Resenha do livro “Assim Falou Zaratustra” (Friedrich Nietzche)

Há livros para ler uma vez só. Há livros para ler várias vezes ao longo da vida. Assim falou Zaratustra pertence a essa segunda categoria. Pessoalmente gosto muito da filosofia de Friedrich Nietzche – já li o Anticristo e O crepúsculo dos ídolos há anos atrás – e sei bem o quanto é uma leitura exigente e ao mesmo tempo incrível.  Sendo assim, confesso: Uma única leitura de “Assim falou Zaratustra” não é suficiente para postar uma resenha completa.
O livro fala sobre a necessidade do homem em caminhar em direção a algo além de si mesmo: O super homem – Mas o que seria o tal super homem? Seria uma versão perfeita do homem que existe. O super-homem não acredita em mitos religiosos, ele tem o controle do próprio destino e não está acometido de males como a piedade, por exemplo. É nesta obra também que surge a célebre idéia de que “Deus está morto. O homem o matou”.
O autor utiliza-se de um personagem (Zaratustra) para dar vida às suas idéias e se expressa através de uma linguagem poética e bem trabalhada.
Ler Assim falou Zaratustra é um grande convite à reflexão, afinal, se realmente o homem é “uma ponte sobre o abismo em direção ao super-homem”, o que sentiria o super homem? Ele não crê em Deus, tem o controle da própria vida, não crê em além-mundos (vida após a morte, por exemplo). Sua vida é mais completa por ser assim auto-suficiente? Ou pelo contrário, o super-homem seria vazio e perdido em si mesmo? Evidente que o filósofo não nos dá essa opção: Para ele o super-homem é perfeito, um objetivo a ser atingido.
Como eu disse no inicio: Não é uma leitura para uma só vez. Daqui a um tempo irei ler novamente e, quem sabe, fazer maiores explanações e comentários aqui no blog. Enquanto isso fica o convite: Leiam. Vale a pena
Há livros para ler uma vez só. Há livros para ler várias vezes ao longo da vida. Assim falou Zaratustra pertence a essa segunda categoria. Pessoalmente gosto muito da filosofia de Friedrich Nietzche – já li o Anticristo e O crepúsculo dos ídolos há anos atrás – e sei bem o quanto é uma leitura exigente e ao mesmo tempo incrível.  Sendo assim, confesso: Uma única leitura de “Assim falou Zaratustra” não é suficiente para postar uma resenha completa.
O livro fala sobre a necessidade do homem em caminhar em direção a algo além de si mesmo: O super homem – Mas o que seria o tal super homem? Seria uma versão perfeita do homem que existe. O super-homem não acredita em mitos religiosos, ele tem o controle do próprio destino e não está acometido de males como a piedade, por exemplo. É nesta obra também que surge a célebre idéia de que “Deus está morto. O homem o matou”.
O autor utiliza-se de um personagem (Zaratustra) para dar vida às suas idéias e se expressa através de uma linguagem poética e bem trabalhada.
Ler Assim falou Zaratustra é um grande convite à reflexão, afinal, se realmente o homem é “uma ponte sobre o abismo em direção ao super-homem”, o que sentiria o super homem? Ele não crê em Deus, tem o controle da própria vida, não crê em além-mundos (vida após a morte, por exemplo). Sua vida é mais completa por ser assim auto-suficiente? Ou pelo contrário, o super-homem seria vazio e perdido em si mesmo? Evidente que o filósofo não nos dá essa opção: Para ele o super-homem é perfeito, um objetivo a ser atingido.
Como eu disse no inicio: Não é uma leitura para uma só vez. Daqui a um tempo irei ler novamente e, quem sabe, fazer maiores explanações e comentários aqui no blog. Enquanto isso fica o convite: Leiam. Vale a pena

Capítulo 20

Marjorie e Christopher eram felizes, apesar de seu casamento não ser baseado no Amor romântico e sim na amizade, no carinho, no respeito mútuo e na necessidade natural do ser humano de ter companhia e afeto.
Anne Camille já estava com 14 anos. Era uma jovem especial. Ao mesmo tempo sedutora e delicada, com seu jeitinho de garota pura e seu olhar de mulher. Era uma das únicas garotas de sua sala que ainda não havia beijado ninguém, não por falta de oportunidades, mas por falta de vontade… Apenas uma pessoa prendia-lhe a atenção: Luana.
O início da oitava série trouxe uma surpresa boa para Anne, o retorno de Valeska.
Luana e Anne eram amigas inseparáveis, haviam estudado juntas desde a infância, iam juntas para todos os lugares, dormiam uma na casa da outra. Luana era filha de um dos gerentes do Bingo Sete Mares, suas famílias eram muito amigas.
Suas personalidades eram opostas. Enquanto Anne era doce, delicada, Luana dizia tudo o que queria dizer sem rodeios, não se importava com o que as pessoas pensariam a seu respeito. Era tão paquerada quanto Anne, e, em boa parte das vezes aceitava “ficar” com os meninos, apesar de ser muito seletiva e escolher apenas os mais belos, aqueles que todas as outras meninas desejavam.
Anne sentia uma grande paixão por Luana. Morria de ciúmes ao vê-la sempre cercada de rapazes. Talvez, esse amor fosse o único segredo existente na amizade de Anne e Luana.
Um dia, Luana chegou ao colégio especialmente feliz. Naquele dia, iria encontrar-se com Rodolfo, que estudava no 3° ano do ensino médio; após as aulas, iriam para a casa dele, aproveitar que seus pais não iriam para lá durante todo o dia. Passariam a tarde toda juntos e sozinhos e, provavelmente, Luana poderia provar sua primeira noite de amor. Isso deixou Anne triste e mais agitada do que o habitual. Ela sabia que amava Luana, mas não entendia, não era certo amar uma garota. O normal é que meninos amem meninas e meninas amem meninos. Nunca havia conversado sobre isso com ninguém, e, pela primeira vez sentia necessidade de falar, se abrir. Era hora do intervalo, e ela foi procurar Valeska, para conversarem.
Contou a ela tudo o que estava se passando em sua vida, em seu coração, que, pela primeira vez despertava. Mas, dessa vez, Valeska não poderia ajudar.. O que ela poderia dizer àquela criança? Incentivá-la a lutar por seu amor não seria antiético?Afinal, estavam dentro de um colégio e Valeska era professora. Seu coração ficou apertado quando pediu que Anne procurasse outras pessoas, talvez seus pais, ou um psicólogo para ajudá-la. O intervalo acabou e todos voltaram às suas salas.
Luana estava cada vez mais ansiosa, seu grande momento estava chegando. Anne estava decidida a não deixá-la se entregar. Não sem antes saber sobre seu amor. A penúltima aula era Educação Artística, realizada em duplas. Luana e Anne sentaram-se juntas, como sempre.
-Luana…
-Que foi Anne?
-ah… Não, nada…
-Agora fala. Que aconteceu?Você hoje está tão estranha…
-Estou apaixonada…
-Sério?Até que enfim, hein?
-Mas acho que não sou correspondida.
-Ah… Que pena… Mas você acha ou tem certeza que não é correspondida?
-Tenho certeza…
-Por quê?
-Por que meu amor vai ficar com outra pessoa hoje.
-Ele estuda aqui?
-Sim…
-E vão ficar que horas?Na saída?
-Sim.
-Então, impeça !Lute por ele.
-Acha que eu devo realmente fazer isso?
-Lógico.
-Mas como?Como você faria para evitar?
-Na hora em que ele estiver saindo, corra atrás, diga que precisa falar com ele, olhe em seus olhos e diga que o ama… Depois, roube um beijo!
-Luana… Eu não sei beijar…
-Isso eu não vou poder te ensinar… Mas tenho certeza que você vai conseguir aprender!Quantos anos ele tem?
-14.
-Então, ele também não deve beijar tão bem assim… Vai fundo!

