Dica literária: Comer, rezar, amar

O livro se baseia na história real de Elizabeth Gilbert, uma jornalista e escritora norte-americana que percebendo o quanto estava infeliz em seu casamento, decidiu dar uma guinada na vida, pedir o divórcio e arrumar as malas para um ano dedicado inteiramente a si.

                Ela opta por três destinos: Quatro meses na Itália, onde além de estudar italiano dedica-se a explorar as artes do prazer, principalmente à mesa. Quatro meses na Índia, onde faz um retiro, pratica yoga e encontra sua conexão com o divino, explorando a arte da devoção e encerra a viagem com quatro meses em Bali onde explora as possibilidades de unir o prazer mundano e o divino buscando o equilíbrio necessário para a vida.

                A verdade é que todas as pessoas precisam encontrar esse equilíbrio entre prazer e devoção (seja lá qual for a devoção da pessoa, importante lembrar que ninguém é obrigado a crer igual), mas a esmagadora maioria jamais vai conseguir tirar um ano inteiro para viajar e encontrar esse equilíbrio. Infelizmente.

                Sem dúvida o que se pode tirar de mais importante da leitura é a necessidade de refletir: Você está vivendo a vida que gostaria ou a vida que outras pessoas gostariam que você vivesse?

                Talvez você não possa viver um ano fora do país, mas com certeza é possível revirar a vida ao avesso procurando uma brecha para começar a construir um futuro mais próximo do que você realmente deseja.

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Capítulo 21

Abraçaram-se, mudas em seu espanto… Ambas tinham lágrimas nos olhos, lágrimas retidas durante quase 20 anos. Naquele momento, era como se mais nada existisse. Valeska teria que ficar no colégio, em reunião com os outros professores. As férias se aproximavam, havia muito que planejar provas avaliações, mas nada mais importava para Valeska. Simplesmente, ela decidiu deixar tudo aquilo para trás, ao menos por algumas horas. Foi até a secretaria, disse que estava com uma forte dor de cabeça e iria embora com Marjorie, pois não estava em condições de dirigir.
Já no carro, ambas não tinham palavras. O que dizer?Como dizer?
Pararam em frente à praia. O frio de junho e o fato de ser segunda-feira faziam com que estivesse deserta. Caminharam, ainda sem palavras…
-Porque você me deixou?
-Não consegui acostumar com a idéia de que você havia me traído com Melissa, nem com aquela noite, na barraca.
-Você não imagina o que é a minha vida sem você. A dor que me sufoca pouco a pouco a cada dia, que aos poucos vai me consumindo.
Valeska chora, como uma criança indefesa perdida numa noite escura e silenciosa. Marjorie a toma nos braços.
-Isso Marjorie, me abraça, me abraça forte e promete que nunca mais vai me deixar novamente.
-Você sabe que nunca mais ficaremos juntas.
-Por favor… Não me diz isso… Por favor…
-Valeska, eu sou uma mulher casada, tenho uma filha linda, um marido que me ama.
-Você o ama?
-Aprendi a gostar dele, a respeitá-lo. Você acha que minha vida sem você foi fácil? Você continuou em sua casa, cercada pela sua família, nossos amigos, nosso mundo. Eu morei um ano com meus tios, e eles se mudaram para a Argentina, tive que optar entre voltar e enfrentar minha vida perto de você, mas sem tê-la, ou ficar aqui, sozinha e passo a passo, construir uma vida só minha.
Silêncio. As lágrimas a impedem de continuar…
-Aluguei um quarto, pequeno, comecei um curso técnico, pois meus pais recusaram-se a pagar minha faculdade se eu decidisse viver longe deles, fui trabalhar em um bingo. Lá, conheci Christopher. Éramos amigos, ele, de alguma maneira, sabia que eu não estava bem, que havia algo em minha vida que me machucava. Nunca vou me esquecer uma noite, em que eu estava me sentindo especialmente solitária. Já era madrugada, e eu resolvi caminhar até aquelas pedras ali na frente, mesmo sabendo o perigo que corria, sozinha na praia àquela hora. Sentei ali e chorei. Foi quando vi um homem se aproximar me assustei, mas,naquele momento,desejei que ele me tirasse a vida, pois estaria tirando o que eu já não tinha. Mas ele não tirou minha vida, ele não se aproximou para me machucar. Era Christopher, que também se sentia solitário em casa e havia saído para caminhar. Ele me viu ali, nas pedras, e foi conversar comigo. Até então, eu não havia contado nossa história para ninguém. Eu contei tudo a ele. Ele me confortou me levou para sua casa. Passamos um fim de semana juntos, apenas amigos, em nenhum momento ele se aproveitou da minha fragilidade.

