32 questões sobre o amor – respostas

Outro dia fiz uma postagem sobre questões correntes em salões ou reuniões sociais na Europa durante o século XVII sobre o tema amor.  As perguntas  foram retiradas do livro “A maior paixão do mundo – a história da freira Mariana Alcoforado e suas cartas de amor proibido” e segundo a autora da obra, eram questões debatidas nos salons franceses. Deixei-as como convite ao debate agora decidi escrever aqui minhas opiniões/respostas sobre elas.

  • É melhor perder alguém que amamos para a morte ou para a infidelidade

Inicialmente lembremos que pessoas não são meros objetos – pessoas nunca são nossas no sentido de posse. São companhias e motivos que temos para seguir em frente, mas não são nossas para dispormos delas como quisermos. Diante disso, perder alguém para a morte é bem pior que perder para a infidelidade, tendo em vista que a morte nos tirará para sempre a possibilidade de rever a pessoa, enquanto a infidelidade por mais que machuque nosso ego, ainda nos deixa a oportunidade de ver a pessoa bem.

  • É melhor ter pleno acesso à pessoa que amamos, mas que não corresponde ao nosso amor, ou ser amado por alguém que não é livre para nos ver?

Ambas as situações são aflitivas. Acredito que ter pleno acesso à pessoa amada mesmo sem ser correspondido. Isso porque ao sabermos que alguém nos ama mas não pode nos ver, ficaremos aflitos não apenas pelo nosso sentir, mas pelo sentir de outrem que está sofrendo por nossa causa.

  • Um grande ciúme é sinal de um grande amor?

Definitivamente não. Ciúme é sinal de que você ainda não entendeu o que é o amor. Amar não é deter posse, amar é deixar livre – e deixar livre é o contrário exato de sentir ciúmes.

  • Desejar “algo” é mais saboroso do que o ter?

Ambos são saborosos a alma, mas por alguma razão estranha, sim, desejar é muitas vezes mais saboroso do que ter.

  • A união de dois corações é o maior e mais valoroso dos prazeres da vida?

Sem dúvidas

  • Amor e desejo são dois sentimentos opostos?

Não diria opostos, mas certamente são diferentes. Você pode amar sem sentir desejo, pode sentir desejo sem amar e pode amar uma pessoa e por não ser possível estar com ela, sentir desejo por outra.

  • Podemos amar alguém que ama outra pessoa?

Sim. Uma vez que o amor não pressupõe posse ou mesmo correspondência de sentimentos. È possível amar alguém que ama outra pessoa e é possível fazer todo possível para ver o amado feliz, dentro de um espaço que não vá invadir o relacionamento dessa pessoa. Amor é pureza.

  • Podemos parar de amar uma pessoa que não corresponde ao nosso amor plenamente?

Acho difícil. Amor não se controla. Podemos amar de outra forma, com o tempo podemos desenvolver um amor fraterno dependendo do nível de amizade que haja.Mas deixar de amar, não.

  • Quando uma mulher rompe com o homem que ama por capricho, querendo mais liberdade, sem amar outra pessoa, o homem deve aceitá-la caso ela deseje voltar?

Depende. Se ele ainda a amar, sem dúvidas. Amor não é jogo de orgulho. As pessoas podem se sentir inseguras. Isso vale para a mulher também, por que não aceitar de volta um amor que se arrependeu do rompimento?

  • Duas pessoas que se amam devem contar uma à outra que sentem ciúmes, sem frieza e maus sentimentos?

Sempre. Diálogo, diálogo e diálogo

  • Se um amante sente ciúmes injustificados, o parceiro deve torná-los reais, mesmo que as outras pessoas saibam?

Não. O parceiro deve comportar-se de modo a fazer com que o outro sinta-se seguro.

  • O amor de uma menina (virgem) é mais forte que o de uma mulher?

Não acredito que seja mais forte, mas acredito que o amor de uma menina deva ser acolhido com mais cuidado, pois pressupõe inexperiência e uma tendência a entregar corpo e alma sem medir conseqüências, portanto, é importante lembrar que brincar com os sentimentos das pessoas é extremamente errado, mas brincar com sentimentos de quem está se entregando pela primeira vez ao amor é cruel.

