#TBT – A Fada (Minha primeira poesia)

Outubro. O “Mês da criança” vai chegando ao fim e com ele a maratona de compartilhamento de memórias da infância – A maioria em fotos postadas no Instagram (Me sigam por lá @poetisa_Darlene). Entretanto, guardei para hoje, última quinta feira de Outubro, uma memória muito especial: A primeira poesia que escrevi, no auge dos meus doze anos. Por sorte, estava em uma aula de digitação e por isso a poesia foi impressa com data (sim, eu fiz curso de informática no final da infância, e não, quem me vê utilizando atrapalhadamente um computador hoje não consegue nem imaginar que aos doze anos eu estudava informática em uma dessas escolas populares). Enfim, vamos ao meu primeiro poema?

A Fada

Entrou num velho jardim

Plantou várias flores:

Amor perfeito

Cravo vermelho

Dálias e orquídeas

Rosas azuis

Vermelhas

Amarelas e

Finalmente rosas brancas

Então com sua linda magia

Fez as flores florescerem em um instante

Depois entrou na casa abandonada

E limpou-a, pintou-a e organizou-a

Pintou a casa pelo lado de fora

Mas com a magia da fada

Não há lugar monstruoso

Que não se torne um lugar bonito

18/03/1998

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Como vocês podem perceber, esse meu primeiro poema não é exatamente um poema em suas estruturas – E eu não me orgulho muito disso pois acredito que uma leitora voraz de doze anos deveria produzir algo bem melhor – mas ainda assim, conservo como uma lembrança fofa da infância. Gostaram?

Breve resumo da biografia e do pensamento político de Jean Jacques Rousseau

“Seguir o impulso de alguém é escravidão, mas obedecer a uma lei auto-imposta é liberdade”.

Nascido em Genebra, na Suíça em 26 de Junho de 1712, ficou órfão devido à complicações sofridas pela mãe durante o parto. Pouco conviveu com o pai, que fugiu da cidade para não ser preso devido a uma briga.

Criado pelo tio foi mandado, juntamente com o primo, para o campo onde recebeu educação, que foi ministrada por um pastor protestante.

Seu primeiro emprego, aos 12 anos, foi em um cartório, onde devia aprender sobre leis preparando-se para a profissão de advogado. Não gostando do emprego, acaba sendo demitido.

Foge aos 16 anos, indo viver com Madame de Waren, ex-protestante que recebe do rei Victor Amadeus II, da Sardenha e Piemonte, uma pensão por tornar-se católica e dedicar-se a beneficência. Permanece por pouco tempo, sendo mandado a Turim para a Catequese e conversão ao catolicismo Abandonando o emprego que havia conseguido na cidade, viaja com um antigo amigo. Em 1729 está novamente em casa de Louise, onde ajuda em sua farmácia natural. Passa a estudar em um seminário, indo para a casa somente aos fins de semana.

Por pedido de Louise acompanha um maestro idoso que deveria ir até Paris, abandonando-o no caminho quando este sofria um ataque de epilepsia. Ao voltar para casa, não encontra Louise, que havia viajado a Paris em busca de nova pensão, pois o Rei Victor Amadeus havia abdicado do trono. Passa a viver como professor de música em Paris, até 1732, quando volta a viver com Louise, desta vez na cidade de Chambéri, tornando-se seu amante. Trabalha nesse período em um escritório fiscal. Desse período datam seus primeiros escritos. Adoece e acreditando sofrer de um problema cardíaco, viaja para Montpelier, em busca de tratamento. Não chega até lá, sendo “curado” por um romance. Volta para casa e tem que dividir os amores de Louise com outro homem. Em 1740 viaja para tutorar duas crianças. Abandona Louise definitivamente. Em 1741 vai para Paris, onde consegue alunos de música graças às cartas de recomendação obtidas com o abade de Mably.

Torna-se amigo de Diderot, que à época era apenas um jovem filósofo, e também aproxima-se da nobreza. Por indicação, torna-se secretário da embaixada francesa em Veneza, cargo que ocupou entre 1744 e 1745.