Novamente, a emoção a impede de continuar por alguns segundos.
-Após esse final de semana, passamos muitos outros juntos… Conheci a ex-esposa dele, a filha, Diana. Nos demos tão bem. Ele me pediu em casamento, demorei algum tempo, mas acabei aceitando viver com ele, mas sem me entregar como mulher, apenas amigos debaixo do mesmo teto.
-Por alguns anos, ele suportou essa situação cruel, e teria aceitado mais e mais tempo, apenas para estar ao meu lado. Até que eu me entreguei, meu corpo necessitava ser dominado por alguém, receber e dar prazer. Após um tempo, engravidei. Anne Camille nasceu para iluminar a nossa vida. Até hoje, ele sabe que eu não o amo, não como esposa. Ele sabe que meu grande amor é você.
-Marjorie…
-Não diz nada… Não posso deixar minha família para voltar aos teus braços.
Simplesmente vai embora, deixando Valeska ali, sozinha e chorando.
Pensava em quanto Marjorie havia sofrido, pensava no amor puro e desinteressado de Christopher, na doçura de Anne. Como o tempo pôde passar assim tão rápido, e elas haviam ficado paradas, presas nele, presas em um amor que não voltaria nunca mais. Ou, voltaria mais não nessa vida. O amor é eterno, ele sempre volta, sempre, não importa quando, mas sabemos que ele volta. Sabemos que a espera nos sufoca, nos tira a vida aos poucos, sabemos que, a cada momento que se passa, nosso coração se desfaz mais e mais, e que não podemos fazer nada para evitar isso.
Anne não estava em casa, havia saído com Christopher, ido ao cinema.
Marjorie pôde ficar um tempo sozinha, pensar. A vida havia novamente colocado Valeska em seu caminho. O que fazer? Não podia abandonar Christopher, ele havia dedicado a vida a ela e Anne. Mas doía muito abrir mão de Valeska mais uma vez, sabia que, se a recusasse agora, seria para sempre.
Ligou o rádio, começou a tocar uma música muito antiga, que não era mais sucesso no tempo de sua adolescência, mas que mesmo assim, havia marcado muitos momentos com Valeska. Como era mesmo o nome daquela música? Esquecera-se, o ritmo estava em seu coração, mas o nome.
Ouviu a porta da cozinha abrir. Christopher chegava sozinho. Anne havia encontrado uma amiga no shopping e ia ficar algumas horas na casa dela, depois ele iria buscá-la.
Naquele momento, Marjorie sentiu-se aliviada pela ausência de Anne. Assim teria privacidade para conversar com Christopher.
A notícia de que Valeska, a professora de Anne era a mesma pessoa que sempre havia sido o grande amor da vida de Marjorie deixou Christopher muito abalado. Marjorie jurou que não voltaria nunca mais para os braços de Valeska, apesar de saber que ela ainda a amava, e muito. Chorava
Christopher tomou-a nos braços:
-Marjorie, eu jurei a mim mesmo, que faria tudo para ver você feliz, mesmo que isso significasse entregá-la nos braços de Valeska, se um dia ela voltasse para a sua vida.
-Christopher, eu sou feliz ao teu lado, temos uma família… Um lar…
-Um lar baseado na amizade, no respeito, em um tipo de amor que não cabe em um casamento. Eu te amo mais do que qualquer outra coisa nesse mundo, quero que você seja feliz, não importa o que aconteça, sempre vou amá-la.
Essas palavras de Christopher fizeram Marjorie chorar ainda mais. Não sabia mais o que pensar, como agir.
Ela e Valeska encontraram-se mais algumas vezes. Conversavam muito, não podiam simplesmente começar do ponto em que haviam parado muita coisa havia mudado desde então.
Os dias passavam-se rapidamente, logo chegariam as férias. Anne viajaria com algumas amigas na primeira semana, e Marjorie havia decidido ir à São Paulo, pela primeira vez em tantos anos teria coragem para retornar e rever sua família. A decisão mais importante, porém, ainda estava por ser tomada, separar-se-ia de Christopher para viver com Valeska, ou continuaria a sua vida, a vida que havia construído ao lado de seu marido, sua filha. Não sabia sequer como Anne reagiria a uma separação, muito menos, qual seria sua reação se,além de separar-se,Marjorie decidisse morar com Valeska.
Luana começava a sentir falta da companhia de Anne, dos segredos divididos, sua companhia nas noites solitárias,quando dormiam juntas,mãos dadas debaixo do cobertor. Porém, não aceitava, não entendia aquele sentimento, aquela paixão que Anne nutria por ela. Aos poucos, percebia que começava ela mesma a sentir desejo pela amiga. Um dia, decidiu chegar cedo ao colégio, agora estudava à tarde, mas disse que precisava fazer uma revisão na biblioteca, por isso ficaria a manhã toda lá. Foi bem antes do horário de entrada dos alunos e esperou até que Anne aparecesse, então, chamou-a para irem juntas a uma lanchonete próxima, fora do colégio. Anne não costumava cabular aulas, mas conversar com Luana, após tanto tempo, pareceu-lhe um bom motivo. Ambas sentiam-se tímidas, mas podia-se perceber que se desejavam mais do que qualquer coisa. Havia uma química forte no ar. Luana havia transado com Rodolfo dias após aquele episódio no colégio, mas sua primeira noite havia sido um fracasso. Depois da primeira, houve outras, melhores, muito melhores, isso fazia Luana ter certeza de que não era lésbica. Mas, como explicar o desejo que nascia de ir para a cama com Anne? Seria então bissexual? Estaria condenada a uma existência dupla, pulando sempre dos braços de um homem para os braços de uma mulher? Ou esse desejo seria apenas uma fase, uma curiosidade?
Luana, mais desinibida, foi logo ao ponto:
-Anne, te esperei no colégio hoje, porque decidi que quero dormir com você.
-Eu sabia que um dia, ficaríamos juntas. Sabia que um dia, você me amaria como eu te amo.
-Quem falou em amor? Quero apenas dormir com você, uma noite. Se me agradar, dormiremos outras vezes. Sem compromissos,eu e Rodolfo estamos namorando,fazemos sexo. Apesar disso, tenho vontade de ir para a cama com você. Apenas para ver como é com outra garota.
Anne não agüentou ouvir mais nada, levantou-se, deixando Luana sozinha na lanchonete. Não queria ir ao colégio, mas não poderia voltar para casa. Andou a esmo pela cidade, até o horário em que deveria “sair da escola e ir para casa”
Já no conforto de seu quarto, pensa na proposta de Luana. Apesar de humilhante, era tentadora. Teria sua primeira vez com seu grande amor. E, talvez outras vezes mais. Doía pensar que não seria amor da parte de ambas, mas, o que teria a perder? O toque do celular veio tirá-la de seus pensamentos. Número restrito. Atendeu.
-Então, Anne, já pensou melhor em minha proposta?
-Estava pensando nisso agora, Luana.
-Então?
-Proposta tentadora, mas quero que minha primeira vez seja com alguém que corresponda ao meu amor, entende?
-Bom. Se faz assim tanta questão. Sinto muito. Terei que procurar outra. Acho até que será melhor. Encontrarei alguém mais experiente, que saiba me levar ao céu… Ver estrelas…
Luana provocava Anne descaradamente.
-Meus pais sairão amanhã para trabalhar, às 14h30min, como sempre. Passarei a tarde toda sozinha. Se for sexo que quer, será isso que terá Luana.
-Perfeito.
Anne passou o resto do dia na internet, vendo sites pornográficos e lendo textos eróticos, podia ser sua primeira vez, mas seria perfeita. Luana queria sexo?Era exatamente isso que teria. Correu ao shopping, precisava comprar algumas coisas, para o dia seguinte.

