Paella de Cogumelos

Paella de Cogumellos, uma opção saborosa e requintada.

Paella de Cogumellos, uma opção saborosa e requintada.

INGREDIENTES:

  • 1 e ½ xícaras de arroz
  • 1 cenoura descascada e cortada em cubos
  • 1 pimentão verde em fatias
  • 1 pimentão vermelho em fatias
  • 1 pimentão amarelo em fatias
  • 100gr de cogumelo shitake cozidos cortados em tiras
  • 100gr de cogumelos paris cortados em quartos
  • 50g de ervilhas frescas ou congeladas
  • 1 cebola pequena picada
  • ½ lata de tomates pelados com molho
  • 1 pitada de açafrão
  • 4 colheres sopa de azeite
  • 1 pitada de páprica picante
  • 3 xícaras de caldo de legumes
  • Sal e salsa picada fresca a gosto

PREPARO

Mantenha o caldo de legumes aquecido em uma panela a parte. Numa paellera (ou numa panela comum de fundo largo) coloque o azeite e refogue a cebola e um pouco de sal. Acrescente a cenoura e os pimentões e dê uma refogada. Retire algumas rodelas de pimentão e reserve para a decoração. Afaste o restante para que fiquem junto à borda da panela e coloque o arroz, a páprica e o açafrão. Refogue um pouco e depois cubra com o caldo de legumes e os tomates com molho. Tampe e deixe até ferver. Quando ferver, ajuste o sal, e deixe por mais 5 minutos. Em seguida acrescente as ervilhas e os cogumelos. Tampe e cozinhe até o caldo quase secar. Coloque os pimentões reservados para a decoração e deixe mais 3 min. no fogo. Desligue e regue com azeite e salsa.

  • Dicas:
  • Se você não tem paellera ou wok, pode fazer em uma panela comum mesmo. Neste caso, se quiser decorar, pode retirar novamente os pimentões reservados para decoração, colocar a paella num refratário e decorar
  • Os cogumelos shitake podem ser substituídos por shimeji
  • Se comprar os cogumelos frescos na feira, lave bem e deixe de molho por alguns minutos. Depois, corte as pontinhas dos talos mais grossos e descarte. Leve-os cozinhar por alguns minutos (uns 15 ou 20 min) em água com um pouco de sal. Descarte a água da fervura e reserve os cogumelos para uso.
  • Não é necessário utilizar caldo de legumes. Pode usar a mesma quantidade de água no lugar do caldo.

***Receita retirada do site Cantinho Vegetariano: http://www.cantinhovegetariano.com.br/

*** Fotos: Darlene Regina.

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O Diário de Mary (IX)

BIANCA

São Paulo, 11 de Junho de 1996, Terça-Feira.

“Os dias que se seguiram foram de adaptação. Bianca aprendia a caçar para alimentar-se. Acostumava-se a vagar à noite pelas matas fechadas, e pelas estradas sombrias. Deslocava-se com rapidez e agilidade cada vez maiores, e, em algum tempo, já estava conseguindo influenciar a mente das pessoas, atraindo-as para o lugar onde estivesse escondida e, em seguida, fazendo de seu sangue o suculento jantar do qual necessitava…
Alguns meses depois, quando já estava mais forte, foi até o castelo onde vivia sua amada Emanuelle. Penetrou lentamente todos os cantos. Viu que no quarto onde vivera, agora jazia adormecida uma linda garotinha, devia ter uns quatro anos. Chegou perto do berço e afogou-lhe os belos cabelos. A pequena acordou e pôs-se a chorar. A ama entrou no aposento, não podia ver Bianca, mas sentia sua presença… Um frio intenso… Embalou a pequena e abraçou-a, tentando acalmá-la… Bianca saiu do aposento, e, como por um milagre a pequena parou de chorar. Encontrou Emanuelle adormecida. O marido havia viajado, demoraria alguns dias para retornar. Bianca a tocou com suavidade… Podia sentir o coração de Emanuelle. Acariciou-lhe os longos cabelos, sentiu a pele, o cheiro de sua amada. Sua vontade era tomá-la para si, amá-la como naquelas noites sob o luar… Retirou de dentro das vestes aquele punhal com o qual haviam, anos antes, feito aquele pacto de Amor e Sangue…cortou-se, apenas para marcar a lâmina e coloco-o nas mãos de Emanuelle, fazendo-a acordar quando sentiu aquela lâmina fria.
Emanuelle acordou assustada. Podia sentir a presença de Bianca. Era como se sentisse seu cheiro. Só depois de alguns minutos, deu-se conta de que segurava nas mãos um punhal, ainda manchado com sangue… Lágrimas de desespero começaram a cair de seus olhos quando reconheceu aquele punhal. Olhou em seu braço, ali ainda estava a cicatriz da última vez que havia visto Bianca. Lembrava-se da promessa de que viria buscá-la. Viera a primeira filha. Depois o garoto. Cinco anos haviam se passado, e nada… E agora aquele punhal e aquela sensação de não estar mais sozinha como antes… O que significaria?
Um vento gelado faz com que as velas se apaguem… Bianca sente uma mão segurar a sua, e uma voz doce e suave lhe diz:
-Passaram-se cinco anos, mas eu jamais me esqueci da promessa que lhe fiz, vim para buscar-te…
Emanuelle não consegue enxergar Bianca, mas consegue senti-la…
-Onde está você?
-Estou bem aqui, ao teu lado, segurando tuas mãos…
-Não consigo vê-la, mas posso senti-la…
-Quer me ver?
-Quero…
Bianca torna-se visível para seu amor… Para ela, os anos não passaram, continua a ser aquela jovem de dezesseis anos, embora já tenha vinte e um. Emanuelle fica chocada ao notar que nada mudou… Bianca pede que Emanuelle siga com ela, para a eternidade. Emanuelle pede apenas um instante, para que possa pegar seus filhos, mas Bianca explica-lhe que não poderão levar as crianças. Elas não resistiriam e morreriam. Explica-lhe que só poderão ficar juntas se Emanuelle deixar-se transformar em uma vampira, um ser da Escuridão Eterna… E que duas almas inocentes jamais conseguiriam romper as barreiras energéticas desse caminho… Seriam levadas para a Luz, e para a Morte…
Emanuelle não têm coragem para abandonar os filhos em nome do Amor de Bianca. Despede-se da amada chorando… Adormece com o punhal negro nas mãos…

