#TBT – Noite

Como eu já comentei Quinta-Feira passada, o blog seguirá o costume de outras redes sociais e publicará sempre (ou quase sempre) um #TBT. Sei que não escrevo com perfeição e que me falta muito aprendizado e treino do ponto de vista técnico, entretanto, a parte mais gostosa de separar textos antigos é justamente olhar e perceber que houve sim uma evolução na escrita. Abaixo, um texto que se diz poema, escrito em 03-05-2010 como parte do meu romance Bianca, um amor que sobrevive aos séculos:

É noite. Estou só
Pensando em ti
Olhando o luar
Sentindo a brisa me tocar
Fecho os olhos
Uma lágrima cai
Silenciosa como a escuridão
Uma lágrima de saudade!
Ainda posso sentir teu cheiro em minha pele
Como uma tatuagem que jamais se apagará
Sua imagem não sai do meu coração
Sinto tua falta!
Mais do que sentiria
Da luz de cada dia
Mais do que sentiria das estrelas se elas fugissem do firmamento
Os espinhos do Amor gravaram seu nome em minh’alma
Ainda sinto teu corpo encaixado no meu
Sintonia perfeita de emoções
Corações que pulsam num mesmo ritmo
Meu coração chamando o teu nome
E o teu me buscando
Sei que não estou tão só quanto me sinto
Pois apesar das léguas que nos separam
Sei que estou perto de ti, sim, meu corpo jaz aqui
Mas minh’alma há muito tempo
Encontra-se abrigada em teu coração
Num cantinho, bem lá no fundo
A solidão que sinto agora não é pela tua ausência
É a saudade da parte de mim
Que está e sempre estará com você
É a saudade de sentir meu coração pulsar através do teu
Quero sentir em minha pele tuas sensações
Respirar o ar que respiras e fazer do teu perfume meu oxigenio
Só você me completa pois parte de mim está em você
E não adianta querer devolvê-la
Pois ela já está aí desde antes de eu existir
Uma parte de mim nasceu gravada em você
E esperou muitos anos para me encontrar
Meu coração procurava essa parte
E encontrou no teu olhar
E agora?
Só poderei ser feliz o dia em que, para sempre, ao teu lado ficar

(03-05-2010)

Caminhando pela vida

Caminhando pela estrada
Correndo em disparada
Pelo amor atormentada
Pelo teu olhar encantada

Haverá um dia um porto seguro?
Uma luz em um dia escuro?
Um momento de entrega e paixão
Uma breve e feliz ilusão?

O tempo corre impassível
Não tem pena de um amor impossível
De uma dor insuportável
De uma lágrima inevitável

A vida se esvai na ausência
Em cada ser busco a tua essência
Teu carinho e inocência
Tua suave incandescência

E no espaço de uma vida
Estou sempre de partida
Caçando teu coração, tesouro perdido
Roubado por algum amor bandido

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*Esse post faz parte do projeto BEDA*

