O caos da semana

Hoje sonda tripulada Crew Dragon retornou ao nosso planeta. Infelizmente, os dois tripulantes não irão encontrar um mundo melhor do que deixaram ao partir há dois meses. O planeta está, literalmente, pegando fogo: Ano passado a Amazônia brasileira sofreu com desmatamentos e queimadas, chegando inclusive a produzir uma nuvem de fumaça que alcançou a cidade de São Paulo. Este ano, os incêndios aumentaram 28% em relação ao mês de Julho/2019, sendo 77% destes incêndios em terras indígenas, colocando os povos originários em uma situação ainda mais perigosa. E por falar em fogo, há incêndios na Itália e também nos Estados Unidos, onde aproximadamente 8 mil pessoas precisaram deixar suas casas devido ao fogo que atinge parte da Califórnia. Aquecimento global, degradação ambiental e tragédias caminham lado a lado, mas aparentemente, os mais ricos, que efetivamente detém o controle econômico e político do mundo, não estão prontos para essa conversa. Por falar em poder político e econômico, uma reportagem veiculada no portal G1 pontuou que atualmente há 40 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza nos Estados Unidos da América – Ironicamente o país que “mete o nariz” onde não é chamado, não consegue ou não quer resolver suas próprias mazelas e acumula números vergonhosos como maior mortalidade infantil do mundo desenvolvido, expectativa de vida menor e menos saudável em relação a outros países ricos e uma grande taxa de encarceramento. Espero que o povo de lá consiga dar início em mudanças necessárias nas eleições deles em Novembro deste ano, não é? Eleições para as quais a nossa familícia presidencial recebeu um sutil cartão de “não se metam” através de uma postagem na qual Elitot Engel, da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos da América diz que os Bolsonaros devem ficar longe das eleições americanas. Enquanto tudo isso acontece, a COVID-19 segue fazendo vítimas e nosso Brasil atinge o segundo lugar mundial no número de mortos – Temos mais mortos que países populosos e pobres como a Índia, por exemplo. E ainda assim o país segue enviando seu povo ao matadouro, reabrindo comércios e discutindo o retorno às aulas presenciais. Pratica-se um genocídio para impedir a “morte de CNPJ”, porém alguém precisa avisar que CPF morto não produz riqueza econômica, pois não consome – Aliás, a única coisa que cresce por aqui é o lucro dos fabricantes de caixões e das funerárias, então, se você costuma investir na Bolsa de Valores, segue a dica. Por falar em investimento, o Brasil precisa urgentemente investir em uma justiça mais célere, afinal, o soldado da FAB, Manoel S. Rodrigues, preso há um ano e um mês na Espanha, após carregar 39kgs de cocaína num avião da FAB rumo ao G20, segue recebendo os depósitos de seus salários, pois não houve pedido de bloqueio – Um verdadeiro descaso com o orçamento público. E a última notícia de hoje é justamente sobre… Dinheiro: Foi anunciada a criação de uma nota de duzentos reais que passará a circular no final de Agosto e terá como estampa um lobo guará (Ainda bem que não homenagearam os eleitores do atual presidente, pois se o tivessem feito, teríamos gado estampado nas cédulas). A notícia preocupou algumas pessoas que, em suas redes sociais, demonstraram preocupação com a dificuldade que será trocar estas notas no comércio, uma vez que as notas de cem reais já causam transtornos com falta de troco – Considerando os preços absurdos dos alimentos (muito embora o Banco Central insista em dizer que não há inflação) e os caminhos questionáveis que o país vem seguindo, arrisco dizer que qualquer ida rápida ao supermercado mais próximo resolverá esta questão: A tal nota de duzentos ficará por lá, sem direito a troco e possivelmente será um valor insuficiente para suprir as necessidades mais básicas – Mas, depois de todas essas notícias azedas sobre o mundo, o importante é ressaltar que, segundo os conservadores, o maior problema da semana foi o fato de certa marca de cosméticos ter escolhido o Thammy Miranda para estrelar sua campanha de dia dos pais – Alegam que Thammy não é pai por não ter um pênis – Como se isso fosse a única coisa que define um ser humano como homem. Ao invés de se preocupar com a ausência de um pênis, que em nada altera a capacidade de exercer a paternidade, acredito que deveriam se preocupar com ausências que efetivamente afetam o país: Questionem a falta de cérebro dos negacionistas, a falta de caráter das classes dominantes e a falta de humanidade dos que insistem em colocar o lucro acima da vida das pessoas.

BEDA: Blog Every Day August – Também participam

Lunna GuedesViviane AlmeidaAdriana AneliClaudia Chris FerreiraDrica MoreiraMariana Gouveia – Obduliono

Rumo ao precipício ou presos eternamente em 2020?

