Resenha: 24 horas na vida de uma mulher – Stefan Zweig

Você acredita que um único dia pode mudar completamente os rumos de uma vida? Um seleto grupo de turistas discute acaloradamente sobre uma mãe-esposa de trinta e três anos que, de uma hora para outra, abandona marido e filhas para seguir um francês jovem e elegante que havia acabado de conhecer. Enquanto a grande maioria ataca a adúltera sem piedade, um único homem a defende, atitude que desperta a atenção de uma senhora e leva a uma amizade que resultará em uma longa e emocionante confissão. 

Vinte e quatro horas na vida de uma mulher fala sobre sentimentos confusos e arrebatadores, sobre vícios e sobre como uma sociedade pode ser cruel em seus julgamentos – principalmente quando uma mulher se atreve a vivenciar seus desejos. 

Trata-se de uma obra curta, intensa e dramática, sem apelos românticos, com uma trama tensa e uma ambientação sombria.  

O autor vienense filho de judeus nascido em 1881 acabou emigrando para a Inglaterra  quando deu-se a chegada de Hitler ao poder e posteriormente mudou-se  para o Brasil, onde cometeu suicídio juntamente com a esposa, em 1942. 

Para fotos do livro, siga @poetisa_darlene

Pluto ou Um Deus chamado dinheiro (Aristófanes)

O que aconteceria se repentinamente apenas as pessoas honestas ganhassem dinheiro? 

Nesta comédia de Aristófanes, autor grego falecido por volta de 375 a.C, nos deparamos com Crêmilo, um homem íntegro inconformado em ver a riqueza nas mãos dos desonestos. Preocupado com o futuro de seu filho e em dúvida sobre educá-lo para ser um homem honesto e pobre ou um desonesto rico, Crêmilo procura o oráculo e descobre que Pluto, o Deus do dinheiro, está cego. A descoberta leva Crêmilo a traças um plano: Curar Pluto para que a riqueza possa ser distribuída com justiça, somente entre as pessoas boas. 

Por meio de diálogos engraçados, Aristófanes mostra o interesse de algumas camadas na manutenção da pobreza: O sacerdote alega que “uma vez que todos tem dinheiro, ninguém mais leva oferendas aos templos”. Além disso, a própria pobreza tenta fazer Crêmilo mudar de ideia, alegando que é ela a responsável pelo trabalho, sem pobreza não haveria trabalhadores para fazer os serviços pesados. 

Embora hoje a sociedade já não renda mais homenagens ao Deus Pluto, é inegável que a busca pelo dinheiro e riqueza converteu-se em um objetivo central, quase como uma religião em que o Deus é o dinheiro. E muitas vezes parece que a riqueza acumula-se com maior facilidade nas mãos dos desonestos Traçando um paralelo, podemos perceber também que há ainda hoje camadas a quem interessa a manutenção da diferença social – Se não houver pobres crédulos lotando templos, onde os mercadores da fé irão conseguir vender seus feijões, lenços e água consagradas por valores exorbitantes? 

Muito além de divertir, a peça de Aristófanes trás reflexões sobre a relação entre o homem e a riqueza e sobre a importância de exercitar o pensamento crítico para traçar paralelos entre o que lemos num momento de lazer e os fatos que permeiam a nossa vida em sociedade. 

E você que me lê, em algum momento já sentiu que as riquezas geradas pelo ser humano acumulam-se muitas vezes com pessoas desonestas? Acredita que o mundo seria mais justo se apenas os íntegros pudessem ganhar dinheiro ou acredita que a manutenção do abismo social é peça fundamental para o equilíbrio da sociedade? Criaria seu filho para ser honesto ainda que isso significasse ter pouco dinheiro ou preferiria criá-lo para ser um espertalhão rico? 

Por minha parte, acredito que devemos lutar pela construção de uma sociedade sem diferenças de classe, onde todos trabalhem e ganhem o suficiente para uma vida digna. Agora quero ler as respostas de vocês aos questionamentos – E de preferência, não deixem de ler o livro para refletir sobre essas questões. 

