Os livros do #DesafioLiterpario2020 #Setembro e o último dia do BEDA (Blog Every Day August)

Chegamos ao último dia do mês de Agosto e, portanto, do desafio BEDA (Blog Every Day August) – Pela primeira vez consegui completar o desafio e postar todos os dias! Foi uma experiência difícil, em alguns dias a inspiração sumiu, em outros eu quase esqueci de postar e em outros eu queria fazer qualquer coisa menos ligar o computador, porém foi também uma experiência divertida e desafiadora então possivelmente eu faça uma pasta no meu computador e escreva aos pouquinhos trinta textos para o BEDA de Abril do ano que vem, quem sabe?

            Quem me acompanha sabe que este ano fiz a proposta de sair um pouco da minha zona de conforto literária sorteando todos os meses cinco livros com a intenção de ler ao menos um deles e postar o resumo nas redes sociais, para incentivar os amigos a lerem também. Infelizmente não há tantas pessoas acompanhando da forma como eu esperava, então o desafio tem sido mais algo de mim para mim. E tem sido divertido. Hoje eu fiz o sorteio dos livros a serem lidos em Setembro de 2009 e vou falar um pouco sobre eles com vocês:

Treinando a emoção para ser feliz – Augusto Cury: Esse livro já foi sorteado em algum dos meses anteriores do desafio e eu não consegui terminar, hora de tentar novamente!

Poemas Antológicos – Solano Trindade: Li esse livro tempos atrás e cheguei a postar no Instagran, mas não fiz um grande post nem falei sobre ele aqui no blog, então chegou o momento de fazer uma releitura e comentar com vocês sobre esses poemas incríveis!

Assim Falou Zaratrusta – Friedrich Nietzche: Um livro que exige várias releituras no decorrer da vida. Nietzche é um dos maiores filósofos de todos os tempos e sempre tem algo a dizer, mesmo após tantos anos de sua morte.

Triste Fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto: Literatura brasileira pré-modernista, com certeza é um livro cuja leitura será um desafio pelo contexto em que foi escrito.

Meus Primeiros Sonetos Clássicos – Organização Alexandre Carvalho/Silvio J. Estevam: Praticamente um livreto bem curtinho que apresenta sonetos selecionados de Shakespeare, Camões e Fernando Pessoa. Possivelmente eu inicie as leituras do mês por ele, pois ainda estou concluindo a leitura de outro livro do ano passado.

E vocês? Quais os planos de leitura para o próximo mês? Já leram alguns desses livros?  Comentem!

Esse post foi o último do projeto BEDA (Blog Every Day August) – Participaram também:

ObdulionoClaudia Viviane – Ale Helga – Drica – Lunna Guedes – Chris – Adriana – Mariana Gouveia

A tradicional família brasileira e suas incríveis histórias de amor.

