Resenha do livro “Flor de Sangue”

Antonio Valentim da Costa Magalhães foi um autor brasileiro nascido em 1859 e falecido em 1903 no Rio de Janeiro. Formou-se em direito em 1881, mas jamais abandonou as letras, escrevendo romances, poesias, contos, teatro além de colaborar em jornais.

O romance “Flor de Sangue”, publicado em 1897, traça a história de Fernando, de sua esposa Corina e de seu melhor amigo, o médico Paulino. Ao descortinar para o leitor nuances de uma época tão distante abre-se espaço para a imaginação, mas também para conclusões precipitadas – mais de uma vez o autor dá a entender que a mulher é moralmente mais frágil e menos capaz que o homem – Infelizmente tal era a idéia daquela época.

O romance trata do triangulo amoroso: Paulino não é apenas o melhor amigo de Fernando – É seu protegido, quase um filho, tanto que, após terminar a temporada de estudos na Europa, vai residir com Fernando e Corina. Ele se apaixona por Corina, fazendo de tudo para resistir a esse sentimento. Corina, por sua vez, influenciada por sua amiga Santinha, bem como devido à educação pouco sólida que recebera de sua madrinha Chiquita Peres, que a criou, faz de tudo para conseguir conquistar Paulino. Uma vez satisfeita, ela recusa a proposta do amante de fugirem. Tal recusa faz com que Paulino perceba que ela jamais o amou. Do desenlace nefasto deste arranjo, decorrem outras conseqüências.

Não é um livro que faça por onde surpreender o leitor, mas ao mesmo tempo vale a leitura – Sua estrutura é bem escrita, agradável e o vocabulário rebuscado encanta os apreciadores de uma boa leitura. Ademais, é um livro curto, de apenas 200 páginas.

Para quem gosta de ler em PDF: Flor de Sangue, Valentim Magalhães

O amor é irmão da morte

O Amor é irmão da morte
Quem encontra o amor, morre um pouco
Fica entregue à própria sorte
Sente-se ao mesmo tempo lúcido e louco

Quem ama tem sempre um punhal na alma
E recebe no corpo um doce veneno
E se vê sangrar com tanta calma
Pois esse grande mundo, pra quem ama é pequeno

Quem ama anseia a liberdade
E livre, quer ver-se preso ao destino de alguém
Deseja percorrer o mundo da felicidade
E sempre ir mais além

O amor torna irreal a realidade
Mistura magia, vida e poesia
Faz de cada segundo saudade
Mergulha o coração em fantasia.

61 - O amor é irmão da morte

Tofu

Ingredientes:

1 kg de soja
1/2 xícara de vinagre
1 limão

Utensílios:

3 panos limpos e sem cheiro de sabão/amaciante
Uma peneira/escorredor de macarrão

Preparo:

Leite de soja: Coloque a soja de molho por umas 8 horas. Lave bem e tire toda a casca com o auxílio de um pano ou manualmente esfregando os grãos entre as mãos e separando a casquinha. Lave bem os grãos e bata no liquidificador na proporção de dois copos de água para um de soja.
Utilizando uma peneira ou escorredor de macarrão forrado com um pano, vá coando o leite de soja aos poucos, espremendo bem no pano e descartando o resíduo.
Após coar todo o leite, retire com uma colher a espuma que se formou. Leve a uma panela e deixe ferver (só um ou dois minutos após entrar em ebulição). Desligue o fogo e espere começar a esfriar (o leite deve estar por volta de 80 graus, então não é necessário esperar esfriar por muito tempo). Coloque o vinagre, mexendo levemente. Em seguida coloque o limão. O leite começará a coagular. Deixe em repouso por uns 15 minutos.
Forre um escorredor de macarrão ou peneira com um pano. Com uma escumadeira, vá retirando a parte coagulada e coloque na peneira. Feche com as beiradas do pano e coloque um peso (pode ser um prato pequeno). Deixe algumas horas até escorrer todo o soro. Desenforme num prato.
Dura por cinco dias na geladeira.

