#DesafioLiterário2020 #Julho

Chegamos ao sétimo mês do desafio literário e eu confesso que quando tive a ideia de sortear os livros quis sair da zona de conforto literária e diversificar as minhas leituras, e até deu certo, mas, no fundo no fundo eu acabo sempre lendo dentre os cinco livros sorteados, o que tem mais afinidade com os estilos que já gosto. E esse mês, depois de fazer o sorteio, percebi que estou com muitas dúvidas sobre o que eu irei ler primeiro e quase nenhuma sobre qual livro vai ficar por último e talvez nem seja lido (Afinal, eu ainda não consegui ler os cinco livros sorteados dentro do mesmo mês). Bom, sem mais delongas, vamos falar dos títulos sorteados para o desafio deste mês.

Antologia Poética – Augusto dos Anjos. Não tem muito que comentar: Uma antologia de um grande poeta! Livro bem pequeno, com certeza será lido entre um capítulo e outro de alguma outra obra.

Tia Julia e o escrevinhador – Mario Vargas Llosa. Vocês não tem ideia do quanto eu estava torcendo para esse livro ser sorteado! Desde que li (e já resenhei aqui no blog) Travessuras da Menina Má, fiquei com vontade de ler mais livros do autor. A escrita dele é muito gostosa de acompanhar.

Se houver amanhã – Sidney Sheldon. Há quem ame, há quem odeie. Sidney Sheldon é aquele autor de Best- Seller que (até onde eu li) não escreveu nada profundo ou requintado, mas consegue envolver o leitor em suas tramas, fazer com que haja um apego especial com a personagem. Já li vários dele na minha adolescência (inclusive esse).

Chico Buarque – Wagner Homem. Chico é um compositor/escritor necessário em nosso país e ler sobre sua vida e obra é com certeza uma experiência muito interessante.

Todos os animais merecem o céu – Marcel Benedeti. Um livro de cunho espiritualista, geralmente o tipo de leitura que eu não costumo me dedicar muito, então já arrisco dizer que irá ficar por último ou voltar para a estante sem ser lido – apesar de o tema ser interessante.

Vocês conhecem ou já leram algum dos títulos? Quais são as metas de leitura pra esse mês de Julho?

Noite na taverna – Álvares de Azevedo

Em 2016 fiz uma resenha de Noite na Taverna aqui no blog. Relendo as parcas linhas que dediquei a uma obra que tanto me agradou desde a primeira leitura, percebo que cometi uma grande injustiça – Injustiça essa que irei corrigir hoje, ao falar com o devido cuidado sobre o livro e o autor. Para isso, como hábito que estou aos poucos desenvolvendo, li, além da obra, textos complementares elaborados por pessoas que se debruçam a estudar a fundo nossa literatura, o que ampliou sobremaneira minha visão acerca do autor e do período literário, contudo, não pretendo aqui me debruçar em detalhes esmiuçados e me limitarei a falar brevemente sobre os temas e indicar, ao final do texto, algumas fontes bibliográficas. Importante também comentar que esta obra é a primeira leitura concluída no #DesafioLiterário2020 #Junho

Manuel Antônio Álvares de Azevedo foi um poeta, contista e ensaísta brasileiro, nascido em São Paulo em 1831 e falecido no Rio de Janeiro em 1852, pouco antes de completar vinte e um anos. Apesar da inegável qualidade de seus textos, Azevedo não logrou colher todos os louros de seu talento, tendo falecido antes de ver considerável parte de sua obra publicada. Foi escolhido como patrono da cadeira número 02 da Academia Brasileira de Letras. Curiosamente, no site da referida academia, consta que o autor faleceu em decorrência de uma infecção generalizada resultante de uma cirurgia para retirada de um abscesso causado por um acidente de cavalo, enquanto a biografia ofertada pela edição do livro Noite na Taverna (Editora Ediouro/Biblioteca Folha), conta que o autor morreu de tuberculose, doença que ceifou a vida de muitos poetas. Seja como for, é fato amplamente aceito que Azevedo carregou consigo pela vida uma previsão de que sua morte seria precoce – E esse sentir derrama-se em sua obra poética de forma palpável.

