06 on 06 – Recortes urbanos

Encarei a tela. Onde encontrar recortes urbanos se tenho estado em casa a maioria do tempo desde março do ano passado? O jeito foi revirar antigas fotografias – E eis que o resultado me agrada:

Essa casa já foi o lar de uma idosa simpática que plantava morangos no canteiro frontal. De repente, as janelas não se abriram, os canteiros abandonados…
Eu vejo a praia da janela do ônibus, duas máscaras no rosto e a sensação de que apesar de morar no litoral, eu quase não aproveitei o espaço livre antes dessa pandemia maluca me trancar em casa.
Em São Paulo, um muro verde. Na selva de concreto, esperança nas paredes.
O prédio sobe em direção ao céu… Coisas da metrópole, belas mas nem sempre adequadas para o meio ambiente. A mudança na arquitetura moderna é urgente.
Uma foto da cidade tirada do alto da Serra do Mar. Como é belo o litoral!
Acordar pela manhã, antes do sol nascer… Vida de trabalhador brasileiro é assim: Acorda cedo, corre, passa o dia fora. Salário baixo, qualidade de vida zero… Mas o importante é que “O rico cada vez fica mais fico e o pobre cada vez fica mais pobre, como bem dizia aquela velha canção axé music.

06 on 06 Janeiro. Portas

A vida passa por seis portas

A primeira por onde todas as espécies já passaram
Água
Fonte de toda a vida
Início e fim
A segunda trouxe cada ser humano ao mundo
Escondida, meio tabu
Vagina: Feminina ou masculina
Início da jornada

A terceira porta nós não cruzamos
Ela está em nós
Nosso rosto: Olhos, nariz, ouvidos
Permite-nos conhecer o mundo

A quarta porta - Magia pura
Leva-nos a diversos mundos
Livros abertos
Páginas, paisagens

A quinta porta, ápice do viver
Amor - Uma  flor na alma
Uma porta ponte entre corações

A última porta
Nossa única certeza, inevitabilidade
Amedrontadora nos aguarda
Ceifadora, Morte


Breves comentários:

Uma coisa que amo neste projeto 06 on 06 é que, além de fotografar (o que é uma delícia de qualquer lado da câmera – como modelo ou fotógrafa), posso experimentar sair da literalidade das palavras – Portas – Eu poderia ter saído e fotografado portas, consigo pensar em algumas lindas no centro da Cidade (Portas de casas antigas, de Igrejas, de Lojas Maçônicas, portas de escola), mas com o advento da pandemia me fazendo evitar sair de casa, pensei em outras possibilidades para a palavra e ainda arrisquei uns rabiscos coloridos (Podem ver que desenho mal, mas me divirto tentando).

06 on 06 é um projeto proposto pela escritora e editora Lunna Guedes cuja proposta é postar todo dia 06, seis imagens sobre um determinado tema.

Também participam:

06 on 06 – Meu calendário particular

E de repente o ano chega ao meio – Assim, sem eira nem beira, mais precipício que passeio, mais tempestade que castelo de areia. Ainda ontem era Janeiro, mês dos mil planos, mil certezas e alguns enganos. Ainda ontem, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho. Dias tão iguais e tão diferentes de tudo, rotinas quebradas e remodeladas dentro do que alguns insistem em chamar de “novo normal” e eu prefiro chamar simplesmente, Caos.

Primeira foto de 2020 – A queima de fogos na praia, com seus insuportáveis ruídos. Na verdade, a mágica da noite de ano novo é apenas ver o Sol nascer na manhã do dia 1, é como olhar pro céu e dizer “adeus” ao ano que acaba para, horas depois, dizer “Seja bem-vindo” ao ano que chega,

Em Fevereiro, novas receitas, novos dias, final de férias e expectativa para o Carnaval – Mesmo que a melhor ideia seja passar o dia em casa lendo um livro.