CAM01188

Interlúdio

31-01-2014 012

Não são férias. É um interlúdio de agonia que se interpõe entre a canção de te ver todas as semanas. Uma pausa maior do que comporta o compasso do meu coração. Um interlúdio melancólico com som de saudade e ausência do teu sorrir – sorrisos que não são para mim, mas que iluminam meus dias. Uma pausa no som da tua voz. E esse interlúdio tem nome – É uma canção nova que meu coração aprendeu: A canção da saudade.

(Devaneios tirados do fundo de uma gaveta – Julho/2013)

Texto e imagem: Arquivo pessoal

Blog do mês: Coletânea de Giz

Fevereiro me guardou uma encantadora surpresa literária: O blog “Coletânea de Giz” é um espaço muito interessante. A autora, Sand Cordeiro, consegue levar o leitor a um êxtase literário. Textos breves – nem curtos nem longos demais, vocabulário leve e cheio de lirismo e uma prosa poética que começa leve e vai crescendo, atingindo um ápice… Denso, filosófico, delicioso de se ler e reler.
Entre tantos textos lindos, posso dizer que me encantei com “O mais longo inverno” (acredito que tenha sido o primeiro que li da autora), Metáforas, Opressão e Reflexos. Vale a pena passar por lá todos os dias, dar uma olhada, ler, explorar os textos mais antigos.
Coletânea de Giz é uma verdadeira caixa de surpresa que revela ao mundo a alma doce e ao mesmo tempo um tanto melancólica da autora. Prestigiem!

Link para o blog: Coletânea de Giz.

Nota: Desculpem as ausências… Sei que não tenho postado diariamente e por vezes tenho comentado pouco os blogs que sigo. Estou em uma fase um pouco complicada, estudando para concurso e colocando em dia pendências da faculdade (as últimas que faltam para eu me formar) e ensaios de violão que não pratiquei devido ao calor que me deixou completamente sem vontade de nada nos últimos meses. Prometo voltar a postar, ler e comentar com frequência em breve!

Capítulo 14

Como todos os fins de ano, Valeska e Melissa foram para o sítio com a família. Um dia a tarde, Melissa encontrou Gabi, que havia ido visitar Valeska. Ambas ficaram muito embaraçadas por se reencontrarem após tudo o que havia acontecido. Melissa acabou voltando para casa – no coração um misto de alegria, tristeza, saudade e arrependimento… Não conseguiu manter-se calma, quando chegou estava aos prantos… Por sorte seus pais não estavam… Não conseguia ficar em casa, foi até a beira do riacho e deixou-se ficar por lá… Acabou adormecendo… A noite já começava a cair quando os pais de Melissa voltaram da cidade e passaram na casa de Valeska para buscá-la, Como não estava mais lá, pensaram que iriam encontrá-la em casa… Também não acharam… Procuraram em cada recanto do sítio, e,quando já estavam desesperados,pediram ajuda aos pais de Valeska. Horas depois, acharam-na ainda adormecida na beira do rio… A noite estava quente, o que a livrou de apanhar um resfriado, mas mesmo assim, ela estava ligeiramente febril… Sussurrava baixinho o nome Gabi… Seus pais não conseguiam entender, depois de tanto tempo, e ela ainda se lembrava daquela aventura de criança? Para fazê-la esquecer Gabi, haviam aberto mão da companhia da única filha, para que ela fosse morar na cidade, conhecer rapazes interessantes, casar… E, num momento febril,era o nome Gabi que vinha-lhe aos lábios…. Ficou assim por mais ou menos uma semana… Seus pais levaram-na ao médico, que após examiná-la cuidadosamente não conseguiu descobrir-lhe nenhuma enfermidade. Estava chegando o natal, e nada de Melissa demonstrar melhoras. Chorava, chamava por Gabi. Valeska velava a cama da amiga. Estava começando a conhecer a face sensível de Melissa, a face dos sentimentos puros que estivera oculta sob um manto de malícia e luxúria. Na noite de Natal, Melissa conseguiu levantar-se da cama por algumas horas, participar da ceia com a família. Os pais, vendo tanto sofrimento, perguntaram se ela gostaria de voltar para casa. Ela sorriu por instantes, mas logo perguntou se poderia namorar Gabi, caso voltasse a morar com eles. Imediatamente, seus pais mandaram-na para o quarto, de castigo até o final das férias, e após isso, ela voltaria a morar em São Paulo, longe dessa menina que havia lhe tirado toda a noção dos bons costumes. Nem a notícia de que Melissa havia sido aprovada na FUVEST fez os pais abrandarem o castigo.

