Antologia poética – Augusto dos Anjos

O primeiro livro concluído do #DesafioLiterário2020 #Julho foi uma obra bastante controversa e uma leitura bastante difícil e cansativa, que me fez sentir vontade de desistir pelo caminho e buscar outra leitura – Coisa que não fiz para não carregar comigo aquela frustração ou sensação de não ter valorizado devidamente um grande autor nacional. E posso dizer uma coisa, com muita sinceridade? Ainda bem que continuei, pois o universo de Augusto dos Anjos não é, na minha visão, esteticamente belo, mas sem dúvida é muito rico, então, quando você começar a ler, não desista, apenas siga em frente, pare quando necessário, mas volte a ler!

Augusto dos Anjos foi um poeta paraibano que viveu entre 1884 e 1914; autor de uma única obra, “Eu” (posteriormente republicada com o título “Eu e outras poesias”, Augusto não foi bem recebido pela crítica de sua época – O poeta tece seus versos com grande morbidez, fixando-se na ideia da morte e da incompletude: É comum encontrarmos em seus versos citações do término abrupto e cruel das vidas não nascidas ou ainda infantes: Fetos, óvulos, bezerros. O poeta aparentemente teve fixação pela angustia acerca de tudo que “poderia ter sido”, foi um poeta dos potenciais inconclusos, cuja obra carrega em seus impecáveis versos, o peso do desanimo e do pessimismo. Augusto morreu jovem, aos trinta anos de idade, porém deixou como legado uma obra madura onde tece críticas à sociedade sem perder de vista o rigor formal dos versos e a riqueza de vocabulário onde utilizou copiosamente metáforas, termos científicos e filosóficos. A leitura é por si só bastante complexa e não se esgota com o término da obra, exigindo que o leitor se dedique também a leituras de apoio, como estudos e artigos. Por outro lado, talvez ao leitor que busque apenas um conhecimento básico sobre a obra, numa leitura pelo puro e simples prazer de ler, bastaria adquirir uma versão do livro com um excelente prefácio e boas notas de rodapé – Como é, por exemplo, a Antologia Poética organizada por Ivan Cavalcanti Proença para a coleção Biblioteca Folha, volume cuja leitura eu iniciei no primeiro dia deste mês e concluí hoje, dia dezoito. Confesso que, para mim, apenas a leitura dos excelentes estudos e dos poemas, não bastou, motivo pelo qual, como em outras ocasiões, deixarei as indicações de monografias e artigos que estou lendo aos poucos para mergulhar um pouco mais aprofundadamente no universo do autor.

Bibliografia indicada

DOS ANJOS. Augusto. Antologia Poética de Augusto dos Anjos/Augusto dos Anjos estudos e notas de Ivan Cavalcanti Proença – Rio de Janeiro Ediouro; São Paulo: Publifolha, 1997. – (Biblioteca Folha;24)

FERREIRA. Renan Mendonça. Conteúdos temáticos e ideológicos em Augusto dos Anjos.  Disponível em http://dspace3.ufes.br/bitstream/10/3240/1/tese_4543_.pdf

FONSECA; Deize Mara Ferreira. Sentir com a imaginação: Edgar Allan Poe, Augusto dos Anjos e um gótico moderno. Artigo publicado na revista Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 44, n. 2, p. 40-48, abr./jun. 2009, disponível no site revistaseletronicas.pucrs.br

SABINO. Márcia Peters. Augusto dos Anjos e a poesia científica. Disponível em http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/LinguaPortuguesa/marciapeterssabino.pdf

Cebolas e ciúmes

“Quem chora cortando cebola é mulher ciumenta” – Letícia estava cansada de ouvir o velho dito popular em casa. As lágrimas rolavam involuntárias para fora dos olhos conforme a cebola ia sendo cortada em pequenos quadradinhos, mas desta vez não havia ninguém por perto para repetir essas velhas crendices – Letícia havia saído de casa há dois anos, criando asas e voando para longe, bem longe. Sem dramas ou decepções, apenas o curso natural da vida. Seu mundo agora era uma kitnet, um colchão, algumas roupas, cozinha pequena, ônibus lotado, oito horas de trabalho e quase cinco horas de estudo, praticamente dezesseis horas fora de casa. Letícia era tudo o que poderia ser naquele momento: Mulher, trabalhadora, estudante, jovem. A única coisa que Letícia não era é ciumenta, apesar das lágrimas dizerem o contrário. Era cuidadosa, presente, carinhosa e um tanto super-protetora, mas jamais ciumenta. E de repente, ali, enquanto preparava aquela salada morna de lentilhas para o jantar, ela sentiu como se uma lâmpada se acendesse sobre sua cabeça, igual nos desenhos animados quando a personagem tem uma ideia: Ela precisava contar alguns novos fatos para sua família que ficara lá no interior do Estado e, sem querer, a cebola resolvera seus problemas. Limpou as mãos no pano, pegou o celular e discou, agradecendo mentalmente pelo desinteresse familiar sobre tecnologia e chamadas de vídeo.  Ao terceiro toque, o telefone foi atendido e ela reconheceu de pronto a voz da mãe. Conversaram e, como quem nada quer, ela citou estar preparando aquela tradicional salada “- Ah! Menina ciumenta! Deve ter chorado horrores cortando a cebola, hein?!”, a mãe disse em tom zombeteiro. Era exatamente essa reação que Letícia esperava para contar as novidades: “- Chorei sim, mas ciumenta, ciumenta, eu não sou. O ditado, no meu caso, saiu errado! Se eu fosse ciumenta, não estaria neste exato momento preparando a mesa para o meu namorado e o namorado dele, que agora é meu namorado também, portanto, seus genros, jantarem comigo”.  E assim, Letícia, deixando uma perplexa Dona Lígia ao telefone, imaginou ter desmentido a verdade popular que ouvira desde pequenina – Mal sabia ela que a recém descoberta poliafetividade estava longe de ser um indício de ausência completa de ciúmes. Mas isso é um capítulo para outro prato.

Salada morna de lentilhas

1 folha de louro

1 xícara (chá) de lentilhas

1 colher (chá) de sal

1 cebola inteira

2 colheres (sopa) de azeite

3 cravos da índia

2 colheres (sopa) de vinagre

2 dentes de alho picados

1 xícara (chá) de cebola picada

2 colheres (sopa) de salsinha picada

2 colheres (sopa) de cebolinha picada

1 xícara (chá) de pimentão picado

            Deixe a lentilha de molho por pelo menos doze horas e escorra. Espete os cravos na cebola inteira e coloque na panela, junte as lentilhas e o louro e adicione água fria até metade da panela. Tempere com sal. Cozinhe em fogo baixo até as lentilhas ficarem macias, porém firmes. Escorra e retire o louro e a cebola. Transfira as lentilhas para uma tigela. Misture os outros ingredientes e incorpore à lentilha.

A pizza, o suco de laranja e a naja presidencial.

Tem um dia de verão no meu inverno e isso me deixa sem vontade de fazer praticamente qualquer coisa, porém, lembro-me que hoje é Domingo, dia de falar sobre o país, o mundo, a pizza e o suco de laranja. Por falar em suco de laranja, com a prisão de Queiroz convertida em prisão domiciliar, aumentam os riscos de que, no final, a laranjada acabe em pizza – Aliás, como bom esposo, Queiroz já está dividindo a pizza e o suco de laranja com a esposa que estava foragida até este sábado, mas voltou para casa após ter sua prisão também convertida em domiciliar – Me recuso a pesquisar fundamentos jurídicos, mas arrisco dizer que é um fenômeno jurídico raro, talvez único, a conversão da prisão de uma foragida para uma condição mais branda. E por falar em laranjas, pizzas e casamentos, o presidente que no início da pandemia precisou ser judicialmente obrigado a mostrar um exame de coronavírus negativo, repentinamente apresentou sintomas e declarou ter contraído a doença – Por coincidência em uma semana sensível diante das investigações sobre as rachadinhas que, ao que tudo indica, aconteciam em seu gabinete desde a época em que foi deputado – A parte curiosa é: Quando a maioria da comitiva presidencial adoeceu, ele foi a exceção, agora, nem mesmo a primeira dama testou positivo apesar do contato com ele, o que levanta suspeitas em muita gente de que a doença seja apenas mais uma desculpa para esquivar-se das respostas que precisam ser dadas. Pelo há algo azedo na laranjada presidencial. Outro destaque da semana é o anúncio do novo ministro da educação – Lembram que domingo passado eu comentei que estamos andando a passos largos em direção a uma nova idade média e que se não tomarmos cuidado, logo haverá fogueiras em praça pública? Pois é! O que me dizem dessa velha novidade que parece ter sido retirada diretamente de um armário perdido nos séculos? Um religioso que não deveria sequer assumir uma Igreja, portador de opiniões antiquadas, defensor até mesmo da aplicação de castigos físicos sob a fala de que crianças precisam sentir dor. Para ser ministro deste (des)governo, aparentemente os requisitos são: Ignorância, pensamentos retrógrados, fascismo e uma exacerbada religiosidade que não passa de falsa moral, também conhecida como hipocrisia, e oportunismo. Possivelmente, a única notícia boa desta semana foi a quase liberdade da cobra escravizada pelo playboy do planalto central! Num ato heróico a serpente mordeu seu raptor e acabou levando a polícia a encontrar as outras espécies criadas clandestinamente, em condições insalubres e degradantes para a vida animal. Espero que as cobras sejam devidamente encaminhadas a um lugar confortável e adequado, afinal, vamos concordar que é muita tristeza ser seqüestrada, traficada e ainda viver no Brasil (des)governado pelo Bolsonaro – Aliás, talvez entregar para a naja nossa faixa presidencial fosse uma boa ideia, afinal ela não fala asneira, não pratica rachadinha, não aprecia suco de laranja e, principalmente, mata uma pessoa por vez, diferente do genocídio promovido pelo atual governo através do péssimo gerenciamento da pandemia e das políticas contínuas de desmonte da saúde pública e retirada de direitos básicos, e o melhor, após empossar a cobra, bastaria colocar um ser humano competente para tutelar o réptil e teríamos um início de recuperação para este país, que está na UTI apesar das manchetes irresponsáveis alardeando um falso novo normal. Sabe de uma coisa? O jeito é comer um bom pedaço de pizza (afinal, dia 10/07 foi o Dia da Pizza, segundo o calendário capitalista) e aguardar pacientemente o desenrolar da próxima semana.

Sobre memórias, pães e textos

Diz a sabedoria popular que sons altos podem fazer os pães deixarem de crescer. Na dúvida, durante muito tempo, evitei movimentos bruscos e conversas animadas perto das assadeiras de pão. Tenho poucas lembranças da infância e em muitas delas a cozinha é personagem-cenário comum – O som das pás de madeira raspando o fundo dos tachos de doce, o cheiro dos bolos, das esfihas, o som do tec-tec da faca cortando a salsinha bem pequena, da panela de pressão, da água caindo da torneira, todo um passado-presente repleto de aromas e sons; tão antigas são as memórias que não me recordo o exato momento em que arrisquei minha primeira receita, mas sei que estava nos primeiros anos do ensino fundamental quando fui levada a um curso de culinária patrocinado por uma conhecida marca de farinha de trigo; não me recordo como era a professora ou como eram as outras pessoas presentes, mas recordo perfeitamente o livreto de receitas pequeno com títulos remetendo ao carnaval e a ansiedade de ir para casa com e testar logo todas as receitas, na pressa natural das crianças. Na época acreditava que precisaria seguir sempre passo a passo todas as instruções, incluindo marcas dos produtos e apenas o passar do tempo foi capaz de me ensinar que cozinha muitas vezes se faz do improviso e sempre demanda uma grande dose de amor. Lembro da alegria infantil em que, em alguma daquelas tardes perdidas no tempo, fiz uma das receitas: O pão de metro que, apesar do nome tinha um formato  redondo, com corte em cruz e massa macia, perfumando a casa e conquistando paladares e atenções. Hoje, quando sento diante de uma folha em branco, vejo a escrita como um pão que cresce lentamente, misturando ingredientes-histórias reais e devaneios, todos repletos de sabores únicos. E, da mesma maneira que, quando tomamos entre as mãos um naco de pão e o levamos até a boca, não sabemos o que é farinha, o que é fermento, o que é água, nem sempre as crônicas e devaneios irão permitir saber se o relato foi realidade ou imaginação alimentada pelo aroma da cebola, do alho, do caldo que ferve, do doce que borbulha, da paixão que arrepia, do amor que encanta, da saudade que machuca, da lembrança que faz rir. E esse quase não-saber é uma parte deliciosa da leitura e da culinária.

Pão (que deveria ser) de metro

2 xícaras de água morna

1 xícara de azeite

3 colheres (café) de sal

2 colheres (sopa) de açúcar

1 colher (sopa) de fermento biológico seco

3 xícaras de farinha de trigo (integral, branca ou meio a meio)

1 xícara de aveia ou uma xícara de trigo para quibe já hidratado e escorrido (pode colocar meia xícara de cada também)

Farinha de trigo branca para dar ponto.

2 colheres de sopa de chia hidratada em meia xícara de água

2 colheres de sopa de linhaça

Numa tigela, faça a fermentação: Misture o fermento, o sal, o açúcar, uma xícara de farinha de trigo e a água morna. Deixe descansar até dobrar de tamanho. Acrescente os outros ingredientes, sove bem até que a massa fique lisa e homogênea. Faça uma bola e deixe crescer até dobrar. Faça os pães em formato de bola e deixe crescer na assadeira untada e enfarinhada até que ao fazer uma leve pressão com o dedo a massa permaneça afundada. Asse em forno pré-aquecido.

06 on 06 – Meu calendário particular

E de repente o ano chega ao meio – Assim, sem eira nem beira, mais precipício que passeio, mais tempestade que castelo de areia. Ainda ontem era Janeiro, mês dos mil planos, mil certezas e alguns enganos. Ainda ontem, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho. Dias tão iguais e tão diferentes de tudo, rotinas quebradas e remodeladas dentro do que alguns insistem em chamar de “novo normal” e eu prefiro chamar simplesmente, Caos.

Primeira foto de 2020 – A queima de fogos na praia, com seus insuportáveis ruídos. Na verdade, a mágica da noite de ano novo é apenas ver o Sol nascer na manhã do dia 1, é como olhar pro céu e dizer “adeus” ao ano que acaba para, horas depois, dizer “Seja bem-vindo” ao ano que chega,

Em Fevereiro, novas receitas, novos dias, final de férias e expectativa para o Carnaval – Mesmo que a melhor ideia seja passar o dia em casa lendo um livro.

Março e minhas pimentas. O quintal é pequeno, mas a vontade de plantar é gigante.
Abril trouxe um céu cheio de cores, contrastando com toda a tensão e luto que cobrem o país.
No quinto mês do ano, minha filha de quatro patas está super feliz com a minha longa permanência em casa.

Em Junho, depois de tantos meses, uma foto minha. O cabelo já cresceu, mas agora cortar não é prioridade

Também compartilharam seus calendários particulares:

Lunna Guedes , Obduliono , Mariana Gouveia

Pró-vida?

Uma característica bem interessante da maioria dos eleitores do atual presidente é a bandeira “pró-vida” – Num primeiro olhar, pode parecer lindo atribuir-se esse título não é mesmo? Afinal, quem em sã consciência seria contra a vida? Entretanto, a passagem desse ano e meio de mandato deveria enojar qualquer pessoa que fosse realmente defensora da vida: Estamos em meio a uma pandemia, sem ministro da saúde e com uma ministra da mulher, da família e dos direitos empenhada em promover um concurso de máscaras para crianças – e a máscara campeã, com a ilustração e formato de uma vaquinha, só podem ser piada pronta ou a aceitação formal do título de “gado” atribuído aos que se deixam levar pelo berrante do Jair. Se isso é ser pró-vida, juro que eu gostaria de entender o que afinal significaria ser pró-morte – Afinal, na lei que estabelece a obrigatoriedade do uso de máscaras, o presidente vetou o artigo que exigia o uso do equipamento em estabelecimentos comerciais, industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais lugares fechados em que haja reunião de pessoas. Veja: Na prática as constantes omissões são um caminho a passos largos em direção a um precipício de novos casos de adoecimento e morte. Observando de perto, podemos utilizar aquela frase cuja autoria eu desconheço: Não é pró-vida, é pró-feto. Afinal, segundo Jair e seu rebanho, o aborto deve permanecer proibido (e isso não é uma atitude pró-vida, mas uma punição a toda e qualquer mulher que se permita viver o sexo de maneira livre e plena, como o homem já faz desde que o mundo é mundo), mas a milícia pode seguir matando, a COVID segue sem controle, a água está em vias de ser privatizada inviabilizando ainda mais o mínimo necessário a sobrevivência (é só ver o que aconteceu em outros países do mundo onde água e saneamento foram privatizados), os agrotóxicos liberados causam grande impacto na saúde humana e a educação segue sucateada – Afinal, no projeto de escravizar o povo e vender nossas riquezas, não há espaço para investir em um aperfeiçoamento intelectual do povo brasileiro, não é verdade? E para encerrar a semana com chave de ouro, é impossível não citar duas outras ocorrências marcantes: Um ciclone que causou destruição no Sul do país e um surto de peste na fronteira da Mongólia com a Rússia – Estaríamos vivendo um momento tão retrógrado que forçamos a Terra (plana?) a girar para trás, abandonando o caminhar em direção ao futuro e aportando logo ali na Idade Média? Se não tomarmos cuidado, em breve veremos bruxas queimadas em praças públicas.

#DesafioLiterário2020 #Julho

Chegamos ao sétimo mês do desafio literário e eu confesso que quando tive a ideia de sortear os livros quis sair da zona de conforto literária e diversificar as minhas leituras, e até deu certo, mas, no fundo no fundo eu acabo sempre lendo dentre os cinco livros sorteados, o que tem mais afinidade com os estilos que já gosto. E esse mês, depois de fazer o sorteio, percebi que estou com muitas dúvidas sobre o que eu irei ler primeiro e quase nenhuma sobre qual livro vai ficar por último e talvez nem seja lido (Afinal, eu ainda não consegui ler os cinco livros sorteados dentro do mesmo mês). Bom, sem mais delongas, vamos falar dos títulos sorteados para o desafio deste mês.

Antologia Poética – Augusto dos Anjos. Não tem muito que comentar: Uma antologia de um grande poeta! Livro bem pequeno, com certeza será lido entre um capítulo e outro de alguma outra obra.

Tia Julia e o escrevinhador – Mario Vargas Llosa. Vocês não tem ideia do quanto eu estava torcendo para esse livro ser sorteado! Desde que li (e já resenhei aqui no blog) Travessuras da Menina Má, fiquei com vontade de ler mais livros do autor. A escrita dele é muito gostosa de acompanhar.

Se houver amanhã – Sidney Sheldon. Há quem ame, há quem odeie. Sidney Sheldon é aquele autor de Best- Seller que (até onde eu li) não escreveu nada profundo ou requintado, mas consegue envolver o leitor em suas tramas, fazer com que haja um apego especial com a personagem. Já li vários dele na minha adolescência (inclusive esse).

Chico Buarque – Wagner Homem. Chico é um compositor/escritor necessário em nosso país e ler sobre sua vida e obra é com certeza uma experiência muito interessante.

Todos os animais merecem o céu – Marcel Benedeti. Um livro de cunho espiritualista, geralmente o tipo de leitura que eu não costumo me dedicar muito, então já arrisco dizer que irá ficar por último ou voltar para a estante sem ser lido – apesar de o tema ser interessante.

Vocês conhecem ou já leram algum dos títulos? Quais são as metas de leitura pra esse mês de Julho?

Passaporte da leitura: China.

O segundo livro do #DesafioLiterário2020 #Junho também faz parte do projeto Passaporte da Leitura, que em sua sexta parada visita a China através da escrita de Da Chen. É o primeiro livro de autoria de um chinês que leio e isso me fez pensar bastante sobre a aparente predominância dos norte americanos no mercado editorial – Muitos Best-Sellers são oriundos dos Estados Unidos e eu não desejo levantar aqui uma bandeira anti-americana (muito embora eu o faça em diversos outros campos), mas sim a questão: Onde estão as outras vozes da cultura mundial? Eu sei que elas existem e que produzem arte, mas por qual motivo a arte e a literatura chinesa, indiana, africana ou vietnamita (só para citar alguns exemplos) não nos é bombardeada em vitrines destacadas, resenhas e propagandas na web como ocorre com tantos livros produzidos na terra do “Tio Sam”? E por qual motivo uma boa parcela de nós se acostuma a essa realidade de forma tão rápida? Levantados estes breves questionamentos, vamos falar sobre o que mais nos interessa: O livro.

Na China pós Revolução Cultural, nascem dois meninos filhos do jovem general Ding Long. Um dos meninos, Tan, o filho legítimo, cresce com todo o conforto de sua posição, recebendo de sua família a estrutura necessária para que se torne um dos poderosos homens do governo, talvez o futuro presidente. O outro menino, Shento, o bastardo, é encontrado preso numa raiz de árvore no penhasco do qual sua mãe pulou quando entrou em trabalho de parto. Ambos crescem e enfrentam seus destinos, diretamente afetados por intrigas e fatos políticos que os levam a inesperadas reviravoltas, como se percorressem estradas paralelas até o momento em que, seus atos começam a afetar um ao outro, iniciando um conflito que irá atingir seu pico quando a disputa política fica em segundo plano diante da disputa amorosa: Tan e Shento lutam pelo amor de Sumi Wo, uma órfã idealista e corajosa que acaba por desencadear uma nova reviravolta nos destinos das personagens. É interessante notar que o autor, nas entrelinhas, aparentemente posiciona-se contra o sistema comunista e utiliza a personagem beneficiada pelo sistema (Tan) para criticá-lo, por outro lado, ainda que com uma crítica menos veemente, Tan desnuda um pouco das mazelas capitalistas quando chega em Nova York e precisa trabalhar lavando pratos em um restaurante. Um outro detalhe é a ponta solta sobre a irmã da personagem Sumi Wo: Qual o motivo do autor tê-la citado, relatando que chamava-se Lili e foi adotada? Teria sido a irmã de Sumi o primeiro amor juvenil de Tan? E caso sim, qual fim levou a menina? Talvez, deixando essa ponta solta, o autor tenha aproximado ainda mais sua narrativa da realidade, onde nem sempre sabemos os finais das histórias de vida que nos cercam. Da Chen esbanjou talento ao construir personagens complexas que impedem o leitor de tomar o partido de um ou de outro, uma vez que ambos apresentam contradições e motivações válidas para seus atos. Em uma obra repleta de romance, beleza, poesia, equilibrado perfeitamente com doses de ação, política, violência e intrigas

Sobre o autor e sobre a China

Da Chen nasceu na China e emigrou para os Estados Unidos aos 23 anos, formando-se em direito. Atualmente continua vivendo no estado de Nova York com a esposa e os filhos.

A China (capital Pequim) é o maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo. É atualmente uma república socialista, governada pelo Partido Comunista Chinês, tratando-se de uma experiência socialista duradoura e ao mesmo tempo, com características diferentes dos outros países socialistas existentes no mundo. Importante salientar que 86% da população apoiam  e estão satisfeitas com o rumo do governo de seu país, de acordo com pesquisa realizada em 2008. Também é importante lembrar que a história chinesa é longa, principalmente se pensarmos que sua unificação se deu em 221 a.C, ou seja, seria impossível traçar aqui um “breve relato histórico”. Por ser um país de dimensões continentais, apresenta uma grande variação no clima e tipos de vegetação e solo, assim como nos dialetos falados pela população. O país chama a atenção por ter uma economia em franco crescimento e, infelizmente, por questões ligadas ao meio ambiente, que necessita de mais atenção por parte das autoridades. Outra curiosidade é que, apesar dos belos templos budistas, 42% da população chinesa se reivindicam agnósticos ou ateus na atualidade.

#Pride

Menina que ama menina

Menino que ama menino

Menino que ama menino

E ama menina

Menina que ama menina

E ama menino também

O amor está na alma, meu bem

Está tudo certo, está tudo bem

Se na alma e no espelho

O reflexo não é o mesmo

Que está na certidão de nascimento

Pense um momento:

O que deve prevalecer

A realidade no âmago do ser

Ou um velho documento?

Liberdade para amar

Liberdade para existir

Luta para resistir

Amor e força para lutar

Afinal

O mundo não é o seu quintal

Caia o muro do preconceito

Prevaleça o respeito

O problema a cada segundo

Deveria ser o ódio

E não o amor

Se alguém odeia

Semeia

Sofrimento e dor

Se o vermelho do arco-íris

Pode ser vermelho de amor

Sorria

Não deixe que a violência

Faça do vermelho – paixão

Um rio de luto e sangue

Derramado pelo chão

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As dez pragas do Brasil

Acompanho os fatos da semana com um silêncio cansado e uma xícara de chá antes de dormir. Não tomo notas, apenas leio e vou digerindo todas as notícias indigestas, aguardando o final da tarde de domingo para prosear sobre o caos, quero dizer, sobre o mundo, e suas notícias. Dentre muitas coisas, uma notícia e suas repercussões me chamaram a atenção: A nuvem de gafanhotos que se aproximou do sul no país. Brasileiro é um povo que realmente precisa ser estudado – E isso é uma constatação e não uma crítica , afinal a mesma imaginação que nos permite zombar de qualquer limite é o que nos faz conseguir estender o salário até o final do mês – A quantidade de “memes” criada sobre os gafanhotos inundou as redes sociais e ironicamente, muitas pessoas que criticaram e acusaram a China de ter espalhado o COVID-19 pelo mundo por consumir carnes exóticas, passaram a postar receitas de como consumir gafanhotos, como se isso fosse comum. Também reparei que muitos deles relacionavam os insetos a certo capítulo bíblico onde dez pragas teriam castigado o povo do Egito. Confesso que não sou uma especial apreciadora de contos e histórias bíblicos, mas fui procurar um pouco e encontrei algumas coisas bem interessantes: Observando bem, o Brasil já está há tempos lidando com pragas, o rompimento da barragem de Brumadinho tingiu nossas águas de sangue inocente, nossa fauna silvestre vem sendo massacrada, chuvas e secas castigam as lavouras, ano passado o céu escureceu com as nuvens de fumaça proveniente das queimadas na Amazônia, nuvens de pernilongos espalharam de norte a sul dengue, chikungunya.e zica (inclusive temos uma nova linhagem da zica circulando, então todo cuidado é pouco), diariamente, filhos e filhas, primogênitos ou não, são assassinados pela violência policial, pela fome e, agora pela COVID. E os sapos? Se no Egito eles castigaram a terra, aqui no Brasil nós engolimos um caminhão deles todos os dias: De ministro mentindo no currículo a advogado da presidência contestando a decisão que obriga o presidente a usar máscara em locais públicos, passamos também por fogo destruindo terras indígenas, mães indígenas desesperadas por notícias sobre seus bebês (ou os corpos deles), cloroquina, funcionários públicos sem aumento até dois mil e vinte e dois, racismo e tantas coisas mais. É tanto sapo engolido que fome nem deveria ser problema por aqui. Aliás, por falar em sapos e políticos, não sei se a maioria já percebeu, mas as pragas do Egito, apesar de atingir todo o povo, resultaram da ira divina contra o Faraó que escravizada os hebreus. No Brasil, não temos Faraó, mas uma parte da população escolheu ser praticamente escravizada (arrastando junto a parte sensata da nação) por um presidente e uma bancada do boi, da bala e da bíblia que, de tão honrados e moralmente ilibados, são dignos receberem uma chuva de fogo e enxofre vinda dos céus, mas este é um outro conto e fica para outro dia – Se não formos atingidos por um dilúvio de suco de laranja até lá.

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