Sobre eleições, apagão e barbárie.

O plano era escrever sobre o processo eleitoral, os resultados das urnas pelo Brasil e aqui na minha região e algumas perspectivas sobre isso – Não consegui escrever nada domingo passado, pois fui mesária e voltei exausta e ansiosa para acompanhar as votações. Mas o Brasil não é para amadores e outros fatos irromperam e modificaram completamente os planos. O primeiro absurdo da semana foi saber que o Amapá permanece sem energia elétrica e que o desgoverno planeja cobrar das contas de luz do restante do país os custos dessa tragédia – Ou seja: Privatiza-se a distribuição de energia elétrica, o serviço fica ruim, um incêndio deixa o Estado sem luz e a conta será cobrada de quem? Da distribuidora que não tinha um plano emergencial? Não. Será cobrada de mim, de você e de tantas outras cidadãs e cidadãos Brasil afora. Tudo isso enquanto a crise sanitária se agrava – apesar de alguns setores fecharem os olhos e fingirem que estamos vivendo uma normalidade – Aliás, olhos fechados e, no caso da cidade onde vivo – Centrais de Atendimento especializadas em COVID-19 também: Ontem fiquei sabendo que São Vicente desativou o centro de COVID.

            Outra notícia que tomou conta das manchetes este final de semana foi o assassinato no Carrefour de João Alberto, um homem negro que ironicamente ocorreu às vésperas do Dia da Consciência Negra. Se você vai dizer que não foi racismo, respira um pouco e tenta lembrar quantos clientes brancos você já viu causando confusão em supermercados e quantos desses vocês já viram ser espancados – Possivelmente a resposta é: Zero. Pelo menos eu já presenciei um homem branco dar um soco no rosto de uma operadora de caixa e sair escoltado pela segurança da loja – Nem a polícia foi chamada. Ele apenas foi embora. Assim como um cliente na antiga loja onde trabalhei – O segurança até segurou pelo casaco que se abriu e deixou cair um monte de produtos da loja, mas deixaram-no ir. Nada de polícia. Pediram que ele ficasse sentado em um banco até o fechamento da loja e se afastaram. Ele simplesmente saiu andando para não voltar. Se fosse um jovem negro, no mínimo sairia na viatura (coisa que já presenciei também). Fora os casos de recusa em utilizar máscara: O cliente agride em funcionários e funcionárias – Vocês já viram alguma reação semelhante ao que aconteceu no Carrefour? Não. Deveria existir essa reação desproporcional? Não. O papel da segurança não deveria ser matar pessoas, mas alguém convenientemente esqueceu de avisar isso a eles.

            Ainda sobre o caso de João Alberto, chegamos aos protestos ocorridos: Houve alguns casos de vidraças quebradas – Interessante que, quando essas coisas acontecem fora do país, a mídia retrata apenas como “manifestantes”, quando ocorre no Brasil, os mesmo veículos nomeiam “vândalos”. Não entrarei aqui nos pormenores se é correto ou não quebrar vidraças – Só vou dizer que apesar dos vários motivos que teria para ser contra, não acho que eles não tenham suas justas razões – como diria a célebre frase: “Não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor” – Afinal, já encontrei ao menos seis manchetes diferentes de casos absurdos envolvendo a rede Carrefour. Por outro lado, acredito muito na prática do boicote. Acho um pedido justo. Boicote contra empresas racistas, boicote contra homofóbicos e boicote contra quem colaborou para a eleição desse governo genocida, mas como tudo na vida, há um entretanto: Infelizmente, essas grandes empresas conseguem preços mais baratos e, para quem sobrevive com quase nada, faz uma enorme diferença pagar um pouco mais em conta. Então, sim, sou a favor do boicote, dentro do possível e do praticável, pois sei que para a maioria da população brasileira, aquela pequena economia pode ser a diferença fundamental entre ter comida no prato ou passar fome – Aliás, eu mesma não sou rica e vivo de promoções, embora minha realidade permita consumir prioritariamente de feiras livres e pequenos comércios que vendem grãos a granel e seja extremamente raro eu precisar ir até um supermercado grande, mas essa é a minha realidade. Então, queridos e queridas que pedem boicote: Ampliem seus discursos e comecem a orientar as pessoas sobre opções de alimentação saudável, econômica e ambientalmente sustentável para que se amplie a economia solidária e os pequenos comércios, gerando empregos e diminuindo a dependência da população dessas grandes redes. Se não for assim, o “boicote” vai durar uma, talvez duas semanas e cairá no completo esquecimento.  