  • O que é pior no amor, ser recusado ou não ousar perguntar?

Não ousar perguntar. Quem não arrisca, jamais vai saber.

  • O amor sobrevive sozinho por muito tempo?

Há amores que sobrevivem por toda uma vida. Amor é único. Depois que se ama a primeira vez, é possível viver outras experiências românticas, mas de alguma forma sempre haverá aquela cicatriz lá no fundo, lembrando como foi. É uma forma de sobrevivência do amor.

  • É possível amar pelo puro amor, sem expectativas?

Sim. Aliás, o verdadeiro amor é sem expectativas – você ama porque sim, você ama apesar de todos os defeitos. Você não ama por um motivo ou outro, ou esperando ser correspondida.

  • É possível amar algo mais que a si mesmo?

Sim. Embora nosso instinto de sobrevivência seja soberano na maioria do tempo, há pessoas que se sacrificam por outras, e isso por si, demonstra que o ser humano é capaz de amar mais a alguém que a si mesmo. Em alguns casos isso é doentio, como quando o ser se entrega a um relacionamento abusivo por acreditar que não pode viver sem aquela pessoa – ela está amando alguém mais que a si mesmo sem que isso seja honroso ou positivo.

  • O simples prazer de não amar é tão satisfatório quanto o próprio amor?

Não. Aliás, qual o prazer de não amar?

  • Que tipo de amor é mais delicioso: O de uma menina, o de uma mulher casada ou o de uma viúva?

O de uma menina – é um amor que ainda desconhece traumas ou barreiras, não tem em geral lembranças ruins de outros relacionamentos e por isso não tenta erguer barreiras de auto-preservação.

  • Que tipo de amor é melhor: O de uma mulher virtuosa ou o de uma não virtuosa?

Nesta pergunta há uma forte carga de julgamento – coisa típica de séculos passados. Amor e julgamento são opostos. Não se julga quem se ama! E neste caso virtuosa ou não virtuosa parecem conceitos diretamente ligados à pureza sexual da mulher em questão e neste caso sou obrigada a dizer que não há diferença! Lógico que o amor da virgem é mais como já dito no item anterior, em muitos casos mais capaz de maior entrega emocional e por isso mesmo requer mais cuidados, entretanto, uma mulher que já perdeu sua virtude pode ainda não ter vivido seu primeiro amor e neste caso, seu coração ainda será inocente. Não há grandes diferenças – todo amor é bom, e se correspondido, ainda melhor.

  • Um homem honesto pode se vingar de uma mulher infiel sem comprometer sua ética?

Um homem ou mulher honestos não deixam o amor ser contaminado por ódio ou desejo de vingança, então,não, não há forma ética de vingar uma infidelidade. Há apenas dois caminhos – fingir que nada aconteceu e seguir adiante ou cada um tomar seu caminho.

  • Qual o pior crime? Se vangloriar publicamente dos favores prestador por uma mulher ou se vangloriar de favores inventados?

Se vangloriar é feio nos dois casos, mas sem dúvida, pior se vangloriar de favores inventados pois há duas más-ações: Inventar falsidades sobre outrem e ainda delas se vangloriar em público.

  • Um homem que é amado em segredo por uma mulher pode insultar um rival que desconhece ter?

Confuso isso. Acho difícil pensar, mas talvez possa acontecer acidentalmente

  • Um homem pode se apaixonar por uma mulher que já amou quanto por uma mulher que nunca experimentou o amor?

Sim. No amor a vida pregressa dos pares deve ser esquecida para que não haja pré-julgamentos.

  • Uma mulher insulta o homem que ama ao pedir ajuda a outro homem?

Não.

  • Um mulher deve odiar o homem que amam e que se recusa a ajudá-la, sabendo que ele é comprometido?

Ou ama ou odeia. Não há como odiar alguém que se ama.

  • É razoável uma mulher pedir detalhes de um romance anterior antes de dar provas de afeto a um homem? Ele deve aceitar este comportamento?

Não acho que seja interessante ficar procurando detalhes sobre a vida passada do parceiro ou parceira. Mas se a pessoa se sentir a vontade em perguntar e a outra em contar, também não é nenhum crime.

