#TBT – Flores

“Flores! Para enfeitar nossa jornada, para perfumar, colorir. Tê-la ao meu lado é cultivar no Jardim da vida a rara flor do amor – Amor que colore, perfuma e alegra nossos caminhos. Amor que faz sorrir e também faz chorar. Amor que derrama o sangue de nossas almas – Pois, como qualquer rosa – Possui espinhos. Amor, simples e profundamente, amor e nada mais, amor que é tudo, que nos guia, alimenta nossa alma, amor. Amor, que como todas as flores, no inverno perde as cores, o verde das folhas. Amor que pensamos estar morto nos longos meses do inverno, da distância, mas no fundo sabemos que ele nunca morre, pois, sem ele, nada somos. Sem ele, a vida nada é. Amor que retorna na primavera do reencontro, atinge novamente seu ápice, faz-nos reviver, sonhar! Amor! Motivo maior da existência, pureza da água cristalina, brilho das estrelas, estrada da alma, estrada que sigo a teu lado, mesmo distante, sempre perto de ti, sempre pelo mesmo caminho. Você é meu amor, flor que enfeita e perfuma minha existência, minha estrada e meu motivo para segui-la, sem medo, embora não saiba para onde sou conduzida, com a confiança de que, qualquer lugar ao teu lado é o paraíso.”

29-04-2009 (Escrito para o romance Valeska)

Esse post faz parte do BEDA: Blog Every Day August. Participam também:

Ale HelgaLunna GuedesVivianeChris Mariana GouveiaObdulionoDricaClaudia

A vida

“Bambino, eu estava pensando sobre a vida e sobre tudo que ela carrega de mistério. Estava lembrando tantos momentos bons, pensando em todas as suas filosofias e em tudo que aprendi contigo. Sabia que, em pensamento ou em papel, eu te escrevo uma carta todos os dias? Hoje, sem nenhum motivo especial, me deu vontade de pensar e falar sobre a vida. Queria estar sentada contigo agora em qualquer lugar de sombra, mesmo que fosse numa beira de canal. Queria, mas não estou. Tudo bem, eu consigo imaginar isso e escrever. Sigamos. Quem sabe qualquer dia desses a gente não lê esse texto juntos? Mas o que é a vida afinal, Bambino? A vida é essa coisa que acontece entre a poesia e a luta. É esse tempo que escorre pelos vãos dos dedos e pelas lágrimas derramadas na saudade de um amor que jamais será esquecido. Quem disser que é fácil, tá mentindo. Quem disser que é sempre bela, só quer ser gentil. Apenas uma coisa é certa – A vida é única e cada dia passado não é um dia a mais e sim um dia a menos, então, siga em frente em passos firmes e abrace em cada esquina as dores e os sorrisos que surgirem. Escreva poesias com as suas lágrimas se chorar, escreva rimas com o sangue do seu coração caso ele venha a se partir e siga em frente pois a batalha é longa e a vitória, apesar de não ser certa, está lá esperando por você – Aproveite o percurso e se cuide para que a sua caminhada seja longa e cheia de histórias pra contar. Bambino, leve o coração leve isso vai deixar a sua alma mais leve e abrir espaço para bons sentimentos. E por falar em bons sentimentos, carregue sempre essa energia boa que você tem e espalhe amor pelo mundo. Espalhe sorrisos, mesmo que sua alma tudo esteja cinza, espalhe flores mesmo que seus jardins pareçam secos. Ame acima de tudo! Os jardins da alma sempre florescem novamente, apesar das cicatrizes. Abrace alguém se puder. Não tenha medo ou vergonha de chamar alguém para conversar sempre que precisar. E no final do dia se jogue na cama com a certeza de que deu o seu melhor para o mundo e saiba que é a melhor parte do mundo de alguém. Independente do que seja a vida, há uma certeza que eu carrego e desejo que nunca se esqueça:Você merece o melhor!”

A maior paixão do mundo-A história da freira Mariana Alcoforado e suas cartas de amor proibido

