Vacinada

Vacinada.

A oportunidade que quase 500 mil brasileiros infelizmente não tiveram devido aos atos criminosos do governo negacionista.

Vacinada mas ainda não imune, falta uma dose e falta atingir a imunidade coletiva, o que só acontecerá quando a maioria da população estiver imunizada. 

Quem acompanha a CPI consegue perceber como o governo federal negligenciou a compra de vacinas e a condução das medidas visando reduzir os casos do vírus. Para quem observa atentamente a política, a CPI só confirma e aprofunda o que já se sabia. Não é novidade.

A crise da covid-19 é sanitária, econômica e política. Se analisarmos, todas as crises são políticas, pois a vida em sociedade é política e ignorar isso em uma postura de isenção é, na verdade, aceitar os fatos dados – Geralmente pelo lado que tem maior poder financeiro. 

É difícil (e muitas vezes perigoso) lutar pelo que se acredita. Muitas vezes a vontade é desistir e sumir. Mas que tipo de pessoa seríamos se fizéssemos isso? 

Não basta desejar mudanças. É preciso refletir, entender e resolver problemas históricos antes de conseguir de fato construir uma nova sociedade. 

A política não deve ser ignorada ou demonizada. É isso que os poderosos desejam: Uma população que não acredita em seu próprio poder de organização. 

Hoje eu me vacinei em uma Unidade Básica de Saúde. Infelizmente a vacina não chegou a tempo para tanta gente e isso aconteceu por uma decisão política. Assim como foi uma decisão política a que optou por criticar o isolamento, o uso de máscaras e subestimar a pandemia.

Que num futuro próximo as pessoas lembrem da importância da política, principalmente nos momentos de crise. 

06 on 06 – Recortes urbanos

Encarei a tela. Onde encontrar recortes urbanos se tenho estado em casa a maioria do tempo desde março do ano passado? O jeito foi revirar antigas fotografias – E eis que o resultado me agrada:

Essa casa já foi o lar de uma idosa simpática que plantava morangos no canteiro frontal. De repente, as janelas não se abriram, os canteiros abandonados…
Eu vejo a praia da janela do ônibus, duas máscaras no rosto e a sensação de que apesar de morar no litoral, eu quase não aproveitei o espaço livre antes dessa pandemia maluca me trancar em casa.
Em São Paulo, um muro verde. Na selva de concreto, esperança nas paredes.
O prédio sobe em direção ao céu… Coisas da metrópole, belas mas nem sempre adequadas para o meio ambiente. A mudança na arquitetura moderna é urgente.
Uma foto da cidade tirada do alto da Serra do Mar. Como é belo o litoral!
Acordar pela manhã, antes do sol nascer… Vida de trabalhador brasileiro é assim: Acorda cedo, corre, passa o dia fora. Salário baixo, qualidade de vida zero… Mas o importante é que “O rico cada vez fica mais fico e o pobre cada vez fica mais pobre, como bem dizia aquela velha canção axé music.

Amor expresso – Adriana Aneli

Amor expresso é um livro saboroso como um bom café expresso moído na hora, servido quente, forte e sem açúcar – Só quem ama café sabe como é gostoso sorver uma xícara da bebida.

A obra, escrita por Adriana Aneli, publicada pela editora Scenarium e ilustrada por Cristina Arruda chega a sua décima primeira edição e presenteia o leitor com micro-contos repletos de amor e café!

Como sempre, a Scenarium capricha na confecção do livro totalmente artesanal, uma verdadeira obra de arte capaz de encantar os olhos. O tipo de livro perfeito para presentear alguém especial.

Brasil: Um país de luto, um país em luta.

