Livros e comida:Cookies da Lara Jean, do livro “Para todos os garotos que já amei”

“Para todos os garotos que já amei” é uma trilogia muito especial, que fala de forma leve e descontraída sobre família, amor, namoro, escola e a inevitável transição da adolescência para o início da vida adulta. O livro conta a história de Lara Jean e suas irmãs Margot e Kitty – Lara, a irmã do meio, escreveu uma carta para cada garoto que já amou, num total de cinco cartas. Acontece que um desses garotos é Josh, seu vizinho e namorado de Margot, a irmã mais velha. Quando Margot termina com Josh para ir estudar na Escócia, Lara se vê sozinha com o pai e a irmã mais nova. Entre uma e outra trapalhada, tudo parece ir bem até que misteriosamente as cartas são enviadas a seus destinatários, causando uma grande confusão na vida de Lara Jean – e de quebra jogando-a nos braços de Peter, um dos garotos para o qual ela havia escrito e que propõe viverem um relacionamento de mentira para fazer ciúmes para a ex namorada dele e ajudar Lara a se manter longe de Josh, que ficou bastante confuso ao receber a carta de Lara. Se esse casal de mentirinha vai ficar junto ou não, só lendo a história pra saber (eu li e não vou contar!). Um aviso: Ler essa dá muita fome! Lara adora cozinhar – principalmente biscoitos, bolos e cupcakes! No primeiro filme isso não é tão explícito, mas nos livros encontramos a personagem na cozinha várias vezes, principalmente nos momentos de crise – se ela fosse real, iria estar muito acima do peso com certeza! Enfim, inspirada nos cookies que ela faz, criei essa receita saudável, vegana e gostosa:

Cookies da Lara Jean:
8 bananas pequenas amassadas
3 xícaras de Aveia Grossa
1 Colher de sopa chia
3 Colheres de sopa chocolate picado
1 colher de sobremesa de fermento químico
1 colher chá de óleo de coco

Fazer os cookies é super fácil: Só amassar as bananas e misturar os outros ingredientes, depois colocar com uma colher em uma assadeira untada, espalhando e dando forma. Levar pra assar em forno pré-aquecido até dourar (no forno elétrico, meia hora)

Essa receita não fica muito crocante, mas é bem saborosa e super saudável, rende 20 biscoitos de tamanho médio.

Dica literária: Todos os homens são mortais – Simone de Beauvoir

Imortalidade –  Desde os primórdios a origem da vida e o destino após a morte são mistérios que amedrontam o homem. Mistério e medo – ingredientes mais que suficientes para suscitar o surgimento de mitos e histórias diversas. Viver para sempre, acompanhando cada mínima mudança ocorrida no mundo, intervindo no destino de seu país e de seus entes queridos, seria um dom? Seria uma benção ou uma maldição? Talvez, num primeiro momento, sem maiores questionamentos, beber uma poção da imortalidade, fosse o impulso humano. Trazemos sem dúvida em nosso âmago um enorme instinto de sobrevivência que nos faria beber sem titubear uma formula que nos prometesse a vida eterna. Além disso, nosso ego inflado sussurraria aos nossos ouvidos o quanto somos importantes, as coisas grandiosas que poderíamos fazer caso nosso tempo não fosse tão curto e nossa existência tão frágil.

Na obra todos os homens são mortais, Simone de Beauvoir se debruça sobre a questão da imortalidade. É um livro sobre a inexorável roda do tempo que gira pesadamente sobre a humanidade reduzindo impérios a pó e pessoas poderosas a lembranças que aos poucos vão se apagando perante o brilho de novos rumos e acontecimentos. Tudo gira em torno do poder, da ganância, do egoísmo. Se em um primeiro momento o Conde Fosca desejou a imortalidade por acreditar-se capaz de ser o melhor governante que Carmona poderia ter, o tempo e as perdas inevitáveis da vida irão lhe mostrar que mesmo a morte possui um sentido, uma razão de ser. A imortalidade desejada torna-se um fardo sobre suas costas – um pesado fardo que atinge também as pessoas que o cercam, em especial àquelas a quem é dado conhecer a verdade sobre sua natureza; pode-se mesmo dizer que, se o primeiro questionamento do livro é sobre até onde a imortalidade é um dom ou uma maldição, o segundo questionamento é sobre o conhecimento – Afinal, conhecer e se afeiçoar a um ser imortal implica receber o conhecimento de séculos. Qual seria o efeito de alguém que vive a sombra desse conhecimento, adquirido não através do estudo, mas através de um ente imortal? Serviria tal saber para tornar uma pessoa mortal mais sábia, humilde, melhor? Ou serviriam para alimentar seu espírito com a certeza de que após a morte, pouco a pouco sua memória será apagada e esquecida? O conhecimento seria então um veneno a enlouquecer e desestimular tal pessoa a viver uma vida produtiva?

Beauvoir habilmente levanta tais questionamentos através de uma narrativa que, inicialmente parece lenta e cansativa, mas vai pouco a pouco cativando e arrastando o leitor a uma reflexão profunda e perturbadora.

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