24 horas na vida de uma mulher – Stefan Zweig

Você acredita que um único dia pode mudar completamente os rumos de uma vida? Um seleto grupo de turistas discute acaloradamente sobre uma mãe-esposa de trinta e três anos que, de uma hora para outra, abandona marido e filhas para seguir um francês jovem e elegante que havia acabado de conhecer. Enquanto a grande maioria ataca a adúltera sem piedade, um único homem a defende, atitude que desperta a atenção de uma senhora e leva a uma amizade que resultará em uma longa e emocionante confissão. 

Vinte e quatro horas na vida de uma mulher fala sobre sentimentos confusos e arrebatadores, sobre vícios e sobre como uma sociedade pode ser cruel em seus julgamentos – principalmente quando uma mulher se atreve a vivenciar seus desejos. 

Trata-se de uma obra curta, intensa e dramática, sem apelos românticos, com uma trama tensa e uma ambientação sombria.  

O autor vienense filho de judeus nascido em 1881 acabou emigrando para a Inglaterra  quando deu-se a chegada de Hitler ao poder e posteriormente mudou-se  para o Brasil, onde cometeu suicídio juntamente com a esposa, em 1942. 

Para fotos do livro, siga @poetisa_darlene

Livro versus série: Ligações Perigosas

Recentemente a emissora Globo exibiu uma série intitulada “Ligações Perigosas”. Talvez muitos não saibam, mas trata-se da adaptação de um livro de mesmo título, escrito por Chordelos de Laclos em 1782. Na versão exibida pela emissora, a história foi “deslocada” no tempo, passando-se na década de 1920. Os nomes das personagens foram “abrasileirados”, bem como houve algumas alterações drásticas no destino das personagens principais. A adaptação deixa muito a desejar em matéria de vocabulário, o que infelizmente não é incomum acontecer, entretanto, não há que se negar a qualidade do elenco, bem como os primorosos cenários e figurinos.
Infelizmente, assim como acontece na história original, há passagens que denotam machismo e toda a sorte de torpezas humanas – afinal, a inocência é utilizada o tempo todo como prêmio e meio de vingança. Brutal como é a realidade, Ligações Perigosas não é uma série para crianças ou pessoas muito sensíveis. O livro, pelo contrário, é, apesar de brutal, bastante poético. É um romance epistolar não muito volumoso e bastante agradável de se ler. Talvez leitores jovens o achem enfadonho devido ao vocabulário já antiquado, porém, os que se permitirem adentrar as páginas com a mente e o coração abertos não irão se arrepender.
Na minha opinião o livro é muito melhor que a série exibida pela televisão pelo simples fato de ser a obra original e também por exercitar o vocabulário e a imaginação, além disso, o desfecho do livro é mais duro, triste e, acima de tudo, aparenta casar-se mais com a realidade do tempo em que a história se passa.

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Sobre o que estou ouvindo enquanto escrevo este texto:

Quando li “Ligações Perigosas” apaixonei-me pelo livro e por algum tempo pesquisei um pouco sobre a época em que se passou a história. Para quem gosta de música, pesquisar acerca de determinada época inclui necessariamente conhecer canções deste período e em um dos meus momentos de fuça-fuça, me deparei com Johann Nepomuk Hummel (1778-1837) e me apaixonei por algumas de suas canções, dentre elas a estou ouvindo enquanto escrevo estas linhas.

Filme vs livro: O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

Há tempos postei no blog uma resenha do livro “O retrato de Dorian Gray” do autor Oscar Wilde. Posso dizer que é um dos meus livros favoritos: Além da trama bem trabalhada e do estilo inigualável do autor, a obra trás elementos fortes para pensarmos acerca do comportamento humano e no caráter. Quem já não ouviu aquela frase: “Quer conhecer o homem? Dê poder a ele”. Pois bem, se o mero poder na maioria dos casos já altera o comportamento das pessoas, como seria se um garoto jovem, bonito, rico e paparicado se visse de repente de posse de um estranho e sobrenatural poder cujo efeito é passar para um retrato todas as marcas que deveriam permanecer em seu físico e em sua alma devido a erros e maldades?  Esse é o tema trabalhado por Wilde.

O filme baseado no livro é simplesmente incrível – efeitos especiais, um elenco de tirar o fôlego (vamos combinar: Todos atuam muito bem e de quebra o Bem Barnes, que faz o papel de Dorian, é simplesmente lindo). Há alguns personagens que não existem na obra original, bem como algumas cenas e situações são diferentes, enquanto outros personagens e cenas são suprimidos, porém, esses acréscimos e supressões não alteram a mensagem do livro. Como no caso da maioria das boas adaptações de livros para o cinema, vale a pena ler o livro e depois assistir o filme.

