Breve resumo da biografia e do pensamento político de John Locke [BEDA 14]

Nasceu na Inglaterra em 29 de Agosto de 1632, estudou medicina, filosofia e ciências Naturais em Oxford. Em 1683 Fugiu para a Holanda, retornando quando Guilherme de Orange assumiu o trono, em 1688 e morreu em 1704.

Locke é tido com um dos expoentes do empirismo, ideia segundo a qual o ser humano nasce sem saber nada, aprendendo pela experiência, tentativa e medo.

Em relação à filosofia política, Locke dá o ponto de partida das Revoluções Liberais como, a Inglesa e a Francesa, por exemplo. Locke é classificado como Jusnaturalista, isto é, defende o Direito Natural do ser humano, à vida, à liberdade, à propriedade. Outro ponto defendido por ele é que os governados devem consentir o governo à autoridade constituída, devem aceitar livremente o governo que tem. A lei civil deve ser derivada dessa lei natural, perante a qual todos os seres humanos devem ser livres e iguais.

Apesar de defender a igualdade entre os seres humanos, Locke tinha uma posição pró-escravagista, mas não racista, já que para ele a escravidão seria um contrato em que o vencido na guerra torna-se escravo para continuar vivo.

Para Locke não seria necessário que todos os direitos fossem entregues ao soberano, sendo os direitos de defesa e de realizar a justiça pelas próprias mãos os únicos direitos que realmente deveriam ser abandonados pela sociedade, facilitando a defesa de outros direitos (à vida, à liberdade, à propriedade). Locke resguarda também o direito do cidadão recusar-se a cumprir o que for determinado por um Estado que viole esses direitos naturais.

Principais pontos de seu pensamento político:

-Os governantes devem proteger o Direito Natural de todo o ser humano (à vida, liberdade e propriedade)

-Os cidadãos devem entregar ao Estado a função de resolver conflitos, abrindo mão do direito de defesa/ realização da justiça pelas próprias mãos

-Defesa da escravidão, não por raça, mas dos vencidos em batalha

Principais Obras:

-O tratado do Governo Civil (1689)

-O Ensaio sobre o intelecto humano (1690)

-Os pensamentos sobre a educação (1693)

Esse texto faz parte do BEDA (Blog Every day April). Visite também

Lunna GuedesRoseli Pedroso – Ale Helga – Obdulio – Adriana Aneli – Mariana GouveiaClaudia Leonardi

Breve resumo da biografia e do pensamento político de Jean Jacques Rousseau

“Seguir o impulso de alguém é escravidão, mas obedecer a uma lei auto-imposta é liberdade”.

Nascido em Genebra, na Suíça em 26 de Junho de 1712, ficou órfão devido à complicações sofridas pela mãe durante o parto. Pouco conviveu com o pai, que fugiu da cidade para não ser preso devido a uma briga.

Criado pelo tio foi mandado, juntamente com o primo, para o campo onde recebeu educação, que foi ministrada por um pastor protestante.

Seu primeiro emprego, aos 12 anos, foi em um cartório, onde devia aprender sobre leis preparando-se para a profissão de advogado. Não gostando do emprego, acaba sendo demitido.

Foge aos 16 anos, indo viver com Madame de Waren, ex-protestante que recebe do rei Victor Amadeus II, da Sardenha e Piemonte, uma pensão por tornar-se católica e dedicar-se a beneficência. Permanece por pouco tempo, sendo mandado a Turim para a Catequese e conversão ao catolicismo Abandonando o emprego que havia conseguido na cidade, viaja com um antigo amigo. Em 1729 está novamente em casa de Louise, onde ajuda em sua farmácia natural. Passa a estudar em um seminário, indo para a casa somente aos fins de semana.