            A notícia boa da semana é que pela primeira vez elegemos uma mulher negra e psolista para a câmara municipal de Santos e há chances reais de que Guilherme Boulos seja eleito em São Paulo, o que significaria uma grande derrota ao bolsonarismo e uma necessária guinada para a esquerda – Só saliento que um governo se faz de pessoas: Não adiante eleger o melhor se não houver participação e organização popular, então busque participar de alguma forma da política: Participe de movimentos sociais, movimentos ambientais, escolha algo que te inspire e milite pela causa – O mundo começa a mudar com o seu voto, mas a verdadeira mudança demanda participação popular, então separe o tempo (que eu sei que você, assim como eu, provavelmente não tem sobrando) e se organize com outras pessoas em prol da mudança. Sobre a eleição municipal da minha cidade, comentarei em algum momento no decorrer da semana – Não será um texto longo, mas é um tema que prefiro tratar em separado, ainda mais considerando que estamos em um segundo turno entre uma candidatura tucana e uma candidatura de partido da base de apoio ao governo. Espero que na cidade de vocês as coisas estejam melhores.

            Enfim, abraços a todos e todas, #ForaBolsonaro, boicotem empresas racistas se isso não significar falta de itens essenciais para vocês e não tenham pena de vidraças nem comprem a história da mídia que chama manifestantes de vândalos – Afinal, não vi ainda nenhuma manchete chamando de vândalos ou bandidos os madeireiros que incendeiam a Amazônia, nem as mineradoras que inundaram Mariana e Brumadinho, muito menos os fazendeiros que incendiaram o nosso Pantanal.

Sábado no sofá? Aproveite essa lista dos filmes assistidos em Agosto, Setembro e Outubro!

365 DNI

 A mídia quis vender este filme como “o novo 50 tons de cinza”, porém há uma diferença muito grande entre os dois filmes: A liberdade de escolha. Na trilogia 50 tons de cinza, a personagem feminina teve a escolha de ficar ou não ao lado do parceiro. Por mais problemática que possa ser a relação deles em muitos sentidos, ela poderia partir no momento em que não quisesse mais estar ao lado dele. Já em 365 DNI, a protagonista Laura é seqüestrada e comunicada que teria 365 dias para se apaixonar por seu seqüestrador. Além disso, Massimo é um homem bruto – O que fica bem claro nas primeiras cenas do filme. Apesar de todos os problemas envolvendo a película, o final deixa um sabor de “quero mais” e é inegável que assistirei ao próximo filme para saber qual será o desfecho das personagens. Vale dizer que as paisagens italianas são um show a parte na produção e a trilha sonora é bem envolvente. Nota de 0 a 5? 3,5,

Os caça fantasmas:

            Filme clássico da minha época de infância (que eu não me recordava de haver assistido, embora minha mãe jure que eu assisti), os caça-fantasmas apresentam uma equipe de amigos cujo objetivo é… Caçar Fantasmas. O problema é que eles são medrosos e atrapalhados. Não é um filme de terror e sim uma comédia divertida, com direito a monstros de marshmallow, gárgulas que se tornam monstros, romance, destruição de prédios e gosmas nojentas que não causam tanto nojo assim. Vale as risadas. Nota de 0 a 5? 5.

Bird Box

            Um filme intenso que acompanha o final da humanidade como a conhecemos. Quando seres misteriosos começam a aparecer e causar suicídios em quem os vê, um grupo de pessoas consegue ficar em segurança dentro de uma casa – Até que um infiltrado acaba causando a morte de quase todos, exceto de um homem, uma mulher e seu bebê recém nascido e um outro bebê também recém-nascido e órfão. Anos depois, praticamente sem condições de encontrar comida, ela precisa descer um rio de olhos vendados até encontrar uma comunidade de pessoas isoladas para sobreviver. Vale muito cada segundo de suspense. Nota de 0 a 5? 5.

