Luna Caliente (Passaporte da Leitura – Argentina)

Lembram do Passaporte da Leitura e do projeto de ler um livro de cada país do mundo? Pois é, demorei para dar continuidade, mas aqui estou na minha oitava parada: Argentina. E o autor que me leva a essa viagem é Mempo Giardinelli com sua obra Luna Caliente. 

Mempo apresenta ao leitor Ramiro, um jovem que acaba de retornar de Paris após formar-se em Direito, se vê enredado em uma súbita obsessão por Araceli, uma adolescente filha de amigos da família. Incapaz de conter seus instintos, Ramiro acaba cometendo uma série de atos que podem comprometer para sempre seu futuro.

Giardinelli retrata em poucas páginas o lado sombrio de um homem e nas entrelinhas aproveita para criticar a corrupção e a violência da Ditadura Argentina. O autor nos entrega cenas de sexo, violência, pedofilia em um plano de fundo sombrio, arrematando a história com um final surpreendente. 

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Este post é a sexta postagem do BEDA (Blog Every Day April). Conheça os outros participantes:

Lunna Guedes – Obdulio – Mariana Gouveia – Ale Helga – Mãe Literatura

A Erva Amarga – Marga Minco

O livro reúne em pequenas crônicas as memórias de uma jovem judia durante os anos da Segunda Guerra Mundial. Em geral os livros que retratam esse período são narrativas intensas, de atos vis e cruéis por parte dos soldados nazistas e também de atos heroicos da resistência. Marga escreve seus relatos deixando a guerra como um cenário. Ela se debruça sobre os detalhes que lhe marcam a memória, sobre fatos que tem importância para ela e para sua família. Toda a barbárie do período fica nas entrelinhas, na solidão de Marga, no otimismo inocente dos pais que acreditam que os horrores que acontecem nos países vizinhos não chegariam até a Holanda, no último ato conhecido de Dave, no velho tio que aguarda o bonde todos os dias.

                Em uma entrevista, Marga Minco confessa que quis “dizer o máximo com o mínimo de palavras”. Conseguiu.

                Sobre a autora: Marga Minco é o pseudônimo da jornalista e escritora Sara Menco. Nascida em Ginneken, na Holanda, em 31 de março de 1920, Minco era estagiária do Bredasche Courant quando em 1940 foi demitida pela diretoria do jornal, que simpatizava com a causa alemã. Ao longo da Segunda Guerra Mundial seus irmãos e seus pais foram levados pelo Exército e ela se manteve na clandestinidade, sendo a única sobrevivente de sua família.

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Comer, rezar, amar

O livro se baseia na história real de Elizabeth Gilbert, uma jornalista e escritora norte-americana que percebendo o quanto estava infeliz em seu casamento, decidiu dar uma guinada na vida, pedir o divórcio e arrumar as malas para um ano dedicado inteiramente a si.

                Ela opta por três destinos: Quatro meses na Itália, onde além de estudar italiano dedica-se a explorar as artes do prazer, principalmente à mesa. Quatro meses na Índia, onde faz um retiro, pratica yoga e encontra sua conexão com o divino, explorando a arte da devoção e encerra a viagem com quatro meses em Bali onde explora as possibilidades de unir o prazer mundano e o divino buscando o equilíbrio necessário para a vida.

                A verdade é que todas as pessoas precisam encontrar esse equilíbrio entre prazer e devoção (seja lá qual for a devoção da pessoa, importante lembrar que ninguém é obrigado a crer igual), mas a esmagadora maioria jamais vai conseguir tirar um ano inteiro para viajar e encontrar esse equilíbrio. Infelizmente.

                Sem dúvida o que se pode tirar de mais importante da leitura é a necessidade de refletir: Você está vivendo a vida que gostaria ou a vida que outras pessoas gostariam que você vivesse?

                Talvez você não possa viver um ano fora do país, mas com certeza é possível revirar a vida ao avesso procurando uma brecha para começar a construir um futuro mais próximo do que você realmente deseja.

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Ponte para Terabítia

Ponte para Terabítia é muito mais do que um livro sobre a amizade verdadeira entre duas crianças de dez anos. Jess Aarons e Leslie Burke personificam dois mundos completamente distintos que se misturam com naturalidade e suavidade. É inegável: A chegada de Leslie modifica completamente a vida do solitário Jess – Não que ele fosse filho único, pelo contrário: Jess tem uma família grande e majoritariamente feminina, sendo ele o único homem em casa, além do pai que trabalha durante todo o dia. A vida de Leslie também se modifica ao conhecer Jess – Ela, que é filha única, vinda de família instruída, encontra em Jess o companheiro perfeito para imaginar um lugar perfeito: Terabítia.

                Terabítia não é apenas um lugar imaginário de duas crianças entediadas e por qual motivo não dizer, excluídas dos grupinhos infantis da escola. Terabítia é um refúgio, uma fusão de duas mentes em desenvolvimento, é um segredo de alma.

