Capítulo 9

Naquela tarde de Novembro, quando Marjorie chegou à casa dos tios, não teve uma boa surpresa.
Eles estavam esperando-a para dizer que iriam se mudar para a Argentina, pois seu tio havia sido promovido na empresa de exportação e importação onde trabalhava porém seria necessário que trabalhasse na Matriz, em Buenos Aires.
Marjorie pediu para ir com eles, mas a idéia não foi bem recebida. Ela deveria voltar a morar com os pais, estudar, fazer faculdade. Não era o momento de deixar o país.
Sabia que não voltaria jamais, pois isso estaria acima de suas forças..Só ela sabia a tortura que foram as férias passadas lá, em julho.
Tinha algum dinheiro guardado, resultado do trabalho durante o verão e das mesadas que os pais mandavam, já que ela não tinha gastos. Poderia alugar um cantinho, arranjar um emprego e ir morar sozinha. Seus tios iriam alugar a casa em que moravam, mas ela sabia que o valor estaria acima de suas posses. Talvez tivesse mesmo que se contentar em alugar um quarto. E tinha menos de um mês para fazer isso, já que os tios viajariam no começo de dezembro, após o término das aulas.
Passou a caminhar pela cidade atenta a todos os lugares. Nas imobiliárias as exigências para alugar um imóvel eram muitas. Sua falta de experiência também não ajudava muito na hora de arranjar um emprego. Mesmo assim conseguiu alugar um quarto, próximo ao campus da Faculdade Unisantos na Avenida Conselheiro Nébias, onde pretendia estudar, se conseguisse uma bolsa, pois com certeza os pais iriam se recusar a custear seus estudos, quando soubessem de sua decisão.
O local era muito simples, mas o aluguel era relativamente baixo. Ela poderia cozinhar dentro do quarto, o banheiro era de uso coletivo, assim como o tanque. Como era final de ano, não foi difícil conseguir voltar a trabalhar na loja em que havia trabalhado no ano anterior. Era temporário mais serviria, enquanto não conseguisse nada melhor.
Seus pais estavam inconformados. Queriam que ela voltasse a morar com eles, não entendiam a atitude de Marjorie, pois sempre foram uma família muito unida.

Nunca a solidão foi tão cruel, longe da família, dos amigos de infância, de Valeska. Passava as horas vagas na praia. Ver a alegria de tantos casais à sua volta deixava-a ainda mais deprimida. Não havia sentido em preparar nada para o Natal, mas mesmo assim ela fez questão de fazer uma comida diferente. Nada fora do comum, só uma salada bem enfeitada, colorida e um peixe assado. Comprou um vinho bem baratinho. Acabou bebendo a garrafa toda e amanheceu de ressaca no dia 25 de Dezembro.
No sítio, os pais de Valeska comemoravam a aprovação da filha no vestibular da USP. Nem isso a fazia sorrir. Para ela era apenas mais uma etapa vencida. Mais uma etapa em que Marjorie deveria estar ao seu lado.
Ela soube por amigos em comum que Marjorie não havia prestado o vestibular, não em São Paulo. Melissa a havia deixado em paz um pouco. Estava mais entretida ganhando a confiança de Gabi. Às vezes as duas apareciam por lá, para conversar com Valeska.

