Indagações

Pergunte-me quem sou
E te responderei
Sou aquela que te ama
Idolatrando teu corpo e alma
Que quer se consumir
No fogo do teu amor
Sou a paixão cega e mortal
Ardente e fria
Que é minha vida
E minha morte
Sou a imensidão de um sentimento
Que não se pode sufocar
Temporal e calmaria
Tempestade de paixão
Sou da rosa pétala e espinho
Sou aquela que o amor tornou doce
E de tão doce,
Amarga…
Ser que vaga perdido
Num mundo que sem você
Não tem brilho
Nem por que

 PUBLICADA INDAGAÇÕES

Anúncios

O Diário de Mary (XIV)

BIANCA

São Paulo, 22 de Junho de 1996, Sábado.

São exatamente 23h15min, estou escrevendo sob os protestos de Emanuela, que já está cansada de estudar e deseja ir dormir logo. Ela insiste em dividir a cama comigo, mesmo sabendo que tenho um colchão extra no quarto, no qual ela poderia dormir mais confortavelmente. Ela não quer nem ouvir falar no assunto, diz que estou me comportando assim por saber de seus verdadeiros sentimentos a meu respeito, que nunca antes eu havia tentado fazê-la dormir em um colchão separado.
Daqui a alguns minutos, estarei entregando a ela o presente de Bianca, daqui a alguns minutos saberei o que se oculta, saberei o que Bianca resolveu dar a Emanuela como prova de sua existência.
São Paulo, 23 de Junho de 1996, Domingo.

 O relógio marcava exatamente 23h45min, fechei este diário e chamei Emanuela dizendo que precisávamos conversar.
-Emanuela, sei que você não acredita em uma só palavra do que escrevi, mas hoje tenho que entregar-lhe algo que a fará acreditar na existência de Bianca.
-De novo esta estória de Bianca, vampiros, séculos e séculos que não podem sepultar com eles seus seres e seus amores?
-Faltam apenas alguns minutos e eu poderei entregar-te o embrulho que trago comigo, o presente de Bianca.
-Que bobagem, vai dormir.
Um ruído quebrou o silêncio, era meu despertador, avisando que o relógio acabara de marcar meia noite, entreguei o embrulho nas mãos de Emanuela e vi atônita, o pano branco tingir-se de sangue enquanto ela o desembrulhava. Algo deve ter silenciado aquele momento. Queria gritar, mas não conseguia, era como se minha voz tivesse fugido de minha garganta, indo esconder-se em algum lugar muito, muito distante. Emanuela também mantinha silêncio. Dentro do embrulho, agora vermelho, havia um punhal de cabo negro, a lâmina manchada de sangue… Emanuela chorava silenciosamente, novamente envolveu o punhal em seu embrulho, devolvendo-o a mim, que o peguei, como se nele não houvesse acontecido nada de extraordinário, e guardei-o em seu lugar, embaixo de meu colchão… Apesar de o presente ser para Emanuela, algo me dizia que deveria guardá-lo ali…
Ela me abraçou e chorou muito, mas logo em seguida enfureceu-se. Como eu me atrevia a fazer uma brincadeira daquelas? Tentei explicar-lhe que não era uma brincadeira, ou truque, mas sim um presente, um punhal que Bianca havia carregado por séculos, a lâmina com a qual se cortaram e juntas juraram amar-se.
Um leve cheiro de rosas enchia o quarto.
Emanuela, pela manhã, ao acordar, desejou ver novamente o punhal, mas para nossa surpresa, ele havia desaparecido. No braço de Emanuela, uma marca havia surgido, uma pequena cicatriz, exatamente no local onde, séculos atrás, aquele punhal a havia perfurado pela primeira vez.
São Paulo, 24 de Junho de 1996, Segunda-Feira.
Emanuela já não consegue ter tanta convicção de que Bianca é apenas um fruto de minha imaginação, não após o que aconteceu com aquele punhal, não após seu braço mostrar uma cicatriz que nunca havia existido, sem que ela houvesse se ferido.
Bianca, em mais uma conversa, contou-me que aquele pedaço de tecido pertencia ao vestido que ela usara quando havia perfurado com o punhal seu próprio peito, aquele sangue era dela, fora derramado por sua amada, mesmo que não por suas mãos, e somente ela, somente a verdadeira Emanuelle poderia fazê-lo ressurgir após tantos séculos, o Pacto de Amor e Sangue era eterno, seus sangues ainda corriam juntos, por isso, o simples fato de Emanuela ter tocado o punhal foi o suficiente para trazê-lo de volta, e também para derramar um pouco do seu, fazendo então surgir aquela misteriosa marca em seu braço. Após dormirmos, Bianca achou prudente levar o punhal consigo, evitando assim que Emanuela o mostrasse a qualquer pessoa.