Após a aula de Educação Artística, veio uma aula de História. Anne não conseguia se concentrar… Pensava na hora da saída, como seria? Ainda faltava tempo para o final da aula, mas o material de Luana e Anne já estava todo guardado, Luana porque queria encontrar Rodolfo logo, Anne por que queria fazer o que Luana lhe disse.
Mal o sinal tocou, elas saíram correndo da sala. Misturaram-se à multidão de alunos que iam saindo… Ainda estavam no corredor, dentro do pátio, quando Luana e Rodolfo se encontraram. Anne se colocou entre eles, segurou as mãos de Luana e, olhando em seus olhos:
-Luana, eu nunca pensei que fosse ter coragem de fazer isso… Mas, eu te Amo… Não posso deixar que você fique com ele sem antes saber disso.
-Anne!Isso só pode ser alguma brincadeira, e de muito mau gosto!
-Não Luana… Eu te amo… Estou seguindo seu conselho, você falou para eu correr atrás do meu grande amor… Aqui estou eu (ajoelha-se e segura as duas mãos de Luana), pedindo que você fique comigo. Luana, chocada, tenta libertar-se das mãos de Anne, que, sem pensar em mais nada, levanta-se e a beija.
Alguns alunos que estavam ao redor haviam parado para observar a cena. Logo, vários as observavam. Rodolfo, indignado com o que via, saiu e deixou Luana ali, entregue àquela situação no mínimo estranha.
A inspetora de alunos chegou bem na hora em que Anne havia agarrado Luana e a beijado. Após o susto que levou ao vê-las aos beijos, leva-as até a diretoria.

Marjorie atende um telefonema. Deve comparecer com urgência ao colégio da filha. Preocupada, pede para sair mais cedo do trabalho e vai averiguar o que aconteceu… No caminho, vai pensando em como tem sido ausente nos últimos anos… Faz tanto tempo que não vai ao colégio saber como a filha tem se saído nas aulas. Sempre é Christopher que resolve tudo. ela não sabe nada,absolutamente nada da vida de sua própria filha,uma menina de 14 anos.
Na sala da diretora, o clima é tenso. Luana, nervosa, chora. Anne também está aos prantos. Tatiana, mãe de Luana, e Marjorie chegam praticamente juntas. Dentro da sala, estão Anne, Luana, a diretora e a inspetora. Após saberem o que aconteceu as mães de ambas ficam muito nervosas. Luana jura que nunca mais irá falar com Anne, diz que a odeia e que tem nojo dela. Isso deixa sua mãe mais aliviada. A diretora sugere que Marjorie leve sua filha a um psicólogo quem sabe assim não resolvem esse pequeno desvio de comportamento. Marjorie sente-se pessoalmente ofendida pelas palavras da diretora. O que há demais se a filha é homossexual? Ela tem o direito de escolher, de ser feliz. Então, se ela tivesse beijado um garoto dentro do colégio, não seria repreendida, mesmo que ele não quisesse ser beijado por ela, mas, por se tratar de uma menina, está sendo suspensa por três dias? Não era justo. Marjorie não podia reverter a suspensão de Anne, mas jamais deixaria de apoiá-la em suas escolhas. A diretora aproveita para lembrar-lhe o fato de ela nunca ir ao colégio, nem conhecer a maioria dos professores de Anne. Então é assim, distante que pretende apoiar a filha em alguma coisa?
No caminho de volta, Anne e Marjorie foram conversando. Fazia tanto tempo que não tinham um momento para conversarem. Marjorie nem sabia que aquele beijo roubado havia sido o primeiro de sua filha.
Anne não esperava tanto de Marjorie, mas ficou feliz. Christopher, apesar de ficar um tanto chocado com esse amor de Anne por Luana, também garantiu a ela que a amava do mesmo jeito, e que não havia nada errado em amar alguém do mesmo sexo. Porém, ressaltou, não é correto beijar essa pessoa dentro do colégio, principalmente sabendo que ela gosta de outra pessoa.
Os três dias de suspensão passaram-se rapidamente.
Valeska sentiu-se um pouco culpada pelo que havia ocorrido. Deveria ter tentado conversar com Anne, ao menos distraí-la.
Tatiana mudou Luana de período, e, no final do ano a mudaria de colégio, caso Anne fosse fazer o primeiro ano do ensino médio de manhã.
Os pais de Luana aconselharam Christopher e Marjorie a tentarem “cuidar” da filha deles. Muito preconceituosos, não acreditavam que duas mulheres juntas pudessem ser felizes, formar uma família. Isso acabou gerando um atrito entre as duas famílias, mas como tinham bom-senso, não deixaram que esse problema pessoal interferisse em suas vidas profissionais.
Foi muito difícil para Anne acostumar-se à ausência de Luana, mais difícil ainda foi acostumar-se ao ódio que a amiga passou a ter por ela. A maioria dos colegas a olhava desconfiados, como se fosse completamente anormal,deixou de ser uma das meninas mais populares do colégio, de estar sempre cercada de amigos. Mas, pensando bem, não sentia mesmo tanta falta deles. Até gostava de estar sozinha, na maioria do tempo.

Desta vez, nada impediu Marjorie de ir pessoalmente até o colégio no dia da reunião de pais e professores. Apesar da maioria dos professores acharem errado o apoio que os pais davam a Anne no tocante à sua opção sexual, não houve críticas quanto a esse fato, tampouco houve reclamações em relação ao comportamento ou desempenho de Anne nas aulas, ela ainda era uma das melhores alunas daquele colégio. Cada professor entrava na sala, apresentava seus comentários sobre o desempenho dos alunos, respondia as perguntas dos pais e retirava-se, dando lugar ao próximo. Faltava apenas Valeska, que seria a última das professoras da 8°série “A” a apresentar aos pais o desempenho dos alunos em sua matéria.
Valeska entrou na sala, percorreu o olhar pelo rosto de cada um dos pais de alunos, estranhou não ver Christopher na sala. Foi quando seus olhos cruzaram-se com os de Marjorie. Imediatamente, ambas se reconheceram. Valeska, muito nervosa, apresentou os resultados que deveria apresentar os comentários, as dúvidas dos pais. Após o término da reunião, pediu para ter uma palavra a sós com Marjorie.

