Vacinada

Vacinada.

A oportunidade que quase 500 mil brasileiros infelizmente não tiveram devido aos atos criminosos do governo negacionista.

Vacinada mas ainda não imune, falta uma dose e falta atingir a imunidade coletiva, o que só acontecerá quando a maioria da população estiver imunizada. 

Quem acompanha a CPI consegue perceber como o governo federal negligenciou a compra de vacinas e a condução das medidas visando reduzir os casos do vírus. Para quem observa atentamente a política, a CPI só confirma e aprofunda o que já se sabia. Não é novidade.

A crise da covid-19 é sanitária, econômica e política. Se analisarmos, todas as crises são políticas, pois a vida em sociedade é política e ignorar isso em uma postura de isenção é, na verdade, aceitar os fatos dados – Geralmente pelo lado que tem maior poder financeiro. 

É difícil (e muitas vezes perigoso) lutar pelo que se acredita. Muitas vezes a vontade é desistir e sumir. Mas que tipo de pessoa seríamos se fizéssemos isso? 

Não basta desejar mudanças. É preciso refletir, entender e resolver problemas históricos antes de conseguir de fato construir uma nova sociedade. 

A política não deve ser ignorada ou demonizada. É isso que os poderosos desejam: Uma população que não acredita em seu próprio poder de organização. 

Hoje eu me vacinei em uma Unidade Básica de Saúde. Infelizmente a vacina não chegou a tempo para tanta gente e isso aconteceu por uma decisão política. Assim como foi uma decisão política a que optou por criticar o isolamento, o uso de máscaras e subestimar a pandemia.

Que num futuro próximo as pessoas lembrem da importância da política, principalmente nos momentos de crise. 

Maternidades

Quando uma criança é gerada, tornar-se pai é uma questão de escolha, já tornar-se mãe é uma imposição. Frase pesada? Realidade pesada. Infelizmente não é raro que caiba à mãe e somente a ela a maior parte das responsabilidades pela criação dos filhos e organização do lar. Mesmo quando o genitor da criança divide o mesmo espaço físico, é comum que quase tudo recaia sobre a mãe que acaba assim cumprindo jornada tripla de trabalho: Em casa, no emprego e muitas vezes ainda nos estudos buscando melhorar o padrão de vida. A maternidade é romantizada, como o momento pelo qual toda mulher anseia enquanto a mulher é invisibilizada, como se suas necessidades deixassem de existir em prol do novo ser que chegou – E aí dela se não ostentar um sorriso de orelha a orelha: Sofrerá os piores julgamentos e críticas, afinal está “cumprindo seu papel”.

Considerando-se que o Brasil vive a implantação de um projeto de governo genocida, baseado no ódio e na negligência completa dos direitos mais básicos, é irreal que a data de hoje seja comemorada como se todas as famílias fossem partes de um maldito comercial de margarina. 

Não há feliz dia das mães para mais de 410 mil famílias brasileiras enlutadas pela pandemia. Como falar em feliz dia das mães no país onde mais morrem gestantes e puerperas vitimadas pela COVID? Isso mesmo: O Brasil é o país do mundo onde morrem de COVID mais gestantes e puerperas!

Não há feliz dia das mães para as mães de Jacarezinho ou para tantas outras mães cujos filhos foram chacinados pelo Estado em sua guerra contínua ao povo periférico.  

Não há feliz dia das mães para famílias das vítimas de Brumadinho e Mariana. Nem para as mães dos três meninos desaparecidos em Belford Roxo. 

Não há feliz dia das mães para as seis em cada dez famílias brasileiras que atualmente vivem um estado de insegurança alimentar. 

Como falar em feliz dia das mães em um país que elegeu para a presidência da república um homem que defende menores salários para as mulheres sob a justificativa de que elas engravidam? 

Como falar em feliz dia das mães quando mulheres trans precisam entrar na justiça para garantir o direito de ter seus nomes nas certidões da prole. Mãe é quem se identifica como mulher e decide ter um filho. Não é preciso ter uma vagina ou útero para ser mãe. Estamos no século XXI, já é tempo de naturalizar a diversidade!

Como falar em feliz dia das mães quando há chacinas em escolas e creches?

Dia das mães sem segurança, sem comida, sem vacina, sem perspectivas. Ser mãe no Brasil é a certeza de viver em incertezas, ataques, supressão contínua de direitos. A maternidade desejada é um ato de resistência. A imposta pela completa ausência de políticas públicas (e incluí-se aqui o acesso ao aborto legal, seguro e gratuito) é um massacre. 

A todas as mães que me lêem desejo muita força, organização e luta por dias melhores onde a dignidade humana seja direito de todas, todos e todes para que seja então possível desejar “Feliz Dia das Mães” sem varrer para baixo do tapete da hipocrisia todas as vítimas desse sistema de insana barbárie que vivemos atualmente.

