Vacinada

Vacinada.

A oportunidade que quase 500 mil brasileiros infelizmente não tiveram devido aos atos criminosos do governo negacionista.

Vacinada mas ainda não imune, falta uma dose e falta atingir a imunidade coletiva, o que só acontecerá quando a maioria da população estiver imunizada. 

Quem acompanha a CPI consegue perceber como o governo federal negligenciou a compra de vacinas e a condução das medidas visando reduzir os casos do vírus. Para quem observa atentamente a política, a CPI só confirma e aprofunda o que já se sabia. Não é novidade.

A crise da covid-19 é sanitária, econômica e política. Se analisarmos, todas as crises são políticas, pois a vida em sociedade é política e ignorar isso em uma postura de isenção é, na verdade, aceitar os fatos dados – Geralmente pelo lado que tem maior poder financeiro. 

É difícil (e muitas vezes perigoso) lutar pelo que se acredita. Muitas vezes a vontade é desistir e sumir. Mas que tipo de pessoa seríamos se fizéssemos isso? 

Não basta desejar mudanças. É preciso refletir, entender e resolver problemas históricos antes de conseguir de fato construir uma nova sociedade. 

A política não deve ser ignorada ou demonizada. É isso que os poderosos desejam: Uma população que não acredita em seu próprio poder de organização. 

Hoje eu me vacinei em uma Unidade Básica de Saúde. Infelizmente a vacina não chegou a tempo para tanta gente e isso aconteceu por uma decisão política. Assim como foi uma decisão política a que optou por criticar o isolamento, o uso de máscaras e subestimar a pandemia.

Que num futuro próximo as pessoas lembrem da importância da política, principalmente nos momentos de crise. 

Breve resumo da biografia e do pensamento político de John Locke [BEDA 14]

Nasceu na Inglaterra em 29 de Agosto de 1632, estudou medicina, filosofia e ciências Naturais em Oxford. Em 1683 Fugiu para a Holanda, retornando quando Guilherme de Orange assumiu o trono, em 1688 e morreu em 1704.

Locke é tido com um dos expoentes do empirismo, ideia segundo a qual o ser humano nasce sem saber nada, aprendendo pela experiência, tentativa e medo.

Em relação à filosofia política, Locke dá o ponto de partida das Revoluções Liberais como, a Inglesa e a Francesa, por exemplo. Locke é classificado como Jusnaturalista, isto é, defende o Direito Natural do ser humano, à vida, à liberdade, à propriedade. Outro ponto defendido por ele é que os governados devem consentir o governo à autoridade constituída, devem aceitar livremente o governo que tem. A lei civil deve ser derivada dessa lei natural, perante a qual todos os seres humanos devem ser livres e iguais.

Apesar de defender a igualdade entre os seres humanos, Locke tinha uma posição pró-escravagista, mas não racista, já que para ele a escravidão seria um contrato em que o vencido na guerra torna-se escravo para continuar vivo.

Para Locke não seria necessário que todos os direitos fossem entregues ao soberano, sendo os direitos de defesa e de realizar a justiça pelas próprias mãos os únicos direitos que realmente deveriam ser abandonados pela sociedade, facilitando a defesa de outros direitos (à vida, à liberdade, à propriedade). Locke resguarda também o direito do cidadão recusar-se a cumprir o que for determinado por um Estado que viole esses direitos naturais.

Principais pontos de seu pensamento político:

-Os governantes devem proteger o Direito Natural de todo o ser humano (à vida, liberdade e propriedade)

-Os cidadãos devem entregar ao Estado a função de resolver conflitos, abrindo mão do direito de defesa/ realização da justiça pelas próprias mãos

-Defesa da escravidão, não por raça, mas dos vencidos em batalha

Principais Obras:

-O tratado do Governo Civil (1689)

-O Ensaio sobre o intelecto humano (1690)

-Os pensamentos sobre a educação (1693)

Esse texto faz parte do BEDA (Blog Every day April). Visite também

Lunna GuedesRoseli Pedroso – Ale Helga – Obdulio – Adriana Aneli – Mariana GouveiaClaudia Leonardi

Sobre eleições, apagão e barbárie.

