Poderia

O rádio toca a canção
Que poderia ser a nossa canção
São sombras d’um mundo
Que poderia ter sido o nosso mundo

E o ígneo céu neste fim de tarde
Tinge com o sangue que derrama
Este coração que solitário ama
Esta alma que no fogo da paixão arde

Sombras me invadem e eu não sei
Porque tanta tristeza? Pensei
Que fosse uma longa avenida
Mas o amor foi rua sem saída

E como dói não conversar
Você me fez sorrir e agora o vazio
Veio minha alma tomar
Oh, lágrimas sem estio

(08-11-11)

Esse post faz parte do projeto BEDA – Blog Every Day August. Participam também:

Adriana Claudia Drica – ChrisMariana Gouveia – Lunna Guedes – Obduliono – Ale Helga – Viviane

Minha alma navega sem cais

Já não há mais realidade
Já não há mais ilusão
Já não há mais felicidade
Tudo se mistura numa grande solidão

Você partiu… Deixou lágrimas… Dor
Deixou esse inexplicável amor
Foi insensível
E em meu coração, a saudade é ferida invisível

Já não sinto a chuva fina em meus cabelos
E meus olhos agora são vermelhos
Vermelhos de tanto chorar
Meu corpo é insensível a tudo, só deseja te amar

Ao meu redor… Escuridão
Em meu coração… Solidão
Realidade, ilusão, felicidade não há mais
Minha alma navega sem cais…

Imagem: Internet

Lágrimas

Cristais líquidos
Caquinhos de sentimentos partidos
Sonhos multicoloridos
Que repentinamente quebram-se, pelo chão espalhados

Lágrimas… Não falam
E a dor não calam
Lágrimas são da dor expressão
Lágrimas que a outras lágrimas chamarão

Lágrimas, pequenas gotas de luar
Cristaizinhos de sentimento
Conseqüências de amar
Lágrimas de lamento

Lágrimas que a cada noite rolam
E em sussurros, por você chamam
Caquinhos de um sonho que se quebrou
Multicolorido amor que em minha alma brotou

Lágrimas sobre terras áridas
Incendiadas por perdidas paixões cálidas
Envenenadas pelo amor
Que agora despedaçado, já não é multicor

Coração… Terreno deserto
Lágrimas jamais o reviverão
Sem você por perto
Não há mais amor… Nenhuma colorida ilusão…

12 de Junho

Dia dos namorados
Corações entrelaçados
Juras de amor
Sentimentos declarados
Paixão, sabor e cor

Dia dos namorados é todo dia
É cada sorriso e fantasia
Cada leve toque, cada beijo
Cada sussurrar e desejo

Dia dos namorados
Data dos apaixonados
Sorriso dos que são amados
Lágrimas dos que são esquecidos

12 de junho, dia de sentimentos opostos
De amores expostos
De paixões escondidas
Dia de esperanças perdidas.

69- Dia dos namorados

Sonâmbula de amor

Fecho os olhos para te encontrar
No silêncio vazio da madrugada
Não durmo, tão pouco estou acordada
E o único som que escuto é meu suave respirar

Assim, semi-acordada vejo-te enfim
E minha pele arde, desejando tocar a tua
Minha alma viaja para momentos que não vivemos antes do fim
E como dói esta solidão, esta tristeza nua

Preciso desesperadamente parar de te desejar
Deixar de sonhar contigo, e, ao acordar
Ver apenas tua foto ao meu lado
Tua imagem em meu coração magoado

Não devo te buscar entre os lençóis que tu jamais conheceste
Nem arrepiar-me ao pensar em tua pele aveludada que pouco toquei
Dei-te a chave do meu coração e em algum rincão a esqueceste
Selei meu destino ao teu na primeira vez que te beijei

E assim, com tanta dor e saudade é impossível não sonhar
E em sonhos querer viver
Pois em sonhos posso te amar
E ser teu bem-querer

Vivo sonâmbula de amor
Ardente de paixão
Longe de ti, meu mundo não tem cor
Prefiro então sonhar essa doce ilusão.

