Poderia

O rádio toca a canção
Que poderia ser a nossa canção
São sombras d’um mundo
Que poderia ter sido o nosso mundo

E o ígneo céu neste fim de tarde
Tinge com o sangue que derrama
Este coração que solitário ama
Esta alma que no fogo da paixão arde

Sombras me invadem e eu não sei
Porque tanta tristeza? Pensei
Que fosse uma longa avenida
Mas o amor foi rua sem saída

E como dói não conversar
Você me fez sorrir e agora o vazio
Veio minha alma tomar
Oh, lágrimas sem estio

(08-11-11)

Esse post faz parte do projeto BEDA – Blog Every Day August. Participam também:

Adriana Claudia Drica – ChrisMariana Gouveia – Lunna Guedes – Obduliono – Ale Helga – Viviane

Parasse o vento de soprar

Parasse o vento de soprar
Desaparecessem as ondas do mar
Secasse a chuva e todo pranto
Apagassem as estrelas, calassem meu canto

Morresse meu corpo consumido pela dor
Na fogueira da saudade meu coração queimasse
Olhos cerrados pela eternidade, sem temor
Uma alma livre para viver de amor

Quisera poder flutuar em tua direção
Como quem tudo e nada quer
Como quem deseja ser apenas mulher
Como se fosse possível afogar-me em tua paixão

Mas, não sei por que o destino insiste
Talvez goste de fazer-me sempre triste
Os deuses me negam tua presença
Fazendo-me sofrer esta dor intensa

Será que teu coração está selado?
Para tanto amor fechado?
Não gostaria de viver pelo amor embriagado
Deitando-se comigo ao luar, lado a lado?

Será muito o que peço, oh, vida cruel?
Livrar-me deste amor amargo como fel
Tê-lo ao meu lado para amar eternamente
Ou fechar meus olhos e esquecê-lo simplesmente

06-07-2011
(Escrito para uma concorrer a vaga em uma antologia de poemas sobre amor)

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Poesia da madrugada

Caminhando pelas ruas
Sozinha, já passa das duas
A madrugada é minha companhia
Nesta vida vazia

Descalça com o cabelo ao vento
Perdida em meu sentimento
A névoa encobre a cidade
Esconde você, minha felicidade

Descalça com o cabelo ao vento
Perdida em meu sentimento
A tristeza é minha escolta
Neste caminho sem volta

A noite já foi nosso ninho
Mas este tempo passou
Será que você vaga sozinho
Como sozinha hoje estou?

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*Este post faz parte do projeto BEDA*

Sobre os trens, as estações e a vida

Poucas coisas são mais simbólicas e poéticas que um trem percorrendo sua eterna linha onde um centímetro de desvio pode ser fatal- Não sei qual o motivo deste pensamento ter me ocorrido durante o final da tarde de hoje enquanto eu esperava o trem para retornar para minha casa após o primeiro dia de trabalho pós-recesso. Não que haja um trem interligando Santos – São Vicente, na verdade, o veículo está mais para um metrô que anda nos trilhos não-subterrâneos e chama-se VLT, entretanto, a poesia do seu vai-e-vem e a poesia de aguardar na estação é quase a mesma, guardadas as devidas proporções, de um trem e uma viagem longa. Enfim, por um momento perdi meus pensamentos – sejam quais forem os pensamentos que tenham me feito dar conta dessa simbólica e solitária poesia que cerca os veículos que caminham sempre sobre seus trilhos. Talvez de repente eu tenha percebido que assim como o percurso da máquina que me transporta, o tempo é também implacável e sem volta – e enquanto o trem corre tantas vezes ao seu destino, eu corro rumo aos 32 anos que se avizinham, e ao final deste ano de 2018 que em breve chegará com suas cores e suas falsas novas esperanças. Aliás, Julho, por si, é quase um mini-Dezembro: Uma divisão no meio do ano onde revisamos a lista – quase sempre não cumprida – e por vezes, estabelecemos algumas metas-relâmpago que no fundo sabemos que também não serão cumpridas. E ao mesmo tempo em que a viagem prossegue, as paisagens se sobrepõe rapidamente, assim como as memórias de momentos bons e ruins, saudades do que aconteceu e do que queríamos que acontecesse. Os olhos se enchem de lágrimas ocultas pelo óculos escuro, o coração se aperta – será que em alguma estação da vida haverá finalmente amor e aquele abraço para aconchegar o coração? Será que a viagem será sempre solitária? Haverá esperança antes da última estação, já no inverno da vida que se aproxima a cada ano? O trem chega ao destino – o dia terminou. Mas o trem da vida, este, continua correndo com todas as dúvidas, paisagens, solidões, eventuais sorrisos, algumas inseguranças, estações, chegadas e partidas – uma viagem sem volta que um dia chegará a seu fim.