Sábado. Em um país arrasado pela pandemia a população toma as ruas buscando defender os poucos direitos duramente conquistados ao longo de anos e anos de luta. Está em curso a implementação de uma política genocida – Sem auxílio suficiente para a própria subsistência, a maior parte da população joga uma roleta russa todos os dias: Morrer de vírus ou de fome é cada vez mais um destino certo. É triste ver trabalhadores e trabalhadoras arriscando suas vidas nas ruas – É uma manifestação de luta, mas, acima de tudo, é uma manifestação de luto: Vários cartazes se erguem indicando “Estou aqui por mim e pelo meu/minha (insira aqui: pai, mãe, filho, avô, avó, filha, marido, esposa) que morreu de uma doença que já tem vacina – A culpa é sua, Bolsonaro”. Sim. Quem está acompanhando a CPI sabe que bastava o presidente responder um e-mail e o país teria evitado milhares de mortes. O negacionismo presidencial mata todos os dias: É urgente que se acelere a vacinação, que haja um isolamento social sério, com auxilio suficiente para as necessidades básicas, é fundamental que o uso de máscara seja duramente cobrado no dia a dia. A CPI mostra o que quem acompanhou um jornal sério percebeu durante todo o último ano: O presidente da república tripudia da doença, promove aglomerações sem uso de máscara e não investiu dinheiro em vacinas quando teve a oportunidade, preferindo apostar na já contra-indicada cloroquina. Pois é. O povo que estava nas ruas sábado arriscou a própria vida para lutar por um país que em 2018 escolheu nas urnas o genocídio e a barbárie. A população luta nas ruas em sua manifestação que acontece por já ter sido espoliada de tudo – Inclusive do medo. Isso é grande, mas é também profundamente triste. Diante disso não cabe pedir a nenhuma entidade metafísica que tenha piedade pelo país que vive um momento trágico – É hora de crescer, abrir mão de mitos e heróis e entender que o que o país precisa é consciência de classe, consciência política, consciência ecológica e Impeachment.

Maternidades

Quando uma criança é gerada, tornar-se pai é uma questão de escolha, já tornar-se mãe é uma imposição. Frase pesada? Realidade pesada. Infelizmente não é raro que caiba à mãe e somente a ela a maior parte das responsabilidades pela criação dos filhos e organização do lar. Mesmo quando o genitor da criança divide o mesmo espaço físico, é comum que quase tudo recaia sobre a mãe que acaba assim cumprindo jornada tripla de trabalho: Em casa, no emprego e muitas vezes ainda nos estudos buscando melhorar o padrão de vida. A maternidade é romantizada, como o momento pelo qual toda mulher anseia enquanto a mulher é invisibilizada, como se suas necessidades deixassem de existir em prol do novo ser que chegou – E aí dela se não ostentar um sorriso de orelha a orelha: Sofrerá os piores julgamentos e críticas, afinal está “cumprindo seu papel”.

Considerando-se que o Brasil vive a implantação de um projeto de governo genocida, baseado no ódio e na negligência completa dos direitos mais básicos, é irreal que a data de hoje seja comemorada como se todas as famílias fossem partes de um maldito comercial de margarina. 

Não há feliz dia das mães para mais de 410 mil famílias brasileiras enlutadas pela pandemia. Como falar em feliz dia das mães no país onde mais morrem gestantes e puerperas vitimadas pela COVID? Isso mesmo: O Brasil é o país do mundo onde morrem de COVID mais gestantes e puerperas!

Não há feliz dia das mães para as mães de Jacarezinho ou para tantas outras mães cujos filhos foram chacinados pelo Estado em sua guerra contínua ao povo periférico.  

Não há feliz dia das mães para famílias das vítimas de Brumadinho e Mariana. Nem para as mães dos três meninos desaparecidos em Belford Roxo. 

Não há feliz dia das mães para as seis em cada dez famílias brasileiras que atualmente vivem um estado de insegurança alimentar. 

Como falar em feliz dia das mães em um país que elegeu para a presidência da república um homem que defende menores salários para as mulheres sob a justificativa de que elas engravidam? 

Como falar em feliz dia das mães quando mulheres trans precisam entrar na justiça para garantir o direito de ter seus nomes nas certidões da prole. Mãe é quem se identifica como mulher e decide ter um filho. Não é preciso ter uma vagina ou útero para ser mãe. Estamos no século XXI, já é tempo de naturalizar a diversidade!

Como falar em feliz dia das mães quando há chacinas em escolas e creches?