Bolo nega maluca vegano (sem ovos e sem leite)

Ontem foi segunda feira… Dia de publicar na categoria “Segunda Feira sem Carne”… Não o fiz porque esqueci de fotografar a receita de bolo vegano que testei no final de semana! Então, estou compartilhando a receita do blog Maria Mestre Cuca! Foi este bolo que testei, experimentei e aprovei! Muito bom mesmo!

Maria mestre-cuca

Ao procurar na internet por receitas de bolos de chocolate veganos (sem a adição de leite, ovos e derivados) não achei nenhuma que fosse apetitosa e verdadeiramente vegana (muitas continham achocolatado em pó ou nata, ingredientes que possuem leite em sua composição), então resolvi adaptar uma receita comum de nega maluca. O bolo ficou tão gostoso quanto o convencional e supri a vontade e a necessidade das pessoas que não podem ou querem consumir esses ingredientes (vegans e intolerantes à lactose). Experimente!

Massa

Ingredientes:

2 xícaras de farinha de trigo

1 e ½ xícaras de açúcar

1 e ¼ de xícaras de água (fervente)

½ xícara de chocolate em pó

½ xícara de óleo

1 colher de chá de bicarbonato de sódio

3 colheres de sopa de linhaça dourada

6 colheres de sopa de água

Modo de preparo:

Ponha a linhaça de molho nas 6 colheres de sopa de água…

Ver o post original 214 mais palavras

Num dia qualquer

E assim
Num dia qualquer
Num lugar qualquer
Num qualquer eterno instante
Duas almas
Num olhar se cruzaram

Assim
Elas se amaram
Conto de fadas
Amor impossível
Imprevisível
Domínio do coração sobre o ser
Ou do ser sobre si mesmo

Assim
As pobres almas se feriram
Sangraram
E quanto mais sofreram
Mais se amaram

PUBLICADA - Num dia qualquer

Qual o sentido?

Qual o sentido
Da existência solitária
Da dor
Do amor
Desse mundo perdido
Da perdida inocência?
 
Do alto do castelo
Espero o herói encantado
Mas o castelo há muito se desfez
E me resta apenas a janela
A rua
E uma alma nua
 
Mais um capítulo do conto de fadas desventurado
Desse mundo de insensatez
Mundo apressado
Onde a ilusão acaba
E o amor é tênue chama de uma vela
E tudo o que resta
Esperar
E, em silencio,
Amar

PUBLICADA - Qual o sentido

O diário de Mary (XIII)