Dica de leitura: Rua 2 [BEDA 10]

“Caro Leitor, você acaba de receber em mãos um livro artesanal produzido pela Scenarium e aqui vão algumas instruções de uso…

Aprecie a capa… ela é como um velho portão, que dá entrada para uma realidade de páginas devidamente numeradas. Verifique o número do seu exemplar… E depois a sequência de páginas. A menos que o projeto seja insano, a sequência é como a das casas, de um lado você encontrará os números pares e, de outro, os ímpares…”

As palavras acima são as primeiras linhas escritas no livro “Rua 2” , contos de Obdulio Nuñes Ortega.

Em textos curtos, que em sua maioria recebem como título o número das casas onde moram as personagens, Obdulio nos apresenta personagens urbanas detentoras de personalidades únicas que leva o leitor a sentir uma interação com a personagem. A estrutura da obra, aliada a capacidade criativa e refinada observação humana do autor faz do livro Rua 2 uma obra genial.  Destaco aqui os textos: Morador da rua 2, casa 11, casa 9, casa 15, casa 2, linhas cruzadas e Pescoços quebrados da rua 2. Não me atrevo a dizer que são os melhores textos do livro por acreditar que é impossível estabelecer este tipo de juízo. Prefiro dizer que são os textos que mais gostei dentro de um livro dinâmico, envolvente, gostoso de ler e que deveria ser parte da lista de leituras de quem realmente aprecia a literatura brasileira.

Quer ler? Acesse a Scenarium Plural e adquira seu exemplar!

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Dica literária: Cartas de amor de Paris [BEDA 03]

Você já leu uma história de amor super clichê, que envolve o reencontro de um casal depois de uma vida toda? Cartas de amor de Paris poderia ser um romance clichê água com açúcar, não fosse por um detalhe: Não é uma narrativa ficcional e sim o relato da história vivida por Samantha Vérant.

            Em 1989 em uma viagem pela Europa, Samantha conhece o homem dos seus sonhos, Jean-Luc. O romance de apenas um dia termina quando ela parte para o próximo destino do itinerário, despedindo-se dele em uma plataforma de trem. Apesar de estar apaixonada por Jean, Samantha ignora todas as cartas de amor que o rapaz insiste em enviar desaparecendo da vida dele.

            Vinte anos depois, dividindo a cama com o cachorro e prestes a se divorciar, Samantha se questiona: Onde tudo começou a dar errado?

            A narrativa é leve, fluída e divertida – Especialmente se levarmos em consideração o número de coisas pornográficas que podem ser pedidas por engano em francês quando tudo o que se quer é pedir um canudo ou dizer que está aguardando o mês de Julho. Enquanto Samantha nos conta o reencontro com o amor, descortina-se nas entrelinhas a importância das verdadeiras amizades, do apoio familiar e da coragem para enfrentar novos desafios quando tudo parece determinado ao fracasso.

            E você? Responderia uma carta de amor com vinte anos de atraso?


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Resenha: Feliz Ano Velho

“(…) O aroma do chocotone no forno interrompeu os pensamentos trazendo lembranças de outros Natais mais felizes. Em um deles, a cozinha havia sido dividida com o dono de seu coração. Mãos grudentas de massa, chocolate picado. Ela tinha uma receita especial: Não perdia tempo decidindo entre as passas ou o chocolate. Colocava logo um pouco de cada coisa! Passas, frutas cristalizadas, gotas de chocolate. Os corpos próximos, as mãos se tocando, o sorriso dele misturado ao dela. Ingredientes secretos daqueles preciosos pães natalinos. (…)”.