Retomando as notícias da semana, percebi que enquanto o excrementíssimo jumento (com o perdão aos jumentos, animais tão leais e belos, pela comparação que já é clássica entre nós, seres humanos) persegue uma ema com uma caixa de cloroquina nas mãos, deixando no ar dúvidas sobre suas intenções – Que poderiam ser (a) matar a ema numa vingança contra a bicada ocorrida na semana anterior; (b) fazer uma divulgação de natureza duvidosa do remédio ou (c) não havia intenção nenhuma por trás do ato pois a espécie bípede de jumento não consegue sequer raciocinar e imprimir intencionalidade além da famosa arminha com os dedos e repetição de frases de ódio – ouras coisas importantes estão acontecendo pelo nosso planeta: E, acreditem, alguns desses fatos podem influenciar nosso futuro como espécie. Então, deixemos nosso gado por aqui (torcendo para que não surja uma epidemia de febre aftosa ou doença da vaca louca) e começar nosso giro de notícias pela Inglaterra, onde uma nuvem quilométrica de formigas voadoras foi avistada e confundida com chuva por um radar. O fenômeno ocorre por ocasião da época de acasalamento dos insetos – Pelo menos elas estão com sorte e podem acasalar em segurança, sem máscaras e distanciamento social, certo? Viva o amor e vamos torcer para que a teia alimentar esteja bem equilibrada para aqueles lados, senão haverá uma super população de formigas. Outro fato que foi pouco divulgado: A temperatura ao norte do globo terrestre vem sofrendo um aquecimento substancial, chegando a 32 graus no Alasca e, pasmem: Há grandes áreas de tundra sendo destruídas por incêndios. Regiões antes geladas como a Sibéria e a Groelândia também apresentam incêndios descontrolados que, segundo os especialistas, devem liberar bastante dióxido de carbono na atmosfera. Não é preciso ser nenhum gênio para entender que ou mudamos nossos hábitos diários e nosso sistema econômico e de produção a nível mundial, ou seremos engolidos cada vez mais por epidemias, aquecimento global, poluição e morte – Continuar como estamos é caminhar a passos largos rumo a extinção de nossa própria espécie. E por falar em espécies, nos Estados Unidos a mortandade de esquilos levanta um alerta para uma possível onda de casos de peste bubônica, doença que também esteve em evidência nas fronteiras entre China e Mongólia (é, eu avisei que os pensamentos retrógrados de algumas pessoas estão fazendo o mundo girar ao contrário e que, em breve, iríamos ter que lidar com a peste negra e as fogueiras em praça pública). No campo político a notícia boa é que Trump aparentemente vem perdendo força nos Estados Unidos – E aí fica a dúvida, o nosso “patriota” irá imitar o próximo presidente norte-americano ou irá chorar a saudades do Trump na cama, que é lugar quente? Ainda observando nossos vizinhos mais ao norte, vemos que por lá se intensificam os protestos contra casos de racismo e há lugares em que monumentos homenageando personalidades escravocratas estão sendo removidos – O que não apaga o papel danoso dessas pessoas no mundo. Seja como for, com ou sem monumentos, é interessante ver as lutas avançando. Por aqui, tivemos nossos casos de violência policial e seguimos sobre ataques do governo: Enquanto descarta-se a ideia de taxar as grandes fortunas, a equipe de Paulo Guedes dá os primeiros passos para criar uma nova CPMF e taxar livros, ações que irão diminuir ainda mais o poder de compra dos cidadãos e encarecer o acesso à cultura. Por parte do Ministério da Saúde, que ainda se encontra nas mãos do interino, reportagens mostram que a verba destinada ao combate à pandemia do novo coronavírus não vem sendo utilizada, enquanto isso, há declarações no sentido de que não seria obrigação da citada pasta ministerial comprar testes e respiradores – Ou seja, enquanto o maluco egocêntrico norte-americano, com todos os defeitos possíveis, busca garantir vacina e suplementos para sua população, por aqui empurra-se cloroquina (que comprovadamente não possuí eficácia) e nega-se auxílio para que haja um isolamento social adequado e atendimento médico digno à população, ao mesmo tempo em que se planeja o achatamento da renda através da criação dos impostos já comentados. Por último e não menos importante: A tradicional queima de fogos na noite de ano novo no Rio de Janeiro foi cancelada. Agora é torcer para que não cancelem a transmissão anual do Roberto Carlos na TV Globo, afinal, com o cancelamento de tais eventos, arriscamos a entrar em uma fenda temporal e ficar presos para sempre em 2020, comendo sanduíche de cloroquina e tentando encontrar uma saída para o caos – Aliás, quando nós, leitores e leitoras, suspiramos e olhamos para o céu pedindo para viver emoções dignas de livros, temos em mente romances épicos e não distopias e terror onde, aparentemente, o roteirista já não sabe mais o que fazer para acabar de uma vez com o mundo criado, então, na próxima vez que fechar um livro e desejar viver um romance, deixem claro QUAL romance, pois aparentemente o Universo andou ouvindo nossos pedidos e nos trancou em um livro de terror distópico.

