O guaraná da discórdia (e outros fatos)

Comentar sobre as notícias da semana tem sido um desafio – Acontecem tantas coisas que se torna difícil filtrar e, mais difícil ainda, encontrar algo bom no meio de uma verdadeira avalanche de notícias ruins. Em uma semana marcada por um terremoto de magnitude 7,0 que atingiu Bulgária, Turquia, Grécia e Macedônia, uma reportagem chegou em minhas mãos e me deixou bastante apreensiva: Há um estreito na Costa Sul do Alasca chamado Barry Arm onde estima-se que a mudança climática possa produzir deslizamento de geleiras e conseqüentemente provocar um tsunami semelhante ao que seria provocado por um terremoto de magnitude 7,0. E não para por aí – Segundo a mesma reportagem, o derretimento do permafrost (uma camada permanentemente congelada presente no fundo do oceano) seria capaz de provocar tsunamis pois tal camada mantém a terra unida e, uma vez derretida, haveria movimentações causadoras de tremores e ondas gigantes. Assustador não? (Espero que essas notícias sejam suficientes para fazer com que vocês, leitores, repensem seus hábitos de consumo). Seria bom começar a se preocupar com o meio ambiente, para a humanidade ter alguma esperança de futuro caso sobreviva ao Coronavírus, que por aqui já ceifou 160 mil vidas e na Europa já atingiu a temida segunda onda, provocando novas medidas de isolamento social.

Como podem ver, são muitos problemas que irão exigir pesquisas e soluções rápidas e acessíveis aos países de primeiro, segundo e terceiro mundo – E isso nos leva a mais um enorme e preocupante problema: Uma pesquisa demonstrou que os jovens de hoje são a primeira geração com QI (Quociente de Inteligência) mais baixo que seus pais – A culpa seria principalmente da Era Digital, uma vez que crianças e jovens passam mais tempo na frente das telas de celulares e computadores, e menos tempo desenvolvendo outras atividades imprescindíveis para a formação do cérebro como leituras, estudos, brincadeiras, esportes e convivência familiar – Ou seja: No alto da nossa inteligência, estamos deixando para as próximas gerações um planeta caótico, mergulhado em complexas questões ambientais, sociais e políticas e, ironicamente, essas futuras gerações terão um QI abaixo do nosso – Um mundo caótico para uma geração menos inteligente. Não sei vocês, mas não prevejo um bom resultado. Enquanto o meio ambiente caminha para um colapso completo, possivelmente capaz de nos destruir, ainda há pessoas que acreditam em suas mitologias – Me desculpem os religiosos, mas toda religião nada mais é do que uma mitologia que ganha significado na vida dos praticantes através de ritualísticas repetidas de geração em geração – e não tem nada de errado em repetir e praticar se disso vem algum conforto e calma para a mente humana, entretanto há pessoas que acreditam em suas mitologias de forma tão extrema que são capazes de matar e ameaçar outras pessoas – Como no caso do professor assassinado na França por falar sobre liberdade de expressão e dos fatos subseqüentes ocorridos após Macron homenagear o docente morto.

            Aqui, em nosso país “tropical abençoado por Deus e governado pelo capeta” (perdoem o trocadilho com a música famosa, foi mais forte que eu), tivemos um susto essa semana com um decreto que abriria caminho para uma possível privatização do SUS (Sistema Único de Saúde). Ainda bem que, por hora, a pressão popular fez com que o presidente revogasse o decreto. Isso me recordou uma reportagem do jornalista Ricardo Amorim em Julho/2018; na época, Amorim disse que em Cuba “só três coisas funcionam: Segurança, educação e saúde” – Ora, não seria esta a tríade perfeita, buscada pela população de qualquer país? Parece que só no Brasil há quem prefira se revoltar e protestar contra uma vacina que ainda nem está disponível enquanto aplaude um presidente que visita o Estado do Maranhão e faz piadinhas de cunho depreciativo contra homossexuais após provar o “Guaraná Jesus”, refrigerante cor-de-rosa típico do Estado. Ah, Brasil… Tudo que eu desejo é que nas eleições que se aproximam a população consiga escolher prefeitos e vereadores dispostos a lutar para que a tríade cubana – segurança, saúde e educação – seja uma realidade nestas terras de gente sofrida. E quem sabe a gente não comemora brindando com um bom guaraná Jesus, que certamente não “torna” ninguém gay e ainda tem a vantagem de ser nacional.