Três anos depois, Bianca retorna aos aposentos de Emanuelle… Ela está muito fraca e doente… Estava grávida do terceiro filho, mas a peste que estava assolando toda a Europa e não havia poupado a casa do Lorde Richard II. Ele mesmo havia falecido vitimado pela horrível doença, assim como seu filho… Restavam apenas sua filha, Giovanna, e Emanuelle, que esperava pacientemente o nascimento do novo bebê… Já não podiam interromper a gravidez em estágio avançado, e ela estava muito fraca para dar a luz… De qualquer maneira, provavelmente morreria… Embaixo de seu colchão, o punhal negro.
Giovanna entra nos aposentos da mãe, que começa a lhe contar sua estória preferida, a estória da Princesa que se apaixona por um lindo camponês e é separada dele… Ele se suicida para poder estar sempre e sempre perto da linda princesa, a quem ele ama mais do que tudo… Mas ela não pode deixar essa vida para ficar com ele, pois se tornou uma rainha e tem dois lindos principezinhos que precisam dela… Como sempre, Giovanna diz que, um dia os dois não vão mais precisar da rainha, então, ela poderá partir com seu amado…
Bianca sente no tom de Emanuelle ao contar esta estória, que se trata de uma adaptação à estória delas… Giovanna é retirada do quarto… Emanuelle começa a sentir as primeiras dores, embora ainda seja demasiado cedo, passaram-se apenas seis luas… O bebê vem ao mundo já sem vida… A mãe está muito fraca e pede que a deixem só. Bianca chega-se à beira do leito de sua amada, que lhe pede que a leve com ela… Bianca sabe que talvez Emanuelle esteja muito fraca até mesmo para partir com ela, mas, mesmo assim, suga-lhe delicadamente um pouco do sangue… Sente a alegria de saber que vai juntar-se a amada, e a amargura por deixar nesse mundo cruel sua pequena Giovanna… Bianca beija Emanuelle, que mesmo assim, não sobrevive à própria morte… E Bianca se vê novamente arrancada dos braços de sua amada… Pega o punhal, guarda-o nas vestes e sai em direção à madrugada vazia…
Todos os habitantes do castelo foram vitimados pela peste naquele ano, exceto Giovanna, que foi acolhida por parentes muito distantes de seu pai. O castelo ficou abandonado, e todos os que se aproximavam de lá tinham uma morte misteriosa. Bianca passou a morar naquele lugar. Dormia no aposento que fora de Emanuelle e jurava que ainda iria encontrá-la novamente, precisasse de quantos séculos fosse para isso… Mas ia reencontrá-la…”

“Toma-me em teus braços, como se nunca mais fosse preciso partir… A vida sem você não tem motivos, então simplesmente, aceite o que não pode ser mudado… ame-me e deixe eu te amar… quero-te para sempre, perto de mim, perto de meu coração…
Se um dia me procurar e não achar, saiba que, onde eu estiver, estarei com você… Como estou agora… Longe, mas meu coração já não bate em meu peito… Ele está contigo… Apenas esperando que você esteja comigo, totalmente entregue a um sentimento tão puro que invade meu espírito e minha vida… Tão doce, que chega a ser amargo, quando você não está perto de mim…”

Amo-Te.”

Crônicas de um sábado (Ou risos e melancolia)

Mais um sábado. O cheiro do café na cozinha quase se mistura ao perfume do xampu do banho matinal. Não são nem sete horas da manhã. E como é bom acordar cedinho e iniciar um dia cheio de atividades. Roupa, material de estudo… Hora de correr até o ponto de ônibus e embarcar rumo a mais um dia lotado de risos e desafios.
A fina chuva insistia em cair, escorrendo pela vidraça. Minha alma não contava com essas gotas melancólicas que embaçavam a paisagem. O trânsito lento e o balançar suave do ônibus levam os pensamentos a vagar pelo mundo todo que trago dentro de mim. É como se as lembranças sussurrassem histórias já vividas em meus ouvidos. Como se o vento e os respingos da chuva que entravam pelo vão entreaberto da janela quisessem me acariciar lavando meu rosto com a água fria. Relaxo e fecho os olhos… Um sono me invade e durmo. Acordo com o som de risadas e conversas. No ônibus lotado entrara um casal jovem… Uns dezesseis, dezoito anos no máximo. Ela havia se sentado no banco ao meu lado e o garoto no banco do outro lado do corredor… Gracejam e mandam beijos um pro outro. Tão lindo começar o dia assim… Ofereço meu lugar para que o rapaz se sente e passo eu para o banco que ele ocupava. Eles me agradecem e se aconchegam juntinhos, mãos entrelaçadas e aquele sorriso bobo nos lábios… Encosto novamente no banco e fecho os olhos… Uma saudade de viver momentos assim: Mãos entrelaçadas… Sorriso fácil… Ternura e inocência… É confuso… Parece que foi ontem a última vez que senti meus dedos se entrelaçarem em outros dedos… E ao mesmo tempo, parece que faz tanto tempo… Seja como for, presenciar momentos de ternura logo pela manhã fez o meu dia mais belo.

Imagem: Internet

Sorriso e olhar

Você me tem com um sorriso
E com um olhar me manda embora
E se meu coração se quebrar
E lágrimas eu derramar
Ainda assim
Basta você sorrir
Sua luz irradiar
E me aquecer
Para as feridas secar
E, como o sol que volta a iluminar
A cada amanhecer
Voltarei a te amar

SORRISO E OLHAR - Publicada

O Diário de Mary (VIII)

BIANCA

São Paulo, 10 de Junho de 1996, Segunda-Feira.