Por pedido de Louise acompanha um maestro idoso que deveria ir até Paris, abandonando-o no caminho quando este sofria um ataque de epilepsia. Ao voltar para casa, não encontra Louise, que havia viajado a Paris em busca de nova pensão, pois o Rei Victor Amadeus havia abdicado do trono. Passa a viver como professor de música em Paris, até 1732, quando volta a viver com Louise, desta vez na cidade de Chambéri, tornando-se seu amante. Trabalha nesse período em um escritório fiscal. Desse período datam seus primeiros escritos. Adoece e acreditando sofrer de um problema cardíaco, viaja para Montpelier, em busca de tratamento. Não chega até lá, sendo “curado” por um romance. Volta para casa e tem que dividir os amores de Louise com outro homem. Em 1740 viaja para tutorar duas crianças. Abandona Louise definitivamente. Em 1741 vai para Paris, onde consegue alunos de música graças às cartas de recomendação obtidas com o abade de Mably.

Torna-se amigo de Diderot, que à época era apenas um jovem filósofo, e também aproxima-se da nobreza. Por indicação, torna-se secretário da embaixada francesa em Veneza, cargo que ocupou entre 1744 e 1745.

Seu pai morre em 1746, deixando-lhe uma pequena herança. Amplia seu círculo de amigos intelectuais, e a convite do amigo Diderot e de Jean d’Alambert escreve os verbetes de música para o Dicionário Enciclopédico que ambos preparavam.

Em 1745 passou a morar com Thérèse Le Vasseur, com quem teve cinco filhos, todos enviados para um orfanato. Torna-se secretário da família Dupin.

Participa de um concurso na Academia de Djon. Sua obra “Discurso sobre as ciências e as Artes” (1750) o torna famoso. Sua situação de saúde torna-se complicada e ele pensa em viver recolhido à partir de então. Isso já não é possível, uma vez que o sucesso trouxe-lhe a atenção de várias pessoas.

Em 1754 passa por Genebra e pensa em voltar a morar ali, porém antes que o faça, uma obra sua é publicada e mal recebida por seus compatriotas.

Entre 1754 e 1761 muda-se freqüentemente, e dedica-se a muitos trabalhos, desde operetas a tratados como “O Contrato Social”. Após a publicação do Contrato Social, passa a ser perseguido pelo Parlamento Inglês, por motivos políticos, refugiando-se então na Suíça. Em 1768, devido a vários incidentes, rompe a amizade com Diderot e os enciclopedistas.

Volta à França em 1767, inicialmente com o nome Renou, e tempos assumindo seu verdadeiro nome em 1770.

Faleceu em Ermenonville,França, em 2 de julho de 1778.

Alguns pontos de sua teoria política:

-A desigualdade é um fato irreversível.

-Questionamento: O que leva um homem a obedecer outro homem? Com que Direito um homem exerce autoridade sobre o outro?

-Vê a liberdade como resultada da lei, quando livremente aceita.

-Liberdade é ao mesmo tempo direito e dever: “Todos nascem homens e livres”, renunciar a liberdade seria para o filosofo o mesmo que renunciar a condição humana.

-Em seu Contrato Social, o Estado é criado para preservar os direitos e deveres do homem, não significando necessariamente a renúncia desses direitos e deveres.

-Religião: Rousseau não é hostil à religião,embora tenha algumas restrições.;

Para ele, há dois tipos de religião: a do homem (que pode ser hierarquizada ou individual) e a do cidadão.

-Religião do homem hierarquizada: Multinacional, compete com o estado pela lealdade do cidadão. O cristianismo evangélico, centrado na adoração a Deus seria exemplo de religião do homem não hierarquizada. Apesar de verdadeira, essa religião é ruim para o estado, pois o cristão mostra-se mais preocupado com a vida futura (Eterna, celeste) do que com a vida na terra o que o torna omisso como cidadão e em geral forma maus soldados.

-Religião do cidadão ou religião civil: ensina o amor à pátria,obediência ao estado. Forma bons soldados. É manipulada por interesses, fazendo o homem crédulo, supersticioso e extremamente nacionalista e sanguinário.

Solução? Permitir todas as religiões, desde que estas ensinem apenas “A existência de uma divindade onipotente, inteligente, benevolente que prevê e provê; uma vida após a morte; a felicidade do justo; a punição dos pecadores; a sacralidade do contrato social e da lei”. Devendo o estado banir e penalizar qualquer um que fuja a estes parâmetros.