A cada dia Gabi estava mais apaixonada por Melissa, mas parecia não perceber isso. Dizia gostar de um menino que estudava com ela, porém vivia a procurar motivos para segurar a mão de Melissa, abraçá-la… Passaram uma noite na casa de Valeska. Melissa dormiu no colchonete e Gabi dormiu na cama com Valeska, apesar dos protestos. Melissa queria muito que Gabi ficasse na cama com ela e Valeska fosse para o colchonete. Gabi também queria dormir ao lado de Melissa, mas Valeska não permitiu. Chamou Melissa para conversarem enquanto Gabi tomava banho e perguntou o que estava acontecendo entre as duas. Melissa respondeu que nada, mas que ela precisava satisfazer-se com alguém, já que Valeska não queria mais nada com ela. Ao ouvir isso, Valeska ficou com muita raiva. Não era possível que aquela menina tratasse a todos como seus objetos de uso pessoal, pensando que as pessoas só existem para satisfazê-la, que elas não tem sentimentos. Para convencer Melissa a dormir longe de Gabi, ameaçou a contar aos pais dela tudo que havia acontecido entre elas. Sabia que se fizesse isso, os pais iriam saber sua opção e poderiam saber o que acontecia entre ela e Marjorie, mas ela preferia enfrentar as conseqüências a deixar Melissa magoar uma garota delicada como Gabi.
Não adiantou. Quando Valeska acordou no meio da noite, não viu Gabi nem Melissa no quarto. Pensou que as duas poderiam ter ido até a cozinha buscar um copo de água, ou comer alguma coisa. Como elas estavam demorando muito para voltar, ela saiu para ver onde estavam. Encontrou-as no sofá da sala, nuas e entregues uma à outra.
Voltou para o quarto, não teve coragem de interrompê-las, pois não adiantava mais, Melissa havia conseguido o que queria.
Algum tempo depois, elas voltaram também para o quarto, Melissa ficou no colchonete e Gabi voltou para a cama como se não houvesse acontecido nada demais.
No dia seguinte Valeska fez de conta que não havia notado nada. Melissa acordou radiante, com um sorriso cínico de vitória nos lábios, Gabi, inocente, parecia flutuar de tão feliz. As meninas foram embora, Gabi ainda ficaria mais uma semana na casa de Melissa, mas notaria que esta aos poucos iria se afastando dela… Tratando-a friamente… Somente à noite Melissa procurava sua companhia…
Dois dias antes de ir embora, Gabi procurou Valeska. Contou-lhe chorando sobre a noite que havia passado com Melissa, estava apaixonada, e Melissa dizia que não queria nada sério, apenas transar quando Gabi pudesse ir visitá-la nos fins de semana ou feriados, que Gabi deveria manter segredo sobre elas e, se quisesse, poderia ficar com outras pessoas, fidelidade era uma palavra que deveria estar fora do vocabulário delas.
Valeska por sua vez não conseguia parar de chorar. Por que algumas pessoas sentem prazer em magoar às outras? Contou para Gabi tudo o que havia acontecido entre ela, Marjorie e Melissa.
Decidiram juntas vingar-se de Melissa, ambas iriam se expor muito para isso, mas concordavam que, talvez pudessem impedir que outras pessoas sofressem o que elas estavam sofrendo.
Haviam combinado de dormir na casa de Valeska, mas Gabi conseguiu convencer Melissa a ficar em casa mesmo. Esperaram os pais de Melissa irem dormir. Gabi disse que estava com vontade de comer doce. Foi até a cozinha buscar um pote de sorvete e calda de morango. Passou um pouco em Melissa, beijando em seguida para limpar. Melissa queria sorvete também, mas Gabi apenas iria permitir com uma condição especial: Ela seria a taça do sorvete.
Melissa gostou da idéia (como ela não havia pensado nisso antes?). Mandou que Gabi tirasse toda a roupa e se deitasse. Em seguida, foi colocando sorvete em todo o seu corpo, e por cima, calda, muita calda de morango.
Começou a beijá-la, dando pequenos chupões, o frio do sorvete iria ajudar a não deixar marcas. Ela ia tocando Gabi com a boca, fazendo-a chegar quase ao êxtase. De repente, seu pai e sua mãe abrem a porta do quarto e acendem a luz. Ficaram sem palavras.
Quando Melissa percebeu o que havia acontecido, ficou em choque. Tentou dizer que tudo havia sido culpa de Gabi, que ela não era lésbica, mas a situação demonstrava o contrário, era ela que estava praticamente devorando Gabi,como poderia ter sido forçada a isso?
Gabi contou que nunca havia namorado ninguém, até conhecer Melissa, e que esta a havia seduzido.
Os pais de Melissa as colocaram para dormir cada uma em um quarto, e no dia seguinte não permitiram que as duas se despedissem. Seu Lucas levou Gabi até a cidade, de onde deveria pegar um ônibus até sua cidade, decidiram que os pais de Gabi não precisariam saber nada sobre o acontecido, a não ser que a própria Gabi decidisse contar, o que não aconteceu. Sua família não ficou sabendo de nada e ela continuou a levar sua vida normalmente.
Por decisão da família, Melissa foi retirada do colégio. Tinham certeza de que a filha estava sendo mal influenciada pelas amigas. Afinal, só haviam descoberto a verdade devido a um telefonema anônimo. Como gostavam muito de Valeska, decidiram propor aos pais dela que levassem Melissa com eles para a capital, para que ela pudesse estudar numa escola melhor. Eles pagariam todas as despesas da filha.
Os pais de Valeska não só aceitaram como ficaram felizes, afinal, quem sabe assim a filha saísse do isolamento em que estava.
Para Valeska a notícia de que Melissa iria com eles foi como uma punhalada pelas costas. Ela teria que dividir sua casa e sua família com a pessoa que havia destruído seus sonhos. Jamais deveria ter dado aquele telefonema  aos pais de Melissa, dizendo para eles vigiarem melhor a filha deles.