Estamos caminhando para o nono mês do ano – Considerando que nove meses é o tempo necessário para gestar uma vida, gostaria de iniciar este texto com uma pergunta: O que a humanidade gestou para si mesma nos últimos tempos? E o Brasil? Qual futuro que nascerá das entranhas deste país confuso e sem rumo? Confesso que quando propus a mim mesma o desafio de escrever semanalmente um apanhado de notícias e fatos, sabia que haveria muita coisa absurda a ser comentada – E a ideia era justamente trabalhar com esses absurdos, criando um efeito de ironia e humor – Mas a situações apresentadas tem sido tão surreais que não consigo utilizar humor, ironia ou mesmo esperança. Apenas raiva e perplexidade. Em alguns momentos imagino que, daqui a cinqüenta, setenta anos, alguém irá ler estes textos e pensar “Não é possível! Esse país gigantesco viveu momentos de delírio coletivo” – Mas me deparo com outras realidades que me fazem pensar que talvez, daqui a setenta anos, não exista sequer humanidade, e isso não apenas pelos 25 milhões de infectados pelo COVID no mundo, mas por todo o contexto que acompanha a pandemia: No Brasil ainda permanece um clima de negacionismo, aquela lenda de que “é só uma gripezinha” pode não estar mais sendo comentada ostensivamente pelo governo, que nas últimas semanas está ao menos tentando fingir que trabalha – Já de olho nas eleições de 2022. A “boiada” citada por Salles na reunião ministerial vem passando enquanto nossas matas queimam: Amazônia, Pantanal, cerrado brasileiro – Tudo se desfaz em fumaça. O futuro da nação sobe aos céus em grossas nuvens negras. Mas o importante é que agora, a despeito da pandemia, o “novo normal” se instale e as pessoas possam ir até a praia, ao barzinho ou ao shopping – Para que manter o distanciamento social e aproveitar para pensar sobre o meio ambiente? E o Meio Ambiente não foi o único setor a apresentar retrocessos no Brasil – Num país onde os níveis de violência contra a mulher são alarmantes, uma recente mudança obriga médicos a encaminharem à polícia os casos onde a mulher procure o aborto alegando estupro – Tal medida é uma humilhação e possivelmente afaste ainda mais as mulheres vítimas de violência da busca por um atendimento médico ao qual elas têm direito – O importante é manter a sagrada e tradicional família brasileira, mesmo que para isso vidas sejam destruídas. Aliás, emocionante a história da Deputada Flordelis: Uma trama de amor onde ela casou com o filho adotivo, que era também seu ex-genro e acabou comendo capim pela raiz a mando dela – afinal, Deus deve se escandalizar mais com o divorcio do que com o assassinato. Sim, essa pessoa é uma ardorosa defensora da tal “família tradicional” – E não, eu não estou aqui para julgar a moral dela ao namorar o filho adotivo, o que ela faz na intimidade do lar é problema que compete apenas a ela mesma. Entretanto acredito que seja necessário pontuar que ela, assim como vários outros membros e apoiadores do atual governo, gritam e esperneiam seus slogans antiquados – Deus, Pátria e Família – Enquanto destroem o país, vendem nossas riquezas a preço de banana e destroem famílias através de políticas genocidas. Ou será que o novo normal é assassinar o marido? Pensando bem, talvez seja melhor mudarmos nossa bandeira – Podemos colocar deserto no lugar do verde, lama no lugar do amarelo, cinza no lugar do azul, cruzes do lugar de estrelas e na faixa central, substituir “Ordem e Progresso” por “Desgoverno e seus regressos”. E pelo cavalgar do cavalo manco, eu nem conto para vocês onde deve estar introduzido o mastro da bandeira…

Este texto faz parte do BEDA: Blog Every Day August

Ale HelgaViviane ChrisClaudiaObdulionoDricaMariana Gouveia – Lunna Guedes – Adriana

O dia em que te conheci

Nas primeiras horas da manhã te conheci

E no brilho do teu olhar eu vivi

Um amor que eu jamais tentei existir

E meu coração nem tentou resistir

*

Que loucura…Nem teu nome eu sabia e já te amava

E a cada momento te buscava

Querendo de ti me aproximar

Querendo em tua alma com meu amor navegar

*

E quando você me beijou, que doce magia

Pela primeira vez meu coração disparava

Meu corpo eu não sentia

Pelas nuvens flutuava

*

Quando separados fomos, que agonia

Aquelas breves horas tornaram-se tristes

Aquela noite foi então a mais escura e fria

E, em certa parte do caminho, ao teu lar chegastes

*

Ah, cavaleiro menino que hoje conheci

Com você pela primeira vez vivi

Um amor que jamais pensei existir

Lindo anjo… De te reencontrar jamais vou desistir

*

Pois sei que para sempre vou te amar

E muitas vezes juntos, desse doce dia vamos nos lembrar

Será eterno e puro esse amor

Que entre nós nasceu como delicada flor


Poema antigo, escrito em Setembro de 2009. É muito gostoso revirar papéis antigos e encontrar escritos dos tempos em que o amor romântico parecia ser a coisa mais importante do mundo.

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Uma canção de boas energias ♡

Faz um bom tempo que não escrevo sobre esse assunto aqui no blog, mas acredito que quem me acompanha desde o início sabe que me defino como neo-paga/wiccana. É verdade que ando afastada, me dedicando mais ao mundo real que ao espiritual, porém hoje tive vontade de compartilhar essa linda canção da minha religião com vocês. Espero que gostem e cantem bem alto!

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Pra se movimentar!

Chegando na reta final do BEDA a inspiração pras postagens começa a falhar um pouco – Eu poderia fazer um super texto sobre a importância de se movimentar e bla-bla-bla, mas prefiro ser bastante sincera em dizer para vocês que não consegui pensar em nada para postar hoje e não estava com vontade de revirar meus papeis antigos procurando escritos ainda inéditos. Então vou compartilhar alguns vídeos que tem feito parte da minha sequencia de exercícios pela manhã.

