Amor expresso – Adriana Aneli

Amor expresso é um livro saboroso como um bom café expresso moído na hora, servido quente, forte e sem açúcar – Só quem ama café sabe como é gostoso sorver uma xícara da bebida.

A obra, escrita por Adriana Aneli, publicada pela editora Scenarium e ilustrada por Cristina Arruda chega a sua décima primeira edição e presenteia o leitor com micro-contos repletos de amor e café!

Como sempre, a Scenarium capricha na confecção do livro totalmente artesanal, uma verdadeira obra de arte capaz de encantar os olhos. O tipo de livro perfeito para presentear alguém especial.

Dica de leitura: Rua 2 [BEDA 10]

“Caro Leitor, você acaba de receber em mãos um livro artesanal produzido pela Scenarium e aqui vão algumas instruções de uso…

Aprecie a capa… ela é como um velho portão, que dá entrada para uma realidade de páginas devidamente numeradas. Verifique o número do seu exemplar… E depois a sequência de páginas. A menos que o projeto seja insano, a sequência é como a das casas, de um lado você encontrará os números pares e, de outro, os ímpares…”

As palavras acima são as primeiras linhas escritas no livro “Rua 2” , contos de Obdulio Nuñes Ortega.

Em textos curtos, que em sua maioria recebem como título o número das casas onde moram as personagens, Obdulio nos apresenta personagens urbanas detentoras de personalidades únicas que leva o leitor a sentir uma interação com a personagem. A estrutura da obra, aliada a capacidade criativa e refinada observação humana do autor faz do livro Rua 2 uma obra genial.  Destaco aqui os textos: Morador da rua 2, casa 11, casa 9, casa 15, casa 2, linhas cruzadas e Pescoços quebrados da rua 2. Não me atrevo a dizer que são os melhores textos do livro por acreditar que é impossível estabelecer este tipo de juízo. Prefiro dizer que são os textos que mais gostei dentro de um livro dinâmico, envolvente, gostoso de ler e que deveria ser parte da lista de leituras de quem realmente aprecia a literatura brasileira.

Quer ler? Acesse a Scenarium Plural e adquira seu exemplar!

Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day April). Visitem também:

Lunna Guedes, Adriana Aneli, Mariana Gouveia, Claudia Leonardi, Roseli Pedroso, Obdulio, Ale Helga

Resenha: Feliz Ano Velho

“(…) O aroma do chocotone no forno interrompeu os pensamentos trazendo lembranças de outros Natais mais felizes. Em um deles, a cozinha havia sido dividida com o dono de seu coração. Mãos grudentas de massa, chocolate picado. Ela tinha uma receita especial: Não perdia tempo decidindo entre as passas ou o chocolate. Colocava logo um pouco de cada coisa! Passas, frutas cristalizadas, gotas de chocolate. Os corpos próximos, as mãos se tocando, o sorriso dele misturado ao dela. Ingredientes secretos daqueles preciosos pães natalinos. (…)”.

            O trecho acima faz parte da crônica “Um chá com a solidão”, minha contribuição para o livro “Feliz Ano Velho”, organizado e editado pela escritora Lunna Guedes e publicado pela Scenarium Plural. A obra, dividida em Crônicas ao Passado e Cartas ao Futuro reúne autores e autoras que conseguiram transformar em arte os medos, dissabores e esperanças do ano de 2020. Não se trata de um relato da pandemia que nos assola, embora a realidade inevitavelmente se reflita nos textos. Feliz Ano Velho é um livro intimista, delicioso de ler e reler, talvez com a companhia de uma boa xícara de chá.

Dica literária: Receituário de uma expectadora

O Clube do Livro da Editora Scenarium se reúne toda primeira segunda feira do mês para conversar sobre um livro determinado no mês anterior. Para este primeiro mês do ano foi escolhido o livro Receituário de uma expectadora, da autora Roseli Pedroso.

            Trata-se de um delicioso livro de crônicas em que a autora consegue olhar ao mesmo tempo para dentro e para fora de si, expressando o mundo que nos cerca com muito bom humor e algumas matizes de melancolia. Roseli escreve com um ritmo fluido, encarrilhando as palavras uma na outra sem deixar vazios indesejáveis e sem atropelar as ideias.