            O trecho acima faz parte da crônica “Um chá com a solidão”, minha contribuição para o livro “Feliz Ano Velho”, organizado e editado pela escritora Lunna Guedes e publicado pela Scenarium Plural. A obra, dividida em Crônicas ao Passado e Cartas ao Futuro reúne autores e autoras que conseguiram transformar em arte os medos, dissabores e esperanças do ano de 2020. Não se trata de um relato da pandemia que nos assola, embora a realidade inevitavelmente se reflita nos textos. Feliz Ano Velho é um livro intimista, delicioso de ler e reler, talvez com a companhia de uma boa xícara de chá.

Dica literária: Alice, uma voz nas pedras (Lunna Guedes)

            Como falar sobre Alice sem sentir um nó no fundo da alma? Alice poderia ser qualquer menina-mulher revivendo seus lugares, seus sonhos desfeitos, seus traumas e esperanças perdidas. Criada com recato acreditou no “(…) e foram felizes para sempre”, no príncipe encantado, fez tudo certo: Casou pura, submissa, doméstica. Infelizmente para ela e para tantas outras mulheres, a violência se esconde atrás de rostos bondosos e sorriso e até mesmo nos pedidos de desculpas após um momento de descontrole – Um penoso processo de desconstrução da auto-estima e da personalidade nem sempre percebido pela vítima, que vai se afundando – Afinal, de tanto ouvir que não sabe fazer nada direito, ela acredita. Acredita que é sorte ter um homem ao lado. O mais dolorido é perceber que todo esse processo muitas vezes começa na infância, na relação com o pai e vai se estendendo ao namoro, ao casamento. E vai se tornando normal quando os sorrisos começam a faltar, substituídos por explosões de raiva, socos na mesa, humilhação e agressões, acompanhadas de isolamento e muitas vezes, impossibilidade de contar com a família para sair da situação de perigo. Essa é Alice – Uma mulher que existe nas assustadoras estatísticas de brasileiras, poderia ser você,  ou sua amiga ou uma mulher da sua família. Quem sabe?  O que chama a atenção em Alice é acima de tudo a escrita da autora Lunna Guedes, que nos leva a um longo passeio por dentro da alma partida da personagem e, ao mesmo tempo, por recantos da cidade de Teodoro e pelas vidas de outras personagens que, ao final se entrelaçam na trama. Apesar do tema denso, Lunna Guedes consegue utilizar-se das palavras com a etérea leveza de uma prosa poética – E provavelmente seja esse o motivo de tantas vezes ser necessário parar a leitura e beber água para desfazer o nó na garganta, a vontade de amparar e dizer que vai ficar tudo bem enquanto a personagem nos conduz ao longo de sua história até culminar em um final surpreendente.

Resenha: A metamorfose

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante de seus olhos”. O parágrafo transcrito é o ponto de partida de “A metamorfose”, um dos romances mais conhecidos de Franz Kafka, um jovem judeu nascido em Praga que adotou o alemão como seu idioma.

Kafka descreve o horror da situação com uma naturalidade assustadora: A reação da família e do próprio Gregor pode ser resumida em um grande susto, seguido pelas providências necessárias para re-arranjar a rotina de forma prática e objetiva: A quem compete cuidar do monstro no quarto? Onde conseguir dinheiro? O transformar-se em um inseto, neste contexto, parece uma tragédia relativamente comum, apenas mais um percalço qualquer que poderia ter acontecido com qualquer família e ocorreu com a família Samsa. Não há tentativas de entender o motivo da situação ou buscas desesperadas por uma cura, nem mesmo há uma tentativa de integrar a existência de Gregor ao restante da família, ao contrário, Kafka descreve o apagar gradual da importância daquele homem que, ao ser transmutado em inseto, torna-se apenas um peso para a família.

Em que pese ser uma leitura bastante simples, A metamorfose pode ser considerado um questionamento acerca do valor da vida humana dentro do sistema social – Gregor é visto como humano enquanto é capaz de produzir. Perdida essa capacidade, perde-se a humanidade também. Há também estudos que apontam “A metamorfose” como um texto literário voltado aos direitos humanos: Gregor perdeu sua humanidade a partir do momento em que viu-se transformado em uma asqueroso inseto? Ou a vida desapaixonada que levava – descrita numa tediosa toada casa-trabalho-casa – já havia lhe sugado a humanidade e o acordar transformado em inseto foi apenas o resultado disso? E o final da personagem? Seria a solução natural, ou seria a forma de escapar da desumanização completa, de recusar uma não-vida?