BIANCA

São Paulo, 19 de Junho de 1996, Quarta-Feira. Emanuela ficou em choque quando lhe disse que sabia de quem ela gostava. Disse que estou louca, que ela jamais teve tendências homossexuais… Foi uma conversa difícil, mas pude sentir que Bianca tem razão e várias dúvidas penetraram aquele coração. Mais tarde, em casa, fiquei pensando sobre tudo o que tem acontecido, sinto que tudo isto é uma caminhada sem volta, pois a partir do momento em que Bianca e Emanuela se encontrarem, ela deixará para sempre este mundo, unindo-se a seu Amor, é certo, mas extinguindo para sempre os rastros de seu sangue sobre este planeta… Ou não, afinal, quantos outros ramos familiares dela deve haver espalhados por aí, quem garante que duas pessoas desconhecidas não tenham ao menos um ancestral em comum perdido através dos séculos? Bianca apareceu esta madrugada, para mais uma conversa: -Olá Mary! -Bianca! Que prazer vê-la! -Precisamos conversar… -Fiz algo errado? Estou tentando convencer Emanuela a teu respeito, mas não é nada simples… -Calma, não é sobre isso. Você está indo muito bem… O assunto é outro. -Qual? -M. III. -O que houve com ele? -Nada, ele continua vivendo sua eternidade, alimentando-se, enfim, está tudo certo com ele. Mas temos um pequeno problema. -Problema? -Sim. M.III nunca trouxe ninguém para acompanhá-lo em sua eternidade, conversei com ele hoje sobre este assunto, e ele não pretende fazê-lo. Mas o que me incomoda é, se eu conseguir convencê-lo a fazê-la sua companheira, você tem certeza de que está preparada para deixar este mundo e todos que conhece? Seus amigos, sua família? -Desde que o vi, não consigo tirá-lo de meus pensamentos. -Devo considerar isso um sim, definitivamente? -Deve. -Quantos anos têm agora, Susan, ou melhor, Mary. -Dezesseis anos, Bianca. -Dezesseis anos… Pobre criança não tem ideia da eternidade, de sua grandeza e solidão… -Mas tenho ideia dos poucos anos que viverei sobre este mundo mortal, anos que para nós, são muitos, mas comparados a esta eternidade são ínfimos, anos que deverei vagar solitária por este mundo, sabendo que meu grande amor encontra-se solitário em algum ponto da eternidade. Aos dezesseis anos, você e Emanuela fizeram aquele pacto de sangue, sabiam o que era o Amor. -Sabíamos, mas pergunto-lhe, de que isso adiantou? Emanuela não teve coragem para me seguir, veja quantos séculos vaguei em busca dela, e agora, tenho que lutar para despertar em seu coração a lembrança de um amor enterrado pelo tempo… Você vai precisar de coragem para seguir M.III. -Segui-lo-ei até onde for necessário. -Vejo convicção em teus olhos. Ontem me perguntaste se Susan é de alguma forma tua antepassada. Posso responder-lhe tranquilamente que sim. Sua família originou-se da família formada por Leonna e Lúcio. Antes de morrer perdido no mar, Marcus teve dois filhos ilegítimos, com uma camponesa casada. Esses filhos foram criados pelo marido dela, que jamais desconfiou das traições da esposa. Eram um casal, Marcelle e Antony. Cada um deles tomou seu rumo, tendo filhos e netos e bisnetos, e, da mesma forma que se pode acompanhar na linhagem de Emanuelle, aconteceu na tua: árvores genealógicas cheias de ramificações… Teus pais, da mesma forma que os pais de Emanuela, têm em Susan uma antepassada em comum. Sabe qual deveria ter sido teu nome de batismo? -Susanne. -Exatamente, Susanne. Mas teus padrinhos não permitiram, insistiram em Mary, talvez, inconscientemente, Mary seja um diminutivo de Marianne. -Posso te perguntar uma coisa? -Sim? -E Cristhine? A vampira que lhe trouxe para este mundo? -Ainda somos grandes amigas, ela conseguiu encontrar sua companheira de eternidade, vivem em uma ruína Grega… São Paulo, 20 de Junho de 1996, Quinta-Feira.        Emanuela ainda não consegue acreditar na existência de Bianca, para ela, tudo isso não passa de uma invenção da minha mente sem ocupação… Ela até me confessou o sentimento que efetivamente nutre por mim, mas têm certeza de que deve ter deixado ao meu alcance alguma carta ou seu diário, alguma anotação onde confesse isto… Se ao menos Bianca concordasse em revelar-se por alguns segundos, se deixasse Emanuela sentir-lhe o olhar, o leve odor de rosas, tocar aquelas mãos frias, mas ao mesmo tempo ardentes… Talvez Emanuela pudesse então compreender a solidão de quem a buscou por séculos a fio… Talvez… Enquanto isso, eu aguardo impaciente pelo contato de M., por menor que seja… Apenas um sonho, ou uma leve aparição… Por onde andará meu amor? Onde estará você, M.? São Paulo, 21 de Junho de 1996, Sexta-Feira.   Bianca apareceu em meu quarto esta noite, pediu-me que entregasse a Emanuela um embrulho, tratava-se de um objeto pesado, embrulhado em um pedaço de pano branco; não simplesmente entregar-lhe, mas entregar exatamente quando o relógio marcasse meia-noite, numa noite de lua nova, isso quer dizer que amanhã poderei fazê-lo, pois estamos no segundo dia dessa fase da lua. Pedirei a Emanuela que durma aqui em casa, para podermos estudar juntas, e, quando for o horário adequado, entregarei a ela o embrulho… Meu coração arde em curiosidade por saber o que se encontra oculto sob o pano branco… Nunca antes toquei um tecido assim, não parece nada com os sintéticos que costumo utilizar, nem com linho ou algodão… O que seria? Talvez seja seda…

Uma menina
Delicada donzela
Qual será sua sina?
Nesta vida, nesta aquarela?
 