Caderno de notas de Valeska:

 

(carta à Marjorie)

Minha amada,

Sei que mil páginas não conseguiriam expressar um amor como o que sinto por você, tão grande que já não cabe em minha alma e transborda pelos meus gestos, palavras e pelo meu olhar… mesmo sabendo que palavras não são suficientes,resolvi escrever essas linhas para você saber que eu te amo.
 Encontrar-te e me apaixonar por você foram os momentos mais mágicos da minha vida, pois desde a primeira vez que eu te vi o doce fulgor dos olhos teus foi despertando em mim o Amor: forte, doce, sublime, arrebatador, repentino e duradouro, que traz ao mesmo tempo a alegria e a dor.
 Não posso comparar esse amor que nasceu em meu peito ao Sol que nasce no horizonte, pois o Sol nasce,nos aquece,ilumina e depois vai embora, para voltar no dia seguinte, o amor não, ele nasce e fica para sempre ardendo em nossa alma, sem nos deixar um instante; poderia talvez comparar o amor à uma rosa que brota no coração: Bela, fresca, perfumada, colorida e cheia de espinhos que machucam e faz sofrer, e cujo único remédio é o teu carinho. Mas,não,não posso comparar o Amor que sinto por você a nada,pois esse sentimento é tudo em minha vida,é a aurora dos meus dias onde os raios de Sol são teus olhos e o ar que respiro é o teu perfume.meu coração chama teu nome,cada pulsação é um sussurro,chamando por você….
Gostaria de tê-la ao meu lado, ao menos, poder saber se neste momento você está pensando em mim, como eu penso em você a cada segundo.
O tempo é inimigo dos que amam cada hora a teu lado passada, me parece um breve momento, e cada instante distante de você me parece um milênio.
Às vezes, choro de saudades, lágrimas molham meu rosto, meu olhar… Lágrimas que mostram o sabor de amá-la e não tê-la perto de mim como eu desejo ter… São noites em claro, sem dormir… Já não diferencio os dias e as noites… Meus dias sem você são escuros como noites sem luar… Quando durmo, você é a rainha que domina meus sonhos, meus sentidos e me leva além deste mundo frio e triste…
Ah, como eu quero ao menos poder ouvir tua voz, espero o telefone tocar…
Acordada, sonho com a possibilidade de, andando por aí, encontrá-la, mesmo sabendo que estás tão longe… Mesmo assim, sonho… Imagino que estou andando na rua, e vejo você… Mesmo que rapidamente, mesmo que apenas para num rápido cumprimento, tocar tuas mãos macias como veludo e suaves como a leve brisa noturna no Verão.
Fecho os olhos tentando sentir o sabor dos teus beijos que eu ainda não tive a honra e a alegria de provar, mas sei que terão aos meus lábios a doçura que o néctar tem aos Deuses.
Poderia escrever tanto… mil palavras,mil páginas,mil cartas de amor,escritas com o sangue de meu coração solitário,e,ainda assim,não expressaria mais do que estas três palavras:
Eu te Amo.
Deixo aqui um pedido: A cada momento de sua vida, lembre-se que há alguém que te ama infinita e incondicionalmente e deseja muito estar ao teu lado, alguém que apenas aguarda uma chance de invadir teu coração e lhe dar todo o Amor do Universo.
Beijos, abraços e carinhos,
De uma amiga que a ama, que, mesmo sem você saber, está aqui, entregando-lhe para sempre o espírito e o coração, deixando-os a teus pés…
Por favor, não os abandone em qualquer canto… eles precisam apenas estar a teu lado,para serem felizes,pois foram criados pelas Forças do Universo para estarem ao teu lado,para sempre….
“Amo-Te”

Eu e você

Silêncio… É tudo o que restou
Silêncio e lágrimas
Solidão de quem tanto caminhou
E no teu olhar encontrou doce amor e paixões cálidas

Depois de tudo… Muito ou pouco?
Depende do ponto de vista, o que vejo e o que vês
Pra você, eu e você fomos quase nada… Um delírio louco
Ou uma amena distração, talvez

Eu e você… Nós… Era o mundo pra mim
Era a felicidade em cada manhã e despertar
Eu e você… Se não era pra ser assim
Por que devo ser condenada a ver a cada manhã o Sol brilhar?

Eu e você… Tantas lembranças e recordações
Tanta ternura e emoção
Eu e você… Tempo tão doce que vivi, envolta em doces sensações
Eu e você… Daria a vida por mais alguns segundos desta paixão

Eu e você… Um lapso de tempo, uma quimera?
Eu e você… Juntos… Quem me dera…
Eu e você… Para sempre em minha vida
Eu e você… Esperança atrevida

Eu e você… Para sempre unidos
Eu e você… Momentos amados
Eu e você… Não é esperança… É certeza
De que em algum lugar dentro de ti, nosso amor ainda é chama acesa…

(Poeminha antigo, desencavado de alguma velha gaveta. Imagem Internet)

Blog do Mês (Março/2015): Palavra Crônica

Como já expliquei em outro post, estive ausente devido a uma grande mudança de rotina e estando assim, sem tempo, não consegui postar nem comentar os textos que li – o que não significa que eu não tenha lido nada. Pelo contrário: As escapadelas entre um texto e outro me ajudaram (e muito) a aliviar o stress desse período difícil. Então, mesmo com um (enorme) atraso, vou postar algumas palavras sobre um blog que eu acompanho há algum tempo –  Palavra Crônica.

O escritor e publicitário Diego Engenho Novo tem o dom de resumir sentimentos em palavras com profundidade – seus temas giram em torno do cotidiano e vivências humanas e muitas vezes ao visitar o espaço parece que encontramos exatamente aquilo que precisamos ler – é impressionante!
Entre tantos textos – Sim, para a alegria dos amantes de uma boa leitura as postagens além de excelentes são freqüentes – três me chamaram a atenção e me fizeram decidir escolher o Palavra Crônica como o blog do mês de Março: O fundo do poço, postado dia 26/03 onde em poucas linhas o autor fala exatamente sobre essa sensação de estar literalmente no fundo do poço que acontece com todos vez ou outra. Não costumo postar trechos de outros blogs, mas aí vai um trecho super reflexivo “A gente alarga, cava, ensaia o salto, dança na borda, a gente pede pra cair e cai. Se pararmos pra pensar, no fundo de todo poço há uma verdade, que teimamos em negar, para a qual viramos as costas, como se fosse possível evitar o que se mantém desconhecido. De fato é terrível cair, mas a cada dia me parece mais certo que a melhor forma de sair do poço é entendê-lo. No final de todo poço há um reflexo de nós mesmos” . É ou não é uma verdade incontestável e dolorosa, escrita de uma forma poética e bela?
Outro texto que me impressionou pela simplicidade e profundidade foi Signos, onde o autor, relatando um reencontro, fala sobre mudanças e a possibilidade de mudar quem você é – não apenas fisicamente, mas seus hábitos e coisas que já haviam sido aceitas por você (e pelos outros).
Talvez entre tantos blogs este tenha sido tão especial para mim este mês justamente pelas mudanças pelas quais eu venho passando – final da faculdade, uma pausa em cursos extra-curriculares que eu amava e estou sem horários para freqüentar, um emprego onde permaneço oito horas por dia com uma folga semanal depois de ter passado os últimos três anos trabalhando entre quatro e seis horas diárias com folga aos finais de semana. Tudo isso muda, cansa, estressa e ler, ao final de uma noite cansativa, crônicas repletas de sensibilidade sobre temas que podem ser o retrato da alma de cada um de nós é certamente um enorme elixir de paz e emoção.

Espero que vocês gostem dos textos dele tanto quanto eu gostei!