Ah! Uma boa notícia: O filme não está mais em cartaz, porém é fácil encontrá-lo no youtube:

A Filha da Noite

Marion Zimmer inspirou-se na ópera “A flauta mágica” de Mozart para escrever “A filha da Noite”. Uma distância de quase 200 anos separa a ópera, encenada pela primeira vez em 1791 do livro de Zimmer, publicado em 1983.

Embora a primeira vista possa parecer uma simples obra de fantasia que se passa em um mundo onde há homens, animais e halfings (seres híbridos descendentes de homens e animais), a obra traz uma simbologia profunda ligada ao autoconhecimento, lealdade, amor e coragem.

O prólogo apresenta a origem dos halfings e seu uso como escravos dos humanos; apresenta também a Rainha Estrela, Sacerdotisa da Velha Deusa da Noite e Sarrasto, Sacerdote da Luz e Herdeiro do trono de Atlas Alamésios, pais de Pamina que foi criada apenas pela mãe, sem nada saber acerca do genitor até ser seqüestrada por ordens dele. Somente no segundo capítulo tomamos contato como Taino, filho do Imperador do Oeste que atravessa o deserto em busca do reino de Atlas-Alamésios onde deveria procurar o Templo da Sabedoria e submeter-se aos Ordálios.  Atacado por um dragão, Tamino é salvo pelas irmãs halfing de Pamina e levado pela rainha estrela a acreditar que Sarasto é um monstro que levou Pamina embora a força. Parte então Tamino em uma jornada em busca de Pamina, que lhe é prometida pela rainha estrela. Mais do que uma busca pelo amor, Tamino embarca em uma jornada de aprendizado e evolução espiritual.

Quando os halfings são apresentados ao leitor, fala-se de um valor fundamental: A liberdade. Muito embora não haja nenhum híbrido homem-animal em nosso mundo, há historicamente uma tendência humana a escravizar outros povos também humanos, tratando-os indigna e cruelmente. Embora a história original date de mais de 200 anos atrás, a mistura híbrido-humano levanta outra questão atual: a genética. A simples idéia de misturar duas espécies gerando um terceiro individuo diferente já fascinava e intrigava o pensamento humano.

O relacionamento entre a rainha Estrela e as filhas reflete também diferenças que ocorrem de fato em muitas famílias: tratamento diferenciado entre filhos, chantagem e manipulação.

A história de Pamina reflete o autoconhecimento. Quando foi raptada a pedido de seu pai, Pamina acreditava quase absolutamente em tudo que sua mãe dizia, sem questionar as crueldades praticadas contra os halfings, que via quase como animais de estimação. Ela cresce emocionalmente através de pensamentos, dúvidas, desafios e medos que culminam em sua recusa em unir-se à mãe. Da mesma forma Tamino cresce muito durante a história, deixando de ser um jovem e mimado príncipe para se tornar um homem corajoso, capaz de pensar e analisar aspectos de uma mesma questão antes de acreditar no que lhe foi dito e agir.

Esse caminho entre criança crédula e adulto honrado e corajoso é percorrido por cada um de nós, ainda que não de forma tão marcante e, infelizmente, em muitos casos, de forma incompleta uma vez que vivemos em um mundo consumista, ganancioso, onde valores como honra e coragem tem sido deixados de lado de forma tão negligente.

Um livro excelente, de leitura fácil e final surpreendente que vale a pena ler mais de uma vez.

O retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

“O retrato de Dorian Gray” não é um livro que possa ser descrito como empolgante. Em alguns trechos chega mesmo a ser cansativa devido ao excesso de descrições físicas dos personagens e, principalmente dos ambientes que frequentam ou de seus objetos de interesse. Não é um romance policial, investigativo tampouco se trata de um romance romântico. Dista muito de ser um romance em cuja análise psicológica dos personagens o autor se demore e, ainda que apresente elementos fantasiosos, não é também o universo místico o tema principal da obra. Então, como se explica que tal livro tenha resistido aos séculos e ainda seja um clássico da literatura? Seu autor nasceu em 1856 em Dublin (Irlanda) e faleceu em 1900 em Paris, dedicou seus contos e ensaios a afrontar e questionar a sociedade puritana de seu tempo e, não deixou de fazer isso em “O retrato de Dorian Gray”, seu único romance. Talvez o segredo de sua resistência ao tempo seja justamente este: O questionamento acerca de certos hábitos – não hábitos puramente sociais, sujeitos à mudanças. O autor não questiona, ao menos não diretamente, hábitos do dia a dia como a necessidade do casamento, a virgindade feminina, a religião, a mistura de classes sociais, a escravidão, a política ou qualquer destes temas amplamente questionados em outros romances. Questiona a mocidade, a juventude a riqueza, a visão de mundo de um indivíduo que se dá conta de possuir ambas as coisas e o amadurecimento que este indivíduo deveria ter perante a vida – e por questionar tal tema, engloba todos os temas citados sem que, maçantemente atenha-se a apenas um deles.