Março e minhas pimentas. O quintal é pequeno, mas a vontade de plantar é gigante.
Abril trouxe um céu cheio de cores, contrastando com toda a tensão e luto que cobrem o país.
No quinto mês do ano, minha filha de quatro patas está super feliz com a minha longa permanência em casa.

Em Junho, depois de tantos meses, uma foto minha. O cabelo já cresceu, mas agora cortar não é prioridade

Também compartilharam seus calendários particulares:

Lunna Guedes , Obduliono , Mariana Gouveia

06 on 06 – Quem sou eu?

Quem sou eu? Sou um Universo todo. Todos nós somos Universos, inteiros, completos, insondáveis. Como astronauta, exploro as estrelas, galáxias, planetas que há em mim – Quanto tempo nós passamos na vida buscando o que está fora e ignorando nosso céu estrelado? Quantas horas perdidas em vida com medo da inevitável aterrissagem dentro de nós, das caminhadas à beira do abismo, das incursões em nossas florestas sombrias, das manhãs frias? São anos insistindo em ver e mostrar apenas os nossos Jardins, nossas flores coloridas, criando uma eterna primavera que, na vida real, é impossível – Pois existe também o inverno, o outono, o verão. Então, sem mesmo conhecer cada recanto do meu Universo, fica impossível responder quem sou com outras palavras além das que já disse e melhor explico: Sou um Universo e sou minha própria desbravadora. Como todo Universo, estou em constante mutação, pois nada no Cosmos é igual e eterno. Um Universo em constante integração com tantos outros Universos que me cercam – Alguns desses Universos repelem-me e causam repulsa. Outros me atraem para suas órbitas e assim, mutuamente, ampliam a si próprios e a mim, através do dialogo. Eventualmente, há Universos que me atraem a ponto de que eu deseje permanecer dentro deles por mais tempo, e isso, se chama amor – Essa atração irresistível entre dois Universos que se cruzam no caos infinito do mundo, mas essa definição fica para outra conversa

Pintura: Adriano Dica

Fotos: Fotoclube Frame

Texto: Darlene R. Faria

Também participaram do projeto:

Ale Helga (blog Meus Amores)

Lunna Guedes (blog Catarina)

Mariana Gouveia (Blog O outro lado)

Obdulio (Blog Serial Ser)

Lucas (Blog Universo Desconhecido)

6 on 6: Por onda andei?

Caminhando… Caminhando… Caminhando

Encontrei sombras e luz e muita história pra contar

Pelas ruas da cidade que passa os dias a gritar

E tantas almas apressadas-quase-surdas sem escutar

O que encontrarei?

O céu, o horizonte e um sem fim de emoções?

Não sei! O futuro só pertence a si próprio, afinal.

E o bom da vida é ir vivendo o caminhar até o final.

Por onde andei? Em qual busca? Em qual caminho?

Pensando bem, andei mais do que pensei ter andado

E bem menos do que desejaria ter caminhado…

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Já andei na chuva, já sonhei na chuva, só não dancei enquanto chovia

Já sorri na chuva, e já me abriguei olhando a água que escorria:

Lá dentro da alma, e lá fora na rua.

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Já vi o arco-íris depois da tempestade

Por entre os prédios da cidade

E já senti o arco-íris no coração

Quando um olhar despertou nele a paixão

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Por onde andei? O que encontrei?

A casa dos meus sonhos, onde nunca morei…

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Encontrei o antigo a se deparar com o novo

Numa briga muda por espaço, nas ruas onde passa o povo

arte na rua

Encontrei muita luta, e tantas vezes transformei em poesia…

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Por onde andei, esperei muitas vezes o raiar do dia:

Algumas vezes sozinha, algumas vezes com amigos

São tantas histórias de rolês épicos, atuais e antigos

E um conto de fadas com um beijo ao amanhecer

Tão doce quanto respirar, sonhar, viver….