Talvez um dia

Talvez um dia essa dor vá embora
Talvez um dia as horas não se arrastem
Talvez um dia eu te veja e não sorria chorando por dentro
Talvez um dia nossas mãos estejam novamente entrelaçadas
Talvez um dia a lua nos veja abraçados novamente
Talvez um dia eu te diga que te amo e você entenda
Talvez um dia você diga que me ama
Talvez um dia amar traga conforto e não dor
Talvez um dia lembranças sejam bem vindas
Talvez um dia não seja mais preciso tentar esquecê-lo
Talvez um dia sonhar seja realidade…
Talvez um dia a vida seja alegria…
Talvez um dia… Eu e você mais uma vez… Para sempre…

(Poema um pouco antigo, retirado do meu primeiro livro)

70- Talvez um dia

Capítulo 19

O dia estava muito quente, por isso a sorveteria La Bamba estava lotada.  Melissa deixou-se ficar na calçada, esperando Gabi, para irem a algum outro lugar, mais sossegado. Viu-a chegar. Havia parado o carro no outro lado da pista. Estava muito diferente da Gabi que havia conhecido alguns anos antes, mas nem por isso deixava de fazer seu coração bater mais forte.
Gabi passou ao lado de Melissa e nem a notou, entrou na sorveteria. Melissa entrou logo em seguida, viu-a em pé, olhando para todos os lados, tentando descobrir entre tanta gente quem poderia ter mandado aquele bilhete.
-Gabi…
Gabi fica paralisada. Não pode ser. Tantas pessoas poderiam tê-la encontrado… Isso só poderia ser uma brincadeira do destino. Justamente Melissa.
-Então Gabi. Tantos anos se passaram. Você não vai me dizer nada?
-Melissa?
Melissa não resiste e segura também à outra mão de Gabi, esquecendo-se de que está em um local público e lotado.
-Meu amor… Finalmente eu a reencontrei.
-Amor?Não Melissa, você nunca foi capaz de amar, sempre disse que o amor era ilusão, perda de tempo.
-Gabi… Eu dizia isso até ir morar em São Paulo,até ficar distante de você…até te perder,e,só quando a perdi,soube o valor que há em um amor verdadeiro.
-Você me perdeu, Melissa, você me machucou muito, desdenhou o amor mais puro… Agora, não adianta voltar atrás, pedir outra chance… Esse corpo que você olha pode pertencer a qualquer pessoa, exceto a você.
Gabi estava em prantos. Várias pessoas voltavam-se para observá-las..
-Gabi, por favor, se acalma… Vamos conversar vamos nos dar uma nova chance, começar de onde paramos.
-Nunca.
-Você não me ama mais?
Lágrimas…
-Não, Melissa, eu não te amo mais.
Sem pensar, Melissa agarra Gabi e a beija, um beijo quente, cheio de desejo e saudade. Gabi não resiste e entrega seu coração a esse beijo, ao menos por alguns segundos. Em seguida, empurra Melissa, lhe dando um tapa na face, as pessoas ao redor ficam chocadas com a cena. Gabi, entre lágrimas, sai correndo, não espera o farol e tenta atravessar a Avenida, um carro em alta velocidade vem em sua direção, Melissa, que saíra correndo atrás dela nem pensa, apenas a empurra, jogando-a longe e sendo atropelada em seu lugar.
O motorista foge, sem prestar socorro…
Várias pessoas correm para ver o que aconteceu, Melissa está desacordada. Por alguns instantes, recupera a consciência e consegue dizer apenas: “Gabi…o que sinto por você é para sempre. Se acontecer alguma coisa ruim comigo…estarei sempre com você”, então,desmaia novamente.
Na sala de espera do pronto socorro, Gabi chora. Melissa arriscara sua vida para lhe salvar, e, talvez, aquela declaração de amor tenha sido suas últimas palavras. Seu estado é muito grave, precisou ser operada às pressas, apresentou hemorragia interna e também traumatismo craniano, além de uma fratura na perna.
A equipe médica havia entregado a ela os pertences de Melissa. Havia passado pelo menos 4 horas, e, nenhuma notícia. Só então Gabi decide procurar no celular de Melissa um telefone qualquer, para o qual possa ligar. Encontra o telefone de Diana. Após duas ou três tentativas, Diana atende. Fica muito chateada ao saber do acidente, mas não pode lhe fornecer nenhuma informação sobre como encontrar a família de Melissa, nem amigos. Faz pelo menos dois anos que elas não se vêem, e, nas poucas vezes que se encontraram, não fizeram amigos comuns ou falaram de suas famílias.
Gabi encontra o telefone de Valeska. Liga. Valeska está em casa, assistindo um filme. Não tem vontade de atender ao telefone, mas após tantas ligações seguidas, acaba atendendo. Ao saber da notícia, vai imediatamente ao pronto socorro.
Faz o possível para acalmar Gabi. O médico entra na sala de espera, diz que, só após 24 horas poderá dizer se Melissa corre ou não algum risco, até então, sua situação é instável e não há prognóstico possível.
Foram as piores 24 horas na vida de Gabi, que se sente culpada pelo que aconteceu. Seu orgulho e seu medo de sofrer a impediram de aceitar Melissa de volta em sua vida, e, agora,tudo o que mais queria ,era saber que Melissa ficaria bem, viveria. Talvez, se ela não tivesse sido tão dura, elas estariam agora juntas, aproveitando todo o tempo que perderam.
Valeska decide não avisar nada à família de Melissa, seus pais já tem uma idade um pouco avançada, não era justo preocupá-los. Passam-se semanas, Melissa está em coma induzido, é transferida para um quarto particular, onde pode receber as visitas de Valeska e Gabi, que se identificam como as únicas pessoas que a conhecem.

Chega o dia da reunião, Valeska, sempre organizada, não havia terminado os relatórios sobre seus alunos… Passa a noite em claro.
Está nervosa. Algo lhe diz que encontrará sua amada nessa reunião.
As mães de todas as crianças estão presentes, exceto a mãe de Anne Camille, que não pôde comparecer, devido ao trabalho, por isso, pediu que o marido fosse à reunião em seu lugar. A cada bimestre era convocada uma reunião, e, desde o início do ano letivo,a mãe de Anne Camille não havia comparecido à escola.
Christopher, apesar de saber toda a história de Valeska e Marjorie, nem percebe que, a professora de sua filha é o grande amor de sua esposa. Acha,assim como Marjorie, que o nome é apenas uma simples coincidência.

Dois meses após o acidente, Melissa recebe alta do hospital, mas não deve voltar a trabalhar, tendo que ficar em repouso e fazer fisioterapia. Gabi a leva para sua casa, para poder cuidar dela como é necessário.
Estão em Setembro, no colégio, há outra reunião. Novamente, Marjorie não pôde ir conhecer a professora favorita de Anne.

Anne tem uma personalidade ao mesmo tempo dócil e agitada. Faz amizades muito facilmente, mas cansa-se delas mais facilmente ainda… Uma das poucas pessoas que conseguem prender sua atenção é Valeska.
Em Novembro comemoram o aniversário do colégio, os alunos fazem pequenas apresentações de teatro,dança,recitam poemas, todos participam de uma maneira ou de outra. Como não podia deixar de acontecer, Anne e suas amigas apresentam uma pequena coreografia, onde, como sempre, ela se destacava mais do que todas as suas colegas, haviam pedido que fosse deixado no palco um vaso, com uma rosa vermelha. A música tem um ritmo forte, que a faz dançar com a rapidez e a leveza de quem a qualquer momento levantará os pés do chão e irá dançar nas nuvens. Sua roupa azul-celeste destaca a pele ligeiramente morena e os traços orientais delicados. Quase no final da música, abaixa-se suavemente e pega a rosa do vaso. Dançando,desce do palco,mistura-se à multidão e entrega a rosa à Luana,sua melhor amiga.Volta para o palco,termina a coreografia e recebe merecidos aplausos.
Como sempre, Marjorie não compareceu à festa, Diana não pôde assistir, pois se mudou para São Paulo e Christopher desta vez também não pôde prestigiar a filha.
Valeska tira muitas fotos de Anne, fica imaginando, se fosse sua filha, e de Marjorie, sempre teriam tempo de ir juntas aplaudi-la. Sente que Anne é mais solitária do que deveria ser. Apesar de estar sempre cercada de amigos, não tem a inocência da idade, a confiança que as meninas têm umas nas outras. Conversa apenas o necessário, e somente quando está com vontade de fazê-lo.