Marjorie preparava com todo amor a ceia de sua nova família. Era o primeiro Natal que ia passar casada com Christopher, e não queria que nada saísse errado. Ela enfeitou a mesa com flores brancas, uma toalha rendada, bem delicada. Espalhou velas no ambiente, foi um jantar pequeno, apenas ela, Christopher, Diana e Martha. Todos se mostraram encantados. Após anos, podia finalmente dizer que estava feliz. Não era exatamente felicidade o que sentia, apenas não tinha vontade de chorar, não havia esquecido a dor, mas também já não a sentia a cada segundo do dia. Era como se seu coração estivesse anestesiado. Marjorie havia decidido continuar trabalhando no Bingo Sete Mares, mas iria começar a tão sonhada faculdade – Desistiu de fazer educação física, preferiu continuar na área de informática:  Estudava no período noturno,após sair do Bingo. Ao chegar em casa,o jantar estava na mesa,Christopher invariavelmente a esperava, nunca jantava antes dela chegar da aula. Ele era um marido atencioso e dedicado, o sonho de qualquer mulher. Muitas vezes ela se perguntava qual o seu direito de estar ao lado dele se não conseguia nem ao menos cumprir seu papel de mulher, quanto mais amá-lo.

Valeska estava no seu terceiro ano de Faculdade… O tempo passava rápido. Mais um ano, e ela já teria a Licenciatura, poderia enfim dar aulas. Melissa iniciava a faculdade. O novo ritmo a fez esquecer-se um pouco de seus sentimentos, era como se houvesse se isolado Quem a olhasse agora, já não veria mais aquela garotinha que um dia nadava nas águas de uma cachoeira e imaginava ser uma sedutora e fatal ninfa. Seu olhar já não tinha mais aquele brilho nascente de um desejo animal. Estava mais ameno, sentia-se a mudança de seus sentimentos.Seu corpo também havia transformado-se bastante: Havia ganhado um pouco mais de musculatura, pois fazia academia duas vezes por semana e apenas os cabelos continuavam os mesmos: uma cascata negra que caia-lhe pelas costas, chegando até os quadris.

Caderno de Notas de Valeska: (poema escrito aos quinze anos de idade, pensando em você, Marjorie) “O Amor é um sentimento forte A paixão nunca deixa de ser uma Ilusão O Amor que sinto por você É maior que a razão Resiste até a morte A paixão que tenho por você Não me deixa ser triste Ela me leva a um mundo encantado Onde a palavra tristeza não existe”

Naquela manhã, Marjorie acordou com o interfone tocando… Estranhou não ver Christopher em casa. O que haveria feito o marido sair num domingo pela manhã? Ao atender, foi avisada que havia um rapaz na portaria, para entregar-lhe uma cesta de café da manhã. Estava com preguiça de ir até lá buscar seu presente, e as regras do prédio não permitiam entregadores circulando sozinhos pelo condomínio. Onde estaria Christopher? Pediu para que o porteiro recebesse a cesta e subisse para entregar em seu apartamento. Quando abriu, viu um cartão: “Hoje faz um ano que sou o homem mais feliz do universo, pois tenho você ao meu lado, minha rainha, dona de todos os meus sonhos e sentimentos. Amo-Te… Christopher”