O porteiro havia interfonado, Luana estava subindo. Anne deixou a porta entreaberta. Luana foi entrando. Havia um bilhete sobre a mesa de centro da sala:
“Luana, feche a porta, e venha direto para o meu quarto. Estou te esperando.”
A porta do quarto também estava entreaberta. A cama trazia um lençol de cetim vermelho. Aparentemente, o aposento estava deserto. Luana sentou-se na cama. Nesse momento, uma música começa a tocar. Música eletrônica, perfeito para um encontro quente e nada romântico. A porta do guarda-roupa se abre, Anne salta para o meio do quarto, vestia um espartilho, cinta-liga, meias transparentes que iam quase à altura do meio das coxas e bota de cano alto e salto fino, todas as peças eram negras e transparentes. Empurra Luana na cama, e começa a dançar, provocando-a, mas sem deixar-se tocar, puxa-a da cama, jogando-a no chão, com os pés, faz com que se deite sobre o tapete. Dança por cima dela, agacha-se, esfregando-se em seu corpo, usa um par de algemas para atá-la ao pé da cama, e com um chicote, vai percorrendo-lhe o corpo. Começa então a acariciá-la com a língua, sem beijá-la. Apenas passeando, descobrindo onde causa prazer mais intensamente. Quando a sente extremamente excitada, faz com que se levante e suba na cama. Amarra-a novamente, e, no ritmo da música, começa a fazer um strip-tease. Vai para a cama e sem desamarrá-la a possui. Luana pede que Anne a deixe desvirginá-la, mas Anne nega. Isso, apenas alguém que a ame poderá fazer. Anne não se deixa possuir nenhuma vez, ela domina durante todo o tempo. Usa uma venda nos olhos de Luana, esta, deve dar-lhe prazer, com as mãos amarradas, usando apenas a boca.

Luana sai de lá exausta. Pede para marcarem outro dia. Doce ilusão, Anne e Luana nunca mais iriam se ver, não dessa forma. A decepção de Anne fora tão grande ao ouvir aquela proposta de sexo casual, que ela havia planejado uma tarde que marcasse para sempre a vida de Luana, mas seria apenas uma tarde. Apenas para deixar-lhe o desejo desperto,à flor da pele.
As férias chegaram, Anne e as amigas viajam.
Em São Paulo, Marjorie encontrou sua casa praticamente igual ao que era, quando ela se mudou. Seus pais estavam envelhecidos. Não queriam recebê-la, mas a saudade da única filha foi maior. Seu quarto… Tudo estava no mesmo lugar… Marjorie contou-lhes que tinha uma filha, uma linda menina de quatorze anos… Não havia trazido-a junto, pois não sabia como seria estar em casa outra vez, mas prometeu que na próxima visita, ela viria… Sempre quisera conhecer os avós.