Quais serão suas cores?
Seus amores?
Suas vaidades?
Seus valores?
 
O que se passará em sua alma?
Nos momentos de calma
De fúria
De angústia, de luxúria?
 
Certamente amará
Seu sentimento triunfará?
Ou como a onda batendo nas rochas, se despedaçará?
E numa fogueira de dor, seu coração se consumirá?
 

PUBLICADA-  Que será

Coxinha vegana

20-10-2014 - coxinha vegana  (2)

Ingredientes massa

  • 1 kg de mandioquinha cozida e espremida
  • 2 colheres de margarina
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • Sal a gosto

 Ingredientes para o recheio

  • ½ xícara de proteína de soja (pvt)
  • 1 lata de milho
  • 1 alho poro picadinho
  • Cebola, alho e sal a gosto
  • Azeite
  • 1 tomate
  • 2 colheres de farinha de trigo

Para empanar:

Farinha de rosca

Preparo:

Prepare primeiro o recheio:

Hidrate a PVT e escorra bem. Em uma panela coloque o azeite, o sal, a cebola, o alho, o alho poró e o tomate e refogue, depois coloque a PVT e o milho, refogue um pouco mais e acrescente uma xícara não muito cheia de água. Deixe cozinhar até quase secar. Quando estiver quase seco, prepare as duas colheres de farinha com um pouco de água em um copo, misture bem e acrescente ao recheio, sem deixar de mexer para não empelotar. Desligue o fogo, transfira o recheio para um pirex e deixe esfriar.

Prepare massa:

Mistures todos os ingredientes até formar uma massa homogênea.

Quando o recheio estiver frio, prepare as coxinhas. Pegue uma porção de massa, faça uma bolinha e abra como um disco na palma da mão, coloque um pouco de recheio e feche puxando as laterais para cima, moldando uma coxinha.

Passe numa mistura de água com farinha e em seguida na farinha de rosca. Frite em óleo bem quente.

Dicas:

A coxinha pode ser assada. Também é possível experimentar outras combinações de recheio.

O diário de Mary (XII)

BIANCA

São Paulo, 14 de Junho de 1996, Sexta-Feira.
Decidi que não contarei nada a Emanuela. Não diretamente. Estou digitando num disquete todos os meus sonhos, poemas e comentários e entregarei a ela, como se fosse apenas um livro que escrevi. Ela me confiou ontem a caixinha rosa onde guarda os poemas, com medo que os pais achem e leiam, então posso dizer que li e usei na “história”, e veremos o que ela acha…Bianca não aparece para me inspirar nada desde ontem, talvez também esteja exausta após tão longa viagem através dos tempos…As lembranças devem machucá-la…
São Paulo, 16 de Junho de 1996, Sábado.

Hoje Emanuela estava bastante desapontada, sente falta dos poemas… Entreguei-lhe o disquete com o relato de meus sonhos… O que ela achará?
Por onde estará Bianca? E Lorde M. III, por que não aparece? Quero vê-lo, vê-lo de verdade, frente a frente, não apenas em sonho. Quero tocar-lhe as mãos frias e sentir aqueles olhos sobre meu corpo.

São Paulo, 17 de Junho de 1996, Domingo.
 
Emanuela amou a história… Disse que tenho talento e deveria ser escritora. Disse a ela que é verdade, que eu escrevi os poemas e sonhei, noite após noite, cada cena que descrevi e que conheci Bianca e que estou apaixonada por M.; ela riu… Disse que eu preciso é arranjar um namorado e esquecer tudo isso… Talvez publicar o conto, quem sabe? Como é difícil explicar que o amor da vida dela é uma mulher que viveu há séculos atrás e agora a quer para si, para completar sua eternidade…
Bianca não tem aparecido em meus sonhos, nem em minhas noites. Não tenho tido mais inspirações poéticas. Emanuela ainda não acreditou que tudo que escrevi não é apenas fantasia. A cada momento, penso em M.III, não sei mais o que posso fazer o que posso pensar. Amo M.III? Como posso amar alguém que nunca vi? Ele existe? Bianca existe? Será que imaginei tudo isso? Mas, e os poemas?

São Paulo, 18 de Junho de 1996, Segunda-Feira.
 