Seu pai morre em 1746, deixando-lhe uma pequena herança. Amplia seu círculo de amigos intelectuais, e a convite do amigo Diderot e de Jean d’Alambert escreve os verbetes de música para o Dicionário Enciclopédico que ambos preparavam.

Em 1745 passou a morar com Thérèse Le Vasseur, com quem teve cinco filhos, todos enviados para um orfanato. Torna-se secretário da família Dupin.

Participa de um concurso na Academia de Djon. Sua obra “Discurso sobre as ciências e as Artes” (1750) o torna famoso. Sua situação de saúde torna-se complicada e ele pensa em viver recolhido à partir de então. Isso já não é possível, uma vez que o sucesso trouxe-lhe a atenção de várias pessoas.

Em 1754 passa por Genebra e pensa em voltar a morar ali, porém antes que o faça, uma obra sua é publicada e mal recebida por seus compatriotas.

Entre 1754 e 1761 muda-se freqüentemente, e dedica-se a muitos trabalhos, desde operetas a tratados como “O Contrato Social”. Após a publicação do Contrato Social, passa a ser perseguido pelo Parlamento Inglês, por motivos políticos, refugiando-se então na Suíça. Em 1768, devido a vários incidentes, rompe a amizade com Diderot e os enciclopedistas.

Volta à França em 1767, inicialmente com o nome Renou, e tempos assumindo seu verdadeiro nome em 1770.

Faleceu em Ermenonville,França, em 2 de julho de 1778.

Alguns pontos de sua teoria política:

-A desigualdade é um fato irreversível.

-Questionamento: O que leva um homem a obedecer outro homem? Com que Direito um homem exerce autoridade sobre o outro?

-Vê a liberdade como resultada da lei, quando livremente aceita.

-Liberdade é ao mesmo tempo direito e dever: “Todos nascem homens e livres”, renunciar a liberdade seria para o filosofo o mesmo que renunciar a condição humana.

-Em seu Contrato Social, o Estado é criado para preservar os direitos e deveres do homem, não significando necessariamente a renúncia desses direitos e deveres.

-Religião: Rousseau não é hostil à religião,embora tenha algumas restrições.;

Para ele, há dois tipos de religião: a do homem (que pode ser hierarquizada ou individual) e a do cidadão.

-Religião do homem hierarquizada: Multinacional, compete com o estado pela lealdade do cidadão. O cristianismo evangélico, centrado na adoração a Deus seria exemplo de religião do homem não hierarquizada. Apesar de verdadeira, essa religião é ruim para o estado, pois o cristão mostra-se mais preocupado com a vida futura (Eterna, celeste) do que com a vida na terra o que o torna omisso como cidadão e em geral forma maus soldados.

-Religião do cidadão ou religião civil: ensina o amor à pátria,obediência ao estado. Forma bons soldados. É manipulada por interesses, fazendo o homem crédulo, supersticioso e extremamente nacionalista e sanguinário.

Solução? Permitir todas as religiões, desde que estas ensinem apenas “A existência de uma divindade onipotente, inteligente, benevolente que prevê e provê; uma vida após a morte; a felicidade do justo; a punição dos pecadores; a sacralidade do contrato social e da lei”. Devendo o estado banir e penalizar qualquer um que fuja a estes parâmetros.

Principais Obras:

-“Discurso sobre as Ciências e as Artes” (1750)

-“Discurso sobre a origem da desigualdade” (1755)

– “Discurso sobre a economia política” (1755)

– “O Contrato Social” (1762)

-“Emilio, ou Da Educação” (1762)

-“Devaneios de um Caminhante Solitário” (1776-1778)

A partida de várzea, a Idade Média e o Ministério da Eliminação do Meio Ambiente. Parágrafos de um país em decadência.

Dentro da lógica bolsonarista pode-se comparar o Brasil a uma bola durante a partida de futebol no campinho de várzea – O presidente seria então o equivalente ao menino mimado dono da bola que ao ver o time adversário fazer gol pega a bola, coloca debaixo do braço e volta pra casa com cara emburrada. Isso aconteceu essa semana por ocasião da compra da Coronavac, a vacina desenvolvida pela China que seria fabricada aqui no Instituto Butatã: O Ministro da Saúde, Pazuello sinalizou interesse na compra da vacina Chinesa, o que ocasionou um momento de garoto mimado no presidente que fez questão de demarcar território deixando claro que quem manda é ele, atitude que deixa claro uma postura que inviabilizaria qualquer trabalho em equipe, caso o presidente tivesse sido suficientemente inteligente para nomear uma equipe com competência e compromisso com o país.

