Lágrimas

Cristais líquidos
Caquinhos de sentimentos partidos
Sonhos multicoloridos
Que repentinamente quebram-se, pelo chão espalhados

Lágrimas… Não falam
E a dor não calam
Lágrimas são da dor expressão
Lágrimas que a outras lágrimas chamarão

Lágrimas, pequenas gotas de luar
Cristaizinhos de sentimento
Conseqüências de amar
Lágrimas de lamento

Lágrimas que a cada noite rolam
E em sussurros, por você chamam
Caquinhos de um sonho que se quebrou
Multicolorido amor que em minha alma brotou

Lágrimas sobre terras áridas
Incendiadas por perdidas paixões cálidas
Envenenadas pelo amor
Que agora despedaçado, já não é multicor

Coração… Terreno deserto
Lágrimas jamais o reviverão
Sem você por perto
Não há mais amor… Nenhuma colorida ilusão…

Ao meu amor…

Um príncipe, um anjo, um menino
Tu és dono do meu destino
Tu és inspiração da minha poesia
Da minha vida, tu és a alegria

É o sonho que desejo a cada anoitecer
E o despertar de cada aurora
Distante de ti resta-me sofrer
E mesmo assim, a esperança em meu coração aflora

É a solidão que me consome
A ferida que não se cura
É a dor que nunca dorme
Mata-me pouco a pouco, e ainda o amo com ternura

É o vento frio que me acaricia a face
Congelando meu pranto
E ainda que tanto frio me matasse
Ainda assim, tu serias meu encanto

É a condenação da minha alma
E a completa liberdade
Aguardo-te com agonizante calma
Pois tu és minha felicidade

E se mesmo assim não me quiseres
Sei bem o que será de mim
Escreverei cantando do amor as dores
E seguirei a vida aguardando o fim.

(Imagem: Internet)

Nas noites sem luar

Nas noites sem luar
Saio a vagar
Sonhando acordada, querendo te encontrar
Torno-me ser da escuridão
Uma alma repleta de solidão

Nas noites de lua nova
Entôo-lhe meu amor em versos, em trova
E no meu coração a esperança se renova

Nas noites de lua crescente
Busco-te novamente
Não te encontro e choro tristemente

Nas noites de lua cheia
Minha alma em enamorado sonho vagueia
E a lembrança do teu olhar meus caminhos clareia

Em noites de lua minguante
Sempre só, delirante
Sonho estar em teus braços, meu Cavaleiro triunfante…

64 - Nas noites sem luar

Na escura noite minha alma mergulha

Na escura noite minha alma mergulha
Lança-se no breu
Busca conforto na desesperança
Sente a dor que borbulha
E vê da vida imagens turvas
Sente-se perfurar em ponta de lança
Rota traçada sem rumo, incerto caminho
Em imenso mar, sou nave perdida
Sempre de partida
Sempre sem chegada, sem retorno, sem prumo.
Lúgubre sítio meu peito se tornou
Por que recusas assim quem tanto te amou
Fria solidão para mim restou
Desse amor que em meu coração brotou