Valeska telefonava todos os dias, aos poucos, ia fazendo-se presente em sua vida novamente… E, Christopher,ia pouco a pouco se afastando,deixando o caminho livre… Sabia que havia sido o homem mais feliz ao lado de Marjorie, mas sabia que, apenas ao lado de Valeska, esta poderia encontrar a paz de um Amor verdadeiro e correspondido. Ele havia prometido a si mesmo que a faria feliz, e, agora isso significava entregá-la novamente ao seu grande Amor.
Em Setembro, Christopher e Marjorie separaram-se, não sem lágrimas, mas com respeito, com o amor de uma amizade verdadeira… Como dois irmãos adultos e solteiros que moram juntos, e, após uma vida toda em comum, decidem seguir seus próprios caminhos… Apenas lágrimas de saudade, a sensação estranha de chegar ao lar e não encontrar o outro.
Marjorie alugou um apartamento de dois quartos no prédio ao lado. Anne teria a liberdade de permanecer o tempo que quisesse com um ou com outro. Não foi difícil para ela a separação dos pais… Tantas amigas haviam passado por isso… Por que seria uma exceção?
Marjorie e Valeska decidiram permanecer mais um tempo apenas namorando,sem que Anne soubesse,iriam devagar.
Em Outubro, Marjorie descobre que está novamente grávida. Christopher fica feliz ao saber que será pai novamente, para Valeska e Marjorie, essa é a oportunidade de terem juntas o bebê que tanto haviam planejado. Apesar da idade, a gravidez de Marjorie foi tranqüila. Em 25 de Julho, nasce uma menina, a quem chamam Victoria.
Anne decide viver com Christopher, para não ter que dividir o quarto com a nova irmã. Mas isso não a impede de passar o dia todo na casa de sua mãe, quer apenas sua privacidade, para receber garotas em seu quarto, o que seria impossível dormindo no mesmo quarto que Victória.

Desde o início da gravidez de Marjorie, Valeska praticamente havia se mudado para lá, queria acompanhá-la, estar por perto. Anne aos poucos notava isso. Não comentava nada com a mãe, ou com Valeska, apenas observava.
Havia conhecido uma garota e estava namorando. Decidiu apresentá-la aos pais, em um jantar formal, à luz de velas, que preparou na casa de Marjorie. Todos gostaram muito de Liane, que apesar do visual de roqueira rebelde, era uma menina gentil e sensível.
Após o jantar, levaram-na para casa. Marjorie e Valeska decidiram então contar a verdade sobre elas, tudo, desde o início. Já não agüentavam mais dormirem separadas todas as vezes que Anne decidia passar a noite na casa da mãe.
Ficaram surpresas quando Anne disse que, desde o divórcio, sabia que havia entre elas algo mais do que uma simples amizade. Não imaginava que a história fosse assim, tão longa. Mas, estava feliz, por ter agora duas mães: Marjorie e Valeska.
Ao final de tantos anos, agora podiam todos considerar-se uma família feliz. Muitas vezes, Melissa e Gabi, Marjorie e Valeska encontravam-se para levar seus filhos à praia. Diana ficou surpresa ao reencontrar Melissa, após saber toda a história de Marjorie, e, constatar que haviam sido amigas durante algum tempo e, Marjorie nunca as havia encontrado.
Três anos após a separação, Christopher conheceu Sofia, nova vendedora de cartelas do Bingo Sete Mares. Tal como aconteceu com Marjorie, amou-a logo que a viu. Sofia tinha o coração livre, até conhecê-lo. Em seis meses estavam casados.Anne agora tinha três mães.
Luana e Rodolfo continuam namorando, mas às vezes… Bom, Rodolfo ganha alguns enfeites dos quais não pode se orgulhar muito, pois Luana o trai com sua prima, Luciana.
Fim da história?
Não… A vida continua… Vidas que geram novas vidas, novos sentimentos… O amor atravessa o tempo… Esse ciclo está se fechando, de maneira feliz, para que outro se inicie… Nenhuma estória de amor tem um final definitivo… Mesmo após a morte, a vida sempre continua, e o sentimento permanece, para sempre….

Caderno de notas de Valeska
 
(Carta escrita quando nos reencontramos… essa, eu vou te entregar… juntamente com uma única rosa vermelha… será a primeira, de muitas e muitas cartas e poemas, que farei para vê-la sorrir… para que saiba que sempre a amei, e sempre a amarei…)
 