O massacre da cultura como projeto de manutenção do status quo

Pertencemos a um momento histórico onde é cada vez mais necessário refletir profundamente sobre a sociedade em que vivemos – Estamos no rumo certo? Caminhamos realmente para a sociedade que desejamos construir? Neste sentido, o texto da escritora portuguesa Sophia de Mello B Andressen, publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em Junho de 1982, se mostra assustadoramente atual ao alertar sobre a importância da cultura enquanto garantidora da liberdade, entendendo-se a palavra liberdade como possibilidade – Nas palavras da autora “Liberdade significa possibilidade e o homem que não tem acesso à cultura da sociedade e do tempo em que vive não tem dentro desse tempo e dessa sociedade uma possibilidade real de escolher e decidir. Onde a maioria das populações estiver culturalmente alienadas, a democracia será sempre parcial, incompleta, e, em muitos aspectos, formal. E no mundo em que vivemos é necessário que a cultura possa funcionar como antipoder”.  Não  à toa que, em tempos de terraplanismo e “fake news”, os poderosos busquem de todas as formas sufocar a cultura, desmontar a educação e aniquilar o pensamento crítico – Afinal, uma população acostumada a fruição cultural jamais acreditaria em manchetes absurdas e claramente falsas como as que circularam pelas redes ano passado antes das eleições, tampouco aceitaria passivamente a destruição do meio ambiente em nome do lucro e de um suposto “desenvolvimento”.  O projeto de enfraquecer a cultura de modo a impedir que as faixas economicamente mais empobrecidas da população a ela tenham acesso é um golpe que fere de morte os direitos mais básicos do cidadão bem como sua possibilidade de ascender socialmente, afinal, sem dinheiro para a subsistência, o cidadão certamente não irá investir em cultura – e sem investir em cultura, não irá questionar nem terá capacidade para alçar melhores condições de trabalho. E sem melhores condições de trabalho, permanecerá na carência financeira e conseqüentemente, impedido de observar e consumir cultura. E fatalmente esse ciclo atingirá os filhos e filhas dessa classe, que irão crescer como alvos fáceis para a televisão, a sociedade (muitas vezes inalcançável) de consumo e a manipulação política e social. Uma triste maneira que as classes dominantes encontraram de manter o status quo, garantindo seus próprios privilégios em detrimento da grande maioria da população. Uma lástima e um perigo para o desenvolvimento do nosso país.

Se você tem sorte de ler este texto e entender que tudo isso é um problema grave, fica a pergunta: O que você tem feito para mudar essa realidade?

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Texto indicado: Cultura não se faz para os museus

Sophia de Mello Breyner Andressen. In O Estado de São Paulo, 6.6.1982

Também publicado em:

TUFANO, Douglas. Estudos de língua e literatura/Douglas Tufano. 3 ed. rev. e ampl. Página 2. São Paulo, Editora Moderna, 1986

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*Este post faz parte do projeto BEDA*

Dicas Literárias: Cidade do Sol – Prosa e Poesia (Vários autores)

Há livros que emocionam pela leveza. Outros pela profundidade da história. Há livros cujo vocabulário nos oprime em nossa (natural) ignorância das coisas e há livros cuja leitura é tão simples e a mensagem tão vasta que nos balança a alma: Não é preciso afinal falar difícil para falar muito. Cada livro tem seu valor cultural e cada leitor se deixa tocar de diferente forma. O livro “Cidade do Sol – Prosa e Poesia” é um livro tocante não apenas pelo conteúdo, mas pelo seu histórico: Uma obra formulada por secundaristas da ETEC de Heliópolis (São Paulo-SP). Adolescentes escrevendo poesias e contos para entreter e emocionar o leitor já é motivo de comemoração e emoção, entretanto, se pensarmos bem, vamos perceber que ao parar e derramar sua imaginação e emoções sobre o papel, o jovem está escrevendo um novo futuro e isso sim emociona, principalmente quando trata-se de jovens de bairros periféricos. O que significa pra esses jovens ter a oportunidade de expor seu criar para o público além dos muros escolares? Que magnífico incentivo para que busquem produzir cultura, para que aumentem a auto-estima! Não sei se após este volume outros foram elaborados, espero que sim (Se alguém souber, me conte!) mas sei que espero que algum destes alunos veja esse post e saiba que o livro chegou até a baixada santista e continuará circulando através de trocas e adoções! Espero que essa postagem seja um incentivo para que se faça mais projetos de escritas com jovens e crianças – O resultado é incrível!

O retrocesso do ensino religioso confessional nas escolas públicas.

