Dica literária: Cartas de amor de Paris [BEDA 03]

Você já leu uma história de amor super clichê, que envolve o reencontro de um casal depois de uma vida toda? Cartas de amor de Paris poderia ser um romance clichê água com açúcar, não fosse por um detalhe: Não é uma narrativa ficcional e sim o relato da história vivida por Samantha Vérant.

            Em 1989 em uma viagem pela Europa, Samantha conhece o homem dos seus sonhos, Jean-Luc. O romance de apenas um dia termina quando ela parte para o próximo destino do itinerário, despedindo-se dele em uma plataforma de trem. Apesar de estar apaixonada por Jean, Samantha ignora todas as cartas de amor que o rapaz insiste em enviar desaparecendo da vida dele.

            Vinte anos depois, dividindo a cama com o cachorro e prestes a se divorciar, Samantha se questiona: Onde tudo começou a dar errado?

            A narrativa é leve, fluída e divertida – Especialmente se levarmos em consideração o número de coisas pornográficas que podem ser pedidas por engano em francês quando tudo o que se quer é pedir um canudo ou dizer que está aguardando o mês de Julho. Enquanto Samantha nos conta o reencontro com o amor, descortina-se nas entrelinhas a importância das verdadeiras amizades, do apoio familiar e da coragem para enfrentar novos desafios quando tudo parece determinado ao fracasso.

            E você? Responderia uma carta de amor com vinte anos de atraso?


Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day April). Visite também:

Adriana AneliAle Helga Claudia Leonardi Lunna Guedes Mariana GouveiaObdulioRoseli Pedroso

Que teus beijos sejam açoite (BEDA 01)

Que teus beijos sejam açoite
A ferir meus lábios rosados
Que nossos dias sejam noite
Nossos corpos, desertos cálidos

Que nosso prazer seja tempestade
Nosso amor, longa jornada
Que tu sejas a fonte donde volto saciada
Quando tu me amas com intensidade

Que sobrevenha então a calmaria
Que o ímpeto seja substituído pela ternura
Que a noite torne-se aurora
E sob o Sol nascente adormeçamos envoltos em magia.

2/06/10






----------------------------
Hoje é dia de #tbt e é o primeiro dia do BEDA (Blog Every Day April), para unir as duas coisas trouxe para vocês uma das minhas poesias antigas... Lá se vão onze anos! Espero que gostem! 

Participam do BEDA

Adriana Aneli  -  Ale Helga - Claudia - Lunna Guedes - Mariana Gouveia - Obdulio -

Roseli Pedroso  

Abraços!

Pipoca, suco geladinho e boas risadas! As melhores comédias para as suas férias de verão!

A família bagulho

Para sair de uma enrascada, ele aceita ir até o México buscar cocaína – E como fazer para não chamar atenção na fronteira? Fácil! Viagem em família – Mesmo que seja de mentirinha! Prepare-se para as melhores férias! Um filme super divertido que conta com nomes como Jennifer Aniston (A Rachel de Friends) no elenco. Nota de 0 a 5?5.

O pacote

Eles são jovens, animados e vão acampar. O que poderia dar errado quando o carro ficou tão longe do local onde as barracas serão montadas? E se de repente um dos amigos sem querer cortar o “melhor amigo” fora e precisar de socorro urgente? As melhores trapalhadas acontecem neste filme bizarro. Não tentem fazer isso em casa! Nota de 0 a 5? 5.

Mistério no mediterrâneo

Ele decidiu levar a esposa a um passeio na Europa, mas conheceram um homem misterioso que os convidou para uma viagem marítima numa embarcação de luxo. Tudo seria perfeito se as pessoas parassem de morrer. Jennifer Aniston arrasou neste filme! Vale a pena assistir, mas tem que ter paciência nos primeiros 15 – 20 minutos. Nota de 0 a 5? 5.

Resgate do Coração

Após um inesperado divórcio, ela decide viajar sozinha para a segunda lua de mel que havia programado – Só não sabe que a viagem iria mudar sua vida, fazendo-a reencontrar sua profissão, aproximar-se mais do filho e encontrar um novo amor! Além de uma ótima história, o filme tem paisagens maravilhosas da África. Nota de 0 a 5? 5.