O plano era escrever sobre o processo eleitoral, os resultados das urnas pelo Brasil e aqui na minha região e algumas perspectivas sobre isso – Não consegui escrever nada domingo passado, pois fui mesária e voltei exausta e ansiosa para acompanhar as votações. Mas o Brasil não é para amadores e outros fatos irromperam e modificaram completamente os planos. O primeiro absurdo da semana foi saber que o Amapá permanece sem energia elétrica e que o desgoverno planeja cobrar das contas de luz do restante do país os custos dessa tragédia – Ou seja: Privatiza-se a distribuição de energia elétrica, o serviço fica ruim, um incêndio deixa o Estado sem luz e a conta será cobrada de quem? Da distribuidora que não tinha um plano emergencial? Não. Será cobrada de mim, de você e de tantas outras cidadãs e cidadãos Brasil afora. Tudo isso enquanto a crise sanitária se agrava – apesar de alguns setores fecharem os olhos e fingirem que estamos vivendo uma normalidade – Aliás, olhos fechados e, no caso da cidade onde vivo – Centrais de Atendimento especializadas em COVID-19 também: Ontem fiquei sabendo que São Vicente desativou o centro de COVID.

            Outra notícia que tomou conta das manchetes este final de semana foi o assassinato no Carrefour de João Alberto, um homem negro que ironicamente ocorreu às vésperas do Dia da Consciência Negra. Se você vai dizer que não foi racismo, respira um pouco e tenta lembrar quantos clientes brancos você já viu causando confusão em supermercados e quantos desses vocês já viram ser espancados – Possivelmente a resposta é: Zero. Pelo menos eu já presenciei um homem branco dar um soco no rosto de uma operadora de caixa e sair escoltado pela segurança da loja – Nem a polícia foi chamada. Ele apenas foi embora. Assim como um cliente na antiga loja onde trabalhei – O segurança até segurou pelo casaco que se abriu e deixou cair um monte de produtos da loja, mas deixaram-no ir. Nada de polícia. Pediram que ele ficasse sentado em um banco até o fechamento da loja e se afastaram. Ele simplesmente saiu andando para não voltar. Se fosse um jovem negro, no mínimo sairia na viatura (coisa que já presenciei também). Fora os casos de recusa em utilizar máscara: O cliente agride em funcionários e funcionárias – Vocês já viram alguma reação semelhante ao que aconteceu no Carrefour? Não. Deveria existir essa reação desproporcional? Não. O papel da segurança não deveria ser matar pessoas, mas alguém convenientemente esqueceu de avisar isso a eles.

            Ainda sobre o caso de João Alberto, chegamos aos protestos ocorridos: Houve alguns casos de vidraças quebradas – Interessante que, quando essas coisas acontecem fora do país, a mídia retrata apenas como “manifestantes”, quando ocorre no Brasil, os mesmo veículos nomeiam “vândalos”. Não entrarei aqui nos pormenores se é correto ou não quebrar vidraças – Só vou dizer que apesar dos vários motivos que teria para ser contra, não acho que eles não tenham suas justas razões – como diria a célebre frase: “Não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor” – Afinal, já encontrei ao menos seis manchetes diferentes de casos absurdos envolvendo a rede Carrefour. Por outro lado, acredito muito na prática do boicote. Acho um pedido justo. Boicote contra empresas racistas, boicote contra homofóbicos e boicote contra quem colaborou para a eleição desse governo genocida, mas como tudo na vida, há um entretanto: Infelizmente, essas grandes empresas conseguem preços mais baratos e, para quem sobrevive com quase nada, faz uma enorme diferença pagar um pouco mais em conta. Então, sim, sou a favor do boicote, dentro do possível e do praticável, pois sei que para a maioria da população brasileira, aquela pequena economia pode ser a diferença fundamental entre ter comida no prato ou passar fome – Aliás, eu mesma não sou rica e vivo de promoções, embora minha realidade permita consumir prioritariamente de feiras livres e pequenos comércios que vendem grãos a granel e seja extremamente raro eu precisar ir até um supermercado grande, mas essa é a minha realidade. Então, queridos e queridas que pedem boicote: Ampliem seus discursos e comecem a orientar as pessoas sobre opções de alimentação saudável, econômica e ambientalmente sustentável para que se amplie a economia solidária e os pequenos comércios, gerando empregos e diminuindo a dependência da população dessas grandes redes. Se não for assim, o “boicote” vai durar uma, talvez duas semanas e cairá no completo esquecimento.  

            A notícia boa da semana é que pela primeira vez elegemos uma mulher negra e psolista para a câmara municipal de Santos e há chances reais de que Guilherme Boulos seja eleito em São Paulo, o que significaria uma grande derrota ao bolsonarismo e uma necessária guinada para a esquerda – Só saliento que um governo se faz de pessoas: Não adiante eleger o melhor se não houver participação e organização popular, então busque participar de alguma forma da política: Participe de movimentos sociais, movimentos ambientais, escolha algo que te inspire e milite pela causa – O mundo começa a mudar com o seu voto, mas a verdadeira mudança demanda participação popular, então separe o tempo (que eu sei que você, assim como eu, provavelmente não tem sobrando) e se organize com outras pessoas em prol da mudança. Sobre a eleição municipal da minha cidade, comentarei em algum momento no decorrer da semana – Não será um texto longo, mas é um tema que prefiro tratar em separado, ainda mais considerando que estamos em um segundo turno entre uma candidatura tucana e uma candidatura de partido da base de apoio ao governo. Espero que na cidade de vocês as coisas estejam melhores.