Em Dezembro, Melissa já está recuperada, mas decide retornar ao trabalho apenas após as férias. Ela e Gabi estão, aos poucos, recuperando os anos que perderam. Decidem casar-se, Melissa consegue se transferir para a comarca de São Vicente, onde passam a morar juntas.
Enfim, um final feliz?
Não, o amor não tem início nem final. O amor é um círculo infinito. Em cada final, um início, em cada início, um final. O amor atravessa todas as distâncias, vai além de todas as vidas, todo o tempo e o espaço. Quantas vidas Melissa e Gabi não viveram juntas antes? Desde que seus olhos se cruzaram pela primeira vez, suas almas sabiam que se pertenciam, por toda a eternidade. viveram, morreram,atravessaram séculos,novamente se cruzaram. Novamente,a vida colocou-lhes obstáculos. Viveram juntas? Morreram de amor? Quem sabe? Apenas, pode-se saber que, amaram-se. Quantas vezes repetiu-se esse ciclo, até renascerem Melissa e Gabi? Quantos anos até se reencontrarem nessa vida? Até Melissa perceber finalmente que amava Gabi? Quanto sofrimento? Lágrimas. Não, esse não é simplesmente o final feliz da história de Melissa e Gabi, é apenas o triunfo do amor, não é o final de uma história e sim o início de outra. O início de uma vida feliz que um dia, novamente terminará,e,no futuro,recomeçará. Elas não serão mais Melissa e Gabi. Terão outros nomes, outras personalidades… Talvez renasçam em outro país, com certeza em outra época… Mas serão sempre duas almas que se amam… Repetirão eternamente esse ciclo de amor.
Valeska acompanha a felicidade da amiga… Muitas vezes, imagina um reencontro com Marjorie… Será que ainda está casada?Ama o marido?Tem filhos?Muitas vezes elas planejaram ter um bebê. Marjorie sempre dizia que iria colocá-lo em aulas de Karatê. Mesmo que fosse uma menina. Valeska, apaixonada pelo Balé, dizia que, mesmo se tivessem um garoto, ele iria freqüentar as aulas de dança. Planejaram tanto… E para quê?
Valeska cedeu a casa na fazenda para que Melissa e Gabi pudessem ter uma lua de mel. Melissa ainda estava fazendo fisioterapia uma vez a cada quinze dias, mas seus movimentos já estavam quase normais. Seus pais ficaram chocados ao vê-la com Gabi, achavam que, após tantos anos, esse amor já não existisse mais, e, agora, não havia nada que pudessem fazer para separá-las.
Valeska passou uma noite de ano-novo solitária, mas, todos os últimos anos haviam sido assim, mesmo cercada por seus amigos, aquela saudade, aquela dor, insistiam em machucá-la, maltratá-la.

No dia 1° de janeiro, Anne Camille completou doze primaveras. Tentou ligar para Valeska, convidando-a para sua festa, mas infelizmente, o celular da professora estava sempre fora de área.

Caderno de notas da Valeska

 

“Cores do tempo”

“Olho para trás e posso ver as cores do tempo que se passou…

O verde broto da infância…

Delicado, inocente e cheio de esperanças…

As alegres cores do florescer da juventude…

Sensuais, nem por isso menos doces…

Atraentes aventuras,

Profundas emoções…

Agora, vivo o outono,

Cores pálidas…

De tudo o que senti,

Os sentimentos intensos da juventude vão aos poucos caindo ao chão,

Como folhas secas ao vento…

Mas, o Amor que sinto por você sobrevive…

Agarrado em minha alma como o broto agarra-se a um ramo em dia de vendaval…

Passam-se os anos,

E o Amor continua a ser um broto verde que trás esperança ao coração…

Uma flor que enfeita a vida…

Ilumina e a cada dia, me mostra o verdadeiro motivo de estar aqui,

De recomeçar,

Renascer juntamente com o Sol…

Renascer com o luar…

Muitos anos ainda se passaram

Até que eu atinja o inverno da vida,

E, mesmo assim,

Quando as cores obscuras do inverno dominarem meu espírito,

E,

Todas as folhas já estiverem caídas ao chão,

Mesmo assim,

O Amor permanecerá em meu coração,

Flor que desabrocha e nunca seca

Seus brotos ainda serão verdejantes…

Fortes,

Invencíveis e imortais brotos de Amor

Cheios de esperanças… colorindo minha vida,

Flor que desabrocha e nunca seca

E dá forças e alegria ao meu coração,

Coração que ainda estará esperando por você…”

Valeska foi transferida para São Paulo. Voltou a morar com a família. Era estranho estar de volta. Foi difícil acostumar-se novamente à sua casa, sua cidade.Anne ficou muito triste com a partida de sua professora predileta, tudo foi tão repentino que nem houve tempo de pedir-lhe o novo telefone ou o e-mail.

Muitas vezes, Valeska passava os finais de semana em São Vicente, com Melissa e Gabi, em alguns feriados ia para a fazenda…O tempo foi passando…

Dois anos após se casarem, Melissa e Gabi adotaram uma menina, agora eram uma família completa. Valeska tentava, mas não conseguia tirar de seu coração a imagem de Marjorie, por isso, ainda estava sozinha.

TAG #ILOVEMYBLOG

A Mari Bomfim do blog Mire na Lua, me indicou para responder essa TAG. O nome da TAG é “I Love My Blog” e foi iniciado pelo blog Papos de Estrelas. A finalidade é divulgar alguns blogs que não tem muitas visualizações e para que os blogueiros se conheçam.

Adorei a TAG e vou responder com todo o carinho do universo!

1) O que lhe incentivou a ter um blog?

Leitura e escrita sempre fizeram parte do meu mundo. Há alguns anos mantenho uma página no Recanto das Letras e confesso que no início não acreditei que alguém fosse realmente ler e comentar os meus escritos, porém com o passar do tempo fui recebendo mais e mais comentários por lá e isso me incentivou a expandir. Publiquei dois livros pela editora clube de autores, porém ainda faltava alguma coisa. Em 2013 criei a página Devaneios e Poesias no facebook – foi um pouco decepcionante ver que estranhos no Recanto das Letras curtiam mais o meu trabalho do que muitos dos meus amigos que nem sequer curtiram a página! Eu já lia blogs há algum tempo, mas não achava que teria assunto o suficiente para manter um, porém decidi arriscar (incentivada por alguns amigos e leitores) e aqui estou.

2) Qual a importância do blog para você?

O momento de escrever as postagens e administrar o blog é um dos melhores do meu dia e posso dizer que o dia em que não me dedico a fazer algo por aqui é um dia bem vazio. É gratificante ler a visão de mundo das pessoas e também é gratificante compartilhar um pouco de você mesma com o mundo e receber comentários de pessoas que utilizaram um tempo do dia delas para ler o que você tem a dizer.

3) Quem te indicou a ter um blog?

Alguns amigos que curtiam meus poemas e alguns leitores do recanto das letras.