            Enquanto isso, o STF deverá decidir se a vacina contra a COVID será ou não obrigatória – Assunto que divide opiniões antes mesmo da disponibilização da vacina. Os argumentos rasos dos antivacinas ganham espaço muito rápido com o advento moderno das redes sociais, mas não passam de argumentos do século XIX repaginados. Como eu disse em um texto no início deste ano, o Brasil está fazendo a Terra girar ao contrário e, se não tomarmos cuidado, logo acordaremos na Idade Média. Vacina é um pacto social de proteção mútua: Quanto mais pessoas imunizadas, menor o risco do vírus chegar aos grupos que não podem receber imunização (pessoas alérgicas ou bebês que ainda não atingiram a idade ideal para receber a vacina, por exemplo), portanto não há justificativa válida para recusar a vacina da COVID ou qualquer outra vacina disponibilizada pela rede pública de saúde.

            Outra situação inusitada – O Ministro Ricardo Salles recebeu a Grã Cruz da Ordem de Rio Branco, o mais alto grau de honraria concedido pelo Ministério das Relações Exteriores. A condecoração foi dada por Serviços Meritórios – Ou seja, no Brasil, um Ministro do Meio Ambiente inerte, que “passa a boiada” e permite uma série de degradações, segundo o presidente, presta serviços meritórios ao país. Talvez seja tempo de mudar o nome do ministério para Ministério da Eliminação do Meio Ambiente.

            No exterior, as notícias são preocupantes: Uma segunda onda da COVID varre a Europa com mais velocidade que a primeira, colocando o velho continente novamente em alerta. Nos Estados Unidos, o período eleitoral avança e uma astronauta votou do espaço através de uma cédula virtual.

            No Chile um plebiscito ocorrido hoje irá decidir se a Constituição, herança do período ditatorial, será reformulada. Ainda na América do Sul, essa semana a Bolívia reagiu ao golpe sofrido por Evo Morales ano passado e elegeu o candidato indicado pelo partido do ex-presidente – Uma notícia boa para essa semana complicada.

            Outra notícia boa: O Papa, pela primeira vez, se pronunciou favoravelmente a união civil de pessoas do mesmo sexo. Muito embora religião e Estado sejam coisas diferentes e em um mundo ideal a primeira seria relegada a um papel de conforto individual e o segundo buscaria o bem comum da sociedade sem interferências religiosas, sabemos que ainda há uma tendência muito grande em basear a sociedade e suas leis nos valores religiosos, portanto, qualquer manifestação de um líder como o Papa em favor de direitos e garantias civis é um marco a ser comemorado – Mas sem o exagero que vimos nas redes esta semana!

            Por falar em comemorações, vocês se deram conta de que os panetones natalinos estão chegando às prateleiras dos supermercados? Pois é! Faltam exatamente dois meses para o Natal e o capitalismo já começa a colocar as garrinhas de fora e vender seus ideais de que um Natal só será Natal para quem puder consumir – Que tal modificar esse padrão e fazer a economia circular na sua comunidade, comprando guloseimas natalinas e presentes de artesãos e artesãs? Consumo consciente também é um modo de atuar politicamente e melhorar a economia do país, mas isso é assunto para outro texto.

Passaporte da leitura: Inglaterra

Flores na Chuva e outros contos – Rosamunde Pilcher

O livro de hoje faz parte de dois projetos aqui do blog: É o segundo livro do #desafioliterário2020 #Outubro e é a sétima parada na viagem ao redor do mundo no projeto Passaporte da leitura. Vamos dar um pulinho na Inglaterra?

A sétima parada no projeto “Passaporte da Leitura” é a Inglaterra, país natal de Rosamunde Pilcher, autora nascida na Cornuália – um condado que fica a sudoeste de uma península inglesa – e chegou a servir durante a Segunda Guerra Mundial, ocasião em que teve seu primeiro conto publicado. Após a Guerra, Rosamunde se casou e foi morar na Escócia, onde viveu até seu falecimento, em 2019 aos 94 anos de idade.         

