Devorar palavras [BEDA 09]

Devorar palavras

Nutrir-me de ideias

Férteis lavras

Talvez novas Odisséias

Imaginar, sonhar

Mundos criar

Canções de amor

Sem ninguém amar

Lágrimas sem dor

Sensualidade sem pudor

Castidade quase impura

Para as desilusões – cura

Realidade virtual

Igualdade desigual

Fujo do mundo

Mergulho fundo

Nas estradas que construo

Nos castelos que destruo

Minha realidade

Construída por amor e palavras

E saudade

(Mais um poema antigo e confuso que desenterro do caderno… )

Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day April)

Visitem também: Adriana Aneli, Mariana Gouveia, Lunna Guedes, Ale Helga, Obdulio, Roseli Pedroso, Claudia Leonardi

Dica literária: Equação Infinda. [BEDA 2]

Três mulheres, três diferentes momentos históricos: 1931, 1958 e 1983. Em comum, os sonhos da juventude e a realidade imposta como uma prisão pela família e pela sociedade. Não é fácil ser mulher. Ser mulher e ser livre é ainda mais difícil, mas o que fazer se a alma feminina é um oceano inteiro?  Navegar. Esse é o convite que Roseli Pedroso nos entrega em Equação Infinda: Navegar pelas águas de Carminha, Lígia e Verônica.  Vidas contadas em quatro capítulos nomeados pelas estações do ano. Relatos de esperança, sofrimento e sede de liberdade – água historicamente negada às mulheres.

O livro é curtinho e pode ser lido de um só fôlego. Os ecos das vozes dessas mulheres ficam na memória por tempo indeterminado.

Para além do prazer de ler, há o prazer de tocar o livro, sentir a texturas das páginas firmes entre os dedos, tocar a fita utilizada na costura artesanal das páginas. Apreciar o objeto livro com o tato, com os olhos e com o olfato antes de abrir e iniciar a leitura é um tira gosto que antecede a leitura, prepara a alma e proporciona um enorme prazer.

Lembrando que a editora Scenarium está com inscrições abertas para o Clube do Livro!

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Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day August). Participam também:

Adriana Aneli Ale Helga- Claudia Lunna Mariana GouveiaObdulioRoseli

Dica literária: Alice, uma voz nas pedras (Lunna Guedes)

            Como falar sobre Alice sem sentir um nó no fundo da alma? Alice poderia ser qualquer menina-mulher revivendo seus lugares, seus sonhos desfeitos, seus traumas e esperanças perdidas. Criada com recato acreditou no “(…) e foram felizes para sempre”, no príncipe encantado, fez tudo certo: Casou pura, submissa, doméstica. Infelizmente para ela e para tantas outras mulheres, a violência se esconde atrás de rostos bondosos e sorriso e até mesmo nos pedidos de desculpas após um momento de descontrole – Um penoso processo de desconstrução da auto-estima e da personalidade nem sempre percebido pela vítima, que vai se afundando – Afinal, de tanto ouvir que não sabe fazer nada direito, ela acredita. Acredita que é sorte ter um homem ao lado. O mais dolorido é perceber que todo esse processo muitas vezes começa na infância, na relação com o pai e vai se estendendo ao namoro, ao casamento. E vai se tornando normal quando os sorrisos começam a faltar, substituídos por explosões de raiva, socos na mesa, humilhação e agressões, acompanhadas de isolamento e muitas vezes, impossibilidade de contar com a família para sair da situação de perigo. Essa é Alice – Uma mulher que existe nas assustadoras estatísticas de brasileiras, poderia ser você,  ou sua amiga ou uma mulher da sua família. Quem sabe?  O que chama a atenção em Alice é acima de tudo a escrita da autora Lunna Guedes, que nos leva a um longo passeio por dentro da alma partida da personagem e, ao mesmo tempo, por recantos da cidade de Teodoro e pelas vidas de outras personagens que, ao final se entrelaçam na trama. Apesar do tema denso, Lunna Guedes consegue utilizar-se das palavras com a etérea leveza de uma prosa poética – E provavelmente seja esse o motivo de tantas vezes ser necessário parar a leitura e beber água para desfazer o nó na garganta, a vontade de amparar e dizer que vai ficar tudo bem enquanto a personagem nos conduz ao longo de sua história até culminar em um final surpreendente.