Que teus beijos sejam açoite

Que teus beijos sejam açoite
A ferir meus lábios rosados
Que nossos dias sejam noite
Nossos corpos, desertos cálidos

Que nosso prazer seja tempestade
Nosso amor, longa jornada
Que tu sejas a fonte donde volto saciada
Quando tu me amas com intensidade

Que sobrevenha então a calmaria
Que o ímpeto seja substituído pela ternura
Que a noite torne-se aurora
E sob o Sol nascente adormeçamos envoltos em magia.

66- que teus beijos sejam açoite

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Resenha do livro “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley)

Imagine uma sociedade perfeita onde todos são felizes durante todo o tempo. Onde cada criança já vem ao mundo condicionada a exercer determinada profissão e não consegue se imaginar feliz fazendo outra coisa. Nessa sociedade maravilhosa tudo o que importa é a estabilidade social, a tecnologia e o prazer – quando não se está trabalhando, o importante é ter prazer. Parece bom não? Na verdade esse é o cenário perturbador do livro “Admirável Mundo Novo” do autor inglês Aldous Huxley. E porque cenário perturbador? A obra retrata uma sociedade hedonista onde a tecnologia avançou tanto que já é possível gerar pessoas sem a necessidade de um útero para gestar os bebês, que são todos idênticos e “programados” para a casta em que deverão passar a vida. O preço para viver numa sociedade tão organizada e “perfeita” é alto: A humanidade futurística imaginada por Huxley perdeu basicamente tudo que entendemos por “humano” – não há mais amor, fidelidade, família – todo mundo é de todos. Busca-se o prazer pelo prazer e há um incentivo para que quando não estão trabalhando as pessoas se comportem como crianças. E para que ninguém sinta angústia, há o soma, uma espécie de droga. Livros e museus foram proibidos. Os filmes e músicas falam apenas sobre prazer e sexo. O mundo é dividido em dez regiões administrativas centrais. Tudo perfeitamente igual. É nesse cenário que vivem Bernard e Helmotz, dois homens que ainda arriscam-se a pensar e sentem-se desconfortáveis com a realidade. E é para este mundo que será trazido John, o selvagem, filho de Linda, uma das poucas mulheres não estéreis dessa sociedade que, acidentalmente ficou perdida numa reserva de selvagens (um território na América onde pessoas ainda vivem “da forma antiga”).

            É um livro de linguagem fácil e tamanho relativamente pequeno, porém tão denso que nos impede de ler por ler, sem estabelecer pensamentos sombrios e críticos. Nossa sociedade caminha para algo parecido com a sociedade imaginada por Huxley? Vale a pena ler o livro e pensar na mensagem que ele tenta passar.

Sobre o autor: Aldous Leonard Huxley nasceu em Godalming (Inglaterra) em 26/07/1894 e faleceu em Los Angeles (EUA) em 22/11/1963.  Escreveu diversos ensaios, contos e romances, dentre os quais se destacam Admirável Mundo Novo (1932), Contraponto (1928) e As portas da percepção (1954), livro de ensaios que influenciou a cultura hippie.

Meu cavaleiro de capa e espada

Meu Cavaleiro de Capa e espada
Quanto tempo eu aguardei tua chegada…
Na alta torre deste Castelo chamado solidão
Olhava o horizonte e pensava “esse tal amor não existe não”

Ah, meu doce herói de olhar sedutor
Você me ensinou o que é o Amor
Você que como um raio de Sol minha vida iluminou
Você que meu solitário coração amou

Meu príncipe misterioso
Resgata-me impetuoso
Corre comigo pelos campos da paixão
Semeia em minha vida flores de ilusão

A ti dei meu coração
E só teu é o meu amor
Abraça-me, embala-me, segura minha mão
Deixa-me sentir teu corpo, teu calor

Deixa que ao teu lado eu veja a vida cor-de-rosa
Como um conto de fadas sem fim
Como uma canção melodiosa
Doce como o amor que há em mim

Amado cavaleiro, livre tu és, pelas estradas da vida a viajar
Deixa-me então aguardar-te com candura
E sempre que a mim teu coração retornar
Estarei no alto da torre a te esperar, com infinita ternura.
65 - Meu cavaleiro de capa e espada

Nas noites sem luar

Nas noites sem luar
Saio a vagar
Sonhando acordada, querendo te encontrar
Torno-me ser da escuridão
Uma alma repleta de solidão

