Dica literária: Extraordinário

NORMAL. NORMALIDADE. Quantas personalidades maravilhosas não são completamente esmagadas para se enquadrar neste conceito? A normalidade oprime. A normalidade deixa à margem dos agrupamentos sociais os indivíduos cujas características se afastam do conceito de “normal”, rotulando-as.  Discutir o efeito dos tais rótulos na vida das pessoas é abordar uma temática sensível, permeadas por preconceitos e tabus. No livro “Extraordinário”, R.J Palácio aborda a temática da normalidade física através da visão inocente de um menino de dez anos que nasceu com o rosto deformado devido a uma síndrome genética. Acompanhar o primeiro ano escolar de August é sentir, através da leitura, os medos naturais de qualquer pré-adolescente que vai para a escola e lembrar que, no caso de August, tais temores são ampliados pelo desconhecimento do ambiente que o aguarda, uma vez que foi educado em casa devido a sua saúde frágil, e pela deformidade que o faz ter dificuldade de se integrar com a turma. A autora consegue encantar o leitor ao narrar à jornada de August em busca de seu próprio lugar na escola e, porque não dizer, na vida.

Opinião: Comecei a ler por indicação de amigos e não esperava muito da história, mas me surpreendi bastante e pretendo assistir ao filme assim que possível. A autora consegue manter a  história caminhando com um vocabulário acessível e uma estrutura narrativa bastante interessante, subdividida em capítulos narrados do ponto de vista das personagens – ou seja, August e seus amigos e familiares. Se por um lado a história não decepcionou, a edição do livro que eu adquiri me chateou bastante pela revisão e diagramação ruins, com frases e nomes próprios se iniciando em letra minúscula em vários trechos – Como não possuo a nota fiscal do livro, não posso reclamar, mas ainda assim enviei uma mensagem para a editora, avisando sobre o problema e aguardo o resultado pelos próximos dias (prometo contar para vocês).

Extraordinário

Imortal – Histórias de Amor Eterno

Vampiros são seres misteriosos que há tempos preenchem um espaço considerável na literatura e nos filmes. Há uma diversidade de possíveis características e origens possíveis que explicam a existência desses seres – bem como cada autor desenvolve de diferente forma a interação entre vampiros e humanos

Imortal – Histórias de amor eterno é uma obra literária organizada pela autora P.C Cast e reúne várias histórias envolvendo vampiros e outros seres sobrenaturais, de diversas autoras, permitindo ao leitor apreciar sob diferentes prismas a trajetórias e características destes seres incríveis e apaixonantes

Uma leitura leve e ideal para quem está com pouco tempo para dedicar-se às leituras, uma vez que uma história não guarda relação nenhuma com a outra, o que permite apreciar o livro aos poucos – Isso quando o leitor consegue desgrudar os olhos do papel antes de terminar a leitura.

O livro é ideal para presentear pré-adolescentes e adolescentes, uma vez que seu clima romântico é delicado sem apresentar grandes detalhes sensuais ou íntimos, ao contrário do que acontece em outras histórias do gênero.

P.C Cast, organizadora da obra, é uma das autoras da série House Of Night – O que já a torna uma excelente indicação em termos de literatura fantástica.

Humor da vida real: Dia do Operador de Caixa

16 de Outubro é dia do operador de caixa – profissão que já exerci por um ano e meio. Há quem fique mal-humorado e cansado somente com a obrigação de ir até o mercado fazer suas compras – Se é cansativo para quem é cliente, para quem está mais de seis horas em pé repetindo um texto padrão e oferecendo recarga de celular, chega a ser exaustivo. Lembro várias vezes em que tive vontade de sair andando e deixar todos e todas falando sozinhos! Quando se exerce profissões onde a lida com o público é diária e intensa, é possível perceber o quanto nosso sistema coloca um trabalhador contra o outro: Operadores de caixa são trabalhadores com uma rotina cansativa, mal-remunerada e sem o mínimo de reconhecimento por parte da empresa – e esses profissionais atendem pessoas cansadas, mal remuneradas e sem reconhecimento em suas empresas, pessoas que chegam ao mercado com seus salários mínimos, suas necessidades e desejos, seu cansaço e se deparam com preços altos, filas – irremediavelmente acabam transferindo seu mau-humor para quem? Para o operador que os está atendendo! Ainda assim, e talvez até por isso, confesso que sinto falta do trabalho – de atender, empacotar compras tentando economizar sacolas numa tentativa de fazer a minha parte e conscientizar as pessoas sobre o meio-ambiente e a necessidade urgente de se utilizar sacolas retornáveis e não plásticas. Sinto falta de oferecer recargas tentando bater metas e até mesmo de observar a fisionomia chocada de alguns ex-professores e ex-colegas de faculdade inconformados por me ver ali, naquele PDV (ponto de venda ou caixa) mesmo tendo a carteirinha da OAB em mãos. Sinto falta das risadas com os colegas na hora do almoço e por isso mesmo, resolvi escrever este texto: Para parabenizar a todos os operadores e operadoras de caixa e, porque não, para contar algumas histórias engraçadas que já me ocorreram na lida com a clientela. Querem ler? É só acompanhar os parágrafos abaixo! (Cuidado: Inapropriado para crianças)