63 - Na escura noite minha alma mergulha

Capítulo 12

Já era madrugada e Marjorie ainda não havia pregado os olhos. Desde que havia abandonado Valeska, não conseguia dormir bem, mas aquela noite em especial estava sendo terrível. Apesar do horário, resolve dar uma volta na praia, para relaxar. A praia é a algumas quadras da casa onde mora. Ela pensa em desistir, mas não conseguiria mesmo ficar sozinha em casa.
É Sexta Feira, por isso há muito movimento. Jovens se divertem em grupos alegres. Marjorie fica imaginando o que os amigos estão fazendo. Pensa em Valeska, não consegue conter-se: Chora. Vai caminhando pela água, buscando a escuridão. Suas únicas testemunhas são as estrelas, frias e distantes.
Ela caminha até a ponta da praia, onde há alguns rochedos que ficam visíveis apenas quando a maré está baixa. Chegando lá, vê que está com sorte, a maré está muito baixa, e o local está vazio. Marjorie senta-se nas pedras mal iluminadas. Continua chorando incontrolavelmente.
Um homem se aproxima. Marjorie se assusta, pois só se dá conta da presença dele quando já está muito próximo.
Ele, porém, senta-se ao seu lado, e pergunta:
-Então, Marjorie, o que faz aqui, chorando, sozinha nesse lugar escuro?
-Christopher?
Ele a abraça carinhosamente. Ficam alguns instantes calados. Ela chora ainda mais..Aos poucos, vai sentindo-se protegida por aquele amigo querido.
Desde a separação, Marjorie ainda não havia aberto seu coração para ninguém. Sua dor a estava sufocando cada vez mais. Aos poucos, ela começa a se abrir.
Eles conversam durante toda a noite. Quando se dão conta, já está amanhecendo.
Christopher leva Marjorie para a casa dele, ela está com febre e ele se recusa a deixá-la sozinha em casa. Marjorie estava de folga, mas ele tinha que ir trabalhar. Ele a deixa dormindo no quarto que a filha usa quando vai visitá-lo, porém preocupado volta mais cedo para casa. Ao chegar, encontra-a ainda dormindo, a febre já está um pouco mais baixa,.
Marjorie acorda às 16h00min horas… Assusta-se ao ver que está numa casa estranha, só quando vê Christopher, se lembra do que aconteceu na véspera. Ele cuida dela, prepara uma refeição bem forte, leva-a até sua casa, para que pegue alguma roupa e passe a noite com ele.
Marjorie não sabe como retribuir tanto carinho. Não entende por que ele está fazendo isso, afinal, conhecem-se há tão pouco tempo.
Christopher não consegue parar de pensar em Marjorie. Ele gostaria de poder penetrar em seu coração e arrancar Valeska de lá mas percebe que nada do que ele fizer fará com que Marjorie a esqueça.
Na segunda feira, após a aula, Marjorie voltou para casa. Era estranho estar de novo naquele quarto vazio depois de um fim de semana com Christopher. De repente, ela sentiu uma grande saudade dele.
Decidiu ligar para conversarem um pouco, pois sabia que ele dormia muito tarde.
Christopher ficou muito feliz com o telefonema. Também estava achando estranho estar sozinho em casa. Perguntou se Marjorie queria ir para lá, passar a noite com ele. Ela recusou. Mas combinaram de sair juntos no fim de semana, ir à praia ou algo assim.

Em São Paulo, as coisas estão cada vez piores para Valeska. Ela não consegue se concentrar muito nas aulas, não consegue mais manter aquela aparência tranqüila de jovem aplicada e feliz.
Melissa, novamente termina o namoro. Ela busca alguém que a satisfaça como fêmea, não apenas como mulher. Ela não quer um bom rapaz que a ame com ternura, busca um Macho que a cubra de prazer.Não busca uma menina que a ame acima de tudo, não quer ninguém que seja capaz de morrer por ela, de chorar por ela, tudo o que quer é alguém que seja simplesmente capaz de saciar-se de prazer em seu corpo e permita-lhe fazer o mesmo. E como é difícil encontrar isso. Ela sabe que nunca foi amada pelas pessoas que passaram em sua vida, sabe também que nunca amou essas pessoas, mas por que então elas insistiram tanto em tornar sério o que ela queria que fosse apenas uma brincadeira, um passatempo? Apenas pelo prazer de chegar ao grupinho de amigos e dizer: Ela é minha namorada? Apenas pelo prazer da posse? Não, não com ela. Ela não queria possuir ninguém, e não queria ser de ninguém. Queria apenas se entregar a quem saciasse seus desejos mais íntimos, sem ter que prestar contas depois.

Chega o fim de semana…
As folgas de Marjorie são corridas, se na semana anterior ela estava de folga no sábado, nessa semana sua folga é no domingo. Christopher, como supervisor têm folga todos os domingos.
Na sexta-feira Christopher vai buscar Marjorie na saída do curso. Eles vão comer uma pizza juntos, depois vão para a casa dele.
No sábado, ambos chegam juntos no trabalho. Na saída, Marjorie se despede dos amigos primeiro, eles não querem ser vistos assim, tão juntos o tempo todo, pois as pessoas podem interpretar a amizade de maneira errada.
Christopher alcança Marjorie no caminho, ela entra no carro e eles seguem para a casa dele. Assistem a um filme juntos. Depois vão dormir. Novamente, Marjorie ocupa o quarto de Diana, que nesse fim de semana não havia ido para a casa do pai, pois estava em São Paulo, na casa de uma prima.
Passam um domingo maravilhoso juntos.

