Resenha: Isso ninguém me tira

Dora e Gabi são primas – Gabi, a prima da cidade grande é cheia de ideias, de busca pela independência e vários interesses e curiosidades sobre o mundo. Dora é a prima do interior que veio morar na cidade grande para estudar, mas só pensa em se casar, voltar para o interior e ter sua própria família. Apesar das diferenças elas são muito amigas e Dora sempre conta para Gabi (e para todos que quiserem saber) sobre sua paixão idílica e completamente platônica por Bruno, um menino mais velho que estuda no mesmo colégio que ela. Tudo começa a se complicar quando Gabi e Bruno se conhecem e se apaixonam. Para a família de Gabi, o envolvimento dela com o garoto é uma grande traição aos sentimentos da prima.

Isso ninguém me tira poderia ser apenas mais um romance adolescente, com um triângulo amoroso entre primas, porém Ana Maria Machado entrega mais do que isso: O livro não fala apenas sobre namoro, mas sobre lutar pelo que se deseja, seja namoro, trabalho ou amizades. Nesse sentido, Gabi é uma adolescente bastante madura e firme, enquanto Dora, em sua simplicidade e timidez, é uma menina tradicional, que não busca explorar as próprias oportunidades. E Bruno? Bom, Bruno é o típico namorado que apoia a namorada, mas só até certo ponto, sentindo-se preterido quando ela toma suas próprias decisões sem  consultar antes – Ou seja, mesmo sem querer, Bruno é machista. Sem falar a palavra feminismo, Ana Maria Machado acabou criando uma trama feminista para adolescentes, pois a frase do título Isso ninguém me tira não se refere ao namoro e sim à descoberta da independência e da possibilidade de escolhas.

Segunda sem carne – Escritoras e escritores vegetarianos

Inicialmente minha intenção era publicar um pequeno artigo sobre personagens vegetarianos na literatura. Pesquisando, encontrei pouca coisa e ao mesmo tempo fiquei surpresa por descobrir pessoas importantes que foram vegetarianas. Vamos conferir?

1. Jean-Jacques Rousseau: O filósofo e escritor suíço famoso por seus textos políticos era adepto do vegetarianismo.

2. Willian Blake: Pintor e poeta inglês, Blake foi adepto do vegetarianismo, defendendo que alimentos saudáveis não precisam “de redes ou armadilhas”

3. Mary Wollstonecraft Shelley: Sim, a criadora de Frankenstein cresceu em uma família que simpatizava com o vegetarianismo e casou-se com Percy Shelley, também vegetariano. O próprio Frankenstein também é uma personagem vegetariana.

4. Pitágoras: Foi uma surpresa descobrir que na Grécia antiga já havia uma preocupação sobre a alimentação humana e os animais. Não apenas Pitágoras mas também seus seguidores, eram vegetarianos.

5. Liev Tolstói: O escritor russo era adepto do vegetarianismo e de uma vida simples.

Quer saber mais? Visite os sites que eu utilizei na pesquisa!

Jean-Jacques Rousseau:

Cantinho Vegetariano

As dietas de Rousseau: O caso do Emílio

Willian Blake

Cantinho Vegetariano

David Arioch – Jornalismo Cultural

Mary W. Shelley

O vegetarianismo na literatura de Mary Shelley

Frankenstein e o silenciamento das feministas vegetarianas

Pitágoras

David Arioch – Jornalismo Cultural

O vegetarianismo ao longo da história da humanidade

Liev Tolstói

Vegazeta: Tolstói e o vegetarianismo

Como Tolstói influenciou o vegetarianismo na Rússia

O que Tolstói escreveu sobre o vegetarianismo

Outras personalidades:

O bigode do Poe

8 figuras históricas que defendiam o vegetarianismo

Resenha: O que vale é a intenção (Mallika Chopra)

Finalmente um livro sobre desenvolvimento pessoal/auto-ajuda que não parece uma lavagem cerebral indutora ao cristianismo – Nada contra cristãos, mas as pessoas não são obrigadas a crer nas mesmas coisas e é muito irritante quando um autor tenta justificar absolutamente tudo com a bíblia ou a vontade de Deus, como se a única lógica do mundo fosse “leia a bíblia ou não evolua/melhore nunca”.

                O livro fala sobre a busca por uma vida com intenção e propósito e através de um relato pessoal da autora disponibiliza meios para que o leitor repense o seu dia a dia buscando conhecimento sobre o que realmente o faz feliz e como isso pode ser um propósito maior, impactando as pessoas ao redor e promovendo uma melhora no mundo em que vivemos.