  • Se um homem recebe presentes de uma mulher, deve devolvê-los caso a mulher decida deixá-lo e os peça de volta?

Acredito que a mulher não deveria pedir de volta.

  • Um homem deve pedir a alguém que ama presentes pessoais que possam ser reconhecidos pelos outros? E se ele partir, deve ficar com os presentes, devolvê-los ou queimá-los?

Presentes não devem ser pedidos. Se a pessoa os der, tudo bem aceitar. E se for algo pessoal, deve sim ser devolvido ao partir/romper o relacionamento.

  • Uma mulher deve dar ao homem que ama presentes pessoais quando ele pedir?

Se ela sentir vontade de dá-los, sim, após criar um clima de ansiedade.

  • O que é melhor, conquistar uma mulher pelo coração ou pela inteligência?

Ambos são importantes.  Quando um ser humano quer se mostrar a outro, deve mostrar-se de forma mais pura possível, com suas qualidades físicas e morais, bem como com seus defeitos também. Qualquer conquista baseada em artimanhas torna-se pouco honrosa.

  • Se o homem sabe que a mulher que ama quer deixá-lo, deve permitir que ela vá livremente, ou deve mantê-la presa, ameaçando fazer um escândalo?

Quem ama deixa livre e deseja sorte.

  • Um homem tem o direito de insultar ou desagradar a mulher que ama por algum motivo?

Não. Bem como a mulher também não o tem.

(CYR, Myrian  – A maior paixão do mundo – a história da freira Mariana Alcoforado e suas cartas de amor proibido pg 180- 182)

Sobre o início do ano, as polêmicas, o mar e o cansaço da vida.

Lá fora, a chuva molha lentamente o chão. Há pouco terminei de ler um livro, estudei violão – as aulas logo estarão de volta – almocei. Senti falta dos ensaios dominicais na casa do meu melhor amigo e das caminhadas longas para chegar e sair da casa dele. Pensei em me arrumar e ir caminhar a esmo pela cidade molhada, fria e provavelmente vazia – a chuva certamente forçou os turistas e veranistas a se recolherem neste domingo.  Sentada diante do computador, começo a ler algumas postagens de blogs que sigo – e também olho vez por outra, a timeline do Facebook. E então percebo que o ano nem bem começou e já surgiram motivos para polêmicas desnecessárias – ou talvez reveladoras: Vejo mais um texto, bastante bem escrito e argumentado, sobre a foto do menino negro dentro do mar na virada de ano em Copacabana. Tantas interpretações para uma única imagem – qual a dificuldade das pessoas em enxergar na foto apenas uma criança olhando os fogos, talvez com frio pela água levemente gelada do mar? Válido questionar a exposição de um menor de idade, mas apenas isso – antes de inventar possíveis interpretações, essas pessoas deveriam pensar sobre o constrangimento que este menino irá passar ao ver tantas histórias “criadas” a seu respeito – menor abandonado, ladrão. Qual o motivo de atribuir a uma criança em uma imagem tantos passados e presentes? Quando perdemos a capacidade de apenas admirar uma fotografia bem feita? E a reforma da Educação que o governo propõe? Por qual motivo há tantos textos sobre uma imagem e tão poucos sobre coisas que realmente importam? Será que já desistimos de lutar por escolas públicas de qualidade, saúde, transporte, segurança – não segurança repressiva, chacina, força bruta – mas a segurança da justiça, da educação, dos direitos humanos colocados desde cedo para formar cidadãos que entendam a importância de lutar pelos direitos do seu próximo e não apenas pelos seus.

Francamente, tento parar de pensar em tudo isso – o ano mal começou e um desânimo já me invade. Tenho me sentido velha ultimamente – meus 31 anos que este ano se transformarão em 32 – parecem já 50. Talvez eu devesse ler menos, questionar menos. Mas não consigo! Entre os preços abusivos do supermercado, o transporte caro e lotado, o emprego e o curso, encontro apenas cansaço e perguntas que não se encaixam e, os únicos momentos em que consigo não questionar são aqueles momentos entre amigos, aquelas noites na praia esperando o Sol nascer, os ensaios de domingo, as horinhas roubadas ao turbilhão dos dias em pequenas conversas no Messenger. E por falar em amigos e vida, lembro-me de uma analogia feita por um grande e especial amigo: A vida é como o mar e suas ondas: Puxa, bate, empurra – e sempre te joga em alguma praia. E completo o pensamento dele: Se você for forte, talvez consiga aproveitar a praia. Se apenas se deixar levar, provavelmente não consiga sobreviver até chegar à terra firme.

