Passaporte da leitura: Inglaterra

Flores na Chuva e outros contos – Rosamunde Pilcher

O livro de hoje faz parte de dois projetos aqui do blog: É o segundo livro do #desafioliterário2020 #Outubro e é a sétima parada na viagem ao redor do mundo no projeto Passaporte da leitura. Vamos dar um pulinho na Inglaterra?

A sétima parada no projeto “Passaporte da Leitura” é a Inglaterra, país natal de Rosamunde Pilcher, autora nascida na Cornuália – um condado que fica a sudoeste de uma península inglesa – e chegou a servir durante a Segunda Guerra Mundial, ocasião em que teve seu primeiro conto publicado. Após a Guerra, Rosamunde se casou e foi morar na Escócia, onde viveu até seu falecimento, em 2019 aos 94 anos de idade.         

            O livro “Flores na Chuva e outros contos” nos presenteia com dezesseis histórias ricas em sentimentos. A autora de escrita suave e elegante nos envolve no mundo de cada personagem – Do menino órfão de pai que deseja presentear a irmãzinha ao pintor que trabalha como jardineiro sonhando com o dia em que sua arte será descoberta, Rosamunde oferece em suas páginas algo que pode parecer tão comum aos olhos de alguns, mas que é na verdade a coisa mais extraordinária que pode existir: Os momentos da vida humana e seus afetos, ilusões e decepções. Pilcher nos deixa com uma sensação gostosa de suspense no final de alguns contos – Personagens se reencontram depois de longas separações, pendências se resolvem, mas será que haverá o “viveram juntos para sempre”? No início, essa sensação de suspensão pode incomodar, mas depois acaba-se percebendo que o desfecho literal é desnecessário – O leitor ou leitora pode imaginar da forma que melhor lhe aprouver.

            Um ponto que chama a atenção nos contos deste livro é a presença de protagonistas ou personagens importantes femininas em idade madura – Algumas com questões do passado a resolver, outras com personalidades fortes e cheias de sabedoria, as mulheres descritas por Pilcher são intensas e bem desenvolvidas – Suas relações com o amor não são focalizadas como se tudo o que existisse na vida fosse romance: Elas tem amigos, familiares, obstáculos e projetos, algumas já construíram uma vida e procuram um recomeço. Em relação as mulheres, também chama a atenção o fato de não haver as típicas vilãs – Mesmo quando se interessam pelo mesmo homem, elas não entram em disputas acirradas e grosseiras, apenas seguem seus caminhos e lidam com seus sentimentos.

            Os cenários são outro ponto interessante – Pilcher descreve em detalhes, mas sem o exagero que causaria enfado em quem lê. Curiosamente, talvez por ter passado mais da metade da vida na Escócia, as paisagens e pessoas descritas pertencem àquele país.

            Um ótimo livro para presentear as pessoas em aniversários, natais, amigos secretos, pois possui um vocabulário contemporâneo, contos não muito longos e narrativa que possivelmente agrade qualquer pessoa que aprecie uma boa leitura.

            Sobre a Inglaterra:

A Inglaterra é uma das nações que constituem o Reino Unido. O país que faz fronteira com a Escócia e com o País de Gales ocupa a parte central e sul da ilha da Grã Bretanha e mais de 100 ilhas menores. Trata-se de uma monarquia parlamentarista, cuja religião oficial é a Anglicana e o idioma é o inglês, sendo também aceito o córnico, idioma de origem Celta falado na Cornuália.

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Mudando de assunto…

Já foram conhecer um pouco mais sobre a Antologia Amores Virtuais, Perigo Real? Ainda não? Corre lá no site da Editora Quimera! O livro está incrível e toda a renda arrecadada com as vendas do livro físico será doada a uma instituição que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica enquanto a renda do e-book será direcionada à uma instituição de acolhimento para pessoas LGBTQ+. Além disso, o livro está disponível no Kindle Unlimited!

Aproveitem que o Natal está chegando e comprem um livro para presentear seus amigos e familiares! Depois me contem o que acharam do conto “Eu a quero tanto”, de minha autoria!

E-book Físico.