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Finalmente me rendi aos encantos de Frozen

Voltando aos tempos de criança decidi assistir à tão aclamada animação “Frozen – uma aventura congelante”. Apesar de em geral preferir filmes legendados, por se tratar de uma animação acabei optando pela versão dublada.

O filme é realmente bem bonitinho, tem um enredo fofo e músicas incríveis. Ainda acho estranho ver um filme de crianças onde um dos personagens fala que “homens tiram meleca do nariz e comem”, mas enfim, tempos modernos, não é verdade?

Para quem não assistiu ainda, vale a pena! Se não for assistir com crianças pequenas, a versão legendada é melhor porque dá para curtir as músicas em sua versão original.

Se quiser assistir no youtube, o único problema são os comerciais de tempos em tempos, mas fica o link aqui!

Resenha do livro: Anna Karenina

Sobre o autor: Leon Nikolaievitch Tolstói nasceu em 1828 em Iasnaia Poliana e faleceu em 1910, aos 82 anos de idade. Na Universidade de Kazan estudou línguas orientais e direito. Chegou a servir o exercito, entretanto possuía visão pacifista e anarquista recusando toda forma de poder e governo. Seus textos autobiográficos “A Minha Fé” e “Qual é a minha confissão” foram apreendidos, tendo sua difusão clandestina. O autor, por suas ideias, foi perseguido e excomungado pela Igreja.
A leitura do livro Anna Karenina é muito agradável. Com quase 800 páginas, ele prende o leitor do início ao fim. Não há suspense ou mistério, apenas uma narrativa detalhada da vida social na sociedade russa nos anos de 1870. Há uma grande preocupação descritiva – não só em relação aos ambientes, objetos, roupas e ações dos personagens como e principalmente, em relação às suas ideias, visões de vida, sentimentos e opiniões. Talvez um autor moderno tivesse conseguido contar a história em menos de 300 páginas, mas certamente não teria o mesmo sucesso tampouco o mesmo valor moral.
Anna Karerina é uma obra, sobre adultério, família e consequências dos atos de cada um em uma sociedade doente e hipócrita. O autor é extremamente realista – não há diálogos melosos entre os personagens, as demonstrações de afeto são extremamente comedidas e, ainda assim, Anna é uma das personagens femininas mais ricas e complexas já vistas.
Ao acompanharmos o desenrolar dos acontecimentos, nos parece estar vivendo cada momento tal é a perfeição com que o autor narra os ambientes, pensamentos e ações.
Ao tratar o adultério o autor mostra-lhe duas faces: a do homem que trai por capricho – como o que acontece no início da história, e a da mulher que trai o marido por descobrir em outro homem o amor que até então não havia encontrado, caso da heroína do romance, Anna.

É um livro que certamente valeu a pena ler.

Uma dica: A edição da Editora Abril, de 1971 é excelente. Tentei baixar em pdf mas só consegui a tradução em linguagem mais moderna, que deixa o texto sem sal nem açúcar.