 O autor fez parte do que se chama “segunda geração do romantismo”, “ultra-romantismo” ou “mal do século”. A primeira geração do romantismo teve como motes o nacionalismo e o sentimentalismo – Na realidade o romantismo começa a dar seus primeiros sinais na Inglaterra e na Alemanha, e em seguida irrompe como um fruto da revolução Francesa e Industrial de forma que o sentimentalismo característico dos textos deste período demonstra a emancipação intelectual burguesa dos padrões aristocráticos, sempre reservados e dotados de auto controle, como explica. Em sua evolução, o romantismo aprofunda-se como uma literatura de combate, que questiona padrões e, com isso reflete o liberalismo nascente. Com o passar do tempo e a visão de que o liberalismo não seria exatamente o que dele se esperava, o romantismo acaba trazendo para a literatura a desilusão, o negativismo, a melancolia, a fuga da realidade, a dúvida, o individualismo, e o tédio.  O nacionalismo, presente na primeira geração do romantismo, vai sendo deixado em segundo plano e os temas recorrentes tornam-se mais melancólicos: a idealização ontem – em geral da infância como um período de pureza ou de épocas passadas, como por exemplo a idade média e seus mistérios, a idealização da mulher amada que sempre é descrita como virgem possuidora de beleza ímpar, objeto de um amor que não se pode consumar e para o qual a única saída é a morte – outro tema exaltado pelos ultra-românticos. Estudando-se com atenção, percebe-se que os textos do romantismo e mesmo do ultra-romantismo diferem sensivelmente de acordo com sua nacionalidade. No caso do brasileiro Álvares de Azevedo, a leitura de suas obras, em especial da obra em comento, nos trás a densidade das noites escuras e lúgubres nas quais se ambientam. O autor construiu uma atmosfera de terror, mistério e aprofundamento da alma humana dentro de si mesma, expondo suas piores faces, suas dores e seus desejos numa dualidade entre pecado e pureza, vida e morte. Azevedo visivelmente recebe influencias da cultura gótica, como a predileção pela noite, por cemitérios, igrejas e ruas estreitas e vazias. Muitas vezes utiliza recursos estilísticos característicos da literatura fantástica, mesmo sem que de fato haja algo sobrenatural na história narrada. Em Noite na Taverna, amigos bebem após uma orgia, mulheres dormem “como defuntas” e surge a ideia de contar histórias sangrentas de suas juventudes. Há dois planos de narração: A narração do que acontece na Taverna (ou o tempo atual, também chamado em um dos artigos de narração-moldura) e a narração das histórias. Os temas escabrosos ficam no limiar entre realidade e delírio febril de mentes perturbadas pelo álcool, abundantes de elementos sombrios e sensualidade mórbida. Apesar da possibilidade de ler as histórias individualmente, sem a necessidade de respeitar a ordem em que são contadas, as duas últimas são mais interessantes quando lidas juntas, pois se complementam.

Bibliografia:

Academia Brasileira de Letras. Site acessado em 10/06/2020 às 17hs

http://www.academia.org.br/academicos/alvares-de-azevedo/biografia

FARACO Carlos Emílio. MOURA Francisco Marto de. Língua e Literatura, volume 02. páginas 10 a 110. Editora Ática. 1995

FARACO Carlos Emílio. MOURA Francisco Marto de. MARUXO JÚNIOR José Hamilton. Língua portuguesa, linguagem e interação. Volume 02, páginas 23 a 63.

GAMA- KHALIL. Marisa Martins. SANTOS. Carline Barbon dos. O espaço ficcional e o efeito do horror em Noite na taverna de Álvares de Azevedo. Disponível no site Horizonte Científico. Acesso em 09/06/2020 às 18h

http://www.seer.ufu.br/index.php/horizontecientifico/article/view/14707

PAVANELO. Luciene Marie: Soares de Passos, Álvares de Azevedo e as diversas faces do ultra romantismo. Publicado no portal de revistas da USP. Revista Crioula. Acesso em 09/06/2020 às 22:00 h.

http://www.revistas.usp.br/crioula/article/view/54945/58593

VOLOBUEF. Karin. Álvares de Azevedo e a ambiguidade da orgia. Publicado na Organon. Revista do Instituto de Letras da UFRGS. Acesso em 10/06/2020 às 14hs

https://seer.ufrgs.br/organon/article/view/30064

Cyrano de Bergerac – Edmond Rostand

O segundo livro do #DesafioLiterário2020 #Maio é, na verdade, uma peça de teatro escrita em 1897 pelo francês Edmond Rostand. A edição que tenho em mãos foi traduzida por Ferreira Gullar e encenada pela primeira vez no Brasil em 1985, no Teatro Cultura Artística, em São Paulo. A obra é uma comédia que retrata a história de Cyrano de Bergerac, um soldado e poeta francês que, apaixonado pela prima Roxana, não tem coragem de declarar seu amor por ela e acaba ajudando-a a casar-se com Cristiano, pelo qual a moça nutria uma paixão, escrevendo as cartas com que o rapaz fez a corte a ela. O enredo pode parecer pouco interessante em um primeiro exame, porém, em uma breve pesquisa, algumas curiosidades tornam a leitura um pouco melhor. A primeira é que, Cyrano de Bergerac não é uma personagem ficcional, e sim um escritor Francês que viveu entre 1619 e 1655, entrou para o exército, duelou inúmeras vezes (muitas delas em conseqüência das freqüentes provocações recebidas devido ao seu nariz grande) e escreveu livros de sucesso na época – sendo ele o primeiro autor a imaginar uma viagem espacial. Cyrano morreu pobre e doente, não tendo se recuperado completamente de um ferimento na cabeça causado por uma viga que o atingiu num acidente. Diferente do que narra a peça, não há evidências de que o autor tenha escrito cartas para a prima se passando por Cristiano – Esse sim apenas uma personagem ficcional criada por Rostand.