Como ela havia se esquecido? Não preparou nada para celebrar seu aniversário de casamento. O que faria?Era domingo, Christopher sempre passava o dia em casa, às vezes Diana também… Desembrulhou cuidadosamente seu café da manhã e arrumou com capricho na mesa… Christopher chegou em seguida, havia ido buscar na casa de um amigo o segundo presente, um lindo filhote de poodle, fazia tempo que Marjorie demonstrava vontade de ter um animal em casa. Era uma fêmea, que foi carinhosamente chamada Marpher(uma mistura dos nomes Marjorie e Christopher). Após esse café da manhã romântico, enquanto Christopher tomava um banho, Marjorie ligou para Diana. Explicou-lhe o esquecimento do aniversário de casamento e pediu-lhe que fosse até lá, como se as duas já houvessem combinado de sair juntas naquele dia. Diana e Marjorie foram ao shopping. Andaram, buscando idéias para um presente original e carinhoso… Diana sugeriu que ela comprasse uma roupa íntima nova, provocante e fizessem uma noite especial….Marjorie não tinha como explicar à ela que nunca havia feito amor com Christopher. Começava a achar que fora uma péssima idéia aquele passeio no shopping… Entrou numa loja, comprou um baby doll novo,branco e inapropriado para uma noite picante. Decidiu comprar também uma caixa de bombons e um CD de música New Age, que Christopher com certeza iria adorar. Passou no supermercado, comprou ingredientes para fazer um jantar especial. Ao chegarem a casa, já quase de noite, Diana pediu que Christopher a levasse para casa. Moravam em bairros bem distantes, o que daria tempo para Marjorie preparar o jantar, enfeitar toda a sala com velas e incenso, tomar um banho e vestir-se… Como adorava usar roupas brancas, escolheu um vestidinho branco, longo e bem soltinho do corpo… Deixou os cabelos livres, sem usar nada para prendê-los… De repente tinha vontade de fazer-se bela para Christopher… O jantar foi maravilhoso… Ele adorou o CD, que ficaram ouvindo deitados no sofá enquanto devoravam os bombons… O contato do corpo de Christopher fazia Marjorie estremecer… Despertava-lhe desejos intensos, que há muito tempo não se permitia sentir… Ela tinha consciência que seu coração pertencia à Valeska… Mas seu lado fêmea começava a dominar-lhe, querendo entregar-se… Isso a deixava profundamente constrangida. De repente, sem conseguir pensar ou evitar, beijou Christopher. Não foi um simples selinho, como o que deram na festa de casamento, mas sim um beijo quente e cheio de desejo. Foi deitar-se em seguida, não conseguiu sequer dizer boa noite ao marido. No dia seguinte, ambos fizeram de conta que nada havia acontecido. Era mais conveniente, pois não queriam destruir a relação de intensa amizade que havia entre eles.

Caderno de notas de Valeska:

“Amo-Te, Te quero  Coração bate forte Espero-te Noite e dia Dia e noite Tão tristes horas Tão lentas Queria arrancar do peito meu coração Queria arrancar de meu corpo o espírito… Queria libertá-lo, Para que livre pudesse voar ao teu encontro… E pudesse segurar suas mãos… E conversar com teu coração… Dizer a ele que você é tudo para mim… Que se um dia você não existir mais, Meu coração não mais achará sentido em existir… Então, após fazer brotar em seu coração a semente do Amor, Que antes de você nascer os deuses plantaram, Meu espírito voltaria ao meu corpo… E meu coração voltaria ao meu peito… Continuaria batendo forte… Continuaria te esperando… Mas saberia que a semente de seu Amor por mim estaria germinando… E, lentamente cresceria… Quando então, seus olhos se cruzassem com os meus… Essa pequena roseira que é o Amor floresceria… Os Espinhos perfurariam teu coração, Assim como perfuram o meu… Teu coração perceberia que apenas o meu coração Seria capaz de curá-lo…

E então,

Estaríamos unidas,

Para juntas atravessarmos a Eternidade…”