            O livro “Flores na Chuva e outros contos” nos presenteia com dezesseis histórias ricas em sentimentos. A autora de escrita suave e elegante nos envolve no mundo de cada personagem – Do menino órfão de pai que deseja presentear a irmãzinha ao pintor que trabalha como jardineiro sonhando com o dia em que sua arte será descoberta, Rosamunde oferece em suas páginas algo que pode parecer tão comum aos olhos de alguns, mas que é na verdade a coisa mais extraordinária que pode existir: Os momentos da vida humana e seus afetos, ilusões e decepções. Pilcher nos deixa com uma sensação gostosa de suspense no final de alguns contos – Personagens se reencontram depois de longas separações, pendências se resolvem, mas será que haverá o “viveram juntos para sempre”? No início, essa sensação de suspensão pode incomodar, mas depois acaba-se percebendo que o desfecho literal é desnecessário – O leitor ou leitora pode imaginar da forma que melhor lhe aprouver.

            Um ponto que chama a atenção nos contos deste livro é a presença de protagonistas ou personagens importantes femininas em idade madura – Algumas com questões do passado a resolver, outras com personalidades fortes e cheias de sabedoria, as mulheres descritas por Pilcher são intensas e bem desenvolvidas – Suas relações com o amor não são focalizadas como se tudo o que existisse na vida fosse romance: Elas tem amigos, familiares, obstáculos e projetos, algumas já construíram uma vida e procuram um recomeço. Em relação as mulheres, também chama a atenção o fato de não haver as típicas vilãs – Mesmo quando se interessam pelo mesmo homem, elas não entram em disputas acirradas e grosseiras, apenas seguem seus caminhos e lidam com seus sentimentos.

            Os cenários são outro ponto interessante – Pilcher descreve em detalhes, mas sem o exagero que causaria enfado em quem lê. Curiosamente, talvez por ter passado mais da metade da vida na Escócia, as paisagens e pessoas descritas pertencem àquele país.

            Um ótimo livro para presentear as pessoas em aniversários, natais, amigos secretos, pois possui um vocabulário contemporâneo, contos não muito longos e narrativa que possivelmente agrade qualquer pessoa que aprecie uma boa leitura.

            Sobre a Inglaterra:

A Inglaterra é uma das nações que constituem o Reino Unido. O país que faz fronteira com a Escócia e com o País de Gales ocupa a parte central e sul da ilha da Grã Bretanha e mais de 100 ilhas menores. Trata-se de uma monarquia parlamentarista, cuja religião oficial é a Anglicana e o idioma é o inglês, sendo também aceito o córnico, idioma de origem Celta falado na Cornuália.

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Mudando de assunto…

Já foram conhecer um pouco mais sobre a Antologia Amores Virtuais, Perigo Real? Ainda não? Corre lá no site da Editora Quimera! O livro está incrível e toda a renda arrecadada com as vendas do livro físico será doada a uma instituição que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica enquanto a renda do e-book será direcionada à uma instituição de acolhimento para pessoas LGBTQ+. Além disso, o livro está disponível no Kindle Unlimited!

Aproveitem que o Natal está chegando e comprem um livro para presentear seus amigos e familiares! Depois me contem o que acharam do conto “Eu a quero tanto”, de minha autoria!

E-book Físico.

Nádegas a declarar.

            A lava-jato foi extinta – Afinal, segundo o mitológico ser que dirige nosso país igual um moleque de onze anos dirigiria um carrinho de rolimã na descida da Serra do Mar, a corrupção no Brasil acabou. E isso é um fato que irá entrar para os anais da nossa história, juntamente com os mais de 150 mil mortos e com o dinheiro – provável fruto de desvio das verbas de combate à COVID-19 – encontrado nas nádegas do Senador Chico Rodrigues, do DEM (base de apoio do governo). Pois é, talvez fosse mais adequado mudar o nome da lava-jato para “Operação nádegas a declarar”, nome que soaria deselegante, porém se adequaria perfeitamente ao momento?