            Enfim, abraços a todos e todas, #ForaBolsonaro, boicotem empresas racistas se isso não significar falta de itens essenciais para vocês e não tenham pena de vidraças nem comprem a história da mídia que chama manifestantes de vândalos – Afinal, não vi ainda nenhuma manchete chamando de vândalos ou bandidos os madeireiros que incendeiam a Amazônia, nem as mineradoras que inundaram Mariana e Brumadinho, muito menos os fazendeiros que incendiaram o nosso Pantanal.

Brasil – Conto de fadas ou império de sangue?

Geralmente aos domingos eu costumo escrever um texto sobre os rumos que o país e o mundo estão tomando e a cada semana penso que não pode piorar, mas piora – Por exemplo, descobri que nosso presidente não é um mito e que estamos todos e todas vivendo um conto de fadas neste país! Sim, contos de fadas existem e nós somos governados por uma célebre personagem – Ao mentir na ONU sobre o valor do auxílio emergencial e sobre a origem das queimadas que vem devastando nosso país, Jair provou que é o verdadeiro Pinóquio – E que diferente do filme fofinho da Disney, na vida real nosso Pinóquio esmagou o grilo falante, que deveria servir de consciência e se transformou no pior dos vilões!  E é bom lembrarmos que em suas versões originais, os contos de fadas não eram cor-de-rosa nem tinham finais felizes – Ou seja: Nada, absolutamente nada, garante que no último suspiro de nossas vidas, uma fada azul irá chegar e salvar o dia. Não há magia que possa nos tirar deste caminho perverso – Nada, além de nossa união enquanto classe trabalhadora poderá nos salvar. Agora que falei brevemente sobre a realidade brasileira neste momento, gostaria de fazer um pequeno desvio neste texto para falar sobre outro assunto – Roma: Império de Sangue. Vocês que me lêem devem estar se questionando “-ela enlouqueceu? Começa a falar sobre o Brasil e, repentinamente desvia o assunto e vai parar em Roma?”. Calma, irei explicar o meu ponto. Roma: Império de Sangue, é o nome de uma série da Netflix que comecei a assistir essa semana, ontem terminei a primeira temporada, sobre o Imperador Cômodo. O que me deixa pasma é que passamos um verniz de modernidade em nossas relações com o poder, mas no fundo quase nada mudou. Na série, Cômodo é mimado, incompetente e egocêntrico, mas se importa com a cidade de Roma. Na verdade, não é sobre o imperador que pretendo falar e sim sobre as traições que permeiam os espaços de poder – Assistindo, percebe-se o quanto os conselheiros e Senadores jogam, conspiram e traem uns aos outros o tempo todo. Cômodo poderia ter sido um excelente imperador e isso não mudaria seu destino. A disputa do poder pelo poder nos mostra que o assassinato continua sendo uma realidade – Opositores ainda matam! Que o digam Marielle e Anderson, que o digam todos os ativistas pelos direitos humanos, contra a violência policial ou contra a degradação do meio ambiente – Assassinados! Que o diga o Padre Julio Lancelotti, constantemente ameaçado. O Brasil, a exemplo de Roma, é também um império de Sangue, com a diferença que por aqui, não é necessário ser nobre, Senador, Cônsul ou Imperador – Por aqui, morre-se por ser sensato e lutar pelo bem comum. E sinceramente? Duvido que esses jogos mortais pelo poder ocorram apenas por aqui – certamente se esquadrinharmos as realidades de outros lugares, iremos encontrar sujeira e veneno suficientes para destruir três planetas. Eu não sei até quando continuará sendo desta forma – É necessário desmontar as principais garras do capital: Ganância, acumulação de renda, abismo social. É necessário remodelar a sociedade. O problema é que a elite sabe os próprios pontos fracos e se encarrega de esmagar – através da violência – aquelas pessoas que ousam lutar. Ainda bem que o legado dessas pessoas se torna semente e a luta se perpetua. Em Roma, não havia inocentes ou ingênuos e a população pagava com a vida por isso. Aqui, o povo vem pagando com a vida pela incompetência dos poderosos e pela ganância dos empresários, mas ao menos há sementes de luta que brotam e conseguem um espaço nas instituições e na sociedade, buscando mudanças que sabem impossíveis de serem manejadas por uma ou duas pessoas, mas que certamente virão quando o ser humano amadurecer e entender a necessidade de se livrar deste modelo falido de sociedade em que vivemos.