Nas noites de lua nova
Entôo-lhe meu amor em versos, em trova
E no meu coração a esperança se renova

Nas noites de lua crescente
Busco-te novamente
Não te encontro e choro tristemente

Nas noites de lua cheia
Minha alma em enamorado sonho vagueia
E a lembrança do teu olhar meus caminhos clareia

Em noites de lua minguante
Sempre só, delirante
Sonho estar em teus braços, meu Cavaleiro triunfante…

64 - Nas noites sem luar

Na escura noite minha alma mergulha

Na escura noite minha alma mergulha
Lança-se no breu
Busca conforto na desesperança
Sente a dor que borbulha
E vê da vida imagens turvas
Sente-se perfurar em ponta de lança
Rota traçada sem rumo, incerto caminho
Em imenso mar, sou nave perdida
Sempre de partida
Sempre sem chegada, sem retorno, sem prumo.
Lúgubre sítio meu peito se tornou
Por que recusas assim quem tanto te amou
Fria solidão para mim restou
Desse amor que em meu coração brotou

63 - Na escura noite minha alma mergulha

2 anos sem Chorão

Há dois anos eu recebia a notícia de que um dos meus ídolos havia partido para outro plano – Chorão, um dos primeiros artistas a me fazer gostar de rock nacional, trilha sonora de vários intervalos na época do colégio, de vários finais de tarde assistindo Malhação (confesso, eu quase não assistia, mas sempre que possível ligava a TV para ouvir a música de abertura). Era um dos meus sonhos conhecê-lo pessoalmente e infelizmente sei que isso já não será possível. Uma pena.
Não há muito que se possa dizer sobre a tragédia da morte, por isso, encerro este breve texto por aqui e deixo a publicação do poema que escrevi quando recebi a notícia da morte dele.

Adeus, Chorão! (poema de despedida)

Lúgubre se fez o amanhecer
O sol brilhou mais triste
No céu um novo anjo existe
Alma que a Dama de Negro veio colher

Os anjos te levaram pela mão
Pelas nuvens, de Skate vais correr
Com teu jeito louco e alegre de viver
Mais belo será o céu, mais vazio nosso coração

Com suas canções, muitas vidas embalou
E agora no céu eternamente vai cantar
Pássaro que tão jovem silenciou

Um poema é pouco pra falar
Muitas saudades você deixou
Um pouco de nós você levou…

(E se um dia você cantou, hoje cantamos pra você: “De qualquer jeito seu sorriso vai ser meu raio de sol” Sim, de qualquer jeito, onde estiver, o seu sorriso será nosso raio de sol”)

E, para não perder o costume, um “top 10” com as minhas canções preferidas:

1) Dias de luta, dias de glória

2) Meu novo mundo

3) Só os loucos sabem

4) Céu Azul

5) Me encontra

6) Lugar ao Sol

7) Ela vai voltar

8) Tamo aí na atividade

9)Pontes indestrutíveis

10) Senhor do tempo

#saudades #chorãoeterno

Capítulo 16

Para Marjorie, aquele dia estava sendo particularmente horrível. Acordara com muito enjôo. Estava também com uma forte dor de cabeça, havia semanas que não dormia bem, mas e sentia muito sono durante o dia. Mesmo assim, foi trabalhar. Já não ocupava mais o posto de caixa-operadora no Bingo Sete Mares, fora promovida à supervisora, pois Christopher havia sido transferido para o Bingo Estrela do Mar, recém inaugurado pelo dono do Sete Mares em sociedade com mais dois amigos. O novo cargo a deixava estressada, entrevistar candidatos às vagas de trabalho, a obrigação de demitir pessoas que não estavam se enquadrando aos requisitos da empresa. Durante à tarde, reunião com a equipe de atendentes. Após a reunião teve que demitir uma moça recém-contratada que havia dormido durante o turno da noite, a pobre moça chorava muito, mas Marjorie teve que ser forte e manter sua decisão. Tempo para almoçar?Só mesmo durante os dias de folga. Do Bingo, foi diretamente para a faculdade, teria uma prova muito difícil, e não havia estudado nada. Já na sala, sentia muita tontura. Devia ser o nervoso, falta de alimentação, pois não conseguira comer nada, devido ao enjôo. Após realizar a prova, decidiu ir para casa. Não agüentaria assistir às outras aulas, mas, mal entrou no estacionamento subterrâneo do campus, sentiu-se pior, chegando a ter um breve desmaio.
Christopher ainda não havia saído do Bingo Estrela do Mar, onde estava trabalhando no período noturno aquela semana, quando seu celular tocou. Ao saber que Marjorie havia sentido-se mal, não pensou duas vezes e foi buscá-la.o carro deles estava com ela,por isso,teve que ir de ônibus,chegando lá,decidiu levá-la direto ao pronto-socorro. Horas depois, iam para a casa, Marjorie deveria ficar alguns dias em repouso, apenas uma precaução, não deveria se cansar mais do que seu novo estado permitia. Christopher estava radiante. Iria ter um filho com a mulher que amava. Desejava curtir cada momento essa nova paternidade.
Calada, Marjorie não entendia direito o que estava acontecendo. Como havia engravidado?Tomava tantas precauções, camisinha, pílula. Ainda faltava fazer o exame apropriado, que não era realizado no pronto socorro, mas ao que tudo indicava. Lágrimas corriam de seus olhos. Não queria ter um filho, simplesmente por que não amava Christopher, não como homem. Amava-o sim, como um amigo, respeitavam-se. E nas noites solitárias, saciavam seus desejos, mas não eram um casal normal. Como iriam ter e criar aquele filho? Ao ver a esposa chorando, Christopher percebeu ligeiramente o que se passava na cabeça dela. Sem palavras, limitou-se a abraçá-la.
A confirmação da gravidez foi uma reviravolta na vida de Marjorie. Decidiu continuar no trabalho e na faculdade, apesar da insistência de Christopher para que se afastasse de ambos e ficasse em casa, apenas descansando. Apesar do medo e de tudo o que havia pensado quando soube que estava grávida Marjorie começou a aceitar e gostar da idéia de ter um bebê com Christopher. Sofria por lembrar-se de quando planejava ter filhos com Valeska. Sempre haviam sonhado fazer juntas uma inseminação artificial,engravidar ao mesmo tempo…ver seus filhos crescerem juntos,cercá-los de amor…mas isso não a impedia de ver que esse bebê a uniria para sempre a alguém que a amava acima de tudo,que passara anos casado com ela,sem sequer tocá-la,apenas para tê-la por perto.
Christopher, naturalmente super-protetor, estava mais cuidadoso ainda. Qualquer desejo, por mínimo que fosse por ela expressado, ele realizava como um decreto. Qualquer mal-estar queria levá-la ao médico, fazê-la faltar ao serviço e à faculdade apenas para descansar. Marjorie gostava de se sentir assim, tão mimada, fazia sentir-se segura… Era difícil explicar…  Seu corpo aos poucos ia modificando-se, adquirindo formas mais arredondadas. Olhava-se no espelho e sentia-se bela. Amava aquele pequeno ser que estava formando-se ali.
Diana também ficou maravilhada com a idéia de ter um irmão ou irmã, surpreendendo Christopher e Marjorie, que imaginavam ao menos uma cena de ciúmes.

Valeska, mesmo estando longe, sentia que havia algo acontecendo. Não sabia explicar o que, mas sentia Marjorie cada vez mais distante dela. Como se suas vidas estivessem seguindo sempre a mesma estrada, e, de repente, surgisse uma encruzilhada, na qual seguiam caminhos opostos.

Meses passaram-se… Rotina, boa e velha rotina… Férias? Fazenda.
Gabi pouco visitou Valeska. Após muito pensar, sentia que seu encontro com Melissa fora premeditado por Valeska, por isso mantinha-se distante. Estava firme na sua resolução de não envolver-se com ela, nem com mais ninguém.
Melissa, devido ao estágio, teve muito poucos dias para passar ao lado de sua família, nesses dias, apenas conseguiu ver Gabi uma ou duas vezes. Como estava linda. A praia evidentemente fazia-lhe bem. Sua pele adquirira cores mais vivas. Os cabelos estavam grandes. Seu corpo, perfeito. Como Melissa queria poder ao menos ver o olhar de Gabi, apenas parar e olhar durante alguns segundos dentro daqueles olhos, ver aquela luz que era o motivo de sua existência.
O frio do mês de Julho as deixava naturalmente propensas ao isolamento e a uma leve melancolia. Valeska e Melissa passavam agora horas juntas, chorando.
Em Santos, Marjorie também se mostrava abatida. Muitas vezes, procurava ficar distante de Christopher, pois não queria magoá-lo com as lágrimas que derramava por Valeska. Elas sempre gostaram tanto dos meses frios. E, longe de Christopher, sentia-se sozinha e profundamente infeliz.
Outubro…
Marjorie e Valeska completariam sete anos de namoro, se ainda estivessem juntas. Apesar de estar feliz com a nova vida que carrega consigo, Marjorie não pode evitar certa tristeza. Afinal, esse bebê deveria ser delas.Aos sete meses de gravidez,ainda não havia conseguido escolher um nome para a menina que esperava,sua maior vontade era batizar-lhe Valeska,mas sabia que isso magoaria Christopher.
Na noite de Ano Novo, vieram as primeiras dores. No dia 1° de Janeiro nascia Anne Camille, filha amada de Marjorie e Christopher.
Marjorie só volta à faculdade e ao trabalho em Julho. Martha havia se casado novamente, e Diana decidiu morar com Christopher, assim ajudaria a cuidar do bebê durante o dia, estudando à noite.
 