            Enquanto esse cenário dantesco se desenrola em Brasília, no restante do país vive-se a expectativa para as eleições municipais: E tem de tudo – Por exemplo, na capital paulista, o candidato Russomano (Aquele que vai aos comércios forçar a venda de papel toalha avulso e pretende proibir o UBER em São Paulo), em uma declaração desrespeitosa, sugere que os moradores de rua não sofrem com a COVID por falta de banho. A resposta correta para essa suposta inexistência de COVID entre essa preocupação é a mesma que tem levado a uma diminuição dos casos: Se não testar, não tem contágio. Igual a corrupção: Se não investigar, não existe. Aliás, a capital também tem mais duas situações curiosas: A Candidatura de Márcio França, ex-prefeito de São Vicente e a reeleição de Bruno Covas. Será que a promessa de agir nos próximos quatro anos com a mesma postura que agiram em seus mandatos anteriores é uma promessa ou uma ameaça? Fica difícil dizer.

            Aqui, na baixada santista – carinhosamente apelidada por alguns internautas de “Dubai do Brejo”, a curiosidade é o fato de que Santos não possui nenhuma candidata ao executivo – Sem exceções, apenas homens disputam a cadeira na prefeitura. Já em São Vicente, a novidade é a candidatura do ex-prefeito que terminou o mandato de 2016 em meio a um tsunami de lixo. Se depender dele e da teoria do prefeiturável de São Paulo, a cidade ficará tão suja que a COVID não terá vez.  Se ele for eleito e eu desaparecer daqui, podem investigar e provavelmente descobrirão que uma barata gigante resultante da falta de coleta adequada de lixo invadiu minha casa e me trancou em algum baú.

            E o último assunto da semana: Finalmente os internautas esqueceram o casal de famosos que separou-traiu-não traiu. Agora o assunto é o Robinho, condenado por estupro na Itália e aceito de volta no Santos Futebol Clube. Interessante notarmos que uma jogadora de vôlei que se posiciona politicamente tem a carreira imensamente mais prejudicada que um jogador de futebol que comete um estupro! O contrato foi suspenso depois da pressão das torcedoras (e de alguns torcedores) e da ameaça de debandada dos patrocinadores do clube. Muitos defendem o atleta, dizendo que “todo mundo erra”, mas vamos combinar? Erro é esquecer o dia de aniversário da esposa, estacionar em local proibido ou sair de casa sem guarda-chuva. Estupro (ainda que sem penetração), não é erro – É crime. E esse assunto não deveria sequer precisar ser discutido e qualquer tentativa de melhorar a imagem do atleta só prova o machismo estrutural da sociedade.

            Pois é, a coisa por aqui está tão complicada que é melhor sentar e beber um suco de laranja – E começar a pensar em um novo imposto, para taxar as grandes bundas (Mas apenas as grandes bundas que sentam nas cadeiras do congresso nacional).

