Mudar a sociedade antes que o tempo se esgote (BEDA 15)

Infeliz é o país que subjuga a capacidade dos seus. Quando Ricardo Velez disse que não deveria existir universidade para todos, deixou bem explicado nas entrelinhas que o ensino universitário se destina apenas aos filhos da elite, destinados a continuar mantendo suas posições no cada vez mais estreito topo da pirâmide social. Para pessoas dessa laia o desemprego é bom pois diminui os salários e a cracolandia só se mantém pois há quem alimenta a população em situação de rua. E sabe, não é novidade nenhuma ver os poderosos lutando por mais poder. Não me surpreende ou irrita nem um pouco. O que me deixa surpresa é ver o pobre torcendo pelo direito do patrão em detrimento dos próprios direitos. Aliás já li em algum lugar que os males do Brasil são falta de interpretação de texto e falta de consciência de classe. E podem ter certeza: O projeto é justamente atacar a educação, reduzindo cada vez mais a capacidade de leitura (de textos e da própria vida) do estudante para que as gerações cresçam com zero consciência de classe e uma grande gana de defender os que estão no topo, mesmo que para isso seja necessário derrubar e pisar nos que estão embaixo e ao lado. É uma realidade triste, já desenhada anos atrás na peça teatral “Eles não usam black-tie” de
Gianfrancesco Guarnieri.
O mais assustador nesse processo todo é perceber que a ganância humana não está destruindo apenas a população empobrecida e explorada: As consequências do capitalismo brutal e desenfreado aparecem na forma de mudanças climáticas catastróficas. Apesar do atual desgoverno brasileiro ser um potencial acelerador do processo, é preciso lembrar que a diferença social e a manutenção do lucro em detrimento da vida e do meio ambiente são fatores comuns em boa parte dos países ao redor do planeta. É preciso reduzir urgentemente os níveis de consumo e rever a construção da sociedade antes que o tempo para isso se esgote. E acreditem, está se esgotando.

Esse post faz parte do BEDA (Blog Every Day August)

Sexta Feira 13 (BEDA 13)

Sexta Feira 13

Imagina que azar
Morar num país desgovernado e ter medo de passar embaixo da escada, de cruzar com um gato preto, de levantar da cama com o pé esquerdo?
Imagina que azar, morar num país assolado pela fome e pelo vírus e ainda assim ter medo de sair de casa pois é sexta feira 13.
Imagina que sonho ter só um dia de azar no ano inteiro?
Seria bom, não?
Mas o povo brasileiro
Elegeu o capeta
Chamou de messias o genocida
E mesmo agora que tantos perdem a vida
Parecem continuar a histeria coletiva:Camisa da CBF e arminha com a mão.
Povo que em 2018 elegeu 4 anos de morte e trouxe pra nação essa má sorte
Que não sabemos quanto vai durar.

Dia do Estudante (Beda 11)

Hoje é Dia do Estudante. Sinceramente pouco há para se comemorar: Nos últimos anos a educação vem sofrendo uma série de desmontes e é inegável que a qualidade do que é oferecido às crianças e jovens está muito aquém do que é merecido pelos que irão herdar um país repleto de problemas.
A PEC do teto, aprovada no governo Temer, as terceirizações, a reforma do ensino médio, as propostas de escola em tempo integral defendidas pelo governo do Estado de São Paulo, as escolas cívico militares implantadas pelo governo federal são precarizações do direito básico a uma educação libertadora e formadora de cidadãos com senso crítico. Infelizmente esse desmonte e ataques não são frutos de negligência ou incompetência: Deteriorar a qualidade da educação pública garante a manutenção de um status quo onde o abismo social separa as oportunidades de formação e crescimento, garantindo aos filhos e filhas da burguesia o acesso às melhores escolas e universidades para posteriormente garantir-lhes os melhores empregos, enquanto as crianças e adolescentes vindos da classe trabalhadora precisam enfrentar o impossível para tentar buscar uma posição socioeconômica um pouco melhor.
Não há motivos para comemorar, mas há mil motivos para lutar

Feliz dia do estudante!

Este post faz parte do BEDA (Blog every day august)

Fogo, fumaça e memória (Beda 1)

Fogo, fumaça e memória

Queimaram a estátua de Borba Gato. Bandeirante, estuprador. Genocida. Embora queimar a estátua não apague os atos horrendos do passado, é necessário pensar o ato como uma correção: A retirada simbólica de uma homenagem que sequer deveria existir.

