Sobre escrever e criar.

Escrever é derramar a alma sobre o papel (ou sobre o teclado do computador). É mostrar ao mundo o mundo todo que existe dentro da alma e do coração. Parece fácil? Parece. Mas não é. É impossível? Não. É difícil? No início sim, é bem difícil. Mas com o tempo vai melhorando.

Algumas vezes as pessoas que acompanham minhas postagens me perguntam coisas como “onde você arranja inspiração”, “como consegue criar tudo isso”, “já viveu as experiências relatadas pelos personagens” etc.  Não sou exemplo para ninguém, não sou uma escritora profissional. Não escrevi nenhum livro de sucesso. Meu blog/página tem poucos seguidores por enquanto, então, certamente não sou a pessoa mais adequada do universo para responder tantas perguntas. Entretanto, vou tentar deixar algumas dicas de como eu faço para escrever.

Romances:

Em geral, são obras longas  e exigem muita atenção para não se atropelar o tempo ou deixar “pontas” soltas, personagens sem nexo e tramas sem final. Acredito que o ideal é começar escrevendo contos curtinhos para ganhar experiência porém eu mesma nunca escrevi um conto por um motivo bem simples: Gosto de descrever locais, pessoas, situações. E essa minha mania deixa os textos mais longos. O primeiro romance que escrevi, Valeska – um amor proibido, tem alguns erros em relação a passagem do tempo. Ele foi publicado em um blog anterior há anos. Hoje, penso seriamente em retomá-lo e corrigir as falhas antes de publicar novamente.

Se você pretende escrever algo do gênero, seguem algumas dicas:

  •  Utilize o computador: Além de ser mais ecológico, é mais prático. Você irá escrever, apagar, errar, rabiscar muito. Quanto papel seria utilizado para fazer um rascunho para um livro de 100 páginas? Você pode criar uma pasta nos seus documentos, com o título do romance.
  • Defina uma linha do tempo: Marque aproximadamente em que ano sua história irá se iniciar. Se for necessário “voltar no tempo”, marque os pontos em que isso acontece, definindo o período mais antigo que a história atingirá. Marque também quanto tempo se passa entre o início da história e os dias atuais, pois caso deseje imprimir algum realismo à história, saberá qual é o tempo que tem para desenrolar a trama.
  • Defina os personagens principais. Quem são? Defina tudo o que puder. Idade, aparência física, interesses, relação com outros personagens. Quem já jogou RPG pode montar “fichas” para os personagens da história. Isso facilita bastante. Se quiser, pode montar, dentro daquela pasta que sugeri no item 1, várias subpastas com dados sobre o personagem. Salvar fotos de locais onde a ação se passa, objetos relacionados ao personagem, figurinos que ele usaria se fosse real, vale tudo para ajudar a imaginação.
  • Pesquise os períodos históricos em que a trama irá se passar. Não se limite aos livros de história. Vá mais fundo e procure informações sobre cultura, sociedade e comportamento das pessoas no período e no local que irá ambientar a obra.
  • Defina quem irá narrar a história. Será um romance epistolar? Será narrado pelo personagem principal? Será em terceira pessoa? Cada um tem maior facilidade com um tipo de narrativa.
  • Defina o início, meio e fim. Pode escrever num documento do Word criando tópicos: a história começa em tal lugar, quando tal e tal personagem interagem de tal e tal forma. Essa interação leva a tal e tal efeito. No desenrolar, aparecem as personagens “x”, “y”, “z”. No final, acontece tal coisa e a história termina. Definir esse “esqueleto” te deixa livre para trabalhar situações sem se perder.
  • Se for uma história de ficção ou fantasia, não esqueça de fazer “fichas” dos eventuais mundos paralelos, cidades fictícias, criaturas fantásticas e etc.
  • Não dê títulos aos capítulos. Vá escrevendo. Quando chegar ao final, ai sim releia tudo e dê nomes aos capítulos, se assim desejar.
  • Tome muito cuidado com a ortografia. Não há nada pior para o leitor do que encontrar erros durante a leitura.
  • Não descarte trechos. Às vezes, escreve-se muito e tem-se a impressão de que aquele trecho perfeito “não cabe” na história. Copie, cole em outro documento e guarde-o na pasta citada no primeiro tópico. Você pode querer utilizá-lo mais para frente.
  • Não tenha pressa de acabar. Segure a ansiedade. Releia muitas vezes. Isso não significa que você deve ficar procurando erros e mais erros nem que deve escrever “de vez em nunca”. Se algo o impulsionou a criar uma história, tente escrever regularmente antes que o assunto deixe de te interessar.
  • Cuidado: Muitas vezes espelhamos nossos sonhos e desejos na hora de criar personagens. Também é comum “inspirarmos” personagens em pessoas que admiramos muito. Isso pode criar situações constrangedoras se ficar muito explícito que a personagem se baseou em você e naquele amigo pelo qual é apaixonada. Ou se a vilã foi inspirada em algum colega pelo qual você nutra antipatia. Lembre-se que seus primeiros leitores serão provavelmente amigos e familiares. Eles te conhecem e podem reconhecer pessoas ou situações.
  • Ainda sobre o tópico 12: Não é preciso viver situações para descrevê-las. É difícil explicar isso para as pessoas, mas, não é porque você criou uma personagem extremamente maldosa que você é uma pessoa má. Dependendo dos personagens que criar, as pessoas irão te perguntar o motivo pelo qual escreveu tal ou tal coisa. Vão te perguntar se agiria igual. Vão querer saber se já experimentou as mesmas experiências. É normal. Simplesmente explique que pesquisou muito, leu blogs, livros, textos, assistiu filmes e documentários e, de posse deste conhecimento, criou seu personagem.
  • Mantenha sempre por perto um bloquinho. Você não sabe quando vai surgir uma super idéia!
  • Leia, leia, leia: da leitura se apreende idéias, vocabulário, desenvoltura literária.
  • Escreva sempre. Escrever aprende-se escrevendo, criar aprende-se criando