Dia das mães sem segurança, sem comida, sem vacina, sem perspectivas. Ser mãe no Brasil é a certeza de viver em incertezas, ataques, supressão contínua de direitos. A maternidade desejada é um ato de resistência. A imposta pela completa ausência de políticas públicas (e incluí-se aqui o acesso ao aborto legal, seguro e gratuito) é um massacre. 

A todas as mães que me lêem desejo muita força, organização e luta por dias melhores onde a dignidade humana seja direito de todas, todos e todes para que seja então possível desejar “Feliz Dia das Mães” sem varrer para baixo do tapete da hipocrisia todas as vítimas desse sistema de insana barbárie que vivemos atualmente.

MORTE E COMOÇÃO SELETIVA [BEDA 18]

Nas últimas semanas a morte do enteado de um vereador carioca ocupou os jornais, causando comoção. O menino de apenas quatro anos apresentava diversas lesões que podem ser resultado de agressões por parte do vereador e, tudo indica que a mãe sabia da freqüente ocorrência de maus tratos contra o menino. O casal está preso. Essa notícia seria suficiente para causar desprezo pela humanidade e uma profunda tristeza, porém a questão vai muito além. Dados apontam que o Brasil tem dez casos de agressão a menores de idade por hora. Isso mesmo que vocês entenderam: Durante o tempo em que vocês me lêem, há uma criança ou adolescente sofrendo agressões e, esse número refere-se apenas aos casos que chegam a hospitais ou ao conhecimento das autoridades. É uma realidade cruel que tem sido agravada pela pandemia, assim como a violência contra a mulher se agravou durante este último ano.

            A comoção em relação a estes casos parece ser bem seletiva – Ganham as manchetes a morte de crianças de classe média ou média alta, como Henry, Bernardo e Isabella enquanto, em geral, as crianças oriundas das camadas mais pobres da sociedade permanecem apenas como dados acumulados no sistema. Trata-se de uma verdadeira epidemia de violência que, quando não mata, causa danos físicos e psicológicos, comprometendo o aprendizado e o desenvolvimento da criança e do adolescente. Esses números seriam ainda maiores caso acrescentássemos também as vítimas de violência urbana: Crianças e adolescentes vítimas de balas perdidas em ações policiais, por exemplo.

            Diante desse quadro dantesco, fica a pergunta: Onde estão os grupos pró-vida que gritam alto contra questões como aborto e silenciam diante desses fatos?  O tempo e dinheiro investidos por estes grupos para protestar em prol dos não-nascidos poderiam ser muito melhor aplicados em campanhas de conscientização sobre a violência doméstica e em pressão junto ao governo pela desmilitarização da polícia, visando reduzir a violência urbana. O silêncio desses grupos é um sintoma da hipocrisia em que vivem: Defendem com unhas e dentes os que ainda não nasceram, mas se calam diante da calamidade social que ceifa vidas e futuros de tantos já nascidos, principalmente em nossas zonas mais periféricas.

            Se você tem notícias de algum caso de violação dos direitos da criança e do adolescente, não silencie! Disque 100. O atendimento é sigiloso e gratuito.


Falhei no BEDA (Blog Every Day April)… Esqueci de postar dia 15, passei dois dias desanimada mas… Estou de volta – Como diz o ditado, antes o feito que o perfeito. Seguimos! Visitem também:

Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Roseli Pedroso – Ale Helga – Claudia Leonardi –

Breve resumo da biografia e do pensamento político de John Locke [BEDA 14]

Nasceu na Inglaterra em 29 de Agosto de 1632, estudou medicina, filosofia e ciências Naturais em Oxford. Em 1683 Fugiu para a Holanda, retornando quando Guilherme de Orange assumiu o trono, em 1688 e morreu em 1704.

Locke é tido com um dos expoentes do empirismo, ideia segundo a qual o ser humano nasce sem saber nada, aprendendo pela experiência, tentativa e medo.

Em relação à filosofia política, Locke dá o ponto de partida das Revoluções Liberais como, a Inglesa e a Francesa, por exemplo. Locke é classificado como Jusnaturalista, isto é, defende o Direito Natural do ser humano, à vida, à liberdade, à propriedade. Outro ponto defendido por ele é que os governados devem consentir o governo à autoridade constituída, devem aceitar livremente o governo que tem. A lei civil deve ser derivada dessa lei natural, perante a qual todos os seres humanos devem ser livres e iguais.