“Hoje, olhava tuas fotos, para matar as saudades…
Tantas coisas passavam-se em minha mente…
Nossos momentos… Suas carícias… Juras de Amor…
Queria ser poeta para brincando com as palavras poder dizer tudo que sinto por você…
Mas simples palavras não seriam capazes de descrever o Amor, por que nosso amor é indescritível… Ele é simplesmente Amor… está além das palavras…
Talvez um dia, as fadas estivessem muito felizes… Inspiradas resolveram criar a pessoa mais doce do universo… Juntaram o brilho das estrelas, a doçura do mel, a suavidade de uma brisa num dia de verão, a delicadeza das rosas, a alegria dos pássaros e a Magia do Amor… Com tudo isso criaram… Você!
Os anos foram se passando… Até que um dia, elas te colocaram na minha vida, para despertar em mim esse maravilhoso dom de Amar incondicionalmente… e assim aconteceu.
Ficamos distantes durante algum tempo, talvez ainda tivéssemos barreiras a ultrapassar, obstáculos a superar, lições para aprender…
Até que numa tarde,quando menos esperávamos,nos reencontramos, marcando também o início de uma nova vida em nossos corações que tanto tempo esperavam um pelo outro…
Agradeço a cada dia aos Deuses e aos seus Pequeninos Seres Invisíveis por terem te colocado na minha vida…
Gostaria de estar em seus braços agora… Enchendo-te de carinho, de beijos…
A cada momento do dia, sinto sua energia, sinto a Energia do nosso Amor ligando nossos corações…
Muitos beijos,
Com Amor e muitas saudades…
Amo-Te!

Fim… Ou,um novo recomeço…

Capítulo 19

O dia estava muito quente, por isso a sorveteria La Bamba estava lotada.  Melissa deixou-se ficar na calçada, esperando Gabi, para irem a algum outro lugar, mais sossegado. Viu-a chegar. Havia parado o carro no outro lado da pista. Estava muito diferente da Gabi que havia conhecido alguns anos antes, mas nem por isso deixava de fazer seu coração bater mais forte.
Gabi passou ao lado de Melissa e nem a notou, entrou na sorveteria. Melissa entrou logo em seguida, viu-a em pé, olhando para todos os lados, tentando descobrir entre tanta gente quem poderia ter mandado aquele bilhete.
-Gabi…
Gabi fica paralisada. Não pode ser. Tantas pessoas poderiam tê-la encontrado… Isso só poderia ser uma brincadeira do destino. Justamente Melissa.
-Então Gabi. Tantos anos se passaram. Você não vai me dizer nada?
-Melissa?
Melissa não resiste e segura também à outra mão de Gabi, esquecendo-se de que está em um local público e lotado.
-Meu amor… Finalmente eu a reencontrei.
-Amor?Não Melissa, você nunca foi capaz de amar, sempre disse que o amor era ilusão, perda de tempo.
-Gabi… Eu dizia isso até ir morar em São Paulo,até ficar distante de você…até te perder,e,só quando a perdi,soube o valor que há em um amor verdadeiro.
-Você me perdeu, Melissa, você me machucou muito, desdenhou o amor mais puro… Agora, não adianta voltar atrás, pedir outra chance… Esse corpo que você olha pode pertencer a qualquer pessoa, exceto a você.
Gabi estava em prantos. Várias pessoas voltavam-se para observá-las..
-Gabi, por favor, se acalma… Vamos conversar vamos nos dar uma nova chance, começar de onde paramos.
-Nunca.
-Você não me ama mais?
Lágrimas…
-Não, Melissa, eu não te amo mais.
Sem pensar, Melissa agarra Gabi e a beija, um beijo quente, cheio de desejo e saudade. Gabi não resiste e entrega seu coração a esse beijo, ao menos por alguns segundos. Em seguida, empurra Melissa, lhe dando um tapa na face, as pessoas ao redor ficam chocadas com a cena. Gabi, entre lágrimas, sai correndo, não espera o farol e tenta atravessar a Avenida, um carro em alta velocidade vem em sua direção, Melissa, que saíra correndo atrás dela nem pensa, apenas a empurra, jogando-a longe e sendo atropelada em seu lugar.
O motorista foge, sem prestar socorro…
Várias pessoas correm para ver o que aconteceu, Melissa está desacordada. Por alguns instantes, recupera a consciência e consegue dizer apenas: “Gabi…o que sinto por você é para sempre. Se acontecer alguma coisa ruim comigo…estarei sempre com você”, então,desmaia novamente.
Na sala de espera do pronto socorro, Gabi chora. Melissa arriscara sua vida para lhe salvar, e, talvez, aquela declaração de amor tenha sido suas últimas palavras. Seu estado é muito grave, precisou ser operada às pressas, apresentou hemorragia interna e também traumatismo craniano, além de uma fratura na perna.
A equipe médica havia entregado a ela os pertences de Melissa. Havia passado pelo menos 4 horas, e, nenhuma notícia. Só então Gabi decide procurar no celular de Melissa um telefone qualquer, para o qual possa ligar. Encontra o telefone de Diana. Após duas ou três tentativas, Diana atende. Fica muito chateada ao saber do acidente, mas não pode lhe fornecer nenhuma informação sobre como encontrar a família de Melissa, nem amigos. Faz pelo menos dois anos que elas não se vêem, e, nas poucas vezes que se encontraram, não fizeram amigos comuns ou falaram de suas famílias.
Gabi encontra o telefone de Valeska. Liga. Valeska está em casa, assistindo um filme. Não tem vontade de atender ao telefone, mas após tantas ligações seguidas, acaba atendendo. Ao saber da notícia, vai imediatamente ao pronto socorro.
Faz o possível para acalmar Gabi. O médico entra na sala de espera, diz que, só após 24 horas poderá dizer se Melissa corre ou não algum risco, até então, sua situação é instável e não há prognóstico possível.
Foram as piores 24 horas na vida de Gabi, que se sente culpada pelo que aconteceu. Seu orgulho e seu medo de sofrer a impediram de aceitar Melissa de volta em sua vida, e, agora,tudo o que mais queria ,era saber que Melissa ficaria bem, viveria. Talvez, se ela não tivesse sido tão dura, elas estariam agora juntas, aproveitando todo o tempo que perderam.
Valeska decide não avisar nada à família de Melissa, seus pais já tem uma idade um pouco avançada, não era justo preocupá-los. Passam-se semanas, Melissa está em coma induzido, é transferida para um quarto particular, onde pode receber as visitas de Valeska e Gabi, que se identificam como as únicas pessoas que a conhecem.