Valeska dedica-se a fazer muitos cursos em sua área, assim, tenta esquecer um pouco a vida pessoal que deveria ter.
Melissa está passando pelo terrível quarto ano de faculdade, seu penúltimo ano. Gabi inicia o primeiro, ironicamente, também está cursando a USP, mas em um campus distante do campus no qual Melissa estuda. Como não tem onde morar em São Paulo, viaja todos os dias, para poder estudar. Essa rotina e a distância fazem com que elas não se encontrem. Muitas vezes,por questão de minutos,deixaram de se cruzar em uma estação de metrô, num ônibus.
Nas férias de julho, apenas Valeska e Gabi vão para a fazenda. Melissa decide ficar em São Paulo.
Gabi conta a Valeska que ainda não esqueceu Melissa, mas que tem procurado o amor nos braços de quem se oferecer para amá-la. Quem sabe não consiga reencontrar num corpo estranho a essência de sua vida, que perdeu ao amar Melissa.
Valeska não consegue entender. Pensa como suas vidas tomaram rumos diferentes.
Ela sofre por amar, está sozinha, esperando por uma chance de voltar para os braços de Marjorie. Marjorie também sofreu, talvez ainda sofra pela separação, mas procurou tentar ser feliz nos braços de um homem. Melissa, que nunca valorizou sentimentos, agora entende o que é Amar. Gabi, uma garotinha antes tão delicada, agora se fez mulher, ainda não entendeu que quem ama, jamais vai conseguir encontrar equilíbrio nos braços de alguém, que não o ser amado, e, entrega-se assim, a qualquer um, numa busca desesperada por si mesma.
Na vida de todas elas, o Amor foi um marco profundo, alterou seus caminhos, causou alegria em alguns momentos, e dor em todos os casos. O curioso,foi a maneira como cada uma reagiu a esta dor…
 
Caderno de notas de Valeska.

“Flores para enfeitar nossa jornada,
Flores para perfumar,
Flores para colorir…
Tê-la ao meu lado…
Cultivar no Jardim da vida uma flor especial:
Nosso amor…
O Amor que colore, perfuma e alegra nossos caminhos…
O Amor que nos faz sorrir…
Mas também, nos faz chorar…
Derrama o sangue de nossas almas,
Pois como qualquer flor,
Possui espinhos…
Amor,
Simples e profundamente Amor…
Amor e nada mais…
Amor que é tudo,
Amor que nos guia,
Alimenta nossa alma…
Amor…
Amor que, como todas as flores,
No inverno… Perde as cores,
Perdem o verde, as folhas…
Amor que achamos estar morto nos longos meses
Do inverno da distância…
Mas sabemos que ele nunca morre,
Pois sem ele, nada somos
Sem ele, a vida nada é…
Amor que retorna na primavera do reencontro…
Atinge novamente seu ápice…
Faz-nos reviver… sonhar
Amor…
Motivo maior da existência…
Pureza da água cristalina…
Brilho das estrelas
Estrada da alma…
Estrada que sigo ao teu lado…
Mesmo distante, sempre perto de ti…
Sempre pelo mesmo caminho…
Você é meu Amor…
Flor que enfeita e perfuma minha existência
Minha estrada e meu motivo para segui-la,
Sem medo de não saber para onde serei conduzida,
Pois sei que qualquer lugar ao teu lado é o paraíso
Você é a estrela que brilha em minha vida,
a pureza de meus sonhos e sentimentos…
Amo-Te…”

Um dia eu não estarei mais na tua estrada

Um dia eu não estarei mais na tua estrada
Não seguirei mais tuas pegadas
Seguirei só minha vida desventurada
Banhando os caminhos com as lágrimas derramadas