                Vale lembrar que as realidades humanas são diversas entre si, então o “caminho” percorrido pela autora pode não se adequar às realidades de quem lê. E tudo bem. Livros não são guias obrigatórios, são apenas instigações, convites a pensar e sugestões de mudança. Tentar seguir os mesmos caminhos de qualquer pessoa é uma receita certa para a frustração uma vez que não existem pessoas idênticas com vidas e prioridades idênticas – As experiências da autora são DELA e podem servir de inspiração para outras pessoas.                

Sem dúvidas é uma leitura válida. Mas eu ainda prefiro um bom romance.

Resenha: 24 horas na vida de uma mulher – Stefan Zweig

Você acredita que um único dia pode mudar completamente os rumos de uma vida? Um seleto grupo de turistas discute acaloradamente sobre uma mãe-esposa de trinta e três anos que, de uma hora para outra, abandona marido e filhas para seguir um francês jovem e elegante que havia acabado de conhecer. Enquanto a grande maioria ataca a adúltera sem piedade, um único homem a defende, atitude que desperta a atenção de uma senhora e leva a uma amizade que resultará em uma longa e emocionante confissão. 

Vinte e quatro horas na vida de uma mulher fala sobre sentimentos confusos e arrebatadores, sobre vícios e sobre como uma sociedade pode ser cruel em seus julgamentos – principalmente quando uma mulher se atreve a vivenciar seus desejos. 

Trata-se de uma obra curta, intensa e dramática, sem apelos românticos, com uma trama tensa e uma ambientação sombria.  

O autor vienense filho de judeus nascido em 1881 acabou emigrando para a Inglaterra  quando deu-se a chegada de Hitler ao poder e posteriormente mudou-se  para o Brasil, onde cometeu suicídio juntamente com a esposa, em 1942. 

Para fotos do livro, siga @poetisa_darlene

Livro VS filme: Dumplin. [BEDA 17]

Dumplim é um livro sobre adolescência, amor, amizade, família, sonhos e principalmente sobre a influência que o peso corporal pode exercer sobre todos os campos da vida – Ainda mais se você é uma adolescente obesa em uma pequena cidade onde o principal evento é um tradicional concurso de beleza e sua mãe já foi ganhadora do concurso e é muito popular e admirada.O filme tem no elenco nomes como Jennifer Aniston e Danielle Maconald, atrizes que interpretam os papéis de mãe e filha causando vários momentos de riso e descontração. Já o livro, escrito por Julie Murphy, presenteia o leitor com uma leitura leve, divertida e bastante jovial. O respeito aos ao próprio corpo e ao corpo do outro é uma pauta fundamental nos tempos em que vivemos, por isso Dumplin, livro ou filme, é uma ótima dica de entretenimento com qualidade.

Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day August).

Harry Potter e a ressaca literária. (Beda 7)

Não, a autora não lançou um novo livro com esse título bizarro.
O termo ressaca literária sempre me pareceu estranho – Até chegar um momento em que nenhuma leitura nova parecia minimamente tentadora. Tudo bem passar um ou dois dias sem ler. Mas no terceiro dia já estava aflita e decidi reler uma das minhas sagas literárias favoritas: Harry Potter.
A verdade é que eu só tenho os quatro primeiros volumes da série em casa – Os outros eu li anos atrás na biblioteca municipal. Mesmo assim foi muito gostoso reler a saga do menino que se descobre bruxo e precisa crescer, aprender com a própria história e enfrentar seu maior inimigo.
Harry Potter deveria ser leitura obrigatória na vida de crianças, adolescentes e jovens adultos!

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Resenha: A poética do brincar [BEDA 03]

Apesar de pequeno em seu tamanho físico “A poética do brincar” é um livro gigante em conteúdo.A autora, doutoranda em psicologia pela PUC-SP e mestre em Artes Cênicas pela ECA-USP desvenda, nesta obra fundamental os meandros do pensamento infantil e a importância do brincar como uma forma lúdica, livre e poética de aprendizado e transição entre a infância e a idade adulta.

Apesar da importância do tema, Marina nos presenteia com uma obra leve, permeada por pequenas histórias e trechos poéticos. 

Uma leitura fundamental não apenas para profissionais da educação, mas para famílias e pessoas que pensam em ter filhos, “A poética do brincar” desperta reflexões sobre a importância de deixar a criança ser…  Criança. Sem utilitarismo ou tecnicismo. Sem pressa de amadurecer. O brincar permite a descoberta saudável do mundo. 

Indico que após a leitura, assistam o documentário “Tarja Branca”.

A educação de nossas crianças é fundamental para a construção de uma sociedade saudável, plena e humanizada. 

Autora: Marina Marcondes Machado

Edições Loyola – 2ª Edição, 2004

73 páginas.

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Pluto ou Um Deus chamado dinheiro (Aristófanes)

O que aconteceria se repentinamente apenas as pessoas honestas ganhassem dinheiro? 