Poesias:

Dar dicas sobre poesias é mais difícil. Poesia é algo que nasce de dentro. É o derramamento mais puro da alma. É possível fazer poesia a partir de um tema especificado por outra pessoa? Até é. Mas não é fácil. Algumas dicas para escrever poesias:

  • Caderno ou computador? Tanto faz. Pessoalmente, tenho preferência pelo uso de cadernos quando estou escrevendo. Passa uma impressão mais intimista. Depois passo tudo para o computador.
  • Rimas? Versos? Sonetos? Cada um escreve do jeito que prefere. O interessante é se desafiar. Estudar teoria literária e tentar de vez em quando se “encaixar” naquilo que cada estilo pede. Há versos livres fantásticos assim como há sonetos incríveis.
  • Crie conceitos: antes de escrever, rascunhe algo. É comum utilizar metáforas em poesias. Delimite alguma assim fica mais fácil trabalhar as idéias.
  • Poesia é sentimento. Dificilmente irá conseguir escrever algo feliz se estiver num dia baixo astral. Ou algo triste em um momento muito feliz.

Salientando o que eu disse no início deste texto: Essas dicas funcionam para mim. Cada pessoa tem um ritmo, uma dinâmica diferente. Seja como for, espero ter ajudado.  Mãos a obra! Espero ver vários textos em um futuro próximo. Tentem e me enviem! Ficarei muito feliz em descobrir a criatividade dos meus amigos e leitores!

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Pedacinhos de mim

Pedacinhos de mim
Simples assim
E complexo
Reflexo

Espelho quebrado
Sete anos de azar
Um coração partido
Com sede de amar

Espalhados estão meus pedaços
Nos olhos tristes dos palhaços
Em palavras ao vento
Perdidas em doce lamento

Palavras de lábios cor de carmim
Suaves, como dizendo assim:
Desejo impetuoso herói
Que me tome o corpo e o sexo
A alma, a essência e mostre que não
O sentimento não é complexo

O coração machucado
Irá se curar
E a tristeza é tempo ido
Que jamais vai voltar

Já não estão tristes os palhaços
Você juntará meus pedaços
E como por encanto
Desaparecerá, e em seu lugar novamente ficará
Apenas um suspiro, um lamento.

Quem canta seus males espanta.