Capítulo 8

Os dias vão passando. Lentamente tornam-se semanas, meses…
Julho chega… Férias… Marjorie vai visitar os pais em São Paulo… Encontra seu quarto exatamente como deixou… Cada cantinho apresenta uma recordação… Bem em frente à cama, um grande painel mostra fotos dela e de Valeska desde a infância até as últimas férias que passaram juntas com os avós de Marjorie… Atrás de um quadro, a chave que abre a gaveta do criado mudo… Ela não consegue abrir, pois sabe que lá dentro estão guardadas cartas, bilhetes, fotos, um lenço com o perfume de Valeska, a calcinha que usou na primeira noite de amor… Pedacinhos de sua vida…
A alegria de rever os pais era nublada por essas lembranças.
A maioria dos amigos estava viajando… Os poucos que Marjorie encontrou invariavelmente citaram Valeska, todos sabiam que elas eram muito unidas e perceberam o estado quase depressivo em que Valeska se encontrava desde a partida de Marjorie. Que vontade de voltar… Seria a mesma coisa viver ali, como antes? Não… Não seria… A vida é um cristal,quando se parte,não adianta remendar, jamais será igual…
No sítio, Valeska está mais isolada que o habitual… Melissa não a deixa sossegada um segundo, mas recebe em troca a frieza do gelo. Seu único prazer é caminhar solitária em meio às trilhas, passa horas contemplando os pássaros… A água caindo na cachoeira… Sempre gostou desse contato íntimo com a natureza, mas após terminar seu namoro com Marjorie essa característica sobressaiu-se em seu comportamento. Unir sua alma a alma da Terra, das Árvores, dos Rios, ao Vento ajudava-a a preencher um pouco o espaço vazio que Marjorie deixara ao partir. Fim de férias.
De volta a São Paulo, Valeska fica sabendo que a amada esteve na cidade. Sofrimento. Nem avisou a ela que viria.
Em Santos, Marjorie retorna à rotina… No fim do ano prestará vestibular, não mais a USP, não quer voltar a São Paulo. Prefere ficar em Santos e fazer um curso particular…
A vida de Valeska também não sofre grandes mudanças. Ela mergulha cada vez mais em seu mundo isolado.
Em Setembro, Melissa faz dezesseis anos… Fazem uma enorme festa no sítio, Valeska é convidada, mas recusa-se a ir.
Nessa festa, Melissa conhece Ana Gabriela, prima de uma amiga do colégio.
Ela e Ana Gabriela têm a mesma idade, mas Gabi ainda é completamente pura. É uma linda garota, olhos castanhos, pele cor de doce de leite e cabelos negros e cacheados que caem abundantemente até as costas. Mora na cidade vizinha e sempre passa as férias e muitos finais de semana com a prima. Melissa a convida para passar uma semana no sítio, nas férias de verão. Os olhos de Melissa não conseguem esconder a maldade, ela torce para que em Dezembro Gabi ainda continue sendo a garotinha pura que ela conheceu.

Pimentões recheados com PVT

Pimentão cheio com carne de soja e arroz (9)

Quem disse que comida vegana tem que ser sempre gourmet, cara e difícil de preparar? A receita de hoje é super fácil, barata, simples e saborosa. Uma dica é servi-los como na foto: com arroz e feijão branco (pode ser outro de sua preferência).

INGREDIENTES:

3 pimentões pequenos
¾ de xícara de PVT (proteína vegetal texturizada) fina
1 tomate picadinho
1 cebola picadinha
1 dente de alho
12 vagens picadinhas
Azeite
Temperos à gosto (eu uso curry e sal)

PREPARO:

Hidrate a PVT deixando-a de molho em água até dobrar de tamanho. Escorra e esprema bem pra tirar todo o líquido. Numa panela, coloque um fio de azeite e refogue o alho, metade da cebola e os temperos, coloque a PVT e refogue bem. Depois que a PVT já estiver refogada, coloque metade do tomate e as vagens picadinhas. Coloque água e deixe cozinhar até a vagem ficar macia (e até a PVT estar seca).
Lave bem os pimentões, retire uma “tampa” deles com cuidado, retire as sementes e lave por dentro. Escorra. Recheie com a PVT e coloque a “tampa” prendendo com palitos de dente.
Numa panela, coloque um fio de óleo ou azeite e frite os pimentões delicadamente até soltarem a pele. Retire-os da panela e raspe-os até sair toda ou a maioria da pele.
Em outra panela, refogue o restante do tomate e da cebola e azeite pra fazer um molho acebolado. Sirva os pimentões com esse molho.

Esta noite sonhei com você


“Esta noite sonhei com você
Com o olhar doce de quem ama
Suavemente meu nome chama
Esta noite sonhei com você
Perfume de rosas
Pele macia, carícias gostosas
Esta noite sonhei com você
Meu primeiro amor
Meu único amor
Senti na minha pele teu olhar
Esta noite sonhei com você
E a saudade tão grande que eu sentia, aumentou
O que posso fazer? Olhando-te, meu coração te amou
Esta noite sonhei com você
Meu doce, terno
Amor eterno
Esta noite sonhei com você
E em sonho, me fiz mulher em teus braços
Sob muitos beijos e abraços
Esta noite sonhei com você
Meu doce cavaleiro, luz da minha estrada
Esta noite sonhei com você
E acordei sozinha… Sem você ao meu lado…
Quando meu sonho será realidade?
Quando ouvirei você dizer que me ama?