Chega o dia da reunião, Valeska, sempre organizada, não havia terminado os relatórios sobre seus alunos… Passa a noite em claro.
Está nervosa. Algo lhe diz que encontrará sua amada nessa reunião.
As mães de todas as crianças estão presentes, exceto a mãe de Anne Camille, que não pôde comparecer, devido ao trabalho, por isso, pediu que o marido fosse à reunião em seu lugar. A cada bimestre era convocada uma reunião, e, desde o início do ano letivo,a mãe de Anne Camille não havia comparecido à escola.
Christopher, apesar de saber toda a história de Valeska e Marjorie, nem percebe que, a professora de sua filha é o grande amor de sua esposa. Acha,assim como Marjorie, que o nome é apenas uma simples coincidência.

Dois meses após o acidente, Melissa recebe alta do hospital, mas não deve voltar a trabalhar, tendo que ficar em repouso e fazer fisioterapia. Gabi a leva para sua casa, para poder cuidar dela como é necessário.
Estão em Setembro, no colégio, há outra reunião. Novamente, Marjorie não pôde ir conhecer a professora favorita de Anne.

Anne tem uma personalidade ao mesmo tempo dócil e agitada. Faz amizades muito facilmente, mas cansa-se delas mais facilmente ainda… Uma das poucas pessoas que conseguem prender sua atenção é Valeska.
Em Novembro comemoram o aniversário do colégio, os alunos fazem pequenas apresentações de teatro,dança,recitam poemas, todos participam de uma maneira ou de outra. Como não podia deixar de acontecer, Anne e suas amigas apresentam uma pequena coreografia, onde, como sempre, ela se destacava mais do que todas as suas colegas, haviam pedido que fosse deixado no palco um vaso, com uma rosa vermelha. A música tem um ritmo forte, que a faz dançar com a rapidez e a leveza de quem a qualquer momento levantará os pés do chão e irá dançar nas nuvens. Sua roupa azul-celeste destaca a pele ligeiramente morena e os traços orientais delicados. Quase no final da música, abaixa-se suavemente e pega a rosa do vaso. Dançando,desce do palco,mistura-se à multidão e entrega a rosa à Luana,sua melhor amiga.Volta para o palco,termina a coreografia e recebe merecidos aplausos.
Como sempre, Marjorie não compareceu à festa, Diana não pôde assistir, pois se mudou para São Paulo e Christopher desta vez também não pôde prestigiar a filha.
Valeska tira muitas fotos de Anne, fica imaginando, se fosse sua filha, e de Marjorie, sempre teriam tempo de ir juntas aplaudi-la. Sente que Anne é mais solitária do que deveria ser. Apesar de estar sempre cercada de amigos, não tem a inocência da idade, a confiança que as meninas têm umas nas outras. Conversa apenas o necessário, e somente quando está com vontade de fazê-lo.