4) Quais os assuntos do blog?

Nossa! Praticamente uma revista de variedades! O foco principal são sentimentos: poesias, devaneios, visão de mundo. E tudo isso passa por outros assuntos: filmes, livros, cultura e até mesmo culinária – afinal, ninguém é uma ilha em si mesmo e muitas vezes o que acontece ao redor acaba magoando, emocionando, alegrando ou causando alguma sensação, não é verdade?

5) Como você se sentiu em ter seu primeiro comentário?

Super feliz! Foi pouco depois da criação do blog e eu não imaginava que seria tão rápido!

6) Quantos comentários você tem ao todo no momento?

Até o momento 514!

7) Qual a meta deste ano para o seu blog?

Ainda não estabeleci uma meta para o blog. Ficaria bem feliz em conseguir atingir pelo menos mil seguidores e mais feliz ainda se a página do blog no facebook também chegasse a um número significativo de curtidas, porém não é essa a prioridade.

8) Até onde você deseja chegar com o blog?

O céu é o limite! Brincadeiras a parte: O blog faz parte de quem eu sou e quase tudo que ocorre ou ocorreu na minha vida se reflete aqui, então, espero que onde eu chegar haja inspiração para que o blog chegue comigo!

Os indicados da TAG são:

Meu caro relicário

Metacrônica

Entre Aspas

Interferência Urbana

Rancho das Crônicas

Poetriz 

As regras são simples:

– Taguear de 8 a 11 blogs com menos de 500 seguidores;
– Colocar o selo da tag (você pode criar um, se preferir);
– Linkar quem criou a TAG; e
– Linkar quem te tagueou.

❤ espero que gostem das respostas!

Sei que as meninas lindas do Banalidades Cotidianas me marcaram em uma TAG também… Prometo que vou responder! Estou aos poucos colocando tudo em dia por aqui!

Filme vs livro: O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

Há tempos postei no blog uma resenha do livro “O retrato de Dorian Gray” do autor Oscar Wilde. Posso dizer que é um dos meus livros favoritos: Além da trama bem trabalhada e do estilo inigualável do autor, a obra trás elementos fortes para pensarmos acerca do comportamento humano e no caráter. Quem já não ouviu aquela frase: “Quer conhecer o homem? Dê poder a ele”. Pois bem, se o mero poder na maioria dos casos já altera o comportamento das pessoas, como seria se um garoto jovem, bonito, rico e paparicado se visse de repente de posse de um estranho e sobrenatural poder cujo efeito é passar para um retrato todas as marcas que deveriam permanecer em seu físico e em sua alma devido a erros e maldades?  Esse é o tema trabalhado por Wilde.

O filme baseado no livro é simplesmente incrível – efeitos especiais, um elenco de tirar o fôlego (vamos combinar: Todos atuam muito bem e de quebra o Bem Barnes, que faz o papel de Dorian, é simplesmente lindo). Há alguns personagens que não existem na obra original, bem como algumas cenas e situações são diferentes, enquanto outros personagens e cenas são suprimidos, porém, esses acréscimos e supressões não alteram a mensagem do livro. Como no caso da maioria das boas adaptações de livros para o cinema, vale a pena ler o livro e depois assistir o filme.

Ah! Uma boa notícia: O filme não está mais em cartaz, porém é fácil encontrá-lo no youtube:

Tag: Os 10 melhores livros

Boa noite!

Fui convidada pelo blog Eurico Gomes a participar da Tag “Os 10 melhores livros”. Fiquei feliz pois foi a primeira Tag em que meu blog foi marcado! As regras são bem simples: Primeiro você faz uma lista com os 10 melhores livros da tua vida, depois indica quatro blogs para fazer o mesmo.

Minha lista:

1) Dom Casmurro – Machado de Assis.

Foi o primeiro “livro de adulto” que eu li, ainda na 3ª série do ensino fundamental e me fez apaixonar pela literatura brasileira. Gostei tanto que antes de chegar à sexta série eu já havia lido quase toda a obra machadiana.

2) Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco

Sabe o livro que te faz chorar pela primeira vez? Inesquecível a sensação de sentir os olhos se encherem de lágrimas com a dor dos pobres Simão e Teresa.

3) O mundo de Sofia – Jostein Gaarder.

O mundo de Sofia me fez despertar para a filosofia. É um romance incrível e super didático, daqueles que vale re-ler depois de um tempo.

4) O Anticristo – Friedrich Nietzche.

Uma vez me disseram que eu não deveria ler Nietzche por ser “pessimista, ateu e doentio”. Foi o mesmo que me falar :”corra e leia, você não sabe o que está perdendo”. Gostei muito das posições do autor em relação a vida e as crenças humanas.

5) Os sofrimentos do jovem Werther – Goethe

Livros antigos geralmente me atraem, os que pertencem a segunda geração do romantismo em especial me encantam. Simplesmente acho o livro perfeito.

6) A lira dos vinte anos – Álvares de Azevedo

Confesso que demorei para me interessar por poesia, porém, após ler A Lira dos Vinte anos, mudei de opinião e passei a amar o gênero, principalmente as mais tristes e densas.

7) O amante de Lady Chatterley – D.H Lawrence

É uma obra prima da literatura erótica que me fez perceber que a sexualidade pode ser bem explorada em palavras. Não é um livro que eu deseje re-ler, porém é sem dúvida uma obra que me fez quebrar paradigmas e entender que eu poderia se quisesse, descrever cenas intimas sem que por isso o texto se tornasse vulgar.

8) As ligações perigosas – Chordelos de Laclos

Um delicioso romance epistolar e um retrato sombrio da índole humana.

9) O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde

Outro livro que é ao mesmo tempo um retrato da índole humana e um convite a reflexão: O que você faria se pudesse fazer qualquer coisa que quisesse sem consequências?

10) O diário roubado – Règine Deforges

Foi o primeiro romance gay que eu li e influenciou bastante o meu inicio na escrita. Eu devia ter uns 13/14 anos quando li “O diário roubado” e como a personagem tem uma idade semelhante e escreve um diário, eu, tendo me identificado com ela pela idade e pela simplicidade da escrita, comecei a escrever pequenos textos também.

Indico para essa tag os blogs:

Banalidades Cotidianas

Coletânea de Giz

Sentimentos de um garoto

Livros com pipoca

Bom, é isso, minha lista de livros, os blogs que marquei… Espero que gostem!

Capítulo 18

O Colégio Prazer de Aprender era um prédio enorme, localizava-se na Avenida Conselheiro Nébias, em Santos. Era ali que Valeska trabalharia daquele dia em diante. O ambiente era divertido, trabalhava com adolescentes, e relembrava sua própria adolescência. Tinha menos de trinta anos, mas era como se fizesse muito tempo mesmo que havia freqüentado um cursinho pré-vestibular. Adaptou-se rapidamente ao novo trabalho. Nos dias de folga, mantinha-se ocupada, passeava na praia, saia à noite para dançar, procurava não permitir que sua vida caísse no tédio Mesmo assim, sentia falta de ter alguém em quem confiasse para conversar. Ligou algumas vezes para Gabi, mas essa a atendeu friamente. Encontraram-se. Jantaram juntas, foram ao cinema. Gabi pediu para dormir no apartamento com Valeska. Durante a noite, tentou fazer sexo com ela. Ainda não havia percebido que apenas Melissa completaria sua vida. Continuava a entregar seu corpo em troca de migalhas de amor, momentos de satisfação. Valeska chamou um táxi, e pediu que Gabi voltasse para sua casa. Foi a última vez que se viram.