A dançarina imperfeita

            Ela tinha todos os planos traçados para entrar na faculdade dos sonhos – Até cometer um ato falho e estragar tudo. Agora, sua única chance é entrar para a equipe de dança do colégio – Detalhe: Ela não sabe dançar. O filme é uma comédia romântica super divertida e fala sobre sonhos, realizações a descobertas. As coreografias são lindas e com certeza você vai querer movimentar muito o corpo depois de assistir. Nota de 0 a 5? 5.

Aniquilação

            Ela acredita ter perdido para sempre seu grande amor, desaparecido após uma missão no exército. Isso até ser surpreendida com seu reaparecimento em casa aparentando sofrer de uma estranha doença. Levada para a base militar, ela descobre que nenhum dos outros membros da missão retornou e tem duas opções: Vê-lo morrer  do mal misterioso que o acomete ou ir com outras mulheres para o mesmo lugar misterioso que seu marido e outros homens haviam ido, com grande chances de não voltar. Achei o filme meio confuso e cansativo. O ponto alto é a breve atuação de Gina Rodriguez (a Jane, de Jane a virgem). Nota de 0 a 5? 2.

Trilogia “O Senhor dos Anéis”

Um anel capaz de trazer o mais puro mal para a Terra Média precisa ser destruído. O filme fala sobre coragem e sobre o poder de um coração puro. Apesar do universo de fantasia com direito a elfos, anões, magos, reis e hobbits, a trilogia Senhor dos Anéis está bem longe de ser um filme infantil – A trama é mais complexa do que pode parecer e há muitas cenas de luta/guerra. A adaptação foi bem fiel aos livros, mas ainda assim não substitui  – Aconselho que leiam os livros e vejam os filmes. Nota de 0 a 5? 5.

Loucademia de Polícia 1 e Loucademia de Polícia  2.

Quando a academia de polícia passa a aceitar todas as pessoas que desejarem seguir carreira policial o caos se instala: Recrutas completamente desastrados sendo treinados por policiais que querem fazê-los desistir a qualquer custo vão nos fazer dar boas risadas. O filme é antigo, mas está disponível na Netflix. Nota de 0 a 5? 4.

Mentiras Perigosas

Uma herança inesperada pode mudar tudo – Até mesmo a personalidade das pessoas que você julga conhecer. Isso é o que descobre uma jovem que trabalha cuidando de um idoso quando recebe uma inesperada herança. Filme eletrizante com uma protagonista forte. Nota de 0 a 5? 4.

Oferenda à tempestade:

Terceiro filme da trilogia iniciada com O guardião Inivisível e Legado nos Ossos, oferenda à tempestade traz uma Amaia Salazar disposta a ir até as últimas conseqüências para encontrar sua mãe e solucionar de vez por todas os misteriosos crimes que assolam o vale. Para isso, Amaia irá encontrar seus piores medos e viver um verdadeiro pesadelo. Assim como os dois primeiros filmes, Oferenda à tempestade causa um arrepio na espinha, mas não é um filme que extrapole os limites já conhecidos para o gênero. Uma excelente dica! Nota de 0 a 5? 5.

O dilema das redes

Conhecer os mecanismos por trás das redes sociais é importante. Atualmente, com os celulares modernos que nos mantém conectados com o mundo o tempo todo, é praticamente impossível não possuir acesso a uma ou mais redes sociais. Quais os impactos disso na vida das pessoas e da sociedade? Até onde os algoritmos das redes nos manipulam a agir deste ou daquele modo, reforçando interesses e hábitos ou sugerindo conteúdos? É um documentário fundamental para refletirmos. Nota de 0 a 5? 5.

Amor garantido

Uma jovem advogada em sérios apertos financeiros. Um rapaz decidido a processar um site de encontros que promete aos usuários que encontrarão o amor em até mil encontros. Uma comédia romântica divertida que vai te mostrar que, no amor nada é tão garantido assim. Nota de 0 a 5? 4.

O plano perfeito

Ela acredita que as mulheres da família são amaldiçoadas a sempre se divorciarem do primeiro marido, por isso nunca se casou. A solução para poder casar com o grande amor da sua vida parece bem simples: Casar antes com qualquer pessoa e se divorciar em seguida. Pode parecer um ótimo plano, mas será que ela irá superar as aventuras que viveu para conseguir casar e se divorciar? Ou seus planos serão alterados pelo destino? Uma comédia romântica muito divertida, com belas filmagens na África e na Rússia.

