Fuga

A inspiração foge e se esconde
Corre sabe-se lá para onde
Brinca, baila, canta, corre
Diverte-se nessa alma que sem amor, morre

As palavras por vezes desaparecem
De me consolar, esquecem
Afogam-se nas lágrimas que descem
Perdem-se nos sonhos que esmorecem

E onde poderei a inspiração encontrar?
Como viver sem poder falar?
Sem conseguir expressar
Incapaz de escrever a dor de amar

Peço às musas inspiração
Tento e tento descrever a paixão
Mas esquecer dos teus olhos brilhantes
Impossível! Um coração quebrado jamais será como antes

Em sonhos te encontro e me perco
O amor que traz inspiração fecha o cerco
Trazendo também a dor
E pouco a pouco morro de amor

(07-07-2011)

Esse post faz parte do BEDA – Blog Every Day August. Participam também:

Lunna GuedesClaudia Ale HelgaAdriana – Drica ChrisObduliono

VivianeMariana Gouveia

Caminhando pela vida

Caminhando pela estrada
Correndo em disparada
Pelo amor atormentada
Pelo teu olhar encantada

Haverá um dia um porto seguro?
Uma luz em um dia escuro?
Um momento de entrega e paixão
Uma breve e feliz ilusão?

O tempo corre impassível
Não tem pena de um amor impossível
De uma dor insuportável
De uma lágrima inevitável

A vida se esvai na ausência
Em cada ser busco a tua essência
Teu carinho e inocência
Tua suave incandescência

E no espaço de uma vida
Estou sempre de partida
Caçando teu coração, tesouro perdido
Roubado por algum amor bandido

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*Esse post faz parte do projeto BEDA*

Da chuva e do frio na alma

A chuva não dava trégua – era final de tarde, início da noite e já estava escuro. Ela caminhava pelas ruas do centro, mal protegida pelo guarda chuva, ignorando os pingos grossos que conseguiam molhar seu rosto. Na verdade, ela gostava da chuva, assim como amava o frio, a escuridão e o som dos pneus dos carros passando pelas poças de água. Gostava do cheiro da água que caía do céu misturado ao calor do escapamento dos carros. Ela observava os prédios antigos com suas rachaduras, a água se acumulando pelas sarjetas, as folhas das árvores caindo pelas calçadas na beira do canal. Prestava atenção em tudo, apesar do cansaço típico do final de um longo dia de trabalho. Na verdade, tudo que ela via era poesia – a poesia da cidade se misturando com a poesia da natureza. Perguntava-se como ou porque as pessoas andavam com tanta pressa, sem se atentar aos detalhes sutis do dia a dia – Chuva, frio, cheiros, ruídos, os ônibus lotados de pessoas e suas histórias – qual a história de cada um? Ela não entendia como alguém conseguia caminhar com tanta pressa a ponto de não notar a poesia de cada detalhe. Então ela os viu: Um casal jovem, encostados no muro. Ignoravam a chuva que os molhava enquanto suas bocas se buscavam em beijos apaixonados. Eles simplesmente se permitiam existir e fazer parte de todo aquele ruído poético da cidade. Aparentemente, ninguém mais os observava – o amor juvenil é uma poesia tão sublime que os olhares apressados das pessoas nem pareciam notar. Então sentiu frio – não o frio da chuva que conseguia atingi-la apesar do guarda-chuva. Não o frio do vento cortante. Aquela cena a fez sentir o frio que trazia na alma – a solidão, a saudade, a vontade de estar ali, existindo sob a chuva nos braços do seu bem-querer. Ela sabia que nada poderia aquecer sua alma naquele momento – ela trazia a chuva fria dentro de si e precisava deixar chover em lágrimas e em palavras para lembrar a todos que em toda parte há poesia, e que nem toda poesia é feliz, mas até mesmo as poesias mais tristes – e talvez principalmente as poesias mais tristes – são belas.

(18-06-2018)

Meu cavaleiro de capa e espada

Meu Cavaleiro de Capa e espada
Quanto tempo eu aguardei tua chegada…
Na alta torre deste Castelo chamado solidão
Olhava o horizonte e pensava “esse tal amor não existe não”

Ah, meu doce herói de olhar sedutor
Você me ensinou o que é o Amor
Você que como um raio de Sol minha vida iluminou
Você que meu solitário coração amou

Meu príncipe misterioso
Resgata-me impetuoso
Corre comigo pelos campos da paixão
Semeia em minha vida flores de ilusão

A ti dei meu coração
E só teu é o meu amor
Abraça-me, embala-me, segura minha mão
Deixa-me sentir teu corpo, teu calor

Deixa que ao teu lado eu veja a vida cor-de-rosa
Como um conto de fadas sem fim
Como uma canção melodiosa
Doce como o amor que há em mim

Amado cavaleiro, livre tu és, pelas estradas da vida a viajar
Deixa-me então aguardar-te com candura
E sempre que a mim teu coração retornar
Estarei no alto da torre a te esperar, com infinita ternura.
65 - Meu cavaleiro de capa e espada

Esta noite sonhei com você


“Esta noite sonhei com você
Com o olhar doce de quem ama
Suavemente meu nome chama
Esta noite sonhei com você
Perfume de rosas
Pele macia, carícias gostosas
Esta noite sonhei com você
Meu primeiro amor
Meu único amor
Senti na minha pele teu olhar
Esta noite sonhei com você
E a saudade tão grande que eu sentia, aumentou
O que posso fazer? Olhando-te, meu coração te amou
Esta noite sonhei com você
Meu doce, terno
Amor eterno
Esta noite sonhei com você
E em sonho, me fiz mulher em teus braços
Sob muitos beijos e abraços
Esta noite sonhei com você
Meu doce cavaleiro, luz da minha estrada
Esta noite sonhei com você
E acordei sozinha… Sem você ao meu lado…
Quando meu sonho será realidade?
Quando ouvirei você dizer que me ama?

