir os olhos, deparou-se com Bianca ao seu lado. O corpo banhado pelas águas geladas e os olhos banhados por lágrimas. Nesse momento a lua foi completamente encoberta, e sua sombra encobriu os vultos de dois corpos que se amavam sob o eclipse, no silêncio da mata, junto ao ciciar dos insetos, ouviam-se sussurros e gemidos de amor.

Este foi o último capítulo. Gostaram? Adquiram o livro!

Anúncios

Homus (Pasta de grão de bico)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de grão de bico já cozido
  • 2 dentes de alho descascados
  • Sal a gosto
  • Azeite

Preparo:

Bata tudo no liquidificador até formar uma pasta homogênea. Guarde em potes limpos na geladeira (rende mais ou menos 600gs de pasta).

Essa receita é ótima para degustar com pães, torradas e bolachas. Por ser uma receita árabe, a original levaria óleo de gergelim e não azeite, entretanto, como o azeite é mais acessível, costumo colocar azeite mesmo.

Capítulo 11 – As viagens de Emanuela

BIANCA

São Vicente era realmente uma bela cidade. Não tinha praias espetaculares nem belas matas. As ruas, por vezes tinham um ar de abandono. Emanuela poderia ter começado suas viagens por tantos e tantos lugares, mas quis começar pela cidade onde viu Mary ser transformada, onde passou momentos maravilhosos de sua infância mortal. Passeava pelas ruas desertas do centro. Durante o dia o movimento ali era grande. Havia muitas pequenas lojinhas, carrinhos de sorvete, gente apressada, fazendo compras, passeando. Mas já era madrugada e as ruas estavam vazias. Emanuela queria companhia. Pensou em Carmilla, por que a havia libertado? Lucius e Danielle, onde estariam? Queria simplesmente mais uma daquelas noites cheias de prazer. Pensava nisso enquanto andava, e, quando se deu conta, estava na Praça da Biquinha. Havia um grupo de jovens ali. Bebiam uma batidinha e jogavam algo com um baralho. Emanuela aproximou-se, rapidamente fez amizade com eles. Logo convenceu uma das meninas, Cláudia, a ir dar uma volta a sós com ela. Conversaram longamente, Emanuela levou-a ao emissário, fizeram amor ali, nas pedras, tal qual Lorde M III. e Mary. Emanuela não matou Cláudia, e também não a transformou. Era muito cedo para trazer alguém para junto de si, não queria responsabilidades, nem a mesma companhia todas as madrugadas. Levou a garota de volta para casa, deu-lhe um beijo e um último adeus. No dia seguinte estava em São Paulo. Após uma animada semana na Capital, curtindo as melhores baladas e noitadas, partiu para o interior do estado, cidadezinhas pequenas, desertas. Era muito difícil encontrar alimento nesses lugares pois a maioria das pessoas se mantinha dentro de casa após o escurecer; muitas vezes Emanuela teve que invadir a residência de seus “jantares”. Logo se cansou do interior. Percorreu o litoral brasileiro de Norte a Sul. Amava o mar, as praias noturnas, algumas badaladas, outras desertas, algumas calmas, outras sempre com ondas enormes, mas todas belas. Deixou o Brasil, conheceu toda a América do Sul, Central, América do Norte, a Estátua da Liberdade e as salas mais secretas do Pentágono. Teve amantes, muitas, ricas, pobres, moças de família, garotas da vida, noitadas com duas, três, até cinco pessoas no mesmo quarto. Conheceu o Oriente Médio, Japão, China… O mundo era pequeno demais para sua curiosidade, para a sua busca pelo prazer.

Bruna era uma vampira livre, morava com Carmilla, mas aos poucos descobria que não a amava. Era romântica e doce, não suportava a solidão, não suportava a promiscuidade da companheira. Queria sair e fazer amor ao luar, mas sem haver outras pessoas a observar-lhes cada movimento. Havia dez anos, Emanuela havia partido e só agora Bruna notava que, não era por culpa da amiga que Carmilla buscava formas não convencionais de sexo como o sadomasoquismo e o sexo grupal. Isso fazia parte de sua personalidade e nada a mudaria. Decidiu abandonar o lar, já não amava mais Carmilla. Foi pedir abrigo na casa de Bianca, onde foi bem recebida. Após semanas, decidiu partir. Também queria conhecer o mundo, encontrar um grande amor e ser feliz.
Bianca aos poucos ia superando o abandono que sofrera. Não entendia o porquê, mas ia aceitando o fato de Emanuela não querer viver com ela. Não se encontram nem mesmo quando Carmilla a libertou. A companhia de Bruna a alegrou um pouco, assim como a alegrava ver Mary e M. juntos e felizes. Sofreu quando Bruna partiu. Em poucas semanas havia se acostumado a sua companhia, seu carinho, sua alegria, sua luz… Algo nela mexera com seu coração machucado por séculos de solidão e, principalmente, machucado pela recusa da mulher amada, por quem abandonara sua família, sua vida… A quem jurara amor eterno num pacto de sangue.