Já diz a antiga sabedoria “Quem canta seus males espanta”. Ontem, 26/08/2014 em Sessão Solene instaurada para comemorar o “Dia do Coral” (instituído em Santos pela Lei Municipal 2157/2003), foi possível sentir a veracidade do ditado popular. O Teatro Guarani, tradicional na cidade, tornou-se palco para a apresentação de alguns corais, dentre eles o Coral Canto Livre e o Coral Infantil da Legião da Boa Vontade.

            Como integrante do Coral Canto Livre, posso dizer que foi uma grande emoção estar no palco do Teatro Guarani, não só pela oportunidade maravilhosa de cantar, mas, principalmente por ver frutificar em tão bela apresentação o esforço de todos os integrantes, do tecladista Décio e da maestrina, D. Meire.

            Como espectadora, não há como negar a emoção diante da apresentação dos outros corais, especialmente o da Legião da Boa Vontade, formado por crianças e adolescentes.

            Foram ao todo seis apresentações, sendo cinco de corais da cidade e uma da banda infanto-juvenil “Quero”. E a cada canção foi possível sentir a dedicação de todos que ali estavam. Música não é apenas uma fórmula pronta. Cantar ou tocar é dividir um pouco da sua alma com quem está ali para assistir. Cantar em grupo é dividir suas emoções com cada colega em cada ensaio, e, justamente toda essa dedicação e entrega faz com que cantar espante os males da alma. E assistir outras pessoas cantarem faz muitas vezes com que os olhos se encham d’água, lavando a alma das tensões desnecessárias acumuladas no dia-a-dia. Enquanto houver no mundo professores que se dediquem a ensinar a Arte da música e alunos que desejem aprender, haverá uma luz e esperança de um futuro melhor.

            Fica aqui a homenagem a todos os cantores, regentes e músicos que, profissionalmente ou não dedicam seu tempo a aprender, ensinar, ensaiar e apresentar-se, fazendo os dias mais belos e esperançosos!

No vídeo, apresentação do Coral Canto Livre interpretando a canção Ameno, do grupo Era. 

 

O Diário de Mary (IV)

 

BIANCAHoje estou escrevendo um sonho que tive esta noite…
“O céu escuro prenunciava uma forte tempestade. Num casebre de madeira uma bela jovem está sentada à janela, nas mãos algo que se parece com uma daquelas antigas rocas que vemos em filmes medievais. Seus cabelos são negros, e os olhos muito azuis. Pergunto-lhe quem é, mas é como se ela não me ouvisse ou pudesse me ver, porém, de alguma maneira, sei que ela sente minha presença. Começa a chover e muitos raios cruzam o céu. Pela estrada vem uma carruagem, percebe-se que nela há alguém da nobreza; param e pedem abrigo, em nome do Lorde M., a moça que até então estava observando o movimento enquanto fiava, empalidece ao ouvir tal nome e, apressadamente vai receber os recém-chegados, chama o irmão mais novo, e ordena-lhe que se encarregue dos cavalos. De dentro da carruagem sai uma bela jovem, aparenta ter uns 13 anos mais ou menos e se veste com todo o esplendor que sua posição social lhe garante e lhe obriga. É a filha única do Lorde M., ela hesita em entrar naquela choupana, mas, como não é seguro permanecer na carruagem sob uma chuva tão intensa e com tantos raios, acaba cedendo e abrigando-se ali. A chuva não cessa, fazendo com que os pais e irmãos mais velhos da jovem cheguem da roça… Pelas roupas e também pelos cenários, acredito que estamos na Inglaterra. Bianca cede sua pobre cama para Emanuelle, a filha do lorde, poder passar a noite. Pouco confortável, a jovem dama faz com que se retirem as almofadas da carruagem e coloque-as sobre a cama dura onde Bianca dormia.
As damas de companhia de Emanuelle passam a noite acordadas, velando por seu sono, e, Bianca, que não consegue dormir, também fica a observá-la, como se estivesse sob algum feitiço.
O dia amanhece com um Sol brilhante, garantindo que a nobre comitiva possa seguir viagem. Emanuelle, que até o momento de partir não havia sequer olhado Bianca, nota que sua anfitriã tem mais ou menos a sua idade, e, mesmo naquela pobreza extrema, sorria, e, em nenhum momento havia demonstrado desagrado por ter que ceder sua casa a uma comitiva de completos desconhecidos…”.
Nesta hora, acordei… Percebi a semelhança entre a Emanuelle que aparecia em meu sonho e a minha amiga Emanuela… E também entre Bianca e a aparição de ontem… Isso está se tornando cada vez mais confuso, mas não quero descobrir a explicação para o que está acontecendo, pois sinto que para descobri-la, precisarei abrir mão de alguma coisa, algo que talvez eu não esteja preparada para perder, mas não sei o que é…
Poema que eu deixei esta noite, para que Emanuela nunca se esqueça de que “eu” a amo:

