Dica de leitura: Rua 2 [BEDA 10]

“Caro Leitor, você acaba de receber em mãos um livro artesanal produzido pela Scenarium e aqui vão algumas instruções de uso…

Aprecie a capa… ela é como um velho portão, que dá entrada para uma realidade de páginas devidamente numeradas. Verifique o número do seu exemplar… E depois a sequência de páginas. A menos que o projeto seja insano, a sequência é como a das casas, de um lado você encontrará os números pares e, de outro, os ímpares…”

As palavras acima são as primeiras linhas escritas no livro “Rua 2” , contos de Obdulio Nuñes Ortega.

Em textos curtos, que em sua maioria recebem como título o número das casas onde moram as personagens, Obdulio nos apresenta personagens urbanas detentoras de personalidades únicas que leva o leitor a sentir uma interação com a personagem. A estrutura da obra, aliada a capacidade criativa e refinada observação humana do autor faz do livro Rua 2 uma obra genial.  Destaco aqui os textos: Morador da rua 2, casa 11, casa 9, casa 15, casa 2, linhas cruzadas e Pescoços quebrados da rua 2. Não me atrevo a dizer que são os melhores textos do livro por acreditar que é impossível estabelecer este tipo de juízo. Prefiro dizer que são os textos que mais gostei dentro de um livro dinâmico, envolvente, gostoso de ler e que deveria ser parte da lista de leituras de quem realmente aprecia a literatura brasileira.

Quer ler? Acesse a Scenarium Plural e adquira seu exemplar!

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Dica literária: Cartas de amor de Paris [BEDA 03]

Você já leu uma história de amor super clichê, que envolve o reencontro de um casal depois de uma vida toda? Cartas de amor de Paris poderia ser um romance clichê água com açúcar, não fosse por um detalhe: Não é uma narrativa ficcional e sim o relato da história vivida por Samantha Vérant.

            Em 1989 em uma viagem pela Europa, Samantha conhece o homem dos seus sonhos, Jean-Luc. O romance de apenas um dia termina quando ela parte para o próximo destino do itinerário, despedindo-se dele em uma plataforma de trem. Apesar de estar apaixonada por Jean, Samantha ignora todas as cartas de amor que o rapaz insiste em enviar desaparecendo da vida dele.

            Vinte anos depois, dividindo a cama com o cachorro e prestes a se divorciar, Samantha se questiona: Onde tudo começou a dar errado?

            A narrativa é leve, fluída e divertida – Especialmente se levarmos em consideração o número de coisas pornográficas que podem ser pedidas por engano em francês quando tudo o que se quer é pedir um canudo ou dizer que está aguardando o mês de Julho. Enquanto Samantha nos conta o reencontro com o amor, descortina-se nas entrelinhas a importância das verdadeiras amizades, do apoio familiar e da coragem para enfrentar novos desafios quando tudo parece determinado ao fracasso.

            E você? Responderia uma carta de amor com vinte anos de atraso?


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Resenha: Feliz Ano Velho

“(…) O aroma do chocotone no forno interrompeu os pensamentos trazendo lembranças de outros Natais mais felizes. Em um deles, a cozinha havia sido dividida com o dono de seu coração. Mãos grudentas de massa, chocolate picado. Ela tinha uma receita especial: Não perdia tempo decidindo entre as passas ou o chocolate. Colocava logo um pouco de cada coisa! Passas, frutas cristalizadas, gotas de chocolate. Os corpos próximos, as mãos se tocando, o sorriso dele misturado ao dela. Ingredientes secretos daqueles preciosos pães natalinos. (…)”.

            O trecho acima faz parte da crônica “Um chá com a solidão”, minha contribuição para o livro “Feliz Ano Velho”, organizado e editado pela escritora Lunna Guedes e publicado pela Scenarium Plural. A obra, dividida em Crônicas ao Passado e Cartas ao Futuro reúne autores e autoras que conseguiram transformar em arte os medos, dissabores e esperanças do ano de 2020. Não se trata de um relato da pandemia que nos assola, embora a realidade inevitavelmente se reflita nos textos. Feliz Ano Velho é um livro intimista, delicioso de ler e reler, talvez com a companhia de uma boa xícara de chá.

Dica literária: Alice, uma voz nas pedras (Lunna Guedes)

            Como falar sobre Alice sem sentir um nó no fundo da alma? Alice poderia ser qualquer menina-mulher revivendo seus lugares, seus sonhos desfeitos, seus traumas e esperanças perdidas. Criada com recato acreditou no “(…) e foram felizes para sempre”, no príncipe encantado, fez tudo certo: Casou pura, submissa, doméstica. Infelizmente para ela e para tantas outras mulheres, a violência se esconde atrás de rostos bondosos e sorriso e até mesmo nos pedidos de desculpas após um momento de descontrole – Um penoso processo de desconstrução da auto-estima e da personalidade nem sempre percebido pela vítima, que vai se afundando – Afinal, de tanto ouvir que não sabe fazer nada direito, ela acredita. Acredita que é sorte ter um homem ao lado. O mais dolorido é perceber que todo esse processo muitas vezes começa na infância, na relação com o pai e vai se estendendo ao namoro, ao casamento. E vai se tornando normal quando os sorrisos começam a faltar, substituídos por explosões de raiva, socos na mesa, humilhação e agressões, acompanhadas de isolamento e muitas vezes, impossibilidade de contar com a família para sair da situação de perigo. Essa é Alice – Uma mulher que existe nas assustadoras estatísticas de brasileiras, poderia ser você,  ou sua amiga ou uma mulher da sua família. Quem sabe?  O que chama a atenção em Alice é acima de tudo a escrita da autora Lunna Guedes, que nos leva a um longo passeio por dentro da alma partida da personagem e, ao mesmo tempo, por recantos da cidade de Teodoro e pelas vidas de outras personagens que, ao final se entrelaçam na trama. Apesar do tema denso, Lunna Guedes consegue utilizar-se das palavras com a etérea leveza de uma prosa poética – E provavelmente seja esse o motivo de tantas vezes ser necessário parar a leitura e beber água para desfazer o nó na garganta, a vontade de amparar e dizer que vai ficar tudo bem enquanto a personagem nos conduz ao longo de sua história até culminar em um final surpreendente.

Resenha: A metamorfose

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo do qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante de seus olhos”. O parágrafo transcrito é o ponto de partida de “A metamorfose”, um dos romances mais conhecidos de Franz Kafka, um jovem judeu nascido em Praga que adotou o alemão como seu idioma.

Kafka descreve o horror da situação com uma naturalidade assustadora: A reação da família e do próprio Gregor pode ser resumida em um grande susto, seguido pelas providências necessárias para re-arranjar a rotina de forma prática e objetiva: A quem compete cuidar do monstro no quarto? Onde conseguir dinheiro? O transformar-se em um inseto, neste contexto, parece uma tragédia relativamente comum, apenas mais um percalço qualquer que poderia ter acontecido com qualquer família e ocorreu com a família Samsa. Não há tentativas de entender o motivo da situação ou buscas desesperadas por uma cura, nem mesmo há uma tentativa de integrar a existência de Gregor ao restante da família, ao contrário, Kafka descreve o apagar gradual da importância daquele homem que, ao ser transmutado em inseto, torna-se apenas um peso para a família.

Em que pese ser uma leitura bastante simples, A metamorfose pode ser considerado um questionamento acerca do valor da vida humana dentro do sistema social – Gregor é visto como humano enquanto é capaz de produzir. Perdida essa capacidade, perde-se a humanidade também. Há também estudos que apontam “A metamorfose” como um texto literário voltado aos direitos humanos: Gregor perdeu sua humanidade a partir do momento em que viu-se transformado em uma asqueroso inseto? Ou a vida desapaixonada que levava – descrita numa tediosa toada casa-trabalho-casa – já havia lhe sugado a humanidade e o acordar transformado em inseto foi apenas o resultado disso? E o final da personagem? Seria a solução natural, ou seria a forma de escapar da desumanização completa, de recusar uma não-vida?

É importante que ao ler uma obra deste calibre, busque-se um aporte teórico em artigos – No caso de “A metamormofose”, encontra-se artigos em várias áreas do conhecimento humano: Psicologia, literatura, filosofia e direito estudaram a novela e a vida do autor, permitindo a partir disso traçar teorias sobre os significados implícitos das personagens. Ler Kafka sem este apoio é plenamente possível, mas tornaria a leitura apenas mais uma distração angustiante ao passo que ao ler e buscar aporte teórico amplia-se o horizonte de visão, permitindo um desenvolvimento do pensamento crítico e atingindo-se um patamar mais alto de aproveitamento da leitura, por isso deixo ao final do texto uma breve bibliografia com textos e vídeos que encontrei e achei pertinentes.

Bibliografia:

CARONE, Modesto. O parasita da família: sobre “A Metamorfose” de Kafka. Psicol. USP,  São Paulo ,  v. 3, n. 1-2, p. 131-141,   1992 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771992000100013&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  26  out.  2020.

Castro, Alexandre de Carvalho e Leão, Luís Henrique da CostaA metamorfose e o campo da saúde mental de trabalhadores: uma análise bakthiniana. Ciência & Saúde Coletiva [online]. v. 25, n. 9 [Acessado 26 Outubro 2020] , pp. 3615-3624. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232020259.28652018&gt;. ISSN 1678-4561. https://doi.org/10.1590/1413-81232020259.28652018.

GRUBBA. Leilane Serratine. OLIVO. Mikhail Vieira Cancelier de. Kafka. A Metamorfose para os direitos humanos. Revista Direito e Práxis, vol.3, num. 2, 2011,PP 103-121, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Brasil. Disponível em:

KOSIK. Karel. O século de Grete Samsa. Sobre a possibilidade e a impossibilidade do trágico no nosso tempo. Tradução de Leandro Konder. Publicado na revista do programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Rio de Janeiro, Brasil Edição nº 8, Março de 1996. Disponível em:

Antologia Quimeras de Natal: Sonhos no Gelo

Quero compartilhar com vocês duas alegrias que tive essa semana:

A primeira foi ter sido selecionada para a Antologia Quimeras de Natal: Sonhos no Gelo que será lançado dia 23-12. Quem me conhece sabe que escrever significa muito para mim, então ser selecionada é um motivo de enorme alegria – Ainda mais considerando que o meu texto estará ao lado de textos de autores e autoras incríveis!

A segunda alegria foi saber que haverá um evento on line que contará com a presença dos autores selecionados e de outros autores da Editora e terá bate papo, leituras, sorteios e muito mais e que parte do valor arrecadado com a venda dos ingressos e da Antologia será revertida em donativos para a OAIB Obra de Assistência a Infância de Bangu. É muito bom publicar textos em uma editora comprometida com causas sociais! (Lembrando que a Antologia Amores Virtuais, Perigo Real tem suas vendas revertidas em prol de duas instituições que acolhem vítimas de violência doméstica e pessoas LGBTQ+ e que outras obras tiveram lucros revertidos para a causa animal/meio ambiente)

Ou seja: Além da alegria de ser selecionada fazendo algo que amo, ainda saberei que cada volume e cada ingresso que vocês, amigos e leitores queridos, adquirirem, irá beneficiar crianças. Não é maravilhoso?

Então adquiram já seus ingressos para o Meet & Geet no site do Grupo Editorial Quimera e depois adquiram seus exemplares! A gente se vê dia 23/12!

Corredores, codinome: loucura. (Mariana Gouveia)

Corredores, codinome: Loucura foi o primeiro livro do Clube do Livro da Editora Scenarium livros artesanais. Para quem não conhece, a Editora Scenarium trabalha com livros costurados artesanalmente – São livros únicos, verdadeiras obras de arte com conteúdo selecionado para que o leitor desfrute o melhor da sensação de ter um livro nas mãos – Recomendo fortemente que 1) não deixem de conhecer a editora e participar do clube do livro e 2) considerem ler com uma boa xícara de chá por perto!

            Vou começar dizendo o que Corredores não é: Corredores não é um livro de fantasia. Corredores não é um livro para leitura rasa. Corredores, codinome: Loucura não é um livro para ler e esquecer. Pelo contrário: É um livro para se pensar, refletir, chorar. É uma leitura que dói, corrói a alma. É uma leitura real.

            Sou uma grande admiradora do trabalho da Mariana Gouveia – Ela escreve textos lindos, com leveza e poesia ímpares (inclusive convido todas e todos que me seguem a seguir também o Ig da Mariana (@marianagouveiacba) e o blog dela “O outro lado” (vejam o link na bio da autora) e, por seguir e admirar tanto o trabalho incrível que ela tem com as palavras já sabia que ao abrir o livro encontraria um texto impecável e sensível – só não imaginava que seria tão impecável e sensível quanto pesado.

            Falar sobre algumas situações da vida não é fácil e, dependendo da forma como ocorrem os fatos, tudo se complica ainda mais – Perdoem-me por não detalhar o conteúdo do romance, não saberia fazê-lo sem contar detalhes e estragar com isso a emoção de quem ainda não leu. Tudo o que posso dizer é que a autora sem maquiar a realidade conseguiu contar uma história real mergulhando o leitor em um poço de sensações turbulentas – A leitura desperta empatia pela personagem, nojo de determinados comportamentos humanos (ou melhor seria dizer desumanos?) e um ódio profundo. Transpor um relato tão triste para as páginas de um livro sem perder o fio poético e a sutileza é um trabalho para gigantes da literatura. Corredores resulta de uma parceria entre a escrita de Mariana Gouveia e a edição de Lunna Guedes (siga @lunnaguedes no Instagram e não deixe de conhecer o blog Catarina voltou a escrever, pois além de editora Lunna é também uma escritora maravilhosa) – É um livro que vai te chocar, te envolver e, acima de tudo, deixar aquela vontade de ler a continuação da história.

Resenha: #Bomdemaisparaserverdade

O conto #BOMDEMAISPRASERVERDADE é um dos contos da Antologia Amores Virtuais, Perigo Real. A autora Maria Mendes acompanha a história de Carolina – Personagem com uma vida comum e estável que acaba se envolvendo em uma relação irreal. A autora consegue prender o leitor com maestria do início até o desfecho, com uma linguagem jovem e descolada, porém sem o uso de gírias. Acredito que o principal ponto positivo do conto é a identificação que conseguimos sentir com a personagem – Ela poderia ser eu, você ou qualquer outra mulher. Outro ponto interessante é perceber que quem inicia um romance virtual nem sempre procurava por isso – Ou seja, sempre é necessário ter muito cuidado ao se envolver com alguém, mesmo quando o envolvimento parece obra do acaso.

            Amores Virtuais, Perigo Real é uma antologia necessária! Em tempos onde a internet parece ser uma terra sem regras, em tempos de “estupro culposo” e de crescente violência contra a mulher, é importantíssimo que se provoque o debate acerca das conseqüências que podem surgir quando o assunto é amor – Principalmente amor virtual.

            Importante também lembrar que, ao adquirir seus exemplares, vocês estarão ajudando duas instituições: A renda do e-book será doada a Associação de Apoio à Mulher Vítima de Violência (AAMVV) , localizada em Taboão da Serra, e a renda do livro físico será doada à Casa Nem, ONG que ampara a população LGBTQ+. Ou seja: Ao adquirir o livro, além de conhecer histórias incríveis, você ainda ajuda uma causa. Adquiram no site da Editora Quimera!

Para adquirir o livro físico clique aqui

Para adquirir o e-book clique aqui

Passaporte da leitura: Inglaterra

Flores na Chuva e outros contos – Rosamunde Pilcher

O livro de hoje faz parte de dois projetos aqui do blog: É o segundo livro do #desafioliterário2020 #Outubro e é a sétima parada na viagem ao redor do mundo no projeto Passaporte da leitura. Vamos dar um pulinho na Inglaterra?

A sétima parada no projeto “Passaporte da Leitura” é a Inglaterra, país natal de Rosamunde Pilcher, autora nascida na Cornuália – um condado que fica a sudoeste de uma península inglesa – e chegou a servir durante a Segunda Guerra Mundial, ocasião em que teve seu primeiro conto publicado. Após a Guerra, Rosamunde se casou e foi morar na Escócia, onde viveu até seu falecimento, em 2019 aos 94 anos de idade.         

            O livro “Flores na Chuva e outros contos” nos presenteia com dezesseis histórias ricas em sentimentos. A autora de escrita suave e elegante nos envolve no mundo de cada personagem – Do menino órfão de pai que deseja presentear a irmãzinha ao pintor que trabalha como jardineiro sonhando com o dia em que sua arte será descoberta, Rosamunde oferece em suas páginas algo que pode parecer tão comum aos olhos de alguns, mas que é na verdade a coisa mais extraordinária que pode existir: Os momentos da vida humana e seus afetos, ilusões e decepções. Pilcher nos deixa com uma sensação gostosa de suspense no final de alguns contos – Personagens se reencontram depois de longas separações, pendências se resolvem, mas será que haverá o “viveram juntos para sempre”? No início, essa sensação de suspensão pode incomodar, mas depois acaba-se percebendo que o desfecho literal é desnecessário – O leitor ou leitora pode imaginar da forma que melhor lhe aprouver.

            Um ponto que chama a atenção nos contos deste livro é a presença de protagonistas ou personagens importantes femininas em idade madura – Algumas com questões do passado a resolver, outras com personalidades fortes e cheias de sabedoria, as mulheres descritas por Pilcher são intensas e bem desenvolvidas – Suas relações com o amor não são focalizadas como se tudo o que existisse na vida fosse romance: Elas tem amigos, familiares, obstáculos e projetos, algumas já construíram uma vida e procuram um recomeço. Em relação as mulheres, também chama a atenção o fato de não haver as típicas vilãs – Mesmo quando se interessam pelo mesmo homem, elas não entram em disputas acirradas e grosseiras, apenas seguem seus caminhos e lidam com seus sentimentos.

            Os cenários são outro ponto interessante – Pilcher descreve em detalhes, mas sem o exagero que causaria enfado em quem lê. Curiosamente, talvez por ter passado mais da metade da vida na Escócia, as paisagens e pessoas descritas pertencem àquele país.

            Um ótimo livro para presentear as pessoas em aniversários, natais, amigos secretos, pois possui um vocabulário contemporâneo, contos não muito longos e narrativa que possivelmente agrade qualquer pessoa que aprecie uma boa leitura.

            Sobre a Inglaterra:

A Inglaterra é uma das nações que constituem o Reino Unido. O país que faz fronteira com a Escócia e com o País de Gales ocupa a parte central e sul da ilha da Grã Bretanha e mais de 100 ilhas menores. Trata-se de uma monarquia parlamentarista, cuja religião oficial é a Anglicana e o idioma é o inglês, sendo também aceito o córnico, idioma de origem Celta falado na Cornuália.

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Mudando de assunto…

Já foram conhecer um pouco mais sobre a Antologia Amores Virtuais, Perigo Real? Ainda não? Corre lá no site da Editora Quimera! O livro está incrível e toda a renda arrecadada com as vendas do livro físico será doada a uma instituição que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica enquanto a renda do e-book será direcionada à uma instituição de acolhimento para pessoas LGBTQ+. Além disso, o livro está disponível no Kindle Unlimited!

Aproveitem que o Natal está chegando e comprem um livro para presentear seus amigos e familiares! Depois me contem o que acharam do conto “Eu a quero tanto”, de minha autoria!

E-book Físico.

#DesafioLiterário2020 #Setembro: Contos Reunidos – Brás, Bexiga e Barra Funda; Laranja da China e outros contos

 Paulista, nascido em Maio de 1901, Antonio de Alcântara Machado cursou direito, mas nunca perdeu de vista seu dom para a literatura. Em 1926, funda junto com Antonio Carlos Couto de Barros a revista modernista “Terra Roxa… e outras terras” e no mesmo ano publica “Pathé- Baby” seu primeiro livro reunindo contos publicados anteriormente pelo jornal do comércio (onde começou a colaborar em 1921). Em 1927 publicou o livro de contos Brás, Bexiga e Barra Funda – Notícias de São Paulo, onde se ocupou em retratar a São Paulo dos imigrantes italianos, uma camada social que formava considerável parte do proletariado paulistano. Brás, Bexiga e Barra- funda compõe-se de narrativas curtas, escritas com elementos que remetem mais ao jornalismo que a literatura.

A escrita do autor é breve, seca, sem grandes floreios e muitas vezes são utilizadas expressões populares da época – é preciso lembrar que a obra foi escrita sobre as primeiras luzes do modernismo, portanto difere fortemente de obras escritas por outros artistas em momentos pouco anteriores – Afinal, os modernistas propunham uma nacionalização da língua, abandonando as normas léxicas da elite portuguesa para que se adotasse a oralidade das ruas e da zona rural. Em 1928 o autor publica Laranja da China – A exemplo do livro anterior, Laranja da China também apresenta vários contos já publicados em periódicos nos quais o autor colaborava e mantém seu foco principal em retratar a cidade de São Paulo e seus diversos tipos humanos – entretanto, diferente de Brás, Bexiga e Barra Funda, em Laranja da China o autor retrata tipos humanos característicos da São Paulo dos anos 20 de forma irônica e divertida.  Uma curiosidade sobre o título é tratar-se este de um trecho de paródia feita para acompanhar os acordes iniciais do hino nacional (na época, cantava-se “laranja da China, laranja da China, laranja da China, Abacate, cambucá e tangerina” junto aos primeiros acordes do hino – Tente fazer isso e veja que realmente a métrica fica perfeita). A edição de “Contos Reunidos” elaborada pela Editora Ática/Série Bom Livro, conta ainda com mais cinco contos do autor reunindo assim em um único volume todos os contos de Antonio de Alcântara Machado. Tratam-se de cinco contos engraçados, espirituosos e com foco diverso dos primeiros – o autor abandona o imigrante italiano ou a construção dos tipos sociais paulistanos e mergulha na brasilidade com narrativas bem humoradas que envolvem desde política até concursos de miss. O volume é leitura imprescindível para quem ama a cidade de São Paulo e deseja se aventurar por suas ruas através dos tempos.

Nota: Confesso que iniciei esse livro no final do mês passado e tive um pouco de dificuldade na leitura, que achei arrastada de início e por isso deixei de lado várias vezes – Me arrependi desse comportamento quando cheguei nos contos do Laranja da China e nos cinco últimos contos, portanto, o primeiro livro lido no meu #DesafioLiterário202 #Setembro acabou sendo, na verdade, o último livro de Agosto.

E vocês? Já leram essa obra ou alguma do autor?