(Da série: devaneios tirados do fundo da gaveta)

Brisa de verão

Brisa de verão
Corre o mundo inteiro
Voa, voa ligeiro
Procura aquele que ganhou meu coração

Brisa de verão voa e leva pro meu amor
Meu beijo e meu abraço de saudade
E minhas lágrimas cheias de dor
Diz pra ele que sem ele não há felicidade

Leva para ele da primavera as flores
Dos beijos de amor todos os sabores
Acaricia-lhe a face com pureza
Oferta-lhe da vida doces frutos com delicadeza

Refresca-o nos dias quentes de estio
Aqueça-o nas solitárias noites de inverno
Guia-o pelas trilhas perigosas da vida
Protegendo-o de forma desmedida

Brisa de verão
Amiga única nesta solidão
Encontra meu amor neste mundo sem fim
E com carinho traga-o de volta para mim.
47 - BRISA DE VERÃO

Amor, que será de nós?

Ah vida perversa
Ingrato destino
Que a dor atravessa
Sofrendo em desatino
 
Oh, solidão gloriosa
De próximo ao bem amado viver
E, nesta estrada pedregosa
Nem notado ser…
 
Se as juras de amor
Nada valem
Que então se calem
As canções do romântico trovador
 
E nas quentes noites
Sejam as brisas açoites
E na primavera
Descubra o coração, que o amor é uma quimera
 
E o covarde arqueiro cego
Que aos poucos nos envenena
Veja enfim como nossa alma pequena
Aos poucos se desfaz
Sob seus golpes de algoz
Vida, morte fugaz
Amor, que será de nós?

Publicada - Amor, que será de nós

Gavetas, pastas, e-mails e cartas não lidas

As palavras que outrora escrevi encaram-me atônitas. Há quanto tempo guardadas, já haviam perdido a esperança de um dia ver a luz do Sol ou qualquer outra luz. Pobres cartas e poemas, já se haviam acostumado à ideia de morrer empilhados num canto qualquer, esquecidos. São tantas folhas retiradas de gavetas ou de pastas onde confesso, não deveriam estar! Até mesmo as letras brilhantes na tela do computador me cobram explicações num velho e-mail que jamais enviei. Por que mexer nisso agora? Desenterrar palavras que a alma já soterrou entre lágrimas e lembranças? Por que desenterrar essa enxurrada de cheiros, memórias, toques e olhos brilhantes? Por quê?
Talvez fosse melhor deixá-las adormecidas para sempre! São as cartas que eu escrevi e você não leu, e agora já não há mais motivos para que leia. São pedaços de poesias que se acabaram como se acaba um sonho bom quando os primeiros raios de Sol invadem o quarto e impiedosamente mostram a realidade. São apenas devaneios escritos com alma, lágrimas, sonhos e sangue. Sim… Talvez fosse melhor deixar estes escritos nas gavetas, para que o tempo os apagasse da mesma forma que um dia apagará a existência de quem os escreveu.

Sobre amor, natureza e dor.

Em meio ao verde, aos pássaros, sob esse maravilhoso céu, vivemos nós… Simples e pequenos seres. Não percebemos o quanto somos submetidos à natureza e tentamos desesperadamente vencê-la, prever-lhe os movimentos, as mudanças…
Mas é nela que encontramos o maior abrigo para nossa alma magoada e cansada de sofrer…
Às vezes tenho vontade de me deitar na terra e ser engolida por ela, de misturar aos poucos meus átomos aos dela até que meu corpo desapareça e minha alma torne-se livre para voar, ou então, passe a viver através do “Corpo” de uma árvore, que solitária no meio do campo observa tudo ao seu redor…
Às vezes tenho vontade de me misturar também às águas desse rio que corre e correr com elas conhecendo lugares diferentes, e um dia evaporar, subir até o céu, e depois desabar sobre a Terra, quero ser a água da chuva a molhar o teu corpo… Assim posso te tocar ao menos uma última vez, e quem sabe, em meio a esse ciclo infinito de evaporar e tornar-se água novamente, não conseguiria te esquecer, ou ao menos aplacar a dor em minha alma?
Tenho vontade de ser vento… Ser vento significa voar para a liberdade… Ser a brisa do mar a tocar seu rosto…
Ser fogo… Queimar meu coração em suas próprias chamas, até reduzi-lo a cinzas, e depois como uma Fênix, delas renascer… Não adiantaria muito, renasceria te amando do mesmo jeito… Mas a jornada seria interessante, pois ao queimar meu coração, talvez conseguisse purificar esse amor, deixando dele apenas as boas lembranças e queimando toda a dor… É, talvez a dor não renascesse comigo, talvez renascesse apenas o Amor”