O caos da semana

Hoje sonda tripulada Crew Dragon retornou ao nosso planeta. Infelizmente, os dois tripulantes não irão encontrar um mundo melhor do que deixaram ao partir há dois meses. O planeta está, literalmente, pegando fogo: Ano passado a Amazônia brasileira sofreu com desmatamentos e queimadas, chegando inclusive a produzir uma nuvem de fumaça que alcançou a cidade de São Paulo. Este ano, os incêndios aumentaram 28% em relação ao mês de Julho/2019, sendo 77% destes incêndios em terras indígenas, colocando os povos originários em uma situação ainda mais perigosa. E por falar em fogo, há incêndios na Itália e também nos Estados Unidos, onde aproximadamente 8 mil pessoas precisaram deixar suas casas devido ao fogo que atinge parte da Califórnia. Aquecimento global, degradação ambiental e tragédias caminham lado a lado, mas aparentemente, os mais ricos, que efetivamente detém o controle econômico e político do mundo, não estão prontos para essa conversa. Por falar em poder político e econômico, uma reportagem veiculada no portal G1 pontuou que atualmente há 40 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza nos Estados Unidos da América – Ironicamente o país que “mete o nariz” onde não é chamado, não consegue ou não quer resolver suas próprias mazelas e acumula números vergonhosos como maior mortalidade infantil do mundo desenvolvido, expectativa de vida menor e menos saudável em relação a outros países ricos e uma grande taxa de encarceramento. Espero que o povo de lá consiga dar início em mudanças necessárias nas eleições deles em Novembro deste ano, não é? Eleições para as quais a nossa familícia presidencial recebeu um sutil cartão de “não se metam” através de uma postagem na qual Elitot Engel, da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos da América diz que os Bolsonaros devem ficar longe das eleições americanas. Enquanto tudo isso acontece, a COVID-19 segue fazendo vítimas e nosso Brasil atinge o segundo lugar mundial no número de mortos – Temos mais mortos que países populosos e pobres como a Índia, por exemplo. E ainda assim o país segue enviando seu povo ao matadouro, reabrindo comércios e discutindo o retorno às aulas presenciais. Pratica-se um genocídio para impedir a “morte de CNPJ”, porém alguém precisa avisar que CPF morto não produz riqueza econômica, pois não consome – Aliás, a única coisa que cresce por aqui é o lucro dos fabricantes de caixões e das funerárias, então, se você costuma investir na Bolsa de Valores, segue a dica. Por falar em investimento, o Brasil precisa urgentemente investir em uma justiça mais célere, afinal, o soldado da FAB, Manoel S. Rodrigues, preso há um ano e um mês na Espanha, após carregar 39kgs de cocaína num avião da FAB rumo ao G20, segue recebendo os depósitos de seus salários, pois não houve pedido de bloqueio – Um verdadeiro descaso com o orçamento público. E a última notícia de hoje é justamente sobre… Dinheiro: Foi anunciada a criação de uma nota de duzentos reais que passará a circular no final de Agosto e terá como estampa um lobo guará (Ainda bem que não homenagearam os eleitores do atual presidente, pois se o tivessem feito, teríamos gado estampado nas cédulas). A notícia preocupou algumas pessoas que, em suas redes sociais, demonstraram preocupação com a dificuldade que será trocar estas notas no comércio, uma vez que as notas de cem reais já causam transtornos com falta de troco – Considerando os preços absurdos dos alimentos (muito embora o Banco Central insista em dizer que não há inflação) e os caminhos questionáveis que o país vem seguindo, arrisco dizer que qualquer ida rápida ao supermercado mais próximo resolverá esta questão: A tal nota de duzentos ficará por lá, sem direito a troco e possivelmente será um valor insuficiente para suprir as necessidades mais básicas – Mas, depois de todas essas notícias azedas sobre o mundo, o importante é ressaltar que, segundo os conservadores, o maior problema da semana foi o fato de certa marca de cosméticos ter escolhido o Thammy Miranda para estrelar sua campanha de dia dos pais – Alegam que Thammy não é pai por não ter um pênis – Como se isso fosse a única coisa que define um ser humano como homem. Ao invés de se preocupar com a ausência de um pênis, que em nada altera a capacidade de exercer a paternidade, acredito que deveriam se preocupar com ausências que efetivamente afetam o país: Questionem a falta de cérebro dos negacionistas, a falta de caráter das classes dominantes e a falta de humanidade dos que insistem em colocar o lucro acima da vida das pessoas.