(Da série: devaneios tirados do fundo da gaveta)

Capítulo 7

Marjorie não obteve notas excelentes, como era seu costume mas conseguiu o suficiente para uma nova bolsa de estudos no ano seguinte. Ia simplesmente vivendo… Durante as férias arranjou um emprego, era a primeira vez que não passava as férias de verão com os avós… Mas não suportaria ir para uma fazenda, o contato com a natureza faria lembrar-se de Valeska… Quantas vezes não planejaram casar-se, terminar a faculdade e depois comprar um pequeno sítio, bem aconchegante, ao qual dariam o nome de “Recanto do Amor Eterno”, onde criariam seus filhos, envelheceriam juntinhas, e bem velhinhas cuidariam dos netos, contando-lhes lindas histórias de amor. Sonhos enterrados de uma vida que nunca iria voltar.
Qual não foi seu esforço para não responder as insistentes cartas de Valeska que a família lhe remetia para Santos. Queria tanto poder tomá-la nos braços e dizer que ainda a amava. Perdoar tudo o que se passou e voltar pra casa. Em fevereiro faria 18 anos… Como queria poder casar-se com ela.  Mas sempre haveria lembranças a magoar-lhe o coração… Sempre…
Às vezes ia à praia de madrugada, quando tudo é deserto e vazio, vazio como estava sua alma sem o amor de Valeska. Sentia a brisa tocar seu rosto, deixava-se ficar ali, chorando. Contemplava a fria solidão da Lua que apesar de cercada de estrelas, parecia olhar para a Terra buscando sua Amada, como se tivesse sido arrancada dos braços dela há muito tempo e jogada no frio exílio do firmamento e agora a ela só restasse acompanhar de longe o seu Amor.
Valeska faria 18 anos em janeiro. Que vontade de ligar para dar os parabéns e só por uma última vez ouvir aquela voz tão amada. Vontade de bagunçar mais uma vez aqueles cabelos curtinhos, louros e sempre tão comportadinhos. Vontade de beijar seu corpo mais uma vez. De tomar para si a sua esposa, o amor da sua vida…
Mais do que nunca, Marjorie sabia que jamais amaria alguém novamente. Seu coração não conseguiria mais entregar-se.
Ah, Valeska… Por que você fez isso com as nossas vidas? Por que mergulhou a aurora do nosso amor para sempre nessa escuridão, e por que, mesmo mergulhada na escuridão, não consigo matar em meu peito esse sentimento que talvez um dia me mate, e que carregarei comigo mesmo com o corpo sete palmos abaixo da terra e a alma vagando sem descanso, atormentada pela dor de amar-te, sem conseguir, entretanto te perdoar… Por quê?

Adorava as noites de ano-novo na praia. Já era uma tradição em sua vida passar as férias na fazenda dos avós, mas dar uma escapadinha até a casa da tia para passar a virada de ano em Santos. Lembrou-se de uma vez especial, quando a família de Valeska veio junto.  Elas estavam com quinze anos, haviam acabado de começar a namorar e ali, à beira-mar, juraram nunca mais se separarem. Era como se os fogos celebrassem sua união.
Mas, esse ano ela não passaria à beira-mar… Ficaria em casa, ajudaria a tia nos preparativos da ceia. Só não conseguia pensar em uma desculpa para não ir à praia… E faltava apenas uma semana… Sete dias a separavam do pior ano de sua vida… E o ano seguinte não demonstrava que seria melhor, ou mais feliz…
Noite de ano-novo, preparativos… Alegria no ar… Só Marjorie parece alheia a tudo…
Por volta das 22 horas a ceia estava praticamente pronta e todos foram se vestir… Marjorie ficou por último, como não havia encontrado um argumento convincente para não ir à praia, resolve se atrasar, para ver se os tios e o primo iam sem ela…
Não adiantou…
Eles ficaram muito surpresos ao vê-la saindo do quarto, num vestido negro, longo, com o corpo justo e a saia solta. Trazia os belos cabelos soltos e o rosto muito pálido. Seus olhos negros e orientais destacavam-se com uma expressividade assustadora. No pescoço, uma corrente prateada, onde pendurava uma pequena serpente de prata. Japonesa mestiça tinha um corpo forte, devido às aulas de karatê, mas nem por isso deixava de ser esbelta e feminina. Estava deslumbrante. Na praia chamava atenção por onde passava, tanto pela beleza, tanto pelo contraste, pois quase todos usavam trajes brancos ou cores leves e alegres.
O relógio marcou meia noite e os fogos começaram, mas já não havia ninguém para dizer que a amava… Lágrimas…
No sítio, Valeska controlava com dificuldade suas emoções. Também abriu mão da tradicional roupa branca, escolheu um vestido rosa (ouviu dizer que ajuda a melhorar a vida afetiva), era muito branquinha, loura e com os cabelos curtinhos. Apesar de adorar bijuterias e acessórios, nessa noite não usava nenhum adorno, apenas trazia consigo, guardada dentro do sutiã, uma carta de amor que Marjorie havia escrito quando começaram a namorar.
Também lembrava as juras de amor à beira-mar… Tudo o que mais desejava era voltar no tempo e reparar todas as besteiras que fez… Mas o tempo é cruel, o tempo não volta atrás…