Todos os dias se falavam por telefone antes de dormir. Muitas vezes Marjorie falava com ele sobre Valeska, chorando. Esses momentos partiam o coração de Christopher, que não suportava vê-la sofrer daquela forma.
Seus fins de semana sempre são passados juntos, Marjorie e Diana tornam-se muito amigas.
Já estavam no final de Outubro, Christopher toma então uma decisão: Pede Marjorie em casamento.
Ela fica muito confusa, sabe que jamais será uma boa esposa para Christopher, jamais conseguiria entregar-se a ele, como mulher.  E, além do mais, o que a filha dele pensaria disso, afinal, ela e Diana têm praticamente a mesma idade. E Diana sabe que ela e Christopher são apenas amigos
Christopher se conforma com a recusa, mas promete a si mesmo que não desistirá de ter o amor de Marjorie, ou de vê-la feliz nos braços de Valeska, de convencê-la a perdoar o amor de sua vida.

Caderno de Notas de Valeska.
“Não se arrependa…
De sofrer por Amor…
De lutar por Amor…
Ou de não ter esperança com quem você ama.
Pois o verdadeiro Amor,
Deve ter em pequenas doses,
O sofrimento,
Deve ter luta.
O verdadeiro Amor é o que tem poucas esperanças de se concretizar…
Mas quando acontece, traz para a nossa vida o sabor inigualável da
Felicidade!”

Você, corrente que ata meu corpo

Você… Corrente que ata meu corpo
Tira-me os movimentos
Corta, sangra
Sem querer prender-me, prende-me a ti
Macula a pureza desse amor que sinto
Estraçalha meu peito
Queima-me a alma
Marca-me
Você, que sem querer me mata
Corda que me enforca
Sufoca
Rouba-me o ar, até o último suspiro
Faz de mim uma folha seca
Jogada ao sabor do vento
Abandonada
Sem você, sou a rua triste de outono que só apresenta beleza aos olhos sensíveis o suficiente para entender a tristeza de te amar…

58 - Você, corrente que ata meu corpo

Capítulo 8

Os dias vão passando. Lentamente tornam-se semanas, meses…
Julho chega… Férias… Marjorie vai visitar os pais em São Paulo… Encontra seu quarto exatamente como deixou… Cada cantinho apresenta uma recordação… Bem em frente à cama, um grande painel mostra fotos dela e de Valeska desde a infância até as últimas férias que passaram juntas com os avós de Marjorie… Atrás de um quadro, a chave que abre a gaveta do criado mudo… Ela não consegue abrir, pois sabe que lá dentro estão guardadas cartas, bilhetes, fotos, um lenço com o perfume de Valeska, a calcinha que usou na primeira noite de amor… Pedacinhos de sua vida…
A alegria de rever os pais era nublada por essas lembranças.
A maioria dos amigos estava viajando… Os poucos que Marjorie encontrou invariavelmente citaram Valeska, todos sabiam que elas eram muito unidas e perceberam o estado quase depressivo em que Valeska se encontrava desde a partida de Marjorie. Que vontade de voltar… Seria a mesma coisa viver ali, como antes? Não… Não seria… A vida é um cristal,quando se parte,não adianta remendar, jamais será igual…
No sítio, Valeska está mais isolada que o habitual… Melissa não a deixa sossegada um segundo, mas recebe em troca a frieza do gelo. Seu único prazer é caminhar solitária em meio às trilhas, passa horas contemplando os pássaros… A água caindo na cachoeira… Sempre gostou desse contato íntimo com a natureza, mas após terminar seu namoro com Marjorie essa característica sobressaiu-se em seu comportamento. Unir sua alma a alma da Terra, das Árvores, dos Rios, ao Vento ajudava-a a preencher um pouco o espaço vazio que Marjorie deixara ao partir. Fim de férias.
De volta a São Paulo, Valeska fica sabendo que a amada esteve na cidade. Sofrimento. Nem avisou a ela que viria.
Em Santos, Marjorie retorna à rotina… No fim do ano prestará vestibular, não mais a USP, não quer voltar a São Paulo. Prefere ficar em Santos e fazer um curso particular…
A vida de Valeska também não sofre grandes mudanças. Ela mergulha cada vez mais em seu mundo isolado.
Em Setembro, Melissa faz dezesseis anos… Fazem uma enorme festa no sítio, Valeska é convidada, mas recusa-se a ir.
Nessa festa, Melissa conhece Ana Gabriela, prima de uma amiga do colégio.
Ela e Ana Gabriela têm a mesma idade, mas Gabi ainda é completamente pura. É uma linda garota, olhos castanhos, pele cor de doce de leite e cabelos negros e cacheados que caem abundantemente até as costas. Mora na cidade vizinha e sempre passa as férias e muitos finais de semana com a prima. Melissa a convida para passar uma semana no sítio, nas férias de verão. Os olhos de Melissa não conseguem esconder a maldade, ela torce para que em Dezembro Gabi ainda continue sendo a garotinha pura que ela conheceu.