                Katherine Paterson, a autora, consegue nos prender da primeira até a última página, causando um choque com a reviravolta na história e despertando simpatias e antipatias imediatas. Uma história de fantasia onde o mais importante não é o que se imagina, mas quem imagina. É um livro curto, editado em fonte grande com um bom espaçamento, história simples e bem construída, ideal para ler em um ou dois dias.

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Blogagem coletiva: Retrospectiva literária 2021

Eu adoro essa época do ano em que a gente começa a fazer retrospectivas: Músicas, filmes, livros, lugares e momentos. Para começar essa sequência gostosa, vou seguir o tema proposto pela escritora Lunna Guedes no grupo Interative-se e falar sobre os livros de 2021!

Não vou falar sobre todos os livros lidos, pois eu não tive tempo de fazer resenha de todos aqui para o blog (estudar para concurso ocupa tempo), mas tenham certeza de que há vários lidos além dessa lista.

Livros clichê que eu amei:

Cartas de amor de Paris – Samantha Vérant

Dumpling — Julie Murphy

Livro decepção/preguiça

Treinando a emoção para ser feliz – Augusto Cury

O final me surpreendeu:

Alice, uma voz nas pedras – Lunna Guedes

Livros de escritoras brasileiras contemporâneas:

Receituário de uma expectadora – Roseli Pedroso

Equação infinda – Rosely Pedroso

Amor expresso – Adriana Aneli

Clássicos da literatura mundial

A metamorfose – Frans Kafka

Pluto ou um Deus chamado Dinheiro – Aristófanes

Contos urbanos

Rua 02 – Obdulio Nuñes Ortega

Livro sombrio

24 horas na vida de uma mulher – Stefan Zweig

Não é tudo que dizem, mas eu até gostei um pouco

O que vale é a intenção – Mallika Chopra

Livro útil/Que me trouxe aprendizados

A poética do Brincar – Marina Marcondes Machado

Livros infanto-juvenis

Saga Harry Potter – J.K Rowling

Isso ninguém me tira – Ana Maria Machado

Veja também a retrospectiva literária de

Lunna Guedes

24 horas na vida de uma mulher – Stefan Zweig

Você acredita que um único dia pode mudar completamente os rumos de uma vida? Um seleto grupo de turistas discute acaloradamente sobre uma mãe-esposa de trinta e três anos que, de uma hora para outra, abandona marido e filhas para seguir um francês jovem e elegante que havia acabado de conhecer. Enquanto a grande maioria ataca a adúltera sem piedade, um único homem a defende, atitude que desperta a atenção de uma senhora e leva a uma amizade que resultará em uma longa e emocionante confissão. 

Vinte e quatro horas na vida de uma mulher fala sobre sentimentos confusos e arrebatadores, sobre vícios e sobre como uma sociedade pode ser cruel em seus julgamentos – principalmente quando uma mulher se atreve a vivenciar seus desejos. 

Trata-se de uma obra curta, intensa e dramática, sem apelos românticos, com uma trama tensa e uma ambientação sombria.  

O autor vienense filho de judeus nascido em 1881 acabou emigrando para a Inglaterra  quando deu-se a chegada de Hitler ao poder e posteriormente mudou-se  para o Brasil, onde cometeu suicídio juntamente com a esposa, em 1942. 

Para fotos do livro, siga @poetisa_darlene

Pluto ou Um Deus chamado dinheiro (Aristófanes)

O que aconteceria se repentinamente apenas as pessoas honestas ganhassem dinheiro? 

Nesta comédia de Aristófanes, autor grego falecido por volta de 375 a.C, nos deparamos com Crêmilo, um homem íntegro inconformado em ver a riqueza nas mãos dos desonestos. Preocupado com o futuro de seu filho e em dúvida sobre educá-lo para ser um homem honesto e pobre ou um desonesto rico, Crêmilo procura o oráculo e descobre que Pluto, o Deus do dinheiro, está cego. A descoberta leva Crêmilo a traças um plano: Curar Pluto para que a riqueza possa ser distribuída com justiça, somente entre as pessoas boas. 

Por meio de diálogos engraçados, Aristófanes mostra o interesse de algumas camadas na manutenção da pobreza: O sacerdote alega que “uma vez que todos tem dinheiro, ninguém mais leva oferendas aos templos”. Além disso, a própria pobreza tenta fazer Crêmilo mudar de ideia, alegando que é ela a responsável pelo trabalho, sem pobreza não haveria trabalhadores para fazer os serviços pesados. 

Embora hoje a sociedade já não renda mais homenagens ao Deus Pluto, é inegável que a busca pelo dinheiro e riqueza converteu-se em um objetivo central, quase como uma religião em que o Deus é o dinheiro. E muitas vezes parece que a riqueza acumula-se com maior facilidade nas mãos dos desonestos Traçando um paralelo, podemos perceber também que há ainda hoje camadas a quem interessa a manutenção da diferença social – Se não houver pobres crédulos lotando templos, onde os mercadores da fé irão conseguir vender seus feijões, lenços e água consagradas por valores exorbitantes? 

Muito além de divertir, a peça de Aristófanes trás reflexões sobre a relação entre o homem e a riqueza e sobre a importância de exercitar o pensamento crítico para traçar paralelos entre o que lemos num momento de lazer e os fatos que permeiam a nossa vida em sociedade. 