Um crime para dois

Um atrapalhado casal estava em crise no relacionamento – Até que de repente o destino os coloca na hora e lugar errados e eles se tornam suspeitos de um crime. Agora só resta correr contra o tempo para descobrir o verdadeiro culpado e escapar da cadeia. Uma comédia policial com direito a tiros, seitas estranhas e muitas gargalhadas. Nota de 0 a 5? 5.

Viagem das garotas (girlstrip)

Amigas para sempre é o lema dessas mulheres que se conhecem desde a adolescência e tomaram caminhos completamente diferentes na vida. Uma viagem pode ser uma ótima ideia para reunir todas – Mas será que essa amizade resiste aos conflitos causados pelas diferentes ideias sobre a vida e outras questões? O filme é muito engraçado e a atuação de Queen Latifah é um show a parte, mas não vale prestar atenção apenas nas atuações engraçadas: Viagem das garotas é um desses filmes que trazem uma mensagem sobre a vida – Será que vale a pena viver uma vida de aparências apenas pelo dinheiro? Nota de 0 a 5? 4.

Entre vinho e vinagre

Elas trabalharam juntas numa pizzaria e nunca deixaram de ser grandes amigas. Agora que Rebecca está completando cinqüenta anos, decidem fazer uma viagem para a Terra do Vinho – Acontece que o conceito de diversão é muito pessoal para ser espremido em um itinerário e isso pode gerar alguns conflitos – Principalmente quando se exagera no vinho. Vale a pena dar ótimas risadas com essas cinquentonas incríveis! Nota de 0 a 5?4

Cofee&Kareen

Coffee é um policial branco que se envolve com a mãe de Kareen, uma mulher negra. Acontece que Kareen não gosta nada da ideia de ver a mãe namorando um policial e vai fazer de tudo – até contratar um assassino profissional – para impedir esse relacionamento. Só que o tiro saí pela culatra e os dois terão que fugir de um gangster perigoso, lidar com suas diferenças e salvar a mãe de Kareen. É um filme de comédia policial bem divertido. Nota de 0 a 5? 4.

Gostaram da lista? Comentem!

Letícia, a nova vizinha – Ou o prato de sopa onde Berilo acredita que tudo deveria ter começado

(É possível entender este conto sem ler os outros dois, mas, caso você deseje – E eu espero que deseje – ler os dois primeiros contos e entender melhor a história, clique aqui e depois aqui)