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O conto da sétima noite

Sete sempre fora seu número favorito… Ela nunca havia tentado entender o motivo da fixação pelo número, apenas acreditava ser seu número “da sorte”. E aquele era um sétimo dia – O sétimo depois da noite em que se beijaram. Sete vezes a lua já havia iluminado o céu. Sete vezes ela havia ido dormir pensando naquele momento surpreendente e intenso. Sete vezes o Sol despontara rasgando o céu com seus raios dourados. Sete longos dias em que a respiração se suspendeu repentinamente diante de uma lembrança. Sete dias em que tantas vezes sentiu o corpo arrepiar-se e as mãos tremerem ao ver aquele ícone verde notificando que ele estava on line no Facebook, e invariavelmente ela o chamava ou esperava que ele respondesse uma conversa interrompida pelos imprevistos da vida.

Ela contemplava a noite pela janela aberta – desejaria antes estar presa na contemplação daqueles olhos. Ela tocava a folha de papel antes de traçar suas palavras, entretanto desejava tocar as mãos dele. Ela lembrava versos de uma música antiga sobre o número sete, sete rosas, sete vidas, sete estrelas. Ela acreditava que o número sete era um número de sorte – e nessa sétima noite desejava que o Universo a presenteasse com a sorte de vê-lo, tocá-lo, beijá-lo novamente. Desejava que ele telefonasse dizendo que estava indo até o portão dela para dar-lhe um beijo de boa noite. Que a convidasse para ver o Sol nascer aconchegada nos braços dele, sentindo a brisa do mar e a luz das estrelas. Ela sabia que nada disso iria acontecer, mas sonhar acordada lhe trazia uma sensação boa, como pudesse sentir tudo o que estava desejando naquele momento. Ela fechou os olhos e suspirou pesadamente. Olhou o pequeno vaso de Hera que havia colocado bem embaixo de sua janela para que apanhasse o orvalho noturno e sorriu. Lembranças boas. Olhou para as estrelas e desejou estar com ele novamente. Fechou a janela, olhou-se no espelho e soltou os cabelos – seus olhos reluziam, um brilho flamejante, febril, um desejo intenso e ao mesmo tempo doce, assustador e tão agradável de sentir. Ela terminou de escrever, tomou um banho quente e foi se deitar. Será que em algum lugar ele também havia percebido a magia dos sete dias que se haviam passado?

(11/10/2017)

 

Agosto, mês do…

Há um dito popular que diz “Agosto, mês do desgosto”.  Pessoalmente, prefiro lembrar que Agosto é o mês que já se inicia com um Sabbath: Imbolc. É o Ápice do Inverno, o tempo em que a Deusa já deu à luz o Deus no Sabath de Yule (21 de Junho). O frio já vai diminuindo e a luz pouco a pouco aumenta – É o Deus-Sol que cresce forte! Nessa época comemorava-se o festival do fogo, em honra à Deusa Brigit. Há inúmeros rituais a serem feitos- Desde trançar os cabelos fazendo pedidos até acender uma vela que deverá permanecer acesa até o próximo Sabbath.

Imbolc celebra a maternidade ao mostrar-nos a Deusa em sua face mãe, cuidando do Deus, seu filho e futuro consorte, por isso nessa época celebra-se a fertilidade e a maternidade. As cores para decorar os altares de rituais, bem como a casa e o vestuário neste período são aquelas que lembrem as cores vivas do fogo: Laranja, vermelho, amarelo, branco e azul – Use e abuse delas para atrair toda a energia e prosperidade neste período. Invoque Deuses e Deusas ligados ao Amor, à prosperidade, representados pela luz crescente e, logicamente, a própria deusa Brigit. Outra dica: As ervas deste Sabbath são a angélica, manjericão, louro, benjoin, salgueiro, mirra, alecrim, dill e trevo. Tenha-as sempre à mão! Caso goste de utilizar pedras, este período é ligado a Água Marinha, Ametista, Granada, Turquesa, Granada e Ônix. Muito embora o principal alimento deste Sabbath seja o leite, prefiro pedir licença aos Deuses e servir coisas feitas com leites vegetais, por acreditar que não é necessário nem indicado causar sofrimento aos animais apenas para obter deles o leite que deveria ser exclusivamente de seus filhotes.

