Sobre personagens e cajuzinhos

O cursor pisca na tela como um ponto de interrogação: Decifra-me ou te devoro. A história a ser contada pulsa no mundo das ideias, mas não encontra as palavras corretas para registrar-se no papel. Tudo parece desconjuntado, sem graça, atropelado. Um sem fim de digita-apaga. Posso imaginar a personagem me observando com olhar reprovador, ávida para continuar a cena-vida, indo e voltando para o mesmo lugar até as palavras se encaixarem numa cadência perfeita. Vida de personagem não deve ser fácil, sempre dependente do que a autora planeja. Quando a autora não consegue traçar palavras para delimitar os próximos passos, a personagem fica presa na última posição escrita – No caso, sentada no sofá, numa kitnet quente, com a blusa amarrada ligeiramente acima do umbigo. O olhar inquiridor acompanhando meus movimentos enquanto bato amendoim e passas no liquidificador para fazer um cajuzinho vegano e sem açúcar, receita da Vivi (@sosvegan). Docinhos são mimos que me permito em qualquer tempo – me recuso a deixar de lado o prazer de uma guloseima diária. Assim como a personagem que por ora ocupa meus dias, tenho essa relação especial com a cozinha: Um abrigo para o cansaço, uma estufa para o plantio de sonhos. Minha rotina passa por fogão, panelas e pratos. Só assim é possível engolir a dose diária de notícias ruins sem perder totalmente a esperança. Desisto de escrever, hora de fazer uma boa prática de yoga – O corpo merece atenção, principalmente nestes tempos de isolamento. Depois da prática, do banho e do jantar, voltarei a encarar a tela e o olhar da personagem…

Receita do cajuzinho vegan

1 e ½ xícara de amendoim torrado e sem pele

1 e ¼ xícara de uvas passas

2 colheres (sopa) de cacau em pó

2 colheres (sopa) de água.

Bata no liquidificador o amendoim e as passas até formar uma massa. Adicione o cacau em pó e continue batendo, acrescentando a água. Depois é só moldar os docinhos.

Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day April)

Adriana Aneli – Ale HelgaClaudia LeonardiLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Roseli Pedroso

O sabor das primeiras receitas

Cresci vendo as mulheres da minha família lidando com a cozinha – Do arroz com feijão de cada dia aos docinhos de aniversário, pães, doces artesanais como goiabada, laranjada de corte, doce de mamão, e essa experiência me trouxe recordações perfumadas de uma infância cercada por comidas e livros. Entretanto, é curioso o fato de que nem todas as experiências infantis permaneceram na memória – Ao contrário: De algumas só tenho conhecimento através da narrativa de adultos que me conheceram nos primórdios da vida. Naturalmente, quem tem mais causos e histórias a meu respeito é minha mãe, e uma dessas situações se deu quando eu era bem pequena e estava ainda começando a ter os primeiros contatos com a cozinha.  Ela conta que estava fazendo quindins e precisava untar as forminhas e passar açúcar e acabou pedindo que eu fizesse esse favor, me deixando sentada com as forminhas, o pote de margarina e o de açúcar cristal. Quando veio buscar as forminhas, a surpresa: Eu havia passado margarina e açúcar por dentro e por fora das formas! Pois é, coisas que a gente faz aos cinco ou seis anos de idade e depois que cresce, esquece. O que eu não me esqueço é do sabor e da textura deliciosos dos quindins – E agora encontrei uma receita deliciosa e vegana desse docinho que para mim sempre terá sabor de trapalhadas e infância.

Ingredientes

200 ml de leite de coco
1 xícara cheia de açúcar
1/4 de xícara de água
2 colheres (sopa) de óleo de milho ou girassol
3 colheres (sopa) de amido de milho
3 xicaras bem cheias de mandioca crua ralada
100 grs de coco ralado
açúcar cristal para polvilhar

Calda
1/4 de xícara de água
1/4 de xícara de açúcar cristal

Preparo

Bata no liquidificador todos ingredientes, menos o coco ralado – começando pelos líquidos e adicionando os demais aos poucos e batendo, até ficar homogêneo.  Com uma colher, misture o coco ralado.
Unte com óleo uma forma grande com furo no meio, ou forminhas pequenas para quindim e salpique uma pequena quantidade de açúcar cristal; despeje a massa e leve para assar em banho-maria, em forno médio, por cerca de 40 minutos ou até que espete um palito, e saia limpo.
Para a calda: misture a água com o açúcar e leve para cozinhar por cerca de 15 minutos, até engrossar. Desenforme o quindim e pincele com a calda.
Se quiser um quindim bem amarelinho, adicione corante alimentício amarelo.