#DiáriosdaPoetisa #132de365 #DiadasMães

O capitalismo é realmente brutal – conseguem prender em um domingo qualquer a comemoração de um dia que deveria ser celebrado e respeitado o ano todo. Não sei a origem da comemoração do dia das mães, mas me incomoda saber que o maior mistério da humanidade, a capacidade de transmutar o etéreo em carne, foi reduzido a uma data comercial no segundo domingo de Maio, onde as pessoas trocam presentes e se empanturram de comida. Fique claro que sou completamente contrária a essas propagandas que estigmatizam a mulher como um ser incompleto e tentam vender a imagem de que ela só é completa quando tem filhos – A maternidade compulsória é um desrespeito enorme, quase tão grande quanto reduzir a celebração das mães a uma data comercial. O gerar e o nascer são mistérios, são energias poderosas, e devem ser encarados com respeito – nem todas desejam passar por tal experiência e isso é um direito.  De repente, me dou conta de que o texto que deveria ser poético está se tornando uma pequena dissertação! Mais cedo estive na casa de um grande amigo que está fazendo aniversário hoje e, na volta, dentro do ônibus me peguei observando algumas mamães e seus filhos – é uma sensação estranha, pois até alguns anos atrás a simples idéia de ficar vulnerável e ter algum outro ser totalmente dependente de mim me causava arrepios e repulsa. Não sei quando isso mudou – o fato é que algumas vezes me pego pensando se ainda terei tempo de ter um filho ou filha e isso causa angústia- Trinta e três anos, nenhuma perspectiva de casamento ou romance. Já considerei mesmo a idéia assustadoramente cara e nem um pouco prática de uma inseminação, como um último recurso da minha completa falta de habilidade com os relacionamentos – Intensidade demais talvez não seja exatamente algo atraente, acreditar que o amor é único e ser quase incapaz de traçar novos envolvimentos possivelmente sejam fatores fora do padrão pra sociedade superficial e vazia da atualidade – mas esses são assuntos para outros textos, mais comuns e freqüentes por aqui inclusive. Já antecipo que alguns leitores certamente irão comentar que existe adoção, uma atitude louvável e bela em minha opinião, mas completamente fora dos meus planos – meu lado mulher-bruxa tem essa necessidade de explorar a sensação de ser um portal a trazer mais uma alma para esse mundo maluco que, possivelmente nem mereça toda a inocência e doçura de um novo ser.

Percebo que este texto é possivelmente um dos mais íntimos que escrevi – sem subterfúgios, sem poesia, sem contos, sem cartas ou devaneios. A vida vai além de sentir saudades de um amor que nunca vai ser aquele final feliz, vai além de observar detalhes pequeninos nas ruas ou elaborar resenhas de livros e filmes e eu posso estar romantizando absurdamente tudo isso, mas não são raras as vezes em que penso o quanto seria doce ensinar as primeiras receitas ou notas musicais pra uma criaturinha, ou dar o primeiro caderno em branco para que uma menininha ou menininho tímido escreva seus primeiros pensamentos (Diários da mini poetisa?). São cenas que tem uma grande possibilidade de jamais acontecerem no mundo real, mas que eu precisava deixar escritas por aqui – Pra relembrar no futuro, quando eu for a senhorinha que ainda se divide entre a cozinha, a poesia e os cachorros – sozinha em seus sonhos não realizados e corações partidos.

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Enquanto escrevo, além do som contínuo da chuva, ouço:

Cores do tempo

Olho para trás e posso ver as cores do tempo que se passou: O verde broto da infância, delicado, inocente e cheio de esperanças. As alegres cores do florescer róseo da juventude – lampejos sensuais e igualmente doces. Vivo agora o outono de cores pálidas onde os sentimentos intensos da moça que fui vão, pouco a pouco, caindo ao chão, como folhas secas ao vento, levadas de um canto para outro, se desfazendo em pedaços que sujam insistentemente as calçadas. Vão ficando espalhados como folhas despedaçadas a inocência, a esperança, os sonhos – Mas observe: De tudo que os anos levam, há algo que permanece: O amor que sinto por você sobrevive agarrado em minha alma como o broto agarra-se a um ramo em dia de vendaval. Passam-se os anos e o amor continua a ser um broto verde que trás esperança ao coração, uma flor que enfeita a vida, ilumina e a cada dia, me mostra o verdadeiro motivo de estar aqui, de recomeçar, de renascer juntamente com o Sol… Renascer com o luar… Muitos anos ainda se passarão até que eu atinja o inverno da vida, e mesmo assim, quando as cores obscuras dominarem meu espírito, quando todas as folhas já estiverem caídas ao chão, o amor permanecerá em meu coração. Pois o amor é uma flor que desabrocha para nunca mais secar e seus brotos sempre serão verdejantes, fortes! Invencíveis e imortais brotos de amor, cheio de esperança, colorindo minha vida e dando força e alegria ao meu coração, que ainda estará esperando por você em meio às últimas nevascas que chegam pouco a pouco para finalizar uma vida mais ou menos longa.