Péssimo dia para uma mudança. Fazia frio e a garoa não dava trégua. Dois homens visivelmente mal-humorados vão tirando as caixas e móveis de dentro do caminhão-baú. Da janela, Berilo observa curioso o trabalho deles. Não parece nada fácil. Apesar do frio, se ocupa em tentar descobrir quantas pessoas irão morar no apartamento 701, o único vago do prédio. A pessoa teria alugado ou comprado? Seria uma família com crianças barulhentas ou um estudante universitário que chegaria tarde, fazendo arruaça e acordando os vizinhos de sono mais leve? Então, ele a viu: Uma moça de estatura baixa, pele bronzeada e cabelos encaracolados. Parecia bastante jovem, possivelmente iria morar com a família – Ao menos não haveria bagunça de criança pelos corredores nem ébrios desajeitados fazendo barulho pelas madrugadas. Ela era sem dúvida uma das criaturas mais bonitas que Berilo já havia visto na vida. Ele olhou para a sopa de espinafre que fervia no fogão. Podia parecer clichê ou cena daqueles filmes norte-americanos onde algum vizinho interessado em saber mais sobre novos moradores, leva uma torta de frutas e se oferece para ajudar em qualquer coisa. Talvez seguir roteiros clichês de vez em quando fosse uma boa ideia. Pensou em Marcus e em como seu coração se partira com o término repentino – Ele estaria pronto para flertar novamente? Seu coração respondia “não”. Seu corpo, subitamente enrijecido e arrepiado, respondia sim. Desligando a panela, desceu pelo elevador. Foi até a portaria verificar se havia correspondência e voltou bem a tempo de subir com a nova vizinha. Apresentaram-se. Ele com a voz quase sumindo, os olhos baixos e o corpo ligeiramente encolhido pelo frio e pela timidez. Ela com um sorriso cheio de covinhas e os olhos negros muito brilhantes e, ao mesmo tempo, desconfiados. Ele perguntou se ela e a família gostariam de um pouco de sopa de espinafre, para atenuar um pouco o frio. Ela brincou com o fato de que, se aceitasse, estaria fazendo duas coisas que a mãe sempre lhe dissera para não fazer: Conversar com homens estranhos e aceitar comida ou bebida de qualquer pessoa desconhecida. A brincadeira feriu os brios de Berilo – Então, a nova vizinha pensava que ele fosse um estuprador ou um bandido? Tanto pior para ela. Deu um sorriso amarelo quando ela saiu do elevador. Naquela mesma noite, encontraram-se novamente, ele estava na portaria entregando ao porteiro um pequeno pote com sopa, Letícia havia descido para esperar uma pizza que encomendara. Pensou em fazer uma piada sobre o acontecido de mais cedo, apenas para deixá-la constrangida, mas antes que pudesse abrir a boca, bateu os olhos na manchete de um jornal sobre a mesinha da guarita: “ VIOLÊNCIA CONTRA MULHER – O AGRESSOR PODE ESTAR MAIS PERDO DO QUE VOCÊ IMAGINA”. E então, ele se sentiu triste pela atitude que tivera mais cedo: Ela não fizera por mal. Apenas devia estar assustada, morando sozinha pela primeira vez em uma cidade tão grande. Estava se defendendo de um mundo difícil. Ele a observou pegar a pizza e subir. Poderia ter entrado no mesmo elevador, mas sentia que seria constrangedor para ambos. Uma sensação de perda o inundou: Com toda sua timidez e medo do desconhecido, Berilo acreditava que jamais teria coragem de tentar conversar com Letícia novamente – Ele ainda não sabia que quase dois anos depois, uma folha de limoeiro iria dar a eles uma segunda chance de conversar. Outra coisa que ele não sabia é que o relacionamento deles seria tudo, menos um clichê ou conto de fadas.

Sopa de espinafre

3 colheres de sopa de azeite

1 cebola média picada

1 maço de espinafre em folhas

2 batatas grandes

2 dentes de alho picados

Sal, noz moscada, cominho e coentro em pó à gosto.

Ferva água e mergulhe o espinafre por um minuto. Retire, escorra bem e pique grosseiramente. Cozinhe as batatas enquanto, em outra panela, refogua a cebola, o alho e os temperos. Vá acrescentando ao refogado o espinafre cortado e as batatas já cozidas, escorridas e cortadas ao meio. Desligue o fogo e coloque o conteúdo da panela em um liquidificador, bata bem, acrescentando aos poucos 700ml de água. Volte para a panela, acerte os temperos, cozinhe até engrossar e sirva em seguida, colocando um fio de azeite por cima se desejar.

Esse post faz parte do BEDA: Blog Every Day August. Participam também:

ObdulionoMariana GouveiaClaudia – Lunna Guedes – Viviane – Adriana – DricaChris – Ale Helga

Esfriou né? Pipoca & Filminho!Veja aqui as dicas do que assisti em maio, junho e julho!

Ele está de volta

Se Adolf Hitler retornasse repentinamente e ganhasse espaço em um programa de televisão, ele faria sucesso ou sofreria repulsa? Neste filme alemão de 2015, baseado em um livro homônimo, acompanhamos um retorno “mágico” de Hitler ao nosso mundo. Contratado como comediante, Hitler rapidamente faz sucesso com suas ideias, cativando o público. O filme é assustador, pois passa a mensagem de que, mesmo com toda nossa tecnologia, discursos de ódio podem se espalhar rapidamente – Ainda mais quando estão ocultos sob o leve verniz do humor. Vale a pena assistir.

Nota de 0 a 5: 5

Sombra lunar

Ele a persegue há anos, mas descobrir a verdade sobre essa misteriosa assassina pode ser um grande choque e uma chance de redenção. A sinopse oficial é muito bem escrita e venda a ideia de um filme de ficção científica envolvente, mas, pelo menos para mim, foi decepcionante.

Nota de 0 a 5: 2

Entrevista com o vampiro

Um quase clássico baseado na obra de Anne Rice, contando a história de Lestat, Louis e Claudia. Um filme intenso, com personagens marcantes e momentos dramáticos. Sinceramente, me pergunto por qual motivos todos os livros da Anne Rice não foram transformados em filmes – Se tem uma autora que merecia ter sua obra toda no cinema, essa autora é a Anne.