“Bianca acorda numa cama enorme. Sente que dormiu durante muito, muito tempo. Põe a mão no peito e nota que o corte deixado pelo punhal já cicatrizou. O quarto está totalmente escuro e muito frio, mas estranhamente, ela consegue enxergar com nitidez, inclusive as cores. Seus lençóis são de seda pura, carmim. Uma porta se abre e Bianca reconhece a figura que, naquela noite escura havia acariciado seu corpo… em suas mãos, ela traz uma taça com um liquido vermelho… aquele cheiro de sangue fresco a faz sentir fome, muita fome… Cristhine aparenta ter uns trinta anos… ela se aproxima de Bianca e entrega-lhe o cálice que ela sorve rapidamente para só então perguntar o nome da outra:
-Quem é você?
-Sou Cristhine. Eu evitei que partisse para sempre, quando naquela noite, você cravou este (pega um punhal que está ao lado da cama de Bianca) punhal em seu peito.
-Então, eu não morri? Onde estou?
-Para os seres humanos vivos, você está morta, ou melhor, desaparecida, já que seu corpo jamais foi encontrado… Mas você não pertence ao Reino dos Mortos, nem ao Reino dos Vivos…
-Então, quem sou eu?
-Naquela noite, antes de dar fim à sua própria vida, fizeste um pacto de Amor e Sangue com Emanuelle, lembra-se?
-Lembro… Cortamos nossos braços, com esta lâmina, e juramos Amor Eterno…
-Mas a Eternidade dos Deuses, só é dada aos mortais quando eles esperam ser chamados, quando esperam sua hora de partir deste mundo… E você não esperou… Adiantou-se ao seu próprio destino… Você teria duas opções, vagaria perdida pelo mundo até a o dia em que deveria retornar, como uma nova vida, e teria que buscar novamente por Emanuelle, sofrendo todos os desencontros das paixões falsas e mundanas, as traições e os impedimentos…ou então, tornar-se-ia uma de nós…
-Uma de vocês?
-Sim… Uma vampira…
-E, o que isso significa?
-Você agora é praticamente eterna, poucas coisas podem tirá-la para sempre deste mundo… Deverá manter-se longe de qualquer tipo de templo, sob pena de ser condenada a uma tortura eterna… E também não poderá jamais se expor à luz solar… Apenas a luz da lua e as trevas da noite serão teu abrigo daqui em diante. Jamais ficará velha, atravessará milênios assim, com essa mesma aparência.
-Mas, e Emanuelle? Poderemos ficar juntas pela Eternidade? Pode uma Mortal e uma Vampira amar-se? E o que será de mim, quando ela se for para sempre?
-Se vocês ficaram juntas ou não, isso dependerá apenas dela…
-Como?
-Para vocês ficarem juntas, ela terá que tornar-se também uma Vampira, uma criatura das trevas… Mas ela terá que querer tornar-se uma de nós…
-Não dependeu de mim… Eu não quis ser, como me tornei?
-Eu provei do teu sangue naquele punhal. Pelo seu sabor, percebi toda a razão que a levara a cometer o ato fatal… Então, alimentei-me de teu sangue, e a beijei, dei-lhe o Beijo da vida eterna…
-Então… Não basta que eu prove um pouco do sangue dela, e a beije?
-Sim e não… Vocês fizeram aquele pacto de Amor e Sangue… Ela tem que querer seguir-te para onde você for… Se ela não quiser, de verdade, e você a morder, para sugar seu sangue, você a matará…
-Quando poderei ir falar com ela? Quando poderei trazê-la para mim?
-Você ainda tem que se fortalecer aprender a entrar e sair dos lugares… A manipular a mente das pessoas… Poderá penetrar-lhes os sonhos e os piores pesadelos… Mas ainda falta algum tempo…
-Há quanto tempo estou aqui, adormecida?
-Exatamente hoje, faz cinco anos…
-E como está Emanuelle?
-Está bem… Agora têm dois filhos… Ela ainda chora a tua ausência, mas terá que decidir entre você e as crianças. Vocês não poderão trazê-las para este mundo semi-amaldiçoado… São seres de Luz…
-Por que eu demorei assim, tanto tempo para despertar? Todos demoram assim?
-Não… Você foi trazida de um estado de quase morte… Geralmente, o sono profundo dura alguns meses, apenas para poder-se acostumar às energias das trevas…
Bianca começa a sentir-se novamente fraca, e adormece…”

Ao mesmo tempo em que esta estória me amedronta, ela me faz ter a vontade de viver uma paixão assim intensa, banhada em sangue e sentimentos verdadeiros… Queria ter alguém que fosse capaz de morrer por mim… E queria que meu coração fosse capaz de morrer por alguém…

 “Os minutos parecem me perseguir… As estrelas já não trazem mais brilho aos céus… Tudo é terrivelmente vazio e escuro, e triste… Não consigo sequer imaginar como fui capaz de sorrir, antes de te conhecer… E, depois de te amar, de onde poderei tirar forças para sorrir, enquanto estivermos distantes…Enquanto eu não puder sentir teu perfume novamente, como vou respirar? Enquanto não puder olhar em teus olhos, o que mais poderá iluminar minha vida? Qual será a última imagem em minha mente, antes que eu durma se não está aqui ao meu lado, para que eu possa adormecer imersa em ti? Saudades de sentir tuas mãos passearem pela minha pele, pelo meu corpo, me arrepiando de desejo e de paixão… E ao mesmo tempo, fazendo meu coração bater mais forte, por sentir-se amado, por sentir que tuas carícias são reflexos dos sentimentos guardados em teu coração… Ai, que saudades dos teus sussurros, do teu toque, teu olhar, teu Cheiro… Que saudade de me entregar a você, como se cada noite fosse novamente a primeira, tão pura e doce quanto um sonho de amor, como o desabrochar de uma rosa branca… Que saudades de tudo, de estar ao teu lado, de dizer eu te amo…de vê-la tremer de emoção a cada noite e acordar ao teu lado pela manhã…
Não importa o que eu disser, sei que três palavras podem resumir a minha vida:
Eu Te Amo!”

Hambúrguer de Grão de Bico

11-08-14 lanche saudável com hamburguer de grão de bico (4)

  • 2 Xícaras de grão de bico cozido e escorrido
  • 5 Colheres de Azeite
  • 1 Cenoura ralada
  • ½ Cebola picada
  • 1 dente de alho grande picadinho
  • Salsinha à gosto
  • 3 Colheres de Aveia em flocos
  • ½ xícara de gérmen de trigo
  • 2 colheres de farinha de rosca
  • Sal e pimenta à gosto.