Religião (Substantivo feminino): Crença de que existem forças superiores (sobrenaturais), sendo estas responsáveis pela criação do universo; crença de que essas forças sobrenaturais regem o destino do ser humano e, por isso, devem ser respeitadas. Comportamento moral e intelectual que é resultado dessa crença. Reunião dos princípios, crenças e/ou rituais particulares a um grupo social, determinado de acordo com certos parâmetros, concebidos a partir do pensamento de uma divindade e de sua relação com o indivíduo; fé ou culto.

No último dia 27 o STF (Supremo Tribunal Federal)  determinou a legalidade do ensino religioso confessional nas escolas públicas brasileiras – tal decisão significa que o ensino religioso, já previsto na LDB (Lei das Diretrizes e Bases), poderá ser ofertado tendo por base uma única religião.

O Brasil vive uma realidade bastante complicada quando observamos a educação pública: Congelamento dos investimentos devido a “PEC do Teto” aprovada pelo governo Temer, falta de estrutura, salas superlotadas, disciplinas como sociologia e filosofia pouco a pouco sendo extirpadas do conteúdo curricular – todos estes problemas não sanados por si já tornam uma aberração a simples proposta de investir em aulas de religião.  E ainda assim, aqui estamos, falando sobre a volta de um conteúdo dispensável aos currículos escolares.

Religiosidade é dogma, é um conceito de padrões que não se modificam. A religião é pessoal, intimamente ligada ao dia a dia familiar – Na escola deve-se aprender as ciências exatas, as biológicas, as ciências humanas. Na escola deve o discente encontrar espaço para desenvolver sua capacidade de interação social, questionamento, pensamento crítico e capacidade argumentativa.

Não pretendo relegar a religião a um plano de completa inutilidade: Quando estudamos história é possível perceber que cada povo desde a antiguidade, desenvolveu seu sistema religioso – Diante disso, não seria, portanto mais adequado que o ensino religioso fosse parte integrante de disciplinas como história, artes, sociologia? Poderiam assim nossas crianças e jovens estudar sobre religião em sala de aula de forma a incentivar-lhes a observação do mundo e o desenvolvimento do pensamento crítico:

Comecem as aulas falando sobre a religião dos povos indígenas brasileiros vergonhosamente dizimados até os dias de hoje por esse maldito capitalismo que não deixa espaço para a vida. Falem sobre as religiões afro-brasileira e sobre o sangue dos escravos que ajudou a construir nosso país e da vergonha de termos sido um dos últimos países a abolir a escravidão. Importante conversar sobre o Islamismo, a questão Palestina e o risco que o fundamentalismo representa. E sobre a segunda guerra e a perseguição ao povo judeu. Expliquem as antigas religiões gregas e romanas. Mostrem que terrorismo também é coisa de povos de etnia branca explicando sobre os conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda. Aproveitem o tema e falem sobre hinduísmo e a Cultura indiana, sobre budismo, sobre o Oriente e sua Cultura. Falem sobre o catolicismo e a corrupção do Vaticano, sobre a idade média e as mulheres injustamente queimadas. Falem sobre as mensagens de ódio que muitas vezes os pastores insistem em propagar e os problemas que isso causa- sobre a destruição dos terreiros no Rio de Janeiro ou o espancamento de LGBTS, por exemplo. Falem que muitas vezes o ódio vem disfarçado de “mensagem de amor”, que muitas vezes o pastor pode ser o pedófilo e que por mais que ele pareça uma pessoa “do bem” ele não tem o direito de tocar o corpo de ninguém! Falem das religiões neo-pagãs e sua mensagem de simplicidade, de liberdade e de apenas seguir a regra de não fazer a ninguém algo que não gostaria pra própria vida! Falem por fim que religião é algo pessoal, que é sim interessante conhecer todas, imprescindível respeitar todas, mas jamais tentar impor o seu culto a outros ou permitir que outros tentem fazer você ritualizar pelos cultos deles, e que o respeito as religiões deve encontrar como limite a integridade física e psicológica – ou seja – Nunca deve-se aceitar a violência sob pretexto de “fazer parte da religião x ou y”. Falem tudo isso ou simplesmente lembrem-se que o país é LAICO e não falem nada acerca do tema.  O que não devemos é, como cidadãos, permitir que nossas crianças cresçam cerceadas por dogmas impostos sem possibilidade de questionamento.

Dia do estudante: Ainda há muita luta antes que se possa comemorar.