Principais Obras:

-“Discurso sobre as Ciências e as Artes” (1750)

-“Discurso sobre a origem da desigualdade” (1755)

– “Discurso sobre a economia política” (1755)

– “O Contrato Social” (1762)

-“Emilio, ou Da Educação” (1762)

-“Devaneios de um Caminhante Solitário” (1776-1778)

Trinta e duas perguntas sobre o amor

Na Europa durante o século XVII era costume pessoas se reunirem em sociedade para debater sobre temas como filosofia, artes ou política – tais reuniões eram conhecidas como salons. As perguntas abaixo foram retiradas do livro “A maior paixão do mundo – a história da freira Mariana Alcoforado e suas cartas de amor proibido” e segundo a autora da obra, eram questões debatidas nos salons franceses.

Deixo-as aqui como um convite ao debate, salientando que, ao respondê-las, procurem respaldar-se em nossos atuais costumes, sentindo-se à vontade para substituir os gêneros de acordo com a sua realidade!

  • É melhor perder alguém que amamos para a morte ou para a infidelidade
  • É melhor ter pleno acesso à pessoa que amamos, mas que não corresponde ao nosso amor, ou ser amado por alguém que não é livre para nos ver?
  • Um grande ciúme é sinal de um grande amor?
  • Desejar “algo” é mais saboroso do que o ter?
  • A união de dois corações é o maior e mais valoroso dos prazeres da vida?
  • Amor e desejo são dois sentimentos opostos?
  • Podemos amar alguém que ama outra pessoa?
  • Podemos parar de amar uma pessoa que não corresponde ao nosso amor plenamente?
  • Quando uma mulher rompe com o homem que ama por capricho, querendo mais liberdade, sem amar outra pessoa, o homem deve aceitá-la caso ela deseje voltar?
  • Duas pessoas que se amam devem contar uma à outra que sentem ciúmes, sem frieza e maus sentimentos?
  • Se um amante sente ciúmes injustificados, o parceiro deve torná-los reais, mesmo que as outras pessoas saibam?
  • O amor de uma menina (virgem) é mais forte que o de uma mulher?
  • O que é pior no amor, ser recusado ou não ousar perguntar?
  • O amor sobrevive sozinho por muito tempo?
  • É possível amar pelo puro amor, sem expectativas?
  • É possível amar algo mais que a si mesmo?
  • O simples prazer de não amar é tão satisfatório quanto o próprio amor?
  • Que tipo de amor é mais delicioso: O de uma menina, o de uma mulher casada ou o de uma viúva?
  • Que tipo de amor é melhor: O de uma mulher virtuosa ou o de uma não virtuosa?
  • Um homem honesto pode se vingar de uma mulher infiel sem comprometer sua ética?
  • Qual o pior crime? Se vangloriar publicamente dos favores prestador por uma mulher ou se vangloriar de favores inventados?
  • Um homem que é amado em segredo por uma mulher pode insultar um rival que desconhece ter?
  • Um homem pode se apaixonar por uma mulher que já amou quanto por uma mulher que nunca experimentou o amor?
  • Uma mulher insulta o homem que ama ao pedir ajuda a outro homem?
  • Um mulher deve odiar o homem que amam e que se recusa a ajudá-la, sabendo que ele é comprometido?
  • É razoável uma mulher pedir detalhes de um romance anterior antes de dar provas de afeto a um homem? Ele deve aceitar este comportamento?
  • Se um homem recebe presentes de uma mulher, deve devolvê-los caso a mulher decida deixá-lo e os peça de volta?
  • Um homem deve pedir a alguém que ama presentes pessoais que possam ser reconhecidos pelos outros? E se ele partir, deve ficar com os presentes, devolvê-los ou queimá-los?
  • Uma mulher deve dar ao homem que ama presentes pessoais quando ele pedir?
  • O que é melhor, conquistar uma mulher pelo coração ou pela inteligência?
  • Se o homem sabe que a mulher que ama quer deixá-lo, deve permitir que ela vá livremente, ou deve mantê-la presa, ameaçando fazer um escândalo?
  • Um homem tem o direito de insultar ou desagradar a mulher que ama por algum motivo?

