#DesafioLiterário2020 #Setembro: Contos Reunidos – Brás, Bexiga e Barra Funda; Laranja da China e outros contos

 Paulista, nascido em Maio de 1901, Antonio de Alcântara Machado cursou direito, mas nunca perdeu de vista seu dom para a literatura. Em 1926, funda junto com Antonio Carlos Couto de Barros a revista modernista “Terra Roxa… e outras terras” e no mesmo ano publica “Pathé- Baby” seu primeiro livro reunindo contos publicados anteriormente pelo jornal do comércio (onde começou a colaborar em 1921). Em 1927 publicou o livro de contos Brás, Bexiga e Barra Funda – Notícias de São Paulo, onde se ocupou em retratar a São Paulo dos imigrantes italianos, uma camada social que formava considerável parte do proletariado paulistano. Brás, Bexiga e Barra- funda compõe-se de narrativas curtas, escritas com elementos que remetem mais ao jornalismo que a literatura.

A escrita do autor é breve, seca, sem grandes floreios e muitas vezes são utilizadas expressões populares da época – é preciso lembrar que a obra foi escrita sobre as primeiras luzes do modernismo, portanto difere fortemente de obras escritas por outros artistas em momentos pouco anteriores – Afinal, os modernistas propunham uma nacionalização da língua, abandonando as normas léxicas da elite portuguesa para que se adotasse a oralidade das ruas e da zona rural. Em 1928 o autor publica Laranja da China – A exemplo do livro anterior, Laranja da China também apresenta vários contos já publicados em periódicos nos quais o autor colaborava e mantém seu foco principal em retratar a cidade de São Paulo e seus diversos tipos humanos – entretanto, diferente de Brás, Bexiga e Barra Funda, em Laranja da China o autor retrata tipos humanos característicos da São Paulo dos anos 20 de forma irônica e divertida.  Uma curiosidade sobre o título é tratar-se este de um trecho de paródia feita para acompanhar os acordes iniciais do hino nacional (na época, cantava-se “laranja da China, laranja da China, laranja da China, Abacate, cambucá e tangerina” junto aos primeiros acordes do hino – Tente fazer isso e veja que realmente a métrica fica perfeita). A edição de “Contos Reunidos” elaborada pela Editora Ática/Série Bom Livro, conta ainda com mais cinco contos do autor reunindo assim em um único volume todos os contos de Antonio de Alcântara Machado. Tratam-se de cinco contos engraçados, espirituosos e com foco diverso dos primeiros – o autor abandona o imigrante italiano ou a construção dos tipos sociais paulistanos e mergulha na brasilidade com narrativas bem humoradas que envolvem desde política até concursos de miss. O volume é leitura imprescindível para quem ama a cidade de São Paulo e deseja se aventurar por suas ruas através dos tempos.

Nota: Confesso que iniciei esse livro no final do mês passado e tive um pouco de dificuldade na leitura, que achei arrastada de início e por isso deixei de lado várias vezes – Me arrependi desse comportamento quando cheguei nos contos do Laranja da China e nos cinco últimos contos, portanto, o primeiro livro lido no meu #DesafioLiterário202 #Setembro acabou sendo, na verdade, o último livro de Agosto.

E vocês? Já leram essa obra ou alguma do autor?

Hoje, apesar do caos, eu quero falar de amor.

Finalmente a chuva e o frio típicos do inverno estão dando as caras por aqui. E com o frio meu humor diário melhora e por alguns momentos, eu encaro a página em branco pensando: Não, hoje eu não vou falar sobre o governo jogando para ocultar o número de mortos da COVID (e dizendo que a intenção era melhorar o sistema), nem sobre as sinistras filas nos comércios que vão aos poucos reabrindo durante o pico da pandemia ou sobre o fato de que países europeus proibiram vôos vindos do Brasil ao ver o descontrole da situação por aqui… Pois é, eu realmente não quero falar sobre tudo isso, mas já acabei falando. Entretanto, no próximo parágrafo eu prometo ignorar o caos e falar de amor. Não porque foi o dia dos namorados na sexta feira – Coisa que eu esqueci e acabei não preparando uma listinha de músicas ou filmes fofos para postar aqui no blog. Quero falar de amor em um sentido que acompanhe meus textos de domingo: O amor que acontece no mundo e todo seu sentido social e politico.