Hoje pela manhã, logo que acordei, encontrei aos pés de minha cama uma rosa, uma única rosa. Peguei-a e um espinho perfurou meu dedo. Nunca antes eu havia parado e observado a beleza de uma gota de sangue a escorrer. Guardei a rosa com carinho em uma pasta e levei-a comigo ao colégio, para mostrá-la a Emanuela, contei-lhe onde e como encontrei aquela flor rubra… Isso pareceu deixá-la um tanto apreensiva.

São Paulo, 19 de Junho de 1996, Terça-Feira.
Acordei de madrugada, ainda estava muito escuro, um vento frio invadia meu quarto. Podia sentir a presença de Bianca. Ela surgiu, como se materializando no ar, bem em frente a minha cama. Vestia um vestido vermelho, longo, decotado e possivelmente, as costas ficariam de fora, não fosse uma capa negra, longa, que ia até os pés… Um leve cheiro de rosas invadia o ar… Seus olhos azuis me encaravam firmemente, enquanto falava devagar:
-Boa noite, Mary.
-Boa noite, Bianca.
-Sei que deve estar pensando que desapareci que a deixei na mão, mas saiba que estive sempre por aqui, só não queria fazer-me presente durante todo o tempo. Acho que deseja me fazer algumas perguntas, não?
-Por que não apareceu estes dias?
-Estive apenas observando teu comportamento. Arrisco-me a dizer que estás apaixonada.
-Por que apareceste para mim? Por que não apareceu diretamente para Emanuela?
-Tenho acompanhado a vida de vocês desde que nasceram, sei dos sentimentos que se passam em seus corações, principalmente no de Emanuela. Sei que você a ama, mas apenas como amiga. Já ela acredita amar-te, ela fica com garotos, mas pensa em você, não aceita sentir-se atraída por você.
-Emanuela? Ama-me?
-Não. Ela se sente atraída por você, acredita que a ama, ficou mais feliz do que você imagina quando você disse que os poemas eram teus, e mais desapontada do que ela mesma aceita, quando soube que eram na realidade os meus poemas.
-Isso não responde o porquê de não ter aparecido diretamente na vida dela, por que está tentando me usar para atraí-la?
-Ela pensa que te ama, resistiria muito se eu me revelasse a ela.
-Quem é M. III?
-Você sabe quem ele é, conheceu a vida dele.
-Eu o amo?
-Isso, apenas você poderá saber.
-Quero dizer, Susan é minha antepassada?
-Talvez. Susan e M. viveram uma linda história de amor, mas nunca houve um pacto de sangue entre os dois, Susan morreu naturalmente, ao dar a luz, nada obriga sua alma a vagar pelo mundo em busca de M. Porém, é possível que sejas a continuação do sangue de Susan sobre a terra, não te esqueças de que o sangue dela e o da família M. se misturaram, gerando um filho, que tomou o lugar do verdadeiro filho de M. e sua esposa, portanto, através deste labirinto de árvores genealógicas, pode muito bem acontecer de você ser uma parente distante de Susan, e de Emanuela, não se esqueça.
-Imagino todas as noites uma visita de M. sinto-me atraída por aqueles olhos frios e distantes, desejo-o.
-Sei disso, posso senti-lo.
-Onde ele está? Quero vê-lo.
-Chegamos a um ponto muito interessante… Veja bem, amo Emanuela, mas jamais poderia tentar aparecer em sua vida diretamente, ao menos enquanto ela alimentar a ilusão de que te ama. Você ama M., que jamais se recuperou da perda de Susan. Você está perto de Emanuela, eu estou perto de M., acredito que podemos nos ajudar.
-O que eu devo fazer?
-Convença-a de que o amor de sua vida sou eu, que é tudo real.
-Como?
-Existe uma coisa que ela jamais revelou a ninguém, mas que você sabe, pense.
-O que ela sente por mim?
-Garotinha esperta. Use isso. Fale para ela que você sabe o que tem se passado naquele coração, mas deixe bem claro que eu te contei, ela vai negar até o último instante, mas em seu íntimo, começará a surgir uma grande dúvida, ela começará a acreditar em minha existência. A propósito, mandarei um beijo teu a M.
Dizendo isso, Bianca desapareceu no ar novamente, da mesma maneira como havia aparecido. De sua presença ficou apenas o leve odor de rosas.