(CYR, Myrian  – A maior paixão do mundo – a história da freira Mariana Alcoforado e suas cartas de amor proibido pg 180- 182)

 

Dica literária: Todos os homens são mortais – Simone de Beauvoir

Imortalidade –  Desde os primórdios a origem da vida e o destino após a morte são mistérios que amedrontam o homem. Mistério e medo – ingredientes mais que suficientes para suscitar o surgimento de mitos e histórias diversas. Viver para sempre, acompanhando cada mínima mudança ocorrida no mundo, intervindo no destino de seu país e de seus entes queridos, seria um dom? Seria uma benção ou uma maldição? Talvez, num primeiro momento, sem maiores questionamentos, beber uma poção da imortalidade, fosse o impulso humano. Trazemos sem dúvida em nosso âmago um enorme instinto de sobrevivência que nos faria beber sem titubear uma formula que nos prometesse a vida eterna. Além disso, nosso ego inflado sussurraria aos nossos ouvidos o quanto somos importantes, as coisas grandiosas que poderíamos fazer caso nosso tempo não fosse tão curto e nossa existência tão frágil.

Na obra todos os homens são mortais, Simone de Beauvoir se debruça sobre a questão da imortalidade. É um livro sobre a inexorável roda do tempo que gira pesadamente sobre a humanidade reduzindo impérios a pó e pessoas poderosas a lembranças que aos poucos vão se apagando perante o brilho de novos rumos e acontecimentos. Tudo gira em torno do poder, da ganância, do egoísmo. Se em um primeiro momento o Conde Fosca desejou a imortalidade por acreditar-se capaz de ser o melhor governante que Carmona poderia ter, o tempo e as perdas inevitáveis da vida irão lhe mostrar que mesmo a morte possui um sentido, uma razão de ser. A imortalidade desejada torna-se um fardo sobre suas costas – um pesado fardo que atinge também as pessoas que o cercam, em especial àquelas a quem é dado conhecer a verdade sobre sua natureza; pode-se mesmo dizer que, se o primeiro questionamento do livro é sobre até onde a imortalidade é um dom ou uma maldição, o segundo questionamento é sobre o conhecimento – Afinal, conhecer e se afeiçoar a um ser imortal implica receber o conhecimento de séculos. Qual seria o efeito de alguém que vive a sombra desse conhecimento, adquirido não através do estudo, mas através de um ente imortal? Serviria tal saber para tornar uma pessoa mortal mais sábia, humilde, melhor? Ou serviriam para alimentar seu espírito com a certeza de que após a morte, pouco a pouco sua memória será apagada e esquecida? O conhecimento seria então um veneno a enlouquecer e desestimular tal pessoa a viver uma vida produtiva?

Beauvoir habilmente levanta tais questionamentos através de uma narrativa que, inicialmente parece lenta e cansativa, mas vai pouco a pouco cativando e arrastando o leitor a uma reflexão profunda e perturbadora.

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Livro do mês (Abril): A Filosofia na obra de Machado de Assis (Miguel Reale)

Trata-se de um estudo crítico elaborado pelo conhecido jurista e filósofo Miguel Reale. Na obra em comento o autor analisa as influências de filósofos como Pascal, Renan e Schopenhauer na obra de Machado de Assis, influências que em alguns momentos levaram Machado a criar bases de uma filosofia própria, difundida através das personagens de seus romances. Na segunda parte do livro, encontram-se organizados trechos de textos de acordo com temas explorados pelo autor estudado, tais como: Natureza, humanitismo, o mundo como representação e outros.

Um ponto fundamental para a compreensão da obra de Reale é a necessidade de se ter lido previamente boa parte da obra machadiana, bem como ter-se uma base, ainda que pequena, das principais ideias de alguns grandes filósofos. Por outro lado é certo que um leitor que ocasionalmente se depare com este livro sem reunir as condições mínimas acima citadas, será acometido por uma intensa vontade de ler mais textos do inigualável escritor brasileiro e, quem sabe até, de expandir suas leituras para os campos da filosofia.