1- Yoga: Geralmente eu começo com a yoga para relaxar, despertar o corpo, aquecer e alongar. Uso sempre o Canal da Pri, no youtube. Tem vários vídeos para quem nunca praticou e é uma delícia ver as mudanças no corpo, principalmente aumento da flexibilidade e equilíbrio. Aproveitem que o canal tem muita coisa boa! Algumas vezes eu coloco rammstein para tocar de fundo enquanto pratico, quando escolho uma aula que já sei fazer sem precisar aguardar as instruções da Pri Leite, mas eu não aconselho ninguém a fazer isso, principalmente no início.

2) Dança do ventre

No início da quarentena eu estava dançando fitdance (que é basicamente funk e sofrência e eu não vou colocar o link aqui por acreditar que todo mundo conhece) todos os dias, agora dei uma mudada e tenho feito exercícios de dança do ventre. Vou compartilhar aqui o canal que tenho usado para relembrar os passos básicos (eu já fiz aulas quando era mais jovem) e que acredito que é ótimo para quem quer iniciar a aprender o básico em casa – Esse vídeo é o básico, mas tem muitos outros para explorar e aproveitar.

Para quem sabe inglês e já tem mais flexibilidade, esse outro vídeo é incrível, também estou tentando aprender os movimentos dele:

E essas são as músicas que estou tentando dançar do meu jeito, sem copiar as coreografias (que são lindas). Vou compartilhar para vocês verem e se encantarem:

3) Burlesco/Chair Dance

Eu sou apaixonada por danças sensuais, então vou compartilhar com vocês algumas rotinas de treino – Lembrando aqui que estou compartilhando as minhas favoritas mas que os canais são incríveis e tem MUITA coisa, então explorem e se divirtam. Infelizmente não achei nada em português então estou sofrendo com o meu inglês horrível e precisando olhar atentamente para o vídeo até decorar os passos.

Estou tentando fazer essa coreografia igual a elas – O que dificulta um pouco é a falta de espaço.
Aqui tem um super treino para quem quer fazer Chair Dance!
Pode parecer estranho no início, mas depois de alguns dias tentando, você vai se sentir super bem! E esse vídeo está em espanhol, o que facilita muito!

Agora mais três coreografias LINDAS que eu estou tentando fazer igual em casa (por enquanto mais falhando que conseguindo, mas me divertindo muito)

E para fechar duas músicas que estou usando para tentar criar coreografias com burlesco e chair dance ❤

Vocês podem encontrar mil defeitos em “50 tons de cinza”, mas jamais poderão dizer que a trilha sonora não é boa!

Para fechar: Quem for tentar Chair Dance, escolha uma cadeira forte, não muito alta e começa a testar o peso nela devagar! Não existe a cadeira perfeita, nas aulas geralmente usa-se as desmontáveis, tipo de bar, mas eu morro de medo e uso uma comum mesmo.

Gostaram da minha rotina matinal de quarentena? Me contem o que vocês tem feito para manter o corpo em movimento? E que música tentariam dançar?

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O misterioso Sr. Noah (Conto BDSM, +18)

O conto a seguir foi escrito para um concurso literário com temática erótica/BDSM. Infelizmente, perdi o prazo de envio e, para que ele não fique parado em uma gaveta, estou publicando aqui. Se você tem menos de dezoito anos de idade ou não gosta deste tipo de leitura, peço que não continue a ler este post e procure outro – afinal, aqui tem conteúdo para todos os gostos. Se aprecia literatura erótica e é maior de idade, continue lendo e deixe um comentário.