            Se alguém me perguntasse eu diria que é impossível escolher apenas uma das crônicas – Todas são de uma qualidade literária incrível. Por outro lado, eu não estaria sendo junta com vocês ou com a autora caso terminasse esta postagem sem dizer quais são as minhas crônicas favoritas, então destaco três delas: Falar é bom, saber escutar é melhor ainda; Pequenas Feras e Em franca expansão. A primeira é uma crônica e um desabafo sobre um assunto cotidiano: Saber escutar quando alguém precisa conversar. Acredito que não é por maldade, mas boa parte de nós temos o hábito de falar sobre nossos problemas e objetivos, mas quando a conversa é sobre o outro, não há tempo. Outra crônica que gostei bastante foi Pequenas Feras – Quem trabalha com crianças irá entender o motivo e perceber que a autora foi assustadoramente realista e, para fechar preciso dizer que AMEI a crônica  “Em franca expansão” – Em algum momento da vida todas as mulheres (e muitos homens) irão se identificar com a situação descrita com muito humor pela autora e até mesmo perder o medo ou dar risada ao se reconhecer nos escritos. Sobre as outras (maravilhosas) crônicas eu não vou falar nada: Entrem no site da Scenarium e comprem o livro –  Que é uma obra de arte costurada artesanalmente! Vocês também podem conhecer um pouco mais os textos da autora acessando o blog Sacudindo as ideias.

Corredores, codinome: loucura. (Mariana Gouveia)

Corredores, codinome: Loucura foi o primeiro livro do Clube do Livro da Editora Scenarium livros artesanais. Para quem não conhece, a Editora Scenarium trabalha com livros costurados artesanalmente – São livros únicos, verdadeiras obras de arte com conteúdo selecionado para que o leitor desfrute o melhor da sensação de ter um livro nas mãos – Recomendo fortemente que 1) não deixem de conhecer a editora e participar do clube do livro e 2) considerem ler com uma boa xícara de chá por perto!

            Vou começar dizendo o que Corredores não é: Corredores não é um livro de fantasia. Corredores não é um livro para leitura rasa. Corredores, codinome: Loucura não é um livro para ler e esquecer. Pelo contrário: É um livro para se pensar, refletir, chorar. É uma leitura que dói, corrói a alma. É uma leitura real.

            Sou uma grande admiradora do trabalho da Mariana Gouveia – Ela escreve textos lindos, com leveza e poesia ímpares (inclusive convido todas e todos que me seguem a seguir também o Ig da Mariana (@marianagouveiacba) e o blog dela “O outro lado” (vejam o link na bio da autora) e, por seguir e admirar tanto o trabalho incrível que ela tem com as palavras já sabia que ao abrir o livro encontraria um texto impecável e sensível – só não imaginava que seria tão impecável e sensível quanto pesado.

            Falar sobre algumas situações da vida não é fácil e, dependendo da forma como ocorrem os fatos, tudo se complica ainda mais – Perdoem-me por não detalhar o conteúdo do romance, não saberia fazê-lo sem contar detalhes e estragar com isso a emoção de quem ainda não leu. Tudo o que posso dizer é que a autora sem maquiar a realidade conseguiu contar uma história real mergulhando o leitor em um poço de sensações turbulentas – A leitura desperta empatia pela personagem, nojo de determinados comportamentos humanos (ou melhor seria dizer desumanos?) e um ódio profundo. Transpor um relato tão triste para as páginas de um livro sem perder o fio poético e a sutileza é um trabalho para gigantes da literatura. Corredores resulta de uma parceria entre a escrita de Mariana Gouveia e a edição de Lunna Guedes (siga @lunnaguedes no Instagram e não deixe de conhecer o blog Catarina voltou a escrever, pois além de editora Lunna é também uma escritora maravilhosa) – É um livro que vai te chocar, te envolver e, acima de tudo, deixar aquela vontade de ler a continuação da história.