Nota de 0 a 5:5

Efeito Borboleta

Um estudante universitário descobre com controlar sua mente a ponto de conseguir viajar no tempo e alterar fatos que ocorreram e geraram traumas – Entretanto, cada mudança gera uma conseqüência diferente e, por vezes, trágica.

Nota de 0 a 5: 4

Jogo Perigoso

Um casal decide viajar para um lugar tranqüilo para tentar resgatar um pouco seu relacionamento. Entretanto, uma tragédia acontece e ela se vê algemada, em uma casa vazia, com todas as portas abertas e sem a possibilidade de gritar por ajuda, uma vez que a casa mais próxima está a quilômetros de distância. O que poderia acontecer? O filme é um suspense intenso, com poucos personagens e muitas horas de tensão. Suficiente para traumatizar qualquer pessoa (Sério, sempre deixe uma chave em local de fácil acesso quando decidir “brincar” utilizando algemas).

Nota de 0 a 5: 5

Você nem imagina

Ellie é uma estudante tímida e muito inteligente que vive com o pai em uma cidade pequena e fatura uma grana vendendo trabalhos e redações para seus colegas – até que um dia Paul a procura para pedir que ela escreva uma carta de amor para Aster, colega pela qual ele é apaixonado. O que Ellie não contava era se apaixonar por Aster. Um filme sobre crescimento, amizade e amor.

Nota de 0 a 5: 5

Jane A Virgem

Uma série muito divertida que acompanha a vida de Jane Gloriana Villanueva – Uma jovem estudante universitária inteligente, organizada e bastante religiosa que traçou para si mesma um cronograma rígido de metas – Até ser acidentalmente inseminada  artificialmente com o sêmen de Rafael Solano, um playboy que, por acaso, é dono do hotel onde ela trabalha. A série tem romance, ação, crimes e muitos motivos para rir. E tem mais uma vantagem: A série terminou na quinta temporada, o que significa que não corre o risco de ser cancelada e deixar aquele gostinho de “quero mais”

Nota de 0 a 5:5

Os 13 porquês

Baseada num livro homônimo, os 13 porquês (ou 13 reasons why), acompanha os acontecimentos que levaram a jovem Hanna ao suicídio e todos os traumas e segredos não resolvidos que irão perseguir seus colegas de escola – Em especial Clay Jasen. Uma série que infelizmente retrata o lado não tão inocente da juventude e os erros que infelizmente são cometidos por pais e educadores. Apresenta situações de violência física e psicológica, uso de drogas e abuso sexual/estupro. Não assista se você estiver passando por momentos difíceis relacionados a essas questões.

Nota de 0 a 5:5

O beijo no asfalto

Filme brasileiro baseado na obra de Nelson Rodrigues, acompanha a história de Arandir, um bancário que, ao socorrer um homem atropelado, realiza seu último pedido e o beija na boca – Esse ato é suficiente para causar o escândalo na sociedade e traz conseqüências trágicas. O elenco foi muito bem escolhido e, apesar de ser um filme antigo, com ritmo e qualidade de imagem muito diferente do que estamos acostumados nos tempos atuais, vale a pena assistir.

Jovem e Bela

Ela leva uma vida dupla: Diante da família, estudante dedicada. Nos horários livres, prostituta. Quem espera cenas de sexo “quentes” provavelmente irá se decepcionar. O filme também deixa a desejar ao não demonstrar claramente o motivo que levou a jovem a se prostituir.

Nota de 0 a 5: 2

Gostaram das dicas? Já assistiram algum desses filmes? Conta nos comentários!

Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day August). Participam também:

Claudia – DricaChris Obduliono Mariana GouveiaViviane – Lunna Guedes – Adriana – Ale Helga

Tia Julia e o escrevinhador

O segundo livro do #DesafioLiterário2020 #Agosto é uma obra do autor peruano Mario Vargas Llosa. O autor soube construir um romance divertido, de fundo autobiográfico, com elementos que causam pequenos choques no leitor. A história principal gira em torno de Varguitas, então um rapaz de dezoito anos, que se apaixona pela tia, Julia, mulher mais velha e já divorciada. O autor complementa o romance com elementos como o trabalho de Varguitas na rádio, onde conhece Pedro Camacho, um boliviano autor de novelas de rádio, muito populares na época. Varguitas estuda direito e deseja ser escritor e morar em Paris, Camacho escreve durante horas e horas seguidas, sem descanso – Llosa utilizou-se de um recurso muito interessante: Os capítulos do livro se alternam entre a história de Varguitas, Júlia e Pedro Camacho, e as histórias das novelas de Pedro Camacho, de modo que hora você está acompanhando o desenrolar de um romance proibido, hora está lendo uma pequena história dramática e por qual motivo não dizer espalhafatosa, que deixa sua continuidade com uma ponta solta, como um momento de suspense sugerindo que haverá continuidade. Llosa sem dúvida é um dos grandes nomes da literatura latino-americana e, ainda que a obra em comento pareça um pouco lenta no início, o autor consegue manter um ritmo agradável, que cativa o leitor e o leva conhecer várias realidades diferentes dentro de um mesmo país: Policiais, religiosos, burguesia decadente, pessoas simples, artistas, burgueses, fugitivos. Cada história se desenrola em seu próprio tempo, até que o leitor começa a notar algo diferente, uns pequenos incômodos, uma incerteza que o fará talvez retornar algumas paginas e depois continuar a leitura com uma sensação estranha e divertida, afinal, os fatos que ocorrem na vida de um autor de novelas incansável uma hora acabam refletindo-se na criação de suas histórias e personagens, ou não? Uma das melhores obras literárias que já caiu em minhas mãos este ano! Do mesmo autor indico também Travessuras da Menina Má, já falei dele aqui no blog.

Esse post faz parte do BEDA – Blog Every Day August

Participam também:

Lunna Guedes, Viviane, Mariana, Ale Helga – AdrianaClaudiaDrica Chris Obduliono

Meu Amor (Acróstico/2010)

Minha vida sem você é uma luz que

Está sempre apagada

Um barco perdido em

Alto Mar

Mirante sem paisagem

Onde ninguém gosta de ficar, é flor sem

Raiz, pois seu amor é a raiz que me faz florescer

(Poema escrito em 2010 para o romance Valeska)

Este post faz parte do projeto BEDA (Blog Every Day August)

Participam também:

Viviane Lunna Guedes Ale HelgaAdrianaClaudiaDricaMariana Gouveia ChrisObduliono

#TBT – Flores

“Flores! Para enfeitar nossa jornada, para perfumar, colorir. Tê-la ao meu lado é cultivar no Jardim da vida a rara flor do amor – Amor que colore, perfuma e alegra nossos caminhos. Amor que faz sorrir e também faz chorar. Amor que derrama o sangue de nossas almas – Pois, como qualquer rosa – Possui espinhos. Amor, simples e profundamente, amor e nada mais, amor que é tudo, que nos guia, alimenta nossa alma, amor. Amor, que como todas as flores, no inverno perde as cores, o verde das folhas. Amor que pensamos estar morto nos longos meses do inverno, da distância, mas no fundo sabemos que ele nunca morre, pois, sem ele, nada somos. Sem ele, a vida nada é. Amor que retorna na primavera do reencontro, atinge novamente seu ápice, faz-nos reviver, sonhar! Amor! Motivo maior da existência, pureza da água cristalina, brilho das estrelas, estrada da alma, estrada que sigo a teu lado, mesmo distante, sempre perto de ti, sempre pelo mesmo caminho. Você é meu amor, flor que enfeita e perfuma minha existência, minha estrada e meu motivo para segui-la, sem medo, embora não saiba para onde sou conduzida, com a confiança de que, qualquer lugar ao teu lado é o paraíso.”

29-04-2009 (Escrito para o romance Valeska)

Esse post faz parte do BEDA: Blog Every Day August. Participam também:

Ale HelgaLunna GuedesVivianeChris Mariana GouveiaObdulionoDricaClaudia

Letícia, o vizinho e o limoeiro – Ou como tudo começou, na versão dela.