PREPARO:

Refogar no azeite o sal, a pimenta, o alho, a cenoura, a cebola, o alho, a aveia e o gérmen de trigo. Reservar. Bater o grão de bico no multiprocessador. Colocar em uma mistura e juntar os ingredientes refogados, mexendo bem. Acrescentar a salsinha e a farinha de rosca para dar liga (ver dicas)
Dividir em bolas e moldar os hambúrgueres, levando-os para a geladeira por no mínimo uma hora.
Untar uma chapa/grelha antiaderente com óleo e fritar os hambúrgueres.

>DICAS

>Na falta de gérmen de trigo, pode-se utilizar fibra de trigo.
>Caso não tenha multiprocessador, será necessário colocar um pouco de água ou azeite para bater o grão de bico, isso fará com que seja necessário acrescentar mais aveia e fibra.
>Caso a massa não fique consistente, vá acrescentando mais aveia, farinha de aveia e fibra de trigo (ou gérmen de trigo) até dar liga.

Você pode servir no pão ou acompanhado de saladas, como na foto.

Receita adaptada do site “Cantinho Vegetariano”

http://www.cantinhovegetariano.com.br/

IMAGEM: Arquivo pessoal.

O Diário de Mary (VII)

BIANCA

São Paulo 09 de Junho de 1996, Domingo.

“A vida de casada era um sacrifício enorme para Emanuelle. ela não gostava do marido, que se mostrava sempre frio, distante e muito bruto… Passava os dias em companhia das damas, ou na igreja, como era obrigação das senhoras nobres… Bianca e ela não podiam demonstrar o amor que sentiam, sendo forçadas a manter-se separadas, apesar de Bianca ainda ser a serva pessoal de Emanuelle… Várias vezes Bianca propôs que fugissem, fossem para algum lugar muito, muito distante, mas sabiam que era impossível, que sozinhas não chegariam a lugar algum, que Lorde F. mandaria seus exércitos buscar sua nora onde ela estivesse…

Logo, Richard II encontrou entre seus amigos nobres um esposo para Bianca, era uma grande honra para uma camponesa tornar-se esposa de um jovem nobre, com as bênçãos da Igreja… Em séculos isso jamais havia acontecido, as camponesas que caiam nas graças de um nobre eram simplesmente usadas para a satisfação de seus caprichos sexuais e depois relegadas novamente à pobreza, ou mesmo à morte… Bianca deveria sentir-se honrada com isso, mas seu coração sangrava de dor:Após o casamento, teria que mudar-se para o castelo de seu esposo e senhor, e dificilmente voltaria a ver Emanuelle.
Várias vezes ela fugia durante a noite, ia conversar com seus Deuses, que a cada dia pareciam mais distantes… Ou ela estaria tão mergulhada em sua dor que já não conseguia ouvi-los… Já não conseguia sentir senão as trevas da noite…
Era uma linda noite de Lua Cheia. Seu casamento com o cavalheiro D. seria na tarde do dia seguinte. Emanuelle consegue ir até o quarto da amiga e pouco antes de deitar-se Bianca a toma nos braços entre lágrimas…mostra-lhe um punhal de cabo negro escondido em seu vestido… Diz que a ama, e sempre a amará, e que jamais conseguirá separar-se dela. Diz que finalmente arranjou um jeito de fugirem juntas: A morte seria a libertação de seus espíritos. Fazem um pequeno corte nos braço e juntam o sangue que brota. Juram amar-se para sempre:

“Hoje e para sempre,
Bianca e Emanuelle,
Amor e Sangue que mantêm vivos dois corpos
E Um coração…
Pela eternidade,
Nosso Amor nos unirá,
Seguiremos uma a outra,
Enfrentando qualquer obstáculo,
Com a coragem de um cavaleiro,
E a pureza de uma criança.
Nosso sangue une nosso destino,
E apenas poderá nos separar,
A falta do nobre dom…
Apenas o medo,
Poderá nos afastar…”

Bianca diz que sairá furtivamente do castelo, e, exatamente à meia-noite, quando todos os espíritos vagam, ela cravará no peito aquele punhal, sob a luz da lua, e que, quando estivesse pronta, voltaria para buscar Emanuelle, que só poderia juntar-se a ela na eternidade se tivesse um Amor verdadeiro e coragem, para abandonar qualquer outra coisa que a prendesse a este mundo.
A única luz é a da lua que brilha exatamente no meio do céu. A jovem Bianca retira o punhal das vestes. Beija sua lâmina, ainda suja com o sangue de sua amada. Lentamente, passeia com ele por todo o corpo, despedindo-se daquela carne que durante dezesseis anos fora sua morada… Sua avó sempre lhe ensinara que apenas os Deuses têm o direito de decidir quando devemos deixar este mundo, mas os Deuses a esqueceram… Talvez estejam mortos, subjugados pelo novo e vingativo Deus cristão… Este também não concorda com o que ela irá fazer, mas é a única maneira de se libertar… E logo Emanuelle virá com ela, nessa jornada rumo ao desconhecido…

Sem saber o porquê, recita:

“Forças Misteriosas,
Seres noturnos,
Eu os invoco…
A vocês, minha alma entrego,
Arrebatem-me deste mundo cruel,
Deem-me forças,
Cubram-me de escuridão,
Para que com frieza
Possa eu enfrentar a crueldade daqueles que
Querem me tirar o ar que respiro,
Tirando de mim meu único e precioso tesouro…
Meu sangue está correndo em suas veias,
E o meu nas dela…
E esta noite, nos uniremos para sempre…”
Ela crava, sem dó, o punhal no peito… O sangue mancha de vermelho o vestido branco… Agoniza, mais antes que seus olhos se fechem de vez, ela pode ver uma figura vindo em sua direção… Têm cabelos escuros, lisos e longos… Dá pra perceber por debaixo da capa negra que é uma mulher… Ela chega e acaricia os cabelos daquela bela jovem que acabara de pôr um fim à própria existência como ser humano… Retira-lhe o punhal do peito, e experimenta o sabor do sangue… É puro, não traz maus sentimentos, apenas uma dor profunda e torturante, e muito medo… A criatura chega perto do pescoço, mordendo-lhe e sugando um pouco daquele sangue… Em seguida, beija os lábios de Bianca, o beijo que lhe trará de volta à vida, uma vida Eterna.
O corpo da jovem Bianca nunca foi encontrado”

Esse sonho me assustou… Seria possível que Bianca seja uma Vampira? Vampiros são criaturas da imaginação popular… Sempre ouvi tantas estórias sobre eles, mas são apenas estórias… Ou não?