É importante que ao ler uma obra deste calibre, busque-se um aporte teórico em artigos – No caso de “A metamormofose”, encontra-se artigos em várias áreas do conhecimento humano: Psicologia, literatura, filosofia e direito estudaram a novela e a vida do autor, permitindo a partir disso traçar teorias sobre os significados implícitos das personagens. Ler Kafka sem este apoio é plenamente possível, mas tornaria a leitura apenas mais uma distração angustiante ao passo que ao ler e buscar aporte teórico amplia-se o horizonte de visão, permitindo um desenvolvimento do pensamento crítico e atingindo-se um patamar mais alto de aproveitamento da leitura, por isso deixo ao final do texto uma breve bibliografia com textos e vídeos que encontrei e achei pertinentes.

Bibliografia:

CARONE, Modesto. O parasita da família: sobre “A Metamorfose” de Kafka. Psicol. USP,  São Paulo ,  v. 3, n. 1-2, p. 131-141,   1992 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771992000100013&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  26  out.  2020.

Castro, Alexandre de Carvalho e Leão, Luís Henrique da CostaA metamorfose e o campo da saúde mental de trabalhadores: uma análise bakthiniana. Ciência & Saúde Coletiva [online]. v. 25, n. 9 [Acessado 26 Outubro 2020] , pp. 3615-3624. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232020259.28652018&gt;. ISSN 1678-4561. https://doi.org/10.1590/1413-81232020259.28652018.

GRUBBA. Leilane Serratine. OLIVO. Mikhail Vieira Cancelier de. Kafka. A Metamorfose para os direitos humanos. Revista Direito e Práxis, vol.3, num. 2, 2011,PP 103-121, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Brasil. Disponível em:

KOSIK. Karel. O século de Grete Samsa. Sobre a possibilidade e a impossibilidade do trágico no nosso tempo. Tradução de Leandro Konder. Publicado na revista do programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Rio de Janeiro, Brasil Edição nº 8, Março de 1996. Disponível em:

Antologia Quimeras de Natal: Sonhos no Gelo

Quero compartilhar com vocês duas alegrias que tive essa semana:

A primeira foi ter sido selecionada para a Antologia Quimeras de Natal: Sonhos no Gelo que será lançado dia 23-12. Quem me conhece sabe que escrever significa muito para mim, então ser selecionada é um motivo de enorme alegria – Ainda mais considerando que o meu texto estará ao lado de textos de autores e autoras incríveis!

A segunda alegria foi saber que haverá um evento on line que contará com a presença dos autores selecionados e de outros autores da Editora e terá bate papo, leituras, sorteios e muito mais e que parte do valor arrecadado com a venda dos ingressos e da Antologia será revertida em donativos para a OAIB Obra de Assistência a Infância de Bangu. É muito bom publicar textos em uma editora comprometida com causas sociais! (Lembrando que a Antologia Amores Virtuais, Perigo Real tem suas vendas revertidas em prol de duas instituições que acolhem vítimas de violência doméstica e pessoas LGBTQ+ e que outras obras tiveram lucros revertidos para a causa animal/meio ambiente)

Ou seja: Além da alegria de ser selecionada fazendo algo que amo, ainda saberei que cada volume e cada ingresso que vocês, amigos e leitores queridos, adquirirem, irá beneficiar crianças. Não é maravilhoso?

Então adquiram já seus ingressos para o Meet & Geet no site do Grupo Editorial Quimera e depois adquiram seus exemplares! A gente se vê dia 23/12!