Dia 11 de agosto comemora-se no Brasil o “Dia do Estudante”. Cada estudante traz em si um enorme acúmulo de energia, sonhos, potencial. E como o Brasil vem tratando seus estudantes? Crianças e jovens são todos os dias forçados a frequentar escolas sem infra-estrutura, onde falta merenda e os professores são pouco valorizados. Muitas vezes não há material didático disponível. Nas comunidades mais carentes as crianças mal alimentadas e sem condições mínimas de moradia e saúde, muitas vezes não conseguem sequer entender a importância da escola em suas vidas – Para algumas pessoas essas crianças e jovens simplesmente “não servem” para o mundo acadêmico – ledo e triste engano: Elas trazem em si a mesma energia e potencial de qualquer outra criança, apenas não conseguem acessar isso em seu próprio íntimo, tão duras são suas condições de vida. Bem verdade, através de muito esforço, alguns se destacam e dão a volta por cima – E quando isso acontece, surgem os defensores da chamada “meritocracia”. Aquelas pessoas que jamais moveram um dedo, mas enchem a boca para dizer “olha, tá vendo? Quando a pessoa quer ela consegue” ou “Viu? Não precisou de cotas, não precisou de privilégios, estudou”. Se fosse apenas a opinião banal, senso comum de uma população que ignora as diferentes realidades, seria chocante, porém, tolerável. O que realmente indigna é o MEC (Ministério da Educação) postar um relato de uma jovem que, para passar no vestibular de uma Universidade Federal, dormiu apenas 4 horas por dia pois conciliava escola, curso técnico e cursinho. Isso não deveria ser exemplo! Ninguém deveria precisar abrir mão de horas de sono, de saúde e lazer adequados para conseguir passar em uma faculdade. Parabenizo a jovem que relatou essa rotina. Sim, ela foi guerreira. Sim, ela merece estar no curso que desejou. Mas não, ela não deveria ser o exemplo! Principalmente: O Estado não deveria fazer dela um exemplo. Ela é a vítima do descaso que deu a volta por cima. Talvez ela não se veja assim – ainda – mas essa é a real imagem da vida de uma pessoa jovem que teve de abdicar de muito do que é inerente a sua idade para alcançar uma meta.

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É normal para você dormir 4 horas por noite durante um ano letivo inteiro? Acha justo vender a ideia de que isso é normalidade? Acha mesmo que os jovens devem passar por isso para atingir uma meta?

            E a situação só piora se analisarmos outros contextos: Além dos problemas já citados acima e de termos um Ministério da Educação que se omite, criando a falsa ideia de que a injustiça social dominante no país não deve ser levada em conta pois “quem quer consegue”, outros fantasmas se aproximam das escolas brasileiras – um deles é o chamado projeto “Escola sem partido” – Há um interesse muito grande em coibir os professores de incentivarem o pensamento crítico em suas aulas, e sabe qual o motivo? Querem jovens não contestadores, jovens que aceitem estudar em condições precárias, sem merenda, jovens que irão crescer e ser a próxima leva de mão de obra barata. Para quê discutir a realidade social em sala de aula? Para que discutir diferenças e diversidade? Isso é realmente um perigo para os grupos dominantes! Um jovem que lê, que pensa, que se arrisca a falar, a se organizar. Um jovem que vai às ruas protestar pela falta de merenda ou pelo valor do transporte público, que questiona. Um jovem que quer passe-livre. Que quer ter acesso à cultura. Um jovem que não aceita ser mais um número nas estatísticas. O programa “Escola sem partido” quer a todo custo evitar a formação de jovens e cidadãos empoderados. Alegam que professor não é educador. Alegam que existe uma suposta doutrinação marxista em sala de aula. Quem já entrou em uma escola pública periférica sabe o quão difícil seria “doutrinar” um aluno! E uma sala com 45 alunos? Impossível! Numa escola pública que segue os padrões atualmente existentes, o professor tenta a todo custo, contornando mil obstáculos, formar cidadãos pensantes, capazes de analisar seu entorno, capazes de vencer preconceitos e lutar pelos seus sonhos – e nesses sonhos incluí-se logicamente uma vaga na universidade, carreira, realização profissional. Em contrapartida, uma escola nos moldes sugeridos pelo “Escola sem partido”, seria uma máquina de moer pessoas. Um curral de formação de mão de obra não pensante. E sabe o que é mais interessante? Não é sequer uma escola sem partido, é uma escola de partido único! Qual partido? O partido dos que exploram. O partido dos que vendem todos os dias as vidas de milhões de pessoas em troca de dinheiro e poder.