Valeska: Caderno de notas

Ano novo/O tempo
Mais um ano se passou…
Como eu queria poder apagá-lo da minha vida, da minha memória… Queria voltar atrás em tudo que eu fiz, queria poder ser feliz de novo…
Marjorie… Passaram-se meses, e nem uma notícia sua… Esse silêncio me apavora… Quando você partiu, pensei que logo a saudade iria tocar seu coração e você voltaria para os meus braços… Mas até agora, nada… Começo já a perder as esperanças, mas se eu perder as esperanças, o que irá sobrar de mim?O que sobrará para viver se eu vivo somente de esperanças… Vivo da esperança de um dia reconquistar seu amor… Tê-la novamente em meus braços, minha alma gêmea, sem você é como se faltasse um pedaço da minha alma…
O tempo é muito cruel, ele não volta atrás e me impede de consertar o passado… É como se ele quisesse me castigar,passa lentamente, marcando cada segundo com uma pontada de saudade de você… Se não posso ir até meu passado, queria ao menos poder ver o futuro, para saber se um dia terei teu perdão e teu amor de volta… Pois a única coisa que me prende a essa vida é a esperança, e sei que se eu perde-la, poderia dar cabo a essa existência de dor…
Minha alma silenciosa e sofredora poderia então voar e buscar-te onde estiveres… E te seguiria, protegendo e amando-te até o fim da tua vida… E quem sabe então, na eternidade, você e eu seríamos novamente felizes…”
-Valeska.
-Que foi mãe?
-Larga esse caderno… Pelo menos hoje, é noite de Ano-Novo.
-É uma noite como outra qualquer.
-Valeska, você sempre foi tão alegre, doce. Sua alegria contagiava todos ao seu redor. O que tem acontecido com você?Há meses está cabisbaixa, não sorri, não canta. Abandonou as aulas de balé. Não sai com as amigas, nem as convida para ir a nossa casa.
-Não tenho nada. Apenas deixei o balé porque cansei das aulas.
-Você deve estar gostando de algum garoto. E não está sendo correspondida. Isso passa, sorria, logo vai aparecer alguém que te ame.
-O amor é cruel, me recuso a vivê-lo.
Chocada, a mãe de Valeska não consegue esboçar nenhuma reação. Ouvem-se então vozes vindas do lado de fora: Eram seu Lucas, D.Isabela e Melissa que chegavam para passar noite de ano com eles.
Vinham vestidos de branco, os pais usavam roupas muito simples, pois apesar de terem uma situação financeira boa, não faziam questão de luxos. Melissa usava um vestido um pouco mais requintado, longo, branco, com algumas rendas. Delicado, passava aquela imagem de inocência que havia encantado Valeska no verão passado. Mas seus olhos haviam mudado, já não mostravam mais uma leve malícia, agora Valeska podia ver a maldade que transparecia naquele olhar.
No interior não se costuma esperar até meia noite para tomar a ceia, de modo que às 22h00min, todos já estavam sentados à mesa, saboreando uma deliciosa refeição. Às 23h00min, a família de Melissa retirava-se. Finalmente, Valeska podia ficar sozinha.
Dona Mariana, mãe de Valeska, espera a filha recolher-se e começa a conversar com o marido. Relata a conversa que havia tido com Valeska, diz estar preocupada…
O marido tenta acalmá-la, diz que provavelmente Valeska está sentindo falta de Marjorie, que se mudou tão repentinamente e não manda notícias. Tudo que ela precisa é de companhia, de uma nova amiga que esteja sempre por perto.

