Amor, que será de nós?

Ah vida perversa
Ingrato destino
Que a dor atravessa
Sofrendo em desatino
 
Oh, solidão gloriosa
De próximo ao bem amado viver
E, nesta estrada pedregosa
Nem notado ser…
 
Se as juras de amor
Nada valem
Que então se calem
As canções do romântico trovador
 
E nas quentes noites
Sejam as brisas açoites
E na primavera
Descubra o coração, que o amor é uma quimera
 
E o covarde arqueiro cego
Que aos poucos nos envenena
Veja enfim como nossa alma pequena
Aos poucos se desfaz
Sob seus golpes de algoz
Vida, morte fugaz
Amor, que será de nós?

Publicada - Amor, que será de nós

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O perigoso brilho dos teus olhos

Há um momento na vida em que parece que tudo virou de ponta cabeça! Não é possível determinar com exatidão qual foi a hora, minuto ou segundo em que isso aconteceu simplesmente porque estamos tão preocupados em juntar nossos próprios cacos, tão atarefados resistindo ao temporal  que deságua, tentando nos equilibrar em meio ao terremoto que ocorre que nem pensamos em coisas simples como olhar o relógio. Só sabemos que aconteceu. Algo forte e sem nenhuma lógica. De repente você cruza o olhar com alguém e é como se todas as suas defesas estivessem ruindo. Uma angústia. A vontade de se aproximar e a vontade de fugir e não voltar nunca mais.  Isso pode acontecer com quem já se conhece há anos, e pode acontecer como aconteceu hoje: Eu nem sei quem você é, mas no momento em que entrei naquela sala, senti que toda a proteção que construí ao longo do tempo se quebrou. Eu não sei quem você é, mas sei que teus olhos são de um brilho perigoso.  Perigoso em doçura, mistério e certo ar de melancolia. Perigoso ao quebrarem minhas defesas, ao incendiarem as folhas secas que encobriam meu coração. Olhar perigoso que inundou minha alma de lágrimas sem eu saber o porquê. Eu não sei quem você é e tenho medo de descobrir e me perder ainda mais. Eu não sei quem você é, mas sei que teus olhos me marcaram. Pra sempre.

(Texto: Darlene Regina Faria – 2013)

(Imagem: Internet)

Por amor

Por amor
Junto os pedaços aqui dentro
E procuro encaixar da melhor maneira
As pecinhas deste quebra-cabeça
Em que você transformou meu coração
 
Por amor
Tento em vão cobrir os espaços em branco
Deste livro chamado vida
Linhas que você deixou vazias
Ao me esquecer num canto qualquer
 
Por amor,
Só por amor
Procuro você e não encontro
E teus olhos já não me buscam mais
 
Por amor
Vivo e morro
Respiro; grito; calo
Por amor…

PUBLICADA - POR AMOR

Capítulo 4 – O reencontro

“Reencontrar alguém que amamos é como reencontrar uma parte de nós que ficou perdida em algum ponto distante de nossa alma…”

 BIANCA

 

Após dez anos Emanuela finalmente decidiu passar algumas semanas em São Vicente. Foi com algumas amigas, apesar das lembranças que lhe atormentavam. Certa noite estavam todas na praia, bebiam e ouviam música em um quiosque e nem perceberam quando furtivamente, Emanuela afastou-se do grupo. Caminhou ao acaso até chegar ao emissário. Como tudo estava diferente! Havia mais iluminação e muito movimento devido a uma festa de inverno que a prefeitura passara a promover. Mesmo assim conseguiu localizar aquele banco onde anos antes vira pela última vez sua melhor amiga. Ainda pensava que poderia tê-la impedido, ter contado aos pais dela antes que fosse tarde. Mas ela teria esse direito? Não, certamente que não. Sentiu uma mão segurar a sua. Olhou para o lado. Uma bela mulher com um vestido vermelho de veludo e um véu cobrindo-lhe a face, estava sentada ao seu lado. Não conseguia distinguir direito, mas aquele rosto era-lhe conhecido. Lágrimas vieram-lhe aos olhos quando reconheceu Mary. Então, ela também havia mudado. As pessoas também envelheciam na Eternidade, ela não era mais apenas uma garotinha de dezesseis anos. Era uma linda mulher.
-Não sua boba, nós não envelhecemos. Apenas podemos assumir a aparência que nos apeteça.
-Como você…?
-Também conseguimos ler pensamentos.
Abraçaram-se.
-Mary… Como você está? Conta-me sobre a sua vida! Que saudades…
-Não posso te contar certas coisas, você deve vivê-las, se quiser…
-Por que demorou tanto para vir me visitar?
-Tenho meus motivos, mas sempre fico sabendo da sua vida, através de Bianca.
-Diga para ela se manter longe de mim, eu consigo senti-la em todos os lugares por onde passo…
-Não posso pedir isso, estaria acima de suas forças.
-Mas essa presença às vezes me faz ter vontade de ir com vocês…
-Então, simplesmente venha.
-Você diz para eu deixar tudo e seguir alguém…
-Como eu fiz… E jamais me arrependi…
-Você tem tido notícias da sua família?
-Lógico… Sei que tenho uma linda irmã, de onze aninhos, chamada Bruna. Meus pais ainda se lembram de mim, e sentem minha falta, mas isso faz parte…
-Você não pode visitá-los?
-Eles não entenderiam, iam achar que estão loucos, ou algo parecido…
-Tem razão.
-Mas não foi isso que me trouxe aqui. Quero saber quando você vai decidir vir para o lugar a que você pertence.
-Nunca.
-É sua última palavra?
Um leve estremecimento de dúvida e medo percorre todo o corpo de Emanuela, mas mesmo assim ela afirma o que havia dito: jamais deixaria seu mundo. Mary desaparece, deixando-a novamente só…