Filme versus Livro: O Mundo de Sofia

Algumas vezes despertar o interesse de uma criança ou jovem por determinado assunto requer certa dose de sutileza: De nada adianta entregar a um jovem um enorme tratado acerca de filosofia se já não houver em seu espírito um mínimo de curiosidade acerca do tema. O livro “O mundo de Sofia”,do autor norueguês Jostein Gaarder, desperta no espírito do leitor o interesse pela filosofia e por sua história. Através da história da jovem Sofie Amudsen, o autor nos conduz ao conhecimento da história da filosofia e das ideias de alguns dos principais filósofos.  Ler “O mundo de Sofia” não criará especialistas em filosofia, porém acabará por incutir a curiosidade acerca da história da filosofia e dos filósofos, levando o leitor a buscar mais conhecimentos acerca do assunto em outras fontes.

O filme, como quase sempre acontece com adaptações, é excelente, no entanto, além de ser longo, deixa muita coisa de fora, tornando tudo muito mais superficial. Longe de mim dizer que não é um bom filme, pelo contrário – vale a pena assisti-lo com crianças que ainda não atingiram uma grande habilidade para leituras longas. Vale a pena mesmo assisti-lo após a leitura do livro, porém jamais será capaz de substituir a obra original.

Resenha do livro “Assim Falou Zaratustra” (Friedrich Nietzche)

Há livros para ler uma vez só. Há livros para ler várias vezes ao longo da vida. Assim falou Zaratustra pertence a essa segunda categoria. Pessoalmente gosto muito da filosofia de Friedrich Nietzche – já li o Anticristo e O crepúsculo dos ídolos há anos atrás – e sei bem o quanto é uma leitura exigente e ao mesmo tempo incrível.  Sendo assim, confesso: Uma única leitura de “Assim falou Zaratustra” não é suficiente para postar uma resenha completa.
O livro fala sobre a necessidade do homem em caminhar em direção a algo além de si mesmo: O super homem – Mas o que seria o tal super homem? Seria uma versão perfeita do homem que existe. O super-homem não acredita em mitos religiosos, ele tem o controle do próprio destino e não está acometido de males como a piedade, por exemplo. É nesta obra também que surge a célebre idéia de que “Deus está morto. O homem o matou”.
O autor utiliza-se de um personagem (Zaratustra) para dar vida às suas idéias e se expressa através de uma linguagem poética e bem trabalhada.
Ler Assim falou Zaratustra é um grande convite à reflexão, afinal, se realmente o homem é “uma ponte sobre o abismo em direção ao super-homem”, o que sentiria o super homem? Ele não crê em Deus, tem o controle da própria vida, não crê em além-mundos (vida após a morte, por exemplo). Sua vida é mais completa por ser assim auto-suficiente? Ou pelo contrário, o super-homem seria vazio e perdido em si mesmo? Evidente que o filósofo não nos dá essa opção: Para ele o super-homem é perfeito, um objetivo a ser atingido.
Como eu disse no inicio: Não é uma leitura para uma só vez. Daqui a um tempo irei ler novamente e, quem sabe, fazer maiores explanações e comentários aqui no blog. Enquanto isso fica o convite: Leiam. Vale a pena
Há livros para ler uma vez só. Há livros para ler várias vezes ao longo da vida. Assim falou Zaratustra pertence a essa segunda categoria. Pessoalmente gosto muito da filosofia de Friedrich Nietzche – já li o Anticristo e O crepúsculo dos ídolos há anos atrás – e sei bem o quanto é uma leitura exigente e ao mesmo tempo incrível.  Sendo assim, confesso: Uma única leitura de “Assim falou Zaratustra” não é suficiente para postar uma resenha completa.
O livro fala sobre a necessidade do homem em caminhar em direção a algo além de si mesmo: O super homem – Mas o que seria o tal super homem? Seria uma versão perfeita do homem que existe. O super-homem não acredita em mitos religiosos, ele tem o controle do próprio destino e não está acometido de males como a piedade, por exemplo. É nesta obra também que surge a célebre idéia de que “Deus está morto. O homem o matou”.
O autor utiliza-se de um personagem (Zaratustra) para dar vida às suas idéias e se expressa através de uma linguagem poética e bem trabalhada.
Ler Assim falou Zaratustra é um grande convite à reflexão, afinal, se realmente o homem é “uma ponte sobre o abismo em direção ao super-homem”, o que sentiria o super homem? Ele não crê em Deus, tem o controle da própria vida, não crê em além-mundos (vida após a morte, por exemplo). Sua vida é mais completa por ser assim auto-suficiente? Ou pelo contrário, o super-homem seria vazio e perdido em si mesmo? Evidente que o filósofo não nos dá essa opção: Para ele o super-homem é perfeito, um objetivo a ser atingido.
Como eu disse no inicio: Não é uma leitura para uma só vez. Daqui a um tempo irei ler novamente e, quem sabe, fazer maiores explanações e comentários aqui no blog. Enquanto isso fica o convite: Leiam. Vale a pena