BEDA: Blog Every Day August – Também participam

Lunna GuedesViviane AlmeidaAdriana AneliClaudia Chris FerreiraDrica MoreiraMariana Gouveia – Obduliono

Rumo ao precipício ou presos eternamente em 2020?

Retomando as notícias da semana, percebi que enquanto o excrementíssimo jumento (com o perdão aos jumentos, animais tão leais e belos, pela comparação que já é clássica entre nós, seres humanos) persegue uma ema com uma caixa de cloroquina nas mãos, deixando no ar dúvidas sobre suas intenções – Que poderiam ser (a) matar a ema numa vingança contra a bicada ocorrida na semana anterior; (b) fazer uma divulgação de natureza duvidosa do remédio ou (c) não havia intenção nenhuma por trás do ato pois a espécie bípede de jumento não consegue sequer raciocinar e imprimir intencionalidade além da famosa arminha com os dedos e repetição de frases de ódio – ouras coisas importantes estão acontecendo pelo nosso planeta: E, acreditem, alguns desses fatos podem influenciar nosso futuro como espécie. Então, deixemos nosso gado por aqui (torcendo para que não surja uma epidemia de febre aftosa ou doença da vaca louca) e começar nosso giro de notícias pela Inglaterra, onde uma nuvem quilométrica de formigas voadoras foi avistada e confundida com chuva por um radar. O fenômeno ocorre por ocasião da época de acasalamento dos insetos – Pelo menos elas estão com sorte e podem acasalar em segurança, sem máscaras e distanciamento social, certo? Viva o amor e vamos torcer para que a teia alimentar esteja bem equilibrada para aqueles lados, senão haverá uma super população de formigas. Outro fato que foi pouco divulgado: A temperatura ao norte do globo terrestre vem sofrendo um aquecimento substancial, chegando a 32 graus no Alasca e, pasmem: Há grandes áreas de tundra sendo destruídas por incêndios. Regiões antes geladas como a Sibéria e a Groelândia também apresentam incêndios descontrolados que, segundo os especialistas, devem liberar bastante dióxido de carbono na atmosfera. Não é preciso ser nenhum gênio para entender que ou mudamos nossos hábitos diários e nosso sistema econômico e de produção a nível mundial, ou seremos engolidos cada vez mais por epidemias, aquecimento global, poluição e morte – Continuar como estamos é caminhar a passos largos rumo a extinção de nossa própria espécie. E por falar em espécies, nos Estados Unidos a mortandade de esquilos levanta um alerta para uma possível onda de casos de peste bubônica, doença que também esteve em evidência nas fronteiras entre China e Mongólia (é, eu avisei que os pensamentos retrógrados de algumas pessoas estão fazendo o mundo girar ao contrário e que, em breve, iríamos ter que lidar com a peste negra e as fogueiras em praça pública). No campo político a notícia boa é que Trump aparentemente vem perdendo força nos Estados Unidos – E aí fica a dúvida, o nosso “patriota” irá imitar o próximo presidente norte-americano ou irá chorar a saudades do Trump na cama, que é lugar quente? Ainda observando nossos vizinhos mais ao norte, vemos que por lá se intensificam os protestos contra casos de racismo e há lugares em que monumentos homenageando personalidades escravocratas estão sendo removidos – O que não apaga o papel danoso dessas pessoas no mundo. Seja como for, com ou sem monumentos, é interessante ver as lutas avançando. Por aqui, tivemos nossos casos de violência policial e seguimos sobre ataques do governo: Enquanto descarta-se a ideia de taxar as grandes fortunas, a equipe de Paulo Guedes dá os primeiros passos para criar uma nova CPMF e taxar livros, ações que irão diminuir ainda mais o poder de compra dos cidadãos e encarecer o acesso à cultura. Por parte do Ministério da Saúde, que ainda se encontra nas mãos do interino, reportagens mostram que a verba destinada ao combate à pandemia do novo coronavírus não vem sendo utilizada, enquanto isso, há declarações no sentido de que não seria obrigação da citada pasta ministerial comprar testes e respiradores – Ou seja, enquanto o maluco egocêntrico norte-americano, com todos os defeitos possíveis, busca garantir vacina e suplementos para sua população, por aqui empurra-se cloroquina (que comprovadamente não possuí eficácia) e nega-se auxílio para que haja um isolamento social adequado e atendimento médico digno à população, ao mesmo tempo em que se planeja o achatamento da renda através da criação dos impostos já comentados. Por último e não menos importante: A tradicional queima de fogos na noite de ano novo no Rio de Janeiro foi cancelada. Agora é torcer para que não cancelem a transmissão anual do Roberto Carlos na TV Globo, afinal, com o cancelamento de tais eventos, arriscamos a entrar em uma fenda temporal e ficar presos para sempre em 2020, comendo sanduíche de cloroquina e tentando encontrar uma saída para o caos – Aliás, quando nós, leitores e leitoras, suspiramos e olhamos para o céu pedindo para viver emoções dignas de livros, temos em mente romances épicos e não distopias e terror onde, aparentemente, o roteirista já não sabe mais o que fazer para acabar de uma vez com o mundo criado, então, na próxima vez que fechar um livro e desejar viver um romance, deixem claro QUAL romance, pois aparentemente o Universo andou ouvindo nossos pedidos e nos trancou em um livro de terror distópico.