Emanuela fazia o possível para negar a si mesma o quanto a aparição de Mary havia abalado seus sentimentos… Muitas vezes pegava-se distraída, pensando na amiga, na sua vida, em Bianca… Abandonar tudo e ir viver a eternidade, um mundo novo… Valeria a pena?
Observava a pequena cicatriz em seu braço… O pacto de sangue que a unia para sempre a Bianca… Mary, ou melhor, Susan, não fizera nenhum pacto com Lorde M., e, no entanto, sem duvidar, abandonara tudo para segui-lo…

 

 

 

Capítulo 3: O Diário de Emanuela

BIANCA

“Os anos que passam não podem apagar os momentos mais doces. Não podem apagar os sentimentos… Nós podemos mudar. Os séculos deixam marcas em nossas almas, muitas vezes marcas doloridas que nos fazem irreconhecíveis, mas não adianta fugir sempre seremos apenas nós mesmos… Mortais ou Imortais.”

São Paulo, 02 de Junho de 1996, Domingo.
 
Nunca escrevi um diário antes. Sempre achei pura perda de tempo. Uma coisa completamente sem sentido, um passatempo tolo de garotinhas apaixonadas, porém, de um mês para cá algo tocou meu coração profundamente: todas as manhãs, encontro na porta do meu apartamento uma rosa vermelha e um poema, ou uma carta. Anônimos… E aos poucos, sinto que estou me apaixonando pelo autor de tão belos versos. Até hoje, pensei que fosse apaixonada por minha melhor amiga, Mary, embora me recuse a aceitar e assumir a ideia de ser homossexual, porém esses poemas começam a me fazer descobrir um novo (ou talvez um verdadeiro) amor. Tenho guardado todos eles numa pequena caixa, junto com as rosas e muitas vezes me pego pensando quando seu autor irá se revelar.

São Paulo, 04 de Junho, Terça-Feira

Ontem me decidi a descobrir o autor dos poemas, permaneci acordada na sala, mas de alguma maneira não me lembro de como, o sono me venceu e hoje pela manhã me vi deitada na cama. Não me lembro de ter-me vindo deitar. Enfim, acho que estava exausta demais para lembrar. Tenho vontade de tentar novamente esta noite, mas amanhã terei prova no colégio e preciso estar descansada se quiser me sair bem.

São Paulo, 05 de Junho de 1996, Quarta-Feira.

Sonhei que Mary havia vindo me ver durante a noite, que me acariciava e me beijava de leve, mas ao mesmo tempo não era ela, e sim outra jovem que não conheço. Acordei com uma marca vermelha de batom no peito, bem no local onde sonhei que ganhava um beijo. Como essa marca foi parar ali?

São Paulo, 13 de Junho de 1996, Quinta-Feira.

 Hoje entreguei a Mary a caixinha onde guardo os poemas e as rosas, não quero eles caiam em mãos erradas numa das faxinas que minha mãe faz periodicamente. E sei que nas mãos de Mary eles estarão em segurança… Não tenho escrito por pura falta de tempo e também por certa preguiça. Até hoje não consegui ficar uma noite sem dormir, para tentar descobrir o autor dos poemas. Todas as vezes que tento, o sono vence a curiosidade. Quando será que ele revelar-se-á?

São Paulo, 16 de Junho de 1996.

 Estou encantada. Descobri que minha amiga Mary é uma escritora talentosa. Ela me entregou hoje um disquete onde escreveu uma história sobre vampiros, usando os poemas que eu entreguei a ela (ela diz que ela os escreveu inspirada por uma vampira que diz ser minha alma gêmea). O mais impressionante é que ela sabe até mesmo detalhes como a mancha de batom que surgiu em meu peito naquela noite…

São Paulo, 17 de Junho de 1996, Domingo.