Há um personagem principal – Dorian Gray – e dois outros indispensáveis ao desenrolar dos fatos : Lord Henry Wotton e Basil Hallward. Durante toda a trama, surgem muitas outras personagens cujo entremear às ações de Dorian Gray sempre levarão o leitor ao questionamento proposto pelo autor. O romance é ambientado em Londres, não somente a bela Londres, dos salões nobres, das reuniões e saraus, das belas damas, mas também, em alguns momentos a Londres periférica, próxima ao porto, onde se acumulam as misérias, as prostitutas, os marinheiros, os teatros do subúrbio.

Basil Hallward é um homem bom, de caráter reto, um pintor que está encantado por um jovem que conheceu. Este jovem é Dorian Gray, muito belo, rico e bem criado, um garoto cuja pureza de alma encanta a todos. Basil faz de Dorian a inspiração, o ideal de sua arte, a forma que o autor utiliza-se para descrever o sentimento platônico de Basil por Dorian pode inclusive levar o leitor a crer que o livro irá tratar de um romance homossexual, tal é o nível de encantamento e paixão com a qual o pintor refere-se a Dorian.  Basil é amigo de Lord Henry Wotton, cujo caráter é eivado de vícios, extremamente hedonista e muitas vezes maldoso. Certo dia, Henry está no atelier de Basil e vê o retrato que este está pintando. Trata-se de um retrato de Dorian Gray. Inquirindo Basil sobre quem é o belo rapaz da tela, obtém do amigo informações sobre o a beleza e o caráter do jovem. Neste momento, Dorian chega para posar e conhece Henry. Henry faz com que o rapaz entenda que é possuidor das três coisas mais importantes: Mocidade, beleza e riqueza que além delas nada mais deveria importar-lhe. Tais idéias são tão descritas, em cores, formas e exemplos, de modo tão real que penetram no espírito de Dorian. O retrato fica pronto e, ao vê-lo, Dorian se dá conta que Henry está certo e desespera-se ao notar que, cada dia vivido é um dia a menos de beleza e mocidade que lhe resta. Neste momento, deseja que o retrato sofra as ações do tempo e de seus vícios e que ele, Dorian, permaneça sempre jovem e belo.

Qual seria a vida de uma pessoa que tivesse este desejo satisfeito? Sabendo-se eternamente jovem, tal pessoa iria esforçar-se por evoluir, fazer de seu espírito melhor e suas ações maduras? Este questionamento, feito há séculos por Oscar Wilde em “O retrato de Dorian Gray” não parece estranhamente atual?