Capítulo 7

Marjorie não obteve notas excelentes, como era seu costume mas conseguiu o suficiente para uma nova bolsa de estudos no ano seguinte. Ia simplesmente vivendo… Durante as férias arranjou um emprego, era a primeira vez que não passava as férias de verão com os avós… Mas não suportaria ir para uma fazenda, o contato com a natureza faria lembrar-se de Valeska… Quantas vezes não planejaram casar-se, terminar a faculdade e depois comprar um pequeno sítio, bem aconchegante, ao qual dariam o nome de “Recanto do Amor Eterno”, onde criariam seus filhos, envelheceriam juntinhas, e bem velhinhas cuidariam dos netos, contando-lhes lindas histórias de amor. Sonhos enterrados de uma vida que nunca iria voltar.
Qual não foi seu esforço para não responder as insistentes cartas de Valeska que a família lhe remetia para Santos. Queria tanto poder tomá-la nos braços e dizer que ainda a amava. Perdoar tudo o que se passou e voltar pra casa. Em fevereiro faria 18 anos… Como queria poder casar-se com ela.  Mas sempre haveria lembranças a magoar-lhe o coração… Sempre…
Às vezes ia à praia de madrugada, quando tudo é deserto e vazio, vazio como estava sua alma sem o amor de Valeska. Sentia a brisa tocar seu rosto, deixava-se ficar ali, chorando. Contemplava a fria solidão da Lua que apesar de cercada de estrelas, parecia olhar para a Terra buscando sua Amada, como se tivesse sido arrancada dos braços dela há muito tempo e jogada no frio exílio do firmamento e agora a ela só restasse acompanhar de longe o seu Amor.
Valeska faria 18 anos em janeiro. Que vontade de ligar para dar os parabéns e só por uma última vez ouvir aquela voz tão amada. Vontade de bagunçar mais uma vez aqueles cabelos curtinhos, louros e sempre tão comportadinhos. Vontade de beijar seu corpo mais uma vez. De tomar para si a sua esposa, o amor da sua vida…
Mais do que nunca, Marjorie sabia que jamais amaria alguém novamente. Seu coração não conseguiria mais entregar-se.
Ah, Valeska… Por que você fez isso com as nossas vidas? Por que mergulhou a aurora do nosso amor para sempre nessa escuridão, e por que, mesmo mergulhada na escuridão, não consigo matar em meu peito esse sentimento que talvez um dia me mate, e que carregarei comigo mesmo com o corpo sete palmos abaixo da terra e a alma vagando sem descanso, atormentada pela dor de amar-te, sem conseguir, entretanto te perdoar… Por quê?