(Texto: Darlene R. Faria

Imagem: Internet)

Eu e você

Silêncio… É tudo o que restou
Silêncio e lágrimas
Solidão de quem tanto caminhou
E no teu olhar encontrou doce amor e paixões cálidas

Depois de tudo… Muito ou pouco?
Depende do ponto de vista, o que vejo e o que vês
Pra você, eu e você fomos quase nada… Um delírio louco
Ou uma amena distração, talvez

Eu e você… Nós… Era o mundo pra mim
Era a felicidade em cada manhã e despertar
Eu e você… Se não era pra ser assim
Por que devo ser condenada a ver a cada manhã o Sol brilhar?

Eu e você… Tantas lembranças e recordações
Tanta ternura e emoção
Eu e você… Tempo tão doce que vivi, envolta em doces sensações
Eu e você… Daria a vida por mais alguns segundos desta paixão

Eu e você… Um lapso de tempo, uma quimera?
Eu e você… Juntos… Quem me dera…
Eu e você… Para sempre em minha vida
Eu e você… Esperança atrevida

Eu e você… Para sempre unidos
Eu e você… Momentos amados
Eu e você… Não é esperança… É certeza
De que em algum lugar dentro de ti, nosso amor ainda é chama acesa…

(Poeminha antigo, desencavado de alguma velha gaveta. Imagem Internet)

Capítulo 18

O Colégio Prazer de Aprender era um prédio enorme, localizava-se na Avenida Conselheiro Nébias, em Santos. Era ali que Valeska trabalharia daquele dia em diante. O ambiente era divertido, trabalhava com adolescentes, e relembrava sua própria adolescência. Tinha menos de trinta anos, mas era como se fizesse muito tempo mesmo que havia freqüentado um cursinho pré-vestibular. Adaptou-se rapidamente ao novo trabalho. Nos dias de folga, mantinha-se ocupada, passeava na praia, saia à noite para dançar, procurava não permitir que sua vida caísse no tédio Mesmo assim, sentia falta de ter alguém em quem confiasse para conversar. Ligou algumas vezes para Gabi, mas essa a atendeu friamente. Encontraram-se. Jantaram juntas, foram ao cinema. Gabi pediu para dormir no apartamento com Valeska. Durante a noite, tentou fazer sexo com ela. Ainda não havia percebido que apenas Melissa completaria sua vida. Continuava a entregar seu corpo em troca de migalhas de amor, momentos de satisfação. Valeska chamou um táxi, e pediu que Gabi voltasse para sua casa. Foi a última vez que se viram.

            Em dezembro foi à fazenda. Parecia que nada havia mudado. Aquele quarto, com paredes cor-de-rosa. As bonequinhas na estante, sua colcha de retalhos, já velha e desbotada, mas ainda sobre a cama. Essa colcha era do quarto de Valeska em São Paulo, tantas vezes não amara Marjorie sob ela impregnando-a com o odor de seus corpos quentes. Esse odor perdera-se no tempo, assim como sua vida.

Os pais de Valeska pensavam em vender o sítio. Já estavam velhos e Valeska não era mais uma criança que necessitasse de espaço para expandir-se.. Valeska ia segurando-os, observava que ainda passavam as férias no sítio, que pretendia adotar um bebê em breve, essa criança precisaria de espaço para crescer. Com muito esforço, conseguiu convencê-los a manter o imóvel.

            Aos sete anos, Anne Camille iniciava a primeira série. Marjorie decide colocá-la no Colégio Prazer de Aprender Jr., pois teme que o Pequenos Passos, onde havia estudado até então não seja suficientemente preparado para dar a ela as bases que Marjorie deseja.