Fico perplexa ao perceber que inúmeras pessoas defendem a estátua de um genocida, mas se calam diante de agressões perpetradas sistematicamente contra populações negras, indígenas e LGBTQIA+: Uma estátua tem mais valor que a vida?
O silêncio quase palpável se estende diante da queima de nossas florestas, museus e da cinemateca. Mas quando o fogo é em Paris? Ah! Aí temos até mobilização nas redes sociais.

A queima da nossa história não é fato recente, mas, aparentemente, só incomoda quando apaga a memória do colonizador, invasor, agressor. A memória do povo? Essa, parece que pouco importa.

O movimento de apagar as fontes de cultura de um povo não é novidade: Já aconteceu durante a idade média, durante o período nazista e nas mais diversas ditaduras ao redor do mundo.

Agora, o apagamento acontece diante dos nossos olhares atônitos, em nosso país onde membros do governo diversas vezes envolveram-se em polêmicos plágios de simbolismos nazistas.

Diante do quadro catastrófico, fascista e entreguista da política nacional, pouca ou nenhuma solidariedade me resta pela estátua de um genocida.

A estátua do genocida de tempos passados virou fumaça. Que amanhã possa cair e virar fumaça o atual governo. Sem deixar sequer uma estátua que possa ser queimada no futuro.

Este post faz parte do BEDA (Blog Every day August), não deixem de conferir também os posts de outros blogs participantes:

Mariana GouveiaClaudiaObdulio LunnaRoseli Pedroso Adriana Aneli

Ode a memória

Ah, Liberdade! Como és fugidia!
O som maldito dos coturnos 
Pisoteando a frágil democracia
Iniciando vinte e um anos soturnos

Nossa terra diuturnamente vilipendiada
Diziam ser para o bem da Nação
Enquanto torturavam inocentes no porão
Rindo da dignidade humana violada

Aos abutres da ditadura: O lixo da história
O eterno o repúdio aos ignóbeis atos
Às vítimas o direito à verdade e à memória
Que nunca sejam esquecidos os tristes fatos

Que o terror desses anos nunca seja esquecido
Pois o passado nunca é apenas o tempo ido
Que reverbere pelos ares o brado: Foi golpe
Que persista a luta: 1964 nunca mais! 

Defender o meio ambiente do ministro do meio ambiente? Isso é Brasil!

País estranho esse onde o mesmo homem que debocha da necessidade de proteger nossas florestas é aplaudido por assinar uma lei que aumenta a pena para maus-tratos de animais (leia-se: cães e gatos).  Pois é. Mas e quanto ao desejo de breve restabelecimento escrito para o presidente dos Estados Unidos? Um verdadeiro grito de deboche direcionado aos 145 mil brasileiros que perderam a vida nesta pandemia. Afinal, é só uma gripezinha, toma cloroquina que passa – E se não passar, deixa a tubaína que a gente bebe na comemoração: Seria um maluco a menos em posição de poder, vencido pelo vírus que ele mesmo desdenhou.

            Ainda sobre meio ambiente e as agressões que vem sofrendo, chegamos a um momento histórico tão bizarro que o judiciário é obrigado a defender o meio ambiente adivinhem de quem? Isso mesmo! Do ministro do meio ambiente! Ainda bem que por hora derrubaram a decisão do ministro que havia retirado a proteção dos nossos mananciais e restingas. Não é um elogio ao judiciário – Nada mais estão fazendo do que sua obrigação de fazer cumprir a lei e a constituição desse país continental e desgovernado. Por falar em desgoverno, Carol Solberg, uma jogadora de vôlei que gritou “Fora Bolsonaro” está sofrendo intimidação e denuncia no Superior Tribunal de Justiça Desportiva – Mais um passo angustiante em direção à censura de opiniões. Aliás, o fantasma do cerceamento de opinião rondou o prefeiturável Guilherme Boulos e o influenciador digital Felipe Neto apenas pelas opiniões e participações nos atos Antifascistas. Ora, um governo que busca inibir atos antifascistas é o que mesmo? Pois é. Fascista. Um fascismo à brasileira, meio capenga, que só enxerga uma invisível “ameaça comunista” em qualquer pessoa que tenha bom senso – De cientistas a padres, todos são motivos de ódio e alvos de opressão para esse desgoverno. E eu quase ia esquecendo de contar que uma banda de rock não pode nem fazer uma música questionando sobre os cheques do Queiroz pra primeira dama sem ser ameaçada de processo.  Boa sorte e muita força para nós nesta próxima semana que está começando hoje – Vamos precisar. E não esqueçam como dizia o velho ditado: Cala a boca já morreu quem manda na minha boa sou eu. O Brasil ainda é um país livre, então vamos aproveitar essa liberdade e mostrar os defeitos desse sistema e desse desgoverno genocida, esse ano tem eleições municipais e precisamos urgentemente mostrar nas urnas que não concordamos com as atuais políticas – Como? Votando apenas em quem não apoiou em nenhum momento a eleição do fascista e o golpe que levou o Conde Drácutemer ao poder.