Apesar de defender a igualdade entre os seres humanos, Locke tinha uma posição pró-escravagista, mas não racista, já que para ele a escravidão seria um contrato em que o vencido na guerra torna-se escravo para continuar vivo.

Para Locke não seria necessário que todos os direitos fossem entregues ao soberano, sendo os direitos de defesa e de realizar a justiça pelas próprias mãos os únicos direitos que realmente deveriam ser abandonados pela sociedade, facilitando a defesa de outros direitos (à vida, à liberdade, à propriedade). Locke resguarda também o direito do cidadão recusar-se a cumprir o que for determinado por um Estado que viole esses direitos naturais.

Principais pontos de seu pensamento político:

-Os governantes devem proteger o Direito Natural de todo o ser humano (à vida, liberdade e propriedade)

-Os cidadãos devem entregar ao Estado a função de resolver conflitos, abrindo mão do direito de defesa/ realização da justiça pelas próprias mãos

-Defesa da escravidão, não por raça, mas dos vencidos em batalha

Principais Obras:

-O tratado do Governo Civil (1689)

-O Ensaio sobre o intelecto humano (1690)

-Os pensamentos sobre a educação (1693)

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Sonho [BEDA 13]

Eu havia preparado um post para hoje, mas infelizmente meu computador decidiu travar, por isso vou compartilhar aqui o vídeo de uma modalidade de dança que eu quero muito dominar: O pole dance. Neste vídeo temos uma das nossas campeãs mundiais, que é brasileira! Espero que gostem!

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O sonho e o Big Brother Brasil [BEDA 12]

Tive um sonho engraçado: Eu havia sido selecionada para o Big Brother Brasil – Cheguei empolgada na casa, imaginando os próximos meses com piscina, academia e festinhas. Sorriso de orelha a orelha. Quando me deparo com a casa, descubro que houve mudanças: Tudo rústico, nada de energia elétrica, fogão à lenha e para completar, metade dos participantes precisa pedalar em bicicletas semelhantes a ergometricas para produzir energia e poder ter ao menos chuveiro quente na casa. Ah! Agora imaginem que no meu sonho o BBB era apresentado pelo… Faustão.
Pois é, será que isso é um sinal pra eu me inscrever no próximo ou eu só estou assistindo demais? Aliás, antes que me critiquem pelo programa: Minhas leituras estão em dia, meus estudos estão em dia, meus exercícios físicos e alimentação estão em dia, e eu estou trabalhando. O tempo que me resta eu posso usar como bem entendo e entre futebol ou novela e BBB (cancelei a Netflix, portanto séries e filmes não são opção), eu prefiro me distrair assistindo o BBB (torcendo aqui pela Thaís, João ou Camila). Quem sabe em 2022 vocês não me veem por lá? O que achariam? Teria uma torcida para mim?

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A “marcha da família cristã pela liberdade… de morrer e matar” [Beda 11]

Ontem foi o 100° dia do ano. Faltam 265 dias para a chegada de 2022. Ultrapassamos as 350 mil mortes sem aprender nada e ainda há quem apoie o genocida que ocupa a presidência há 832 dias. Hoje aconteceu a “Marcha da família cristã pela liberdade” – ao ignorar a necessidade de manter o isolamento social e tomar as ruas reclamando a retomada  das atividades religiosas presenciais e do comércio sem restrições, essas pessoas pedem nas entrelinhas o massacre da população brasileira pela doença, enquanto a miséria avança e um auxilio emergencial insuficiente começa a ser pago. Nietzsche certa vez disse que o único cristão verdadeiro morreu na cruz – Começo a acreditar no filósofo. Quando vejo a maioria desses eventos das igrejas não consigo  enxergar o tal “amor cristão”, apenas uma densa cortina de  descaso e ódio. A triste realidade é que enquanto o mundo luta contra o vírus, o Brasil parece fazer o contrário: Aqui o covid teve e continua tendo uma recepção de gala, com apoio institucional e festa nas ruas, com as bênçãos cristãs e os aplausos do povo gado.

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