Adorava as noites de ano-novo na praia. Já era uma tradição em sua vida passar as férias na fazenda dos avós, mas dar uma escapadinha até a casa da tia para passar a virada de ano em Santos. Lembrou-se de uma vez especial, quando a família de Valeska veio junto.  Elas estavam com quinze anos, haviam acabado de começar a namorar e ali, à beira-mar, juraram nunca mais se separarem. Era como se os fogos celebrassem sua união.
Mas, esse ano ela não passaria à beira-mar… Ficaria em casa, ajudaria a tia nos preparativos da ceia. Só não conseguia pensar em uma desculpa para não ir à praia… E faltava apenas uma semana… Sete dias a separavam do pior ano de sua vida… E o ano seguinte não demonstrava que seria melhor, ou mais feliz…
Noite de ano-novo, preparativos… Alegria no ar… Só Marjorie parece alheia a tudo…
Por volta das 22 horas a ceia estava praticamente pronta e todos foram se vestir… Marjorie ficou por último, como não havia encontrado um argumento convincente para não ir à praia, resolve se atrasar, para ver se os tios e o primo iam sem ela…
Não adiantou…
Eles ficaram muito surpresos ao vê-la saindo do quarto, num vestido negro, longo, com o corpo justo e a saia solta. Trazia os belos cabelos soltos e o rosto muito pálido. Seus olhos negros e orientais destacavam-se com uma expressividade assustadora. No pescoço, uma corrente prateada, onde pendurava uma pequena serpente de prata. Japonesa mestiça tinha um corpo forte, devido às aulas de karatê, mas nem por isso deixava de ser esbelta e feminina. Estava deslumbrante. Na praia chamava atenção por onde passava, tanto pela beleza, tanto pelo contraste, pois quase todos usavam trajes brancos ou cores leves e alegres.
O relógio marcou meia noite e os fogos começaram, mas já não havia ninguém para dizer que a amava… Lágrimas…
No sítio, Valeska controlava com dificuldade suas emoções. Também abriu mão da tradicional roupa branca, escolheu um vestido rosa (ouviu dizer que ajuda a melhorar a vida afetiva), era muito branquinha, loura e com os cabelos curtinhos. Apesar de adorar bijuterias e acessórios, nessa noite não usava nenhum adorno, apenas trazia consigo, guardada dentro do sutiã, uma carta de amor que Marjorie havia escrito quando começaram a namorar.
Também lembrava as juras de amor à beira-mar… Tudo o que mais desejava era voltar no tempo e reparar todas as besteiras que fez… Mas o tempo é cruel, o tempo não volta atrás…

Valeska: Caderno de notas

Ano novo/O tempo
Mais um ano se passou…
Como eu queria poder apagá-lo da minha vida, da minha memória… Queria voltar atrás em tudo que eu fiz, queria poder ser feliz de novo…
Marjorie… Passaram-se meses, e nem uma notícia sua… Esse silêncio me apavora… Quando você partiu, pensei que logo a saudade iria tocar seu coração e você voltaria para os meus braços… Mas até agora, nada… Começo já a perder as esperanças, mas se eu perder as esperanças, o que irá sobrar de mim?O que sobrará para viver se eu vivo somente de esperanças… Vivo da esperança de um dia reconquistar seu amor… Tê-la novamente em meus braços, minha alma gêmea, sem você é como se faltasse um pedaço da minha alma…
O tempo é muito cruel, ele não volta atrás e me impede de consertar o passado… É como se ele quisesse me castigar,passa lentamente, marcando cada segundo com uma pontada de saudade de você… Se não posso ir até meu passado, queria ao menos poder ver o futuro, para saber se um dia terei teu perdão e teu amor de volta… Pois a única coisa que me prende a essa vida é a esperança, e sei que se eu perde-la, poderia dar cabo a essa existência de dor…
Minha alma silenciosa e sofredora poderia então voar e buscar-te onde estiveres… E te seguiria, protegendo e amando-te até o fim da tua vida… E quem sabe então, na eternidade, você e eu seríamos novamente felizes…”
-Valeska.
-Que foi mãe?
-Larga esse caderno… Pelo menos hoje, é noite de Ano-Novo.
-É uma noite como outra qualquer.
-Valeska, você sempre foi tão alegre, doce. Sua alegria contagiava todos ao seu redor. O que tem acontecido com você?Há meses está cabisbaixa, não sorri, não canta. Abandonou as aulas de balé. Não sai com as amigas, nem as convida para ir a nossa casa.
-Não tenho nada. Apenas deixei o balé porque cansei das aulas.
-Você deve estar gostando de algum garoto. E não está sendo correspondida. Isso passa, sorria, logo vai aparecer alguém que te ame.
-O amor é cruel, me recuso a vivê-lo.
Chocada, a mãe de Valeska não consegue esboçar nenhuma reação. Ouvem-se então vozes vindas do lado de fora: Eram seu Lucas, D.Isabela e Melissa que chegavam para passar noite de ano com eles.
Vinham vestidos de branco, os pais usavam roupas muito simples, pois apesar de terem uma situação financeira boa, não faziam questão de luxos. Melissa usava um vestido um pouco mais requintado, longo, branco, com algumas rendas. Delicado, passava aquela imagem de inocência que havia encantado Valeska no verão passado. Mas seus olhos haviam mudado, já não mostravam mais uma leve malícia, agora Valeska podia ver a maldade que transparecia naquele olhar.
No interior não se costuma esperar até meia noite para tomar a ceia, de modo que às 22h00min, todos já estavam sentados à mesa, saboreando uma deliciosa refeição. Às 23h00min, a família de Melissa retirava-se. Finalmente, Valeska podia ficar sozinha.
Dona Mariana, mãe de Valeska, espera a filha recolher-se e começa a conversar com o marido. Relata a conversa que havia tido com Valeska, diz estar preocupada…
O marido tenta acalmá-la, diz que provavelmente Valeska está sentindo falta de Marjorie, que se mudou tão repentinamente e não manda notícias. Tudo que ela precisa é de companhia, de uma nova amiga que esteja sempre por perto.

