Dica literária: Alice, uma voz nas pedras (Lunna Guedes)

            Como falar sobre Alice sem sentir um nó no fundo da alma? Alice poderia ser qualquer menina-mulher revivendo seus lugares, seus sonhos desfeitos, seus traumas e esperanças perdidas. Criada com recato acreditou no “(…) e foram felizes para sempre”, no príncipe encantado, fez tudo certo: Casou pura, submissa, doméstica. Infelizmente para ela e para tantas outras mulheres, a violência se esconde atrás de rostos bondosos e sorriso e até mesmo nos pedidos de desculpas após um momento de descontrole – Um penoso processo de desconstrução da auto-estima e da personalidade nem sempre percebido pela vítima, que vai se afundando – Afinal, de tanto ouvir que não sabe fazer nada direito, ela acredita. Acredita que é sorte ter um homem ao lado. O mais dolorido é perceber que todo esse processo muitas vezes começa na infância, na relação com o pai e vai se estendendo ao namoro, ao casamento. E vai se tornando normal quando os sorrisos começam a faltar, substituídos por explosões de raiva, socos na mesa, humilhação e agressões, acompanhadas de isolamento e muitas vezes, impossibilidade de contar com a família para sair da situação de perigo. Essa é Alice – Uma mulher que existe nas assustadoras estatísticas de brasileiras, poderia ser você,  ou sua amiga ou uma mulher da sua família. Quem sabe?  O que chama a atenção em Alice é acima de tudo a escrita da autora Lunna Guedes, que nos leva a um longo passeio por dentro da alma partida da personagem e, ao mesmo tempo, por recantos da cidade de Teodoro e pelas vidas de outras personagens que, ao final se entrelaçam na trama. Apesar do tema denso, Lunna Guedes consegue utilizar-se das palavras com a etérea leveza de uma prosa poética – E provavelmente seja esse o motivo de tantas vezes ser necessário parar a leitura e beber água para desfazer o nó na garganta, a vontade de amparar e dizer que vai ficar tudo bem enquanto a personagem nos conduz ao longo de sua história até culminar em um final surpreendente.

Resenha: O príncipe virou um monstro

Pam leva uma vida pacata e solitária até o dia em que escuta durante um procedimento médico, um longo monólogo sobre as vantagens de se relacionar através da internet. Apesar das dúvidas e da insegurança que sente em relação a esse tipo de interação, Pam decide se arriscar no bate papo e, quando já está quase desistindo, acaba conhecendo João Pedro, um rapaz educado, com conversa agradável. Depois de muita conversa e de um primeiro encontro em local público, ela convida o rapaz para um jantar onde a verdadeira face de João se revela.

            A história narrada por Jess Marques pode acontecer com qualquer pessoa: Nem sempre aquele rapaz de conversa educada e gentil é um príncipe; porém, o que chama a atenção é a rede de apoio com a qual a personagem passa a contar – Pessoas que ela pouco conhecia e que deram apoio no momento em que ela mais precisou. Essa é uma mensagem importante que o conto passa: Seja solidário, resguarde sim a sua segurança, mas se puder ajudar, ajude. A vida de alguém pode depender disso.

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