Hoje não escrevi um poema para Emanuelle, mas sim uma longa carta…

Chega a noite… Meu coração ainda busca o abrigo que em vão procurou durante todo o dia. Olho para o céu… As estrelas frias e distantes não podem me dar calor… Não podem abrigar esse coração que sofre a ausência do teu amor…
Sem você aqui, quem pode me fazer sorrir? Quem pode tocar o fundo da minha alma? Revirar meus sentimentos no avesso e mostrar a minha face oculta? Sua lembrança desperta a doçura e a delicadeza em meu espírito… Só você me desperta para a doçura da vida, para o Amor… Só você inspira meu coração, só você me faz feliz… Faz-me bem… Só você pode aquecer-me nas noites frias… Só você me faz sentir completa, por que uma parte de mim está contigo… Você é minha alma gêmea, minha outra metade, minha razão de viver, de sentir, de sonhar… E eu preciso de você, como preciso respirar, preciso da sua luz e do teu calor… Preciso da tua paz… Você é a única ilha, o único porto onde posso atracar em meio ao oceano da minha vida…
Pássaros voam no céu… Não invejo sua liberdade, pois tudo que quero é estar presa à você, ao teu espírito e ao teu corpo…quero me prender para sempre em você, e mesmo que tenha uma chance, nunca quero escapar, nem fugir do teu amor…pois sem ele, sei que não sou nada, nada além de uma sombra, um pedacinho de uma alma que vaga perdida, buscando sua outra metade, seu caminho…e sei que a parte de mim que procuro, só poderei encontrar nos teus olhos…
Solitária, vou dormir… Vou tentar encontrá-la nos meus sonhos… Sei que acordarei e não você não estará ao meu lado, sei que novamente, choverão lágrimas de saudade em meu olhar… Sei de tudo isso… Mas ter mais uma vez a sensação de estar nos teus braços, mesmo que nos breves segundos de um sonho, é suficiente para que eu enfrente toda a dor de não ter você aqui, e nem ao menos saber se neste momento, em algum lugar, você também está sozinha e sentindo saudades de mim…e de imaginar que, se estiver assim, triste como eu, por algum motivo que foge ao meu olhar, não estou contigo, para fazê-la feliz com o Amor que guardo só para você…e, entre lágrimas, meu ultimo suspiro antes de adormecer é o teu nome…

Dicas Literárias: A Casa das Sete Mulheres

O livro que originou a série de TV produzida pela TV Globo e exibida em 2003, “A casa das sete mulheres” conta a guerra dos farrapos sob o ponto de vista feminino, expondo não apenas fatos históricos mais importantes como também a forma como tais fatos alteraram a rotina das mulheres da família do General Bento Gonçalves, que liderara a Revolução Farroupilha.

O ano é 1835. Os fazendeiros sulistas estão descontentes com a política nacional em relação ao charque. Alegam que o governo permite que o charque de países vizinhos entre livremente no país ao mesmo tempo em que impõe tributos altos ao charque nacional e ao sal, imponto um grande prejuízo aos estancieiros (fazendeiros).  Em 19 de Setembro de 1835 eclode a revolução, que duraria até 1845 e deixaria um rastro de mortes, sangue, dor e amor.   Inicialmente o intuito da revolução é apenas depor o presidente da província para que em seu lugar o imperador designe outro, mais sensível às necessidades dos produtores. Para resguardar a segurança das mulheres de sua família, o General Bento Gonçalves reúne todas na Estância da Barra. São sete mulheres em uma única casa, isoladas da sociedade, dos bailes, condenadas a uma espera permeada pelo medo e pela solidão. Na estância vizinha, a Estância do Brejo, vive sozinha D. Antônia, irmã do General Bento Gonçalves. Observe-se que quando se fala que viviam sozinhas deve-se entender que, na verdade, não ocupavam sozinhas as estâncias, que eram devidamente guarnecidas por escravos e peões.

A história conta-se por si mesma à partir de cada personagem, portanto faz-se necessário elencar um a um os personagens e sua trajetória na trama:

  • Bento Gonçalves: Homem forte, de caráter carismático e afeito à posição de liderança. Estancieiro, corajoso e muito acostumado à peleja (guerra). É um homem de caráter firme, dedicado à família (Sua esposa Caetana e seus filhos Joaquim, Bentinho, Caetano, Perpétua, Leão, Marco Antônio, Ana Joaquina e Maria Angélica). Ao iniciar a Revolução Farroupilha, seu único intento era lutar por justiça, para que a produção brasileira fosse valorizada; não pretendia derrubar o império ou separar o Sul do restante do Brasil, tornando-o uma república. Tais ideais surgiram devido aos acontecimentos e alianças. Os longos anos de guerra lhe trouxeram sofrimentos físicos e o desgaste de sua saúde. Também trouxeram sofrimentos morais, pois o passar dos anos foi descortinando os verdadeiros caráteres de pessoas que ele tinha como companheiros leais e a deturpação dos valores que ele tinha como certos, uma vez que em alguns momentos há pessoas que tentam colocar dinheiro e posição a cima de qualquer outro objetivo.
  • Caetana: A mulher de Bento Gonçalves, bela e cobiçada. É uma mulher ao mesmo tempo alegre e agoniada. Sofre pela falta de notícias do marido, sofre pelos filhos mais velhos que o acompanham na guerra e por ver nos olhos dos mais novos o desejo de seguir com o pai para a guerra (um fato engraçado: Leão e Marco Antônio, os dois meninos mais novos, chegam a fugir de casa, ainda crianças, na tentativa de ir ao encontro do pai, ficando muito adoentados por isso).Apesar dos temores, nem seus filhos nem seu marido morrem na guerra, embora para o marido Bento os dias difíceis acabem trazendo uma doença dos pulmões que o enfraquece e acaba matando-o anos após o término da revolução.
  • Perpétua: Filha de Caetana e de Bento Gonçalves, Perpétua já está em idade de procurar pretendentes quando a guerra eclode. Embora ela julgue difícil encontrar pretendentes em tempos de guerra, o amor aparecerá em sua vida de forma completamente inesperada: Inácio, dono da estância vizinha e casado com Teresa, mulher frágil que sofre dos pulmões, ao conhecer Perpétua apaixona-se por ela, e ela por ele. Perpétua tenta ser amiga de Teresa, enviando-lhe emplastos para que se fortaleça. Quando Teresa morre, Inácio e Perpétua se casam. Da união nascem duas crianças, uma das quais recebe o nome da falecida esposa de Inácio: Teresa.
  • Caetano e Bentinho: Filhos de Bento Gonçalves e Caetana, não tem uma grande participação na história, embora tenham sido aparentemente guerreiros valentes astutos e leais.
  • Joaquim: Filho mais velho de Bento Gonçalves e Caetana, Joaquim forma-se em medicina e se junta ao pai na batalha, salvando vidas dentro do que lhe é possível com a escassez de medicamentos. Ama a prima Manuela, para o qual foi prometido ainda menino e mal vê o momento em que a guerra acabe para que possa desposá-la. Seus planos são interrompidos quando ela se apaixona por Giuseppe Garibaldi, mas ainda assim ele não perde a esperança e, embora Manuela e Giuseppe não fiquem juntos, ela jamais aceita se casar com ele e ele passa muitos anos ainda após a guerra esperando que a moça mude de opinião, o que nunca acontece.
  • Leão e Marco Antônio: No início da revolução, são crianças. Após o episódio da fuga frustrada para encontrar o pai, Marco Antônio toma certa aversão às guerras, enquanto Leão continua a arder em desejo e, quando atinge a idade adequada, junta-se às tropas.
  • Antônia: Dona da Estância do Brejo, vizinha à Estância da Barra, é irmã de Bento Gonçalves. Tendo ficado viúva cedo, não chegou a ter filhos.
  • Ana: Irmã de Bento Gonçalves, perde na guerra o marido e um dos filhos.
  • Maria Manuela: Irmã de Bento Gonçalves e casada com Anselmo, Maria Manuela tem três filhas – Rosário, Manuela e Mariana e um filho, Antônio. É uma mulher de costumes rígidos. Fica viúva por conta da guerra e, quando a revolução termina, volta a morar em Pelotas com Manuela e com o filho.
  • Rosário: Filha de Maria Manuela e Anselmo, Rosário é uma jovem sonhadora, amante da moda e dos bailes e, por isso, odeia a vida na Estância e a guerra que a arrastou de sua vida na cidade. Com o passar dos meses, Rosário passa a receber a visita de Steban, um soldado uruguaio pelo qual se apaixona. Tudo estaria bem se Steban não fosse um fantasma. A moça pouco a pouco vai se afastando das outras habitantes da casa, passando horas e mais horas trancada na biblioteca onde seus encontros românticos com Steban acontecem. A família de Rosário pensa que ela está transtornada por causa da guerra e a manda para um convento, onde a menina continua encontrando-se com seu fantasma, até o dia em que se suicida para estar perto dele para sempre. Curioso é que ela se mata utilizando-se de uma espada uruguaia, muito antiga (pertencente a Steban) que as freiras não sabem como pode ter ido parar no convento.
  • Mariana: Filha de Maria Manuela e Anselmo, Mariana é uma menina alegre e sonhadora. Chega a trocar cartas com um marinheiro espanhol que morre em um ataque. Depois conhece João Gutierres, um peão, índio, pelo qual se apaixona e que a corresponde. Mariana sabe que sua família jamais aceitará tal romance, passando a encontrar-se escondida com o amante. Acaba engravidando e sua mãe a deixa trancada no quarto sem poder ver ninguém, até que D. Antônia a leva embora para a Estância do Brejo. João, demitido do serviço, acaba integrando-se às tropas de Bento Gonçalves. O filho dele e de Mariana nasce e é chamado Matias, conforme ele havia confidenciado à Mariana que gostaria que fosse. João retorna anos depois, por ter perdido uma das mãos. É recebido por Mariana, por D. Antônia e pelo filho, já bastante crescido. Maria Manuela chega a ir até a estância antes do retorno de João, vê o neto e manda-o chamar a filha, mas foge antes que Mariana a veja. Ela retornará a Pelotas sem ver a menina e pensando que jamais a veria de novo. Se tal encontro aconteceu algum dia, o livro não deixa bem claro.
  • Manuela: É pelos diários de Manuela que a história é contada. É a filha mais nova de Maria Manuela e Anselmo e, desde muito jovem tem certas premonições. Uma destas visões é a de um marinheiro de cabelos louros e olhos azuis agarrado a um mastro de navio. Manuela sabe que este será o amor de sua vida, e, no entanto, ela tem ainda quatorze anos. Quatro anos depois ele aparece: É Giuseppe Garibaldi, marinheiro italiano cuja cabeça está a prêmio em sua própria terra e que tem como ideal máximo a liberdade, e é pela luta em prol da liberdade que Garibaldi apaixona-se pela revolução Rio-grandense e luta ao lado de Bento Gonçalves. Ele se apaixona por Manuela, mas após Bento negar-lhe a mão da sobrinha (o pai de Manuela já havia falecido e o tio era o homem mais próximo para representar a família), ele continua lutando junto ao exército e acaba conhecendo Anita, mulher casada que abandona o marido para ficar com ele e acompanha-lo ao campo de batalha. Manuela esperaria o retorno de Garibaldi pelo resto de seus dias, tendo morrido, portanto solteira e conhecida em pelotas como “a noiva de Garibaldi”.
  • Garibaldi e Anita: Lutaram juntos pelo sonho da República Rio-Grandense, Anita chegou mesmo a ter seu filho, Menotti, no acampamento de batalha, enfrentando grávida todas as dificuldades de uma guerra. É somente no final da revolução que ela e Garibaldi decidem abandonar o exército farroupilha, pois todos os amigos que vieram da Itália juntar-se à Garibaldi acabam morrendo e ele, sem seus amigos, um deles quase um irmão, vendo homens e mais homens valorosos morrerem em vão, por uma batalha praticamente perdida, pede baixa do exército e vai para o Uruguai com Anita. Mesmo após a morte da companheira, Garibaldi não volta a buscar Manuela, como esta esperava que acontecesse. Tempos depois da morte de Anita, Garibaldi morre. Entre suas vitórias pelo exército farroupilha, está a construção de uma pequena frota que tomou de assalto a Lagoa dos Patos e garantiu um porto ao exército.
  • Netto, Teixeira Nunes e Corte Real: Oficiais leais ao exército farroupilha têm como ideais a República e a abolição dos escravos. Netto e Teixeira Nunes acompanham Bento Gonçalves até o final da revolução. Corte Real acaba morto em combate.
  • Bento Manuel: É um oficial farroupilha que tem grande inveja de Bento Gonçalves, deserta do exército republicano e passa a apoiar o Império.
  • Onofre Pires: Oficial, primo e amigo de Bento Gonçalves, durante a revolução começa a tornar-se ganancioso e desumano, desagradando Bento Gonçalves. Após ter insinuado que Bento seria ladrão, é desafiado para um duelo, onde Bento acaba ferindo-o gravemente. O ferimento gangrena causando a morte a Onofre.
  • Nettinho: Escravo, negro de olhos azuis, todos suspeitam que seja filho do general Netto com uma escrava. Mostra-se muito valente.
  • Zé Pedra e Beata: Escravos da fazenda, valentes e servis. Aguardam a alforria que só viria se os farroupilhas vencessem a guerra.