Um dia eu não estarei mais na tua estrada
Livrar-me-ei das tuas amarras
Não sonharei mais ser tua amada
Fugirei desse amor que me prende em profundas masmorras

Um dia eu não estarei mais na tua estrada
Não farei mais do teu olhar claridade
Nem direi que tu és minha vida
Nem sentirei saudade

Ah… Um dia, um dia eu não estarei mais na tua estrada
Não buscarei mais poeiras do teu amor
Não sentirei dor, não sentirei nada
E no frio, não desejarei teu calor

Um dia eu não estarei mais na tua estrada
Estarei só e tu então talvez te sintas sozinho
Neste dia, serei apenas uma alma apaixonada
Das amarras da vida livre estarei seguindo sem você meu triste caminho…
62 - Um dia eu não estarei mais na tua estrada

Hambúrguer de Ervilha Seca

Tempos atrás postei aqui uma receita de hambúrguer de grão de bico, lembram? Então, esses dias eu testei substituir o grão de bico pela ervilha seca e ficou simplesmente fantástico! Vou passar a receitinha pra vocês e espero que gostem – e como ilustração a foto de um lanche gigante que eu devorei com este hambúrguer incrível! 2 Xícaras de ervilha seca cozida e escorrida (irá render aproximadamente 4 xícaras após cozinhar) 10 Colheres de Azeite 1 Cenoura ralada ½ Cebola picada 1 dente de alho grande picadinho Salsinha à gosto Salsão (opcional) 3 Colheres de Aveia em flocos ½ xícara de gérmen de trigo 2 colheres de farinha de rosca Sal e pimenta à gosto. Preparo: Refogar no azeite o sal, a pimenta, o alho, a cenoura, a cebola, o alho, a aveia e o gérmen de trigo. Reservar. Bater a ervilha cozida sem o caldo no multiprocessador. Colocar em uma bacia e juntar os ingredientes refogados, mexendo bem. Acrescentar a salsinha e a farinha de rosca para dar liga (ver dicas) Dividir em bolas e moldar os hambúrgueres, levando-os para a geladeira por no mínimo uma hora. Untar uma chapa/grelha antiaderente com óleo e fritar os hambúrgueres. CAM01193 *** O lanche da foto foi montado com: Hambúrguer de ervilha seca, tofu passado na frigideira só pra dourar, cebola dourada na grelha com molho shoyu e alface… Ficou muito bom!

Capítulo 15

Por mais que tentasse Valeska não conseguia sair de seu isolamento emocional. Procurava sair com os amigos, dançar, divertir-se, mas, no fim das longas noitadas, apenas a solidão a aguardava em casa de braços abertos. Chegou a aceitar namorar uma amiga da faculdade, mas em menos de três meses terminaram.
Seu corpo tinha sede de prazer, mas seu coração queria amor, o amor de Marjorie. E, nesse jogo de forças,seu coração predominava, mantendo-a afastada de envolvimentos amorosos.
Para Melissa, os dias não foram melhores. Não quis comemorar seu aniversário na fazenda, ao lado da família, pois sabia que não poderia convidar Gabi. Lembrou-se que a havia conhecido em uma  festa de aniversário. Desde então, sua vida e seus sentimentos pareciam ter sido revirados, seu mundo estava de cabeça para baixo. Onde estava aquela garota atrevida, que lia contos eróticos  e libertava seu lado animal? Por mais que a procurasse, Melissa não conseguia mais encontrá-la.
 
 Correspondência de Valeska e Gabi.
 

“Querida Gabi…
Espero que esta carta a encontre na mais perfeita paz e saúde.
Fiquei feliz com sua última carta, onde me falava de sua intenção de vir morar com sua tia em Santos ano que vem para terminar seus estudos em um bom colégio. Prometo conseguir um dia, um fim de semana, e ir visitá-la.
Tenho que contar a você. Não sei por onde começar, mas preciso falar: Deveria ter conversado com você quando esteve comigo na fazenda, mas sua namorada estava perto e agora por carta é bem mais difícil…
Lembra aquele dia que você e a Melissa se encontraram em minha casa?Ela ficou muito alterada. Acabou adormecendo a beira da cachoeira. Eu a encontrei lá, adormecida, já quase de noite. Passou vários dias com febre, e chamando por você. Os pais dela não aceitam de nenhum jeito a idéia de ter uma filha lésbica. E ela está sofrendo muito por saber que é quase impossível tornar-se sua namorada, e posteriormente, sua esposa.
Esse sentimento a fez mudar muito – Quase não saí de casa. Acho que finalmente percebe uma pequena parte do que eu sofri quando perdi Marjorie, pois acha que perdeu você. Espero que não seja tarde demais para vocês, como é tarde para mim.