 “O que fazer,
Se meu coração me prende a você?
O que fazer,
Se te amo e sei,
Que nunca mais serei de ninguém,
Como sou tua…
O que fazer com essa saudade que corrói minha alma?
Com essas lágrimas que insistem em cair?
Com essa solidão que insiste em me fazer companhia?
O que fazer sem você perto de mim?
Deitar-me e chorar?
Sofrer como se nunca mais fosse ser feliz?
Não…
Apesar das lágrimas de saudade,
Deixo meus lábios mostrarem um sorriso,
Pois sei que, se tenho saudades,
É por que em algum momento você esteve comigo,
Se a solidão hoje me faz companhia,
Sei que você já esteve por perto,
E sei que logo voltará…
Choro?
Dizer que não seria mentir…
Sofro?
Com certeza…
Mas sei que,
Talvez muito antes do que imagino,
Voltarei a sorrir…
Pois você estará comigo…
“Amo-Te”

LGBT: Até quando será necessário lutar para mostrar à sociedade que o Amor deve ser livre?

LGBT blog

Ontem um trecho da Avenida Ana Costa (Santos/SP/Brasil) foi palco de uma grande concentração de pessoas. Jovens, adultos, homens, mulheres, negros e brancos reunidos por um objetivo comum: Protestar contra a atitude homofóbica. Depois de pouco mais de uma hora confeccionando cartazes, conversando e fazendo amigos, finalmente partem em marcha sob a flâmula do arco-íris e entoando gritos de guerra como “Eu beijo homem, beijo mulher, tenho direito de beijar quem eu quiser”, “homofobia mata”, “Pula saí do chão quem é contra a opressão”, “A nossa luta é todo dia, contra o racismo, o machismo e a homofobia”. Destino? O Bar Toca do Garga, que havia expulsado um casal homossexual do estabelecimento. Foi uma caminhada pacífica, assim como foi pacífica a manifestação em frente ao bar, que terminou num grande “beijaço LGBT”. Mudou a opinião intima dos freqüentadores daquele espaço? Do dono do bar? Acredito infelizmente não, porém, talvez faça com que tais pessoas (e outras que acompanharam o caso todo) pensem duas vezes antes de tomar uma atitude discriminatória.

Foi bonito ver a união. Foi incrível conhecer o movimento Mães Pela Igualdade, formado por mães de homossexuais que querem ajudar a garantir que seus filhos tenham um lugar seguro na sociedade, que não sofram violência física ou moral. É pedir muito? Acho que não. Foi incrível ver heterossexuais por lá também, conscientes de que as diferenças DEVEM ser respeitadas, de que a espécie humana é uma só e todos merecem compartilhar este mundo com igualdade.

É triste pensar que em pleno século XXI a humanidade já conquistou tantas coisas, mas não conquistou ainda o respeito pelo semelhante. Ainda é preciso se reunir, marchar e lutar por um mundo onde o amor seja livre? Onde cada um busque a sua felicidade da forma que melhor lhe apraz? Qual o sentido de discriminar o próximo pelo que ele faz em sua vida pessoal? É engraçado como as pessoas falam tanto em amor, amor, amor e não conseguem aceitar que não existe uma só forma de amar.

Participei do ato de ontem com orgulho e vou participar de quantos atos forem necessários até que a sociedade entenda que o amor não se prende a gênero. Até que seja comum ver pessoas de mãos dadas pelas ruas. Ver beijos trocados nos encontros e despedidas, nos bares, nas baladinhas sem que isso seja motivo de escárnio, ódio ou choque. Até que não mais seja necessário levantar uma bandeira para lutar por direitos. Até que o arco-íris possa ser erguido com orgulho sim, mas não como luta e sim como comemoração!