A pizza, o suco de laranja e a naja presidencial.

Tem um dia de verão no meu inverno e isso me deixa sem vontade de fazer praticamente qualquer coisa, porém, lembro-me que hoje é Domingo, dia de falar sobre o país, o mundo, a pizza e o suco de laranja. Por falar em suco de laranja, com a prisão de Queiroz convertida em prisão domiciliar, aumentam os riscos de que, no final, a laranjada acabe em pizza – Aliás, como bom esposo, Queiroz já está dividindo a pizza e o suco de laranja com a esposa que estava foragida até este sábado, mas voltou para casa após ter sua prisão também convertida em domiciliar – Me recuso a pesquisar fundamentos jurídicos, mas arrisco dizer que é um fenômeno jurídico raro, talvez único, a conversão da prisão de uma foragida para uma condição mais branda. E por falar em laranjas, pizzas e casamentos, o presidente que no início da pandemia precisou ser judicialmente obrigado a mostrar um exame de coronavírus negativo, repentinamente apresentou sintomas e declarou ter contraído a doença – Por coincidência em uma semana sensível diante das investigações sobre as rachadinhas que, ao que tudo indica, aconteciam em seu gabinete desde a época em que foi deputado – A parte curiosa é: Quando a maioria da comitiva presidencial adoeceu, ele foi a exceção, agora, nem mesmo a primeira dama testou positivo apesar do contato com ele, o que levanta suspeitas em muita gente de que a doença seja apenas mais uma desculpa para esquivar-se das respostas que precisam ser dadas. Pelo há algo azedo na laranjada presidencial. Outro destaque da semana é o anúncio do novo ministro da educação – Lembram que domingo passado eu comentei que estamos andando a passos largos em direção a uma nova idade média e que se não tomarmos cuidado, logo haverá fogueiras em praça pública? Pois é! O que me dizem dessa velha novidade que parece ter sido retirada diretamente de um armário perdido nos séculos? Um religioso que não deveria sequer assumir uma Igreja, portador de opiniões antiquadas, defensor até mesmo da aplicação de castigos físicos sob a fala de que crianças precisam sentir dor. Para ser ministro deste (des)governo, aparentemente os requisitos são: Ignorância, pensamentos retrógrados, fascismo e uma exacerbada religiosidade que não passa de falsa moral, também conhecida como hipocrisia, e oportunismo. Possivelmente, a única notícia boa desta semana foi a quase liberdade da cobra escravizada pelo playboy do planalto central! Num ato heróico a serpente mordeu seu raptor e acabou levando a polícia a encontrar as outras espécies criadas clandestinamente, em condições insalubres e degradantes para a vida animal. Espero que as cobras sejam devidamente encaminhadas a um lugar confortável e adequado, afinal, vamos concordar que é muita tristeza ser seqüestrada, traficada e ainda viver no Brasil (des)governado pelo Bolsonaro – Aliás, talvez entregar para a naja nossa faixa presidencial fosse uma boa ideia, afinal ela não fala asneira, não pratica rachadinha, não aprecia suco de laranja e, principalmente, mata uma pessoa por vez, diferente do genocídio promovido pelo atual governo através do péssimo gerenciamento da pandemia e das políticas contínuas de desmonte da saúde pública e retirada de direitos básicos, e o melhor, após empossar a cobra, bastaria colocar um ser humano competente para tutelar o réptil e teríamos um início de recuperação para este país, que está na UTI apesar das manchetes irresponsáveis alardeando um falso novo normal. Sabe de uma coisa? O jeito é comer um bom pedaço de pizza (afinal, dia 10/07 foi o Dia da Pizza, segundo o calendário capitalista) e aguardar pacientemente o desenrolar da próxima semana.