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As forças políticas e intelectuais que se colocam a serviço da precarização do ensino público e da precarização do trabalhador não são neutras – São forças comprometidas com os exploradores em detrimento dos explorados. E o pior: Querem fazer crer que não estão explorando, que tudo é “necessário”.

O dia do estudante infelizmente não deve ser lembrado como um dia de comemoração, mas sim como um dia de luta: Luta pelo direito de pensar, de crescer. Luta pelo empoderamento. Luta contra a opressão imposta por uma falsa moral, por uma falsa ideia de meritocracia. E finalmente, o dia de lembrarmos com orgulho que há sim jovens dispostos a mudar, engajados em movimentos sociais, em coletivos. Jovens que ocuparam as escolas em São Paulo contra a suposta “reorganização escolar” que nada mais é que um desmonte articulado da educação pública. É dia de lembrar aos jovens que pelo Brasil a fora deixam de dormir, caminham quilômetros até a escola mais próxima que eles são vítimas de um sistema injusto e que a melhor forma de vencer seus algozes é estudar, organizar-se, debater e lutar por um amanhã melhor.

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Gosto de compartilhar músicas ao final de cada texto. Durante um tempo acreditei que não poderia mais fazer isso por utilizar a versão gratuita do wordpress, mas o André Hotter do blog do André Hotter me ensinou a voltar a colocar vídeos sem precisar comprar temas ou domínios (Obrigada André).

Enfim, fecho este post com uma canção antiga porém bastante atual quando o tema é educação. Este clipe mostra tudo que uma escola NÃO DEVE SER.

Dia dos professores

Hoje é o dia do profissional mais importante e infelizmente menos prestigiado. Sem ele não seriamos nada além de seres viventes andando sem rumo por aí. É o dia daquele profissional que nos recebeu ainda pequenos em uma sala cheia de crianças e ensinou a cada um as primeiras letras… Daquele profissional que ensinou as bases da matemática para todos, inclusive para os que se formaram engenheiros e projetaram as casas onde moramos. Já parou para pensar nisso? Você que agora está lendo este texto, conversando com o seu amigo pelo “in box” do facebook, lendo uma notícia? Você que acabou de tomar um banho quente e agora está aquecendo o jantar que estava na geladeira?  Sabe a quem você deve cada uma dessas “maravilhas” modernas? Não? Pois é… É a ele, ao professor que um dia ensinou a uma criança as bases das letras, dos cálculos… Incrível né?

            Hoje é o dia daquele profissional que inspira sonhos, mostra caminhos, incita curiosidades. Nem sempre a relação aluno professor é uma relação de amor, porque nem sempre o que deve ser ensinado reflete o desejo daquele que deve aprender. Como ensinar um pequeno gênio da matemática a amar as letras? Como incentivar um esportista nato a aprender cálculos? Um professor, ainda que não mude as preferências de seus pupilos, conseguirá ensiná-los o que precisam aprender fazendo mais suave os caminhos sem, no entanto, negligenciar o aprendizado. Um verdadeiro professor jamais conseguirá modificar a vocação de seus alunos – e jamais tentará fazê-lo pois tem a consciência de que seu papel é e sempre será mostrar estradas e deixar que cada um escolha aquela que irá traçar. E sentirá orgulho igual ao ver formar-se um músico, um ator, um médico ou um matemático, pois verá refletido no brilho dos olhos orgulhosos de cada conquista um pouquinho do que ensinou a cada um que já passou por suas aulas.

            Gostaria de desejar que cada dia seja o dia do professor. Que esse profissional dedicado possa a cada dia olhar-se no espelho e ver refletido em seus olhos a alegria do progresso de seus alunos. Que os profissionais da educação se dediquem sempre a ser mestres, mais que professores e que os discentes se esforcem para tornarem-se pupilos mais que alunos. A todos os professores do mundo, um enorme abraço e um agradecimento profundo pela dedicação diária que faz a diferença na vida de todos nós!

Quem canta seus males espanta.

Já diz a antiga sabedoria “Quem canta seus males espanta”. Ontem, 26/08/2014 em Sessão Solene instaurada para comemorar o “Dia do Coral” (instituído em Santos pela Lei Municipal 2157/2003), foi possível sentir a veracidade do ditado popular. O Teatro Guarani, tradicional na cidade, tornou-se palco para a apresentação de alguns corais, dentre eles o Coral Canto Livre e o Coral Infantil da Legião da Boa Vontade.