Da chuva e do frio na alma

A chuva não dava trégua – era final de tarde, início da noite e já estava escuro. Ela caminhava pelas ruas do centro, mal protegida pelo guarda chuva, ignorando os pingos grossos que conseguiam molhar seu rosto. Na verdade, ela gostava da chuva, assim como amava o frio, a escuridão e o som dos pneus dos carros passando pelas poças de água. Gostava do cheiro da água que caía do céu misturado ao calor do escapamento dos carros. Ela observava os prédios antigos com suas rachaduras, a água se acumulando pelas sarjetas, as folhas das árvores caindo pelas calçadas na beira do canal. Prestava atenção em tudo, apesar do cansaço típico do final de um longo dia de trabalho. Na verdade, tudo que ela via era poesia – a poesia da cidade se misturando com a poesia da natureza. Perguntava-se como ou porque as pessoas andavam com tanta pressa, sem se atentar aos detalhes sutis do dia a dia – Chuva, frio, cheiros, ruídos, os ônibus lotados de pessoas e suas histórias – qual a história de cada um? Ela não entendia como alguém conseguia caminhar com tanta pressa a ponto de não notar a poesia de cada detalhe. Então ela os viu: Um casal jovem, encostados no muro. Ignoravam a chuva que os molhava enquanto suas bocas se buscavam em beijos apaixonados. Eles simplesmente se permitiam existir e fazer parte de todo aquele ruído poético da cidade. Aparentemente, ninguém mais os observava – o amor juvenil é uma poesia tão sublime que os olhares apressados das pessoas nem pareciam notar. Então sentiu frio – não o frio da chuva que conseguia atingi-la apesar do guarda-chuva. Não o frio do vento cortante. Aquela cena a fez sentir o frio que trazia na alma – a solidão, a saudade, a vontade de estar ali, existindo sob a chuva nos braços do seu bem-querer. Ela sabia que nada poderia aquecer sua alma naquele momento – ela trazia a chuva fria dentro de si e precisava deixar chover em lágrimas e em palavras para lembrar a todos que em toda parte há poesia, e que nem toda poesia é feliz, mas até mesmo as poesias mais tristes – e talvez principalmente as poesias mais tristes – são belas.

(18-06-2018)

Sobre solidão, bolo, livros e aplicativos de celular

Mais um dia frio. Um domingo gelado com o coração apertado de saudades. Apesar da melancolia, foi um dia produtivo. Usei aquele aplicativo legal, o Forest, que bloqueia o celular por um tempo para te impedir de perder o foco – Uma hora estudando violão, depois mais uma, depois mais uma. Quando foi que a vida ficou tão ligada a um celular que precisamos usar um aplicativo pra não olhar o aparelho? Não sei… Mas dizem que esse aplicativo planta árvores de verdade conforme a utilização, então, ok, uso ele quase o tempo todo – afinal, coisa rara é eu receber alguma mensagem interessante mesmo. Talvez, ironicamente eu esteja viciada em um aplicativo pra curar o vício em celular – engraçado, não? Em seguida, uma hora de leitura, um livro finalizado, um banho quente. E então, aquela ideia: Fazer um bolo. Bolo de laranja. E que tal laranja com maracujá? A cozinha é um lugar quentinho, repleto de histórias e sabores, um lugar mágico para esquecer por algumas horas os tons de cinza que cercam a vida e a falta de sabor do dia a dia. Acho que já comentei outras vezes o quando cozinhar significa pra mim, certo? Bolo pronto, cama arrumada – já são mais de dez da noite e amanhã a semana recomeça. Mas o sono ainda está longe, longe… E como tantas vezes o único remédio que espanta todo o tédio de mais um dia que se arrastou é pegar o caderno, apostila, livro, lápis e borracha e estudar – sim, a verdade é que apesar de tudo, nunca fui nerd, sempre fui profundamente entediada.E lá vou eu: Um pedaço de bolo, meu ursinho de pelúcia, material de estudo, jogada na cama e pronta pra mais uma hora longe do celular e mergulhada nas tarefas (espero que a essas alturas minha professora esteja orgulhosa de mim) – Mas antes de bloquear tudo, uma foto – afinal, quando o período de estudo acabar, vou ter algo pra escrever – nem que seja o relato de um dia tedioso, um bolo gostoso e o desejo permanente de que aquela pessoa especial pudesse estar por perto pra dividir um pedaço desse bolo com um café quente e um sorriso cheio de mistérios. #DiáriosdaPoetisa