A obra é resultado de uma pesquisa de três anos realizada pela artista cênica canadense Myriam Cyr. A autora debruçou-se sobre o mistério que cerca as chamadas Cartas Portuguesas, publicadas pela primeira vez na França em 1669. As cartas, escritas pela freira portuguesa  Mariana Alcoforado a um amante francês, o cavaleiro Chamilly, causaram um grande impacto ao serem publicadas –  tanto pela intensidade das palavras quanto pela suposta autora ser uma freira – suposta por ter sido possivelmente esta a intenção do editor na época, causar dúvida sobre a veracidade dos escritos, que devido a questões legais vigentes na época, foram publicados em uma antologia em nome de Guilleragues, o que  posteriormente dificultou bastante a comprovação da veracidade do  documento.  Outro fato que  levou os estudiosos a questionarem a autoria das cartas é o fato de que, na Europa do século XVII, não se acreditava que mulheres fossem capazes de produzir obras dotadas de verdadeiro espírito artístico. Há também dúvidas sobre como as cartas de Mariana teriam tornado-se públicas, uma vez que seu amante não era homem dado a comportamentos vis; o mais provável é que Chamilly tenha confidenciado seu romance e mostrado as cartas a um amigo que as copiou e mostrou-as nos salões franceses, onde pessoas da sociedade se reuniam para debater política, arte e filosofia e daí em diante a história de ambos tenha circulado até acabar publicada. Uma freira envolvida sexualmente com um soldado era um escândalo e tanto e, a falta de documentos sobre a vida de Mariana possivelmente seja fruto de uma tentativa de apagar seus rastros.  Os escritos de Mariana retratam a dor da perda de uma paixão lancinante, fatal sendo uma infelicidade que as originais tenham se perdido no tempo, bem como é digno de pesar não termos as cartas escritas por Chamilly.

Myriam Cyr consegue traçar um panorama preciso da história e dos costumes vigentes na Europa durante o século XVII, trazendo em apenas 222 páginas o retrato precioso de uma época, sem perder de vista toda a delicadeza de um amor impossível. A autora, inclui as cinco cartas escritas por Mariana a Chamilly, bem como alguns dos madrigais de autoria de Guilleragues que foram publicadas com as cartas em sua primeira edição, além disso, Cyr inclui  também as “trinta e duas perguntas sobre o amor”, que circulavam nos salons (salões) para que os convidados as debates. A obra conta também com uma admirável e detalhada bibliografia e notas que elucidam os fatos históricos expostos e resumem a biografia das personalidades que de alguma forma participam da história de Mariana e Chamilly.

A maior paixão do mundo

Título: A maior paixão do mundo-A história da freira Mariana Alcoforado e suas cartas de amor proibido.
Autor: Myriam Cyr
Ano: 2007
Número de páginas 222
Editora Casa da Palavra

Sobre solidão, bolo, livros e aplicativos de celular

Mais um dia frio. Um domingo gelado com o coração apertado de saudades. Apesar da melancolia, foi um dia produtivo. Usei aquele aplicativo legal, o Forest, que bloqueia o celular por um tempo para te impedir de perder o foco – Uma hora estudando violão, depois mais uma, depois mais uma. Quando foi que a vida ficou tão ligada a um celular que precisamos usar um aplicativo pra não olhar o aparelho? Não sei… Mas dizem que esse aplicativo planta árvores de verdade conforme a utilização, então, ok, uso ele quase o tempo todo – afinal, coisa rara é eu receber alguma mensagem interessante mesmo. Talvez, ironicamente eu esteja viciada em um aplicativo pra curar o vício em celular – engraçado, não? Em seguida, uma hora de leitura, um livro finalizado, um banho quente. E então, aquela ideia: Fazer um bolo. Bolo de laranja. E que tal laranja com maracujá? A cozinha é um lugar quentinho, repleto de histórias e sabores, um lugar mágico para esquecer por algumas horas os tons de cinza que cercam a vida e a falta de sabor do dia a dia. Acho que já comentei outras vezes o quando cozinhar significa pra mim, certo? Bolo pronto, cama arrumada – já são mais de dez da noite e amanhã a semana recomeça. Mas o sono ainda está longe, longe… E como tantas vezes o único remédio que espanta todo o tédio de mais um dia que se arrastou é pegar o caderno, apostila, livro, lápis e borracha e estudar – sim, a verdade é que apesar de tudo, nunca fui nerd, sempre fui profundamente entediada.E lá vou eu: Um pedaço de bolo, meu ursinho de pelúcia, material de estudo, jogada na cama e pronta pra mais uma hora longe do celular e mergulhada nas tarefas (espero que a essas alturas minha professora esteja orgulhosa de mim) – Mas antes de bloquear tudo, uma foto – afinal, quando o período de estudo acabar, vou ter algo pra escrever – nem que seja o relato de um dia tedioso, um bolo gostoso e o desejo permanente de que aquela pessoa especial pudesse estar por perto pra dividir um pedaço desse bolo com um café quente e um sorriso cheio de mistérios. #DiáriosdaPoetisa

(10/06/2018)

 

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Um conto de céu, muros e incertezas