(FONTE DA RECEITA: SITE VEGGIE & TAL)

Mudando completamente de assunto: Recentemente fui selecionada para uma antologia do Grupo Editorial Quimera. O livro (físico e e-book) já está à venda e a renda será revertida para ongs que acolhem mulheres vítimas de violência. Adquiram os seus exemplares:

Físico E-book

Bolo de saudades e especiarias

“Domingo de manhã, aquecido de Sol e saudade. Aquele desejo infinito de amanhecer dentro de um abraço com cheiro de café e olhos de mistério. Abro a geladeira. Tem maçãs, laranja, passas. Ralo duas maçãs, espremo uma laranja junto e coloco uma colher de chia. Deixo num canto. O aroma das frutas traz lembranças doces. Em uma xícara, coloco metade de passas brancas picadas, metade de água. Pego uma bacia e misturo 1 xícara de farinha de arroz, 1/2 xícara de farinha de aveia, 1 colher de sopa de linhaça, 4 colheres de xerem (castanha de caju triturada), 1/2 colher de sopa de canela, 1/3 de colher de cravo em pó, kummel (mas poderia ser erva doce) e gengibre ralado. Misturo bem e depois acrescento os ingredientes úmidos que já estavam preparados, 2 colheres de óleo (se tiver de Coco, melhor), e por último o fermento, misturando bem. Despejo em uma forma untada e levo pro forno pré-aquecido. A casa toda é tomada por esse aroma de amor – Afinal, cozinhar é a arte de transformar afetos e saudades em poesia, nutrindo corpo e alma. O bolo cresce enquanto escrevo – penso sobre o título da receita: Bolo de saudades com especiarias.
Prepare com amor e uma dose de sonho”

#comidavegana #veganfood #comidaafetiva
#improvisos #diáriosdapoetisa #300de365

Livros e comida:Cookies da Lara Jean, do livro “Para todos os garotos que já amei”

“Para todos os garotos que já amei” é uma trilogia muito especial, que fala de forma leve e descontraída sobre família, amor, namoro, escola e a inevitável transição da adolescência para o início da vida adulta. O livro conta a história de Lara Jean e suas irmãs Margot e Kitty – Lara, a irmã do meio, escreveu uma carta para cada garoto que já amou, num total de cinco cartas. Acontece que um desses garotos é Josh, seu vizinho e namorado de Margot, a irmã mais velha. Quando Margot termina com Josh para ir estudar na Escócia, Lara se vê sozinha com o pai e a irmã mais nova. Entre uma e outra trapalhada, tudo parece ir bem até que misteriosamente as cartas são enviadas a seus destinatários, causando uma grande confusão na vida de Lara Jean – e de quebra jogando-a nos braços de Peter, um dos garotos para o qual ela havia escrito e que propõe viverem um relacionamento de mentira para fazer ciúmes para a ex namorada dele e ajudar Lara a se manter longe de Josh, que ficou bastante confuso ao receber a carta de Lara. Se esse casal de mentirinha vai ficar junto ou não, só lendo a história pra saber (eu li e não vou contar!). Um aviso: Ler essa dá muita fome! Lara adora cozinhar – principalmente biscoitos, bolos e cupcakes! No primeiro filme isso não é tão explícito, mas nos livros encontramos a personagem na cozinha várias vezes, principalmente nos momentos de crise – se ela fosse real, iria estar muito acima do peso com certeza! Enfim, inspirada nos cookies que ela faz, criei essa receita saudável, vegana e gostosa:

Cookies da Lara Jean:
8 bananas pequenas amassadas
3 xícaras de Aveia Grossa
1 Colher de sopa chia
3 Colheres de sopa chocolate picado
1 colher de sobremesa de fermento químico
1 colher chá de óleo de coco

Fazer os cookies é super fácil: Só amassar as bananas e misturar os outros ingredientes, depois colocar com uma colher em uma assadeira untada, espalhando e dando forma. Levar pra assar em forno pré-aquecido até dourar (no forno elétrico, meia hora)

Essa receita não fica muito crocante, mas é bem saborosa e super saudável, rende 20 biscoitos de tamanho médio.