Camila estava sentada sobre os calcanhares – Havia perdido a noção do tempo, mas os músculos de suas pernas já começavam a causar desconforto. As palmas das mãos viradas para cima, postura ereta, olhos baixos. Seguira todas as instruções enviadas por ele na mensagem de texto: O quarto escuro, exceto por uma vela lilás colocada em um suporte alguns metros atrás dela, o corpo nu, adornado apenas por uma coleira, a cama arrumada e, sobre a cômoda, os objetos que havia recebido pelo correio naquela manhã: Cordas de juta, um chicote de hipismo, um flogger, uma chibata, alguns braceletes com pesadas argolas de metal, uma mordaça, pequenos grampos e um dildo. Tudo organizado exatamente como na foto que acompanhara a caixa. A ansiedade a fazia ficar excitada – Em silêncio absoluto, ela tentava identificar passos pelo corredor ou o som da chave na fechadura – Era torturante estar de costas para a porta. Tudo havia começado com uma sacola plástica que rompeu na porta do elevador espalhando latas e outras embalagens pelo hall do prédio. Ela estava com pressa, mas ajudou o novo vizinho a recolher suas compras do chão. No dia seguinte, encontrou um cartão agradecendo pela gentileza. Depois disso, esbarravam-se diariamente todas as noites: Cultivavam o mesmo hábito de correr e fazer exercícios na praia. Não falavam, mas trocavam alguns olhares – O corpo dela respondia intensamente quando reparava na bunda dele espremida na sunga ou quando, ao sair ou retornar, sentia o cheiro dele naquele pequeno elevador – Inúmeras vezes fora dormir pensando nele, desenhando com as próprias mãos os caminhos que gostaria de senti-lo percorrer com dedos, lábios e falo, e só dormia depois de chegar ao orgasmo. Precisava tirá-lo da cabeça – Baixou um aplicativo para conhecer homens e, para sua surpresa, a primeira solicitação foi justamente a dele: Senhor Noah. Ela tinha certeza de ter ouvido o porteiro chamá-lo Francisco, ou estaria maluca? Aceitou a solicitação e começaram uma conversa que se arrastou pela noite. Falaram o suficiente, nem muito, nem pouco, apenas o suficiente para estabelecerem algumas regras – estranhas para ela em um primeiro momento – sobre como seria uma relação entre eles. Ela estava presa por um estranho e arrebatador desejo, pesquisou tudo o que pode sobre as palavras que ele sugeriu e, após um choque inicial, gostou do que leu e viu. Então, chegou a mensagem de texto e a caixa. Naquele dia ela deu uma cópia da chave do apartamento para ele. “- Pensativa, cadela?” – A voz firme ocupou o quarto de Camila, que não havia ouvido nenhum ruído que indicasse a chegada dele. “-Sim”, ela respondeu. Um tapa lhe acertou o rosto “- Sim, o que?”. “- Sim Senhor”. Ele a tratava como uma cadela, mandou que ficasse de quatro e caminhasse pelo apartamento, que beijasse seus pés e retirasse seus sapatos. E ela se sentia molhada, excitada. Tentou falar, mas ele lhe deu outro tapa, desta vez na bunda “Cadelas não falam”. Amordaçou-a e colocou em seus braços e tornozelos as algemas e tornozeleiras de couro, unindo-as com uma corrente, mas deixando espaço para que ela pudesse caminhar de quatro. Ela estava exatamente do jeito que ele desejava: Entregue, sem possibilidade de fugir ou gritar. “Lembra dos gestos de segurança, cadela?”