(Algumas pessoas me chamaram no direct para dizer que curtiram a história da Letícia e de seus dois amores, então decidi continuar o conto – Se você ainda não leu o início, é só clicar aqui)

Letícia desceu até a garagem carregando um banquinho. Dirigiu-se até o muro que fazia divisa entre o prédio e o terreno que pertencia a uma velha senhora ranzinza. Posicionou o banquinho rente ao muro, testou algumas vezes buscando certificar-se de que estava firme e não iria tombar. Odiava ser baixinha! Fosse um pouco mais alta, conseguiria alcançar o galho do limoeiro esticando o braço. Subiu e cortou duas folhinhas daquela preciosidade, guardando-as junto com a tesoura no bolso da calça. Repentinamente, um animal se mexeu entre os galhos, ela se assustou e sentiu o corpo ser arremessado para trás. Quis o acaso que um par de mãos a segurasse pela cintura naquele momento, guiando-a para o chão. Era o vizinho do andar de cima. Ela sorriu sem graça, agradecendo pela ajuda. Não conseguia encará-lo depois de quase cair literalmente em cima dele. O gato que a havia assustado postara-se no muro, com os pelos arrepiados e olhar ferino, era um animal magnífico. Ela buscava na memória o nome do vizinho enquanto ficava ali, parada, observando-o esticar o braço e retirar duas folhas de limão. “- Vamos subir?” – Ele falou retirando-a da letargia em que se encontrava. Letícia pegou o banquinho e caminhou lado a lado com o homem. “- Algumas vezes eu venho até aqui para buscar essas folhas de limão, elas são um ingrediente importante para um prato que aprendi a cozinhar ainda garota: O caril tailandês – Embora, na verdade, eu não tenha plena certeza de que se trata de um prato tailandês.”. Ela falou buscando quebrar o silêncio. Ele abriu a porta do elevador, sinalizando para que entrasse e sorriu pontuando que a intenção dele ao pegar as folhas fora a mesma que a dela: Preparar o caril tailandês, velha receita da avó. “– Seu apartamento é o 701, certo?” perguntou, quando abriu a porta para que ela descesse no sétimo andar. Ela apenas balançou a cabeça. “- Muito bem! Boa noite e bom jantar. Quando quiser companhia para colher folhas do limoeiro, me avisa”. Parecia que o gato havia comido a língua de Letícia, que novamente acenou com a cabeça, respondendo um tímido “tudo bem”. Naquela noite, um pouco mais tarde, ouviu alguém bater na porta e, quando foi atender, encontrou uma sacola com uma quentinha e um bilhete: “Aprecie uma amostra da minha aparentemente não tão exclusiva receita de caril, atenciosamente, vizinho do 805”. Ela sorriu e, sem pensar muito, colocou um pouco do que ela havia terminado de preparar em um potinho e subiu até o andar de cima, retribuindo a gentileza. De fato, o tempero dele era excelente e o sabor surpreendente com a troca do tradicional frango por cogumelo shimejji. Seria ele vegetariano? E será que ele iria ler o número do telefone dela escrito a lápis no final do bilhete que ela havia deixado?”

Receita: Caril Tailandês

400gs de Shimejji

1 cebola picada

1 dente de alho

½ bulbo de erva doce picado

1 colher (chá) de coentro moído

½ colher (chá) de pimenta vermelha picada

1 colher (chá) de raspas de casca de limão

1 colher (chá) de páprica

½ colher (chá) de cominho moído

2 colheres (sopa) de óleo

3 colheres (sopa) de shoyo

1 xícara de leite de coco

2 folhas de limão

2 pimentões vermelhos ou amarelos fatiados

10 cebolinhas fatiadas em tirinhas

Higienize e refogue bem o shimejji com um pouco de sal e azeite. Retire da panela e reserve. Bata no liquidificador a cebola, o alho, a erva-doce, coentro, pimenta, raspas de limão, páprica e cominho. Aqueça o óleo no fundo da panela onde já havia refogado os shimejjis ou então use uma frigideira funda e larga. Junte os temperos batidos e cozinhe por dois minuto. Adicione o Shimejji e mexa delicadamente até envolver totalmente no tempero. Junte o molho de soja, o leite de coco, as folhas do limão, 2/3 de  xícara de água, os pimentões e as cebolinhas. Cozinhe por mais quinze a vinte minutos e sirva em seguida.