Dorian e Lord Henry tornam-se amigos, e a cada dia Dorian afasta-se mais da amizade sincera de Basil e embrenha-se mais no mundo de vícios de Henry, passando a viver uma vida hedonista, buscando sempre os prazeres seja na sociedade, seja nos lugares mais incomuns. “Curar a Alma por meio dos sentidos e os sentidos por meio da Alma”. Esta passa a ser a filosofia do jovem Dorian. Em um de seus passeios pelos subúrbios, Dorian adentra um teatro muito simples, onde o dono, um judeu, vendia ingressos na porta. Encena-se Romeu e Julieta e Dorian apaixona-se perdidamente por Sibyl Vane, jovem de tenra idade que interpreta Julieta. Passa a voltar lá todas as noites e, após algum tempo conta a Henry e Basil que pretende casar-se com Sibyl. Henry acha um pouco absurdo, porém um absurdo que deve ser vivido. Basil inicialmente também, porém, com sua alma mais pura, entende o amor do jovem Dorian pela atriz. Dorian leva os amigos para assistirem à peça, porém, naquela noite Sibyl interpreta tremendamente mal o seu papel. Os amigos vão embora e Dorian, pensando que talvez a moça esteja doente, vai aos bastidores conversar com a amada. Ela por sua vez confessa que atuou mal por que não vê mais sentido em viver falsos amores agora que encontrou em Dorian (a quem chama apenas Príncipe Encantado) o verdadeiro amor. Ele, num rompante de raiva diz que não a ama mais, que nunca mais quer vê-la, que abrindo mão se sua arte matou o amor que ele sentia por ela. Caminha a esmo pela noite e só muito tarde chega a casa onde mora. Nesta noite, dá-se conta de que agiu de forma maldosa com Sibyl e decide, no dia seguinte, escrever-lhe, procura-la e dizer-lhe que ainda deseja casar-se com ela. Opera-se então uma mudança no retrato: Onde até então havia a feição delicada de um jovem belo e puro, passa a figurar um retrato de um jovem belo, de sorriso sarcástico e olhar maldoso. Dorian lembra-se do desejo que fizera na tarde em que o quadro foi concluído. Henry chega à casa de Dorian, com a notícia que Sibyl Vane foi encontrada morta, tendo ingerido veneno por acidente, ambos, Dorian e Henry sabem, no entanto, que Sibyl certamente cometeu suicídio. À partir daí, Dorian vai perdendo todo e qualquer senso de honra e caráter. Inicia-se uma narrativa de interesses caros da personagem (tapeçarias raras, jóias, objetos luxuosos), passeios, óperas, sempre em companhia de Henry. O retrato é removido para um quarto onde apenas Dorian entra, sempre trancado a chave e, a cada dia que passa mais e mais se modifica. Este segredo deixa Dorian cada vez mais desconfiado, um pouco neurótico, com medo que alguém lhe descubra os terríveis segredos. Os anos passam e Dorian permanece ainda com o mesmo encanto de seus 18 anos. Já com 38 anos é procurado por Basil, que lhe questiona o modo como tem vivido, insistindo em dizer que não acredita em uma palavra que a sociedade insiste em dizer sobre ele, mas que também não entende por que famílias e círculos de respeito já não mais o recepcionam em seu seio. Basil está de partida para Paris, mas insiste em ouvir de Dorian que todos os boatos são falsos e frisa que se fossem verdadeiros, o rapaz já não mais teria o encanto da juventude pois “os vícios marcam a alma e refletem-se no corpo e no olhar”. Dorian leva então Basil ao quarto e deixa-o ver o retrato, já completamente modificado, com expressão horrenda. Basil implora que o amigo reze e peça perdão por seus muitos pecados e em um rompante de raiva Dorian o mata. Surgem nas mãos do retrato marcas de sangue. Para livrar-se do corpo, Dorian chantageia um químico, antigo amigo seu, que mais tarde se suicida, certamente arrependido de ter participado de tão horripilante ato. Segue-se outra sucessão de narrativas dos hábitos de Dorian. Certa noite, metido em um antro de ópio, ele é chamado por uma das mulheres de Príncipe Encantado, o que faz James Vane, irmão de Sibyl Vane, persegui-lo pretendendo mata-lo. Ele porém, nos últimos minutos que lhe são dados, questiona o assassino: Se a irmã morreu há 18 anos, como é possível que ele, que ainda não passou desta idade, seja o culpado? James pensando que iria cometer um engano deixa-o ir, porém a mulher que o havia seguido diz que ele fez mal, que este é mesmo Dorian Gray, e que todos acham que ele fez um pacto com o Diabo para manter-se sempre jovem. James passa a perseguir Dorian, por um período curto, pois acaba morto em um acidente de caça.

Dorian decide tornar-se bom. Deixa mesmo de desonrar uma moça que seduzira. Henry o questiona: Não seriam as boas ações apenas a vontade de acariciar a própria vaidade com novas sensações? Sozinho em casa, Dorian pensa sobre as palavras de Henry. Arrepende-se de ter matado Basil, apesar de o culpar por ter pintado o retrato que o levou à perdição. Decide destruir o retrato. Ao enviar a faca na tela, sente-a penetrar a própria carne e grita. Os empregados encontram-no morto no chão, com a faca cravada no peito e com uma aparência tão enrugada e envelhecida que só o reconhecem pelos anéis que usa; o retrato por sua vez, recupera a juventude e é encontrado pendurado na parede, intacto.