Tia Julia e o escrevinhador

O segundo livro do #DesafioLiterário2020 #Agosto é uma obra do autor peruano Mario Vargas Llosa. O autor soube construir um romance divertido, de fundo autobiográfico, com elementos que causam pequenos choques no leitor. A história principal gira em torno de Varguitas, então um rapaz de dezoito anos, que se apaixona pela tia, Julia, mulher mais velha e já divorciada. O autor complementa o romance com elementos como o trabalho de Varguitas na rádio, onde conhece Pedro Camacho, um boliviano autor de novelas de rádio, muito populares na época. Varguitas estuda direito e deseja ser escritor e morar em Paris, Camacho escreve durante horas e horas seguidas, sem descanso – Llosa utilizou-se de um recurso muito interessante: Os capítulos do livro se alternam entre a história de Varguitas, Júlia e Pedro Camacho, e as histórias das novelas de Pedro Camacho, de modo que hora você está acompanhando o desenrolar de um romance proibido, hora está lendo uma pequena história dramática e por qual motivo não dizer espalhafatosa, que deixa sua continuidade com uma ponta solta, como um momento de suspense sugerindo que haverá continuidade. Llosa sem dúvida é um dos grandes nomes da literatura latino-americana e, ainda que a obra em comento pareça um pouco lenta no início, o autor consegue manter um ritmo agradável, que cativa o leitor e o leva conhecer várias realidades diferentes dentro de um mesmo país: Policiais, religiosos, burguesia decadente, pessoas simples, artistas, burgueses, fugitivos. Cada história se desenrola em seu próprio tempo, até que o leitor começa a notar algo diferente, uns pequenos incômodos, uma incerteza que o fará talvez retornar algumas paginas e depois continuar a leitura com uma sensação estranha e divertida, afinal, os fatos que ocorrem na vida de um autor de novelas incansável uma hora acabam refletindo-se na criação de suas histórias e personagens, ou não? Uma das melhores obras literárias que já caiu em minhas mãos este ano! Do mesmo autor indico também Travessuras da Menina Má, já falei dele aqui no blog.

Esse post faz parte do BEDA – Blog Every Day August

Participam também:

Lunna Guedes, Viviane, Mariana, Ale Helga – AdrianaClaudiaDrica Chris Obduliono

Antologia poética – Augusto dos Anjos

O primeiro livro concluído do #DesafioLiterário2020 #Julho foi uma obra bastante controversa e uma leitura bastante difícil e cansativa, que me fez sentir vontade de desistir pelo caminho e buscar outra leitura – Coisa que não fiz para não carregar comigo aquela frustração ou sensação de não ter valorizado devidamente um grande autor nacional. E posso dizer uma coisa, com muita sinceridade? Ainda bem que continuei, pois o universo de Augusto dos Anjos não é, na minha visão, esteticamente belo, mas sem dúvida é muito rico, então, quando você começar a ler, não desista, apenas siga em frente, pare quando necessário, mas volte a ler!

Augusto dos Anjos foi um poeta paraibano que viveu entre 1884 e 1914; autor de uma única obra, “Eu” (posteriormente republicada com o título “Eu e outras poesias”, Augusto não foi bem recebido pela crítica de sua época – O poeta tece seus versos com grande morbidez, fixando-se na ideia da morte e da incompletude: É comum encontrarmos em seus versos citações do término abrupto e cruel das vidas não nascidas ou ainda infantes: Fetos, óvulos, bezerros. O poeta aparentemente teve fixação pela angustia acerca de tudo que “poderia ter sido”, foi um poeta dos potenciais inconclusos, cuja obra carrega em seus impecáveis versos, o peso do desanimo e do pessimismo. Augusto morreu jovem, aos trinta anos de idade, porém deixou como legado uma obra madura onde tece críticas à sociedade sem perder de vista o rigor formal dos versos e a riqueza de vocabulário onde utilizou copiosamente metáforas, termos científicos e filosóficos. A leitura é por si só bastante complexa e não se esgota com o término da obra, exigindo que o leitor se dedique também a leituras de apoio, como estudos e artigos. Por outro lado, talvez ao leitor que busque apenas um conhecimento básico sobre a obra, numa leitura pelo puro e simples prazer de ler, bastaria adquirir uma versão do livro com um excelente prefácio e boas notas de rodapé – Como é, por exemplo, a Antologia Poética organizada por Ivan Cavalcanti Proença para a coleção Biblioteca Folha, volume cuja leitura eu iniciei no primeiro dia deste mês e concluí hoje, dia dezoito. Confesso que, para mim, apenas a leitura dos excelentes estudos e dos poemas, não bastou, motivo pelo qual, como em outras ocasiões, deixarei as indicações de monografias e artigos que estou lendo aos poucos para mergulhar um pouco mais aprofundadamente no universo do autor.