Amar

Amar é viajar em um segundo ao céu
Amar é cruzar um mar de fel
Amar é enfrentar no peito um furacão
Amar é ter sentimentos em oposição
É sorrir quando está triste
Sentindo na alma aquela esperança insistente
Amar é ter mil motivos para sorrir e ainda assim, chorar
Chorar a saudade de um beijo com o qual resta sonhar
Amar é uma trilha pedregosa
É ter no coração uma rosa
E da rosa sentir os espinhos
Que perfuram a alma, gotejando sangue pelos caminhos
Amar é viver
E ao mesmo tempo, morrer
Morrer para o mundo
E para dentro de si viajar, ir até o fundo
É sentir pela primeira vez que a solidão não tem sentido
Entender o significado de um coração partido
Acreditar em contos de fadas
E em princesas encantadas
Construir no ar castelos de nuvens
Amar é chorar solitária a cada madrugada
De saudade, passar a noite acordada
Amar é desejar jamais ter conhecido o Amor
Sentindo inegável dor
Amar é inexplicável
É ter no coração um sentimento inabalável
Amar é… Simplesmente amar.

60 - Amar

Há algo doce em me perder no teu olhar

Há algo doce em me perder no teu olhar – ou nas lembranças do teu olhar que insistentemente permeiam as horas do meu dia. Há algo de dolorido em me perder pelos teus olhos, algo como uma falta de ar permanente, um sinal indicando o perigo de adentrar através desse portal que são teus olhos nesse labirinto de luz que é tua alma. E eu não me importo por me afogar num mar de angústia se este for o preço de ficar perdida em você… Você olha para mim e diz “olá” sem ao menos saber a tormenta que se instala aqui dentro de mim. Garoto, você é tão brilhante que ofusca o sol e faz dos meus dias um verdadeiro mar de luz e cores – ainda que não esteja aqui, ainda que nunca esteja aqui, ainda que não saiba o quanto eu queria que estivesse aqui.  E entre o tempo que passa entre as vezes em que nos encontramos por aí, fica sempre a lembrança, o sonhar, a vontade de te encontrar caminhando pelos jardins na praia ou em qualquer outro lugar. Fica a promessa feita a mim mesma diante do espelho de que na próxima vez que te encontrar, tentarei  sorrir e conversar contigo. Ou a promessa de que eu não irei mais te encontrar, nem me perder e me achar naquele brilho todo – o medo silencioso daquela angústia deliciosa e da certeza de que você jamais iria me notar. Garoto misterioso, eu realmente não sei quase nada sobre você, nada além do teu nome e do som da tua voz. E isso já é suficiente para quebrar todas as minhas defesas e me fazer perdida em devaneios que eu não deveria ter.

(Da série devaneios tirados do fundo da gaveta – 2013)