Mary é muito engraçada. Agora resolveu que está apaixonada por M. um dos personagens do conto que escreveu. Pior: quer me convencer que tudo isso é real…

São Paulo, 23 de Junho de 1996, Domingo./24 de Junho
Hoje de madrugada recebi um presente, estava na casa de Mary eram quase meia-noite e eu já estava impaciente para ir dormir, mas ela insistiu que eu deveria ficar acordada, que ela tinha um presente de Bianca (a vampira que ela diz ter escrito os poemas) para mim. Ela me entregou um embrulho, um pano branco que continha um objeto pesado, muito pesado. Tratava-se de um punhal, antigo, e que se tingiu de vermelho quando toquei nele. Não sei como ela fez isso, deve ter usado algum Kit de “mágica” daqueles vendido nessas lojas de brinquedos. Depois ela guardou o punhal embaixo do colchão e fomos dormir. Pela manhã, ele já não estava mais lá, e, no meu braço surgiu uma cicatriz. Ou melhor, não surgiu, tenho certeza de que já estava lá e eu não me lembro como adquiri. Não existem vampiros, nem bruxas nem nada semelhante…

São Vicente, 30 de Junho de 1996, Domingo.
    
Estou em São Vicente, na casa de praia dos pais de Mary. Chegamos hoje e tivemos uma faxina pesada para fazer, mas agora já está tudo em ordem. Amanhã é só começar a curtir a praia, o mar. Mary só pensa na noite em que encontrará M., quando ela vai entender que tudo isso é apenas imaginação?
 
São Vicente, 03 de Julho de 1996, Quinta-feira

Ontem Bianca apareceu para mim, no quarto, convidou-me a seguir com ela pela Eternidade. Há alguns dias eu não acreditava em nada que não pudesse ser comprovado pela ciência e agora estou aqui, amedrontada por uma vampira que diz me amar. Amanhã Mary irá juntar-se para sempre a M., e eu? Que farei? Partirei com Bianca? Terei esta coragem? Ficarei neste mundo? As dúvidas assolam minha mente…

São Vicente, 05 de Julho de 1996, Sábado.
    
 Acordei aos primeiros raios do sol. Mal podia esperar para contar à Mary o sonho que tivera. Aquelas histórias sobre Vampiros estavam mexendo com minha imaginação. Sem fazer barulho, para não acordá-la levantei-me e fui ao banheiro. Lavei o rosto. Voltei para o quarto e encontrei a cama de Mary vazia. Seria possível que já fosse assim tão tarde e ela já estivesse acordada? Esperei que, a qualquer momento Mary invadisse o quarto e pulasse sobre minha cama, chamando-me de preguiçosa. Nada. A cada instante, vinha-me a memória as imagens daquele sonho. Mary estava linda, naquele vestido longo e negro. O vento frio mexendo-lhe os cabelos. Sentamo-nos em um canto do emissário deserto. Mary levantou-se e ordenou-me que ficasse ali, e não a seguisse, houvesse o que houvesse. Ela seguia cada vez mais adiante. Ia ao encontro de um belo homem de capa negra. Sem nenhuma palavra, beijaram-se. Atônita, vi quando o homem começou a tocá-la de uma maneira mais íntima, quis gritar, mais algo me impediu. Ao meu lado, estava sentada uma mulher deslumbrante, usava um longo vestido branco e, nas mãos trazia um punhal. Ficamos ali, caladas, como que esperando o desenrolar de um filme. Após alguns segundos de carícias ousadas, vi o homem deitar Mary nas rochas. Após este momento, as cenas passaram a se confundir… Senti Bianca segurar minhas mãos e perguntar: Vem comigo? Lembro-me apenas de ter recusado e, em seguida, desmaiado, para acordar em minha cama. vi Bianca remexer na caixa que estava sobre a cama de Mary, e que deveria ficar comigo, e retirar de lá o diário, depois dormi de novo e acordei pela manhã, com muita vontade de contar a Mary tudo o que havia sonhado… Mas Mary não apareceu…

O desaparecimento de Mary foi um choque para todos… Amigos e família procuravam-na desesperadamente, mas não houve pistas que pudessem esclarecer onde estaria a garota. Emanuela não se atrevia a dizer o que sabia, mesmo porque seria inútil, nada mais poderia ser feito. Sentia muitas saudades da amiga. Às vezes, sentia a presença de Bianca a espioná-la, mas nunca mais a viu ou falou com ela. Apenas podia senti-la e isso a amedrontava.