Bibliografia indicada

DOS ANJOS. Augusto. Antologia Poética de Augusto dos Anjos/Augusto dos Anjos estudos e notas de Ivan Cavalcanti Proença – Rio de Janeiro Ediouro; São Paulo: Publifolha, 1997. – (Biblioteca Folha;24)

FERREIRA. Renan Mendonça. Conteúdos temáticos e ideológicos em Augusto dos Anjos.  Disponível em http://dspace3.ufes.br/bitstream/10/3240/1/tese_4543_.pdf

FONSECA; Deize Mara Ferreira. Sentir com a imaginação: Edgar Allan Poe, Augusto dos Anjos e um gótico moderno. Artigo publicado na revista Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 44, n. 2, p. 40-48, abr./jun. 2009, disponível no site revistaseletronicas.pucrs.br

SABINO. Márcia Peters. Augusto dos Anjos e a poesia científica. Disponível em http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/LinguaPortuguesa/marciapeterssabino.pdf

#DesafioLiterário2020 #Julho

Chegamos ao sétimo mês do desafio literário e eu confesso que quando tive a ideia de sortear os livros quis sair da zona de conforto literária e diversificar as minhas leituras, e até deu certo, mas, no fundo no fundo eu acabo sempre lendo dentre os cinco livros sorteados, o que tem mais afinidade com os estilos que já gosto. E esse mês, depois de fazer o sorteio, percebi que estou com muitas dúvidas sobre o que eu irei ler primeiro e quase nenhuma sobre qual livro vai ficar por último e talvez nem seja lido (Afinal, eu ainda não consegui ler os cinco livros sorteados dentro do mesmo mês). Bom, sem mais delongas, vamos falar dos títulos sorteados para o desafio deste mês.

Antologia Poética – Augusto dos Anjos. Não tem muito que comentar: Uma antologia de um grande poeta! Livro bem pequeno, com certeza será lido entre um capítulo e outro de alguma outra obra.

Tia Julia e o escrevinhador – Mario Vargas Llosa. Vocês não tem ideia do quanto eu estava torcendo para esse livro ser sorteado! Desde que li (e já resenhei aqui no blog) Travessuras da Menina Má, fiquei com vontade de ler mais livros do autor. A escrita dele é muito gostosa de acompanhar.

Se houver amanhã – Sidney Sheldon. Há quem ame, há quem odeie. Sidney Sheldon é aquele autor de Best- Seller que (até onde eu li) não escreveu nada profundo ou requintado, mas consegue envolver o leitor em suas tramas, fazer com que haja um apego especial com a personagem. Já li vários dele na minha adolescência (inclusive esse).

Chico Buarque – Wagner Homem. Chico é um compositor/escritor necessário em nosso país e ler sobre sua vida e obra é com certeza uma experiência muito interessante.

Todos os animais merecem o céu – Marcel Benedeti. Um livro de cunho espiritualista, geralmente o tipo de leitura que eu não costumo me dedicar muito, então já arrisco dizer que irá ficar por último ou voltar para a estante sem ser lido – apesar de o tema ser interessante.

Vocês conhecem ou já leram algum dos títulos? Quais são as metas de leitura pra esse mês de Julho?

Passaporte da leitura: China.