Prioridades na catástrofe

Há duas semanas quebrei minha rotina de comentar os fatos da semana por aqui – No primeiro domingo, por ter participado do projeto 06 on 06, no segundo, por estar envolvida em projetos particulares, como a divulgação da antologia da qual faço parte. Hoje confesso que me peguei em frente ao computador imaginando qual motivo me leva a escrever esses pequenos textos-relatos irônicos – Aparentemente, estamos presos em um limbo sem possibilidades de boas mudanças – O presidente da câmara permanece sentado em cima de todos os pedidos de Impeachment contra o representante do inferno que tomou de assalto o governo do país, a covid-19 continua ceifando vidas, o fogo se espalha rapidamente devastando nossos biomas e gerando uma nuvem de fumaça escura. Um representante do governo americano em nosso solo faz fala atentatória contra a democracia venezuelana, Trump proíbe aplicativos chineses em território norte americano, a Europa já começa a lidar com novo aumento de casos da covid-19 enquanto no Brasil o lobby das escolas particulares faz pressão pela volta às aulas. O (des)governo brasileiro prepara um novo ataque aos trabalhadores – Dessa vez, buscando retirar a estabilidade dos funcionários públicos – Afinal, funcionário concursado não participa de rachadinha nem tem medo de cumprir seu papel e denunciar más condições de trabalho ou atos de descumprimento da lei, portanto, estabilidade incomoda os poderosos. A bagunça está tão grande que esta semana tivemos até mesmo um marido mordendo a esposa que tentava defender o pitbull da família: Detalhe que o marido tem dezoito anos, a esposa 16 (O que já é assustador, por tratar-se de uma adolescente) e o cachorro com fama de bravo e assassino, não mordeu ninguém, nem mesmo para se defender. Na minha região, teve festa com aglomeração em iates, com direito a uma pessoa rasgando dinheiro e jogando no mar. O quilo do arroz atingiu um preço tão alto que logo vai ter professor desmontando os chocalhos que fizeram com o cereal na sala de aula, para garantir mais uma porção de comida – Mas o importante, o fundamental mesmo é que o Brasil está longe do governo comunista do PT (que de tão comunista fortaleceu os bancos e os lucros das grandes empresas), longe das mamadeiras de (***) e do kit gay, fantasmas que assombraram os delírios coletivos de pessoas com sérios problemas de raciocínio.  Enfim, o mundo está um caos e aparentemente não há muita luz no fim do túnel – Mas, diante de tudo isso, gostaria de propor que adivinhem qual foi o assunto mais comentado nas últimas semanas: Conseguiram lembrar? A suposta traição de uma cantora pop brasileira – Será que ela estava se relacionando com um amigo do casal antes da separação? Eu pergunto, em qual realidade paralela as coisas que pessoas fazem entre quatro paredes sem prejudicar a sociedade ou algum ser indefeso, é tão importante a ponto de desviar a atenção da catástrofe plena em que estamos mergulhados e mergulhadas?

A tradicional família brasileira e suas incríveis histórias de amor.