            O Prazer de Aprender Jr tem suas instalações separadas do cursinho, sendo localizado na Avenida Epitácio Pessoa. Anne Camille logo se acostuma aos novos amigos e professores. Diana vai todos os dias levá-la e buscá-la,pois a escola onde leciona é próxima.

            Valeska, conversando com Melissa pelo MSN, comenta a falta que sente de ter uma amiga por perto. A solidão a maltrata e muitas vezes ela já havia pensado em desistir de tudo e voltar à São Paulo.Melissa decide pedir transferência para Santos, assim podem morar juntas. Envolta em tanta burocracia, só consegue realmente mudar-se de cidade em dezembro. Mesmo assim, ambas sentem-se melhor estando próximas, dividindo novamente o mesmo lar.

            Nas férias de Julho Valeska viaja para a fazenda. Melissa sabe que Gabi após formar-se nunca mais voltou à sua cidade de origem, por isso, não vê motivos que a levem a viajar com Valeska.

            Conhece Diana através de um chat. Ambas amam crianças. Diana está participando de um projeto educacional voluntário, com crianças entre cinco e sete anos. Melissa decide ir até o endereço indicado, apenas para conhecer o projeto. É uma escola simples, na zona noroeste da cidade, local famoso por ser humilde e esquecido. O projeto consiste em, durante as férias incentivar as crianças a freqüentarem a escola… Realizam passeios educativos, brincadeiras que facilitam a alfabetização, contam histórias, assistem filmes… Melissa, que está em período de recesso do fórum, começa a participar do projeto… Passa seus dias entre as crianças. Diana muitas vezes pergunta-lhe coisas pessoais, se é casada, se ama alguém, se namora… Ela sempre descobre uma maneira de desconversar. Foram férias razoavelmente boas para Melissa.

Valeska pôde aproveitar cada instante daquele contato íntimo com a natureza para renovar suas forças.Gostaria de encontrar Marjorie, apenas uma última vez. Apenas olhar nos olhos daquela que, mesmo longe, domina seu coração. Queria constatar por si mesma a felicidade da amada. É difícil imaginá-la feliz nos braços de um homem.

Trecho do Caderno de Notas de Valeska

(PS: Mais um poema novo, falando de um sentimento antigo, sentimento que faz parte da vida desde o início, atravessa séculos, e, enquanto houver um coração batendo, chamando por alguém, existirá.)

“As ondas quebram nos rochedos.

 Violentas e Cruéis,

Mas nem por isso, menos belas.

O Sol forma uma faixa rosada no horizonte.

É a aurora que chega.

Pássaros da manhã começam a voar.

Iniciam-se mais um dia.

Mais um pedacinho de nossas vidas

Passa lentamente.

A saudade chega a ser palpável.

é tão real quanto essa areia que conforta meus pés cansados.

Bate forte, como as ondas naqueles rochedos.

E tal como as ondas vão aos poucos despedaçando as pedras,

A Saudade vai despedaçando meu coração.

As pedras nunca mais voltarão a ser pedras, tornar-se-ão poeira de pedras

Mas eu juntarei os pedacinhos do meu coração,

Juntarei cada grãozinho.

Para restaurá-lo, apenas uma magia servirá.

Olharei em teus olhos,

Sentirei tua energia,

Ouvirei tua voz.

Abraçarei-te com força e paixão.

Com ternura, com amor.

E, então, tudo volta ao normal.

Meu coração já não estará mais partido de saudades,

Pois a magia do amor uniu novamente seus pedacinhos.

E, à beira dos rochedos,

Choraremos a emoção de mais um fim-de-tarde.

Agradeceremos às Forças Invisíveis

Pelo nosso Amor,

Pela força maior que une nossas almas,

Lamentaremos as rochas,

Que,solitárias vão se desfazendo,

Por não amarem e não poderem guardar seus pedacinhos para serem unidos pela força maior do Amor.