As dez pragas do Brasil

Acompanho os fatos da semana com um silêncio cansado e uma xícara de chá antes de dormir. Não tomo notas, apenas leio e vou digerindo todas as notícias indigestas, aguardando o final da tarde de domingo para prosear sobre o caos, quero dizer, sobre o mundo, e suas notícias. Dentre muitas coisas, uma notícia e suas repercussões me chamaram a atenção: A nuvem de gafanhotos que se aproximou do sul no país. Brasileiro é um povo que realmente precisa ser estudado – E isso é uma constatação e não uma crítica , afinal a mesma imaginação que nos permite zombar de qualquer limite é o que nos faz conseguir estender o salário até o final do mês – A quantidade de “memes” criada sobre os gafanhotos inundou as redes sociais e ironicamente, muitas pessoas que criticaram e acusaram a China de ter espalhado o COVID-19 pelo mundo por consumir carnes exóticas, passaram a postar receitas de como consumir gafanhotos, como se isso fosse comum. Também reparei que muitos deles relacionavam os insetos a certo capítulo bíblico onde dez pragas teriam castigado o povo do Egito. Confesso que não sou uma especial apreciadora de contos e histórias bíblicos, mas fui procurar um pouco e encontrei algumas coisas bem interessantes: Observando bem, o Brasil já está há tempos lidando com pragas, o rompimento da barragem de Brumadinho tingiu nossas águas de sangue inocente, nossa fauna silvestre vem sendo massacrada, chuvas e secas castigam as lavouras, ano passado o céu escureceu com as nuvens de fumaça proveniente das queimadas na Amazônia, nuvens de pernilongos espalharam de norte a sul dengue, chikungunya.e zica (inclusive temos uma nova linhagem da zica circulando, então todo cuidado é pouco), diariamente, filhos e filhas, primogênitos ou não, são assassinados pela violência policial, pela fome e, agora pela COVID. E os sapos? Se no Egito eles castigaram a terra, aqui no Brasil nós engolimos um caminhão deles todos os dias: De ministro mentindo no currículo a advogado da presidência contestando a decisão que obriga o presidente a usar máscara em locais públicos, passamos também por fogo destruindo terras indígenas, mães indígenas desesperadas por notícias sobre seus bebês (ou os corpos deles), cloroquina, funcionários públicos sem aumento até dois mil e vinte e dois, racismo e tantas coisas mais. É tanto sapo engolido que fome nem deveria ser problema por aqui. Aliás, por falar em sapos e políticos, não sei se a maioria já percebeu, mas as pragas do Egito, apesar de atingir todo o povo, resultaram da ira divina contra o Faraó que escravizada os hebreus. No Brasil, não temos Faraó, mas uma parte da população escolheu ser praticamente escravizada (arrastando junto a parte sensata da nação) por um presidente e uma bancada do boi, da bala e da bíblia que, de tão honrados e moralmente ilibados, são dignos receberem uma chuva de fogo e enxofre vinda dos céus, mas este é um outro conto e fica para outro dia – Se não formos atingidos por um dilúvio de suco de laranja até lá.

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Um suco de laranja, por favor.

Os últimos dias foram marcados por clima quente não apenas nos termômetros, mas também nas notícias, então, pegue seu suco de laranja bem azeda (para combinar com o panorama mundial) e vamos relembrar os principais fatos dessa semana que já começou fervendo: A prisão da ex-feminista, líder do Ku Klux Klan cover conhecido como 300, Sara Winter (Vocês sabem que ela copiou esse nome de uma nazista, certo?) causou uma onda de comemorações e repúdios nas redes. Em seguida, tivemos a prisão do Queiroz, aquele motorista das rachadinhas, que virou simpatia para dar sorte na virada do ano (Lembram? Pular 17 ondinhas e dizer “São Queiroz, são Queiroz, faz um depósito pra nós), pois é, gente, essa famía(lícia) tem funcionários tão dedicados que chegam ao ápice da solidariedade e depositam vários envelopes na conta do patrão. Agora precisamos mandar boas energias, afinal, sempre existe o risco do Queiroz contrair algumas doenças que andam na moda nesse país pandêmico pós moderno:COVID-19, COVID 8mm, acidente automobilístico, ou infarto. A cereja do bolo – Ou talvez a laranja do drink – é saber que a prisão ocorreu na casa do advogado que defende o deputado das rachadinhas (cujo sobrenome começa com Bol e termina com sonaro) – Resta saber se o advogado está inovando a profissão e oferecendo advocacia com hospedagem e suco de laranja grátis ou se ele levou a sério demais aquela máxima que a direita adora falar: “Tá com pena de bandido? Leva pra casa”. Também dissemos adeus a um incompetente ministro da educação – Não que faça uma grande diferença, pois sempre é possível vir alguém pior, ou algum interino como aconteceu na saúde. Quanto ao bumbum de fora do novo ministro da cultura, prefiro não comentar, afinal, a bunda é dele e ele tem todo direito de tirar fotos artísticas com ela de fora – Melhor a bunda de fora do que a bunda num calção cheio de talco sendo usada como explicação sobre o que é cultura, não é mesmo? Não que eu tenha grandes esperanças nos rumos da cultura. Para completar o pequeno giro da semana, peço-lhes que bebam o que restou do suco de laranja e façam alguns minutos de silêncio, afinal, em meio a medidas de flexibilização da quarentena (que sequer existiu para a maioria da população), atingimos 50 mil óbitos pela COVID-19. Façamos um silêncio prolongado e, talvez consigamos captar o som dos copos que o presidente e seu gabinete do ódio devem estar erguendo para brindar neste momento – Se com leite ou com suco de laranja, eu já não sei.