Os anos foram se passando lentamente. Emanuela tornou-se uma bela mulher, sedutora e fogosa, tudo em seu corpo buscava o prazer, sem culpa e sem compromisso. Não mostrava mais a delicadeza e a pureza de sua antepassada, mesmo assim, Bianca ainda continuava apaixonada por ela. Passava noites e noites seguindo-a por todos os lugares, shows, bares, danceterias; doía-lhe ver a mulher amada entregar-se assim a homens e mulheres, ao mesmo tempo em que se orgulhava em saber que, no fundo, aquela criatura sedutora, fogosa e um tanto sarcástica e cruel, mesmo sem querer, lhe pertencia.

Quem observasse calma e friamente Emanuela, poderia notar que seu olhar guardava um segredo. Algo que ela jamais havia revelado a ninguém: no fundo de seus olhos tão seguros e sedutores brilhava o medo. Podia sentir Bianca a acompanhando a cada passo, sabia que bastaria chamá-la e ela estaria ali, pronta para levá-la para viver a Eternidade. Estava com 26 anos, dez anos já haviam se passado desde aquela noite. Mas aqueles olhos não saiam de sua mente. O que fazer? Por vezes, sentia-se tentada a seguir Bianca, pedir que a transformasse numa Vampira, numa Senhora da Noite, uma alma eterna. Se ao menos Mary pudesse vir visitá-la, contar-lhe sobre sua nova vida.

Apenas palavras desconexas

O frio do ar gela meu coração
E nessa tarde de outono
Teu olhar
Selvagem e doce
Faz-me flutuar pela imensidão
E me vem à mente
Palavras desconexas
Frutos da doce ilusão
Dessa amarga paixão
Claridade e escuridão
Dor paixão
Amor
Calor
Solidão
Sentimentos brotam
Incontroláveis
Nessa tempestade
De amar a quem
Está-se condenado
A jamais poder tocar.

Apenas palavras desconexas

Busca Eterna

Se a cada amanhecer
Eu pudesse ainda
Ao menos abraçar-te

Em minha alma
Haveria de nascer
Um brotinho de esperança

Onde anda você?
Onde anda aquele olhar,
Que a cada dia
Foi minha alegria
E aqueceu meu coração?

Onde está a luz,
Que minha alma em vão procura
Mas só encontra
Quando nossos olhares se cruzam?

Ah, você…
Você que amo
Sem dever
E sem querer
Que eu busco em todos os pensamentos
Em todos os momentos
Dia-a-dia

Veja só, luz do meu olhar
Como é belo o espetáculo
De um amor a brotar,
A crescer
Rompendo um coração
Que já machucado
Novamente sangra
A dor de te amar.

PUBLICADO - Busca Eterna

Coração Perdido

Sob estrelado céu
Vaga um coração perdido
Buscando na imensidão
Abrigo
Que em vão
Em tua alma buscou

Alguém que nesta vida
Muito te amou
E hoje, de partida deste mundo
De dor suspira fundo
E chora por ter que partir
Mas da dor de amar
Não se há de fugir

E se o importante é ser amado
Amado ser
Sei que muito amei
E amado não fui

Mas agora
Nada mais importa
Chegou a hora
Desta vida fecho a porta
E parto para sempre

E se um dia lembrares de mim
Não chores, não te desesperes
Olhe para o céu
E procures

Sentirá da brisa a doçura
Serei eu
Que d’outro mundo voltarei
Apenas para lhe tocar
Como anjo peregrino
E deixar em tua pele
O derradeiro ósculo

 

Desejo, carne e paixão

Quero novamente sobre mim
Tuas mãos profanas
Maculando meu corpo
Fazendo-me tua

Engolindo-me
Teu corpo quente
Tua respiração ofegante
E teu semblante

Selvagem
Provocante
Teu ápice

Prazer
Inundação
Quero você

Meu senhor
Meu dono
Meu amor

Quero me incendiar
Em teu calor
Quero ver teu corpo digladiar minha carne

Num grito que cortará a noite
O espaço
O tempo

E despertará em todos os mundos
A essência do prazer
E o desejo da entrega
Que como gênios mitológicos dominarão o mundo
E então tudo se resumirá simplesmente em

Desejo,
Carne e Paixão
 
Publicada - DESEJO, CARNE E PAIXÃO

Amizade

O que dizer da amizade?
Dizer que ela é o amor,
Em todo o seu teor?
O Amor de verdade?
 
O amor que não aprisiona
Grandeza que nos impressiona
Fonte de Luz
Sentimentos juntos, fortes, nus
 
Pureza que encanta
Sentir pelo qual a vida canta
Persegue
Faz com que nossa alma sossegue
 
Amizade verdadeira
Cristalina
Lágrima derradeira
De alegria, que meu sorriso ilumina.

 Publicada - Amizade