Veremos as aves recolherem-se,após mais um dia…

A noite irá cair.

as águas do mar serão Iluminadas pela Lua.

Que brilhando,saldara nosso Amor,

E,mesmo com todo o seu brilho,

Não brilhará mais do que nós.

Passearemos noite a dentro,

Apenas eu,você,

O mar e o luar.

Então,

Desejaremos o abrigo de nossos corpos,

e,vamos também nos recolher ao nosso ninho.”

            O tempo passa, as férias terminam… Valeska se vê novamente envolta em seu mundo, aulas a preparar, alunos amedrontados com a perspectiva do vestibular, alguns indecisos quanto à escolha da futura profissão, alguns rebeldes. Tudo isso a mantém bastante ocupada e distraída.

Melissa e Diana continuam conversando pelo MSN, às vezes, se encontram, pois o projeto no qual atuaram durante as férias continua em funcionamento durante o resto do ano,mas apenas nos finais de semana.

Apesar de conversarem muito, Diana nunca havia contado à Melissa nada sobre sua família, seu pai,sobre Marjorie.

            Anne Camille tinha os traços de Marjorie, rosto oriental, delicado, uma pequena gueixa. Desde criança, demonstrava que,assim como a mãe,seria uma bela mulher. As únicas características que vinham do pai eram uma pele ligeiramente morena e uma altura mediana, crescia depressa,e ao que tudo indicava,seria mais alta que Marjorie.

            Um dia, Valeska precisou ir até a unidade de educação infantil e ensino básico, pois outra professora havia, por engano, levado seu plano de aulas para lá, após uma reunião.

Eram cinco e meia da tarde e as crianças estavam saindo das aulas… Enquanto esperava a professora que fora buscar sua pasta, observava as crianças. Viu num grupinho especialmente animado uma menina que lhe chamou atenção. Seus olhos lembravam muito Marjorie. Devia ser apenas impressão, coisas de sua cabeça. Pegou a pasta e foi embora.

Nesse dia, se houvesse escutado seu coração e permanecido ali por mais alguns minutos, Valeska teria encontrado Marjorie, que fora buscar a filha para inteirar-se de sua situação no colégio.

 

Caderno de notas de Valeska

“Amor.

Caminho da Vida,

Estrada da Alma.

Flor,

Espinho,

Lágrimas,.

Sorrisos,

Dor e prazer,

Encontro e desencontro,

Prosa e poesia,

Música,

Gravura,

Doçura,

Mais que tudo em nossa vida,

Sonho e realidade,

Auge da loucura e da razão,

Fino véu que separa a alegria e o sofrimento,

Amor.

Maltrata o coração,

Mas sem ele,

Não há sentido em viver,

Amor que buscamos,

Procuramos,

Amor que só encontramos uma vez,

Amor que irá nos guiar para sempre,

Com força…

Vencendo mares bravios,

Escalando as cordilheiras,

Saindo de nossos recantos mais profundos,

Até chegar ao cume de nossa alma…

Dominar nosso coração…

Nossa mente,

Nosso corpo…

Mostrando-nos que não há mais sentido em buscá-lo,

Pois nós não o encontramos…

Ele já está escrito,

Ele nos encontra…

Atravessa Mundos, Dimensões,

Atravessa o tempo,

Atravessa o espaço,

Apenas para nos encontrar…

Cumpre tão longa jornada apenas para tocar nosso coração…

Unir-nos em seus laços…

E fazer com que nossas vidas,

Que seguiam estradas separadas, por vezes opostas,

Se encontrem,

E sigam juntas no caminho que lhes foi traçado…

Se completando,

Se fortalecendo…

E,

Acima de tudo…

“Amando”

Quatro anos se passam.

            Anne Camille, com onze anos, irá iniciar a quinta série.