Caminhos

Que caminhos a vida me destina?
Curvas sinuosas?
Longas trilhas verdejantes?
Nenhuma surpresa a cada esquina…
Poucas lembranças saudosas…
E muitos dias entediantes…

Profunda e intensa… Uma folha ao vento
Será minha poesia sempre lamento?
Serei sempre… Um par de pegadas na areia…
Uma única taça na mesa à luz de velas, um único travesseiro sobre a cama?
Corroída por essa paixão que me incendeia
Aquecida por esse amor que é tênue chama

Até quando apreciarei o conforto da melancolia?
A Lua solitária como meu ser
A noite, o frio, o triste sorriso e a fantasia
O meu ser é um não-ser, inconformado em te perder
O Amor é um quase invisível fio que nos uniu
E brevemente se partiu

Assim, a escuridão é tudo que me conforta
Quando chega a noite e te vejo em mágicas miragens
Sonhos, do Amor imagens
Dor que me afoga; lâmina que a minha alma corta
E ao mesmo tempo me seduz
E a amar-te mais e mais me conduz.

(Imagem: Internet)

Uma droga perigosa

Certo dia conversando com um amigo, me surpreendi ao ouvi-lo dizer que considerava carinho uma “droga muito pesada”.  Discordei. Como? Carinho não é uma droga. Carinho é bom. É confortável. É aquele calor ameno e doce que nos mantém calmos. E ele insistiu: Sim. É uma droga. Vicia.  Ainda salientou que as pessoas gostam de drogas, apesar delas fazerem mal para a mente. Na ocasião, ri da ideia. Aquele riso meio bobo. Continuamos conversando sobre outros temas e a “perigosa droga denominada carinho” foi tema deixado para trás. Até agora.
Não sei o porquê lembrei-me da conversa que acabei de contar a você, leitor. Entretanto pensando bem, não é que meu amigo tem razão? Carinho é uma droga perigosa, altamente viciante.  Tão viciante que causa dependência em quem fornece e em quem recebe. Pense em todas as drogas lícitas e ilícitas: Já viu o dono do bar sentir os efeitos da abstinência no fornecimento de bebidas (não digo efeitos financeiros, mas sim efeitos físicos)? Já viu o traficante ter abstinência de fornecer maconha? Cocaína? LSD? Não? É… Eu também nunca ouvi falar nada assim… Mas o carinho… É, querido leitor, o carinho é outra história. Você se acostuma muito rápido a recebê-lo. Seja carinho romântico, do namorado (a), do (a) ficante, seja carinho de amigo. Seja carinho físico, abraço, aperto de mão, olhar. Seja carinho “virtual”: uma mensagem, um telefonema, um e-mail, qualquer coisa pra perguntar “ei, como foi teu dia”.                                                                   Agora, repare: Você se acostuma também a dar carinho. A sorrir, a telefonar, a abraçar; Se acostuma a andar de mãos dadas.  É um vício que já nasce conosco, desde crianças. Em maior ou menor grau, todos gostam, desejam, procuram ou fogem dessa “droga” chamada carinho.
Todos querem receber e todos querem dar carinho a alguém. Já reparou nisso? E como pode ser cruel a abstinência! Os sintomas para quem tem abstinência de receber carinho vão desde uma melancolia leve, um quase “deixa pra lá”, até uma emotividade profunda: lágrimas que vem aos olhos até assistindo comerciais de margarina. Crises de choro nos finais de tarde. E os sintomas de quem está em abstinência de dar carinho? Atenção excessiva – aquele (a) amigo(a) que sabe um monte de coisas que você gosta e te marca no facebook quando vê algo. Te envia e-mails. Deixa recados fofos para saber se está tudo bem. Chama-te sem motivo nenhum pra uma conversa nem que seja aquela conversa rápida. Isso é carinho represado, preso e angustiado na alma. Carinho que precisa ser ofertado. E o mais interessante nesta droga: Ela é produzida pelo coração de alguns para ser ofertada a outros, especificamente. Você não sente falta de dar carinho para qualquer um. Só para aquele grupo de pessoas queridas que chamamos amigos. Só para aquele alguém especial que o cupido se encarregou de colocar na sua vida. Estranho né? E não há tratamento! O jeito é ofertar e receber carinho, sempre!
O mais engraçado: Lendo este texto, reparei que eu também sou uma eterna viciada nessa droga potente e natural. E o pior – O meu vício é de mão dupla: Vício de dar e de receber carinho. Minha abstinência é das mais pesadas: lágrimas, melancolia, mil mensagens, conversas a toa, vídeos e fotos marcados com atenção nas redes sociais. Pois é, agora quando me perguntarem se eu tenho algum vício direi: Sim, sou viciada em uma droga pesada chamada “carinho”: Sou uma amiga carinhosa e carente. E um dia talvez venha a ser a namorada carinhosa e carente de alguém… Quem sabe?