            Em dezembro foi à fazenda. Parecia que nada havia mudado. Aquele quarto, com paredes cor-de-rosa. As bonequinhas na estante, sua colcha de retalhos, já velha e desbotada, mas ainda sobre a cama. Essa colcha era do quarto de Valeska em São Paulo, tantas vezes não amara Marjorie sob ela impregnando-a com o odor de seus corpos quentes. Esse odor perdera-se no tempo, assim como sua vida.

Os pais de Valeska pensavam em vender o sítio. Já estavam velhos e Valeska não era mais uma criança que necessitasse de espaço para expandir-se.. Valeska ia segurando-os, observava que ainda passavam as férias no sítio, que pretendia adotar um bebê em breve, essa criança precisaria de espaço para crescer. Com muito esforço, conseguiu convencê-los a manter o imóvel.

            Aos sete anos, Anne Camille iniciava a primeira série. Marjorie decide colocá-la no Colégio Prazer de Aprender Jr., pois teme que o Pequenos Passos, onde havia estudado até então não seja suficientemente preparado para dar a ela as bases que Marjorie deseja.

            O Prazer de Aprender Jr tem suas instalações separadas do cursinho, sendo localizado na Avenida Epitácio Pessoa. Anne Camille logo se acostuma aos novos amigos e professores. Diana vai todos os dias levá-la e buscá-la,pois a escola onde leciona é próxima.

            Valeska, conversando com Melissa pelo MSN, comenta a falta que sente de ter uma amiga por perto. A solidão a maltrata e muitas vezes ela já havia pensado em desistir de tudo e voltar à São Paulo.Melissa decide pedir transferência para Santos, assim podem morar juntas. Envolta em tanta burocracia, só consegue realmente mudar-se de cidade em dezembro. Mesmo assim, ambas sentem-se melhor estando próximas, dividindo novamente o mesmo lar.

            Nas férias de Julho Valeska viaja para a fazenda. Melissa sabe que Gabi após formar-se nunca mais voltou à sua cidade de origem, por isso, não vê motivos que a levem a viajar com Valeska.

            Conhece Diana através de um chat. Ambas amam crianças. Diana está participando de um projeto educacional voluntário, com crianças entre cinco e sete anos. Melissa decide ir até o endereço indicado, apenas para conhecer o projeto. É uma escola simples, na zona noroeste da cidade, local famoso por ser humilde e esquecido. O projeto consiste em, durante as férias incentivar as crianças a freqüentarem a escola… Realizam passeios educativos, brincadeiras que facilitam a alfabetização, contam histórias, assistem filmes… Melissa, que está em período de recesso do fórum, começa a participar do projeto… Passa seus dias entre as crianças. Diana muitas vezes pergunta-lhe coisas pessoais, se é casada, se ama alguém, se namora… Ela sempre descobre uma maneira de desconversar. Foram férias razoavelmente boas para Melissa.

Valeska pôde aproveitar cada instante daquele contato íntimo com a natureza para renovar suas forças.Gostaria de encontrar Marjorie, apenas uma última vez. Apenas olhar nos olhos daquela que, mesmo longe, domina seu coração. Queria constatar por si mesma a felicidade da amada. É difícil imaginá-la feliz nos braços de um homem.

Trecho do Caderno de Notas de Valeska

(PS: Mais um poema novo, falando de um sentimento antigo, sentimento que faz parte da vida desde o início, atravessa séculos, e, enquanto houver um coração batendo, chamando por alguém, existirá.)

“As ondas quebram nos rochedos.

 Violentas e Cruéis,

Mas nem por isso, menos belas.

O Sol forma uma faixa rosada no horizonte.

É a aurora que chega.

Pássaros da manhã começam a voar.

Iniciam-se mais um dia.

Mais um pedacinho de nossas vidas

Passa lentamente.

A saudade chega a ser palpável.

é tão real quanto essa areia que conforta meus pés cansados.

Bate forte, como as ondas naqueles rochedos.

E tal como as ondas vão aos poucos despedaçando as pedras,

A Saudade vai despedaçando meu coração.

As pedras nunca mais voltarão a ser pedras, tornar-se-ão poeira de pedras

Mas eu juntarei os pedacinhos do meu coração,

Juntarei cada grãozinho.

Para restaurá-lo, apenas uma magia servirá.

Olharei em teus olhos,

Sentirei tua energia,

Ouvirei tua voz.

Abraçarei-te com força e paixão.

Com ternura, com amor.

E, então, tudo volta ao normal.

Meu coração já não estará mais partido de saudades,

Pois a magia do amor uniu novamente seus pedacinhos.

E, à beira dos rochedos,

Choraremos a emoção de mais um fim-de-tarde.

Agradeceremos às Forças Invisíveis

Pelo nosso Amor,

Pela força maior que une nossas almas,

Lamentaremos as rochas,

Que,solitárias vão se desfazendo,

Por não amarem e não poderem guardar seus pedacinhos para serem unidos pela força maior do Amor.

Veremos as aves recolherem-se,após mais um dia…

A noite irá cair.

as águas do mar serão Iluminadas pela Lua.

Que brilhando,saldara nosso Amor,

E,mesmo com todo o seu brilho,

Não brilhará mais do que nós.

Passearemos noite a dentro,

Apenas eu,você,

O mar e o luar.

Então,

Desejaremos o abrigo de nossos corpos,

e,vamos também nos recolher ao nosso ninho.”

            O tempo passa, as férias terminam… Valeska se vê novamente envolta em seu mundo, aulas a preparar, alunos amedrontados com a perspectiva do vestibular, alguns indecisos quanto à escolha da futura profissão, alguns rebeldes. Tudo isso a mantém bastante ocupada e distraída.

Melissa e Diana continuam conversando pelo MSN, às vezes, se encontram, pois o projeto no qual atuaram durante as férias continua em funcionamento durante o resto do ano,mas apenas nos finais de semana.

Apesar de conversarem muito, Diana nunca havia contado à Melissa nada sobre sua família, seu pai,sobre Marjorie.

            Anne Camille tinha os traços de Marjorie, rosto oriental, delicado, uma pequena gueixa. Desde criança, demonstrava que,assim como a mãe,seria uma bela mulher. As únicas características que vinham do pai eram uma pele ligeiramente morena e uma altura mediana, crescia depressa,e ao que tudo indicava,seria mais alta que Marjorie.

            Um dia, Valeska precisou ir até a unidade de educação infantil e ensino básico, pois outra professora havia, por engano, levado seu plano de aulas para lá, após uma reunião.

Eram cinco e meia da tarde e as crianças estavam saindo das aulas… Enquanto esperava a professora que fora buscar sua pasta, observava as crianças. Viu num grupinho especialmente animado uma menina que lhe chamou atenção. Seus olhos lembravam muito Marjorie. Devia ser apenas impressão, coisas de sua cabeça. Pegou a pasta e foi embora.

Nesse dia, se houvesse escutado seu coração e permanecido ali por mais alguns minutos, Valeska teria encontrado Marjorie, que fora buscar a filha para inteirar-se de sua situação no colégio.

 

Caderno de notas de Valeska

“Amor.

Caminho da Vida,

Estrada da Alma.

Flor,

Espinho,

Lágrimas,.