A vida ia tornando-se mais amena à medida que Bianca percebia que a chance que tiveram fora naquele quarto quando pela primeira vez fora buscar Emanuela e que ao se negar pela primeira vez a segui-la havia quebrado o pacto que havia entre elas. A história estava para sempre enterrada pelos séculos, os personagens principais já não mais existiam. Emanuela não era mais a mesma pessoa, assim como Carmilla não era mais a garota apaixonada pela prima, como Bruna não era mais a jovem desesperada que preferia fugir para um convento a aceitar uma traição, todos haviam mudado… Alguns muito, outros pouco. O amor fora verdadeiro em seu tempo de florescer, mas tal como uma rosa murcha já não mais recupera o viço, essas paixões jamais voltariam a ser como eram… Mary e M. estavam felizes, era verdade, mas o amor deles havia sido interrompido em seu auge por uma fatalidade, M. jamais deixara de amar Mary, ou melhor, Susan… Ela jamais havia deixado de amar Emanuela, mas esta havia encontrado um amor maior nos filhos, que a impedira de segui-la, e agora, encontrara outro grande amor: seu próprio prazer carnal e sua liberdade. Carmilla aprendera muito rápido a viver sem Bruna, jamais a havia buscado, apaixonara-se pela ideia de vingança. Bruna sempre esperara um grande amor, era uma alma doce e sonhadora…

Após alguns anos de viagens, Emanuela se julgou preparada para trazer alguém para seu mundo. Escolheu uma jovem negra, de olhos azuis devido à mistura racial, uma garota inteligente e muito bela. Tinha 16 anos e estava distraída no jardim de sua casa, onde esperava pelo namorado escondida dos pais. Foi tudo muito rápido, Ashley viu aquela jovem ao seu lado, assustou-se, mas algo a impediu de gritar. Emanuela a abraçou e a desvirginou ali mesmo antes de mordê-la e dar-lhe o Beijo da Eternidade. Levou para a casa de Carmilla para que se recuperasse. Formaram um trio, Emanuela, Ashley e Carmilla. Sua casa é um lugar muito badalado entre vampiros e vampiras de todas as idades e que tem em comum a busca intensa por um prazer carnal não convencional e totalmente sem compromisso.

Mary e M. vivem juntos, trouxeram para este mundo uma jovem de olhos claros e cabelos louros que tentara suicídio após a morte do namorado num acidente de trânsito. Thalissa é a filha amada e muito mimada de um casal feliz, que ainda pretende trazer mais umas três “crianças” para animar-lhes a casa, e que planeja ter muitos netos.

Brisa de verão

Brisa de verão
Corre o mundo inteiro
Voa, voa ligeiro
Procura aquele que ganhou meu coração

Brisa de verão voa e leva pro meu amor
Meu beijo e meu abraço de saudade
E minhas lágrimas cheias de dor
Diz pra ele que sem ele não há felicidade

Leva para ele da primavera as flores
Dos beijos de amor todos os sabores
Acaricia-lhe a face com pureza
Oferta-lhe da vida doces frutos com delicadeza

Refresca-o nos dias quentes de estio
Aqueça-o nas solitárias noites de inverno
Guia-o pelas trilhas perigosas da vida
Protegendo-o de forma desmedida

Brisa de verão
Amiga única nesta solidão
Encontra meu amor neste mundo sem fim
E com carinho traga-o de volta para mim.
47 - BRISA DE VERÃO

Página em branco

Página em branco
Suntuoso deleite
Minhas palavras magoadas
A manchar-lhes a pureza resguardada
Num passado pouco distante
Num suspiro rouco

Página em branco
Assim como em branco a vida permanece
Terreno onde todo o sentimento perece
E a alegria desaparece

Página em branco
Muda canção
Lua escura
História de amor
Sem final feliz
46 - Página em Branco

És acaso filho de Apolo?