Corredores, codinome: loucura. (Mariana Gouveia)

Corredores, codinome: Loucura foi o primeiro livro do Clube do Livro da Editora Scenarium livros artesanais. Para quem não conhece, a Editora Scenarium trabalha com livros costurados artesanalmente – São livros únicos, verdadeiras obras de arte com conteúdo selecionado para que o leitor desfrute o melhor da sensação de ter um livro nas mãos – Recomendo fortemente que 1) não deixem de conhecer a editora e participar do clube do livro e 2) considerem ler com uma boa xícara de chá por perto!

            Vou começar dizendo o que Corredores não é: Corredores não é um livro de fantasia. Corredores não é um livro para leitura rasa. Corredores, codinome: Loucura não é um livro para ler e esquecer. Pelo contrário: É um livro para se pensar, refletir, chorar. É uma leitura que dói, corrói a alma. É uma leitura real.

            Sou uma grande admiradora do trabalho da Mariana Gouveia – Ela escreve textos lindos, com leveza e poesia ímpares (inclusive convido todas e todos que me seguem a seguir também o Ig da Mariana (@marianagouveiacba) e o blog dela “O outro lado” (vejam o link na bio da autora) e, por seguir e admirar tanto o trabalho incrível que ela tem com as palavras já sabia que ao abrir o livro encontraria um texto impecável e sensível – só não imaginava que seria tão impecável e sensível quanto pesado.

            Falar sobre algumas situações da vida não é fácil e, dependendo da forma como ocorrem os fatos, tudo se complica ainda mais – Perdoem-me por não detalhar o conteúdo do romance, não saberia fazê-lo sem contar detalhes e estragar com isso a emoção de quem ainda não leu. Tudo o que posso dizer é que a autora sem maquiar a realidade conseguiu contar uma história real mergulhando o leitor em um poço de sensações turbulentas – A leitura desperta empatia pela personagem, nojo de determinados comportamentos humanos (ou melhor seria dizer desumanos?) e um ódio profundo. Transpor um relato tão triste para as páginas de um livro sem perder o fio poético e a sutileza é um trabalho para gigantes da literatura. Corredores resulta de uma parceria entre a escrita de Mariana Gouveia e a edição de Lunna Guedes (siga @lunnaguedes no Instagram e não deixe de conhecer o blog Catarina voltou a escrever, pois além de editora Lunna é também uma escritora maravilhosa) – É um livro que vai te chocar, te envolver e, acima de tudo, deixar aquela vontade de ler a continuação da história.

Resenha: #Bomdemaisparaserverdade

O conto #BOMDEMAISPRASERVERDADE é um dos contos da Antologia Amores Virtuais, Perigo Real. A autora Maria Mendes acompanha a história de Carolina – Personagem com uma vida comum e estável que acaba se envolvendo em uma relação irreal. A autora consegue prender o leitor com maestria do início até o desfecho, com uma linguagem jovem e descolada, porém sem o uso de gírias. Acredito que o principal ponto positivo do conto é a identificação que conseguimos sentir com a personagem – Ela poderia ser eu, você ou qualquer outra mulher. Outro ponto interessante é perceber que quem inicia um romance virtual nem sempre procurava por isso – Ou seja, sempre é necessário ter muito cuidado ao se envolver com alguém, mesmo quando o envolvimento parece obra do acaso.

            Amores Virtuais, Perigo Real é uma antologia necessária! Em tempos onde a internet parece ser uma terra sem regras, em tempos de “estupro culposo” e de crescente violência contra a mulher, é importantíssimo que se provoque o debate acerca das conseqüências que podem surgir quando o assunto é amor – Principalmente amor virtual.

            Importante também lembrar que, ao adquirir seus exemplares, vocês estarão ajudando duas instituições: A renda do e-book será doada a Associação de Apoio à Mulher Vítima de Violência (AAMVV) , localizada em Taboão da Serra, e a renda do livro físico será doada à Casa Nem, ONG que ampara a população LGBTQ+. Ou seja: Ao adquirir o livro, além de conhecer histórias incríveis, você ainda ajuda uma causa. Adquiram no site da Editora Quimera!

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