Nota de 0 a 5? 5.

Sob a pele do lobo.

Cansado da solidão das montanhas, ele decide encontrar uma esposa. Mas será que uma mulher encontraria felicidade em morar ao lado dele em um lugar deserto e longe dos confortos que conheceu no vilarejo onde morava? Sob a pele do lobo é um drama com poucas palavras, atuação expressiva e contexto denso. Além de ótimos atores, a fotografia do filme se destaca com belas paisagens das montanhas e ruínas. Nota de 0 a 5? 3.

Democracia em vertigem

Documentário da jornalista Petra Costa, Democracia em vertigem é fundamental para entender o golpe de 2016 desde o início bem como começar a vislumbrar as conseqüências nefastas que o governo Temer e o governo Bolsonaro teriam para o país. Um ótimo trabalho que foi indicado ao Oscar. Nota de 0 a 5? 5.

Árvore de Sangue

Um casal de jovens decide escrever sua história para explorar melhor o passado de suas famílias. Uma experiência dramática, que pode destruir a relação deles ou fortalecê-la, dependendo de como decidam lidar com o passado e com as conseqüências de alguns atos. Um ótimo filme, com belas paisagens, muito drama e histórias que se cruzam e personagens femininas bem construídas – Definitivamente é um filme para pessoas maduras e pode ser entediante para adolescentes e completamente impróprio para crianças. Nota de 0 a 5? 5.

A Babá

Cole é jovem, inseguro e é o único menino da sua turma que ainda tem babá – O que não é um problema, já que ele é apaixonado por ela. Parece clichê? Parece. Até a babá tentar matá-lo em um ritual diabólico.  A babá é um filme do gênero comédia de terror – É engraçado, mas pretende ser também aterrorizante e exagera no sangue (evidentemente falso) derramado. Pra quem procura um filme sem maiores questionamentos, com jovens bonitos, figurino descolado, ação, humor e um pouco de susto, é uma ótima opção. Nota de 0 a 5? 3.

A babá: Rainha da morte.

Anos depois da noite em que escapou de ser assassinado por sua babá, Cole ainda tem que lidar com as conseqüências: Ninguém acredita em sua versão dos fatos e a babá nunca mais foi vista pela cidade. Talvez seja hora de retomar a vida e se divertir um pouco com a melhor amiga, certo? Não para ele, que se verá novamente cercado por jovens sedentos por realizar seus desejos (fúteis) através da realização do mesmo ritual do qual ele já escapou uma vez. E adivinhe quem estará de volta? A babá. Assim como o primeiro filme, não espere muito dele além de jovens bonitos com figurino descolado, ação, humor e um pouco de susto com muito sangue cenográfico e exageros. Nota de 0 a 5? 3

Deslize:

Ele criou o aplicativo de pegação perfeito: Nada de nomes verdadeiros, informações pessoais ou perspectiva de um segundo encontro. Parece perfeito para os jovens que buscam apenas divertimento por uma noite – Mas entre a necessidade de ganhar dinheiro e suas convicções éticas que reprovam tal comportamento, o que irá vencer? Está lançado o dilema, especialmente quando sua mãe decide criar um perfil no aplicativo. Nota de 0 a 5? 2.

O impossível:

O que parecia ser a viagem de férias perfeita se torna um pesadelo quando um tsunami destrói o litoral do país e separa a família. Sem saber se os outros estão vivos ou mortos, eles terão que lutar para sobreviver em um país desconhecido mergulhado no caos de uma grande tragédia natural. Baseado em fatos reais. Nota de 0 a 5? 5.

Campo do Medo

Adaptação de livro do Stephen King, Campo do Medo nos apresenta pessoas perdidas dentro de um campo alto suficiente para impedir que se veja a saída. O terror consiste no loop de espaço-tempo que ocorre dentro da mata, levando as pessoas ininterruptamente aos mais diversos desfechos. É um bom filme, mas ficou longe de estar entre os mais aterrorizantes. Nota de 0 a 5? 4.