Bolo de Cenoura com cobertura de brigadeiro

Quando eu era criança, fazer e comer bolos era algo bem frequente em casa – vantagens de ter uma mãe super coruja e habilidosa na cozinha. Com a questão do veganismo, pensei muitas vezes “mas e os bolos?” e confesso que ainda estou dando meus primeiros passos, erros e acertos nesse universo de fazê-los sem ovos. Este bolo de cenoura foi uma surpresa agradável e muito saborosa e eu fico muito feliz em poder dividir essa receita com vocês!

Ingredientes

2 Cenouras

1 e 1/2 xícaras de suco de laranja

2 xícaras de açúcar

3 xícaras de farinha

1 pitada de Sal

2 colheres de chia previamente hidratadas (opcional)

2 colheres de fermento

Preparo: Preaqueça o forno, unte uma assadeira, bata todos os ingredientes no liquidificador (o fermento deve ser o último a ser acrescentado na mistura), despeje na assadeira e leve ao forno.

Cobertura – Brigadeiro de Inhame

2 inhames médios

1 colher de sopa de cacau em pó (ou outro chocolate em pó que não tenha leite na composição)

1 colher de sopa de óleo de coco (se não tiver, pode usar a mesma medida de azeite extra virgem)

50gs de chocolate 60% cacau picado

Preparo:

Descasque e cozinhe os inhames. Leve-os ao liquidificador com o cacau em pó e 1 xícara de água aquecida. Bata bem. Em uma panela coloque o chocolate picado e despeje sobre ele o conteúdo do liquidificador. Adicione o óleo e ligue o fogo, mexendo sem parar até começar a ficar firme e aparecer o fundo da panela. Despeje sobre o bolo ainda quente.

Dica: Se quiser fazer o brigadeiro no ponto de enrolar, mexa por mais alguns minutos, até ser possível ver bem o fundo da panela, depois despeje em um prato e leve para gelar.

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Sorvete Picolé

Pois é, o verão está chegando e com ele bate aquela super vontade de tomar sorvete… Se o sorvete puder ser vegano e super-nutritivo então, melhor ainda né? Pensando nisso eu pesquisei algumas receitinhas e até o momento a que eu mais gostei foi a apresentada pela Bela Gil, entretanto, tem dois aspectos negativos: O Vídeo do Youtube  não demonstra a quantidade dos ingredientes utilizados e, pelo modo com que o sorvete é armazenado, leva a crer que é um sorvete tipo massa quando na verdade fica muito duro e impossível de fazer bolas de sorvete. Inconformada, testei a receita novamente, desta vez utilizando copos descartáveis e palitos para sorvete (eles são vendidos soltos em casas de artigos para festas) e ficou super saboroso!

Receita:

1 inhame (aquele inhame bolinha ou inhame chinês como algumas pessoas chamam) de tamanho médio, descascado e cortado cru

1 fruta da sua preferência descascada e cortada (já usei manga e abacaxi, ficaram ótimos)

gengibre descascado e cortado à gosto (opcional)

açúcar (opcional. Pessoalmente, não utilizei açúcar no sorvete de manga e coloquei muito pouco no de abacaxi)

Preparo: Bater tudo no liquidificador e colocar em formas de picolé ou em copos plásticos médios com o palito para sorvete centralizado. Lembrando que infelizmente os copos plásticos são bastante poluentes, então, o ideal é que cada um encontre um recipiente adequado e reutilizável para colaborar com o meio ambiente. Colocar os picolés no congelador até ficarem duros e só tirar quando for servir.

Podem ficar tranquilos: Não dá para perceber a presença do inhame na receita!

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