Texto: Darlene Regina Faria

Imagem: internet

Capítulo 13

Final de ano…
A família de Valeska como sempre, vai passar as férias no sítio e Melissa fica na casa dos pais.
Valeska combina de ir à sorveteria com Gabi e a namorada dela. Surpreende-se quando vê que a amiga perdeu todo o jeito de criança. Tornou-se uma mulher linda e sedutora. Está feliz, pois seus pais descobriram sobre seu namoro e a apoiaram.  As três passam uma tarde animada.
Melissa havia ido passear na cidade, visitar seus primos. Ela vê Gabi com a namorada e Valeska. Como ela está linda! Pela primeira vez, ela tem vontade de voltar para a fazenda, para a pequena cidade, tem vontade de pedir a Gabi que fique em seus braços para sempre. Mas sabe que é impossível, seus pais não a aceitariam morando novamente com eles, e, se aceitassem, jamais deixariam Gabi passar a noite com ela.
Pela primeira vez, as férias de Melissa não foram compostas apenas por sorrisos. Ela passou muito tempo solitária, pensando em tudo o que havia feito. Pela primeira vez, se dá conta do mal que causou à Valeska e Marjorie, percebe o quanto fez Gabi sofrer, todas as vezes que esta lhe dizia “eu te amo!” e ela friamente respondia que deveriam deixar o Amor de lado, pois ele não passava de um sonho no qual apenas os trouxas acreditavam.
Marjorie passa a noite de Natal com Christopher, Diana e Martha. Não se sente mais tão solitária, pois se sente amada por Christopher. Não conversaram mais sobre aquela proposta de casamento.
No ano-novo quando ela está na praia com Christopher, encontra seus pais. Eles não haviam avisado que iriam passar a noite da virada de ano em Santos.
Marjorie chora muito, explica que sente muita saudade deles, mas não pode voltar. Não consegue encontrar um motivo para recusar-se a retornar para a casa de seus pais, por um momento, pensa em contar a eles toda a verdade sobre Valeska, mas sabe que isso os faria sofrer muito, seus pais são conservadores ao extremo, chegam a ser homofóbicos, nunca a aceitariam.
Durante toda a noite, Marjorie pensa sobre sua vida, tudo o que tem passado, sobre a solidão, a vontade de ter companhia. Quando se despede dos pais, já na madrugada do dia 1° de Janeiro, diz novamente que não poderia mais voltar para a casa, motivo? No próximo mês iria se casar com Christopher.
No carro, Marjorie pede desculpas a Christopher, por ter falado que eles iriam se casar, Christopher diz que não há problemas, ele entende a situação dela.
-Mas, se você quiser casar-se comigo de verdade. Eu seria o homem mais feliz desse mundo.
-Christopher, você sabe que eu te amo, mas apenas como um amigo querido. Não conseguiria entregar-me a você.
-Marjorie, eu te amo, se você decidir casar-se comigo sob a condição de eu nunca tocá-la, eu aceitaria. Gostaria apenas de ter a sua companhia a cada amanhecer, quero cuidar de você, quero apenas o seu carinho. Sei que seu coração é de Valeska, sei também que será sempre assim. Se você me aceitar como esposo, não estará me enganando.

Marjorie está deslumbrante, seu vestido branco assemelha-se a uma túnica. Os cabelos estão presos em um delicado coque, com muitos fios soltos e algumas flores.
Christopher e Marjorie não podem casar-se na Igreja, pois Christopher é divorciado. Contratam um Buffet, um local não muito badalado, mas nem por isso pouco elegante e fazem uma pequena festa, apenas para comemorar a união ao lado dos amigos mais chegados e da família de Christopher. Os pais de Marjorie recusaram-se a assistir a união da filha a um homem divorciado e muito mais velho que ela.
A festa é simplesmente perfeita: Os noivos entram no salão ao som de My heart Will go on, música tema do filme Titanic. Choram, emocionados ao trocarem suas juras de amor e respeito, mesmo sabendo que são válidas apenas as juras de respeito, pois entre eles não é segredo que o coração de Marjorie pertence à Valeska.
O mais novo casal do Bingo Sete Mares não viajou em Lua-de-mel, apenas passaram um animado fim de semana de folga, sem sair da cidade. Como havia prometido Christopher não tenta se aproximar de Marjorie mais do que as circunstâncias de amizade permitiriam. O contato mais íntimo entre eles fora um selinho, dado na festa de casamento.

Valeska ficou sabendo através de uma amiga sobre o casamento de Marjorie e sente que desta vez, perdeu para sempre o amor da sua vida.
Melissa tenta consolar a amiga, mas é tratada friamente, tenta abrir-se com Valeska, não consegue entender por que sente tanta saudade da sua antiga vida na fazenda, por que não consegue parar de pensar em Gabi. Pela primeira vez, está sentindo alguma coisa forte e pura por alguém, mas não consegue entender o que.

Caderno de notas de Valeska.