Beijos,
Com carinho,
Sua amiga, Valeska”

 

“Valeska…
Tudo bem?
Ficarei muito feliz em recebê-la em minha nova casa, em Santos.
Fiquei impressionada com o que me contou sobre Melissa. Você sabe que eu ainda não consegui esquecê-la. Mas, fico imaginando se vale a pena abandonar alguém que me ama para me envolver novamente com alguém que já me fez sofrer, que recusava meus carinhos, dizendo que o amor é um sonho no qual temos que ser muito tolos para acreditar. Talvez ela tenha realmente modificado seus sentimentos mas não sei, estou confusa, acredito que seja realmente muito tarde, mas pensarei,é tudo o que posso dizer,pensarei…

Beijos
Gabi”

 

Finalmente, chegou o final do ano.
Na fazenda, Melissa procurava ficar o máximo de tempo possível na companhia de Valeska, para tentar encontrar-se com Gabi. Valeska percebia a situação, mas não fazia comentários.
Finalmente, um dia, no final da tarde, Melissa chegou à casa de Valeska e encontrou Gabi, mas esta estava com a namorada. Imediatamente, seus olhos encheram-se de lágrimas. Saiu devagar, sem ser vista, afinal, ninguém a tinha visto chegar. Não faria mal sair sem despedir-se.
Para Melissa, o restante das férias perdeu o sabor. Não havia mais prazer algum em estar em casa. Queria voltar logo para São Paulo e deixar-se levar pelo destino. Estaria iniciando o segundo ano de sua faculdade. Mais três anos e estaria formada e livre, mas livre para quê? Para entregar-se a quem?
Marjorie e Christopher nunca haviam falado sobre o que havia acontecido no aniversário de casamento. Já estavam a caminho do segundo aniversário, e mantinham-se apenas amigos. Muitas vezes, era necessário controlar seus impulsos – formava-se entre eles uma energia sensual. Nessas horas, não eram os amigos Marjorie e Christopher, mas sim Marjorie e Christopher, um homem e uma mulher, carentes do prazer que não podiam encontrar em abraços amigos.
 
Caderno de notas de Valeska:
 
(acredito que esta tenha sido a primeira carta de amor que escrevi para você, Marjorie)
“Quero tomar-te em meus braços com a leveza da brisa quando toca seus cabelos…Colocá-la-ei num leito de pétalas de rosas, e, ,quando aos poucos minhas mãos forem te despindo, quero que meu olhar aqueça suavemente teu corpo, como o sol aquece as flores na primavera.
Meus lábios deslizarão sob teu colo macio como o orvalho desliza sobre as folhas delicadas e pequeninas. Quero fechar meus olhos e deixar meus sentidos te descobrirem.
Sentir do teu corpo o sabor… Deixar minhas mãos tocarem seus pontos mais ocultos; quero ouvir tua respiração arfante e profunda, cada vez mais acelerada, viajar contigo às estrelas, tocar o céu, nossos corpos fundidos de tal forma a ser uma nova estrela no firmamento e, ao mesmo tempo, seremos, apenas eu e você, duas mulheres satisfeitas na leveza e doçura de seu amor…”
 