 

Créditos da Imagem: Julio I. 

 

Viajarei nos raios do Sol

 Viajarei nos raios do Sol - Publicada

Viajarei nos raios do Sol
E me deixarei levar pelo vento
Dormirei sob o paiol
Nas noites sem alento

Amarei sem limites
Tentando dar vida
A meus olhos tristes
Pela dor de tua partida

Lágrimas a cair
Fertilizando a terra árida
Ao longe, cães a ganir
Como adivinhando a dor invisível
Ferida incurável
Fato imutável palpita em minha alma gélida

O vento a sussurrar
Um último lamento
Grandes árvores sob ele se curvam a chorar
Ah! Dor, d’alma alimento…

O diário de Mary (III)

BIANCA

São Paulo, 04 de Junho, Terça-Feira.

                Hoje eu dormi antes de sair para levar minha entrega noturna. Cada vez mais tenho a certeza de que algo fora do normal está acontecendo… Apareceu em meu quarto uma jovem, devia ter a minha idade mais ou menos, ela usava um vestido de outras épocas, talvez da Era Vitoriana, ou até mesmo mais antigo… Sua expressão era de solidão profunda, pálida, como se há muitos séculos não soubesse o que é a luz do Sol… Ela chegou perto da minha cama… Foi se aproximando de mim… Pude ver seus olhos azuis brilhando… Segurou minhas mãos, acariciou meus cabelos… Cada vez mais perto… Beijou-me os lábios… Eu estava deitada… Me via dormindo, estirada na cama, mas estava ao mesmo tempo consciente…

            Fui mais arrojada que de costume, não me limitei a ir até o prédio de Emanuela e deixar em sua porta um poema… Algo me disse para abrir a porta… E, como por magia, a porta estava destrancada… Entrei… Fui até seu quarto e a encontrei dormindo… Usava um pijama cor-de-rosa, os cabelos de um ruivo natural caiam pelo seu corpo… Aquele perfume… Cheguei perto e beijei-lhe os lábios… Acariciei seu corpo, temerosa de que ela acordasse, fui beijando-a em cada parte… Sentia aquela presença, a mesma que hoje esteve em meu quarto… Era como se me dissesse: Beije-a, tome-a… Ela não irá acordar… Desabotoei seu pijama e beijei-lhe os seios… Senti-a arrepiar-se… E, quando me afastei para fechar-lhe a blusa, notei que havia deixado em seu peito uma marca vermelha… Mas eu não me lembro de ter usado batom antes de sair de casa… Na porta, do lado de fora, ficava mais uma rosa e mais um poema…

“É noite…
Estou só…
Pensando em você…
Olhando o luar…
Sentindo a brisa me tocar…
Fecho os olhos…
Uma lágrima cai…
Silenciosa como a escuridão…
Uma lágrima de saudade…
Ainda posso sentir teu cheiro grudado em minha pele,
Como uma tatuagem
Que jamais se apagará,
Sua imagem não sai do meu coração…
Sinto sua falta,
Mais do que sentiria a falta da Luz de cada dia,
Mais do que sentiria das estrelas,
Se elas fugissem do firmamento
Os espinhos do Amor gravaram seu nome em minha alma,
Em meu coração,
Ainda sinto seu corpo encaixado no meu,
Sintonia perfeita de emoções,
Corações que pulsam num mesmo ritmo,
Meu coração chamando o teu nome,
E o teu me buscando…
Sei que não estou tão só quanto me sinto,
Por que, apesar das léguas que nos separam,
Sei que estou perto de Ti…
Sei que meu corpo está aqui,
Mas minha alma há muito tempo encontra-se abrigada em teu coração…
Num cantinho qualquer, bem lá no fundo…
E, a solidão que sinto agora não é pela sua ausência,
É a saudade que sinto da parte de mim que está e para sempre estará com você…
É a saudade de sentir meu coração pulsar através do teu…
Quero sentir minha pele através da tua…
Respirar o ar que respiras…
E fazer do teu perfume meu oxigênio…
Só você me completa,
Pois uma parte de mim está com você,
E não adianta querer devolvê-la para mim,
Por que ela já está aí desde antes de eu existir…
Uma parte de mim nasceu gravada em você,
E esperou muitos anos para me encontrar…
Meu coração buscava esta parte,
E encontrou em teu olhar…
E agora,
Só poderei ser feliz,
O dia em que para sempre ao teu lado ficar…”