“Hoje enterro para sempre meu coração… Não, eu não enterro meu coração, meu coração não morreu, porém a dor de perdê-la é quase insuportável.  Por que devo eu permanecer neste mundo, que sem você não tem valor, não tem razão de ser? O que me prende a esta vida vazia, se hoje descobri que tu uniste para sempre tua vida a outro alguém?
Agora, outros olhos te aquecem, outros lábios te beijam, outras mãos te tocam. Agora, não são mais as minhas mãos que seguras quando o medo te invade, ou quando a alegria faz teu olhar soltar estrelas.
Não é nos meus olhos que encontras Amor. Marjorie… Meu coração repete seu nome, mas o seu não mais escuta meus chamados.
Gostaria de arrancar meu coração do peito, e sepultá-lo em meio a essa escuridão que domina minha vida desde que você se foi. No entanto, enquanto eu souber que você vive, mesmo sem esperanças de voltar a tê-la em meus braços, viverei também, com a alma partida em mil pedaços, e o sangue do meu Amor pingando em minhas lágrimas, mais eu viverei. Pois apesar de tudo, você ainda é, e sempre será a minha Vida!”

Valeska decide ir incluindo em seu caderno de notas alguns dos poemas que fez para Marjorie antes de começarem a namorar e também durante o namoro… Sempre trocavam cartinhas, bilhetes…

“Amor,
Palavra profunda,
Amar é querer bem a alguém,
É querer esse alguém sempre perto…
É querer ser Feliz,
E querer mais ainda fazer feliz o ser amado
Amor
Sentimento difícil de disfarçar,
Você,
Fez o amor tocar meu coração
Numa nuvem de Paixão”
Amo-Te mais e mais a cada momento…

Em julho seus pais e Melissa foram para a fazenda. Valeska decidiu ficar em São Paulo, pois tinha a esperança de que Marjorie viesse passar as férias com a família, apesar de agora ser uma senhora casada.
Melissa divertiu-se muito, seus dias só não foram melhores porque lhe faltava algo muito importante: a companhia de Gabi.Algumas vezes chegou a ver a amada na cidade, cercada de amigos e sempre ao lado da namorada. Não tinha coragem de ir falar com ela.
Em São Paulo, Valeska experimentava a solidão total, os dias foram passando, e com eles a esperança de ver Marjorie.
Marjorie e Christopher que não estavam em férias, aproveitavam cada momento juntos e quem os visse jamais imaginaria que seu relacionamento não ia além de uma amizade pura e profunda.
Aos poucos a vida ia tomando seu rumo. O tempo encarregava-se não de apagar a dor, mais de amenizá-la. Marjorie não era feliz, mas também não era mais aquela garota infeliz. Sentia-se amada por Christopher, seu amigo e marido. Tinha uma enteada que a amava, amigos. Havia conseguido terminar o curso técnico e pensava em deixar o Bingo para procurar outro emprego, onde pudesse atuar em sua área de formação. Mas tudo isso eram apenas planos. Até o fim do ano, continuaria no Sete Mares.

Melissa pede que seus pais a deixem voltar para a casa, mas recebe uma resposta negativa, seu lugar agora é São Paulo. Aos poucos, ela vai se reaproximando de Valeska, que já não consegue mais manter-se isolada como antes. Após saber que Marjorie casou-se, Valeska começa a tentar sair com os amigos da faculdade. Às vezes leva Melissa junto com eles, mas a situação parece ter-se invertido, e agora é Melissa que não quer mais sair. Ironicamente, Valeska começa a se preocupar com a amiga, percebe que ela está sofrendo, pois finalmente sentiu o Amor alojar-se em seu coração mas ela sabe que não pode fazer nada por Melissa, da mesma forma que Melissa não pode fazer nada por ela. Os meses passam lentamente, a rotina das três garotas continua a mesma. É como se nada mudasse, a vida para elas é um drama em câmera lenta e em meio às lágrimas elas tentam buscar um pequeno motivo para sorrir.