Sorrisos,

Dor e prazer,

Encontro e desencontro,

Prosa e poesia,

Música,

Gravura,

Doçura,

Mais que tudo em nossa vida,

Sonho e realidade,

Auge da loucura e da razão,

Fino véu que separa a alegria e o sofrimento,

Amor.

Maltrata o coração,

Mas sem ele,

Não há sentido em viver,

Amor que buscamos,

Procuramos,

Amor que só encontramos uma vez,

Amor que irá nos guiar para sempre,

Com força…

Vencendo mares bravios,

Escalando as cordilheiras,

Saindo de nossos recantos mais profundos,

Até chegar ao cume de nossa alma…

Dominar nosso coração…

Nossa mente,

Nosso corpo…

Mostrando-nos que não há mais sentido em buscá-lo,

Pois nós não o encontramos…

Ele já está escrito,

Ele nos encontra…

Atravessa Mundos, Dimensões,

Atravessa o tempo,

Atravessa o espaço,

Apenas para nos encontrar…

Cumpre tão longa jornada apenas para tocar nosso coração…

Unir-nos em seus laços…

E fazer com que nossas vidas,

Que seguiam estradas separadas, por vezes opostas,

Se encontrem,

E sigam juntas no caminho que lhes foi traçado…

Se completando,

Se fortalecendo…

E,

Acima de tudo…

“Amando”

Quatro anos se passam.

            Anne Camille, com onze anos, irá iniciar a quinta série.

Sua beleza é estonteante. Quem a olha, imagina que já tem quinze primaveras. As aulas de dança fizeram seu corpo bem torneado e rijo. Por onde passa, todos a olham e os rapazes fazem de tudo para agradá-la, mas ela finge não perceber. .Além de tudo isso,também é uma garota muito inteligente,uma das melhores alunas de sua sala.

            Em seu primeiro dia, conhece a nova professora de Literatura, Valeska, que agora, além do cursinho, lecionava também nas salas entre quinta e oitava série do ensino fundamental.

Aquela menina lembrava-lhe alguém. Lembrava-lhe Marjorie… Não havia como ter acesso à ficha pessoal da aluna, sem um bom motivo para isso. Não podia tampouco, pedir-lhe uma redação falando sobre a família, pois redação não fazia parte de suas aulas.

Os dias foram passando… Arrastavam-se… Logo chegaria a primeira reunião… Conheceria então as mães de suas alunas, e, provavelmente, poderia constatar que andara pensando bobagens, deixara-se levar pela esperança de reencontrar Marjorie e havia ligado seu rosto àquela aluna.

            Melissa havia conseguido realizar um de seus objetivos: agora, era Juíza de Direito. Após prestar o concurso, foi nomeada para uma comarca no Interior, deixando Valeska novamente sozinha em Santos, fazia dois anos que sua vida resumia-se a analisar processos e mais processos. Não havia esquecido Gabi, mas não conseguia imaginar como localizá-la. Poderia recorrer a seus contatos, policiais, detetives, mas não se sentiria bem fazendo isso: Seria como espionar a vida da bem-amada.

Seus recessos eram divididos entre alguns dias no interior, com a família, e outros em Santos, com Valeska.

Permanecia solteira.

            Em São Vicente havia um quiosque famoso por sua alegria e animação, chamava-se Quiosque da Cris, era freqüentado pelo público GLS. Nas noites quentes de verão, estava sempre lotado. A paquera acontecia livremente, lugar bem-frequentado, cheio de gente bonita. Melissa e Valeska decidem ir até lá, em uma bela noite de sábado. Era Dezembro e ambas estavam de férias, e, solteiras,pelo menos socialmente, pois fazia anos que,em seus corações,estavam casadas.

Chamaram algumas amigas, pois não queriam passar a noite toda sozinhas. O lugar estava lotado. Não havia mesas e tiveram que aguardar em uma lista de espera.

            Enquanto observavam, puderam notar em uma das mesas um grupinho especialmente animado. Cinco ou seis mulheres, mais ou menos entre 27 e 30 anos. Entre elas, destacava-se uma bela loura, cabelos longos e cacheados. Sua pele é de um moreno claro, suave e aveludado. Veste-se sensualmente, saia curta, sandália de salto alto, blusa mostrando as costas… Usa uma maquiagem leve, porém, como tudo nela, provocante. Seu olhar e seu corpo exalam sensualidade, mas,observando-a podemos notar uma intensa sede de amor.

            Melissa a olha fixamente. Não é possível. Gabi? Não. Gabi era morena, como explicar esses cabelos tão louros?Talvez, tenha-os tingido.

Após conseguirem uma mesa, um pouco distante do outro grupo, Melissa continua a observar. Percebe que estão todas desacompanhadas. Cochicha algo com Valeska, que após olhar bem, confirma, sim, é Gabi quem está na outra mesa. Melissa não tem coragem de simplesmente ir até lá e dizer “oi”. Todas as amigas que foram ao quiosque com ela e Valeska já conseguiram encontrar alguém com quem passar a noite. Talvez sejam mulheres de sorte, pois, aos quase trinta anos ainda não encontraram um amor verdadeiro, que lhes mostre que, sem estar com quem se ama, não há prazer nem felicidade… Mas, será isso ter sorte?Valeska e Melissa sabem que não. Por mais que o Amor machuque, é preferível derramar lágrimas por amar a viver o deserto de não sentir que, a cada momento, necessitamos de alguém ao nosso lado.

Talvez sejam simplesmente mulheres que isolaram seu coração, para não sofrerem mais desilusões, e, ainda vivem a ilusão da felicidade momentânea de uma noite…

Seja como for, Valeska e Melissa vêem-se novamente sozinhas. Decidem ir embora.

Melissa escreve um bilhete:

“Gabi,

Meu telefone é:

(n° do celular)

Se você quiser saber quem sou eu, me liga.

Pense bem antes de amassar esse bilhete e jogá-lo no lixo. Você pode estar jogando fora a sua felicidade.”

“Alguém”

Pede para uma das garçonetes entregá-lo à Gabi, sem dizer a ela quem havia escrito. Vai até o carro de onde pode observar a reação de Gabi ao receber e ler o bilhete, que é guardado na bolsa…

            Dias depois, o telefone toca. O número é desconhecido. Melissa, ainda sonolenta, atende.

Uma voz sensual, do outro lado da linha:

            -Com quem eu falo?

            -Gostaria de falar com quem?

            -Com a pessoa que, algumas noites atrás, me enviou um bilhete, no Quiosque da Cris.

            -Oi Gabi. Você está falando exatamente com quem quer falar.

            -Como sabe o meu nome?

            -Não importa agora. Vamos marcar um dia, nos encontrar,você vai saber quem eu sou.

            -Não vou encontrar uma desconhecida que fica fazendo joguinhos de anonimato.

            -a escolha é sua…

            -…

            -…

            -Tudo bem… Aonde vamos nos encontrar?

            -Você conhece a Sorveteria La Bamba, na Avenida da Praia, próxima ao canal 4, em Santos?

            -Conheço.

            -Você poderia estar lá, hoje, por volta das 14 horas?

            Era segunda feira, Gabi estava com reuniões importantes marcadas para o dia todo. A agência de turismo era longe do Canal 4,mas,por outro lado..

            -Não posso nem pensar em marcar nada hoje, estou cheia de compromissos.

            -Tem certeza?Não há como arranjar um espacinho nessa agenda tão lotada?

            -Tudo bem.  Pode ser às 15 horas?

            -Pode.

            -Então, até logo.