Nesta comédia de Aristófanes, autor grego falecido por volta de 375 a.C, nos deparamos com Crêmilo, um homem íntegro inconformado em ver a riqueza nas mãos dos desonestos. Preocupado com o futuro de seu filho e em dúvida sobre educá-lo para ser um homem honesto e pobre ou um desonesto rico, Crêmilo procura o oráculo e descobre que Pluto, o Deus do dinheiro, está cego. A descoberta leva Crêmilo a traças um plano: Curar Pluto para que a riqueza possa ser distribuída com justiça, somente entre as pessoas boas. 

Por meio de diálogos engraçados, Aristófanes mostra o interesse de algumas camadas na manutenção da pobreza: O sacerdote alega que “uma vez que todos tem dinheiro, ninguém mais leva oferendas aos templos”. Além disso, a própria pobreza tenta fazer Crêmilo mudar de ideia, alegando que é ela a responsável pelo trabalho, sem pobreza não haveria trabalhadores para fazer os serviços pesados. 

Embora hoje a sociedade já não renda mais homenagens ao Deus Pluto, é inegável que a busca pelo dinheiro e riqueza converteu-se em um objetivo central, quase como uma religião em que o Deus é o dinheiro. E muitas vezes parece que a riqueza acumula-se com maior facilidade nas mãos dos desonestos Traçando um paralelo, podemos perceber também que há ainda hoje camadas a quem interessa a manutenção da diferença social – Se não houver pobres crédulos lotando templos, onde os mercadores da fé irão conseguir vender seus feijões, lenços e água consagradas por valores exorbitantes? 

Muito além de divertir, a peça de Aristófanes trás reflexões sobre a relação entre o homem e a riqueza e sobre a importância de exercitar o pensamento crítico para traçar paralelos entre o que lemos num momento de lazer e os fatos que permeiam a nossa vida em sociedade. 

E você que me lê, em algum momento já sentiu que as riquezas geradas pelo ser humano acumulam-se muitas vezes com pessoas desonestas? Acredita que o mundo seria mais justo se apenas os íntegros pudessem ganhar dinheiro ou acredita que a manutenção do abismo social é peça fundamental para o equilíbrio da sociedade? Criaria seu filho para ser honesto ainda que isso significasse ter pouco dinheiro ou preferiria criá-lo para ser um espertalhão rico? 

Por minha parte, acredito que devemos lutar pela construção de uma sociedade sem diferenças de classe, onde todos trabalhem e ganhem o suficiente para uma vida digna. Agora quero ler as respostas de vocês aos questionamentos – E de preferência, não deixem de ler o livro para refletir sobre essas questões. 

Amor expresso – Adriana Aneli

Amor expresso é um livro saboroso como um bom café expresso moído na hora, servido quente, forte e sem açúcar – Só quem ama café sabe como é gostoso sorver uma xícara da bebida.

A obra, escrita por Adriana Aneli, publicada pela editora Scenarium e ilustrada por Cristina Arruda chega a sua décima primeira edição e presenteia o leitor com micro-contos repletos de amor e café!

Como sempre, a Scenarium capricha na confecção do livro totalmente artesanal, uma verdadeira obra de arte capaz de encantar os olhos. O tipo de livro perfeito para presentear alguém especial.

Dica literária: Cartas de amor de Paris [BEDA 03]

Você já leu uma história de amor super clichê, que envolve o reencontro de um casal depois de uma vida toda? Cartas de amor de Paris poderia ser um romance clichê água com açúcar, não fosse por um detalhe: Não é uma narrativa ficcional e sim o relato da história vivida por Samantha Vérant.

            Em 1989 em uma viagem pela Europa, Samantha conhece o homem dos seus sonhos, Jean-Luc. O romance de apenas um dia termina quando ela parte para o próximo destino do itinerário, despedindo-se dele em uma plataforma de trem. Apesar de estar apaixonada por Jean, Samantha ignora todas as cartas de amor que o rapaz insiste em enviar desaparecendo da vida dele.

            Vinte anos depois, dividindo a cama com o cachorro e prestes a se divorciar, Samantha se questiona: Onde tudo começou a dar errado?

            A narrativa é leve, fluída e divertida – Especialmente se levarmos em consideração o número de coisas pornográficas que podem ser pedidas por engano em francês quando tudo o que se quer é pedir um canudo ou dizer que está aguardando o mês de Julho. Enquanto Samantha nos conta o reencontro com o amor, descortina-se nas entrelinhas a importância das verdadeiras amizades, do apoio familiar e da coragem para enfrentar novos desafios quando tudo parece determinado ao fracasso.

            E você? Responderia uma carta de amor com vinte anos de atraso?


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