Lista de leitura -2015

Sempre fui uma leitora voraz, daquelas que terminam um livro em dois, no máximo três dias. Até entrar na faculdade. Os cinco anos que passei na universidade infelizmente me tiraram muito do prazer de chegar a minha casa e ler um livro – vivia com as costas doendo, a vista cansada pelas inúmeras horas trabalhando em frente ao computador no estágio ou na pesquisa para algum trabalho; é bem verdade que o hábito da leitura não ficou tão esquecido, mas ainda assim a quantidade de livros que li nos últimos anos caiu drasticamente e diante desta situação, vejo-me com a necessidade de pela primeira vez elaborar uma lista de leituras para este ano de 2015 – meu primeiro ano quase livre da universidade (tenho uma dependência e um TCC para entregar).  É uma lista mínima: doze livros, um para cada mês do ano.  É só isso que eu vou ler em 2015? Não. Sinceramente, eu espero que não, porém, isso é o mínimo que com prazer me obrigarei a fazer.

Vamos ver minha pequena lista?

JANEIRO – O livro escolhido para o primeiro mês do ano é Ana Karênina – Leão Tolstói (Editora Abril, 1ª Edição, 1971, 749 páginas).
Porque escolhi este livro? Ganhei este exemplar no projeto Adote um livro, promovido pela Secult (Secretaria de Cultura) de Santos. Fazia um tempo que eu o procurava – ele é citado algumas vezes no romance “A última música” (Nicholas Sparks) e isso despertou uma curiosidade acerca de seu conteúdo.

FEVEREIRO – Flor de Sangue. O livro escolhido para o mês de Fevereiro é de um autor nacional, Valentim Magalhães. O romance data de 1897. A edição que tenho em mãos foi publicada em 1974 pela Editora Primor na coleção “Obras Imortais da nossa literatura”. São duzentas páginas que pretendo ler e absorver com atenção.  Nunca li nenhuma obra deste autor, nada sei sobre a vida dele e isso me deixa curiosa. O exemplar veio até mim num evento da S.L.A (Sociedade dos Leitores Anônimos), um grupo de jovens que se reúne e disponibiliza livros para troca e doação com um único pedido: depois de ler, liberte seu livro para que outro possa ler também – ou seja, assim que eu terminar a leitura, meu livro volta para as ruas em busca de outro leitor!

MARÇO – Admirável Mundo Novo. Aldous Huxley. Editora Globo, 309 páginas. Confesso que não sei como este livro chegou em minha estante, possivelmente veio através de algum evento de troca ou doação de livros. Outro escritor cuja obra me é desconhecida. Já li vários comentários sobre a qualidade da obra de Aldous Huxley e decidi que não poderia deixar de ler algo dele ainda no primeiro semestre de 2015.

ABRIL – Assim Falou Zaratustra. Friedrich Nietzche. Editora Martin Claret, 273 páginas. Um dos poucos livros comprados que tenho em casa. Minha mãe me presenteou com ele há pelo menos dois anos e eu ainda não li, apesar de já ter devorado dois outros livros do mesmo filósofo. O motivo da demora talvez seja justamente gostar demais do autor e não querer me sujeitar a ler entre uma sacudida e outra do ônibus, entre uma aula e outra, espremida no tempo.