E como o amor é bem mais que a relação romântica que ocorre entre pessoas começaremos falando logo de um tema polêmico – Nesta Quinta Feira foi exibido no canal Corpo Rastreado (youtube) a peça teatral “O Evangelho Segundo Jesus, A Rainha do Céu”, monólogo onde a atriz e ativista trans Renata Carvalho recria a vida de Cristo vindo ao mundo como uma travesti. A peça, exibida na emblemática data no feriado de Corpus Christi, reflete sobre o amor na sociedade, sobre empatia e sobre a forma como as minorias são tratadas – Afinal, como seria se Jesus realmente voltasse como uma pessoa trans? A autora transexual Jô Clifford consegue passar uma verdadeira imagem de amor.

A segunda notícia sobre o amor é mais romântica e polêmica: Um trisal de Sorocaba está esperando o nascimento do segundo bebê. Para quem não sabe, trisal é uma relação amorosa entre três pessoas. Diferente do que muitas pessoas pensam, a poligamia não é sinônimo de pessoas tendo relações aleatórias e sem cuidado. O poliamor ou poliafetividade é uma relação onde os envolvidos possuem a intenção de manter uma relação romântico-amorosa com respeito, atenção e carinho entre si, por longo prazo (sabe o “até que a morte os separe?”, então, imagine isso dito por três pessoas e vocês irão entender o conceito de trisal). A família de Sorocaba é formado por Marília Gabriela, Natali Júlia, Jonathan e o filho Raoni, além da menina que ainda irá nascer – De acordo com a reportagem, a relação teve início em 2011 e, como em muitos casos, as pessoas envolvidas não pensavam em formar um trisal. Infelizmente no Brasil as uniões poliafetivas são proibidas e as já existentes foram anuladas – O que não impede que, de fato, existam pessoas vivenciando essa rotina e tendo dia a dia seus direitos negados perante a legislação de um Estado que insiste em querer comandar o sentimento e o corpo das pessoas, ditando regras que não lhe caberiam ditar – Tudo em nome de moral e bons costumes – Conceitos que as bancadas do Boi, da Bala e da Bíblia e seus seguidores já jogaram pelo ralo há muito tempo e que, de verdade, jamais deveriam ter como balizas a maneira como os seres humanos decidem amar e utilizar seus próprios corpos.

Quem quiser ler a reportagem original sobre o trisal, é só clicar aqui no link.

Nossos sonhos não cabem em urnas (Ou um pequeno relato pessoal sobre as eleições de 2016)