És acaso filho de Apolo?
Um jovem Deus da beleza
Que me conduziu ao céu
Levantando dos mistérios o véu
Com teu olhar e pureza
Que hoje, distante eu imploro

Teu beijo é néctar dos deuses
Que desejo provar muitas vezes
Tuas mãos de seda
Deslizam pela minha pele aveludada
E assim nós nos amamos
Numa clareira, longe de olhos humanos

Ao nosso redor ninfas dançam
Mas teus olhos não se encantam
Pois teu olhar é só meu
Como teu coração prometeu
E meus olhos são só teus
Pois meu coração nunca lhe dirá adeus

Mas de repente tudo acabou!
O encanto que unia deus e mortal findou
Numa nuvem dourada você partiu
Nem me disse adeus, me abandonou
Continuei te amando, mas você não viu
E a dor do adeus fui eu quem sentiu.

(*** Essa poesia deveria ter feito parte de um novo romance que estou escrevendo***)

45 - ÉS ACASO FILHO DE APOLO

Capítulo 10 – Bruna e Carmilla

BIANCA

Após uma longa viagem, Bruna chegou à mansão de Carmilla. Estava tudo deserto, nenhuma movimentação. A amada devia estar fora, caçando. Esperou junto à grade. Poderia ter simplesmente entrado mas não quis. Ficou observando o local onde viveria a eternidade. O local parecia abandonado, no jardim, a grama estava alta, não havia flores e a cerca de madeira estava estragada em vários prontos. A casa também precisava de uma pintura, Bruna riu de seus pensamentos, parecia até uma Mortal.
-Boa noite, Bruna.
-Carmilla, meu amor…
-Seu amor? Se assim fosse, você teria me esperado, não se entregado à Bianca!
-Eu só queria estar com você, não queria esperar tantos anos.
-Temos a eternidade, o que eram para você mais 49 anos?
-Era mais tempo do que eu poderia suportar longe de você. Eu… Desculpa se eu não aguentei…
-Ótimo você já veio me ver, agora volte para a sua casa, para a casa de Bianca.
-Meu lugar é aqui, ao teu lado.
-Não é não, você deve servi-la durante 113 anos.
-Eu fui libertada.
-Ela te libertou?
-Sim.
-Entre.
Carmilla mostrou a Bruna seus novos aposentos. Foi com emoção que Bruna e Emanuela se reencontraram.
Emanuela continuaria sendo serva de Carmilla, pois esta não abria mão disso de maneira nenhuma. Deveria ser grata à Bianca por ter libertado Bruna, mas não o era. Bianca havia lhe tirado a chance de trazer para junto de si o amor de sua vida, ela gostaria de ter feito amor com Bruna antes de mordê-la, gostaria de ter sentido o sabor de seu sangue quente. Não considerava que, durante os 50 anos que Bruna deveria esperar, ela poderia sofrer um acidente, ou adoecer e morrer antes de ser transformada.
Apesar de amarem-se muito, as brigas eram frequentes, Bruna tinha ciúmes de Carmilla, que era incapaz de manter-se fiel. Principalmente, tinha ciúme de Emanuela e Carmilla, que pareciam formar um par perfeito de Luxúria. Após cinco anos juntas Bruna finalmente conseguiu que Carmilla libertasse Emanuela. Esta não foi morar com Bianca, partiu numa longa viagem pelo mundo tornando-se assim como Carmilla, uma sedutora incorrigível.
A libertação de Emanuela não contribuiu para tornar a vida de Bruna e Carmilla melhor; Carmilla saía para caçar e para se divertir, deixando a companheira sozinha por noites a fio.
Bianca não se conformava com a viagem de Emanuela, poderiam ter partido juntas, já haviam ficado separadas por tantos séculos. Era triste ver a amada abandoná-la novamente.