Se em Yule o momento foi de recolhimento e introspecção, Imbolc é um período de traçar novos planos – por isso muitos feitiços lançados nesta época possuem o propósito de atrair prosperidade e também afastar pessoas invejosas.

Feliz Imbolc e que Agosto seja sempre um mês de muito gosto!

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*Agosto é também o mês onde vários blogueiros e blogueiras se dedicam ao projeto #BEDA (Blog Every Day August), não prometo, mas tentarei fazer parte deste projeto pela primeira vez este ano!

 

Tardes de segunda-feira

26-01-14 (6)

O mundo parece desfazer-se em preguiça. Segunda-feira. O dia em que todos queriam mais algumas horinhas de domingo. Só eu pareço funcionar ao contrário. Nas últimas horas de domingo, já estou contando os momentos para que cheguem as primeiras horas de segunda feira.  Eu continuo sem saber quem você é. E continuo tendo um medo terrível de tentar saber. Só sei que quando você me cumprimenta algo aqui dentro se aquece.  E é por isso que minhas segundas feiras são tão belas, porque eu sei que irei encontrar você e sentir esse furacão de sentimentos confusos que o teu olhar desperta em mim. São finais de tarde que rapidamente se transformam em inícios de noites estreladas onde os astros celestes disputam minha atenção com a lembrança luminosa da tua presença.

 (Devaneios tirados do fundo de uma gaveta – escrito em algum mês de 2013)

Imagem: Internet

Eu vejo um mundo novo

Eu vejo um mundo novo, vejo a vida que passa, vejo pessoas, vejo sentimentos. Vejo a cada dia a aurora de uma nova vida, que morre na rotina. Vejo paixões nascendo; pássaros cantando; vejo o Amor brincando.
O amor se esconde nunca se sabe onde, ali na esquina ou bem ao teu lado. Todos buscam o amor, o procuram em cartas, poemas, oráculos; todos sonham com ele, que se esconde, foge e aparece de repente.
A vida se repete a cada dia, se copia e se inova; ela transpira esperança, nos mostra caminhos – os melhores e os piores, os alegres e os infelizes… E nós, seres inquietos, tentamos percorrer todos, sem prestar-lhes atenção, apenas passamos… E, em algum desses caminhos, o Amor nos aparece e nós simplesmente não notamos. Cada caminho é um novo mundo e eu sigo o Amor que em um desses mundos encontrei e que hoje é meu guia em todos os meus caminhos…

(Da série: devaneios tirados do fundo da gaveta)

Mais um devaneio tirado do fundo da gaveta…

Se eu te encontrasse agora, sem palavras estaria. Vocábulos simples e tímidos não bastariam para expressar tudo o que sinto e o que penso; não seriam mais do que sinais sem nexo. Se eu te encontrasse agora, cairia em teus braços, sedenta por teus beijos, teus abraços, por teu carinho com gosto de paixão. Deixar-me-ia ficar junto de ti pela eternidade de um momento e sentiria tua respiração. Mergulharia no brilho do teu olhar, puro, doce e cristalino; e em sua canção me deixaria ficar. Se uma lágrima de saudade dos meus olhos rolasse, que se haveria de fazer? Deixaria meu pranto correr, já senti mesmo a dor nascer, crescer e nesse momento no meu peito ela iria morrer. Seriam tantos beijos guardados, tantos suspiros, sensações, arrepios, que eu não saberia dizer nada… Apenas saberia amar e amar…
Pois é, a noite chegou e eu não te encontrei. Nasceu outro dia… E novamente a noite chegou… Nada. Espero e espero. E, por meu corpo não poder dizer ao teu nada sobre a saudade que sinto, nem sobre a alegria do reencontro, limito minhas mãos a tentarem inutilmente escrever nessas linhas o que se passa em meu coração…