Primeiramente, Fora Temer!
Nos últimos tempos uma considerável parte da população brasileira se desinteressou por assuntos ligados a política. São tantos escândalos, corrupção e sujeiras expostos diariamente no jornal e tanta precariedade, pobreza, insegurança e injustiça presenciadas no dia a dia que tal desinteresse, em um primeiro momento, parece ser algo normal, a solução mais lógica para um país “sem solução”. Mas, e se pensarmos diferente? Quando a nossa casa está bagunçada, o que fazemos? Deixamos continuar uma bagunça ou dedicamos mais tempo a organizar as coisas? Geralmente a segunda opção, correto? Com a sociedade, a lógica é a mesma! Se algo nos incomoda, temos que participar e ajudar a construir uma mudança – e isso não deve ser um comportamento que ocorre apenas a cada dois anos, quando vamos às urnas escolher nossos representantes! Atos políticos são atos diários. As lutas dos movimentos sociais, as organizações de moradores, o movimento estudantil, tudo isso participa da construção da sociedade e cabe a cada cidadão se organizar para propor e cobrar soluções! Ontem, dois de outubro, foi dia de ir às urnas e decidir os candidatos que irão representar a população na esfera municipal pelos próximos quatro anos .Em tempos onde as opções parecem ser apenas “mais do mesmo”, em tempos em que muitas vezes o ódio e seus representantes parecem dominar a cena política, a participação na política partidária vem sendo tratada por algumas pessoas como motivo de vergonha ou descrédito, mas é bom lembrar que a esperança nunca deve morrer.
Estes últimos meses foram bastante intensos. Talvez a maioria dos leitores e leitoras não saiba, mas sou militante do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e, este ano pela primeira vez, estive envolvida na construção de uma candidatura – a candidatura do companheiro Héric Moura para a vereança aqui em Santos. Foi uma campanha linda. Acompanhar e participar de cada etapa foi sem dúvida um motivo de alegria e um grande crescimento. Desde a pré-campanha até o último sábado antes da votação, foram horas de trabalho intenso, de companheirismo e de esperança. Não foi uma candidatura qualquer. Foi uma candidatura independente e coletiva, uma nova forma de fazer política, com honestidade e coerência. Percorremos as ruas da cidade batendo de porta em porta, conversando com as pessoas e explicando o projeto de um mandato com participação popular. E a cada rua, a cada casa, a cada conversa, só aumentava a certeza de estar no caminho certo, no lugar certo. E não há sensação melhor no mundo do que fazer o que se acredita! Infelizmente não conseguimos a cadeira na câmara, mas conseguimos conversar com pessoas, entender a cidade de uma forma que jamais seria possível se estivéssemos trancados em frente a livros e computadores. A frase que intitula este texto (confesso desconhecer a autoria) define bem o sentimento pós eleitoral: Nossos sonhos não cabem em suas urnas! As eleições municipais passaram, mas o sonho de ajudar a construir uma sociedade justa permanece. E esse sonho se espalha pelas ruas das cidades e pelos campos, e ainda que nossos pés pareçam lentos ao tentar caminhar em direção ao horizonte sonhado, o importante é que não estamos parados nem sozinhos no caminho!
Escrevo tudo isso para explicar aos que acompanham este espaço o motivo do meu breve desaparecimento (quem acompanha a minha página no facebook ainda recebeu uma ou outra postagem), para dizer que estou de volta com poesias, textos, resenhas, receitas, e com a alma repleta de gratidão por participar de um projeto tão intenso e belo e, principalmente, deixo aqui este relato absolutamente pessoal sobre a campanha e a construção política para convidar a cada um e cada uma a refletir sobre o que tem feito para tentar entender e mudar a situação que vê ao redor de si, pois se você não mudar, ninguém poderá mudar por você!

Um enorme abraço a todos e a todas!

Quem canta seus males espanta.

Já diz a antiga sabedoria “Quem canta seus males espanta”. Ontem, 26/08/2014 em Sessão Solene instaurada para comemorar o “Dia do Coral” (instituído em Santos pela Lei Municipal 2157/2003), foi possível sentir a veracidade do ditado popular. O Teatro Guarani, tradicional na cidade, tornou-se palco para a apresentação de alguns corais, dentre eles o Coral Canto Livre e o Coral Infantil da Legião da Boa Vontade.

            Como integrante do Coral Canto Livre, posso dizer que foi uma grande emoção estar no palco do Teatro Guarani, não só pela oportunidade maravilhosa de cantar, mas, principalmente por ver frutificar em tão bela apresentação o esforço de todos os integrantes, do tecladista Décio e da maestrina, D. Meire.

            Como espectadora, não há como negar a emoção diante da apresentação dos outros corais, especialmente o da Legião da Boa Vontade, formado por crianças e adolescentes.

            Foram ao todo seis apresentações, sendo cinco de corais da cidade e uma da banda infanto-juvenil “Quero”. E a cada canção foi possível sentir a dedicação de todos que ali estavam. Música não é apenas uma fórmula pronta. Cantar ou tocar é dividir um pouco da sua alma com quem está ali para assistir. Cantar em grupo é dividir suas emoções com cada colega em cada ensaio, e, justamente toda essa dedicação e entrega faz com que cantar espante os males da alma. E assistir outras pessoas cantarem faz muitas vezes com que os olhos se encham d’água, lavando a alma das tensões desnecessárias acumuladas no dia-a-dia. Enquanto houver no mundo professores que se dediquem a ensinar a Arte da música e alunos que desejem aprender, haverá uma luz e esperança de um futuro melhor.

            Fica aqui a homenagem a todos os cantores, regentes e músicos que, profissionalmente ou não dedicam seu tempo a aprender, ensinar, ensaiar e apresentar-se, fazendo os dias mais belos e esperançosos!

No vídeo, apresentação do Coral Canto Livre interpretando a canção Ameno, do grupo Era.