  • “Tomara que sua praga pegue”:

Véspera do feriado de Sexta-Feira Santa. Aquele calor infernal, colegas faltando por doença, computadores travando a todo o momento e filas alcançando o fundo da loja. Imaginou o caos? Novata, logo fico sem troco. Em dado momento não tenho cinco centavos para uma cliente e peço educadamente que espere alguns instantes que logo a fiscal me traria troco – a cliente, em seus saltos altos e olhar de emproada solta aquela expressão “vai tomar no C*”. Eu poderia repetir a expressão e acabar suspensa, fazer cara de coitada e ignorar, mas não, respirei fundo e, com um olhar de superioridade respondi “Deus te ouça! Tomara que sua praga pegue! Eu adoro, mas ultimamente ta difícil conseguir um bofe… faz uns 6 meses que não consigo um! Quem me conhece sabe que sou quase assexuada e tenho aversão a relações íntimas, portanto só poderia estar tirando onda com a cara da cliente). A criatura ficou pálida, roxa, rosa, azul – E as pessoas atrás dela na fila riram muito! Detalhe: O cliente de trás deu uma moeda de dez centavos para ela ir embora,

  • “Bebedeira por tabela”

Outro dia engraçado, não pelos clientes, mas por um acidente de trabalho: Derrubei uma garrafa de 51 no chão – Pensa em alguém que trabalhou sentindo cheiro de pinga por quatro horas seguidas? Sério, como alguém bebe aquilo? Naquele dia tive uma quebra de caixa de pelo menos dez reais, senti dor de cabeça, sono e não conseguia falar nada com nada. Então, fica a dica: Nunca, jamais, fique em um ambiente com cheiro de pinga.

  • “Comemorando os anos de casado”

Essa eu compartilhei no Facebook na época que aconteceu. Estava eu no caixa preferencial e um senhor, levando vinho, queijo e um  pequeno vaso de violetas comenta que estava preparando a comemoração da “bunda de ouro” com a esposa. Achei estranho o termo, pois sempre ouvi falar em Bodas de Ouro. Outro cliente, aparentemente estranhando a situação, pergunta “mas não seria Bodas de Ouro”. Ao que o primeiro idoso responde – “Não, não, é bunda de ouro mesmo. Afinal, são muitos anos sentando na mesma (acho que não preciso escrever o palavrão né?), Confesso que apesar de rir, fiquei triste – a mulher é tratada como um objeto até mesmo após uma longa vida conjugal? Desrespeito total com a esposa e com todas as mulheres da fila – e, com certeza esse mesmo senhor deve resmungar pelos lugares sobre a “falta de respeito dos jovens”.

  • Quem é mais preferencial”

     Outra situação engraçada que sempre acontecia na fila: Briga para passar no caixa preferencial. Certa vez havia uma gestante e, logo atrás dela, uma moça com bebê no carrinho. A moça com bebê encrencou muito com a gestante dizendo que deveria ser atendida antes, pois o bebê dela já tinha suas necessidades e o da outra ainda estava “na barriga”. Dias depois um idoso reclamou sobre a presença de uma cadeirante na fila preferencial, pois a cadeirante “já está sentada e não irá se cansar”. Era uma das minhas filas favoritas, e também uma das que mais rendia histórias engraçadas.

  • “A parte automotiva é logo ali”

Carnaval. Uma cliente pergunta “- moça tem K.Y para vender?”. Eu pergunto o que seria o tal produto e ela responde que é lubrificante. “-Ah, isso é fácil! O setor automotivo é aquele primeiro no corredor aqui em frente”. Ela riu muito e depois explicou qual o tipo de lubrificante que estava procurando.

  • “Clube Extra? Nota Paulista?”

Essa história aconteceu fora do expediente – Na verdade, eu estava entrando no ônibus quando o motorista me disse uma “-Boa noite”.  Mais que acostumada ao padrão de atendimento eu respondi “-Boa noite. O senhor deseja colocar o Clube Extra e a Nota Fiscal Paulista?”. É… Acho que o cansaço estava grande…

E você? Tem alguma história engraçada para contar? Algo que aconteceu na hora de passar suas compras no caixa ou no seu horário de trabalho como operadora de caixa? Conta nos comentários e não esquece de marcar nessa postagem todos os amigos e amigas operadores para eles rirem bastante!

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