Somente um segundo

Somente um segundo - Publicada

Somente um segundo
Um último toque
Um último suspiro
Um último olhar

O tempo passa…
Não, não desista,
Não sem antes me dar
Um último adeus
Um último olhar

Somente um segundo
É tudo, tudo o que preciso
Pra mostrar
Que o amor não morreu

Somente um toque
Um último toque
Pra te incendiar

Um último suspiro
Esperança
Um olhar
Lágrimas

Somente um segundo
Um toque, um suspiro
Um olhar antes do Adeus
Pra lembrar teu coração
Que ele jamais deixou de me amar.

O Diário de Mary (VI)

BIANCA

São Paulo, 07 de Junho de 1996, Sexta-Feira.

Continuo a narrar aquele sonho que outra noite começou a me mostrar algo que ainda não consigo compreender ou acreditar completamente…
“No castelo do Lorde M. Bianca foi recebida por criadas que trataram logo de banhá-la e vesti-la com roupas apropriadas à sua nova posição de serva pessoal e dama de companhia da Srta. Emanuelle.
Em seguida, foi conduzida à presença do capelão, onde teve que jurar, aos pés da Santa Cruz, nada fazer que viesse a desonrar a família que a estava acolhendo com tamanha generosidade.
Após este longo ritual, o próprio Lorde M. foi ter com a nova serva. Explicou-lhe que Emanuelle tinha ali tudo o que precisava uma jovem, mas apesar disso, faltava-lhe um pouco de companhia. Todas as suas damas eram muito mais velhas que ela, e, embora ela recebesse freqüentemente a visita das filhas de outros nobres da região, ele podia notar-lhe um ar de tristeza… Ela havia se mostrado encantada com a acolhida que recebera naquele casebre, numa noite de chuva, perguntava às damas como poderia uma jovem tão simples ser-lhe tão simpática, quando tinha todos os motivos para invejá-la ou odiá-la. Por isso Lorde M. havia decidido dar-lhe como serva aquela camponesa, e assim, mandou buscar Bianca em seu casebre.
Naquela primeira noite, Bianca dormiu sozinha em seu novo quarto, ao lado do aposento da Srta. Emanuelle. Havia chegado ao castelo ao entardecer, e, após toda aquela recepção, já havia anoitecido, por isso, ela e Emanuelle não puderam encontrar-se. O medo tomava conta de seu espírito naquele quarto escuro, tão distante das forças da natureza, da terra, com as quais Bianca estava acostumada a unir-se. Sua avó conhecia muitos segredos,muitas ervas, sabia dizer, olhando para o céu ,quando algo de ruim, ou muito bom estava para acontecer… Ela havia passado este dom à sua mãe, e também à Bianca, que, afastada de seu lar, sentia-se deslocada.
O dia seguinte foi cheio de novidades. Emanuelle a manteve ocupada durante todo o tempo ensinando-lhe como deve portar-se uma jovem de respeito. Nada de correr pelos campos e rolar na grama com os garotos, nada de beijos furtivos entre os arbustos, ou banhos de rio, o corpo deveria estar sempre muito bem coberto, Bianca ganhou muitos trajes novos, ficara deslumbrante, quase tão bem vestida como sua ama, Emanuelle.
Novamente à noite, foi deixada em seu quarto escuro e solitário, porém confortável. Chorou, pois sentia muita falta da família, mas sabia que não estava ali à toa, fazia parte do seu destino viver ao lado de Emanuelle.”
Após acordar, me vesti correndo para ir ao colégio, queria contar tudo à Emanuela, mas algo mais forte me impede de falar quando desejo, não consigo entender o que está se passando… Novamente, em meio à minha caminhada noturna, deparei com Bianca naquela mesma rua escura. Ela sorriu para mim, um sorriso pálido e triste como tudo nela, veio em minha direção e segurou minhas mãos, que sensação horrível, mãos geladas, quase cadavéricas… Mas os olhos azuis expressivos pareciam querer dizer que em breve, eu descobriria o porquê de tudo isso…
Fico impressionada ao ler as palavras que escrevo para Emanuelle, sei que não são minhas palavras, nem meus sentimentos, sei que não sou assim tão lírica, tão doce e ao mesmo tempo tão amarga e infeliz… Mas sei que gostaria de ter ao menos um pouquinho deste talento e desses sentimentos…