O sonho e o Big Brother Brasil [BEDA 12]

Tive um sonho engraçado: Eu havia sido selecionada para o Big Brother Brasil – Cheguei empolgada na casa, imaginando os próximos meses com piscina, academia e festinhas. Sorriso de orelha a orelha. Quando me deparo com a casa, descubro que houve mudanças: Tudo rústico, nada de energia elétrica, fogão à lenha e para completar, metade dos participantes precisa pedalar em bicicletas semelhantes a ergometricas para produzir energia e poder ter ao menos chuveiro quente na casa. Ah! Agora imaginem que no meu sonho o BBB era apresentado pelo… Faustão.
Pois é, será que isso é um sinal pra eu me inscrever no próximo ou eu só estou assistindo demais? Aliás, antes que me critiquem pelo programa: Minhas leituras estão em dia, meus estudos estão em dia, meus exercícios físicos e alimentação estão em dia, e eu estou trabalhando. O tempo que me resta eu posso usar como bem entendo e entre futebol ou novela e BBB (cancelei a Netflix, portanto séries e filmes não são opção), eu prefiro me distrair assistindo o BBB (torcendo aqui pela Thaís, João ou Camila). Quem sabe em 2022 vocês não me veem por lá? O que achariam? Teria uma torcida para mim?

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A “marcha da família cristã pela liberdade… de morrer e matar” [Beda 11]

Ontem foi o 100° dia do ano. Faltam 265 dias para a chegada de 2022. Ultrapassamos as 350 mil mortes sem aprender nada e ainda há quem apoie o genocida que ocupa a presidência há 832 dias. Hoje aconteceu a “Marcha da família cristã pela liberdade” – ao ignorar a necessidade de manter o isolamento social e tomar as ruas reclamando a retomada  das atividades religiosas presenciais e do comércio sem restrições, essas pessoas pedem nas entrelinhas o massacre da população brasileira pela doença, enquanto a miséria avança e um auxilio emergencial insuficiente começa a ser pago. Nietzsche certa vez disse que o único cristão verdadeiro morreu na cruz – Começo a acreditar no filósofo. Quando vejo a maioria desses eventos das igrejas não consigo  enxergar o tal “amor cristão”, apenas uma densa cortina de  descaso e ódio. A triste realidade é que enquanto o mundo luta contra o vírus, o Brasil parece fazer o contrário: Aqui o covid teve e continua tendo uma recepção de gala, com apoio institucional e festa nas ruas, com as bênçãos cristãs e os aplausos do povo gado.

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Dica de leitura: Rua 2 [BEDA 10]

“Caro Leitor, você acaba de receber em mãos um livro artesanal produzido pela Scenarium e aqui vão algumas instruções de uso…

Aprecie a capa… ela é como um velho portão, que dá entrada para uma realidade de páginas devidamente numeradas. Verifique o número do seu exemplar… E depois a sequência de páginas. A menos que o projeto seja insano, a sequência é como a das casas, de um lado você encontrará os números pares e, de outro, os ímpares…”

As palavras acima são as primeiras linhas escritas no livro “Rua 2” , contos de Obdulio Nuñes Ortega.

Em textos curtos, que em sua maioria recebem como título o número das casas onde moram as personagens, Obdulio nos apresenta personagens urbanas detentoras de personalidades únicas que leva o leitor a sentir uma interação com a personagem. A estrutura da obra, aliada a capacidade criativa e refinada observação humana do autor faz do livro Rua 2 uma obra genial.  Destaco aqui os textos: Morador da rua 2, casa 11, casa 9, casa 15, casa 2, linhas cruzadas e Pescoços quebrados da rua 2. Não me atrevo a dizer que são os melhores textos do livro por acreditar que é impossível estabelecer este tipo de juízo. Prefiro dizer que são os textos que mais gostei dentro de um livro dinâmico, envolvente, gostoso de ler e que deveria ser parte da lista de leituras de quem realmente aprecia a literatura brasileira.

Quer ler? Acesse a Scenarium Plural e adquira seu exemplar!

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Devorar palavras [BEDA 09]

Devorar palavras

Nutrir-me de ideias

Férteis lavras

Talvez novas Odisséias

Imaginar, sonhar

Mundos criar

Canções de amor

Sem ninguém amar

Lágrimas sem dor

Sensualidade sem pudor

Castidade quase impura

Para as desilusões – cura

Realidade virtual

Igualdade desigual

Fujo do mundo

Mergulho fundo

Nas estradas que construo

Nos castelos que destruo

Minha realidade

Construída por amor e palavras

E saudade

(Mais um poema antigo e confuso que desenterro do caderno… )

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Caminhada [BEDA 07]