Outro dado interessante, sobre a peça teatral original: Edmond Rostand escreve o texto em versos alexandrinos (dodecassílabos), no que não foi seguido por Ferreira Gullar, que, ao traduzir, utilizou apenas versos decassílabos e rimas livres, mais adequadas ao nosso idioma segundo o tradutor.

A leitura e posterior pesquisa despertaram interesse pela leitura das obras de Cyrano, História Cômica dos Estados e Impérios da Lua e História Cômica dos Estados e Impérios do Sol, publicados em 1657 e 1662, respectivamente (infelizmente, até o presente momento não os encontrei para venda ou download), ou seja, a personagem da história acabou despertando mais interesse do que a obra de Rostand em si e, para sanar essa injustiça literária, o próximo parágrafo apresenta alguns dados e curiosidades sobre ele.

Edmond Rostand nasceu em Marselha no ano de 1868, filho do jornalista e poeta Eugène Rostand, ganhando aos 19 anos um prêmio na Academia de Marselha por seu ensaio Dois Romancistas de provence, Honoré d’Urfé e Émile Zola. Embora sua primeira peça teatral tenha fracassado, Edmond persiste e produz uma obra relativamente vasta, composta por peças teatrais e poesia e, embora em sua biografia resumida existam relatos de outras peças marcadas pelo fracasso, o mesmo não se pode dizer da peça Cyrano de Bergerac, que alcançou grande sucesso, contabilizando em 1913 a milésima apresentação. Suas poesias também foram bem acolhidas pela crítica, sendo inclusive um livro de poemas sobre a Primeira Guerra Mundial – Le Vol de la Marseillaise – sua última obra escrita, antes de contrair a gripe espanhola e falecer em 1918. Para quem quiser se aprofundar mais, indico o artigo Literatura, teatro e Cinema em Cyrano de Bergerac: Um diálogo interartístico” que trata da interação entre teatro, literatura e cinema. Outra indicação interessante é o artigo Viagem à Lua: Utopia, viagem imaginária e o mundo de ponta cabeça em Cyrano de Bergerac, onde são explorados os significados literários da viagem à lua. Quem deseja saber um pouco mais, porém não deseja ler um artigo longo, a reportagem da BBC, O homem que imaginou naves espaciais em 1657 também é interessante.

Sobre Edmond Rostand, não encontrei até o momento artigos complementares para compartilhar por aqui, e, numa rápida busca, encontrei seu último livro à venda pela “bagatela” de R$162,72, o que, com todo o respeito, o coloca fora do alcance da maioria dos leitores (ainda mais se considerando a publicação em idioma original, ou seja, francês).

Os livros indicados no #DesafioLiterário2020 #Maio estão neste post , e o primeiro livro lido no mês de Maio está neste post.

Maratona de Maio, dia 06 – Conte qual livro está na sua estante a espera de leitura

Ele tem uma capa preta, dura. Livro escocês, publicado em 1820 é considerado o primeiro romance histórico do romantismo. Escrito por Walter Scott, narou a luta entre saxões e normandos e as intrigas para destronar Ricardo Coração de Leão. Pela narrativa até aqui, talvez algumas pessoas já tenham percebido sobre qual livro estou falando, certo? Ainda não? Bom, mais uma dica, em 1952, o livro foi adaptado para a telona. Sim, o livro que está na minha estante à espera de leitura é Ivanhoé. Confesso que não lembro como o volume chegou até minhas mãos, e confesso que até hoje eu não havia parado para pesquisar sobre o assunto, apenas coloquei o livro na estante a espera de uma oportunidade de ler e posteriormente trocar, mas fui adiando por causa de um detalhe que será chocante para muitas pessoas: Capa dura. É linda, mas pesada, deixando o livro desconfortável para posições deitada/sentada sem apoio, e principalmente, tornando quase impossível deixar na bolsa para ler no horário de almoço do trabalho, por exemplo, (Isso considerando o tempo em que não vivemos em quarentena). Como este ano decidi ler mediante sorteios, quem sabe em algum próximo mês chega a vez dele – Afinal, depois de pesquisar para saber o assunto, fiquei um pouco mais curiosa. E vocês? Já leram Ivanhoé?

Maratona de Maio, dia 05: Escolha um livro que se passa em um lugar que gostaria de conhecer.

Há, ao mesmo tempo vários países que eu gostaria de conhecer e uma imensa preguiça de sair do meu lugar para realizar tais viagens – Demandaria tempo, dinheiro e coragem pegar um avião, cruzar os ares e desembarcar na Itália ou Índia de Comer, Rezar, Amar, na França de Cartas de Amor de Paris ou na Rússia de Anna Karerina. Então, nessa postagem resolvi falar sobre um livro que se passa em um país que eu desejo conhecer e que é bem pertinho (Pelo menos fica no mesmo continente): Peru.

O livro “Tia Julia e o escrevinhador”, do peruano Mario Vargas Llosa, é um romance que mistura elementos de autobiografia e elementos de comédia. Preciso confessar que, apesar de gostar muito da escrita de Llosa, ainda não li – Aliás, talvez essa não-leitura seja justamente por apreciar a escrita do autor, afinal, esse ano me propus sair um pouco da zona de conforto lendo o que eu sorteasse e não o que fosse apenas da minha vontade (mesclar gêneros é preciso).

Como não tenho muito que falar sobre o livro, que está na minha estante aguardando a leitura, vou falar um pouco sobre o autor, baseado na biografia dele:

Mario Vargas Llosa nasceu no Peru em 1936, formou-se em jornalismo, é dramaturgo, ensaísta e crítico literário, um dos mais importantes escritores da atualidade, já viveu em Paris e lecionou em universidades norte-americanas e européias. Curiosamente, envolveu-se na política e foi candidato a presidência, perdendo a eleição para Alberto Fujimori. Destacam-se entre suas obras, além de  Tia Júlia e o escrevinhador, A guerra do fim do mundo, Elogio da Madrasta e As travessuras da menina má.

Maratona de Maio, dia 03 – Conte sua idade através dos livros de sua estante

Contar a minha idade através dos livros da minha estante é uma tarefa complicada por tratar-se de algo que nunca pensei fazer. Sou um pouco ansiosa em relação ao passar do tempo, sempre carregando aquela sensação de que algo está ficando para trás, não sei explicar… Da mesma forma, não sei muito bem como iniciar este texto acredito que, a melhor forma de falar a minha idade através dos livros da estante é (tentar) falar os títulos que mais me marcaram no decorrer dos anos… Faço um apontamento aqui: Não tenho mais os meus primeiros livros e não tenho todos os meus livros favoritos, então, falarei dos livros que tenho aqui, dando dicas sobre a idade em que os li. Adianto que tenho apenas vagas lembranças da infância, então haverá anos em que essa “linha do tempo literária” parecerá tortuosa, além disso, fui criança de biblioteca e, posteriormente, descobri as trocas de livros, então alguns volumes não ficam muito tempo por aqui.

Aos 09 anos, passou na minha escola um vendedor de livros, quem tem mais de trinta anos deve se lembrar dessas pessoas que entravam na escola, mostravam um livro e mandavam um bilhetinho pros responsáveis, com valores e formas de pagamento. O livro da vez era um dicionário, o Dicionário Brasileiro Globo, completo, com ilustrações do corpo humano, explicações de gramática, listas de países e capitais. Pedi que minha mãe me desse como um presente de aniversário e ganhei apesar de fazer anos em novembro e o presente ser solicitado bem no início do ano.

No ano seguinte O Mundo de Sofia – Um livro marcante por seu volume de páginas que me impressionava. Lembro de ser uma leitura demorada, um pouco confusa, que me obrigava vez ou outra a parar, anotar coisas, buscar significados no dicionário ou na enciclopédia que havia na casa da minha avó.

Faço uma pausa aqui para comentar que, embora gostasse muito de estudar, fui uma criança atrasada na escola – Como fazia aniversário no final do ano, não permitiram que minha mãe me matriculasse no primeiro ano aos 06, tive que iniciar com 07 anos completos e, justamente neste ano, nos mudamos de Avaré para São Paulo, o que me causou uma tremenda alergia e inflamação na garganta (ah… o ar de São Paulo…) e, como resultado, fiquei fora da escola e só fui fazer o primeiro ano com 08 anos, em Santos. Aos 9, voltei para Avaré com a minha mãe. E assim com quase 11 anos, na terceira série, li A moreninha e Amor de Salvação (Asseguro que aquele dicionário teve muita utilidade). E então, me encontrei naquele fevereiro de 1998 diante de uma professora perplexa que me pedia uma redação sobre “como foram suas férias” e recebeu um pequeno calhamaço com comentários sobre detalhes de cada livro que eu havia lido (a maioria, Monteiro Lobato). Na metade do ano, retorno das férias julinas, a mesma redação temática e, como resposta, minhas impressões – infantilmente cruas – Sobre a leitura de “O Guarani”. Eu, criança, na entendia porque o índio falava e se comportava como um homem da civilização – O autor mentia? Os documentários na TV cultura não mostravam indígenas parecidos com aquele. Lembro da “bronca” que minha mãe (novamente) recebeu da professora – Já não bastava eu ter ficado fora da escola, ainda precisava me deixar ler “aquele tipo de literatura”?

Não me lembro muito bem dos livros lidos no quinto ano, lembro que fiz uma prova e “pulei” o sexto ano, caindo direto na sétima série, no ano 2000, foi o ano em que, pela primeira vez um livro me marcou pelo fracasso: Uma professora pediu que cada aluno lesse um livro e fizesse um pequeno resumo – Lembro a minha felicidade, pois foi a primeira vez que uma leitura havia sido solicitada – Caprichei com Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco), primeiro livro que me fez derramar lágrimas, e a professora, feliz e surpresa com o resumo que apresentei, solicitou que no bimestre seguinte eu apresentasse um resumo de “O cortiço” – Não houve o que me fizesse conseguir ler, por algum motivo, o livro não “falava” comigo! Acabei resumindo Iracema, que também a deixou feliz, mas fiquei com o gostinho da decepção. Foi também no ano 2000 que comecei a matar aulas, indo para a biblioteca municipal para ler – E dos inúmeros livros que conheci por lá (e amei), hoje só tenho na estante Se Houver Amanhã, A Ira dos Anjos e Um Estranho no Espelho (Sidney Sheldon), O Primo Basílio, A Relíquia e Senhora. Em 2001 conheci Harry Potter, sei que houve outros livros, mas que eu me lembre, nenhum que ainda esteja aqui na estante.

O ano de 2002 foi meu último ano no ensino regular – Eu já não conseguia lidar com a escola, tive vários problemas de convivência, não com outros alunos, pois eu havia finalmente encontrado “a minha turma”, mas com a coordenação e um ou outro professor que não conseguia entender que, a aluna que gosta de estudar pode ser também a aluna que usa boné, desenha “grafite” na contra capa do caderno e joga truco com os meninos no intervalo. Lembro de ler, passar minhas lições a limpo, estudar utilizando apostilas de cursinhos pré vestibular que havia ganhado, mas não lembro nenhum título que hoje esteja na minha estante e tenha sido objeto de especial admiração naquele ano. Em 2003, eu e minha mãe voltamos para Santos e eu fiquei fora do colégio, aguardando o ano seguinte para voltar. Em 2004 fui fazer o segundo ano do Ensino Médio numa escola para jovens e adultos que trabalhava por eliminação de matéria – Foi a melhor coisa naquele momento da minha vida, pois eu recebia os temas, estudava e ia para a escola em horários agendados para tirar dúvidas e fazer provas, algumas disciplinas eram feitas através das tele-aulas (telecurso 2000) e, uma curiosidade, minha mãe voltou a estudar e concluiu o Ensino Médio junto comigo. Por todo esse vai e volta, percebo em entre 2003 e 2009 houve muitas leituras, mas poucas das quais eu me lembre – A única que me marcou bastante foi O Cortiço, que li nessa época, tirando o gostinho de derrota que havia ficado comigo desde a sétima série. Outro fator foi o primeiro emprego, que me deixou mais distante das bibliotecas e a vontade de prestar vestibular me fizeram permanecer muito mais tempo relendo e revisando coisas do que visitando novos horizontes.

 No início do ano em que completei 23 anos, consegui entrar na faculdade e como conseqüência, fui sugada para um mundo de leituras técnicas, apesar disso, consegui voltar a freqüentar a biblioteca. Nesse ano, caiu em minhas mãos um livro que eu já havia lido, por alto e sem muito interesse, na infância: O amante de Lady Chatterley.

Em 2010, eu encontrei no terminal de ônibus o livro “A Ópera do Malandro”. Havia um carimbo da prefeitura de Praia Grande explicando tratar-se de um projeto de incentivo à leitura e que o livro deveria ser lido e deixado de volta no estande do terminal. Gostei tanto que não tive coragem de devolver, mas levei três ou quatro dos meus para lá, afinal, o projeto precisa crescer e ampliar, certo?

Em 2013, faltando três anos para me tornar “balzaquiana”, decidi me permitir voltar à adolescência e ler Diários do Vampiro – Li em PDF e hoje mantenho a coleção por afeto.

Em 2016, meses após me filiar ao PSOL, ganhei de um camarada o livro “A história da riqueza do homem”. No mesmo ano, li Lua de Papel e Septum, além da poesia de T.S Eliot (gratidão Lunna, seus livros sempre irão me acompanhar e ser citados entre meus favoritos).

É engraçado como guardei tão bem os anos dos livros marcantes da infância, mas acabei perdendo a noção do tempo na adolescência e joguei de vez minha vida no coração das tempestades na fase adulta, tornando cada vez mais difícil lembrar os livros marcantes. E só agora, de quarentena, consigo perceber, acaba apagando a noção forte que temos do passar dos dias existente no início da vida.

Os livros que marcaram 2017 foram “O Mandarim”, do Eça de Queiroz (Afinal, como eu não conhecia esse livro?) e “Todos os homens são mortais” (Simone de Beauvoir). Eu trabalhava em um escritório e sempre falava com uma colega de trabalho sobre os livros –  Foi a primeira vez que tive uma colega de trabalho quase tão viciada em leituras quanto eu, a única diferença é que ela só gosta dos livros modernos, com romance e sexo e eu, gosto de livros em geral.

Em 2018 os livros que mais gostei foram empréstimos da biblioteca, então, nada a comentar por aqui.

O ano de 2019 me levou a um mergulho no universo infanto juvenil, afinal, trabalho em uma escola né? E tenho que pedir um favor: Não tenham preconceitos com essa literatura! Há muitas histórias deliciosas para se ler, como por exemplo, Ponte para Terabítia da  autora Katherine Paterson. É uma leitura emocionante!

E finalmente, chegamos aos meus (já conseguiram calcular quantos anos?), neste ano de 2020. Dos livros que li até aqui, O Pássaro Pintado foi o que mais me marcou, falei dele aqui no blog pois fez parte do meu desafio literário e me surpreendeu bastante.

Para quem ainda não conseguiu adivinhar a minha idade, vou dar uma última dica: Há um livro na minha estante que foi considerado o livro mais vendido no Brasil no ano em que nasci : “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera. Desculpem o texto (enorme), me empolguei contando um pouco sobre minha história através dos livros. Espero que tenham curtido!

Também participam da maratona:

Mariana Gouveia (Blog O outro lado)

Ale Helga (Blog Meus Amores)

Roseli Pedroso (Blog Sacudindo as ideias)

Maratona de Maio, dia 02 – Conte como é a sua estante de livros

Estantes são, em geral, bastante semelhantes, a despeito de algumas inovações na decoração. O que as diferencia é o conteúdo. Não vejo muito o que possa dizer acerca da minha estante atual – Três tijolos no chão, apoiando pedras de ardósia, mais três tijolos sobre essas pedras e mais pedras sobre esses tijolos, mas três tijolos, mais pedras e, um espaço acima, perfuradas na parede, três mãos francesas sustentam uma longa tábua de madeira tratada, e, ainda acima desta, mais três mãos francesas sustentando outra tábua. Como podem ver nenhuma inovação. No canto direito do quarto, pouco acima da altura da minha cabeça, uma prateleira de canto, branca, diferente das outras. Não sou de luxos, gosto de coisas rústicas e muito do que tenho em casa nasceu do improviso – Algumas vezes por falta de dinheiro para decoração, outras tantas por acreditar ser desnecessária a maioria das compras – O meio ambiente agradeceria se fôssemos capazes de diminuir o consumo drasticamente. Mas voltemos aos livros e estantes da minha vida. A primeira prateleira da minha estante, feita de pedras, não contém livros – Uma pequena precaução contra as enchentes que uma ou outra vez pegam minha rua de surpresa e transbordam para dentro de casa. Na segunda prateleira, alguns livros destinados a trocas, um fichário “jeans” com materiais de música e um fichário vermelho onde anoto minhas receitas. A terceira prateleira é inteiramente dedicada aos livros didáticos que, vez ou outra, tomo nas mãos e começo a reler e fazer os exercícios propostos, numa tentativa de manter ativa a memória, o raciocínio matemático e alguns outros conhecimentos adquiridos no ensino médio – Afinal, nunca se sabe quando terei vontade de, novamente, prestar vestibular e iniciar outro curso superior, não é verdade? Na quarta prateleira, repousam alguns livros da coleção “Os Pensadores”, dos quais confesso ter lido menos do que gostaria, alguns livros de auto-ajuda que ganhei de presente e ainda não li, lado a lado com um exemplar de “História da riqueza do homem”, livro que ganhei de presente meses depois de me filiar ao PSOL. Sem cerimônia ou motivo, na mesma prateleira, misturam-se os quatro primeiros livros do Harry Potter, um tratado sobre bruxaria em inglês (um dia eu consigo ler), um exemplar antigo de bem-hur e meus livros nacionais e portugueses, aqueles clássicos cobrados no vestibular que são uma delícia de ler sem a pressão imposta no ensino médio – Guardo, com especial carinho, meus primeiros clássicos, lidos sem que a professora aprovasse, no terceiro/quarto ano: O Guarani (J. Alencar), A Moreninha (Joaquim Manoel Macedo), e Amor de Salvação (Camilo Castelo Branco). Na prateleira de cima, há alguns clássicos internacionais, capas duras, papel amarelo, leitura densa para dias frios, uns tantos livros do Jorge Amado, minha coleção da saga Diários do Vampiro (porque aos 33 anos, entendo que não preciso ser sempre séria e profunda), livros do Sidney Sheldon que marcaram minha adolescência – Não os mesmos exemplares, pois os que eu lia, pertenciam à biblioteca municipal de Avaré – a coleção das Crônicas de Gelo e Fogo, que me pergunto como ler sem sentir os braços doerem, os livros da Lunna Guedes, guardados com carinho dentro de uma capa plástica, deitados sobre os outros, para não danificarem. Alguns livros ficarão por pouco tempo, serão lidos e colocados para troca assim que passar o caos pandêmico que se abateu sobre o mundo. Alguns eu guardo para futuras releituras. Outros ainda me remetem tanto ao prazer infantil da leitura repleta de mundos mágicos, que eu simplesmente guardo pensando nos filhos que (não sei se) um dia terei, imaginando-os leitores ávidos tal como eu mesma, na infância (É, faz tempo, melhor deixar para outro texto esse assunto). Na estante branca, ao meu lado direito, alguns pesados dicionários de língua portuguesa, espanhol, inglês e francês, dentre eles o Dicionário Brasileiro Globo que pedi de presente de aniversário quando completei 9 anos, livros sobre receitas e alimentação saudável da Editora “Seleções Readers Digest” (quem tem mais de 30 deve lembrar que eram adquiridos escolhendo em um catálogo – ignoro se ainda existem). Alguns bichos de pelúcia adornam as prateleiras, uma concha, uma lata de biscoitos decorada onde coloquei papéis com os títulos que desejo ler para sortear mensalmente e estabelecer como escolhidos do meu desafio literário, um par de castanholas penduradas num gancho – trazidas da Espanha pela minha prima e um galinho que muda de cor de acordo com a previsão do tempo (outro item antigo e bonitinho). Essas são, em resumo, minhas prateleiras, meu cantinho favorito da casa, que me trás lembranças de outras prateleiras, outros livros, outros “causos” –  que, quem sabe, eu me anime um dia a contar.

Também mostraram suas estantes:

Mariana Gouveia – Ale HelgaCafé com leitura – Catarina voltou a escreversacudindo as ideias

#desafioliterário2020 #Abril

Quem está conseguindo cumprir o #desafioliterário2020? Como foram as leituras do mês de Março? Conseguiram ler pelo menos um livro? Falaram sobre a leitura com os amigos, através das redes sociais? Não sabem nem do que eu estou falando? (Se não sabe, clica aqui pra descobrir)! Bom, por aqui consegui ler dois dos cinco livros e já postei os resumos no blog. E hoje, repentinamente, o mês de Março acabou e eu já estava como? De banho tomado e pijama (Distanciamento social voluntário é isso né?) e fiquei com preguiça de colocar uma roupa bonitinha e gravar vídeo do sorteio… Mas calma! Eu fiz o sorteio, só não gravei! Estão curiosos pra saber quais livros foram escolhidos?

Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa.

Parece que este livro está implorando para ser lido! Mês passado não deu tempo, e olha ele aqui novamente no sorteio de Abril!

Marília de Dirceu & Cartas Chilenas – Tomás Antonio Gonzaga

Já li este livro anos atrás, mas a minha edição, na época, não tinha as Cartas Chilenas. Então, como ganhei essa edição e ela foi sorteada, vamos ter releituras

A Metamorfose – Franz Kafka

Bom, este livro está na lista de leitura, mas provavelmente eu não consiga ler agora em Abril, pois o exemplar que está em casa é o volume 1. E eu não sei quando a quarentena acaba pra eu poder ir em algum sebo procurar o volume 2.

A relíquia – Eça de Queiroz

Quem já assistiu a série brasileira “Os Maias” conhece algumas personagens deste livro. O fato é que a leitura é maravilhosa (sim, eu já li, quando estava no quarto ano do Ensino Fundamental, para desespero total da minha professora). Vai ser uma delícia reler!

O pássaro pintado – Jerky Kosinski

Romance de um autor Polonês. Eu realmente não sei o que esperar do livro, só sei que, além de fazer parte do #desafioliterário2020 #Abril, a leitura deste livro irá me ajudar a resgatar outro projeto aqui do blog: O passaporte da leitura, lembram dele? Aquele projeto de ler um livro de cada país do mundo?

E vocês? Quais são os planos de leitura para o próximo mês?

Ópera do malandro -Chico Buarque

A segunda leitura do #desafioliterário2020 #Março (se quiser saber quais as outras leituras sugeridas clique aqui e se quiser acompanhar o resumo da primeira leitura de Março, clique aqui) é a “Ópera do Malandro”, uma peça teatral de autoria do músico, dramaturgo e escritor brasileiro Chico Buarque. Embora a história pareça simples e engraçada – A filha de uma família envolvida em negócios escusos engana os pais para se casar com um contrabandista – a análise mais detalhada irá revelar uma crítica ácida aos costumes hipócritas que permeiam a sociedade – Há uma relativa abundância de palavrões, mas como não haveria? As personagens são um casal de cafetões e sua jovem filha, prostitutas e um contrabandista e seus comparsas, além de um policial corrupto que é amigo de Max (o contrabandista). A peça, escrita nos anos 70. é ambientada no Rio de Janeiro dos anos 40, época em que o jogo ainda era legalizado no Brasil. Há uma sensação de tempo se acelerando, como o início do mergulho no jeito norte americano de se viver, a preferência por produtos importados como forma de demonstrar status desenhada em situações ridículas como um vestido de noiva feito de nylon ou em detalhes sutis como os nomes dos comparsas de Max – Apelidos americanizados, copiados de nomes de marcas famosas ligadas a aérea de atuação de cada um dos “malandros”. Malandros esses que se encarregam de levar ao palco através da de sua ginga, juntamente com a fingida inocência das moças e da visão das prostitutas como trabalhadoras que sambam na linha entre a subserviência ao homem e ao patrão e a luta por seus direitos toda uma crítica ao momento em que o Brasil se encontrava mergulhado –  Chico é simplesmente magistral ao retratar com tanta música e humor os momentos tensos vividos pela sociedade brasileira nos anos quarenta mantendo-se atual nos anos 70, onde a censura e a ditadura militar faziam suas vítimas. Ainda mais magistral o autor se torna quando analisando seus textos e versos, encontramos ainda hoje, uma crítica bastante atual. Algumas canções bastante conhecidas fazem parte do texto da peça, complementando as situações colocadas; dentre as canções estão Geni e o Zepelim; Viver do amor e Terezinha, entre outras.        Cumpre salientar que o texto da Ópera do Malandro baseia-se em duas outras obras: Ópera dos Mendigos (John Gay 1728) e Ópera dos Três Vinténs (Bertold Brecht e Kurt Weill, 1928). A “Ópera do Malandro” ganhou uma adaptação cinematográfica em 1986 (disponível no youtube). O elenco, composto por nomes como Edson Celulari e Cláudia Ohana nos papéis principais, atua brilhantemente, entretanto o texto se diferencia bastante da peça – Sem se afastar da crítica social e política.

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Recadinho importante: Se puderem, fiquem em casa! Estamos passando por um momento delicado e tudo que não precisamos agora é lidar com o colapso do sistema de saúde, certo? Sei que, por estar em casa, deveria estar escrevendo mais, mas acreditem: Meu computador não tem facilitado muito a minha vida e eu também estou estudando para concursos - Ou seja: Posso estar em casa, mas a rotina continua maluca! Abraços com carinho!


					

O chamado de Cthulhu e outros contos – H.P Lovecraft

Primeiro livro do #DesafioLiterário2020 #Março. Quer saber mais? Só clicar aqui!

      Sobre o autor – Howard Phillips Lovrecraft nasceu em 1890 em Rhode Island e faleceu em 1937. Em seu ensaio “O horror sobrenatural na literatura”, Lovecraft afirma que “(…) A emoção mais antiga e mais forte do homem é o medo, e o medo mais forte e mais antigo é o medo do desconhecido”.  O autor defendia o conto de horror como forma artística legítima – O que pode parecer estranho nos dias de hoje, onde este tipo de literatura é largamente consumida, transformada em filmes e seriados. Em que pese seu inegável talento, Lovecraft, como tantos outros artistas, jamais conseguiu viver apenas do valor percebido com a venda de seus contos e sua obra possivelmente sobreviveu até os dias atuais graças a seus dois amigos, August D. e Donald W. que, em 1939, dois anos após sua morte, fundaram a editora Akhan House com o objetivo de publicar as obras de Lovecraft em livro.

      A vida pessoal e familiar do autor foi desde cedo muito conturbada, marcada por seu aprendizado precoce, saúde debilitada – causa que o impossibilitou de seguir uma carreira acadêmica ou mesmo encontrar um emprego por toda a vida – além de perdas financeiras e familiares e um casamento mal sucedido.

      Algumas percepções acerca dos contos presentes no livro: O autor utiliza na maioria do tempo um relato em primeira pessoa, semelhante a uma carta bastante detalhada, informativa, com descrições vivas e, mesmo no único conto em que a forma é alterada para narração efetuada por narrador onisciente, as descrições permanecem assustadoras, detalhadas e vivas. Infelizmente é impossível não perceber racismo na escrita: Em geral, as personagens envolvidas com o “oculto” e, portanto, com o “mal”, não são norte americanas, sendo em geral latinas ou esquimós ou caribenhas. Possivelmente essa característica se deva ao ódio que o autor nutriu por Nova York (dado e hipótese levantados no prefácio do livro) e também aos costumes da época. O horror de Lovecraft é denso e sutil – Liga-se ao psicológico, levantando suspeitas acerca da sanidade mental das personagens, como no conto Dagon, escrito em 1917. Também há uma ligação muito grande com a questão religiosa, exaltando nas entrelinhas o cristianismo e demonizando seitas e costumes. As personagens são, possivelmente, um reflexo do autor: Homens dotados de algum talento especial para as artes, as ciências ou mesmo corajosos desbravadores – Coisas que Lovecraft não poderia de fato viver devido a suas constantes debilidades, mas que legou com maestria a seus personagens. Definitivamente, um livro capaz de quebrar qualquer preconceito com o gênero “horror”.