 

Dicas literárias: Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

OrgulhoePreconceito-

 

(Atenção: Contém revelações sobre o livro) 

 

A autora Jane Austen nasceu em Steventon, Hampshire em 1775 e começou a escrever ainda adolescente, apenas por diversão. Sua saúde sempre fora frágil e, em 1817 veio a falecer aos 42 anos. Alguns de seus romances mais conhecidos são Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito.

 

Jane Austen retrata costumes de sua época. O romance conta a história da família Bennet, uma família simples do interior da Inglaterra, formada pelo pai, pela mãe e por cinco irmãs: Elizabeth Bennet, Jane Bennet, Mary Bennet, Kitty Bennet e Lydia Bennet. O romance é narrado em primeira pessoa (pela voz de Elizabeth Bennet) e em terceira pessoa; quanto aos personagens, apresentam grandes peculiaridades. Elizabeth Bennet é uma mulher instruída e muito observadora, extremamente sensata e a filha preferida do sr. Bennet. Jane é a mais velha das irmãs e a mais bela delas, também é uma mulher sensata, de educação esmerada e modos comedidos. Mary é excessivamente instruída, em uma linguagem moderna, seria a verdadeira “Nerd”, sempre lendo e resumindo os livros aos quais se dedicou. Kitty e Lydia são as irmãs mais novas de“maus” modos, são namoradeiras e seu único interesse é ir até o condado vizinho ver os oficiais que lá estão acampados. O sr. Bennet é homem de poucas palavras, de humor bom, mas ao mesmo tempo sagaz. A sra. Bennet é a mãe que deseja desesperadamente casar as filhas; a boa esposa preocupada por saber que por lei a casa onde vivem não lhes pertencerá após a morte do esposo, já que não tiveram um filho varão que a pudesse herdar.

 

Toda a ação do livro começa com a boa sra. Bennet pedindo que o marido vá visitar o novo vizinho, sr. Charles Bingley, homem jovem e de bons rendimentos, que mudou-se para a propriedade próxima a eles. Sua intenção: Travar boas relações com o jovem desconhecido na intenção de casar uma das filhas. Após uma pretensa recusa (apenas para irritar a esposa) o sr. Bennet faz a tal visita. É inegável o encantamento do sr. Bingley com a jovem Jane Bennet. Ocorre que Bingley tem um grande amigo: Fritzwilliam Darcy, homem de modos arredios e aparentemente muito orgulhoso. Assim como Elizabeth Bennet, Darcy é instruído, observador e sagaz e, durante cada encontro com a moça, pode-se notar uma severa disputa de opiniões/pontos de vista. A sociedade interiorana em que vivem as irmãs Bennet sem mais explicações rotula os rapazes: Bingley é o bom garoto que todas desejam como genro; Darcy é o homem rico, desagradável e de maus-modos.  Outro personagem engraçado é o sr. Collins, tio das meninas Bennet e protegido de Lady Catherine (Tia do Sr. Darcy) que o escolheu para reitoria da paróquia de sua propriedade: Sr. Collins é o herdeiro legal da propriedade onde residem os Bennet e, procurando uma esposa, encanta-se com Elizabeth, que o recusa para desespero da mãe. Ele é o tipo de homem enfadonho, de horizontes fechados. Acaba casando-se com a amiga de Elizabeth.

A história desenrola-se num ritmo constante e agradável e leitores que possuam imaginação aflorada quase conseguem “ouvir” a srta. Bennet “narrando” a história. Não é a toa que o livro ganhou adaptações para o teatro e televisão, inspirou vários outros trabalhos literários, além de ter sido adaptado quatro vezes para o cinema, nos anos de 1940, 2003, 2004 e 2005. 