O segundo livro do #DesafioLiterário2020 #Junho também faz parte do projeto Passaporte da Leitura, que em sua sexta parada visita a China através da escrita de Da Chen. É o primeiro livro de autoria de um chinês que leio e isso me fez pensar bastante sobre a aparente predominância dos norte americanos no mercado editorial – Muitos Best-Sellers são oriundos dos Estados Unidos e eu não desejo levantar aqui uma bandeira anti-americana (muito embora eu o faça em diversos outros campos), mas sim a questão: Onde estão as outras vozes da cultura mundial? Eu sei que elas existem e que produzem arte, mas por qual motivo a arte e a literatura chinesa, indiana, africana ou vietnamita (só para citar alguns exemplos) não nos é bombardeada em vitrines destacadas, resenhas e propagandas na web como ocorre com tantos livros produzidos na terra do “Tio Sam”? E por qual motivo uma boa parcela de nós se acostuma a essa realidade de forma tão rápida? Levantados estes breves questionamentos, vamos falar sobre o que mais nos interessa: O livro.

Na China pós Revolução Cultural, nascem dois meninos filhos do jovem general Ding Long. Um dos meninos, Tan, o filho legítimo, cresce com todo o conforto de sua posição, recebendo de sua família a estrutura necessária para que se torne um dos poderosos homens do governo, talvez o futuro presidente. O outro menino, Shento, o bastardo, é encontrado preso numa raiz de árvore no penhasco do qual sua mãe pulou quando entrou em trabalho de parto. Ambos crescem e enfrentam seus destinos, diretamente afetados por intrigas e fatos políticos que os levam a inesperadas reviravoltas, como se percorressem estradas paralelas até o momento em que, seus atos começam a afetar um ao outro, iniciando um conflito que irá atingir seu pico quando a disputa política fica em segundo plano diante da disputa amorosa: Tan e Shento lutam pelo amor de Sumi Wo, uma órfã idealista e corajosa que acaba por desencadear uma nova reviravolta nos destinos das personagens. É interessante notar que o autor, nas entrelinhas, aparentemente posiciona-se contra o sistema comunista e utiliza a personagem beneficiada pelo sistema (Tan) para criticá-lo, por outro lado, ainda que com uma crítica menos veemente, Tan desnuda um pouco das mazelas capitalistas quando chega em Nova York e precisa trabalhar lavando pratos em um restaurante. Um outro detalhe é a ponta solta sobre a irmã da personagem Sumi Wo: Qual o motivo do autor tê-la citado, relatando que chamava-se Lili e foi adotada? Teria sido a irmã de Sumi o primeiro amor juvenil de Tan? E caso sim, qual fim levou a menina? Talvez, deixando essa ponta solta, o autor tenha aproximado ainda mais sua narrativa da realidade, onde nem sempre sabemos os finais das histórias de vida que nos cercam. Da Chen esbanjou talento ao construir personagens complexas que impedem o leitor de tomar o partido de um ou de outro, uma vez que ambos apresentam contradições e motivações válidas para seus atos. Em uma obra repleta de romance, beleza, poesia, equilibrado perfeitamente com doses de ação, política, violência e intrigas

Sobre o autor e sobre a China

Da Chen nasceu na China e emigrou para os Estados Unidos aos 23 anos, formando-se em direito. Atualmente continua vivendo no estado de Nova York com a esposa e os filhos.

A China (capital Pequim) é o maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo. É atualmente uma república socialista, governada pelo Partido Comunista Chinês, tratando-se de uma experiência socialista duradoura e ao mesmo tempo, com características diferentes dos outros países socialistas existentes no mundo. Importante salientar que 86% da população apoiam  e estão satisfeitas com o rumo do governo de seu país, de acordo com pesquisa realizada em 2008. Também é importante lembrar que a história chinesa é longa, principalmente se pensarmos que sua unificação se deu em 221 a.C, ou seja, seria impossível traçar aqui um “breve relato histórico”. Por ser um país de dimensões continentais, apresenta uma grande variação no clima e tipos de vegetação e solo, assim como nos dialetos falados pela população. O país chama a atenção por ter uma economia em franco crescimento e, infelizmente, por questões ligadas ao meio ambiente, que necessita de mais atenção por parte das autoridades. Outra curiosidade é que, apesar dos belos templos budistas, 42% da população chinesa se reivindicam agnósticos ou ateus na atualidade.