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Consciência Negra

 

 Alguns vão dizer
 Dia da Consciência Negra? Pra quê?
 Não recusa o feriadão prolongado
 Mas se é patrão, pra que dar folga pra empregada e pro empregado? 
 Paga o salário – Chorado, minguado, às vezes atrasado.
 Viaja no feriado, praia lotada, casa de campo
 Mas insiste em dizer: Consciência Negra? 
 Isso nem deveria existir! 
 E postam na internet qualquer baboseira
 “Tinha que ser dia da Consciência Humana”
 Tá de zoeira?
 A consciência humana falhou
 Quando o primeiro cercou
 Um pedaço de terreno e reivindicou
 A propriedade e o direito de viver sem produzir:
 Assim surgiu a divisão de classe social
 Nobres e servos
 Uns tudo recebiam e outros tudo produziam
 Daí por diante, vou te contar
 Só ladeira abaixo: 
 Servidão, guerras, escravidão
 Nazismo, fascismo, bolsonarismo
 Racismo
 Negacionismo científico
 Negacionismo histórico
 Mundo dominado
 Pelo capital acumulado
 Pirâmide social:
 Pequeno topo com peso de chumbo
 Esmaga a base que lhe carrega no ombro
 Ainda tem coragem em falar em consciência humana? 
 Numa sociedade tão desumana?
 Dá um tempo, senta ali no cantinho do pensamento
 Cala a boca um só momento, ok? 
 Aliás, me deixa te lembrar: 
 Sobre a consciência negra, deixa o povo negro falar
 Que eu também tenho muito que aprender, escutar
 Minha parte hoje foi só rememorar
 Que a tal “consciência humana” falhou há muito tempo
 E se você não enxerga isso, só lamento. 
   

Resenha: Vênus de Urbino

Em Vênus de Urbino a autora Suéllen Raquel nos apresenta Fátima, uma mulher madura que mora sozinha e vivencia a depressão decorrente do encerramento do casamento e de uma vida completamente devotada ao lar e aos filhos. Ao receber um celular de presente do filho, Fátima descobre um novo mundo: O das redes sociais. Infelizmente é através deste novo mundo que nossa protagonista irá vivenciar uma forma muito comum de violência: A extorsão.

 O conto é uma leitura importante que alerta as mulheres a ficarem atentas – Muitas vezes pessoas acabam se envolvendo em situações de risco mesmo quando não estão em busca de relacionamentos; neste caso, as coisas parecem acontecer com naturalidade a partir de um fato qualquer.

Independente da idade é importantíssimo prestar atenção aos contatos travados no mundo virtual e tomar cuidado para que esses relacionamentos não se tornem pesadelos: Encontros só devem ser marcados em locais públicos, além disso, é importante não fornecer elementos que possam servir de base para chantagens, como fotos sensuais ou informações confidenciais.

 Vênus de Urbino tem uma estrutura que favorece a leitura, com um ritmo que varia de acordo com o estado de espírito da personagem – Como se fosse possível sentir o desânimo, a angústia, a paixão e assim por diante. Além disso, o conto tem um final surpreendente que você só vai poder conhecer se adquirir o livro (e eu te asseguro: O final é muito bom e os outros contos do livro são incríveis!)

Adquira seu exemplar físico de Amores Virtuais Perigo Real no site do Grupo Editorial Quimera, assim você estará contribuindo para uma causa social (a renda das vendas do livro físico serão doadas para a Casa Nem, que acolhe a população LGBTQ+). Caso prefira e-book, basta acessar a Amazon e adquirir o seu, contribuindo com a Associação de Apoio à Mulher Vítima de Violência.

Hilda Furacão

Primeiro livro do #DesafioLiterário2020 #Novembro, Hilda Furação é um romance publicado em 1991 pelo autor mineiro Roberto Drummond. Adaptado para a televisão, Hilda Furacão é baseado na história de uma prostituta que ficou célebre na Zona Boemia da cidade.

            O livro não é fiel a todos os acontecimentos – Nem todas as personagens existiram no mundo real embora muitos tenham sido baseados em pessoas com as quais o autor se relacionava. O romance caminha lado a lado com a realidade brasileira já a um passo do golpe militar de 1964, retratando o eterno medo do “fantasma do comunismo” em uma sociedade onde impera a beatice católica e o mexerico sobre a vida alheia e onde jovens ainda sonham em fazer a revolução, inspirados em Marx, Che e Fidel. Interessante inclusive retratar as diferenças históricas da esquerda presente no Brasil naquela época em relação aos militantes de hoje: Enquanto hoje há uma forte tendência da esquerda brigar pela liberdade das pessoas, contestando posturas machistas ou conservadoras, o autor nos traça uma esquerda que, nos anos 60, postulava que seus militantes mais jovens mantivessem a castidade.

