Pintura corporal no Condado

Em 2019 participei pela primeira vez de um evento onde meu corpo serviu de tela para o Adriano Dica e sua arte. Em novembro do mesmo ano, um novo convite e novas fotos, com um desafio a mais: O pincel traçou seus desenhos sobre o meu corpo nu, enquanto alguns fotógrafos e fotógrafas se ocupavam registrando cada momento. Aí veio a pandemia,os cuidados e o isolamento. Eis que este ano surgiu um novo convite e lá fui eu – E a proposta foi ainda mais ousava-divertida: Pintura corporal em uma exposição de artes. Os primeiros traços foram feitos longe de olhos curiosos, depois a porta foi aberta e quem quis pode espiar o artista dando os derradeiros retoques na tela-viva – tela essa que inclusive passeou pelos ambientes da festa e aproveitou para recitar um poema, vestida de tinta e coragem. 

A sensação da nudez é  algo que caminha na corda bamba entre a liberdade de se permitir existir no mundo de uma forma muito próxima a que estava quando chegou nele e o receio de julgamentos equivocados. Além disso, é gratificante servir de tela para a obra de um artista. Na pintura corporal, a tela, objeto de tanto trabalho e inspiração, dura um tempo tão curto – é preciso curtir cada instante desde o início dos trabalhos, aproveitar a sensação de curiosidade, as cócegas do pincel sobre a pele, o cansaço dos músculos imóveis enquanto a arte é criada para sua efêmera existência – Ainda bem que as câmeras existem para imortalizar esses momentos. 

Observação: O condado é um bar-estúdio de tatuagem-barbearia localizado na Rua Ana Pimentel 66, Centro de São Vicente/SP. Apareçam por lá quando estiverem visitando a cidade. 

Uni-duni-tê… Era uma vez a última vez.

Quando foi a última vez que você brincou? Você lembra? Eu não.  Só sei que foi há muito tempo… Se tivesse a consciencia de que um dia o tempo de brincar ficaria para trás talvez tivesse agarrado entre os vaos dos dedos cada segundo. Teria experimentado corda, peteca e corre cotia. É bem verdade que adultos também brincam: Temos nosso trabalho e escolhemos nossos próprios “brinquedos”, geralmente eletrônicos parcelados “à perder de vista”, ou automóveis, apetrechos esportivos- Tudo sempre tão caro que muitas vezes gastamos mais tempo da nossa vida trabalhando pra para adquirir que para utilizar nossos “brinquedos”. E nos sobrecarregados de regras e competições! Como somos competitivos sem motivo! . E isso é triste. O adulto cresce e perde o encanto da vida, a capacidade de se divertir com pouco, a espontaneidade do riso alto, o prazer de sentar no chão entretido por horas a fio num brincar improvisado. E o pior: Esperamos que nossas crianças cresçam rápido para se tornarem exatamente como nós. É tão cansativo e sem sentido que se eu encontrasse alguma vez o gênio da lâmpada desejaria que nossas crianças pudessem ter a infância que vivi nos anos 90 e que os adultos não perdessem jamais o dom de brincar…

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Merecemos nossos recomeços.

Acredito que a maioria de nós é forçada a escolher demasiado cedo a profissão que irá abraçar – Quem somos aos dezesseis, dezessete anos para determinar uma escolha tão importante? Algumas vezes agarramos o que vier – qualquer coisa mesmo: Eu queria fazer faculdade de dança, fiz direito: Foi o primeiro curso que consegui (obrigada ProUni/governo Lula) e mesmo tendo notas altas, não confiei no meu potencial o suficiente para desistir do curso e recomeçar a saga ENEM/Vestibular. Faculdade concluída, ainda falava mais alto aquela sensação de querer algo diferente, que fizesse sentido pra mim. Recentemente cheguei a cursar quatro anos do curso técnico de música, desisti e aprendi que amar algo não significa ter aptidão para aprender-exercer. Deixei meu violão na parede, voltei a dançar sem perspectiva de fazer disso profissão (não por falta de vontade) e me dediquei a alguns concursos. Prestei vestibular novamente e passei – A nota prova que amei meu ensino médio e aprendi tudo que meus professores ensinaram (e até algumas coisas a mais). Hoje começo uma nova etapa: Bacharelado em Ciência de Dados na Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) – Se é o meu caminho “para sempre” só o decorrer do curso e exercício profissional irá dizer, porém a mera perspectiva de aprendizado e mudança já me deixa muito animada. 

E como todo recomeço é repleto de desafios, principalmente quando você é adulta e trabalhadora, já deixo avisado que possivelmente irei sumir um pouco do blog e das redes sociais.

Abraços e me desejem muita sorte!