Valeska e Melissa voltaram a São Paulo. Gabi embarcou para Santos.
Marjorie tinha cada vez mais dificuldade de resistir aos seus desejos. Os anos em que se mantivera isolada começavam a pesar-lhe na alma, e ela sentia um desejo intenso e cruel de entregar-se a Christopher. Completaram dois anos de casamento.
Era o último ano de Valeska na faculdade, e ela tratou de aproveitá-lo ao máximo. Era a melhor aluna de sua turma, mas mesmo assim aproveitava ao máximo as oportunidades de divertir-se com os amigos.
Antes das férias de Julho, viajou até Santos, para visitar Gabi. Teve a esperança de reencontrar Marjorie, mas foi uma esperança vã.
Gabi havia pedido à Valeska que não levasse Melissa com ela, ainda não estava preparada para reencontrá-la.
Foi difícil, mas Valeska acatou a decisão da amiga. Gostaria de vê-las felizes, pois sabia que se amavam.
Agora eram duas garotas que retornavam à fazenda nas férias. Melissa para a casa dos pais, Gabi para a cidade vizinha, mas ambas inevitavelmente encontraram-se na casa de Valeska. Era possível sentir a atração de uma pela outra mas nem assim elas decidiam unir-se e em seu amor enfrentar os obstáculos que as separavam.
Elisa havia se separado de Gabi quando essa decidiu morar em Santos – o que a deixou extremamente triste pois esperava que a namorada ao menos tentasse esperar por ela, afinal, quem ama espera.
Ao reencontrar Elisa, Gabi descobriu que esta já estava com outra namorada. Fazia apenas seis meses que haviam terminado o namoro. Valeska, como sempre, procurou consolar Gabi de mais essa decepção. Quando ela seria consolada por alguém?Seria possível que seu destino fosse consolar e nunca ser consolada? Precisava de alguém que a amasse. Queria ser feliz, mas não conseguia tirar Marjorie de seu coração. Não conseguia e não queria, apesar de saber que não havia mais esperanças.
Como estaria Marjorie? Elas amavam os meses frios, ambas ficavam muito sensíveis em dias nublados e chuvosos..Valeska pegava-se pensando em quem estaria dando carinho à Marjorie em seu lugar. Nos braços de quem ela estaria adormecida nas noites escuras e frias do inverno.
Em Santos, Marjorie dormia nos braços de Christopher, sempre imaginando que Valeska já a havia esquecido nos braços de outra mulher, ou quem sabe até mesmo de um homem. O tempo encarregou-se de fazê-la perder os contatos com os amigos de São Paulo. Sentia saudade de seus pais, que nunca haviam ido visitá-la.
Melissa continuava esperando uma chance de conversar a sós com Gabi. Mas essa estava dificultando as coisas, sabia que acabaria cedendo e não queria. Tinha medo de sofrer.