Sua beleza é estonteante. Quem a olha, imagina que já tem quinze primaveras. As aulas de dança fizeram seu corpo bem torneado e rijo. Por onde passa, todos a olham e os rapazes fazem de tudo para agradá-la, mas ela finge não perceber. .Além de tudo isso,também é uma garota muito inteligente,uma das melhores alunas de sua sala.

            Em seu primeiro dia, conhece a nova professora de Literatura, Valeska, que agora, além do cursinho, lecionava também nas salas entre quinta e oitava série do ensino fundamental.

Aquela menina lembrava-lhe alguém. Lembrava-lhe Marjorie… Não havia como ter acesso à ficha pessoal da aluna, sem um bom motivo para isso. Não podia tampouco, pedir-lhe uma redação falando sobre a família, pois redação não fazia parte de suas aulas.

Os dias foram passando… Arrastavam-se… Logo chegaria a primeira reunião… Conheceria então as mães de suas alunas, e, provavelmente, poderia constatar que andara pensando bobagens, deixara-se levar pela esperança de reencontrar Marjorie e havia ligado seu rosto àquela aluna.

            Melissa havia conseguido realizar um de seus objetivos: agora, era Juíza de Direito. Após prestar o concurso, foi nomeada para uma comarca no Interior, deixando Valeska novamente sozinha em Santos, fazia dois anos que sua vida resumia-se a analisar processos e mais processos. Não havia esquecido Gabi, mas não conseguia imaginar como localizá-la. Poderia recorrer a seus contatos, policiais, detetives, mas não se sentiria bem fazendo isso: Seria como espionar a vida da bem-amada.

Seus recessos eram divididos entre alguns dias no interior, com a família, e outros em Santos, com Valeska.

Permanecia solteira.

            Em São Vicente havia um quiosque famoso por sua alegria e animação, chamava-se Quiosque da Cris, era freqüentado pelo público GLS. Nas noites quentes de verão, estava sempre lotado. A paquera acontecia livremente, lugar bem-frequentado, cheio de gente bonita. Melissa e Valeska decidem ir até lá, em uma bela noite de sábado. Era Dezembro e ambas estavam de férias, e, solteiras,pelo menos socialmente, pois fazia anos que,em seus corações,estavam casadas.

Chamaram algumas amigas, pois não queriam passar a noite toda sozinhas. O lugar estava lotado. Não havia mesas e tiveram que aguardar em uma lista de espera.

            Enquanto observavam, puderam notar em uma das mesas um grupinho especialmente animado. Cinco ou seis mulheres, mais ou menos entre 27 e 30 anos. Entre elas, destacava-se uma bela loura, cabelos longos e cacheados. Sua pele é de um moreno claro, suave e aveludado. Veste-se sensualmente, saia curta, sandália de salto alto, blusa mostrando as costas… Usa uma maquiagem leve, porém, como tudo nela, provocante. Seu olhar e seu corpo exalam sensualidade, mas,observando-a podemos notar uma intensa sede de amor.

            Melissa a olha fixamente. Não é possível. Gabi? Não. Gabi era morena, como explicar esses cabelos tão louros?Talvez, tenha-os tingido.

Após conseguirem uma mesa, um pouco distante do outro grupo, Melissa continua a observar. Percebe que estão todas desacompanhadas. Cochicha algo com Valeska, que após olhar bem, confirma, sim, é Gabi quem está na outra mesa. Melissa não tem coragem de simplesmente ir até lá e dizer “oi”. Todas as amigas que foram ao quiosque com ela e Valeska já conseguiram encontrar alguém com quem passar a noite. Talvez sejam mulheres de sorte, pois, aos quase trinta anos ainda não encontraram um amor verdadeiro, que lhes mostre que, sem estar com quem se ama, não há prazer nem felicidade… Mas, será isso ter sorte?Valeska e Melissa sabem que não. Por mais que o Amor machuque, é preferível derramar lágrimas por amar a viver o deserto de não sentir que, a cada momento, necessitamos de alguém ao nosso lado.