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TBT 1986-1987

Setenta e oito fotos – Isso é tudo que tenho para recordar o lapso de tempo que se estende entre 25-11-1986, data em que nasci, e 25-11-1987 – data em que completei um ano. Hoje as crianças são inspiração para centenas de cliques tão logo nascem – Quantas imagens especiais são eternizadas e quantas se perdem em meio ao banal do dia a dia? 

Quando minhas fotos ainda eram de papel, me dava imenso prazer mexer nelas, manipular imagens, mostrar aos amigos “esse ponto desfocado no papel sou eu” – me arrependo um pouco de ter digitalizado meu acervo pessoal para facilitar as mudanças da vida – os arquivos pontojotapege podem ser realmente mais fáceis de carregar, guardar na nuvem, compactar em um DVD. Mas são infinitamente sem emoção para mostrar: Não tem como ver fotos no sofá macio da sala, com uma xícara de café quente em mãos e uma boa música de fundo enquanto histórias de um passado cada vez mais distante são contadas. A solução é compartilhar na internet – amigos queridos, conhecidos e até desconhecidos queridos (ou não) podem deslizar o dedo pela tela fria e apertar o botão de curtir automaticamente – sem o sabor do café e das risadas trocadas. E sem a quase obrigação moral de mostrar as próprias fotos antigas.

Mini Darlene – 1987. Para ver mais fotografias desse TBT, visitem meu instagram

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O Samhain se aproxima – Frio e recomeços

Caros leitores e leitoras, está oficialmente iniciada a temporada de dias frios e, embora para muitas pessoas o Outono/Inverno seja um período ruim, por aqui é um tempo de energia renovada. O frio me agrada em todo seu recolhimento e cores sóbrias. Sinto vontade de acordar cedo, expandir, cantar alto, caminhar sentindo o vento cortante açoitar a minha pele. Frio é tempo de dormir bem, comer bem, fazer exercícios sem transpirar nos primeiros minutos. É a época em que consigo sentar e escrever por horas ou estudar sem sentir sono. Abril é também o mês que antecede o Samhain – O ano novo pagão. É o fim da época de colheita, tempo de se preparar para o recolhimento do inverno. Um bom momento para organizar a casa e a vida e traçar planos a serem colocados em prática quando o Deus- Sol renascer.

Nos últimos tempos tenho me mantido afastada de tudo que não é humano, palpável, prático – Isso inclui o estudo de qualquer tipo de crença ou religiosidade – Penso que entre os estudos que podem de fato mudar a minha vida me colocando em uma melhor posição no mercado de trabalho, a atuação política que pode melhorar a vida de toda população e os estudos filosóficos religiosos, estes últimos devem ser preteridos em favor dos dois primeiros, por uma questão lógica. Ainda assim, quando sopram os primeiros ventos e o céu se encobre de nuvens quase na metade do ano civil, é inevitável ser arrastada pela Roda do Ano – E mesmo sabendo que dificilmente vou ter disciplina para seguir adiante, prometo a mim mesma que desta vez eu remonto meu altar wiccano e me dedico a celebrar ao menos os Sabaths e Esbaths à partir do ano novo que ocorrerá dia 1 de Maio.

Texto escrito ao som da chuva e de All Souls Night

Este texto faz parte do BEDA (Blog Every Day August)

Participam também: Lunna Guedes, Obdulio, Mãe LiteraturaAlê HelgaMariana Gouveia.

06 on 06 – Mas é Carnaval

Tema espinhoso. Carnaval é uma festa que eu amo e odeio. Amo os dias de folga, as cores, a música alta… Abomino o calor, a rua lotada. Precisei fuçar em vários arquivos para conseguir encontrar registros que definam essa data.

Quando se é criança, todos os dias são dias de carnaval, bagunça e fantasia. Eu adorava brincar com as roupas que estavam “para lavar”, criando “modas”
Em algum momento antes da pandemia, curtindo o som da minha amiga Alessandra Hourneaux (no meio), junto com a mamis (canto esquerdo)
No Parque Cultural Vila de São Vicente, o coletivo teatral TamTam contou a história do Carnaval, com muita música, alegria e participação do público.
Um dos primeiros pratos que aprendi a fazer: Salada de Macarrão Abre Alas, em versão vegana
Gelatina Mosaico – Tantas cores… Poderia ser chamada Gelatina Carnaval. Ainda preciso pensar em uma versão vegana pra ela.
Carnaval Cubano na casa Jose Martí, em Santos.

Conheçam também os carnavais de:

Mariana GouveiaObdulioRoseli Pedroso

06 on 06 – Em 2021 eu…

… Aprendi a amar praia e mar…

                … Aproveitei muitos dias frios…

                … Tirei os pés do chão e conheci novos horizontes…

                … Observei a imensidão da Natureza…

                … Fui um pouco turista na minha própria região…

                … Tirei os pés do chão e voltei a dançar…

                06 on 06 é um desafio proposto pela editora e escritora Lunna Guedes e consiste em postar seis fotografias sobre um tema proposto todo dia 06.  E o primeiro 06 on 06 de 2022 foi perfeito: Em plena quinta feira (dia de #tbt) postar sobre “em 2021 eu…” foi uma forma incrível de começar o ano!