[Este post faz parte do projeto BEDA – Blog Every Day August] Também participam:

Lunna GuedesVivianeAdriana AneliClaudia LeonardiChris Ferreira – Drica MoreiraMariana Gouveia Obduliono

Dom Casmurro – Machado de Assis

Afinal, Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Essa, sem dúvidas, é uma questão que ficará eternamente marcada na memória de quem se aventura pelas páginas de Dom Casmurro. E talvez, seja exatamente essa a genialidade da obra: Provocar a curiosidade do leitor, a ponto de fazê-lo reler trechos inteiros, examinar o caráter das personagens através dos capítulos tentando buscar na Capitu criança os traços de malícia que a fariam infiel e no Bentinho menino os traços da inocência que o cegariam para a verdadeira face da amada.

      Li Dom Casmurro pela primeira vez com dez ou onze anos de idade. Nessa idade, foquei na história – O menino que descobre amar a menina da casa ao lado, sua companheira de infância e brincadeiras e depois de casado, descobre a traição ao notar as semelhanças do filho com o melhor amigo. Sim, aos dez ou onze anos, na minha cabeça, a traição de Capitu era uma certeza, bem como o sentimento de revolta que martelava: Como uma mulher é capaz de trair o homem que tanto se esforçou para mudar os planos que a mãe havia traçado para ele? Como? Depois fiz nova leitura, na época do vestibular. Era mais adulta, me atentei em detalhes como o ciúme de Bentinho, que o torna uma personagem complicada desde a entrada no seminário, e concluí que não, Capitu não traiu Bentinho – Ele é que, dominado pela insegurança e pelo ciúme, construiu uma narrativa tortuosa ao relembrar pequenos fatos do dia a dia. E então, eis que, aos trinta e três anos, na terceira releitura, percebo a construção das personagens tão minuciosa que a dúvida sempre subsistirá: Capitu, em menina, era manipuladora: Traçava planos, observava as pessoas buscando entender como poderiam ser úteis, dissimulava quando era pega em situações que poderiam comprometer seus planos. Sabia fazer-se querida, necessária, amada. Bentinho, por outro lado era mais inseguro, ciumento e manipulável e, provavelmente, acabaria seguindo o destino traçado por sua mãe, tornando-se padre, caso Capitu, muitas vezes, não se empenhasse em orientá-lo. Bentinho é inocente na infância, possivelmente devido a sua criação direcionada ao sacerdócio: Notemos que ele não tem amigos e sua única companhia é Capitu e, em certo período, o rapaz doente com o qual troca correspondência acerca de um conflito internacional. A inocência da infância dá lugar à insegurança do adolescente e ao ciúme, que lhe acompanhará: Bentinho olha Capitu com adoração, acreditando e ao mesmo tempo, desconfiando dela. Essa construção das personagens é muito interessante – Faz-se preciso lembrar que, Dom Casmurro é um livro escrito já sob a luz da escola realista e Machado de Assis debruça-se com empenho na criação psicológica de suas personagens, quase não há descrições longas da natureza e do ambiente, e mesmo as descrições físicas são breves e diretas, portanto é preciso se atentar ao contexto e ações das personagens para perceber o envolvimento entre elas.

      Após essa terceira leitura, fui pesquisar e encontrei alguns trabalhos acadêmicos sobre a obra, dentre eles este que tem como foco a personagem Capitu, apesar de alguns erros de digitação, achei uma analise bem interessante que merece ser lida. Já havia também indicado um livro sobre a filosofia na obra de Machado de Assis neste outro post. E pretendo ainda ler outras obras para aprofundamento no universo deste grande escritor (Inclusive, se leram algo neste sentido, indiquem nos comentários).

Dom Casmurro foi uma das obras sorteadas para a leitura no #DesafioLiterário2020 #Maio (Quer saber quais foram as outras? Clique aqui. Quer acompanhar as resenhas dos outros dois livros? Histórias Fantásticas e Cyrano de Bergerac? Clique Aqui e Aqui) e infelizmente eu terminei a releitura com um dia de atraso e só hoje terminei de escrever sobre ele, por isso estou postando já no quarto dia de Junho, quando a lista do #DesafioLiterário2020 #Junho já está publicada aqui.

Enfim, qual a sua opinião: Capitu foi ou não foi infiel? Conta pra mim nos comentários!