O vocabulário é bem trabalhado, mas não é de difícil compreensão, o que o faz adequado para pessoas de todas as idades. Especialmente, eu indicaria este livro como um bom presente para jovens a partir dos doze anos de idade por conter elementos como romance e intrigas, temas que sempre despertam o interesse de adolescentes. 

 

 

Bom dia, Segunda- Feira.

     (00)02012009724      

Mais uma semana pela frente. Rotina, trabalho, cansaço. Tudo parece destinado a se repetir de novo, de novo e de novo. Algumas vezes, pode até parecer um insulto quando saímos de casa bem cedinho e alguém nos diz “bom dia” – respondemos apenas porque assim manda a educação e pensamos “o que tem de bom? Estou atrasado, meu dia vai ser cheio etc.” Mas, no fundo no fundo, se pensarmos bem, poderia ser muito pior.  Vamos pensar:

            Imagine uma segunda feira perfeita – Você não tem hora para acordar, você vai até a cozinha e tem tudo aquilo que mais gosta para o café da manhã. Sai de casa a hora que quer ou simplesmente não sai. Encontra amigos, dá risada, assiste a seus programas favoritos, ouve suas canções favoritas. Nada, absolutamente nada foge a seu controle. Perfeito não? Pode até parecer que sim. Mas imagine isso se repetindo na terça, quarta, quinta, sexta feira! No final de semana! Na semana seguinte? No próximo mês? Que tédio seria!

            Muitas vezes as coisas fogem ao controle e é difícil manter o bom humor ao longo do dia – quem nunca quis voltar pra casa e se trancar no quarto escuro que atire a primeira pedra! Somos humanos, imperfeitos, vamos sair de casa a cada dia e tropeçar, vamos nos ferir e nos magoar e, inevitavelmente, sem querer, vamos ferir e magoar outras pessoas (até sem nos dar conta disso). Faz parte da vida e, certamente é melhor que seja assim!

            O despertador tocando quase de madrugada pode servir para estragar o resto do dia ou pode ser um convite para apreciar o friozinho matinal, o cheiro do café fresquinho e as cores de um novo dia. Aquele trânsito que atrasa o nosso dia pode ser um momento só nosso para pensar e buscar memórias que nos façam sorrir e ganhar forças para o dia que está começando. Temos que ir para o trabalho? É, muitas vezes é chato, mas se não existisse trabalho, não haveria porque esperar tanto pelo final de semana, e, por algum motivo, coisas pelas quais não tempos que esperar não parecem assim tão atraentes, não é mesmo?

            Então, seja como for o seu dia, sorria! Mais uma semana está começando, cheia de oportunidades de viver pequenas coisas novas. Errou? Tente corrigir! Deu saudade de alguém? Ligue, deixe um recado, diga isso para a pessoa. Abrace mais, ria mais e chore se der vontade. Seja como for, viva! Talvez eu não siga meus próprios conselhos e já esteja “surtando” e com um péssimo humor antes mesmo do relógio marcar meio dia, mas, o que vale é tentar, não é mesmo?

O poeta

FÊNIX

“E no inicio de tudo, apenas o Caos donde surgiu o mundo, e dele as palavras para que delas cada alma pudesse criar seu próprio mundo. E às almas que aceitaram o desafio de criar seu próprio mundo deu-se o nome de poetas. Ah, os poetas… Falam de Amor. Conhecem o Amor? Falam os poetas de amor antes de conhece-lo. Constroem n’alma sua imagem.
E numa rosada aurora, ou numa noite enluarada (tanto faz…doerá do mesmo jeito!) o poeta conhecerá o Amor. E nas asas do Amor subirá aos céus da paixão e pousará no cume das cordilheiras do desejo. Mas pode acontecer do vendaval do ciume e/ou da tempestade do abandono vir e arremesá-lo novamente ao abismo da solidão. E então o sangue do poeta, do Amor ferido, será a tinta que desenha as palavras sobre a imaculada folha de papel. O sangue do poeta fecunda a Terra para que o Amor possa sempre renascer. E assim, morrendo aos poucos, do céu atirado ao reino de Hades, o poeta verá sua alma perecer e consumir-se nas chamas da solitária paixão não mais correspondida e, tal qual a Fênix o poeta irá renascer para que sua alma possa novamente o Amor conhecer…”