. Ela levantou a pata direita, sinalizando que lembrava, fazendo-o sorrir por perceber que ela havia lido até o final as instruções. Então, ele se desnudou, caminhou em direção a ela, passando propositalmente o pênis ereto de encontro bem perto do rosto dela. Sentou-se na beirada da cama e sinalizou para que se aproximasse e o tocasse com o rosto – Ele estava extasiado ao perceber que em nenhum momento ela se afastava ou demorava a cumprir uma ordem, apesar de ser a primeira sessão deles e, em especial, a primeira experiência dela no mundo da submissão. Sem avisar, ele levantou e colocou o dedo dentro da gruta dela, úmida e inchada. Pegou o dildo e introduziu nela, fazendo-a gemer. “Agora, cadela, eu vou retirar a sua mordaça e a corrente que está prendendo seus tornozelos e seus pulsos, e você ficará de pé, com as pernas ligeiramente abertas e os braços apoiados na parede. Quero essa bunda bem empinada e quero que você lata a cada golpe que sentir”. Camila sentia o dildo entre as pernas, desejava poder tocar o próprio clitóris, sua respiração ofegava. Em seus quase quarenta anos de vida, jamais havia pensado que um dia iria se submeter, física ou moralmente, a um homem – E, de repente, lá estava ela, latindo feito uma cadelinha e quase gozando a cada golpe. Sentia sua pele arder, mas não queria dizer a palavra de segurança – Desejava explorar os limites do corpo que, por tanto tempo, só conhecera o prazer de suas próprias mãos. Então, repentinamente ele parou e ordenou-lhe que deitasse no chão, de barriga para cima. Retirou o dildo de dentro dela, trocando-o por um pequeno e potente vibrador. Se ela queria explorar o próprio corpo, ele desejava saber até onde ela seria capaz de ir – Prendeu os grampos em seus mamilos, ouvindo-a dar um gritinho de dor. Vendou-a para que não conseguisse enxergar e ordenou que se tocasse, mas não gozasse. Ele a via contorcer-se e diminuir o ritmo. Seu falo desejava introduzir-se naquela gruta úmida e, ela não sabe, mas, por um momento, ele quase cedeu ao impulso de possuí-la. Começou a se masturbar, e ordenou que ela gozasse para ele ver. Ela se entregou completamente ao êxtase e ele, enquanto ela ainda arfava, atingiu o ápice, derramando seu leite pelo corpo dela. Então, ele ordenou que ela se sentasse exatamente da maneira em que o havia recebido no inicio da noite, afagou os cabelos dela e ordenou que tomasse um banho. Foi até a cozinha e preparou uma pequena porção de legumes e macarrão, colocou em uma vasilha de cachorro e ordenou que ela se alimentasse. Depois, observou-a organizar dentro da caixa todas as coisas que havia enviado, deixou-a novamente sentada sobre os joelhos, desta vez com o despertador programado para que ela se levantasse dentro de quinze minutos. Observou-a por mais um tempo – Uma mulher deliciosa, sem dúvidas. Saiu, fechando a porta e empurrando a chave reserva por baixo da porta. Nos dias seguintes, Camila não o viu. Aguardou uma mensagem de texto ou notícia, em vão. O perfil na rede social de paqueras havia sido desativado. Recebeu uma carta “Cadela, eu ordeno que escreva cada uma das fantasias que imagina realizar. Você deve criar um pequeno blog e postar no mínimo três vezes por semana, quero revirar cada um dos seus pensamentos devassos. Você está proibida de se masturbar ou de manter qualquer contato sexual com outros homens ou mulheres. Comece relatando aquela nossa primeira noite e depois solte a imaginação. Não se esqueça de manter o anonimato: Ao criar o blog, utilize a assinatura “Cadela do Sr. Noah”. Até um dia”. Camila sabia que entre as regras estabelecidas naquelas longas conversas, estava a de jamais perguntar aonde ele iria ou quando iriam se encontrar. Foi até o computador e criou o blog. Dois meses após a primeira noite, ela recebeu outra caixa, desta vez com um par de orelhas e um plug anal que lhe proporcionaria um belo rabo. Uma mensagem de texto dizia: Prepare o apartamento exatamente igual a primeira vez. Tenho lido seus textos e acredito que merece uma nova sessão e, dependendo do seu comportamento, talvez ganhe um nome desta vez. Por hora, fique com um afago do Sr. Noah.