            A história ganha uma mística especial quando conhecemos a profecia que envolve o sapato da protagonista – que passa então a ser vista como uma “gata borralheira” – É inevitável que se torça pela realização de um conto de fadas na vida de Hilda, mesmo com o narrador – o próprio Roberto Drummond – protelando o desenvolvimento da história e ao mesmo tempo envolvendo o leitor em outras histórias paralelas: Drummond faz com que a pessoa que lê se apegue e deseje saber o desdobramento dos fatos na vida das personagens: Torcemos para Aramel cumprir sua promessa e fazer chover dólares, ficamos de coração partido por Emecê que não consegue coragem de encontrar a bela Gabriela e angustiados pelo “Santo” perdido em tentações.

            Um ponto que me chamou atenção é que, no livro, não há uma exploração sensual da beleza de Hilda – Em alguns momentos, até o contrário: A protagonista tem a aparência de um anjo. Já na série de televisão as câmeras não poupam a exposição do corpo de Ana Paula Arósio, atriz que interpretou Hilda – Não com vulgaridade, mas como uma volúpia que as letras não transmitem.

Lobo Mau – Resenha

Lobo Mau é o conto – prólogo da antologia “Amores virtuais, perigo real”, publicada pelo Grupo Editorial Quimera. De autoria do organizador da antologia, o escritor Humberto Lima, Lobo Mau é um conto policial onde se entrelaçam diferentes histórias sobrepostas habilidosamente causando uma agradável teia que prende e surpreende o leitor.

            Humberto abordou um tema muito importante: A pedofilia e os perigos da internet para crianças. Diante de um cenário onde os dados sobre abuso sexual de crianças e adolescentes são assustadores e considerando os riscos que a internet pode representar para homens e mulheres adultos, é importantíssimo comentar sobre como tais riscos são ampliados quando pensamos nas crianças acessando redes sociais ou sites de jogos com possibilidade de interação entre os jogadores, mesmo que se digam apropriados ao público infantil.

            Em Lobo Mau, o pedófilo é um homem acima de qualquer suspeita e, ao mesmo tempo, um insaciável caçador em busca de menininhas inocentes. Quantos lobos-maus andam pela sociedade? O conto nos deixa, além da leitura agradável, um recado escrito em vermelho nas entrelinhas: Converse com suas crianças, não poste fotos que permitam encontrar o seu bairro ou a escola onde seus filhos estudam e orienta as crianças a nunca enviar fotos ou marcar encontros com pessoas pela internet e principalmente a reportar a você qualquer conversa suspeita. O diálogo pode ser a diferença entre a vida e a morte – Afinal, nunca sabemos se há um lobo-mau do outro lado da tela.

            O autor foi bastante habilidoso na criação da trama e das personagens e carregando na medida certa as tintas na descrição dos ambientes, pessoas e situações – Esse é, aliás, um dos encantos na escrita do Humberto Lima: Ele consegue ser sombrio sem exageros e manter a atenção (e a respiração) dos leitores presos do início ao final da leitura.

            Adquira seu exemplar físico de Amores Virtuais Perigo Real no site do Grupo Editorial Quimera, assim você estará contribuindo para uma causa social (a renda das vendas do livro físico serão doadas para a Casa Nem, que acolhe a população LGBTQ+) e ainda tem a oportunidade de colaborar com a difusão da literatura nacional – Aliás, o Natal está chegando! Pense em presentear as amigas com esta obra inesquecível.

Para adquirir o livro físico e ajudar a CASA NEM, clique aqui

Para adquirir o e-book e ajudar a Associação de Apoio à Mulher Vítima de Violência (AAMV) clique aqui

Corredores, codinome: loucura. (Mariana Gouveia)

Corredores, codinome: Loucura foi o primeiro livro do Clube do Livro da Editora Scenarium livros artesanais. Para quem não conhece, a Editora Scenarium trabalha com livros costurados artesanalmente – São livros únicos, verdadeiras obras de arte com conteúdo selecionado para que o leitor desfrute o melhor da sensação de ter um livro nas mãos – Recomendo fortemente que 1) não deixem de conhecer a editora e participar do clube do livro e 2) considerem ler com uma boa xícara de chá por perto!