O Guarani – José de Alencar

O primeiro livro do #desafioliterário2020 #Outubro é uma obra clássica da literatura brasileira que me trás muitas recordações da infância – Por isso fiquei bastante feliz por este título ter sido sorteado para leitura justamente no mês da criança. Você que me lê, que é professor ou professora vai dar algumas boas risadas nesta postagem. Quando eu estava na minha quarta série, após as férias de julho, recebi a tarefa clássica de escrever uma redação “Como foram as suas férias”. Ora, como poderiam ter sido? Lendo muito. Porém, dizer para a professora que “li muito” não iria ocupar as linhas pedidas, certo? Então, o que eu fiz? Falei que havia lido, comentei brevemente os títulos e salientei que, de todos, o que havia me tomado mais tempo fora o livro “O Guarani”. Na minha visão infantil, era estranho que o índio (calma! Eu sei que o certo é falar indígena, mas lembre-se, eu tinha uns dez anos) se comportasse em seus diálogos de forma tão semelhante ao colonizador branco português. O Guarani me exigiu muito uso do dicionário e enciclopédias na época, foi um livro que me prendeu, me instigou a continuar apesar das dificuldades naturais da idade. Na redação, comentei que esperava alguma demonstração da fé do índio em seus deuses e não esse comportamento copiado dos portugueses e também falei sobre o incômodo com a personagem Isabel, que em certos momentos compara Peri a um animal e o fato da religião cristã ser colocada em um patamar tão superior aos costumes nativos. Enfim, não foi uma resenha com a profundidade que a obra merece, mas ainda assim, eu gostaria imensamente de ter guardado para compartilhar com vocês! A parte mais engraçada foi: Minha redação, com comentários sobre os livros, ocupou um pequeno calhamaço de folhas – Eu não sabia que seria necessário ler para a sala, quando a professora solicitou a leitura, eu fiquei gelada – Morria de vergonha de ler em público! Então, mostrei a ela o tamanho da redação e expliquei todas as dúvidas sobre o Peri e seu relacionamento estranho com a família de Ceci. É óbvio que não precisei ler a redação para a sala. É óbvio que a minha mãe foi chamada na escola por me permitir leituras “impróprias” e é óbvio que eu continuei lendo tudo o que quis e um pouco mais. Poucos meses depois, outra professora, amiga da família, me explicou resumidamente sobre o período histórico e a forma romantizada que José de Alencar utilizou para descrever os índios, iniciando um novo ciclo literário no país, o romance indianista, que buscava enaltecer a nossa terra. Na época, fiquei chateada: Toda essa explicação poderia ter sido dada pela minha professora da quarta série! Hoje, imagino que ela tenha ficado chocada por não esperar uma leitura espontânea. De toda forma, é uma lembrança divertida! Anos depois precisei reler o livro que era obrigatório para o vestibular, cheguei a ler por prazer em outro momento e li mais uma vez para falar sobre aqui no blog, porém, não deixarei uma resenha aprofundada dele – Um romance bastante longo e descritivo, de leitura obrigatória e enredo cativante, O Guarani se passa na primeira metade do século XVII e se passa numa propriedade localizada na Serra dos Órgãos, onde o português D. Antonio Mariz decidiu morar com a família e outros companheiros após as derrotas que os portugueses sofreram no Marrocos, estabelecendo um sistema semelhante ao sistema medieval de vassalagem. Durante a trama há romance, amores não correspondidos, ciúmes – tudo tendo como pano de fundo nossas matas e uma iminente guerra entre a família Mariz e os índios Aimorés, que buscavam vingança após o filho de D. Antonio matar acidentalmente uma índia de sua tribo. Há também traidores, como Loredano, um mercenário que abusa da hospitalidade oferecida pela família Mariz. Peri, durante todo o romance, apresenta a força e habilidade de andar pelas matas características dos indígenas e um código de conduta moral que se assemelha muito ao idealizado pelo cristianismo. É um herói corajoso e inesquecível! E vocês, já leram essa obra prima?

06 on 06 – Meus cantos

Meus cantos não se encontram

Em lugares especiais da cidade

Pois a vaidade humana destrói

A beleza que a natureza constrói

Meus cantos não são cantos

Da casa onde resido

Meus cantos não são lugar perdido

Onde me esquivo do mundo

Meus cantos são tão meus

Alguns impalpáveis

Alguns inexplicáveis

Alguns talvez comuns, mas, meus

Meus cantos são as linhas vazias

Onde meus olhos espalham palavras

Como o agricultor espalha lavras

Criando com penas da alma, poesia.

Meus cantos são castelos de areia

São pessoas que nunca existiram

São personagens que me inspiram

Em algum livro da prateleira

Meus cantos são o aconchego

De uma panela e seus sabores

Da cozinha onde me achego

Alimentando corpo, alma e amores

Meus cantos são canções

Que se espalham pelo ar

Acalantam corações

De quem ainda ousa sonhar

Meus cantos são meu corpo

Altar maior da Deusa que sou

Recanto que me carrega pra onde vou

Passeio, trabalho, leitura ou desporto

Meus cantos são as ruas

Onde se constroem as lutas

Por um mundo justo e igual

Por uma vida livre e ideal

Meus cantos são os acalantos

Das memórias e momentos

Em que contemplei o olhar

Que me transborda de alegria

Meus cantos são lugares

Que não consigo fotografar

São as lembranças dos olhares

Que me ensinam a sonhar

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Não sei o motivo das fotos terem saído assim, pequeninas. Este mês tivemos um mini 06 on 06 por aqui 😦