Cyrano de Bergerac – Edmond Rostand

O segundo livro do #DesafioLiterário2020 #Maio é, na verdade, uma peça de teatro escrita em 1897 pelo francês Edmond Rostand. A edição que tenho em mãos foi traduzida por Ferreira Gullar e encenada pela primeira vez no Brasil em 1985, no Teatro Cultura Artística, em São Paulo. A obra é uma comédia que retrata a história de Cyrano de Bergerac, um soldado e poeta francês que, apaixonado pela prima Roxana, não tem coragem de declarar seu amor por ela e acaba ajudando-a a casar-se com Cristiano, pelo qual a moça nutria uma paixão, escrevendo as cartas com que o rapaz fez a corte a ela. O enredo pode parecer pouco interessante em um primeiro exame, porém, em uma breve pesquisa, algumas curiosidades tornam a leitura um pouco melhor. A primeira é que, Cyrano de Bergerac não é uma personagem ficcional, e sim um escritor Francês que viveu entre 1619 e 1655, entrou para o exército, duelou inúmeras vezes (muitas delas em conseqüência das freqüentes provocações recebidas devido ao seu nariz grande) e escreveu livros de sucesso na época – sendo ele o primeiro autor a imaginar uma viagem espacial. Cyrano morreu pobre e doente, não tendo se recuperado completamente de um ferimento na cabeça causado por uma viga que o atingiu num acidente. Diferente do que narra a peça, não há evidências de que o autor tenha escrito cartas para a prima se passando por Cristiano – Esse sim apenas uma personagem ficcional criada por Rostand.

Outro dado interessante, sobre a peça teatral original: Edmond Rostand escreve o texto em versos alexandrinos (dodecassílabos), no que não foi seguido por Ferreira Gullar, que, ao traduzir, utilizou apenas versos decassílabos e rimas livres, mais adequadas ao nosso idioma segundo o tradutor.

A leitura e posterior pesquisa despertaram interesse pela leitura das obras de Cyrano, História Cômica dos Estados e Impérios da Lua e História Cômica dos Estados e Impérios do Sol, publicados em 1657 e 1662, respectivamente (infelizmente, até o presente momento não os encontrei para venda ou download), ou seja, a personagem da história acabou despertando mais interesse do que a obra de Rostand em si e, para sanar essa injustiça literária, o próximo parágrafo apresenta alguns dados e curiosidades sobre ele.

Edmond Rostand nasceu em Marselha no ano de 1868, filho do jornalista e poeta Eugène Rostand, ganhando aos 19 anos um prêmio na Academia de Marselha por seu ensaio Dois Romancistas de provence, Honoré d’Urfé e Émile Zola. Embora sua primeira peça teatral tenha fracassado, Edmond persiste e produz uma obra relativamente vasta, composta por peças teatrais e poesia e, embora em sua biografia resumida existam relatos de outras peças marcadas pelo fracasso, o mesmo não se pode dizer da peça Cyrano de Bergerac, que alcançou grande sucesso, contabilizando em 1913 a milésima apresentação. Suas poesias também foram bem acolhidas pela crítica, sendo inclusive um livro de poemas sobre a Primeira Guerra Mundial – Le Vol de la Marseillaise – sua última obra escrita, antes de contrair a gripe espanhola e falecer em 1918. Para quem quiser se aprofundar mais, indico o artigo Literatura, teatro e Cinema em Cyrano de Bergerac: Um diálogo interartístico” que trata da interação entre teatro, literatura e cinema. Outra indicação interessante é o artigo Viagem à Lua: Utopia, viagem imaginária e o mundo de ponta cabeça em Cyrano de Bergerac, onde são explorados os significados literários da viagem à lua. Quem deseja saber um pouco mais, porém não deseja ler um artigo longo, a reportagem da BBC, O homem que imaginou naves espaciais em 1657 também é interessante.

Sobre Edmond Rostand, não encontrei até o momento artigos complementares para compartilhar por aqui, e, numa rápida busca, encontrei seu último livro à venda pela “bagatela” de R$162,72, o que, com todo o respeito, o coloca fora do alcance da maioria dos leitores (ainda mais se considerando a publicação em idioma original, ou seja, francês).

Os livros indicados no #DesafioLiterário2020 #Maio estão neste post , e o primeiro livro lido no mês de Maio está neste post.