Estamos caminhando para o nono mês do ano – Considerando que nove meses é o tempo necessário para gestar uma vida, gostaria de iniciar este texto com uma pergunta: O que a humanidade gestou para si mesma nos últimos tempos? E o Brasil? Qual futuro que nascerá das entranhas deste país confuso e sem rumo? Confesso que quando propus a mim mesma o desafio de escrever semanalmente um apanhado de notícias e fatos, sabia que haveria muita coisa absurda a ser comentada – E a ideia era justamente trabalhar com esses absurdos, criando um efeito de ironia e humor – Mas a situações apresentadas tem sido tão surreais que não consigo utilizar humor, ironia ou mesmo esperança. Apenas raiva e perplexidade. Em alguns momentos imagino que, daqui a cinqüenta, setenta anos, alguém irá ler estes textos e pensar “Não é possível! Esse país gigantesco viveu momentos de delírio coletivo” – Mas me deparo com outras realidades que me fazem pensar que talvez, daqui a setenta anos, não exista sequer humanidade, e isso não apenas pelos 25 milhões de infectados pelo COVID no mundo, mas por todo o contexto que acompanha a pandemia: No Brasil ainda permanece um clima de negacionismo, aquela lenda de que “é só uma gripezinha” pode não estar mais sendo comentada ostensivamente pelo governo, que nas últimas semanas está ao menos tentando fingir que trabalha – Já de olho nas eleições de 2022. A “boiada” citada por Salles na reunião ministerial vem passando enquanto nossas matas queimam: Amazônia, Pantanal, cerrado brasileiro – Tudo se desfaz em fumaça. O futuro da nação sobe aos céus em grossas nuvens negras. Mas o importante é que agora, a despeito da pandemia, o “novo normal” se instale e as pessoas possam ir até a praia, ao barzinho ou ao shopping – Para que manter o distanciamento social e aproveitar para pensar sobre o meio ambiente? E o Meio Ambiente não foi o único setor a apresentar retrocessos no Brasil – Num país onde os níveis de violência contra a mulher são alarmantes, uma recente mudança obriga médicos a encaminharem à polícia os casos onde a mulher procure o aborto alegando estupro – Tal medida é uma humilhação e possivelmente afaste ainda mais as mulheres vítimas de violência da busca por um atendimento médico ao qual elas têm direito – O importante é manter a sagrada e tradicional família brasileira, mesmo que para isso vidas sejam destruídas. Aliás, emocionante a história da Deputada Flordelis: Uma trama de amor onde ela casou com o filho adotivo, que era também seu ex-genro e acabou comendo capim pela raiz a mando dela – afinal, Deus deve se escandalizar mais com o divorcio do que com o assassinato. Sim, essa pessoa é uma ardorosa defensora da tal “família tradicional” – E não, eu não estou aqui para julgar a moral dela ao namorar o filho adotivo, o que ela faz na intimidade do lar é problema que compete apenas a ela mesma. Entretanto acredito que seja necessário pontuar que ela, assim como vários outros membros e apoiadores do atual governo, gritam e esperneiam seus slogans antiquados – Deus, Pátria e Família – Enquanto destroem o país, vendem nossas riquezas a preço de banana e destroem famílias através de políticas genocidas. Ou será que o novo normal é assassinar o marido? Pensando bem, talvez seja melhor mudarmos nossa bandeira – Podemos colocar deserto no lugar do verde, lama no lugar do amarelo, cinza no lugar do azul, cruzes do lugar de estrelas e na faixa central, substituir “Ordem e Progresso” por “Desgoverno e seus regressos”. E pelo cavalgar do cavalo manco, eu nem conto para vocês onde deve estar introduzido o mastro da bandeira…

Este texto faz parte do BEDA: Blog Every Day August

Ale HelgaViviane ChrisClaudiaObdulionoDricaMariana Gouveia – Lunna Guedes – Adriana

Rumo ao precipício ou presos eternamente em 2020?