            Como integrante do Coral Canto Livre, posso dizer que foi uma grande emoção estar no palco do Teatro Guarani, não só pela oportunidade maravilhosa de cantar, mas, principalmente por ver frutificar em tão bela apresentação o esforço de todos os integrantes, do tecladista Décio e da maestrina, D. Meire.

            Como espectadora, não há como negar a emoção diante da apresentação dos outros corais, especialmente o da Legião da Boa Vontade, formado por crianças e adolescentes.

            Foram ao todo seis apresentações, sendo cinco de corais da cidade e uma da banda infanto-juvenil “Quero”. E a cada canção foi possível sentir a dedicação de todos que ali estavam. Música não é apenas uma fórmula pronta. Cantar ou tocar é dividir um pouco da sua alma com quem está ali para assistir. Cantar em grupo é dividir suas emoções com cada colega em cada ensaio, e, justamente toda essa dedicação e entrega faz com que cantar espante os males da alma. E assistir outras pessoas cantarem faz muitas vezes com que os olhos se encham d’água, lavando a alma das tensões desnecessárias acumuladas no dia-a-dia. Enquanto houver no mundo professores que se dediquem a ensinar a Arte da música e alunos que desejem aprender, haverá uma luz e esperança de um futuro melhor.

            Fica aqui a homenagem a todos os cantores, regentes e músicos que, profissionalmente ou não dedicam seu tempo a aprender, ensinar, ensaiar e apresentar-se, fazendo os dias mais belos e esperançosos!

No vídeo, apresentação do Coral Canto Livre interpretando a canção Ameno, do grupo Era. 

 

LGBT: Até quando será necessário lutar para mostrar à sociedade que o Amor deve ser livre?

LGBT blog

Ontem um trecho da Avenida Ana Costa (Santos/SP/Brasil) foi palco de uma grande concentração de pessoas. Jovens, adultos, homens, mulheres, negros e brancos reunidos por um objetivo comum: Protestar contra a atitude homofóbica. Depois de pouco mais de uma hora confeccionando cartazes, conversando e fazendo amigos, finalmente partem em marcha sob a flâmula do arco-íris e entoando gritos de guerra como “Eu beijo homem, beijo mulher, tenho direito de beijar quem eu quiser”, “homofobia mata”, “Pula saí do chão quem é contra a opressão”, “A nossa luta é todo dia, contra o racismo, o machismo e a homofobia”. Destino? O Bar Toca do Garga, que havia expulsado um casal homossexual do estabelecimento. Foi uma caminhada pacífica, assim como foi pacífica a manifestação em frente ao bar, que terminou num grande “beijaço LGBT”. Mudou a opinião intima dos freqüentadores daquele espaço? Do dono do bar? Acredito infelizmente não, porém, talvez faça com que tais pessoas (e outras que acompanharam o caso todo) pensem duas vezes antes de tomar uma atitude discriminatória.

Foi bonito ver a união. Foi incrível conhecer o movimento Mães Pela Igualdade, formado por mães de homossexuais que querem ajudar a garantir que seus filhos tenham um lugar seguro na sociedade, que não sofram violência física ou moral. É pedir muito? Acho que não. Foi incrível ver heterossexuais por lá também, conscientes de que as diferenças DEVEM ser respeitadas, de que a espécie humana é uma só e todos merecem compartilhar este mundo com igualdade.

É triste pensar que em pleno século XXI a humanidade já conquistou tantas coisas, mas não conquistou ainda o respeito pelo semelhante. Ainda é preciso se reunir, marchar e lutar por um mundo onde o amor seja livre? Onde cada um busque a sua felicidade da forma que melhor lhe apraz? Qual o sentido de discriminar o próximo pelo que ele faz em sua vida pessoal? É engraçado como as pessoas falam tanto em amor, amor, amor e não conseguem aceitar que não existe uma só forma de amar.

Participei do ato de ontem com orgulho e vou participar de quantos atos forem necessários até que a sociedade entenda que o amor não se prende a gênero. Até que seja comum ver pessoas de mãos dadas pelas ruas. Ver beijos trocados nos encontros e despedidas, nos bares, nas baladinhas sem que isso seja motivo de escárnio, ódio ou choque. Até que não mais seja necessário levantar uma bandeira para lutar por direitos. Até que o arco-íris possa ser erguido com orgulho sim, mas não como luta e sim como comemoração!

 

Créditos da Imagem: Julio I.