Há mais de uma semana não vejo a rua. Hoje, dia de trabalho presencial, decido voltar a pé para casa: São quase dez quilômetros de caminhada. Tempo ameno, vento no rosto. Pequenos prazeres que a pandemia nos tirou. Os passos desviando de buracos, pisos lisos, pedras soltas. Algumas casas mudaram de cor, alguns comercios fecharam para nunca mais, outros abriram. Portas meio abertas entregam seus produtos por delivery. Novos tempos, não necessariamente melhores.
Incrédula, observo que muitas pessoas ainda não utilizam máscaras. Não parece que há um vírus circulando. Já está escurecendo quando chego na avenida da praia. Ainda falta um bom pedaço de chão pra chegar em casa. Percebo que a academia reabriu: Seres mascarados se exercitam. É estranho de se ver. Sinto falta de frequentar os treinos, mas decidi: Retomo quando houver vacina ou talvez quando encontrar alguma atividade individual que me agrade. Diferente de tanta gente, tenho o mínimo de bom senso e prefiro não arriscar pegar-transmitir o vírus… Aliás o medo é um dos motivos que me leva a dispensar o transporte público e caminhar tantos quilômetros. O medo e a vontade de caminhar.
Chego em casa exausta, completamente incapaz de cumprir a minha prática diária de yoga ou de escrever resenhas, fotografar livros, preparar postagens. Hoje deixarei meus leitores e leitoras com uma foto do céu da minha cidade e esse breve relato de uma trabalhadora na pandemia.

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Sobre personagens e cajuzinhos

O cursor pisca na tela como um ponto de interrogação: Decifra-me ou te devoro. A história a ser contada pulsa no mundo das ideias, mas não encontra as palavras corretas para registrar-se no papel. Tudo parece desconjuntado, sem graça, atropelado. Um sem fim de digita-apaga. Posso imaginar a personagem me observando com olhar reprovador, ávida para continuar a cena-vida, indo e voltando para o mesmo lugar até as palavras se encaixarem numa cadência perfeita. Vida de personagem não deve ser fácil, sempre dependente do que a autora planeja. Quando a autora não consegue traçar palavras para delimitar os próximos passos, a personagem fica presa na última posição escrita – No caso, sentada no sofá, numa kitnet quente, com a blusa amarrada ligeiramente acima do umbigo. O olhar inquiridor acompanhando meus movimentos enquanto bato amendoim e passas no liquidificador para fazer um cajuzinho vegano e sem açúcar, receita da Vivi (@sosvegan). Docinhos são mimos que me permito em qualquer tempo – me recuso a deixar de lado o prazer de uma guloseima diária. Assim como a personagem que por ora ocupa meus dias, tenho essa relação especial com a cozinha: Um abrigo para o cansaço, uma estufa para o plantio de sonhos. Minha rotina passa por fogão, panelas e pratos. Só assim é possível engolir a dose diária de notícias ruins sem perder totalmente a esperança. Desisto de escrever, hora de fazer uma boa prática de yoga – O corpo merece atenção, principalmente nestes tempos de isolamento. Depois da prática, do banho e do jantar, voltarei a encarar a tela e o olhar da personagem…

Receita do cajuzinho vegan

1 e ½ xícara de amendoim torrado e sem pele

1 e ¼ xícara de uvas passas

2 colheres (sopa) de cacau em pó

2 colheres (sopa) de água.

Bata no liquidificador o amendoim e as passas até formar uma massa. Adicione o cacau em pó e continue batendo, acrescentando a água. Depois é só moldar os docinhos.

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Dica literária: Equação Infinda. [BEDA 2]

Três mulheres, três diferentes momentos históricos: 1931, 1958 e 1983. Em comum, os sonhos da juventude e a realidade imposta como uma prisão pela família e pela sociedade. Não é fácil ser mulher. Ser mulher e ser livre é ainda mais difícil, mas o que fazer se a alma feminina é um oceano inteiro?  Navegar. Esse é o convite que Roseli Pedroso nos entrega em Equação Infinda: Navegar pelas águas de Carminha, Lígia e Verônica.  Vidas contadas em quatro capítulos nomeados pelas estações do ano. Relatos de esperança, sofrimento e sede de liberdade – água historicamente negada às mulheres.

O livro é curtinho e pode ser lido de um só fôlego. Os ecos das vozes dessas mulheres ficam na memória por tempo indeterminado.

Para além do prazer de ler, há o prazer de tocar o livro, sentir a texturas das páginas firmes entre os dedos, tocar a fita utilizada na costura artesanal das páginas. Apreciar o objeto livro com o tato, com os olhos e com o olfato antes de abrir e iniciar a leitura é um tira gosto que antecede a leitura, prepara a alma e proporciona um enorme prazer.

Lembrando que a editora Scenarium está com inscrições abertas para o Clube do Livro!

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Ode a memória

Ah, Liberdade! Como és fugidia!
O som maldito dos coturnos 
Pisoteando a frágil democracia
Iniciando vinte e um anos soturnos

Nossa terra diuturnamente vilipendiada
Diziam ser para o bem da Nação
Enquanto torturavam inocentes no porão
Rindo da dignidade humana violada

Aos abutres da ditadura: O lixo da história
O eterno o repúdio aos ignóbeis atos
Às vítimas o direito à verdade e à memória
Que nunca sejam esquecidos os tristes fatos

Que o terror desses anos nunca seja esquecido
Pois o passado nunca é apenas o tempo ido
Que reverbere pelos ares o brado: Foi golpe
Que persista a luta: 1964 nunca mais!