(10/06/2018)

 

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Minha alma navega sem cais

Já não há mais realidade
Já não há mais ilusão
Já não há mais felicidade
Tudo se mistura numa grande solidão

Você partiu… Deixou lágrimas… Dor
Deixou esse inexplicável amor
Foi insensível
E em meu coração, a saudade é ferida invisível

Já não sinto a chuva fina em meus cabelos
E meus olhos agora são vermelhos
Vermelhos de tanto chorar
Meu corpo é insensível a tudo, só deseja te amar

Ao meu redor… Escuridão
Em meu coração… Solidão
Realidade, ilusão, felicidade não há mais
Minha alma navega sem cais…

Imagem: Internet

Lágrimas

Cristais líquidos
Caquinhos de sentimentos partidos
Sonhos multicoloridos
Que repentinamente quebram-se, pelo chão espalhados

Lágrimas… Não falam
E a dor não calam
Lágrimas são da dor expressão
Lágrimas que a outras lágrimas chamarão

Lágrimas, pequenas gotas de luar
Cristaizinhos de sentimento
Conseqüências de amar
Lágrimas de lamento

Lágrimas que a cada noite rolam
E em sussurros, por você chamam
Caquinhos de um sonho que se quebrou
Multicolorido amor que em minha alma brotou

Lágrimas sobre terras áridas
Incendiadas por perdidas paixões cálidas
Envenenadas pelo amor
Que agora despedaçado, já não é multicor

Coração… Terreno deserto
Lágrimas jamais o reviverão
Sem você por perto
Não há mais amor… Nenhuma colorida ilusão…

Palavras

Palavras são dons que me fazem viajar
Para dentro ou para fora de minha alma
Em emoções navegar
E às dores sobreviver com aparente calma

Palavras para bailar
Perdida em pensamentos, com a alma rodopiar…
…chorar
Palavras vindas do âmago… Palavras para sonhar

Palavras… Para um amor declarar
Palavras… Para um coração implorar
Palavras que eu gostaria de poder falar
Palavras… Para almas sensíveis tocar

Palavras e poesias… Retratos do dia-a-dia
Palavras e canções… Pensamentos do passado
Palavras, canções e poesia… Sem vocês, quanto se perderia?
Palavras, poesias e canções… Lágrimas de um coração descompassado.

(Imagem: Internet)

Procuro esquecer-te

Procuro esquecer-te entre meus suspiros e momentos
E não buscar-te em meus sonhos
Tento esquecer meus sentimentos
No mapa da vida, tento buscar novos caminhos

Na alma, carrego naufrágios, vulcões e tempestades
No olhar, lágrimas e saudades
Nos lábios teus beijos, doces encantamentos
Na minha vida tuas lembranças são meus acalantos

Por isso, te esquecer eu não posso nem por um segundo
Pois se tento, meu coração dói fundo
Tua imagem, tua lembrança… Você é meu mundo

E se te lembro… Se te lembro tudo se ilumina
Minha alma incendeia como fósforo e gasolina
Pois tu és minha inspiração… Sou tua eterna apaixonada menina…

(Imagem: Internet)