Estava escuro lá fora. Ela encarava o céu buscando encontrar uma resposta, uma direção ou um pouco de paz – O céu, por sua vez, parecia encará-la de volta, sério e compadecido da angústia que a envolvia. O relógio corria tão rápido, mas não tão rápido quanto o pulsar de seu coração. Havia passado anos construindo um muro alto ao redor de seu coração – um espaço seguro com janelas pequenas, de onde podia ver o mundo sem se ferir. Ela pensava estar segura, protegida. Seu coração era seu castelo, habitado por poucas pessoas que jamais a magoariam – família e uns poucos amigos amados. E então, naquela noite, aconteceu – aqueles olhos onde sempre encontrara amizade e pureza haviam se tornado tentações, lagos profundos, recantos convidativos. E ela mergulhara… Seus muros não eram tão fortes afinal, seu coração não estava tão protegido como havia imaginado. O toque da pele dele ainda queimava sobre a sua, e, aquela noite de primavera, aquela rua escura, aquele espaço-tempo que vivera, ainda habitavam seus sonhos, seus pensamentos e seus suspiros. Olhou novamente o céu – Era sábado. Havia passado poucos dias, nem uma semana. O tempo ainda iria fazer seu trabalho e transformar aquela memória em um devaneio, algo que poderia ou não ter acontecido. Talvez, em um futuro distante, ela conseguisse até mesmo acreditar que fora apenas imaginação. Naquela noite, ela olhou uma última vez para o céu, fechou a porta e pegou o caderno para escrever – queria deixar registrada a onda de emoções que a estava invadindo naquele momento, a verdade é que sabia que era melhor esquecer, porém seu coração desejava apenas mergulhar novamente, sem precisar voltar à superfície. Mergulhar até que os muros que havia construído fossem se dissolvendo e a deixassem livre para nadar no oceano de incertezas de um afeto romântico e doce. Ela ouviria seu coração que pedia mergulhos profundos ou a lógica que lhe assoprava aos ouvidos para que aumentasse suas proteções – se ainda houvesse tempo para isso.

07-10-2017

Música e poesia

Música e poesia

 O brilho de um olhar
O Sonhar
A música no ar
A eletricidade no coração
Pulsante como uma canção
Emoção

O sonhar e o suspirar
Um lapso no tempo
Sentimento
O mundo poderia parar
Naquele momento

E em poesia
No fim do dia
Um momento imortalizar

(27-10-2013) “As cartas que você não leu”

 

Venturosa é a alma que ama

Venturosa é a alma que ama
Pois venturoso é o destino
De quem certo nome chama
Entregue ao delírio, paixão, desatino

Ditoso o dia solitário nas ruas
As lágrimas que estampam dores cruas
O cabelo solto ao vento
A triste caminhada ao relento

Ditoso mar de paixão
Tormentoso por onde navega o coração
Oceano de fogo e lágrimas sem rumo certo
Entregar a vida ao mar aberto

Doce é a linha do horizonte
Que em seu olhar se esconde
Distante ilusão, miragem
Que ao nada me conduz nesta viagem

E em tuas lembranças
A alma se perde deleitada
Quando renasce a esperança
De ser tua bem amada

(2013)

uma-carta

Sonha, poetisa

dormindo-nas-nuvens-1Sonha poetisa, sonha que o sonhar
É artimanha da alma saudosa
É centelha que vem a escuridão alumiar
É intenso momento, alegria preciosa

Sonha poetisa, sonha com aquele
Que queres só para ti, que queres ser só dele
Sonha com os beijos, sonha com a doçura
Viva teu amor, pois nos sonhos não há censura

Poetisa menina,sonha com teu amado
Aguarda o momento de estar ao teu lado
Deseja-o como a ninguém havia desejado
E entrega-lhe o amor que a ninguém havia entregado

Sonha com o doce momento
Em que triunfará intenso sentimento
E àquele que certo dia tua alma roubou
Entregará teu corpo como ternamente sonhou

Sonha poetisa, que triste é a realidade
E tão triste é a saudade
E o tempo que se arrasta, não passa
E desfaz o sonhar como fumaça

(2013)

Livro versus série: Ligações Perigosas

Recentemente a emissora Globo exibiu uma série intitulada “Ligações Perigosas”. Talvez muitos não saibam, mas trata-se da adaptação de um livro de mesmo título, escrito por Chordelos de Laclos em 1782. Na versão exibida pela emissora, a história foi “deslocada” no tempo, passando-se na década de 1920. Os nomes das personagens foram “abrasileirados”, bem como houve algumas alterações drásticas no destino das personagens principais. A adaptação deixa muito a desejar em matéria de vocabulário, o que infelizmente não é incomum acontecer, entretanto, não há que se negar a qualidade do elenco, bem como os primorosos cenários e figurinos.
Infelizmente, assim como acontece na história original, há passagens que denotam machismo e toda a sorte de torpezas humanas – afinal, a inocência é utilizada o tempo todo como prêmio e meio de vingança. Brutal como é a realidade, Ligações Perigosas não é uma série para crianças ou pessoas muito sensíveis. O livro, pelo contrário, é, apesar de brutal, bastante poético. É um romance epistolar não muito volumoso e bastante agradável de se ler. Talvez leitores jovens o achem enfadonho devido ao vocabulário já antiquado, porém, os que se permitirem adentrar as páginas com a mente e o coração abertos não irão se arrepender.
Na minha opinião o livro é muito melhor que a série exibida pela televisão pelo simples fato de ser a obra original e também por exercitar o vocabulário e a imaginação, além disso, o desfecho do livro é mais duro, triste e, acima de tudo, aparenta casar-se mais com a realidade do tempo em que a história se passa.