Era uma tarde de agosto, um domingo chuvoso, Marjorie e Christopher estavam assistindo TV no sofá. Marpher dormia no tapete. Christopher estava quase dormindo, Marjorie o acariciava delicadamente. Beijaram-se…Não conseguiram evitar, amaram-se com ternura. O amor passou a fazer parte do dia-a-dia do casal.. Nenhum deles se enganava, Marjorie não havia deixado de amar Valeska, apenas havia cedido às necessidades de seu corpo.
Chegou o final do ano, Valeska terminou a faculdade como a melhor aluna de sua turma. Convidou todos para a sua formatura. Mandou um e-mail para Marjorie, convidando-a também. A resposta foi o mais profundo silêncio.
Melissa não queria viajar para a fazenda, estava muito magoada com sua família, mas o fato de Valeska lembrar que Gabi iria para a casa durante as férias, o que facilitaria um encontro entre elas, fez com que Melissa mudasse de idéia.
O mês de Dezembro estava como sempre muito quente, favorecendo o contato com a natureza, longos banhos de cachoeira. Muitas vezes, Gabi ia até a casa de Valeska, passavam a tarde juntas, cavalgavam, Melissa ficava sempre à espreita. Escondida entre as folhagens, vendo sua amada. Valeska sabia disso, e não fazia nada para evitar. Queria deixá-las sozinhas, mas não sabia como.
Um dia, Valeska ligou para o celular de Gabi, disse que iria estar na cachoeira no dia seguinte pela manhã e precisavam conversar.
Gabi foi ao encontro, nem passou pela casa de Valeska, tomou um atalho que a levou diretamente à cachoeira. Ao chegar lá, não encontrou a amiga. Passou-se uma hora. Onde foi que a Valeska se enfiou?Tentou telefonar..Nada.
De repente, Melissa senta-se ao lado de Gabi.
Perto de Gabi, Melissa torna-se tímida, não consegue expressar o que sente por palavras. Seus olhos rebrilham. Percebe-se o Amor… No entanto, Gabi não a perdoa pela frieza com a qual foi tratada após a primeira noite que passaram juntas, e o fato de conhecer a história de Marjorie e Valeska também não a faz ter boa impressão sobre a pessoa de Melissa. Mesmo assim, acabam beijando-se. O clima começa a ficar quente. Elas aos poucos entregam seus corações, sem palavras, apenas seus corpos demonstrando o que se passa escondido no fundo do peito.
Quando finalmente Gabi decide ir embora, Valeska aparece pela trilha. Finge-se chocada ao encontrá-las ali, aos beijos. Havia planejado tudo, para que elas ficassem sozinhas e conversassem.
Gabi não percebe o plano de Valeska, mas arrepende-se de ter ficado com Melissa.
Gabi não resistia, e, da mesma forma que Melissa ia observá-la, ela também passava horas rondando a casa de Melissa, apenas para vê-la, antes de ir visitar Valeska. Mas, mesmo assim, insistia em manter distância.
Na noite de ano-novo, todos se divertiram muito. A ceia foi realizada na casa de Valeska, os pais de Melissa estavam presentes, por isso Gabi e a família não haviam sido convidados.
Marjorie e sua família estavam unidas e felizes, ela havia perdido qualquer resquício exterior daquela Marjorie isolada e triste. Sua beleza estava resplandecente, apenas no fundo de seu coração estavam as dores de não ter perto de si seu grande amor, seu relacionamento com Valeska ainda era uma ferida profunda, machucava. Christopher sabia disso, e sofria, pois queria ver Marjorie feliz, mais feliz do que qualquer outra pessoa no Universo. Sabia que ele a fazia feliz, mais sabia também que sua maior felicidade seria encontrada nos braços de Valeska.
Caderno de notas de Valeska
(poema sobre nossa primeira noite, nunca tive coragem de entregá-lo a você, Marjorie)
“De repente, não havia mais nada ao nosso redor…
Éramos apenas nós e a energia dos elementos e do Amor
… Trêmulas de emoção…
Luz apagada… Pele na pele, apenas um abraço…
Um beijo suave faz com que nos percamos…
E perdidas em nosso amor, começamos a nos buscar…
Em seus braços encontro abrigo, encontro paz
Fecho os olhos… Quero te abraçar forte,
Parar o tempo nesse instante mágico…
Impedir que a Vida a leve por um instante que seja de perto de mim…
Sei que partirás no dia seguinte,
Sei também que brevemente retornarás…
Sei que vencerei a distância para te encontrar…
Mas mesmo assim, quero prende-la para sempre junto a mim…
Em seus braços, me perco para me reencontrar…
Perco-me e me acho em teu olhar… Em teu cheiro…
Em tua pele…
E ao mesmo tempo em que me abrigo em você,
Sei que estás abrigada em mim também…
Momentos mágicos…
Vida…
Amor…
Eu e você…
Você me toma em seus braços e me faz sua…
Toma para si meu corpo…
O corpo que abriga esse coração que é só teu, que atravessou a Eternidade e seus Mistérios para te encontrar…
Toma-me…
Faz-me tua…
Leva-me às nuvens…
Nosso Amor é luz… É paz… Doçura…
Nosso amor nos guia…
Quero tomá-la também…
Fazê-la minha,
Mas nessa noite,
Quero apenas ser tua…
E depois,
Dormir em teus braços… E ao amanhecer,
E acordar junto a ti… Beijá-la
Ver as marcas que nosso amor deixou em meu corpo…
Saber que você me fez mulher…
Fez-me a tua mulher…
A mulher mais feliz em todo o Universo…
Em todas as dimensões, tempo e espaço…
Feliz simplesmente por ser a tua mulher…
Feliz por te amar…”
 

Com o final da faculdade, Valeska começa a enfrentar o tão temido “Mercado de Trabalho”, é difícil encontrar bons empregos. Consegue um trabalho como professora substituta em um pequeno colégio particular. É o suficiente, por enquanto.
Melissa, que já está em seu terceiro ano da faculdade de direito começa a fazer um estágio em uma firma ligada à exportação, isso a mantém ocupada, fazendo-a sofrer menos com a saudade de Gabi e o arrependimento por ter brincado com seus sentimentos, quando teve a oportunidade de estar perto dela. Gabi, em Santos, divide seu tempo entre o cursinho e o colégio. Nos finais de semana, trabalha em uma pequena sorveteria próxima à sua casa.

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Mensagem para os leitores:

Como eu comentei anteriormente, minha rotina tem sido um pouco corrida: Estou terminando meu tcc, terminei meu contrato de estágio e estou trabalhando em um emprego que me toma muito tempo, ou seja, me sobra menos tempo para ler as postagens de outros blogs que sigo, para ensaiar e para escrever ou revisar o material que já tenho pronto e, por isso, por algum tempo a ordem que eu havia estabelecido para as postagens será alterada! Espero em breve voltar a postar com organização e regularidade!

Beijos literários a todos!