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Outras caminhadas…

Lunna Guedes; Lucas Buchinger; Isabelle Brum; Mariana Gouveia; Obdulio Nunes Ortega

Lembranças

         Algumas memórias

               Já dizia o poeta Alfred Musset*  “Uma lembrança feliz é talvez sobre a Terra mais verdadeira que a felicidade”. Li esta frase há tempos e, desde então, fotografar os momentos felizes se tornou um hábito. É bem verdade que, fechando os olhos, sou capaz de lembrar vários momentos tão felizes que me enchem a alma de comoção… Mas a vida sempre pode nos surpreender e levar para longe aquelas pessoas que amamos, e de repente, não será mais possível olhar nos olhos com tanta freqüência… Dar risadas… E pode ser que o tempo passe e essas lembranças fiquem soterradas entre tantos acontecimentos, entre a pressa do dia a dia, compromissos, distância… Ou simplesmente, pode ser que você queira olhar nos olhos daquele amigo que te faz tão bem, e não possa fechar os olhos e lembrar ou então chamá-lo para perto de si durante um expediente super estressante… Aí você apela para aquela lembrança doce: Aquela foto onde vocês aparecem sorrindo num momento qualquer. E isso vai te fazer sorrir também e tornará o seu dia melhor.

             Faça uma lista: Quais momentos você gostaria de ter eternizado e não fez porque teve vergonha? Cinco pequenos momentos em que seu coração quase parou de bater de alegria e, ainda assim, você ficou estático, sem coragem de falar “vamos tirar uma foto?”:

1)      Aquele momento em que você fez o (a) seu (sua) melhor amigo (a) sorrir com uma brincadeira boba e achou o sorriso dele (a) a coisa mais linda do mundo e não disse nada para não parecer boba (o)

2)      Aquele momento em que você estava com a pessoa que você ama dentro de um carro e viu pelo retrovisor os olhos de vocês brilhando lado a lado e não disse nada porque teve vergonha ou medo. (E para piorar, tempos depois vocês já não estão mais juntos, mas você adoraria poder ver novamente aquela pequena imagem das janelas das suas almas lado a lado)

3)      Aquele momento em que você estava com os amigos e disse “ah, deixa pra lá… temos tantas fotos juntos, tantas fotos até com essa mesma roupa, estou sem maquiagem etc etc”.

4)      Aquele momento em que você vê um pássaro, uma borboleta, uma flor e isso te emociona – mas você não quer parecer bobo ou sensível demais para admitir.

5)      Aquele dia em que “pagou um mico” gigante e engraçado e novamente a vergonha te impediu de registrar… e lembrando tempos depois, percebe como seu sorriso estava espontâneo naquele momento…

            Certamente você consegue listar uma, senão várias, experiências que se enquadrem nos exemplos acima. Ou não? Ter imagens desses momentos por perto não faria seus dias mais suaves?

            Tudo isso que eu disse é válido para os amigos, familiares, animais de estimação. Fotografe momentos sem se importar com a falta de maquiagem ou o cabelo despenteado. Fotografe seu cãozinho dormindo. Fotografe lugares que te fazem sentir bem (só tome cuidado com a segurança porque hoje infelizmente é muito perigoso sofrer um assalto). Fotografe o que te surpreende! É verdade que as melhores recordações muitas vezes não poderão ser fotografadas: O toque das mãos da pessoa amada nas tuas pela primeira vez. O primeiro suspiro. São coisas sutis que jamais poderemos guardar em arquivos… Serão nossas lembranças felizes que jamais poderemos compartilhar profundamente. Mas as outras… Podemos revivê-las através daquelas fotos. Podemos mostrá-las no futuro às novas gerações… E se, um dia, num grande azar, sofrermos um acidente, batermos a cabeça e não nos lembrarmos de mais nada, aquelas meras imagens podem ser mostradas para nós, para que lembremos que tivemos uma vida, uma família, amigos e, ainda que isso não nos faça lembrar tudo o que vivemos, certamente irá reviver em nosso coração aquele calor gostoso de sentir que foi amado (a) verdadeiramente…

 

* Alfred Musset: Poeta francês, nascido em  1810, falecido em 1857, foi um dos mais conhecidos expoentes do romantismo. 

Imagens: Arquivo pessoal