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Sete metas para o pós quarentena

1) Voltar para as aulas de pole dance
2)Manter os bons hábitos adquiridos na quarentena (Fazer yoga, ler e explorar novas habilidades)
3)Estudar, estudar e estudar
4)Escrever todos os dias
5)Caminhar mais ao ar livre
6)Visitar mais as pessoas
7)Ser mais organizada.

E vocês? Quais as metas para o pós quarentena?

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Distopia Brasil: Entre frio, incêndios, crimes, infâncias roubadas e apalpadelas.

Os fatos desta semana dialogam diretamente com um texto que escrevi aqui tempos atrás sobre os que se auto-intitulam “pró-vida”. Sinceramente, gostaria que eles explicassem pró-vida de quem?  Semana passada, comentei sobre a menina de dez anos grávida que lutava para fazer valer seu direito já garantido de abortar o fruto dos estupros que sofreu desde os seis anos de idade. Segundo a imprensa noticiou, o procedimento foi feito e a menina está se recuperando – O que não muda o fato de que para muitos, ela é a assassina cruel. Não o tio que a violentou. Ela. Uma criança de dez anos de idade. Esse tipo de notícia ressalta a importância de lançarmos fora os véus religiosos e discutir educação sexual e aborto como duas fundamentais questões de saúde pública – Não importa o que diz o pastor, o padre, o guia – Importa manter as mulheres vivas. Importa explicar para nossas crianças sobre como se proteger de adultos que, muitas vezes, fazem parte da família. As leis podem e devem garantir a todas e todos o seu direito de culto (ou de ateísmo), mas jamais podem ser atadas a qualquer tipo de filosofia ou religião. Parece uma coisa lógica, mas infelizmente estamos em 2020 e ainda é necessário gritar com todas as forças que o Estado é laico. E por falar em Estado laico, sabemos que o nosso falhou miseravelmente quando vemos que o país superou largamente os cento e dez mil mortos na pandemia e ainda assim há que exerça pressão para que aulas sejam retomadas, expondo assim crianças, professores, funcionários e familiares ao contágio da COVID-19 – Mais interessante ainda é perceber que muitos que hoje desejam o retorno das aulas presenciais faziam parte de um grupo que clamava pelo direito de educar seus filhos em casa, longe das “influências esquerdistas da escola”. Descobriram que não possuem capacidade para educar uma criança ou apenas querem acelerar o genocídio, fazendo pressão para que as escolas reabram para que os filhos da classe trabalhadora retomem as atividades e por conseqüência, contraiam o vírus, enquanto os das classes mais abastadas permanecem em casa? Embora saiba que esses acéfalos não conseguem educar uma criança, sou mais tentada a acreditar na segunda hipótese: Gritam pelo retorno à normalidade enquanto se protegem em suas casas e deixam que a classe trabalhadora pague com a vida pela crise econômica agravada pela pandemia. Por falar em pagar, um triste fato se impõe: Quem conseguir sobreviver ao vírus irá lidar ainda por muitos anos com outra dívida: A ambiental. Enquanto o frio chega com força em muitas regiões do país, em outras o fogo segue destruindo florestas e esperanças de ter um meio ambiente equilibrado – Não precisa ser uma pessoa de inteligência acima do normal para saber que, sem meio ambiente equilibrado, não é possível a construção de uma sociedade onde as pessoas consigam ter uma vida digna?

Outra notícia preocupante: No Distrito Federal uma lei proíbe nudez nas exposições de arte. Completamente incoerente e desnecessária a lei pode servir de brecha para jogar o país numa nova idade das trevas, iniciando pela censura de obras que no mundo inteiro são admiradas – É só observar a nudez presente nas pinturas clássicas.

Para fechar este pequeno giro semanal, eu não poderia deixar de comentar a última trapalhada do presidente: Ao comparecer – sem máscara de proteção – a um evento de inauguração da central termoelétrica no Sergipe, Bolsonaro ergueu um anão no colo, acreditando tratar-se de uma criança (ou será que ele queria massagear as partes íntimas do homem?) Vocês devem estar pensando “Ah! Mas isso não é tão grave! Nem merece o tempo de escrever esse texto”. É, não merece. Se todo erro do governo fosse confundir anões com crianças, o país estaria caminhando bem. O problema, no caso de Bolsonaro está além de uma mera trapalhada, vai além mesmo da desinformação e da visível ausência de inteligência – O problema de Bolsonaro e seus seguidores é o ódio que cria, alimenta e espalha: Depois de uma semana de aparentemente auto-controle, Bolsonaro, ao ser questionado sobre os depósitos feitos por Queiroz na conta da primeira-dama Michele, respondeu que a vontade dele seria “encher a boca do repórter de porrada”, em mais uma demonstração clara de sua violência e falta de respeito. Inadmissível um chefe nacional dirigir-se assim a um jornalista! A questão que não quer calar: Será que nas eleições de novembro deste ano, as pessoas irão se atentar na hora do voto e começar uma verdadeira limpeza e renovação, escolhendo nomes que não estejam ligados ao bolsonarismo – ou irão ampliar em suas cidades os efeitos maléficos da grande tragédia que foi para o país a eleição de Bolsonaro? Questões que acompanharemos nos próximos capítulos desta distopia chamada Brasil 2020.