O sabor das primeiras receitas

Cresci vendo as mulheres da minha família lidando com a cozinha – Do arroz com feijão de cada dia aos docinhos de aniversário, pães, doces artesanais como goiabada, laranjada de corte, doce de mamão, e essa experiência me trouxe recordações perfumadas de uma infância cercada por comidas e livros. Entretanto, é curioso o fato de que nem todas as experiências infantis permaneceram na memória – Ao contrário: De algumas só tenho conhecimento através da narrativa de adultos que me conheceram nos primórdios da vida. Naturalmente, quem tem mais causos e histórias a meu respeito é minha mãe, e uma dessas situações se deu quando eu era bem pequena e estava ainda começando a ter os primeiros contatos com a cozinha.  Ela conta que estava fazendo quindins e precisava untar as forminhas e passar açúcar e acabou pedindo que eu fizesse esse favor, me deixando sentada com as forminhas, o pote de margarina e o de açúcar cristal. Quando veio buscar as forminhas, a surpresa: Eu havia passado margarina e açúcar por dentro e por fora das formas! Pois é, coisas que a gente faz aos cinco ou seis anos de idade e depois que cresce, esquece. O que eu não me esqueço é do sabor e da textura deliciosos dos quindins – E agora encontrei uma receita deliciosa e vegana desse docinho que para mim sempre terá sabor de trapalhadas e infância.

Ingredientes

200 ml de leite de coco
1 xícara cheia de açúcar
1/4 de xícara de água
2 colheres (sopa) de óleo de milho ou girassol
3 colheres (sopa) de amido de milho
3 xicaras bem cheias de mandioca crua ralada
100 grs de coco ralado
açúcar cristal para polvilhar

Calda
1/4 de xícara de água
1/4 de xícara de açúcar cristal

Preparo

Bata no liquidificador todos ingredientes, menos o coco ralado – começando pelos líquidos e adicionando os demais aos poucos e batendo, até ficar homogêneo.  Com uma colher, misture o coco ralado.
Unte com óleo uma forma grande com furo no meio, ou forminhas pequenas para quindim e salpique uma pequena quantidade de açúcar cristal; despeje a massa e leve para assar em banho-maria, em forno médio, por cerca de 40 minutos ou até que espete um palito, e saia limpo.
Para a calda: misture a água com o açúcar e leve para cozinhar por cerca de 15 minutos, até engrossar. Desenforme o quindim e pincele com a calda.
Se quiser um quindim bem amarelinho, adicione corante alimentício amarelo.

(FONTE DA RECEITA: SITE VEGGIE & TAL)

Mudando completamente de assunto: Recentemente fui selecionada para uma antologia do Grupo Editorial Quimera. O livro (físico e e-book) já está à venda e a renda será revertida para ongs que acolhem mulheres vítimas de violência. Adquiram os seus exemplares:

Físico E-book

Defender o meio ambiente do ministro do meio ambiente? Isso é Brasil!

País estranho esse onde o mesmo homem que debocha da necessidade de proteger nossas florestas é aplaudido por assinar uma lei que aumenta a pena para maus-tratos de animais (leia-se: cães e gatos).  Pois é. Mas e quanto ao desejo de breve restabelecimento escrito para o presidente dos Estados Unidos? Um verdadeiro grito de deboche direcionado aos 145 mil brasileiros que perderam a vida nesta pandemia. Afinal, é só uma gripezinha, toma cloroquina que passa – E se não passar, deixa a tubaína que a gente bebe na comemoração: Seria um maluco a menos em posição de poder, vencido pelo vírus que ele mesmo desdenhou.