            Vou começar dizendo o que Corredores não é: Corredores não é um livro de fantasia. Corredores não é um livro para leitura rasa. Corredores, codinome: Loucura não é um livro para ler e esquecer. Pelo contrário: É um livro para se pensar, refletir, chorar. É uma leitura que dói, corrói a alma. É uma leitura real.

            Sou uma grande admiradora do trabalho da Mariana Gouveia – Ela escreve textos lindos, com leveza e poesia ímpares (inclusive convido todas e todos que me seguem a seguir também o Ig da Mariana (@marianagouveiacba) e o blog dela “O outro lado” (vejam o link na bio da autora) e, por seguir e admirar tanto o trabalho incrível que ela tem com as palavras já sabia que ao abrir o livro encontraria um texto impecável e sensível – só não imaginava que seria tão impecável e sensível quanto pesado.

            Falar sobre algumas situações da vida não é fácil e, dependendo da forma como ocorrem os fatos, tudo se complica ainda mais – Perdoem-me por não detalhar o conteúdo do romance, não saberia fazê-lo sem contar detalhes e estragar com isso a emoção de quem ainda não leu. Tudo o que posso dizer é que a autora sem maquiar a realidade conseguiu contar uma história real mergulhando o leitor em um poço de sensações turbulentas – A leitura desperta empatia pela personagem, nojo de determinados comportamentos humanos (ou melhor seria dizer desumanos?) e um ódio profundo. Transpor um relato tão triste para as páginas de um livro sem perder o fio poético e a sutileza é um trabalho para gigantes da literatura. Corredores resulta de uma parceria entre a escrita de Mariana Gouveia e a edição de Lunna Guedes (siga @lunnaguedes no Instagram e não deixe de conhecer o blog Catarina voltou a escrever, pois além de editora Lunna é também uma escritora maravilhosa) – É um livro que vai te chocar, te envolver e, acima de tudo, deixar aquela vontade de ler a continuação da história.

Novo tipo penal: “Foi sem querer querendo”. A inovação do Estupro Culposo.

Terminamos a semana com uma notícia boa: Donald Trump derrotado nas urnas. A sensatez do povo norte americano em trocar o péssimo pelo “menos ruim” me faz ter esperanças sinceras para o nosso 2022. Ao mesmo tempo, as notícias de que em diversos pontos do país haveria manifestações em defesa de Trump e pelo Impeachement do recém eleito Joe Biden me provoca risos preocupados. Risos pela síndrome de vira-lata que mobiliza algumas brasileiras e brasileiros a irem às ruas em meio a uma pandemia para protestar contra os resultados eleitorais de um país que sequer é latino americano. Preocupação por imaginar estas mesmas pessoas apertando novamente os piores botões das urnas eletrônicas em 2022, nos condenando a retroceder ainda mais em direitos e garantias fundamentais. Por falar em política, especialmente em política internacional, observo perplexa uma notícia sobre o atentado a bomba contra o recém eleito presidente boliviano. A direita consegue ser imunda em todos os lugares do mundo: Brasil, Estados Unidos, Bolívia, em todos os lugares a direita reúne tudo o que há de pior na política e na humanidade.

            No Brasil, algumas situações chamam a atenção: Bolsonaro declara que irá fazer um “horário eleitoral” em suas lives de segunda feira – Observem que a campanha eleitoral segue regras impostas pele justiça eleitoral e uma dessas regras refere-se ao prazo adequado para que seja feita – Ao declarar um “horário eleitoral” em suas lives, Bolsonaro comete um crime eleitoral: a campanha antecipada. Juro que gostaria de ter estômago forte para assistir uma live e comentar com vocês o quão profundo é o poço, mas não dá.

            Outra situação a ser acompanhada de perto é o apagão no Estado do Amapá, que já dura quase uma semana – Vejamos, há uma fala corrente entre os pobres de direita que diz “privatiza que melhora”. Ora, a distribuição de energia no Amapá é privada. Melhorou? Não. Quem irá “salvar” o Amapá? Uma estatal que enviará geradores para o estado. Enquanto isso, alimentos se estragam por falta de armazenagem correta, falta água, quem tem dinheiro no banco não consegue comprar nada com cartão, pois as máquinas dependem de internet e energia elétrica. Situações como essa escancaram o abismo que há entre as diferentes regiões do nosso país e é muito grave que, em meio a uma pandemia, haja pessoas sem luz, sem água para as necessidades mais básicas e sem alimentos.