(Texto – Darlene Regina Faria; Imagem: Internet)

Pensamentos no final da tarde e canções…

Há momentos em nosso dia-a-dia que simplesmente nos lembram músicas… Hoje, caminhando pela praia e observando o crepúsculo alaranjado que cobria o céu da cidade lembrei-me de dois trechos de canções da banda santista Charlie Brown Jr:

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“Meu escritório é na praia, eu to sempre na área” (Zóio de Lula – CBJR) e “Eu só quero um fim de tarde, um lugar só meu e ela pra curtir” (Uma só vida pra viver, tenho sede nela eu vou – CBJR). Engraçado, não conseguia me lembrar o restante da canção, e por um tempo fiquei com o segundo trecho na cabeça… Sentei e fiquei olhando o mar… Ah… Um fim de tarde, um lugar, um alguém… E me dei conta de que sabe-se lá quantas pessoas querem exatamente o isso. E eu? Eu quero exatamente isso? Um fim de tarde? Ok. Um lugar só meu? Não sei… Um lugar só meu seria tão solitário… Alguém pra curtir? Certamente… Mas, alguém quem? Um amor? Um amigo? Porque não vários “alguém”? Porque as músicas que fazem sucesso falam sobre romance, sobre amor, sobre casais e finais de tarde se tudo isso é tão distante e difícil de encontrar?  Os compositores deveriam escrever sobre o mar, sobre a noite, sobre o amanhecer… sobre finais de tarde e amigos… Risos e sorrisos… Alegria simples e pura… Afinal, conforme diz outro trecho do saudoso Chorão “Então vamos viver, um dia a gente se encontra” (Um dia a gente se encontra – CBJR).  Sim, sim…Não sei pra quem o Chorão escreveu isso, mas por minha parte esse trecho é um recado pra ele, pro querido Cupido: vamos viver e um dia a gente se encontra… Mantenha distância que você só faz burrada, uma atrás da outra… E, aliás, deve ser por causa dessas burradas do Cupido que tantos falam de amor e tão poucos se dão conta de que o amor não precisa ser romance… Mas essa é outra história, outra conversa, outro tema…

Quem canta seus males espanta.

Já diz a antiga sabedoria “Quem canta seus males espanta”. Ontem, 26/08/2014 em Sessão Solene instaurada para comemorar o “Dia do Coral” (instituído em Santos pela Lei Municipal 2157/2003), foi possível sentir a veracidade do ditado popular. O Teatro Guarani, tradicional na cidade, tornou-se palco para a apresentação de alguns corais, dentre eles o Coral Canto Livre e o Coral Infantil da Legião da Boa Vontade.

            Como integrante do Coral Canto Livre, posso dizer que foi uma grande emoção estar no palco do Teatro Guarani, não só pela oportunidade maravilhosa de cantar, mas, principalmente por ver frutificar em tão bela apresentação o esforço de todos os integrantes, do tecladista Décio e da maestrina, D. Meire.

            Como espectadora, não há como negar a emoção diante da apresentação dos outros corais, especialmente o da Legião da Boa Vontade, formado por crianças e adolescentes.

            Foram ao todo seis apresentações, sendo cinco de corais da cidade e uma da banda infanto-juvenil “Quero”. E a cada canção foi possível sentir a dedicação de todos que ali estavam. Música não é apenas uma fórmula pronta. Cantar ou tocar é dividir um pouco da sua alma com quem está ali para assistir. Cantar em grupo é dividir suas emoções com cada colega em cada ensaio, e, justamente toda essa dedicação e entrega faz com que cantar espante os males da alma. E assistir outras pessoas cantarem faz muitas vezes com que os olhos se encham d’água, lavando a alma das tensões desnecessárias acumuladas no dia-a-dia. Enquanto houver no mundo professores que se dediquem a ensinar a Arte da música e alunos que desejem aprender, haverá uma luz e esperança de um futuro melhor.

            Fica aqui a homenagem a todos os cantores, regentes e músicos que, profissionalmente ou não dedicam seu tempo a aprender, ensinar, ensaiar e apresentar-se, fazendo os dias mais belos e esperançosos!

No vídeo, apresentação do Coral Canto Livre interpretando a canção Ameno, do grupo Era.