Retomando as notícias da semana, percebi que enquanto o excrementíssimo jumento (com o perdão aos jumentos, animais tão leais e belos, pela comparação que já é clássica entre nós, seres humanos) persegue uma ema com uma caixa de cloroquina nas mãos, deixando no ar dúvidas sobre suas intenções – Que poderiam ser (a) matar a ema numa vingança contra a bicada ocorrida na semana anterior; (b) fazer uma divulgação de natureza duvidosa do remédio ou (c) não havia intenção nenhuma por trás do ato pois a espécie bípede de jumento não consegue sequer raciocinar e imprimir intencionalidade além da famosa arminha com os dedos e repetição de frases de ódio – ouras coisas importantes estão acontecendo pelo nosso planeta: E, acreditem, alguns desses fatos podem influenciar nosso futuro como espécie. Então, deixemos nosso gado por aqui (torcendo para que não surja uma epidemia de febre aftosa ou doença da vaca louca) e começar nosso giro de notícias pela Inglaterra, onde uma nuvem quilométrica de formigas voadoras foi avistada e confundida com chuva por um radar. O fenômeno ocorre por ocasião da época de acasalamento dos insetos – Pelo menos elas estão com sorte e podem acasalar em segurança, sem máscaras e distanciamento social, certo? Viva o amor e vamos torcer para que a teia alimentar esteja bem equilibrada para aqueles lados, senão haverá uma super população de formigas. Outro fato que foi pouco divulgado: A temperatura ao norte do globo terrestre vem sofrendo um aquecimento substancial, chegando a 32 graus no Alasca e, pasmem: Há grandes áreas de tundra sendo destruídas por incêndios. Regiões antes geladas como a Sibéria e a Groelândia também apresentam incêndios descontrolados que, segundo os especialistas, devem liberar bastante dióxido de carbono na atmosfera. Não é preciso ser nenhum gênio para entender que ou mudamos nossos hábitos diários e nosso sistema econômico e de produção a nível mundial, ou seremos engolidos cada vez mais por epidemias, aquecimento global, poluição e morte – Continuar como estamos é caminhar a passos largos rumo a extinção de nossa própria espécie. E por falar em espécies, nos Estados Unidos a mortandade de esquilos levanta um alerta para uma possível onda de casos de peste bubônica, doença que também esteve em evidência nas fronteiras entre China e Mongólia (é, eu avisei que os pensamentos retrógrados de algumas pessoas estão fazendo o mundo girar ao contrário e que, em breve, iríamos ter que lidar com a peste negra e as fogueiras em praça pública). No campo político a notícia boa é que Trump aparentemente vem perdendo força nos Estados Unidos – E aí fica a dúvida, o nosso “patriota” irá imitar o próximo presidente norte-americano ou irá chorar a saudades do Trump na cama, que é lugar quente? Ainda observando nossos vizinhos mais ao norte, vemos que por lá se intensificam os protestos contra casos de racismo e há lugares em que monumentos homenageando personalidades escravocratas estão sendo removidos – O que não apaga o papel danoso dessas pessoas no mundo. Seja como for, com ou sem monumentos, é interessante ver as lutas avançando. Por aqui, tivemos nossos casos de violência policial e seguimos sobre ataques do governo: Enquanto descarta-se a ideia de taxar as grandes fortunas, a equipe de Paulo Guedes dá os primeiros passos para criar uma nova CPMF e taxar livros, ações que irão diminuir ainda mais o poder de compra dos cidadãos e encarecer o acesso à cultura. Por parte do Ministério da Saúde, que ainda se encontra nas mãos do interino, reportagens mostram que a verba destinada ao combate à pandemia do novo coronavírus não vem sendo utilizada, enquanto isso, há declarações no sentido de que não seria obrigação da citada pasta ministerial comprar testes e respiradores – Ou seja, enquanto o maluco egocêntrico norte-americano, com todos os defeitos possíveis, busca garantir vacina e suplementos para sua população, por aqui empurra-se cloroquina (que comprovadamente não possuí eficácia) e nega-se auxílio para que haja um isolamento social adequado e atendimento médico digno à população, ao mesmo tempo em que se planeja o achatamento da renda através da criação dos impostos já comentados. Por último e não menos importante: A tradicional queima de fogos na noite de ano novo no Rio de Janeiro foi cancelada. Agora é torcer para que não cancelem a transmissão anual do Roberto Carlos na TV Globo, afinal, com o cancelamento de tais eventos, arriscamos a entrar em uma fenda temporal e ficar presos para sempre em 2020, comendo sanduíche de cloroquina e tentando encontrar uma saída para o caos – Aliás, quando nós, leitores e leitoras, suspiramos e olhamos para o céu pedindo para viver emoções dignas de livros, temos em mente romances épicos e não distopias e terror onde, aparentemente, o roteirista já não sabe mais o que fazer para acabar de uma vez com o mundo criado, então, na próxima vez que fechar um livro e desejar viver um romance, deixem claro QUAL romance, pois aparentemente o Universo andou ouvindo nossos pedidos e nos trancou em um livro de terror distópico.