MAIO – Suave é a noite. Scott Fitzgerald. Editora Abril Cultural, 1972, 381 páginas. Pela idade da publicação, vocês já puderam perceber o meu gosto por livros antigos, não é? Pois bem, este exemplar que tenho em mãos foi também adquirido em um evento de troca de livros, o “Troca Troca de Livros”, organizado por uma jovem amiga de 16 anos. Foi o primeiro evento do tipo do qual participei e a proposta dela me pareceu simplesmente incrível: trocar livros sem perguntar qual será trocado por qual, apenas deixa-se um livro na canga e se pega outro ou outros, já que não há ninguém obrigando a base de troca 1×1.

JUNHO: Personas Sexuais, Camile Paglia, editora Companhia das Letras,1992, 616 páginas. Não se trata exatamente de um livro literário. É na verdade um apanhado de história da arte, da civilização e do sexo – temas que em verdade caminham lado a lado.  Outro livro adquirido no troca-troca de livros.

JULHO: Os Sertões, Euclides da Cunha, Editora Martin Claret, 606 páginas. Certa vez um professor de língua portuguesa me disse que este livro era “um porre”, talvez por isso eu nunca o tenha lido. Trata-se de uma obra clássica e eu não poderia passar a minha vida sem ler apenas porque uma vez alguém me disse que não era agradável.  Como o livro veio parar aqui em casa? Possivelmente alguém sabendo que eu adoro livros me deu de presente.

AGOSTO: Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor – Uma visão científica e bem-humorada de nossas diferenças. Allan e Barbara Pease, Editora Sextante, ano 2000, 233 páginas. Definitivamente, não é um livro literário. Mas foi muito comentado e ao vê-lo numa canga para troca em uma das edições do troca troca de livros, decidi adota-lo e tentar descobrir o porque de seu sucesso.

SETEMBRO: Jil – José de Alencar, Editora L & PM, 236 páginas. José de Alencar foi sem dúvida um dos meus autores favoritos na adolescência e, por isso mesmo, surpreendi-me ao encontrar este livro para doação na Biblioteca Municipal de Santos. Como assim um livro do José de Alencar que eu não me lembro de ter lido?

OUTUBRO: A filosofia na obra de Machado de Assis e Antologia filosófica de Machado de Assis. Miguel Reale, Editora Pioneira, 1982, 144 páginas. Não sei exatamente o que esperar deste livro – A obra jusfilosófica de Miguel Reale é sem dúvida muito conhecida e conceituada, mas, como será ler uma obra filosófica baseada na análise da obra de um dos meus autores prediletos? Ganhei este livro de um amigo, será lido, resenhado e guardado – ou não – afinal, livros devem ser livres para espalhar conhecimentos.

NOVEMBRO: Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga – 190 páginas – Biblioteca Folha. Um clássico da literatura que acabou me fugindo. Não me entendam mal, sempre preferi livros com finais trágicos, tristes mesmo, e por longos anos a ideia de poesia contando uma história não me atraiu muito. Hora de corrigir isso.

DEZEMBRO: Noite na Taverna, Álvares de Azevedo – 73 páginas – Biblioteca Folha. Uma releitura para encerrar o ano. Lembro-me de ter adorado este livro e conservei um exemplar comigo como livro de “estimação”. Acredito que seja o momento de reler, dividir minhas impressões com vocês e depois liberta-lo para o mundo.

É isso, esta é minha listinha para este ano de 2015. Em 2014 não consegui manter esta categoria do blog muito ativa, este ano pretendo publicar algo nela semanalmente. A resenha do livro do mês será postada sempre na última semana, porém, no decorrer do mês espero conseguir postar comentários sobre o autor, sua época, sua obra. E conto com os comentários de vocês… Se alguém quiser seguir a mesma lista, ler e compartilhar suas impressões, fique a vontade!