            Agora, a cereja do bolo nesta semana foi sem dúvida a criação de um novo tipo penal: O estupro culposo. Estupro culposo não existe em nossa legislação, por isso não foi diretamente citado nos autos do processo de Mariana Ferrer, vítima de André Aranha. Para quem não conhece, deixe-me explicar: A conduta criminosa pode ser dolosa (quando há intenção de praticar o crime) ou culposa (quando não há intenção). Acontece que nem todo crime admite modalidade culposa. Vejamos, é impossível estuprar alguém sem querer, sem intenção. Mas no processo que absolveu Aranha, consta que ele “não tinha intenção de estuprar”. Ora, como ele conseguiu a proeza de estuprar sem intenção? Por acaso ele estava sentado com o pênis duro e descoberto quando ela caiu do céu bem em cima do órgão dele? Óbvio que não! Até consigo imaginar o réu saindo de um barril e dizendo que “foi sem querer querendo” (me perdoem os criadores do seriado Chaves pela analogia – Não deu para imaginar de outra forma). Não é a toa que o Brasil está entre a lista dos piores países para ser mulher. Não bastasse o estupro, as imagens do julgamento mostram o machismo estrutural e a tortura ao desqualificar e desmerecer a vítima. Situações assim mostram o quanto ainda é necessário avançar na defesa dos direitos mais básicos de nossas mulheres e meninas – Aliás, como se já não fosse uma tortura esse caso se arrastar por tanto tempo! Vejam, se eu quiser, consigo escrever um artigo diário apenas comentando casos de violência, abuso, estupro. Isso não pode ser naturalizado! É revoltante, é triste, é dantesco que mulheres tenham medo durante todo o tempo apenas por serem mulheres. E apenas para constar: Estupro culposo não existe. Não há estupro sem intenção de estuprar.

            Se as coisas continuarem da forma que estão, é bem capaz que o senador Chico Rodrigues (DEM) alegar que o dinheiro nas nádegas foi resultado de uma corrupção culposa – se corrompeu sem vontade de se corromper. Talvez ele diga que foi tentativa de zoofilia culposa, mera curiosidade de enfiar os lobos guarás nas nádegas. E vamos nos preparar, pois talvez alguns eleitores do “mitológico ser” aleguem genocídio culposo: Quando você elege um genocida sem intenção de eleger. Sem querer, querendo… Falta de aviso não foi.

Resenha: #Bomdemaisparaserverdade

O conto #BOMDEMAISPRASERVERDADE é um dos contos da Antologia Amores Virtuais, Perigo Real. A autora Maria Mendes acompanha a história de Carolina – Personagem com uma vida comum e estável que acaba se envolvendo em uma relação irreal. A autora consegue prender o leitor com maestria do início até o desfecho, com uma linguagem jovem e descolada, porém sem o uso de gírias. Acredito que o principal ponto positivo do conto é a identificação que conseguimos sentir com a personagem – Ela poderia ser eu, você ou qualquer outra mulher. Outro ponto interessante é perceber que quem inicia um romance virtual nem sempre procurava por isso – Ou seja, sempre é necessário ter muito cuidado ao se envolver com alguém, mesmo quando o envolvimento parece obra do acaso.

            Amores Virtuais, Perigo Real é uma antologia necessária! Em tempos onde a internet parece ser uma terra sem regras, em tempos de “estupro culposo” e de crescente violência contra a mulher, é importantíssimo que se provoque o debate acerca das conseqüências que podem surgir quando o assunto é amor – Principalmente amor virtual.

            Importante também lembrar que, ao adquirir seus exemplares, vocês estarão ajudando duas instituições: A renda do e-book será doada a Associação de Apoio à Mulher Vítima de Violência (AAMVV) , localizada em Taboão da Serra, e a renda do livro físico será doada à Casa Nem, ONG que ampara a população LGBTQ+. Ou seja: Ao adquirir o livro, além de conhecer histórias incríveis, você ainda ajuda uma causa. Adquiram no site da Editora Quimera!

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