 

“Se hoje fosse o último dia deste mundo…
Se nunca mais houvesse flores…
Se as águas parassem de correr…
Se aos poucos, toda a respiração fosse sendo sufocada…
O céu escurecesse…
Se o planeta estivesse, a partir de agora, condenado à destruição…
O que dirias?
Em quem viajariam seus últimos pensamentos?
O que desejaria fazer, em seus últimos instantes nesse mundo?
Quem buscaria?
Nos braços de quem gostaria de estar, quando alcançasse a Eternidade?
Não sabes? Nunca pensastes nisso antes?
Também nunca havia pensado…
Por que penso agora? Não sei…
Não penso…
Mas, sem pensar,
Sei todas as respostas…
Se nunca mais houvesse flores…
Roubaria à última rosa, e te daria…
Levar-te-ia tomar um banho de cachoeira,
Para que pudesse guardar a sensação da água correndo pelo teu corpo…
Respiraria por ti…
E apesar da dor,
Faria dos meus olhos luz para iluminar os últimos momentos…
E sussurrando, cantaria uma canção, para acalmá-la…
Meus pensamentos viajariam pelos momentos em que estivemos juntas…
E também pelos momentos em que não pudermos estar perto…
Mas em que nossos corações nunca se separaram…
E, nesses últimos momentos… Apenas te olharia…
E te confortaria…
E buscaria teu abraço…
E, nos teus braços,
Alcançaria a Eternidade…”.

“Aos poucos, Bianca ia sendo absorvida pela rotina do castelo, muitas missas, e também festas noturnas no salão reservado aos nobres – onde ela e Emanuelle não podiam entrar, pois não era adequado às donzelas ou senhoras de respeito. Impressionava-se à ausência do Lorde M. na vida de sua filha… sua família era tão pobre, mas estava sempre unida… à noite, contavam lindas estórias ao redor da fogueira… tradições antigas que falavam de Deuses, fadas, seres misteriosos… sua avó lhe ensinava as Artes dos antigos, que ainda sobreviviam, apesar de sufocadas pelo cristianismo… era tão feliz… Já Emanuelle, com todo aquele conforto, não tinha a companhia dos pais… sua mãe falecera poucos meses após seu nascimento, por isso não tinha irmãos, e seu pai estava sempre muito ocupado… crescera entregue aos cuidados das amas. Bianca passava horas contando à Emanuelle as estórias que ouvia da avó… aos poucos, ia nascendo uma amizade forte, incontrolável… Bianca deveria dormir no quarto ao lado de Emanuelle, mas passou a esgueirar-se furtivamente para o quarto da amiga, dormiam juntas, agarradas, e, pouco antes do sol nascer, Bianca voltava aos seus aposentos…

Bianca descobriu uma maneira de fugir do castelo à noite e, frequentemente, ela ia até a floresta, sentir aquelas forças selvagens que emanavam das matas sombrias… Passou a levar Emanuelle consigo em algumas dessas escapadas… Beijava-a sob a luz do luar e faziam amor na relva…
Passaram-se dois anos… Naquela noite seriam celebrados os quinze anos de Emanuelle… Era um dia especial… Naquele dia, lorde M. anunciou o noivado de Emanuelle com o filho mais velho do Lorde F., Richard II. Ao ouvir tal notícia, Emanuelle não pode controlar-se, lágrimas vieram lhe aos olhos… Lágrimas que ela teve que sufocar, em nome da honra de seu pai e do nome de sua família.
Ficou acertado que após o casamento, Bianca se mudaria juntamente com Emanuelle, continuaria a ser sua serva pessoal. Mas ambas sabiam que já não seria possível seus encontros furtivos ao luar”. Às vezes penso que, por pior que seja minha vida, ela ainda é bem melhor do que a vida de quem viveu a época feudal, ou a inquisição, ou tantas outras épocas anteriores à nossa… E isso também me faz pensar que, no futuro, os jovens acharão horrível a vida de uma jovem de 16 anos no ano de 1996…

“Meu” poema de hoje:
 
“O Amor…
O que podemos dizer sobre ele…
Se qualquer coisa que dissermos não conseguirá explicá-lo?
Ele simplesmente acontece…
Sem razão, sem por que…
E é mais forte que nós,
Ele nos leva ao paraíso,
E nos arrasta ao olho do furacão…
Traz-nos os melhores sonhos,
Os mais alegres momentos…
Dá-nos a vida,
Para em seguida nos sufocar…
E fazer-nos desejar que tudo pare,
E que não sintamos o tempo passar,
Até que possamos simplesmente acordar e dizer:
Nossa! Finalmente estamos juntas outra vez!
O Amor faz o tempo voar,
Quando estamos ao lado da bem-amada,
E faz passar devagar os segundos,
Quando permanecemos distantes…
Essa noite sonhou contigo…
Estavas tão linda…
Uma ninfa entre as flores,
Uma Deusa sobre as ondas…
Bailávamos na chuva,
Em teus braços eu flutuava…
Esta noite sonhei com teu olhar,
Com teu toque,
Teu beijo,
Teus lábios macios,
Tua pele,
Essa noite…
Acordei sozinha…
E cheguei a imaginar,
Que nossa história tenha sido um sonho…
Que nosso Amor tenha sido lenda,
Poesia ou canção…
Essa noite…
Mas sentindo o perfume da tua pele,
Que não sai da minha memória,
Lembrando teu olhar,
Fechando os olhos pra te sentir…
Sentir as batidas do teu coração,
Que nesse instante,
Está tão, tão distante…
E, sentindo meu coração longe do peito,
Viajando de encontro ao teu,
Sei que nossa história é real,
Assim como a distância que me machuca e sufoca,
Assim como o ar que respiro,
Como a água que bebo,
Como o Sol que aquece…
E sei que,
Sem você,
Não há sentido em existir,
Não há sentido em sonhar…
Nem em sorrir…
Mas,
Mesmo assim,
Encontro na tua ausência,
Uma última razão para viver…
A esperança,
Esperança de um dia poder fazê-la feliz,
De um dia saber,
Que você me ama,
Como eu amo você!”