Hoje, apesar do caos, eu quero falar de amor.

Finalmente a chuva e o frio típicos do inverno estão dando as caras por aqui. E com o frio meu humor diário melhora e por alguns momentos, eu encaro a página em branco pensando: Não, hoje eu não vou falar sobre o governo jogando para ocultar o número de mortos da COVID (e dizendo que a intenção era melhorar o sistema), nem sobre as sinistras filas nos comércios que vão aos poucos reabrindo durante o pico da pandemia ou sobre o fato de que países europeus proibiram vôos vindos do Brasil ao ver o descontrole da situação por aqui… Pois é, eu realmente não quero falar sobre tudo isso, mas já acabei falando. Entretanto, no próximo parágrafo eu prometo ignorar o caos e falar de amor. Não porque foi o dia dos namorados na sexta feira – Coisa que eu esqueci e acabei não preparando uma listinha de músicas ou filmes fofos para postar aqui no blog. Quero falar de amor em um sentido que acompanhe meus textos de domingo: O amor que acontece no mundo e todo seu sentido social e politico.

E como o amor é bem mais que a relação romântica que ocorre entre pessoas começaremos falando logo de um tema polêmico – Nesta Quinta Feira foi exibido no canal Corpo Rastreado (youtube) a peça teatral “O Evangelho Segundo Jesus, A Rainha do Céu”, monólogo onde a atriz e ativista trans Renata Carvalho recria a vida de Cristo vindo ao mundo como uma travesti. A peça, exibida na emblemática data no feriado de Corpus Christi, reflete sobre o amor na sociedade, sobre empatia e sobre a forma como as minorias são tratadas – Afinal, como seria se Jesus realmente voltasse como uma pessoa trans? A autora transexual Jô Clifford consegue passar uma verdadeira imagem de amor.

A segunda notícia sobre o amor é mais romântica e polêmica: Um trisal de Sorocaba está esperando o nascimento do segundo bebê. Para quem não sabe, trisal é uma relação amorosa entre três pessoas. Diferente do que muitas pessoas pensam, a poligamia não é sinônimo de pessoas tendo relações aleatórias e sem cuidado. O poliamor ou poliafetividade é uma relação onde os envolvidos possuem a intenção de manter uma relação romântico-amorosa com respeito, atenção e carinho entre si, por longo prazo (sabe o “até que a morte os separe?”, então, imagine isso dito por três pessoas e vocês irão entender o conceito de trisal). A família de Sorocaba é formado por Marília Gabriela, Natali Júlia, Jonathan e o filho Raoni, além da menina que ainda irá nascer – De acordo com a reportagem, a relação teve início em 2011 e, como em muitos casos, as pessoas envolvidas não pensavam em formar um trisal. Infelizmente no Brasil as uniões poliafetivas são proibidas e as já existentes foram anuladas – O que não impede que, de fato, existam pessoas vivenciando essa rotina e tendo dia a dia seus direitos negados perante a legislação de um Estado que insiste em querer comandar o sentimento e o corpo das pessoas, ditando regras que não lhe caberiam ditar – Tudo em nome de moral e bons costumes – Conceitos que as bancadas do Boi, da Bala e da Bíblia e seus seguidores já jogaram pelo ralo há muito tempo e que, de verdade, jamais deveriam ter como balizas a maneira como os seres humanos decidem amar e utilizar seus próprios corpos.

Quem quiser ler a reportagem original sobre o trisal, é só clicar aqui no link.