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Letícia, a nova vizinha – Ou o prato de sopa onde Berilo acredita que tudo deveria ter começado

(É possível entender este conto sem ler os outros dois, mas, caso você deseje – E eu espero que deseje – ler os dois primeiros contos e entender melhor a história, clique aqui e depois aqui)

Péssimo dia para uma mudança. Fazia frio e a garoa não dava trégua. Dois homens visivelmente mal-humorados vão tirando as caixas e móveis de dentro do caminhão-baú. Da janela, Berilo observa curioso o trabalho deles. Não parece nada fácil. Apesar do frio, se ocupa em tentar descobrir quantas pessoas irão morar no apartamento 701, o único vago do prédio. A pessoa teria alugado ou comprado? Seria uma família com crianças barulhentas ou um estudante universitário que chegaria tarde, fazendo arruaça e acordando os vizinhos de sono mais leve? Então, ele a viu: Uma moça de estatura baixa, pele bronzeada e cabelos encaracolados. Parecia bastante jovem, possivelmente iria morar com a família – Ao menos não haveria bagunça de criança pelos corredores nem ébrios desajeitados fazendo barulho pelas madrugadas. Ela era sem dúvida uma das criaturas mais bonitas que Berilo já havia visto na vida. Ele olhou para a sopa de espinafre que fervia no fogão. Podia parecer clichê ou cena daqueles filmes norte-americanos onde algum vizinho interessado em saber mais sobre novos moradores, leva uma torta de frutas e se oferece para ajudar em qualquer coisa. Talvez seguir roteiros clichês de vez em quando fosse uma boa ideia. Pensou em Marcus e em como seu coração se partira com o término repentino – Ele estaria pronto para flertar novamente? Seu coração respondia “não”. Seu corpo, subitamente enrijecido e arrepiado, respondia sim. Desligando a panela, desceu pelo elevador. Foi até a portaria verificar se havia correspondência e voltou bem a tempo de subir com a nova vizinha. Apresentaram-se. Ele com a voz quase sumindo, os olhos baixos e o corpo ligeiramente encolhido pelo frio e pela timidez. Ela com um sorriso cheio de covinhas e os olhos negros muito brilhantes e, ao mesmo tempo, desconfiados. Ele perguntou se ela e a família gostariam de um pouco de sopa de espinafre, para atenuar um pouco o frio. Ela brincou com o fato de que, se aceitasse, estaria fazendo duas coisas que a mãe sempre lhe dissera para não fazer: Conversar com homens estranhos e aceitar comida ou bebida de qualquer pessoa desconhecida. A brincadeira feriu os brios de Berilo – Então, a nova vizinha pensava que ele fosse um estuprador ou um bandido? Tanto pior para ela. Deu um sorriso amarelo quando ela saiu do elevador. Naquela mesma noite, encontraram-se novamente, ele estava na portaria entregando ao porteiro um pequeno pote com sopa, Letícia havia descido para esperar uma pizza que encomendara. Pensou em fazer uma piada sobre o acontecido de mais cedo, apenas para deixá-la constrangida, mas antes que pudesse abrir a boca, bateu os olhos na manchete de um jornal sobre a mesinha da guarita: “ VIOLÊNCIA CONTRA MULHER – O AGRESSOR PODE ESTAR MAIS PERDO DO QUE VOCÊ IMAGINA”. E então, ele se sentiu triste pela atitude que tivera mais cedo: Ela não fizera por mal. Apenas devia estar assustada, morando sozinha pela primeira vez em uma cidade tão grande. Estava se defendendo de um mundo difícil. Ele a observou pegar a pizza e subir. Poderia ter entrado no mesmo elevador, mas sentia que seria constrangedor para ambos. Uma sensação de perda o inundou: Com toda sua timidez e medo do desconhecido, Berilo acreditava que jamais teria coragem de tentar conversar com Letícia novamente – Ele ainda não sabia que quase dois anos depois, uma folha de limoeiro iria dar a eles uma segunda chance de conversar. Outra coisa que ele não sabia é que o relacionamento deles seria tudo, menos um clichê ou conto de fadas.

Sopa de espinafre

3 colheres de sopa de azeite

1 cebola média picada

1 maço de espinafre em folhas

2 batatas grandes

2 dentes de alho picados

Sal, noz moscada, cominho e coentro em pó à gosto.

Ferva água e mergulhe o espinafre por um minuto. Retire, escorra bem e pique grosseiramente. Cozinhe as batatas enquanto, em outra panela, refogua a cebola, o alho e os temperos. Vá acrescentando ao refogado o espinafre cortado e as batatas já cozidas, escorridas e cortadas ao meio. Desligue o fogo e coloque o conteúdo da panela em um liquidificador, bata bem, acrescentando aos poucos 700ml de água. Volte para a panela, acerte os temperos, cozinhe até engrossar e sirva em seguida, colocando um fio de azeite por cima se desejar.

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