Resenha do livro “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley)

Imagine uma sociedade perfeita onde todos são felizes durante todo o tempo. Onde cada criança já vem ao mundo condicionada a exercer determinada profissão e não consegue se imaginar feliz fazendo outra coisa. Nessa sociedade maravilhosa tudo o que importa é a estabilidade social, a tecnologia e o prazer – quando não se está trabalhando, o importante é ter prazer. Parece bom não? Na verdade esse é o cenário perturbador do livro “Admirável Mundo Novo” do autor inglês Aldous Huxley. E porque cenário perturbador? A obra retrata uma sociedade hedonista onde a tecnologia avançou tanto que já é possível gerar pessoas sem a necessidade de um útero para gestar os bebês, que são todos idênticos e “programados” para a casta em que deverão passar a vida. O preço para viver numa sociedade tão organizada e “perfeita” é alto: A humanidade futurística imaginada por Huxley perdeu basicamente tudo que entendemos por “humano” – não há mais amor, fidelidade, família – todo mundo é de todos. Busca-se o prazer pelo prazer e há um incentivo para que quando não estão trabalhando as pessoas se comportem como crianças. E para que ninguém sinta angústia, há o soma, uma espécie de droga. Livros e museus foram proibidos. Os filmes e músicas falam apenas sobre prazer e sexo. O mundo é dividido em dez regiões administrativas centrais. Tudo perfeitamente igual. É nesse cenário que vivem Bernard e Helmotz, dois homens que ainda arriscam-se a pensar e sentem-se desconfortáveis com a realidade. E é para este mundo que será trazido John, o selvagem, filho de Linda, uma das poucas mulheres não estéreis dessa sociedade que, acidentalmente ficou perdida numa reserva de selvagens (um território na América onde pessoas ainda vivem “da forma antiga”).

            É um livro de linguagem fácil e tamanho relativamente pequeno, porém tão denso que nos impede de ler por ler, sem estabelecer pensamentos sombrios e críticos. Nossa sociedade caminha para algo parecido com a sociedade imaginada por Huxley? Vale a pena ler o livro e pensar na mensagem que ele tenta passar.

Sobre o autor: Aldous Leonard Huxley nasceu em Godalming (Inglaterra) em 26/07/1894 e faleceu em Los Angeles (EUA) em 22/11/1963.  Escreveu diversos ensaios, contos e romances, dentre os quais se destacam Admirável Mundo Novo (1932), Contraponto (1928) e As portas da percepção (1954), livro de ensaios que influenciou a cultura hippie.

Lista de leitura -2015

Sempre fui uma leitora voraz, daquelas que terminam um livro em dois, no máximo três dias. Até entrar na faculdade. Os cinco anos que passei na universidade infelizmente me tiraram muito do prazer de chegar a minha casa e ler um livro – vivia com as costas doendo, a vista cansada pelas inúmeras horas trabalhando em frente ao computador no estágio ou na pesquisa para algum trabalho; é bem verdade que o hábito da leitura não ficou tão esquecido, mas ainda assim a quantidade de livros que li nos últimos anos caiu drasticamente e diante desta situação, vejo-me com a necessidade de pela primeira vez elaborar uma lista de leituras para este ano de 2015 – meu primeiro ano quase livre da universidade (tenho uma dependência e um TCC para entregar).  É uma lista mínima: doze livros, um para cada mês do ano.  É só isso que eu vou ler em 2015? Não. Sinceramente, eu espero que não, porém, isso é o mínimo que com prazer me obrigarei a fazer.

Vamos ver minha pequena lista?

JANEIRO – O livro escolhido para o primeiro mês do ano é Ana Karênina – Leão Tolstói (Editora Abril, 1ª Edição, 1971, 749 páginas).
Porque escolhi este livro? Ganhei este exemplar no projeto Adote um livro, promovido pela Secult (Secretaria de Cultura) de Santos. Fazia um tempo que eu o procurava – ele é citado algumas vezes no romance “A última música” (Nicholas Sparks) e isso despertou uma curiosidade acerca de seu conteúdo.

FEVEREIRO – Flor de Sangue. O livro escolhido para o mês de Fevereiro é de um autor nacional, Valentim Magalhães. O romance data de 1897. A edição que tenho em mãos foi publicada em 1974 pela Editora Primor na coleção “Obras Imortais da nossa literatura”. São duzentas páginas que pretendo ler e absorver com atenção.  Nunca li nenhuma obra deste autor, nada sei sobre a vida dele e isso me deixa curiosa. O exemplar veio até mim num evento da S.L.A (Sociedade dos Leitores Anônimos), um grupo de jovens que se reúne e disponibiliza livros para troca e doação com um único pedido: depois de ler, liberte seu livro para que outro possa ler também – ou seja, assim que eu terminar a leitura, meu livro volta para as ruas em busca de outro leitor!