Marjorie estava trabalhando em uma grande loja de roupas no shopping Miramar, em Santos. O emprego era temporário,mas ela queria muito continuar trabalhando após as férias. Seus tios porém não concordavam, ela iria começar a cursar o terceiro ano do ensino médio e deveria dedicar-se apenas aos estudos. Não precisava trabalhar visto que não tinha gastos com moradia ou alimentação e seus pais ainda lhe mandavam mesada todos os meses.
Chegou finalmente o fim das férias. Marjorie retornou a sua rotina normal, do colégio para a casa, da casa para o colégio.
Valeska ficou aliviada com a volta para São Paulo. Seus pais continuavam tentando entender o que havia de errado com ela, chegaram a sugerir uma análise.
Decidiu ficar o maior tempo possível fora de casa, estudava de manhã, almoçava e saía, passava as tardes na biblioteca, ou ia ao Ibirapuera, abrigava-se na natureza e se refugiava em sua dor.
No fim do ano teria que prestar vestibular… Ela e Marjorie sempre haviam sonhado com a USP, ela queria prestar Letras e Marjorie Educação Física. Será que iriam se reencontrar? Essa esperança era a única coisa que fazia Valeska dedicar-se aos estudos…

Música: Banda Magusta

Inspirada por dons divinos, a música é sem dúvida uma das mais belas artes humanas; os que a ela se dedicam trazem na alma a missão de tornar o mundo mais belo, mais cheio de energia e de amor, e assim é a Banda Magusta – uma união entre cinco amigos cheios de entusiasmos que se entregam de corpo e alma a música e contagiam todos ao seu redor com um Pop Rock que é ao mesmo tempo eletrizante e melódico, a trilha sonora perfeita para se ouvir a qualquer hora, todos os dias!
O nome da banda tem uma origem especial: André Gimenes, vocalista da banda, sonhou que cantava em um palco e que ao seu redor o público gritava o nome Magusta. Profundamente marcado por este sonho, pesquisou o significado e, na numerologia descobriu que o nome Magusta traz duas vezes o número 7 e significa “Fé e Força”. Desde então o nome Magusta tornou-se parte de sua vida. Com uma origem tão especial, a banda não poderia ser diferente: Um sonho que a cada dia se realiza, uma energia compartilhada entre os cinco integrantes e seu público, capaz de tornar mais belo o dia de quem os escuta.
Enfim, há coisas sobre as quais não adianta falar, só conhecendo para saber, e a Banda Magusta é assim… Inexplicavelmente apaixonante só quem escuta entende!

Querem conhecer essa banda cheia de energia que vai sair da baixada santista e ganhar o mundo? É só clicar e explorar a página oficial no Soundcloud. Gostou? Curta no facebook e acompanhe as novidades!

Formação atual:

André Gimenes – Vocal, sax e violão
Kelly Lopes – Vocal e teclados
Guilherme Forjaz – Baixo
Babu Moraes – Bateria
Michael Hutterer – Guitarra

Blog do mês : A. Constantino Brandão

No início deste mês eu postei para vocês uma seleção dos blogs que eu mais acessei em 2014. Hoje estava pensando e decidi: Todos os meses irei fazer uma resenha de um blog que tenha prendido minha atenção. Aquela lista que postei dias atrás (Leitura de qualidade a um clique de distância) continua super válida – São blogs incríveis que fazem parte da minha leitura diária! Mas hoje eu não vou falar sobre nenhum deles! O espaço que eu cliquei e naveguei bastante neste mês de janeiro é o Blog da Andressa Brandão – A Constantino Brandão. O que tem afinal de tão interessante por lá?
Tem muita informação sobre séries, filmes e livros, além de textos originais da autora e promoções pra participar!
Um conteúdo que me chamou atenção foi o vídeo “Doenças Literárias” – Um bate-papo descontraído onde são citados vários livros – desde o livro diabetes (aquele livro melado que você leu) até, por exemplo, o livro gripe (aquele que se espalhou como um vírus). É impossível assistir e não lembrar vários livros que se encaixem na descrição!
No espaço para textos próprios da autora, a história “A Noite de um imortal” é simplesmente perfeita! Dá vontade de ler todos os capítulos de uma vez!
Enfim… É um espaço a ser lido e explorado – Vale muito a pena dar uma clicada no link e se divertir com os textos, vídeos e dicas!