Histórias Fantásticas

O primeiro livro concluído no #DesafioLiterário2020 #Maio é a coletânea Histórias Fantástica, da editora ática. O livro, que é o 21º volume da coleção “Para gostar de ler”, traz histórias de autores como Edgar Allan Poe, Lima Barreto, Guy de Maupassant, Moacir Scliar, Charles Dickens, Frans Kafka, Murilo Rubião e Modesto Carone, mesclando nomes consagrados da literatura brasileira e da internacional. É um livro de leitura bem fácil – Sabe aquele livro que uma pessoa pode terminar em um dia? Então, é esse. Por ser composto por contos, não é necessária uma leitura linear ou mesmo longo tempo ininterrupto, o que favorece a leitura naqueles  15 minutinhos de descanso após o almoço, o  tornando indicado pra quem ainda não tem o hábito da leitura. Também é um bom presente para adolescentes, por apresentar histórias curtas e intensas, capazes de exercitar a imaginação. Apesar de não ser uma grande apreciadora de alguns tipos de histórias fantásticas (O que pode parecer bem irônico tendo em vista que há assuntos no campo do terror e da fantasia que me prendem por horas a fio), tenho que admitir que apreciei muito a leitura, pois é inegável a qualidade dos textos.

Conheceu o blog agora e quer mais informações sobre o #DesafioLiterário2020? Corre que dá tempo de participar, é só clicar aqui.

Quer saber quais foram os livros dos outros meses? Dá uma espiada:

Janeiro, Fevereiro, Março, Abri e Maio.

#DesafioLiterário2020 #Maio

Quem está conseguindo cumprir o #desafioliterário2020? Como foram as leituras do mês de Abril? Conseguiram ler pelo menos um livro? Falaram sobre a leitura com os amigos, através das redes sociais? Não sabem nem do que eu estou falando? (Se não sabe, clica aqui pra descobrir)! Bom, por aqui consegui novamente ler apenas dois dos cinco livros e já postei os resumos — Um deles foi “O Pássaro Pintado”, livro polonês incrível cuja resenha teve muitos comentários aqui no blog; o outro livro foi Marília de Dirceu e o post dele foi feito apenas no Instagram pois já havia uma postagem falando sobre ele aqui no blog (quer ler? Clique aqui). E, quando eu ia começar a ler o próximo livro, percebo que chegamos ao final do mês de Abril – Vamos falar a verdade: Essa quarentena está me deixando totalmente sem noção de tempo, em consequência, novamente fiz o sorteio sem gravar o vídeo! Então, vamos conversar um pouco sobre os livros desse mês?

Dom Casmurro – Machado de Assis

Quem nunca leu esse super clássico? Aliás, o que acham, Capitu traiu ou não traiu?

Madame Bovary – Gustave Flaubert

Anos atrás li esse livro e também assisti ao filme, cheguei a falar sobre num post aqui no blog. É uma história interessante, com alguns tópicos pontuais que me incomodam um pouco. É um clássico que vale a pena ler.

Cyrano de Bergerac – Edmond Rostand

Uma peça teatral francesa, traduzida pelo nosso saudoso Ferreira Gullar. É um livro pequeno e eu realmente não sei o que esperar da leitura.

El derecho de la humanidad a existir – Fidel Castro

Essa coletânea fantástica dos melhores discursos do líder Cubano Fidel Castro é maravilhosa, já li uma boa parte desse livro assim que ganhei, e isso me exigiu muito esforço, pois não é um exemplar traduzido. Valeu a pena a leitura e me convenceu que temos muito o que aprender com Cuba – Só sinto imensamente que o comandante Fidel tenha falecido sem que eu tenha tido a alegria de conhecê-lo.

Histórias Fantásticas – Vários autores

Uma coletânea curtinha de histórias fantásticas, de vários autores, indo de Alan Poe até Lima Barreto. O livro parece ser bem simples, pois é da série “Para gostar de ler”, voltada para adolescentes. Vou priorizar a leitura desse livro no desafio para poder doar/trocar assim que a quarentena acabar (Já era a intenção quando peguei esse livro em um grupo de trocas de livro).

E vocês? Quais são os planos de leitura para o próximo mês?