Diante desta narrativa, surgem questionamentos: Qual seriam as atitudes de um indivíduo que se visse exatamente na mesma situação de Dorian Gray? Tal pessoa praticaria boas ações? Viveria uma vida íntegra sabendo-se agraciada pela juventude eterna? Qual é o verdadeiro espelho da alma humana? Boas e más ações refletem-se no corpo físico como quis dizer Wilde? Dorian era um homem mau? Ou apenas pode-se dizer que “a ocasião faz o ladrão” e que, se não houvesse ganhado tal quadro, suas ações seriam melhores? Ou se Sybil Vane não tivesse cometido suicídio, Dorian sem tal culpa teria realmente se casado com ela e se tornado um homem digno? Wilde não seguiu a receita do romance pronto, não questionou a moral de sua época através de uma história de amor proibido entre pessoas de classes sociais diferentes, famílias inimigas etc; pelo contrário, Wilde criou seu próprio ambiente de questionamento.

Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

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(Atenção: Contém revelações sobre o livro) 

A autora Jane Austen nasceu em Steventon, Hampshire em 1775 e começou a escrever ainda adolescente, apenas por diversão. Sua saúde sempre fora frágil e, em 1817 veio a falecer aos 42 anos. Alguns de seus romances mais conhecidos são Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito.

Jane Austen retrata costumes de sua época. O romance conta a história da família Bennet, uma família simples do interior da Inglaterra, formada pelo pai, pela mãe e por cinco irmãs: Elizabeth Bennet, Jane Bennet, Mary Bennet, Kitty Bennet e Lydia Bennet. O romance é narrado em primeira pessoa (pela voz de Elizabeth Bennet) e em terceira pessoa; quanto aos personagens, apresentam grandes peculiaridades. Elizabeth Bennet é uma mulher instruída e muito observadora, extremamente sensata e a filha preferida do sr. Bennet. Jane é a mais velha das irmãs e a mais bela delas, também é uma mulher sensata, de educação esmerada e modos comedidos. Mary é excessivamente instruída, em uma linguagem moderna, seria a verdadeira “Nerd”, sempre lendo e resumindo os livros aos quais se dedicou. Kitty e Lydia são as irmãs mais novas de“maus” modos, são namoradeiras e seu único interesse é ir até o condado vizinho ver os oficiais que lá estão acampados. O sr. Bennet é homem de poucas palavras, de humor bom, mas ao mesmo tempo sagaz. A sra. Bennet é a mãe que deseja desesperadamente casar as filhas; a boa esposa preocupada por saber que por lei a casa onde vivem não lhes pertencerá após a morte do esposo, já que não tiveram um filho varão que a pudesse herdar.

Toda a ação do livro começa com a boa sra. Bennet pedindo que o marido vá visitar o novo vizinho, sr. Charles Bingley, homem jovem e de bons rendimentos, que mudou-se para a propriedade próxima a eles. Sua intenção: Travar boas relações com o jovem desconhecido na intenção de casar uma das filhas. Após uma pretensa recusa (apenas para irritar a esposa) o sr. Bennet faz a tal visita. É inegável o encantamento do sr. Bingley com a jovem Jane Bennet. Ocorre que Bingley tem um grande amigo: Fritzwilliam Darcy, homem de modos arredios e aparentemente muito orgulhoso. Assim como Elizabeth Bennet, Darcy é instruído, observador e sagaz e, durante cada encontro com a moça, pode-se notar uma severa disputa de opiniões/pontos de vista. A sociedade interiorana em que vivem as irmãs Bennet sem mais explicações rotula os rapazes: Bingley é o bom garoto que todas desejam como genro; Darcy é o homem rico, desagradável e de maus-modos.  Outro personagem engraçado é o sr. Collins, tio das meninas Bennet e protegido de Lady Catherine (Tia do Sr. Darcy) que o escolheu para reitoria da paróquia de sua propriedade: Sr. Collins é o herdeiro legal da propriedade onde residem os Bennet e, procurando uma esposa, encanta-se com Elizabeth, que o recusa para desespero da mãe. Ele é o tipo de homem enfadonho, de horizontes fechados. Acaba casando-se com a amiga de Elizabeth.

A história desenrola-se num ritmo constante e agradável e leitores que possuam imaginação aflorada quase conseguem “ouvir” a srta. Bennet “narrando” a história. Não é a toa que o livro ganhou adaptações para o teatro e televisão, inspirou vários outros trabalhos literários, além de ter sido adaptado quatro vezes para o cinema, nos anos de 1940, 2003, 2004 e 2005. 

O vocabulário é bem trabalhado, mas não é de difícil compreensão, o que o faz adequado para pessoas de todas as idades. Especialmente, eu indicaria este livro como um bom presente para jovens a partir dos doze anos de idade por conter elementos como romance e intrigas, temas que sempre despertam o interesse de adolescentes.