MARÇO – Admirável Mundo Novo. Aldous Huxley. Editora Globo, 309 páginas. Confesso que não sei como este livro chegou em minha estante, possivelmente veio através de algum evento de troca ou doação de livros. Outro escritor cuja obra me é desconhecida. Já li vários comentários sobre a qualidade da obra de Aldous Huxley e decidi que não poderia deixar de ler algo dele ainda no primeiro semestre de 2015.

ABRIL – Assim Falou Zaratustra. Friedrich Nietzche. Editora Martin Claret, 273 páginas. Um dos poucos livros comprados que tenho em casa. Minha mãe me presenteou com ele há pelo menos dois anos e eu ainda não li, apesar de já ter devorado dois outros livros do mesmo filósofo. O motivo da demora talvez seja justamente gostar demais do autor e não querer me sujeitar a ler entre uma sacudida e outra do ônibus, entre uma aula e outra, espremida no tempo.

MAIO – Suave é a noite. Scott Fitzgerald. Editora Abril Cultural, 1972, 381 páginas. Pela idade da publicação, vocês já puderam perceber o meu gosto por livros antigos, não é? Pois bem, este exemplar que tenho em mãos foi também adquirido em um evento de troca de livros, o “Troca Troca de Livros”, organizado por uma jovem amiga de 16 anos. Foi o primeiro evento do tipo do qual participei e a proposta dela me pareceu simplesmente incrível: trocar livros sem perguntar qual será trocado por qual, apenas deixa-se um livro na canga e se pega outro ou outros, já que não há ninguém obrigando a base de troca 1×1.

JUNHO: Personas Sexuais, Camile Paglia, editora Companhia das Letras,1992, 616 páginas. Não se trata exatamente de um livro literário. É na verdade um apanhado de história da arte, da civilização e do sexo – temas que em verdade caminham lado a lado.  Outro livro adquirido no troca-troca de livros.

JULHO: Os Sertões, Euclides da Cunha, Editora Martin Claret, 606 páginas. Certa vez um professor de língua portuguesa me disse que este livro era “um porre”, talvez por isso eu nunca o tenha lido. Trata-se de uma obra clássica e eu não poderia passar a minha vida sem ler apenas porque uma vez alguém me disse que não era agradável.  Como o livro veio parar aqui em casa? Possivelmente alguém sabendo que eu adoro livros me deu de presente.

AGOSTO: Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor – Uma visão científica e bem-humorada de nossas diferenças. Allan e Barbara Pease, Editora Sextante, ano 2000, 233 páginas. Definitivamente, não é um livro literário. Mas foi muito comentado e ao vê-lo numa canga para troca em uma das edições do troca troca de livros, decidi adota-lo e tentar descobrir o porque de seu sucesso.

SETEMBRO: Jil – José de Alencar, Editora L & PM, 236 páginas. José de Alencar foi sem dúvida um dos meus autores favoritos na adolescência e, por isso mesmo, surpreendi-me ao encontrar este livro para doação na Biblioteca Municipal de Santos. Como assim um livro do José de Alencar que eu não me lembro de ter lido?

OUTUBRO: A filosofia na obra de Machado de Assis e Antologia filosófica de Machado de Assis. Miguel Reale, Editora Pioneira, 1982, 144 páginas. Não sei exatamente o que esperar deste livro – A obra jusfilosófica de Miguel Reale é sem dúvida muito conhecida e conceituada, mas, como será ler uma obra filosófica baseada na análise da obra de um dos meus autores prediletos? Ganhei este livro de um amigo, será lido, resenhado e guardado – ou não – afinal, livros devem ser livres para espalhar conhecimentos.

NOVEMBRO: Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga – 190 páginas – Biblioteca Folha. Um clássico da literatura que acabou me fugindo. Não me entendam mal, sempre preferi livros com finais trágicos, tristes mesmo, e por longos anos a ideia de poesia contando uma história não me atraiu muito. Hora de corrigir isso.

DEZEMBRO: Noite na Taverna, Álvares de Azevedo – 73 páginas – Biblioteca Folha. Uma releitura para encerrar o ano. Lembro-me de ter adorado este livro e conservei um exemplar comigo como livro de “estimação”. Acredito que seja o momento de reler, dividir minhas impressões com vocês e depois liberta-lo para o mundo.

É isso, esta é minha listinha para este ano de 2015. Em 2014 não consegui manter esta categoria do blog muito ativa, este ano pretendo publicar algo nela semanalmente. A resenha do livro do mês será postada sempre na última semana, porém, no decorrer do mês espero conseguir postar comentários sobre o autor, sua época, sua obra. E conto com os comentários de vocês… Se alguém quiser seguir a mesma lista, ler e compartilhar suas impressões, fique a vontade!