            Ainda sobre meio ambiente e as agressões que vem sofrendo, chegamos a um momento histórico tão bizarro que o judiciário é obrigado a defender o meio ambiente adivinhem de quem? Isso mesmo! Do ministro do meio ambiente! Ainda bem que por hora derrubaram a decisão do ministro que havia retirado a proteção dos nossos mananciais e restingas. Não é um elogio ao judiciário – Nada mais estão fazendo do que sua obrigação de fazer cumprir a lei e a constituição desse país continental e desgovernado. Por falar em desgoverno, Carol Solberg, uma jogadora de vôlei que gritou “Fora Bolsonaro” está sofrendo intimidação e denuncia no Superior Tribunal de Justiça Desportiva – Mais um passo angustiante em direção à censura de opiniões. Aliás, o fantasma do cerceamento de opinião rondou o prefeiturável Guilherme Boulos e o influenciador digital Felipe Neto apenas pelas opiniões e participações nos atos Antifascistas. Ora, um governo que busca inibir atos antifascistas é o que mesmo? Pois é. Fascista. Um fascismo à brasileira, meio capenga, que só enxerga uma invisível “ameaça comunista” em qualquer pessoa que tenha bom senso – De cientistas a padres, todos são motivos de ódio e alvos de opressão para esse desgoverno. E eu quase ia esquecendo de contar que uma banda de rock não pode nem fazer uma música questionando sobre os cheques do Queiroz pra primeira dama sem ser ameaçada de processo.  Boa sorte e muita força para nós nesta próxima semana que está começando hoje – Vamos precisar. E não esqueçam como dizia o velho ditado: Cala a boca já morreu quem manda na minha boa sou eu. O Brasil ainda é um país livre, então vamos aproveitar essa liberdade e mostrar os defeitos desse sistema e desse desgoverno genocida, esse ano tem eleições municipais e precisamos urgentemente mostrar nas urnas que não concordamos com as atuais políticas – Como? Votando apenas em quem não apoiou em nenhum momento a eleição do fascista e o golpe que levou o Conde Drácutemer ao poder.

O conto dos três anos

A menina abriu o caderno – Fazia tempo que não escrevia nada para ele. Não por falta de vontade, mas por falta de palavras – Não havia texto que conseguisse retratar tudo o que ela sentia. Nos últimos dias ela escrevera sobre política, sobre arte, sobre culinária, sobre casais que não existem – Porque pela primeira vez era mais fácil falar no inexistente ou da arte ou do mundo – Do que falar do que ela realmente sentia e desejava falar. Mas hoje seria diferente – Hoje ela queria falar da saudade: Daquela sensação de distância que nos tira do eixo, que bate como uma onda no mar bravo e afoga o peito e o olhar. Daquela sensação de “Quando eu vou te ver de novo?” que ela sempre tinha ao final de cada encontro e que a fazia querer segurar as mãos dele e nunca mais soltar. Aquela saudade antecipada, compartilhada no beijo trocado antes de voltar para casa. E não é que de repente o mundo se havia encarregado de tornar tudo caótico e fazer com que a maior prova de afeto fosse justamente a distância? Nunca havia feito tanto sentido fechar os olhos e perguntar “quando?” – É como se naquele último dia de carnaval, no ponto de ônibus debaixo de uma garoa que ameaçava se tornar chuva, o coração já intuísse que aquele ano não seria como os outros. Hoje ela precisava falar da saudade daqueles olhos, do sorriso, de entregar o corpo aos caprichos dele para encontrar a liberdade de sua alma e de seu prazer ao se deixar atar nos calabouços dos desejos que ele lhe apresentara. A menina de três anos atrás já não era tão menina – Seu rosto permanecia quase o mesmo, mas seus olhos haviam aprendido o brilho da sensualidade; sua pele havia se acostumado ao toque que lhe deixava marcas de luxúria, seu corpo desejava ser comandado por aquela voz que tinha um timbre único de autoridade e desejo. A menina tornava-se mulher, embora soubesse que, perto dele, seu olhar sempre teria o brilho do encanto que só as meninas sabem ter ao se perder no céu de seus sentimentos impetuosos que insistem em ser ponte e não muralha.

 Ela sorriu – Apesar da distância ser uma experiência dolorida, pensar nele era um motivo para sorrir – Especialmente na noite que marcava exatos três anos depois daquele primeiro mergulho nos olhos mais profundos, doces e misteriosos que jamais conhecera e que, uma vez conhecendo, sabia que seriam sua mais doce prisão, enquanto ele a quisesse como prisioneira.