Em Dezembro, Melissa já está recuperada, mas decide retornar ao trabalho apenas após as férias. Ela e Gabi estão, aos poucos, recuperando os anos que perderam. Decidem casar-se, Melissa consegue se transferir para a comarca de São Vicente, onde passam a morar juntas.
Enfim, um final feliz?
Não, o amor não tem início nem final. O amor é um círculo infinito. Em cada final, um início, em cada início, um final. O amor atravessa todas as distâncias, vai além de todas as vidas, todo o tempo e o espaço. Quantas vidas Melissa e Gabi não viveram juntas antes? Desde que seus olhos se cruzaram pela primeira vez, suas almas sabiam que se pertenciam, por toda a eternidade. viveram, morreram,atravessaram séculos,novamente se cruzaram. Novamente,a vida colocou-lhes obstáculos. Viveram juntas? Morreram de amor? Quem sabe? Apenas, pode-se saber que, amaram-se. Quantas vezes repetiu-se esse ciclo, até renascerem Melissa e Gabi? Quantos anos até se reencontrarem nessa vida? Até Melissa perceber finalmente que amava Gabi? Quanto sofrimento? Lágrimas. Não, esse não é simplesmente o final feliz da história de Melissa e Gabi, é apenas o triunfo do amor, não é o final de uma história e sim o início de outra. O início de uma vida feliz que um dia, novamente terminará,e,no futuro,recomeçará. Elas não serão mais Melissa e Gabi. Terão outros nomes, outras personalidades… Talvez renasçam em outro país, com certeza em outra época… Mas serão sempre duas almas que se amam… Repetirão eternamente esse ciclo de amor.
Valeska acompanha a felicidade da amiga… Muitas vezes, imagina um reencontro com Marjorie… Será que ainda está casada?Ama o marido?Tem filhos?Muitas vezes elas planejaram ter um bebê. Marjorie sempre dizia que iria colocá-lo em aulas de Karatê. Mesmo que fosse uma menina. Valeska, apaixonada pelo Balé, dizia que, mesmo se tivessem um garoto, ele iria freqüentar as aulas de dança. Planejaram tanto… E para quê?
Valeska cedeu a casa na fazenda para que Melissa e Gabi pudessem ter uma lua de mel. Melissa ainda estava fazendo fisioterapia uma vez a cada quinze dias, mas seus movimentos já estavam quase normais. Seus pais ficaram chocados ao vê-la com Gabi, achavam que, após tantos anos, esse amor já não existisse mais, e, agora, não havia nada que pudessem fazer para separá-las.
Valeska passou uma noite de ano-novo solitária, mas, todos os últimos anos haviam sido assim, mesmo cercada por seus amigos, aquela saudade, aquela dor, insistiam em machucá-la, maltratá-la.

No dia 1° de janeiro, Anne Camille completou doze primaveras. Tentou ligar para Valeska, convidando-a para sua festa, mas infelizmente, o celular da professora estava sempre fora de área.

Caderno de notas da Valeska

 

“Cores do tempo”

“Olho para trás e posso ver as cores do tempo que se passou…

O verde broto da infância…

Delicado, inocente e cheio de esperanças…

As alegres cores do florescer da juventude…

Sensuais, nem por isso menos doces…

Atraentes aventuras,

Profundas emoções…

Agora, vivo o outono,

Cores pálidas…

De tudo o que senti,

Os sentimentos intensos da juventude vão aos poucos caindo ao chão,

Como folhas secas ao vento…

Mas, o Amor que sinto por você sobrevive…

Agarrado em minha alma como o broto agarra-se a um ramo em dia de vendaval…

Passam-se os anos,

E o Amor continua a ser um broto verde que trás esperança ao coração…

Uma flor que enfeita a vida…

Ilumina e a cada dia, me mostra o verdadeiro motivo de estar aqui,

De recomeçar,

Renascer juntamente com o Sol…

Renascer com o luar…

Muitos anos ainda se passaram

Até que eu atinja o inverno da vida,

E, mesmo assim,

Quando as cores obscuras do inverno dominarem meu espírito,

E,

Todas as folhas já estiverem caídas ao chão,

Mesmo assim,

O Amor permanecerá em meu coração,

Flor que desabrocha e nunca seca

Seus brotos ainda serão verdejantes…

Fortes,

Invencíveis e imortais brotos de Amor

Cheios de esperanças… colorindo minha vida,

Flor que desabrocha e nunca seca

E dá forças e alegria ao meu coração,

Coração que ainda estará esperando por você…”

Valeska foi transferida para São Paulo. Voltou a morar com a família. Era estranho estar de volta. Foi difícil acostumar-se novamente à sua casa, sua cidade.Anne ficou muito triste com a partida de sua professora predileta, tudo foi tão repentino que nem houve tempo de pedir-lhe o novo telefone ou o e-mail.

Muitas vezes, Valeska passava os finais de semana em São Vicente, com Melissa e Gabi, em alguns feriados ia para a fazenda…O tempo foi passando…

Dois anos após se casarem, Melissa e Gabi adotaram uma menina, agora eram uma família completa. Valeska tentava, mas não conseguia tirar de seu coração a imagem de Marjorie, por isso, ainda estava sozinha.

Capítulo 17

Anne Camille crescia rapidamente. Era uma criança inteligente, sensível e curiosa,  a alegria no lar de Marjorie e Christopher. Aos seis anos, já sabia ler algumas palavras, era muito ativa e muito unida à Diana, que, após fazer faculdade de pedagogia, tornara-se sua primeira professora. Amava muito os pais, porém mostrava-se independente, corajosa. Muitas vezes, Marjorie via nela atitudes que lembravam Valeska, quando tinha mais ou menos essa idade. Anne Camille podia ter correndo nas veias o sangue de Christopher, mas, de alguma forma, Marjorie sentia na filha a presença da mulher amada. Como se fosse possível ter engravidado de Valeska e gerado um ser assim tão idêntico a ela em suas ações, trejeitos, paixões. Assim como Valeska, Anne Camille também amava as aulas de balé. Marjorie, que sempre fora praticante das artes marciais, até havia tentado incentivar a filha a praticar esse tipo de esporte, mas Anne Camille preferia o balé.
Melissa havia se formado, foi uma das poucas alunas a ser aprovada na primeira tentativa no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e também no concurso público para o cargo de Promotor de Justiça. Trabalhava muito. Havia desistido do ramo de Direito Internacional, no último ano, decidira seguir Direito Penal. Mesmo com a carreira garantida, estudava muito, fazendo inúmeros cursos e atualizações. Sua vida sentimental, no entanto, estava às moscas.
Havia muito tempo, Gabi e Valeska não se correspondiam mais e , conseqüentemente, Melissa não tinha mais nenhuma notícia de sua amada. O tempo havia feito ambas trilharem caminhos diferentes.
Gabi havia feito faculdade de turismo, depois de formada precisava viajar muito a trabalho e quase não tinha tempo de escrever cartas ou e-mails à Valeska. Ainda entregava-se a cada novo ser que aparecesse em sua vida, na tentativa vã de encontrar sua paz, de se encontrar. E a cada dia distanciava-se mais e mais de si mesma. Gabi e Melissa, duas vidas, um amor, dois destinos.