E você que me lê, em algum momento já sentiu que as riquezas geradas pelo ser humano acumulam-se muitas vezes com pessoas desonestas? Acredita que o mundo seria mais justo se apenas os íntegros pudessem ganhar dinheiro ou acredita que a manutenção do abismo social é peça fundamental para o equilíbrio da sociedade? Criaria seu filho para ser honesto ainda que isso significasse ter pouco dinheiro ou preferiria criá-lo para ser um espertalhão rico? 

Por minha parte, acredito que devemos lutar pela construção de uma sociedade sem diferenças de classe, onde todos trabalhem e ganhem o suficiente para uma vida digna. Agora quero ler as respostas de vocês aos questionamentos – E de preferência, não deixem de ler o livro para refletir sobre essas questões. 

Rua 2

“Caro Leitor, você acaba de receber em mãos um livro artesanal produzido pela Scenarium e aqui vão algumas instruções de uso…

Aprecie a capa… ela é como um velho portão, que dá entrada para uma realidade de páginas devidamente numeradas. Verifique o número do seu exemplar… E depois a sequência de páginas. A menos que o projeto seja insano, a sequência é como a das casas, de um lado você encontrará os números pares e, de outro, os ímpares…”

As palavras acima são as primeiras linhas escritas no livro “Rua 2” , contos de Obdulio Nuñes Ortega.

Em textos curtos, que em sua maioria recebem como título o número das casas onde moram as personagens, Obdulio nos apresenta personagens urbanas detentoras de personalidades únicas que leva o leitor a sentir uma interação com a personagem. A estrutura da obra, aliada a capacidade criativa e refinada observação humana do autor faz do livro Rua 2 uma obra genial.  Destaco aqui os textos: Morador da rua 2, casa 11, casa 9, casa 15, casa 2, linhas cruzadas e Pescoços quebrados da rua 2. Não me atrevo a dizer que são os melhores textos do livro por acreditar que é impossível estabelecer este tipo de juízo. Prefiro dizer que são os textos que mais gostei dentro de um livro dinâmico, envolvente, gostoso de ler e que deveria ser parte da lista de leituras de quem realmente aprecia a literatura brasileira.

Quer ler? Acesse a Scenarium Plural e adquira seu exemplar!

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Lunna Guedes, Adriana Aneli, Mariana Gouveia, Claudia Leonardi, Roseli Pedroso, Obdulio, Ale Helga

Dica literária: Cartas de amor de Paris

Você já leu uma história de amor super clichê, que envolve o reencontro de um casal depois de uma vida toda? Cartas de amor de Paris poderia ser um romance clichê água com açúcar, não fosse por um detalhe: Não é uma narrativa ficcional e sim o relato da história vivida por Samantha Vérant.

            Em 1989 em uma viagem pela Europa, Samantha conhece o homem dos seus sonhos, Jean-Luc. O romance de apenas um dia termina quando ela parte para o próximo destino do itinerário, despedindo-se dele em uma plataforma de trem. Apesar de estar apaixonada por Jean, Samantha ignora todas as cartas de amor que o rapaz insiste em enviar desaparecendo da vida dele.

            Vinte anos depois, dividindo a cama com o cachorro e prestes a se divorciar, Samantha se questiona: Onde tudo começou a dar errado?

            A narrativa é leve, fluída e divertida – Especialmente se levarmos em consideração o número de coisas pornográficas que podem ser pedidas por engano em francês quando tudo o que se quer é pedir um canudo ou dizer que está aguardando o mês de Julho. Enquanto Samantha nos conta o reencontro com o amor, descortina-se nas entrelinhas a importância das verdadeiras amizades, do apoio familiar e da coragem para enfrentar novos desafios quando tudo parece determinado ao fracasso.

            E você? Responderia uma carta de amor com vinte anos de atraso?


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Feliz Ano Velho

“(…) O aroma do chocotone no forno interrompeu os pensamentos trazendo lembranças de outros Natais mais felizes. Em um deles, a cozinha havia sido dividida com o dono de seu coração. Mãos grudentas de massa, chocolate picado. Ela tinha uma receita especial: Não perdia tempo decidindo entre as passas ou o chocolate. Colocava logo um pouco de cada coisa! Passas, frutas cristalizadas, gotas de chocolate. Os corpos próximos, as mãos se tocando, o sorriso dele misturado ao dela. Ingredientes secretos daqueles preciosos pães natalinos. (…)”.

            O trecho acima faz parte da crônica “Um chá com a solidão”, minha contribuição para o livro “Feliz Ano Velho”, organizado e editado pela escritora Lunna Guedes e publicado pela Scenarium Plural. A obra, dividida em Crônicas ao Passado e Cartas ao Futuro reúne autores e autoras que conseguiram transformar em arte os medos, dissabores e esperanças do ano de 2020. Não se trata de um relato da pandemia que nos assola, embora a realidade inevitavelmente se reflita nos textos. Feliz Ano Velho é um livro intimista, delicioso de ler e reler, talvez com a companhia de uma boa xícara de chá.