Conheça também um pouco do 2021 de…

Lunna Guedes – Isabelle Brum – Mariana GouveiaObdulio Nunes OrtegaRoseli Pedroso

Desculpem o pessimismo, mas 2022 não é app de entrega para trazer os seus desejos.

Papo reto: O ano que tá chegando não é um app de entregas. Não adianta olhar para o céu na virada do ano e pedir “paz, saúde, dinheiro, realizações etc”. Não adianta pular onda, comer romã, comer lentilha, nada disso vai adiantar. Não vai chegar um ano novo de bicicleta com uma mochilinha vermelha nas costas trazendo seus desejos até a sua porta.

                Quer um ano melhor? Vai ter que lutar muito. Além de trabalhar pesado para garantir o mínimo, também é importante que se organize pra exigir vacina para toda a população – Inclusive para as crianças. Limpe seu quintal e não emporcalhe a rua pra reduzir o risco de novos surtos de dengue. Denuncie as Fake News e comece a se movimentar desde já para derrubar o genocida e sua corja: Dois mil e vinte e dois não tem esperança de ser um excelente ano novo, quando muito pode ser o ano em que o país vai conseguir começar a sair do buraco para trazer um ano de 2023 melhor. E para isso vocês precisam que votar direito e conseguir informar as pessoas ao redor sobre o quão catastrófico o atual presidente tem sido para o Brasil e o quanto o sistema vigente está destruindo o mundo pouco a pouco. Desculpa se essas não são as notícias e votos de ano novo que você gostaria de ler. É o que tem para hoje. E para os próximos 365 dias.

                Se no meio de tudo isso você conseguir encontrar alguns momentos de paz, amor e felicidade, parabéns! Fico feliz de coração. Por aqui tenho certeza que também estarei segurando a vida com força e aproveitando intensamente todos os momentos incríveis que surgirem como faço todos os anos, mas é imperioso lembrar: Um Feliz Ano Novo não se refere ao seu ano pessoal ou ao meu. Se não for um ano novo digno para todas, todos e todes, não é um ano incrível. É apenas um ano que te trouxe bons momentos. Não tem como encontrar felicidade plena enquanto alguém ainda for escravizado, enquanto as matas queimam e pessoas fazem filas pra comer osso ou comprar alimentos envenenados pelos agrotóxicos.

                Agora, se mesmo assim você é como eu e não abre mão de fazer uma simpatia na última noite do ano, vou dar uma dica: É melhor passar o ano com uma calcinha bem colorida: Amarelo pra atrair dias iluminados, azul para atrair ar limpo, rosa para amor, verde para florestas renovadas, lilás para que haja uma chuva de feminismo, vermelho pra chamar a revolução comunista. Vai que dá certo né?

Um ilustre visitante – BEDA 09

Meu tio mora na zona rural de uma cidade inserida no cerrado brasileiro e sempre me envia fotos e vídeos dos animais que aparecem por lá.

Hoje vi uma reportagem dizendo que, se não mudarmos nossos padrões de produção e consumo imediatamente, será tarde demais para reverter o colapso do clima. Estamos caminhando pra uma extinção em massa e, acreditem: A COVID-19 foi apenas a primeira catástrofe e tem coisas piores pela frente!

Compartilho o vídeo deste belo porco espinho como um incentivo a mudanças! O mundo é muito bonito para ser destruído por uma espécie presunçosa, arrogante e porca . Vamos preservar nossa fauna, flora e recursos naturais!

Esse post faz parte do projeto BEDA (Blog wvery day august)

06 on 06 – Meus Vícios

O projeto fotográfico 06 on 06 propôs um tema peculiar: Meus vícios. Por definição, vício pode dependência física ou psicológica, ou ainda pode significar defeito.

Não me considero dependente de nada e, embora possa ter lá os meus defeitos, não vejo uma forma de fotografá-los. Por isso tomo a liberdade de ampliar o significado de “vício” para apresentar aqui hábitos rotineiros como vícios.

O primeiro (e arrisco dizer) mais antigo vício: Livros.

O segundo vício: Matemática. Adoro resolver questões aleatórias pelo prazer puro e simples de colocar a cabeça pra pensar.

O terceiro vício, adquirido na infância e retomado na quarentena: Baralho. Um jogo sempre cai bem!

Quarto vício: Música!

Quinto vício: Lápis de cor. Desenhar eu não desenho… Mas escrever colorido é divertido!

Sexto vício: Escrever. Tudo vira história pra contar!

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