Talvez sejam simplesmente mulheres que isolaram seu coração, para não sofrerem mais desilusões, e, ainda vivem a ilusão da felicidade momentânea de uma noite…

Seja como for, Valeska e Melissa vêem-se novamente sozinhas. Decidem ir embora.

Melissa escreve um bilhete:

“Gabi,

Meu telefone é:

(n° do celular)

Se você quiser saber quem sou eu, me liga.

Pense bem antes de amassar esse bilhete e jogá-lo no lixo. Você pode estar jogando fora a sua felicidade.”

“Alguém”

Pede para uma das garçonetes entregá-lo à Gabi, sem dizer a ela quem havia escrito. Vai até o carro de onde pode observar a reação de Gabi ao receber e ler o bilhete, que é guardado na bolsa…

            Dias depois, o telefone toca. O número é desconhecido. Melissa, ainda sonolenta, atende.

Uma voz sensual, do outro lado da linha:

            -Com quem eu falo?

            -Gostaria de falar com quem?

            -Com a pessoa que, algumas noites atrás, me enviou um bilhete, no Quiosque da Cris.

            -Oi Gabi. Você está falando exatamente com quem quer falar.

            -Como sabe o meu nome?

            -Não importa agora. Vamos marcar um dia, nos encontrar,você vai saber quem eu sou.

            -Não vou encontrar uma desconhecida que fica fazendo joguinhos de anonimato.

            -a escolha é sua…

            -…

            -…

            -Tudo bem… Aonde vamos nos encontrar?

            -Você conhece a Sorveteria La Bamba, na Avenida da Praia, próxima ao canal 4, em Santos?

            -Conheço.

            -Você poderia estar lá, hoje, por volta das 14 horas?

            Era segunda feira, Gabi estava com reuniões importantes marcadas para o dia todo. A agência de turismo era longe do Canal 4,mas,por outro lado..

            -Não posso nem pensar em marcar nada hoje, estou cheia de compromissos.

            -Tem certeza?Não há como arranjar um espacinho nessa agenda tão lotada?

            -Tudo bem.  Pode ser às 15 horas?

            -Pode.

            -Então, até logo.

Um dia eu não estarei mais na tua estrada

Um dia eu não estarei mais na tua estrada
Não seguirei mais tuas pegadas
Seguirei só minha vida desventurada
Banhando os caminhos com as lágrimas derramadas

Um dia eu não estarei mais na tua estrada
Livrar-me-ei das tuas amarras
Não sonharei mais ser tua amada
Fugirei desse amor que me prende em profundas masmorras

Um dia eu não estarei mais na tua estrada
Não farei mais do teu olhar claridade
Nem direi que tu és minha vida
Nem sentirei saudade

Ah… Um dia, um dia eu não estarei mais na tua estrada
Não buscarei mais poeiras do teu amor
Não sentirei dor, não sentirei nada
E no frio, não desejarei teu calor

Um dia eu não estarei mais na tua estrada
Estarei só e tu então talvez te sintas sozinho
Neste dia, serei apenas uma alma apaixonada
Das amarras da vida livre estarei seguindo sem você meu triste caminho…
62 - Um dia eu não estarei mais na tua estrada

O amor é irmão da morte

O Amor é irmão da morte
Quem encontra o amor, morre um pouco
Fica entregue à própria sorte
Sente-se ao mesmo tempo lúcido e louco

Quem ama tem sempre um punhal na alma
E recebe no corpo um doce veneno
E se vê sangrar com tanta calma
Pois esse grande mundo, pra quem ama é pequeno

Quem ama anseia a liberdade
E livre, quer ver-se preso ao destino de alguém
Deseja percorrer o mundo da felicidade
E sempre ir mais além

O amor torna irreal a realidade
Mistura magia, vida e poesia
Faz de cada segundo saudade
Mergulha o coração em fantasia.

61 - O amor é irmão da morte