Marjorie estava trabalhando em uma grande loja de roupas no shopping Miramar, em Santos. O emprego era temporário,mas ela queria muito continuar trabalhando após as férias. Seus tios porém não concordavam, ela iria começar a cursar o terceiro ano do ensino médio e deveria dedicar-se apenas aos estudos. Não precisava trabalhar visto que não tinha gastos com moradia ou alimentação e seus pais ainda lhe mandavam mesada todos os meses.
Chegou finalmente o fim das férias. Marjorie retornou a sua rotina normal, do colégio para a casa, da casa para o colégio.
Valeska ficou aliviada com a volta para São Paulo. Seus pais continuavam tentando entender o que havia de errado com ela, chegaram a sugerir uma análise.
Decidiu ficar o maior tempo possível fora de casa, estudava de manhã, almoçava e saía, passava as tardes na biblioteca, ou ia ao Ibirapuera, abrigava-se na natureza e se refugiava em sua dor.
No fim do ano teria que prestar vestibular… Ela e Marjorie sempre haviam sonhado com a USP, ela queria prestar Letras e Marjorie Educação Física. Será que iriam se reencontrar? Essa esperança era a única coisa que fazia Valeska dedicar-se aos estudos…

Capítulo 6

Os dias passavam lentamente.
Valeska ficava longas horas no quarto, isolada. Ia ao colégio por obrigação, não conseguia se concentrar nas aulas. O ano estava chegando ao fim e suas notas eram péssimas. Se ficasse para recuperação, ao menos poderia escapar de passar as férias na fazenda. Várias vezes Melissa escrevera, dizia ter saudades. Valeska não respondeu suas cartas, no fundo a culpava por ter perdido o único amor da sua vida, apesar de saber que ela fora a maior culpada de tudo. Não se deixara levar pela vontade de viver uma aventura de verão? Não se deixara convencer a dividir Marjorie com Melissa por uma noite? Marjorie tinha razão, ela era a maior culpada pelo próprio sofrimento.
Apesar do péssimo desempenho no colégio, conseguiu passar de ano.  Fazia exatamente um ano que havia conhecido Melissa. Era uma data para ser apagada, não lembrada. Viajaram para a fazenda, como se opor aos pais?

Foram as férias mais estranhas de Valeska. Tentava não conversar com Melissa, mas não podia recusar-se a falar com ela, pois não tinha nenhuma justificativa que pudesse apresentar aos pais. Ah, a família, pensava, sempre nos obrigando a fazer coisas que não queremos. Levou muitos livros com ela… Passava os dias lendo e as noites escrevendo. Levava seu caderno de notas a todos os lugares, até mesmo à cachoeira. Não tinha o hábito de escrever um diário, mas ia anotando seus pensamentos de um modo desconexo e confuso. Em janeiro faria 18 anos, a sonhada maioridade, se ainda estivesse junto à Marjorie, talvez se casassem.
Seus pais começavam a estranhar o fato dela não apresentar nenhum namorado, não receber telefonemas de garotos, não freqüentar os lugares comuns à sua idade. Sua vida tornava-se cada vez mais difícil…
 
Trechos do Caderno de Notas de Valeska:

“Sobre as palavras”
O que são mesmo palavras?São conjuntos de letras…
E o que são letras? São sinais gráficos, apenas…
Sinais inventados por alguém há muitos séculos…
Lembro que quando comecei a freqüentar o colégio, não gostava das letras, achava-as difíceis, por causa da dificuldade de desenhá-las, acabava ficando de castigo, até aprender…
Aprendidas as letras, comecei a formar as primeiras palavras…
Nunca imaginei que um dia as palavras seriam minhas únicas companheiras… Nunca imaginei ficar tão dependente delas… Cada dia mais me isolo em mim mesma, cada dia mais expresso meus pensamentos e sentimentos através da palavra escrita…
O que seria de mim hoje sem um papel e uma caneta, ou lápis?
Se não pudesse escrever meus sentimentos, a quem contaria sobre a saudade que tenho de você, Marjorie?
Faz seis meses que nos vimos pela última vez, e no meu coração permanece a lembrança dos teus olhos tão doces… Esses olhos cor de mel onde muitas vezes mergulhei minha alma…
De tudo que fiz até hoje, só posso me arrepender de uma coisa:
De uma linda tarde de verão na qual concordei com minha mãe e fui até a cachoeira conhecer uma nova amiga… Daquela tarde em diante, minha vida tornou-se um pesadelo, duvidei dos meus sentimentos, do meu amor por você, me entreguei a braços frios e sem amor… E depois te entreguei a esses braços também. . Por que eu fiz isso?Agora estou aqui, mergulhada nessa solidão sem fim, escrevo tudo que gostaria de te falar… Mas sei que você nunca vai ler, pois já desisti de te mandar e-mails, você não responde e talvez nem abra…
Enfim, acho que meu futuro é a mais profunda Solidão…
Palavras, muito obrigada por serem minhas companheiras nessa jornada rumo ao Nada”
 

“Sobre o Amor”
 
O amor é um sonho que sonhamos acordados…
É um sonho real, e nós podemos encontrá-lo apenas nos olhos de uma pessoa, durante toda a nossa vida.
Durante esse percurso (da vida) encontramos paixões, muitas ou poucas, depende do Destino de cada um…
Algumas pessoas encontram muitas paixões, muitas vezes acham que amam quando somente estão apaixonados… Demoram até ver nos olhos de alguém aquele brilho especial, até sentirem num abraço a Paz que só o Amor puro poderá dar… E muitas vezes, essas pessoas estão tão calejadas, tão magoadas, que deixam seu Amor passar direto por suas vidas… e continuam a buscá-lo…
Outras pessoas encontram seu amor em tenra idade, mas a vida as afasta, para que possam seguir seus caminhos e unirem-se novamente quando for o momento certo.
Algumas encontram o amor em alguém que está sempre muito perto, sem tempo de viver paixões. Duas almas se encontram e descobrem que se amam, mas pode acontecer o que aconteceu com a gente, de num instante de fraqueza o coração de uma delas experimentar a paixão e se perder… E aí,quando vemos,já é tarde demais e nós então já perdemos o amor da nossa vida…
 

Natureza:
Em meio ao verde, aos pássaros, sob esse maravilhoso céu, vivemos nós… Simples e pequenos seres. Não percebemos o quanto somos submetidos à natureza e tentamos desesperadamente vencê-la, prever-lhe os movimentos, as mudanças…
Mas é nela que encontramos o maior abrigo para nossa alma magoada e cansada de sofrer…
Às vezes tenho vontade de me deitar na terra e ser engolida por ela, de misturar aos poucos meus átomos aos dela até que meu corpo desapareça e minha alma torne-se livre para voar, ou então, passe a viver através do “Corpo” de uma árvore, que solitária no meio do campo observa tudo ao seu redor…
Às vezes tenho vontade de me misturar também às águas desse rio que corre correr com elas conhecendo lugares diferentes, e um dia evaporar, subir até o céu, e depois desabar sobre a Terra, quero ser a água da chuva a molhar o teu corpo… Assim posso te tocar ao menos uma última vez, e quem sabe, em meio a esse ciclo infinito de evaporar e tornar-se água novamente, não conseguiria te esquecer, ou ao menos aplacar a dor em minha alma?
Tenho vontade de ser vento… Ser vento significa voar para a liberdade… Ser a brisa do mar a tocar seu rosto…
Ser fogo… Queimar meu coração em suas próprias chamas, até reduzi-lo a cinzas, e depois como uma Fênix, delas renascer… Não adiantaria muito, renasceria te amando do mesmo jeito… Mas a jornada seria interessante, pois ao queimar meu coração, talvez conseguisse purificar esse amor, deixando dele apenas as boas lembranças e queimando toda a dor… É, talvez a dor não renascesse comigo, talvez renascesse apenas o Amor”

Imagem: Internet

Amo-te

Amo-te…
Não sei por quê
Não por querer
Amar não é saber
É sentir
É viver
Amo você
E onde estarás agora
Esse frio lá fora
Esse vazio aqui dentro
Longe dos teus braços
Teus beijos, teus abraços
Mas ainda assim
Amo-te com amor sem fim…

53 - Amo-te