Pluto ou Um Deus chamado dinheiro (Aristófanes)

O que aconteceria se repentinamente apenas as pessoas honestas ganhassem dinheiro? 

Nesta comédia de Aristófanes, autor grego falecido por volta de 375 a.C, nos deparamos com Crêmilo, um homem íntegro inconformado em ver a riqueza nas mãos dos desonestos. Preocupado com o futuro de seu filho e em dúvida sobre educá-lo para ser um homem honesto e pobre ou um desonesto rico, Crêmilo procura o oráculo e descobre que Pluto, o Deus do dinheiro, está cego. A descoberta leva Crêmilo a traças um plano: Curar Pluto para que a riqueza possa ser distribuída com justiça, somente entre as pessoas boas. 

Por meio de diálogos engraçados, Aristófanes mostra o interesse de algumas camadas na manutenção da pobreza: O sacerdote alega que “uma vez que todos tem dinheiro, ninguém mais leva oferendas aos templos”. Além disso, a própria pobreza tenta fazer Crêmilo mudar de ideia, alegando que é ela a responsável pelo trabalho, sem pobreza não haveria trabalhadores para fazer os serviços pesados. 

Embora hoje a sociedade já não renda mais homenagens ao Deus Pluto, é inegável que a busca pelo dinheiro e riqueza converteu-se em um objetivo central, quase como uma religião em que o Deus é o dinheiro. E muitas vezes parece que a riqueza acumula-se com maior facilidade nas mãos dos desonestos Traçando um paralelo, podemos perceber também que há ainda hoje camadas a quem interessa a manutenção da diferença social – Se não houver pobres crédulos lotando templos, onde os mercadores da fé irão conseguir vender seus feijões, lenços e água consagradas por valores exorbitantes? 

Muito além de divertir, a peça de Aristófanes trás reflexões sobre a relação entre o homem e a riqueza e sobre a importância de exercitar o pensamento crítico para traçar paralelos entre o que lemos num momento de lazer e os fatos que permeiam a nossa vida em sociedade. 

E você que me lê, em algum momento já sentiu que as riquezas geradas pelo ser humano acumulam-se muitas vezes com pessoas desonestas? Acredita que o mundo seria mais justo se apenas os íntegros pudessem ganhar dinheiro ou acredita que a manutenção do abismo social é peça fundamental para o equilíbrio da sociedade? Criaria seu filho para ser honesto ainda que isso significasse ter pouco dinheiro ou preferiria criá-lo para ser um espertalhão rico? 

Por minha parte, acredito que devemos lutar pela construção de uma sociedade sem diferenças de classe, onde todos trabalhem e ganhem o suficiente para uma vida digna. Agora quero ler as respostas de vocês aos questionamentos – E de preferência, não deixem de ler o livro para refletir sobre essas questões. 

8 comentários sobre “Pluto ou Um Deus chamado dinheiro (Aristófanes)

  1. Ao contrário de você, não acredito ser possível uma sociedade justa e sem divisão de classes. Até porque o sistema capitalista que aí está se alimenta da desigualdade e a fomenta, provocando a idéia absurda de meritocracia. Aliás, tem um filme chamado Parasita que escancara justamente o que é o capitalismo e como o sistema leva todos a guerra, pessoal e coletiva.

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    • Eu acredito numa sociedade sem classes… Mas pra isso teríamos que derrubar o capitalismo.
      Se um dia será possível? Não sei.
      Mas a gente segue tentando, afinal todo mundo precisa de uma motivação/missão na vida né?

      Abraços!

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  2. Não conhecia a obra do post, com certeza vou procurar pra ler. Quanto ao seu questionamento, já me peguei pensando sim que a riqueza de acumula nas mãos de poucos (acho que todo mundo já pensou, né?) mas nunca pensei em termos de honestidade/desonestidade. E pensando agora acho que o acúmulo nas mãos de poucos não é válido de qualquer forma, mesmo que fosse apenas nas mãos de pessoas honestas. Então, concordo quando você diz que todos deveriam ganhar o suficiente para uma vida – mais do que digna – confortável. Mas eu concordo ainda mais o comentário da Lunna e também acho ser praticamente impossível uma sociedade justa sem divisão de classes. Não sei se sou muito pessimista mas não consigo ver isso acontecendo.

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    • Como eu respondi pra Lunna: No capitalismo é realmente impossível. Por isso sigo, junto a outras pessoas, na luta para derrubar esse sistema absurdo. Talvez não consiga nunca, mas é uma boa motivação/missão de vida ♡

      Abraços

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  3. Sou anarquista, no sentido de que devamos alcançar uma sociedade igualitária, baseado no bem estar coletivo pelo respeito às liberdades individuais sem precisar imposição ou coerção. Isso passa pela adoção consciente da diminuição do tamanho da humanidade em população e demanda. O que acarretaria que os outros seres viventes no planeta tenham respeitados seus habitats e chances de sobrevivência sem nossa intervenção. Ou seja, uma utopia. Mas que ainda assim espero que seja um estágio possível em nosso desenvolvimento como seres um dia. Não agora, nem tão cedo, talvez nunca. Se quase há 2.500 anos antes já se discutia sobre questões que não foram reduzidas até hoje, qual seria a alternativa? Para mim, como você, Darlene, lutar a batalha possível, hoje, porque acreditamos na construção de uma sociedade melhor.

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  4. Sei lá, na minha cabeça essa história de que sem a diferença de classes as coisas não funcionariam realmente parece uma grande lorota pra resignar as pessoas ao “o de cima sobe e o de baixo desce”. Mesmo que a pessoa tenha ganhado o dinheiro honestamente, não acho honesto uma pessoa (ou um pequeno grupo) acumular mais dinheiro do que toda uma sociedade somada, sabe? Se a pessoa tem como alimentar diversas gerações e continua acumulando enquanto tem gente morrendo de fome aqui e agora, pronto, tá errada!

    Mas é claro que, dentro do capitalismo, o objetivo é esse mesmo. Poucos nadando sobre os muitos miseráveis. Queria ver como ficaria o quadro se realmente a riqueza fosse baseada no caráter, mas aí já é utopia demais sonhar com isso…

    Quem sabe um dia!

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