Um conto de Natal diferente

“Há 2014 anos vagavam em busca de abrigo uma mulher grávida prestes a parir e um pobre marceneiro. Tendo-lhes sido negado abrigo por diversas partes, abrigaram-se em um estábulo, em meio aos animais. Ali mesmo a moça, Maria, deu à luz seu filho. Era a criança que pagaria os pecados do mundo e por isso uma estrela guiou três reis magos até o local de seu nascimento. Ao chegarem lá, carregando seus presentes ao menino Jesus, surpreenderam-se ao verificar a enorme quantidade de fumaça desprendida por uma fogueira. Ao se aproximarem, verificaram que alguns dos animais do pequeno estábulo estavam mortos, alguns já estavam sendo assados em uma fogueira, outros jaziam a um canto, destrinchados. Um pequeno cordeiro balia tristemente – havia escapado à chacina, pois ainda não tinha carne suficiente. Maria, apesar de ter dado à luz há poucas horas, ignorava o balido aflito do pobre cordeiro e concentrava-se em comer um grande pedaço de carne ainda mal passada. José cuidava dos pedaços que estavam na fogueira para que não se queimassem. Ofereceram aos reis magos pedaços generosos de carne e assim banquetearam-se por toda aquela noite (que deveria ser) feliz”.

Achou algo estranho na história? Pois é… Até onde nos consta, Maria e José não promoveram uma chacina entre os animais do estábulo onde conseguiram abrigo, não é mesmo? Então, porque insistimos, ano após ano, em comemorar o Natal com a morte de animais inocentes? Já parou para pensar na grande contradição que é comemorarmos um nascimento através da morte? Quantos seres perdem a vida para a mera satisfação de um capricho de uma sociedade egoísta e hipócrita? Aproveite sim o final de ano, o espírito natalino. Reúna familiares ao redor de uma mesa farta. Troque presentes, e acima de tudo, troque carinhos, abraços e sorrisos e, lembre-se: neste Natal, não coma o presépio! Há varias e deliciosas opções veganas e vegetarianas para deleitar seus olhos e seu paladar.

Seguem alguns links de receitas natalinas sem carne:

http://www.cantinhovegetariano.com.br/2011/12/receitas-para-o-natal-e-ano-novo.html

http://www.veggietal.com.br/cardapio-vegano-festas/

http://www.menuvegano.com.br/article/show/739/ceia-de-natal-vegana-natal-vegano

Capítulo 9 – A decisão de Bruna

BIANCA

O dia estava quente. Muito sol, muito mar. Todos curtiam a praia, o feriado prolongado. Bruna nunca gostara muito de Carnaval, mas mesmo assim, havia aproveitado a folga e ido para São Vicente. Bebia uma cerveja na praia, enquanto lia uma revista qualquer. Um tédio. Como gostaria de ver Carmilla. Já havia passado dias e dias desde a última aparição da amada, onde estaria? Pensou em Mary, ela era sua irmã, poderia confiar nela e deixar-se transformar. Ela jamais faria algo de mal. Por que Carmilla não aceitava a proposta? A eternidade era infinitamente maior que os 50 anos que deveria esperar, mas por que sofrer assim por tanto tempo, se em uma noite poderiam estar juntas novamente? Foi até o emissário, onde havia encontrado aquele poema, o diário de sua irmã. Olhou o mar, as ondas a repetirem sempre o mesmo caminho… Assim como o amor, não era o que dizia aquele poema? Mas, se ela se deixasse transformar, o que seria da sua linhagem? Seria o fim dos de seu sangue sobre esse mundo mortal? Talvez fosse esse o destino, ou ela deveria casar-se e ter um filho, antes de partir? Quantas dúvidas.

        Mary e Bruna conversaram muito naquela noite. Bruna estava com medo da reação de Carmilla quando a visse, mas sua decisão estava tomada. Partiria para a Eternidade pelas mãos de Bianca, não esperaria por Carmilla.
Bianca chegou, vestia uma saia longa e uma bata azuis, bem leves. Abraçou Bruna, apresentou-lhe M., que viera conhecer a cunhada, conversaram um pouco, para aliviar a tensão. Depois pediram que M. e Mary se retirassem, pois Bruna queria estar sozinha com Bianca na hora da transformação. Foi tudo muito rápido, Bruna fechou os olhos, sentiu Bianca lhe acariciar o pescoço, e apenas uma leve dor quando foi mordida.
Dois meses depois, Bruna acordava na casa de Bianca e iniciava seus estudos na Escola de Vampiros.
Carmilla descobriu que sua amada havia sido transformada. Não há palavras para descrever o ódio que sentiu por Bianca e também por Bruna, que lhe desobedecera.