***Texto: Darlene R. Faria***

*** Imagem: Internet ***

Crônicas de um sábado (Ou risos e melancolia)

Mais um sábado. O cheiro do café na cozinha quase se mistura ao perfume do xampu do banho matinal. Não são nem sete horas da manhã. E como é bom acordar cedinho e iniciar um dia cheio de atividades. Roupa, material de estudo… Hora de correr até o ponto de ônibus e embarcar rumo a mais um dia lotado de risos e desafios.
A fina chuva insistia em cair, escorrendo pela vidraça. Minha alma não contava com essas gotas melancólicas que embaçavam a paisagem. O trânsito lento e o balançar suave do ônibus levam os pensamentos a vagar pelo mundo todo que trago dentro de mim. É como se as lembranças sussurrassem histórias já vividas em meus ouvidos. Como se o vento e os respingos da chuva que entravam pelo vão entreaberto da janela quisessem me acariciar lavando meu rosto com a água fria. Relaxo e fecho os olhos… Um sono me invade e durmo. Acordo com o som de risadas e conversas. No ônibus lotado entrara um casal jovem… Uns dezesseis, dezoito anos no máximo. Ela havia se sentado no banco ao meu lado e o garoto no banco do outro lado do corredor… Gracejam e mandam beijos um pro outro. Tão lindo começar o dia assim… Ofereço meu lugar para que o rapaz se sente e passo eu para o banco que ele ocupava. Eles me agradecem e se aconchegam juntinhos, mãos entrelaçadas e aquele sorriso bobo nos lábios… Encosto novamente no banco e fecho os olhos… Uma saudade de viver momentos assim: Mãos entrelaçadas… Sorriso fácil… Ternura e inocência… É confuso… Parece que foi ontem a última vez que senti meus dedos se entrelaçarem em outros dedos… E ao mesmo tempo, parece que faz tanto tempo… Seja como for, presenciar momentos de ternura logo pela manhã fez o meu dia mais belo.

Imagem: Internet

Inegável

Negar o inegável
E disfarçar o óbvio
Já não adianta mais
Calar do coração
A canção

Perder-me em teu olhar
E em teu corpo me encontrar
Não, tarde demais
Para tentar matar o sentimento
Imortal
Mesmo que ele me seja fatal

Risco não calculado
Amar-te demais
E não poder em meus braços
Reter-te
E nos teus
Deter-me

 

PS: Este é um poema um pouco antigo, um dos meus primeiros, por isso decidi inaugurar a categoria “poesias” deste blog com ele.  Publiquei também uma pequena montagem dele com imagem retirada da internet, para o caso de alguém desejar compartilhar apenas a poesia.