Valeska, após três anos trabalhando no mesmo colégio, conseguiu um emprego como professora do colégio Prazer de Aprender, em Santos… Não queria mudar-se de cidade, mas era uma oportunidade imperdível, daria aulas no cursinho pré-vestibular.
Foi doloroso deixar para trás a família, amigos e partir rumo ao desconhecido. Mas o que era desconhecido?A cidade?Não, Valeska conhecia Santos. O desconhecido era saber que, dali em diante, seria apenas ela e ela mesma…

Caderno de notas de Valeska

(carta de amor que nunca entreguei)

“Chega mais um fim de tarde, e eu estou aqui, em meus lábios solitários, um sorriso. Em meu coração, o punhal da saudade está cravado profundamente. Só você pode curar as feridas do meu coração. Mas você está tão distante.
Mais uma noite quente e estrelada. Sem você aqui, me resta apenas a escuridão e o frio. Olho para o céu. Procuro uma estrela que tenha o brilho do seu olhar. Não existe. Seus olhos têm um brilho que apenas meu coração alcança. Mas você não percebe isso, não percebe o amor que sinto por você. Se olhares para o céu, não o céu sobre nossas cabeças, mas o céu estrelado do nosso coração, encontrará uma estrela pequenina e muito brilhante. Essa estrela é o amor que tenho por você. Vivo a esperança de um dia vê chegar e me dizer: “Eu te amo” e se um dia essa esperança morrer, sei que também morrerei. Por isso, mantenho sua chama bem viva. Lágrimas são inevitáveis na estrada do amor, muitas vezes, sorrisos são raros e preciosos, mas, sei que no final dessa estrada, cada lágrima derramada será uma estrela a Iluminar nossos caminhos e cada sorriso multiplicar-se-à milhões de vezes. Nesse dia, estaremos unidas, por toda a Eternidade….”

Amar

Amar é viajar em um segundo ao céu
Amar é cruzar um mar de fel
Amar é enfrentar no peito um furacão
Amar é ter sentimentos em oposição
É sorrir quando está triste
Sentindo na alma aquela esperança insistente
Amar é ter mil motivos para sorrir e ainda assim, chorar
Chorar a saudade de um beijo com o qual resta sonhar
Amar é uma trilha pedregosa
É ter no coração uma rosa
E da rosa sentir os espinhos
Que perfuram a alma, gotejando sangue pelos caminhos
Amar é viver
E ao mesmo tempo, morrer
Morrer para o mundo
E para dentro de si viajar, ir até o fundo
É sentir pela primeira vez que a solidão não tem sentido
Entender o significado de um coração partido
Acreditar em contos de fadas
E em princesas encantadas
Construir no ar castelos de nuvens
Amar é chorar solitária a cada madrugada
De saudade, passar a noite acordada
Amar é desejar jamais ter conhecido o Amor
Sentindo inegável dor
Amar é inexplicável
É ter no coração um sentimento inabalável
Amar é… Simplesmente amar.

60 - Amar

A vontade de te amar

Corro meus olhos pelo horizonte
Aninho-me em meus pensamentos
Enquanto minha alma se deita como Sol poente
E minha pele arrepia-se, lembrando doces momentos

Perco-me querendo te encontrar
Em cada flor, em cada espinho
Em cada olhar
Buscando você, que deixou vazio o ninho

Ninho de amor
Onde tantas vezes e com tanto ardor
Perdestes-te ao me encontrar
E, sem palavras, disse me amar

Aguardo paciente o telefone tocar
Tarde após tarde
Meu corpo arde, e me invade
A vontade de te amar.

40 - A vontade de te amar

Somente um segundo

Somente um segundo - Publicada

Somente um segundo
Um último toque
Um último suspiro
Um último olhar

O tempo passa…
Não, não desista,
Não sem antes me dar
Um último adeus
Um último olhar

Somente um segundo
É tudo, tudo o que preciso
Pra mostrar
Que o amor não morreu

Somente um toque
Um último toque
Pra te incendiar

Um último suspiro
Esperança
Um olhar
Lágrimas

Somente um segundo
Um toque, um suspiro
Um olhar antes do Adeus
Pra lembrar teu coração
Que ele jamais deixou de me amar.