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Sobre o que estou ouvindo enquanto escrevo este texto:

Quando li “Ligações Perigosas” apaixonei-me pelo livro e por algum tempo pesquisei um pouco sobre a época em que se passou a história. Para quem gosta de música, pesquisar acerca de determinada época inclui necessariamente conhecer canções deste período e em um dos meus momentos de fuça-fuça, me deparei com Johann Nepomuk Hummel (1778-1837) e me apaixonei por algumas de suas canções, dentre elas a estou ouvindo enquanto escrevo estas linhas.

Um sonho, uma lembrança e outra carta que jamais irá ser lida

Bambino… Novamente escrevo palavras que não irá ler. Sonhei contigo esta noite – estávamos novamente de mãos dadas e você sorria diante dos meus olhos envergonhados.  Acordei entre o calor frio das cobertas e me dei conta de que fora apenas sonho. Realizar-se-ia tal sonho dentro de algumas horas? Eu descobriria ao final da tarde. Tuas mãos não embalaram as minhas mas a lembrança do sonho me fazia ruborizar. Eu sorri, você sorriu. Não falamos sobre domingo nem sobre como nossas mãos haviam se buscado. Falamos do sol, do tempo, dos professores, da música, de outras pessoas que não nós. E foi em meio a esta conversa que vi naquele canto do quadro de avisos o anúncio de uma apresentação no Teatro Municipal e sugeri que fôssemos assistir no dia seguinte, ou seja, amanhã. Bambino, eu juro que não pretendia te chamar para sair. Não pretendia estar sozinha contigo mas não tenho coragem de chamar ninguém… Será que amanhã tuas mãos irão procurar as minhas novamente ao som de alguma canção? Não canso de lembrar daquele momento, Bambino, eu não canso de pensar em você e isso enche meu coração com um misto estranho de medo, angústia e, acima de tudo, alegria. Alegria ao lembrar de cada momento em que fiz do teu sorriso a minha paisagem mais bela, alegria ao reler as mensagens de texto que você já me enviou – mesmo aquelas mais bobas, me perguntando coisas sobre as aulas. Eu poderia perder um caderno com todas estas cartas perto do teu material de estudo assim talvez você lesse, talvez  entendesse a bagunça que fez e faz por aqui toda vez que eu te vejo e teu olhar invade o meu mundo como um furacão que tira tudo do lugar e me faz ter uma vontade insana de segurar a tua mão e não soltar nunca mais. Uma vontade de te proteger do mundo ao mesmo tempo em que mergulho fundo no Universo que você me fez conhecer. Contraditório né? Te proteger do mundo ao mesmo tempo em que mergulho fundo na vida que você me deu… Isso é só o começo de tudo que é contraditório, confuso, doce e lindo. Isso é só a ponta do iceberg de sentimentos que não consigo explicar quando estou ao teu lado. Bambino, eu escrevi uma poesia quando te conheci. Escrevi uma poesia quando segurou minhas mãos e, sabe o que eu percebi? Que não consigo me preocupar com rimas ou métricas quando escrevo para você. Não é possível represar tudo que me invade e as palavras nascem dos meus pensamentos e dos meus dedos em uma velocidade incontrolável, juntamente com lágrimas de uma emoção que não consigo disfarçar. Amor. Essa palavra de quatro letras é a única definição possível para esse furacão que me invade. Eu sempre mantive as janelas fechadas, fugi às flechas do arqueiro, me escondi naquela redoma que você quebrou no primeiro olhar e agora meu destino é escrever sabendo que você não vai ler. É amar sabendo que jamais serei amada pois apenas em um mundo onírico seria possível alguém tão incrível como você amar uma garota comum e assustada como eu. Meu destino é lembrar nossas mãos entrelaçadas naquele teatro e imaginar que irá acontecer novamente, sabendo que não irá acontecer nunca mais.

( Da série “Devaneios tirados do fundo de uma gaveta” – Outubro de 2013

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Não lembro exatamente o que estava ouvindo quando escrevi isso, afinal,já se passaram dois anos e eu não anotei nem a data exata no rodapé da carta, quanto mais a música que estava tocando enquanto escrevia. Com certeza era algo como esta canção, uma das minhas trilha sonoras mais frequentes…