Caderno de notas de Valeska:

“Procura-se:
Procuro a qualquer preço a felicidade…
Mas a felicidade não tem preço…
Procuro-a na luz do teu olhar…
Teu olhar está distante do meu…
Procuro-a nas batidas do seu coração…
Na sua pele…
Sei que esses são os únicos lugares onde a encontro…
Mas você está tão distante…
E eu continuo a procurar…
Não a procuro em corpos estranhos…
Sei que não vou encontrar…
Procuro-a em meu coração…
Só a encontro quando me lembro de você…
Quando lembro nossos momentos,
Momentos felizes…
Momentos breves, se comparados ao tempo eterno de uma existência…
Ao lembrar, uma lágrima rola dos meus olhos…
Lágrima solitária… Saudades de você…
Esperança de um dia voltar a estar ao teu lado…
Enquanto isso…
Não preciso mais procurar minha felicidade…
Sempre soube onde encontrá-la:
Em você!
Minha alma não se separa da sua,
Mesmo distante…
Estou perto de você a cada segundo que se passa…
Feche os olhos… Sinta meu coração bater junto ao teu…
Meu coração apenas bate esperando por ti…
E um dia,
Talvez distante,
Talvez perdido nessa escuridão,
Nesse mundo nebuloso que é minha vida sem você…
Ocorrerá um mágico momento…
E nossas vidas se unirão novamente…
Desta vez para sempre…
Nesse dia,
Não mais buscarei a felicidade em algumas lembranças…
Nesse dia, voltarei a sorrir…
O mundo será mais colorido,
As flores mais perfumadas…
As palavras mais doces…
As canções mais suaves…
Nesse dia,
Voltarei aos teus braços…
Nesse dia a felicidade que eu tanto procurei
Virá ao nosso encontro…
E irá nos saudar…
E nos carregará nos braços…
E nos levará ao céu,
Sem precisarmos para isso deixar a Terra…
Até lá.
Resta esperar…
Resta buscar a felicidade em cada pequena lembrança…
Chorar de saudades,
E saber que,
No final de tudo…
Estarei novamente feliz,
Em seus braços…

Amo-Te!”

Livro versus Filme: Vampire Academy

           Vampire Academy ou Academia de Vampiros é uma série de seis livros escrita pela norte-americana Richelle Mead. Ambientada em um internato onde vampiros da realeza, chamados Monroi e Damphirs (híbridos entre humanos e vampiros) vivem e estudam juntos para seguir seus destinos: Os Monroi devem governar, os Damphirs devem protegê-los dos ataques de strigois (vampiros que diferente dos Monroi, que já nascem sendo vampiros e possuem magia, os strigois optaram por tornar assim e por isso são selvagens e perigosos e não fazem magias). Os livros retratam uma sociedade burocrática, uma corte típica da realeza e também a forma como duas jovens – melhores amigas – lidam com ela. São livros voltados para o público adolescente e possuem tudo o que os jovens gostam: Temática sobrenatural, romance e passagens que chagam a ser um pouco ousadas, ação, intriga, mistério. Então o filme deve ser incrível não? É… O filme…
Lançado em 14/02/14, o filme foi um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos o que fez com que sua estréia fosse cancelada no Brasil. Confesso que gosto dessa temática sobrenatural e apesar de já estar com quase trinta anos, não resisto a uma saga adolescente – ou seja, eu já havia lido os livros e aguardava ansiosamente para assistir ao filme! Fiquei muito chateada com o cancelamento da estréia e só me animei quando descobri que haviam colocado o filme no youtube. Preparei pipoca, suco e tudo o que um bom filme tem direito e… Tive uma grande decepção! Realmente o enredo ficou abaixo do esperado e não conseguiu captar minha atenção. Não que os atores sejam ruins, apenas parecem forçados demais. Nada soa natural, nem mesmo os diálogos mais simples. Enfim, realmente, não é um filme que tenha deixado aquele gostinho de “quero mais”, infelizmente.
Quanto aos seis livros: Leiam. Acabei de saber que há outra saga (laços de sangue ou bloodlines) da mesma autora cuja história é ambientada no mesmo cenário e é narrada por outros personagens. Assim que todos os livros estiverem traduzidos irei ler e comento na categoria “Dicas literárias”.

Pra quem quiser assistir ao filme completo: