Sobre personagens e cajuzinhos

O cursor pisca na tela como um ponto de interrogação: Decifra-me ou te devoro. A história a ser contada pulsa no mundo das ideias, mas não encontra as palavras corretas para registrar-se no papel. Tudo parece desconjuntado, sem graça, atropelado. Um sem fim de digita-apaga. Posso imaginar a personagem me observando com olhar reprovador, ávida para continuar a cena-vida, indo e voltando para o mesmo lugar até as palavras se encaixarem numa cadência perfeita. Vida de personagem não deve ser fácil, sempre dependente do que a autora planeja. Quando a autora não consegue traçar palavras para delimitar os próximos passos, a personagem fica presa na última posição escrita – No caso, sentada no sofá, numa kitnet quente, com a blusa amarrada ligeiramente acima do umbigo. O olhar inquiridor acompanhando meus movimentos enquanto bato amendoim e passas no liquidificador para fazer um cajuzinho vegano e sem açúcar, receita da Vivi (@sosvegan). Docinhos são mimos que me permito em qualquer tempo – me recuso a deixar de lado o prazer de uma guloseima diária. Assim como a personagem que por ora ocupa meus dias, tenho essa relação especial com a cozinha: Um abrigo para o cansaço, uma estufa para o plantio de sonhos. Minha rotina passa por fogão, panelas e pratos. Só assim é possível engolir a dose diária de notícias ruins sem perder totalmente a esperança. Desisto de escrever, hora de fazer uma boa prática de yoga – O corpo merece atenção, principalmente nestes tempos de isolamento. Depois da prática, do banho e do jantar, voltarei a encarar a tela e o olhar da personagem…

Receita do cajuzinho vegan

1 e ½ xícara de amendoim torrado e sem pele

1 e ¼ xícara de uvas passas

2 colheres (sopa) de cacau em pó

2 colheres (sopa) de água.

Bata no liquidificador o amendoim e as passas até formar uma massa. Adicione o cacau em pó e continue batendo, acrescentando a água. Depois é só moldar os docinhos.

Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day April)

Adriana Aneli – Ale HelgaClaudia LeonardiLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Roseli Pedroso

#DiáriosdaPoetisa #02de366: Sopa de saudades, sonhos, pimenta e amor, com feijões

E a chuva veio. Chuva de verão, intensa, torrencial. Minha rua virou rio. Água que não acaba mais levando toda a sujeira humana pros rios, que vão pro mar, numa triste visão de sacolas e garrafas flutuando. Fora de casa, sou obrigada a passar pela água, que está alta e entra pelas botas de borracha. Banho tomado, álcool passado nos pés. Só falta uma sopa pra esquentar – Lembro que outro dia congelei caldo de feijão roxo que de tão mole derreteu ao cozinhar.Tiro do congelador, hidrato alguns pedaços de proteína de soja, pico cinco dentes de alho, meia cebola e um pedacinho de pimenta. Espremo a proteína, tempero com barbecue. Jogo um fio de óleo e refogo tudo, com um pouco de sal e alguns cubos de tofu defumado. O aroma começa a invadir a casa. Acrescento o caldo e um pouco de água, a fervura derrete o gelo enquanto escrevo – cozinhar sempre me inspira. Acrescento salsinha. Fecho os olhos e respiro fundo: Em um segundo as imagens de caos das ruas inundadas são substituídas por uma sensação boa de relaxamento. Acrescento na panela o resto do macarrão do almoço, sem molho. Espero engrossar um pouco, mergulho no aroma e nos pensamentos, me deixo levar até lembranças doces que nenhuma chuva seria capaz de apagar. Sirvo a sopa em um prato – O sabor é um misto de saudades e leves sonhos temperados com pimenta e amor, que um dia quem sabe, serão compartilhados, junto com uma sopa quente.

Simba e as esfihas [Receita vegana + crônica]

Ele chegou como uma pequena bola de pelos negros e macios com uma pequena manchinha branca no peito. Minha tia logo batizou o pequeno cachorrinho com o nome do Rei Leão: Simba. Assim como eu, o cachorrinho cresceu observando o movimento intenso da cozinha – cozinhar é um dom que percorre a minha família há algumas gerações. Certa vez estávamos todos fazendo esfihas – não lembro qual a ocasião, mas iriam ser muitas esfihas, mais de cem – minha mãe tirava as assadeiras com esfihas quentinhas e cheirosas do forno e colocava em uma enorme assadeira, coberta com uma toalha, em cima da mesa. Simba, que sempre ficava ouriçado com os aromas culinários, estava quieto, deitado em um sofá velho. O tempo foi passando e a assadeira parecia nunca se encher – havia sempre um buraco onde faltavam esfihas. Em dado momento, minha mãe viu: O danadinho ia pé-ante-pé, descobria um canto e pegava uma, duas esfihas, colocando-as no chão e novamente cobrindo com aquela toalha a assadeira, num cuidado tal que, quem o visse, pensaria ser impossível tanta inteligência em um só animal. Na época, não havia celulares com câmeras – senão, valeria a pena perder mais algumas esfihas apenas para dividir com outras pessoas as brincadeiras daquele adorável e enorme cachorro, cujo tamanho assustava os desconhecidos e a doçura encantava os amigos.

Todas as vezes que começo a picar azeitonas, tomates, cebola, alho, separar temperos e outros ingredientes, lembro dessa cena – quando me tornei vegetariana, pensei que não comeria mais essas delícias – ledo engano – foi possível adaptar a antiga receita de família, deixando-a mais saudável e completamente livre de crueldade. O Simba já virou estrelinha há uns anos atrás – se estivesse por aqui, eu o deixaria repetir suas façanhas e artes todinhas, apenas para poder gravá-las.

Massa:

3 xícaras de farinha de trigo branca

3 xícaras de farinha de trigo integral

4 xícaras de fibra de trigo (se possível, misturar fibra fina e grossa)

¾ de xícara de linhaça (misturar a dourada e a marrom)

Sal

1 e ½ colher de sopa fermento biológico em pó

1 colher (café) de açúcar

3 e ½ xícaras de água

11 colheres de azeite

Preparo

Preparar o fermento com um pouco de água morna, algumas colheres da farinha e o açúcar. Deixar descansar por 10 minutos ou até dobrar de tamanho. Acrescentar os outros ingredientes e amassar até desgrudar da mão. Deixar descansar coberto com um pano de prato até dobrar de volume.

Essa quantidade rende aproximadamente 130 esfihas de tamanho festa ou 4 enrolados grandes.

Recheios sugeridos:

Proteína de soja refogada com tomate, cenoura, cebola, sal, orégano e temperos

Proteína sabor atum vegano

Escarola

Alho poro

Espinafre

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TAG do Mês: Desafio Vegano dos 30 dias

Sabe aquela pergunta chatinha “mas vegano come o que afinal?”, que tal respondê-la com uma TAG divertida no seu perfil do Facebook, Instagram ou outra rede social? Vi essa ideia em uma página norte-americana (não me lembro o nome da página), e decidi criar uma versão brasileira! Já comecei a postar no meu perfil pessoal e já falei sobre a TAG na página do Facebook, agora estou dividindo com vocês! E sabe outra boa notícia? Em breve eu volto a postar receitinhas veganas aqui no blog! Delícia né?

Enfim, é isso! Desculpem o post rapidinho e, se ainda não curtiram a page do blog lá no face, deem uma curtida! Lá tem conteúdos exclusivos como fotos do meu dia-a-dia, mensagens, brincadeiras e TAG’s como a #músicadomundo, corre lá!

Desafio #30VeganDays

Torta de grão de bico (Massa “podre” vegana sem glutém)

Sabe aquela torta de boteco? Sim, aquela gostosa, que é crocante e ao mesmo tempo esfarela na boca e que muitas pessoas chamam “Massa Podre”? Pois é, eu adorava comer empadas com essa massa! Mas como ela é feita com banha eu pensei que jamais iria comer novamente uma vez que a banha pode ser substituída pela totalmente não-recomendada gordura vegetal hidrogenada. Entretanto, algum tempo atrás eu encontrei na internet a receita de uma torta de grão de bico que me surpreendeu, não só pela simplicidade no preparo como pelo fato de ter a textura super parecida com a massa de empada e, um sabor muito mais gostoso!

Ingredientes:

3 xícaras de grão de bico

Sal à gosto

5 colheres (sopa) de azeite

Preparo:

Cozinhar o grão de bico em panela de pressão: Deixe cozinhar uns 15 minutos com a panela aberta e depois tampe, deixando mais uns 10 minutos na pressão, depois desse tempo desligue o fogo e deixe a pressão sair por completo naturalmente (não coloque nenhum tipo de tempero na água, nem mesmo sal ou vinagre) . Depois que sair a pressão escorra os grãos e espere ficarem mornos. Bata-os em um multiprocessador ou no liquidificador – você terá que ir colocando de pouco em pouco e transferindo para uma bacia na medida em que vai triturando. Depois que tudo estiver bem trituradinho, adicione o sal e o azeite e amasse bem. Forre uma assadeira (de preferência aquelas que soltam o forno) com a massa, coloque o recheio de sua preferência e cubra com outra camada de massa – Uma dica para facilitar na hora de cobrir é abrir a massa em cima de um plástico e depois “encaixar” essa massa aberta em cima da torta. Ajeite bem fechando as laterais, pincele azeite e leve ao forno até ficar bem dourada – É importante ter paciência e esperar para ter certeza de que o fundo esteja bem assado. Espere esfriar um pouco para desenformar.

Você pode fazer em forminhas de empadas individuais e congelar. É uma besteirinha bem saudável para comer quando bate aquela fome.

O recheio fica a seu critério, mas é importante ter em mente que não pode ser muito molhado e deve estar frio ou morno quando for colocar sobre a massa. Alguns recheios bem saborosos são: Brócolis, palmito, alho poró, escarola ou milho refogados e engrossados com um pouco de farinha de trigo (refogue com os temperos que mais gostar, quando estiver bem cozido, misture em um copo uma colher de farinha de trigo e uns 5 dedos de água, misturando bem pra não ficar pelotinas e coloque essa mistura na panela mexendo sempre. Quando ferver de novo e estiver grossinho, desligue o fogo).

Sobre a dica de não colocar temperos na água quando for cozinhar o grão de bico: A água do cozimento pode ser usada para o preparo de alguns doces bem interessantes e saborosos. Eu ainda estou testando as receitas e logo trarei muitas novidades por aqui, então, enquanto isso é bom ir se acostumando não temperar a água!

 

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Com essa receita é possível fazer duas tortas desse tamanho! 

Cozinha combina tanto com música… E hoje o dia cinza e chuvoso me deixou com vontade de ouvir algumas coisinhas bem suaves, como por exemplo esse álbum aqui.

 

 

O inverno está chegando… É tempo de Sopa!

Friozinho… Sopa… Tudo de bom não é mesmo? A receita de hoje não é tipo “gourmet” e a foto também não está lá muito bonita, mas é uma delícia!

Sopa de Espinafre

1 maço de espinafre lavado, cozido e picado

Alho, cebola, páprica, azeite e temperos à gosto

1 xícara de aveia (deixar hidratar por uns 20 minutos)

Preparo:

Primeiro vamos fazer o “leite” da aveia: Eu utilizei a aveia integral, mas dá para fazer com a aveia em flocos também. Se optar pela aveia integral, você deve deixar de molho uns 15-20 minutos, escorrer e bater no liquidificador com 4 xícaras de água e peneirar em peneira fina (Dica: Bata com duas e use as outras duas para enxaguar o liquidificador). Se for fazer com a aveia em flocos, use duas xícaras de água para hidratar, mas não escorra, apenas coloque ela hidratada no liquidificador com a própria água e com mais duas xícaras, bata e coe. Numa panela, refogue o espinafre com os temperos todos, e, quando já estiver refogado, despeje o leite na panela e deixe ferver mexendo de vez em quando. Acerte o tempero e sirva bem quentinha.

Dica: Congele os resíduos da aveia para fazer biscoitos, bolo ou pão (logo passo alguma receitinha que utilize os resíduos aqui! Enquanto isso, use a imaginação!)

Sopa de espinafre

Ricota de amendoim

Ingredientes:

1 kg de amendoim
1/2 xícara de vinagre
1 limão

Utensílios:

3 panos limpos e sem cheiro de sabão/amaciante
Uma peneira/escorredor de macarrão

Preparo:
Leite de amendoim: Coloque o amendoim  de molho por umas 8 horas. Lave bem os grãos, escorra e bata no liquidificador na proporção de dois copos de água para um de amendoim.
Utilizando uma peneira ou escorredor de macarrão forrado com um pano, vá coando o leite aos poucos, espremendo bem no pano e descartando o resíduo.
Após coar todo o leite, retire com uma colher a espuma que se formou. Leve a uma panela e deixe ferver (só um ou dois minutos após entrar em ebulição). Desligue o fogo e espere começar a esfriar (o leite deve estar por volta de 80 graus, então não é necessário esperar esfriar por muito tempo). Coloque o vinagre, mexendo levemente. Em seguida coloque o limão. O leite começará a coagular. Deixe em repouso por uns 25 minutos.
Forre um escorredor de macarrão ou peneira com um pano. Aos poucos vá despejando o conteúdo da panela na peneira, pausando aos poucos para que o soro escorra e a  parte coagulada fique na peneira. Feche com as beiradas do pano e coloque um peso (pode ser um prato pequeno). Deixe algumas horas até escorrer todo o soro (geralmente entre 8 e 10 horas). Ele não fica muito consistente, então desenforme numa travessa, preferencialmente de vidro. Tempere com sal, orégano e azeite, amassando bem com um garfo e deixe passar pelo menos uma noite para “pegar” o tempero. Você pode servir puro ou misturar azeitonas picadas, picles ou tomate seco.
Dura por cinco dias na geladeira e pode ser servido com bolachinhas, pães ou torradas.</p>

Observação: Os resíduos do amendoim podem ser utilizados no preparo de bolachinhas, bolos e doces (logo postarei algumas receitas, enquanto isso, usem a imaginação para aproveitar e criar delícias saudáveis e sem crueldade)