A eleição e a revolução dos animais

Tudo parece ter começado quando papagaios-robôs iniciaram uma campanha baseada na repetição cansativa e ininterrupta de mentiras como mamadeiras de * (me recuso a escrever, vocês sabem do que se trata, certo?), kit gay e tantas outras coisas sem nenhum respaldo na realidade. Tivemos tempo para perceber que a coisa iria descambar, mas embora alguns e algumas tenham percebido rápido, outros quedaram-se letárgicos e, de repente, já havia gado nas ruas apoiando os papagaios e repetindo com suas vozes raivosas: “e o PT?”. E assim, apoiado por uma legião de gado falante, elegeu-se o jumento para o cargo mais alto da república (há controvérsias, alguns insistem em dizer que elegemos uma anta, o que também não seria nada errado).  O fato é que o país que já caminhava a passos largos para o abismo desde o governo do vampiro golpista,  passou a correr em direção ao caos. Se nas matas das fábulas o leão é rei, aqui, onde um ruminante utiliza a faixa presidencial, as coisas vão de mal a pior, pois, como todos e todas sabem, jumentos não conseguem fazer planos sensatos, eles comem a grama, ruminam, fazem cocô e soltam gases poluentes. No caso, a “grama”, é o dinheiro público utilizado em rachadinhas ou até mesmo, “para comer gente”, conforme o dito já disse rispidamente em uma entrevista. O cocô é onde a imagem do país está sendo jogada e os gases poluentes nós conseguimos encontrar facilmente pairando no ar poluído pelas queimadas que aumentaram desde o ano de 2019. Tudo bem, verdade seja dita: Assim como há pessoas sensatas que votaram contra esse projeto de Hitler tupiniquim, há também animais sensatos: O cavalo que tentou impedir a posse passando em frente ao carro presidencial, a ema que bicou o presidente desejando talvez ter o mesmo veneno da Naja… Pois é, vivemos uma guerra dos bichos por aqui e nem estamos nos dando conta. Por enquanto, estamos encurralados entre hienas fardadas que  pisam no pescoço de trabalhadoras negras (aliás, vidas negras importam mesmo? Ou isso só vale quando a tragédia ocorre em outro país?, mera pergunta de uma pessoa inconformada com o silêncio quase ensurdecedor desta semana), jumentos presidenciais, um vírus letal e gado galopante. Mas tenho esperança de que, num futuro não tão distante, o povo seja capaz de ouvir a sabedoria das corujas – símbolos de uma classe que está ralando muito para manter a educação funcionando em meio ao caos e a tanta desigualdade – E entenda que é preciso pensar e analisar bem antes de apertar qualquer número na urna para evitar que o gado vença o pleito, o jumento assuma a presidência, as matas se queimem e as vacas se atolem no brejo.

A pizza, o suco de laranja e a naja presidencial.

Tem um dia de verão no meu inverno e isso me deixa sem vontade de fazer praticamente qualquer coisa, porém, lembro-me que hoje é Domingo, dia de falar sobre o país, o mundo, a pizza e o suco de laranja. Por falar em suco de laranja, com a prisão de Queiroz convertida em prisão domiciliar, aumentam os riscos de que, no final, a laranjada acabe em pizza – Aliás, como bom esposo, Queiroz já está dividindo a pizza e o suco de laranja com a esposa que estava foragida até este sábado, mas voltou para casa após ter sua prisão também convertida em domiciliar – Me recuso a pesquisar fundamentos jurídicos, mas arrisco dizer que é um fenômeno jurídico raro, talvez único, a conversão da prisão de uma foragida para uma condição mais branda. E por falar em laranjas, pizzas e casamentos, o presidente que no início da pandemia precisou ser judicialmente obrigado a mostrar um exame de coronavírus negativo, repentinamente apresentou sintomas e declarou ter contraído a doença – Por coincidência em uma semana sensível diante das investigações sobre as rachadinhas que, ao que tudo indica, aconteciam em seu gabinete desde a época em que foi deputado – A parte curiosa é: Quando a maioria da comitiva presidencial adoeceu, ele foi a exceção, agora, nem mesmo a primeira dama testou positivo apesar do contato com ele, o que levanta suspeitas em muita gente de que a doença seja apenas mais uma desculpa para esquivar-se das respostas que precisam ser dadas. Pelo há algo azedo na laranjada presidencial. Outro destaque da semana é o anúncio do novo ministro da educação – Lembram que domingo passado eu comentei que estamos andando a passos largos em direção a uma nova idade média e que se não tomarmos cuidado, logo haverá fogueiras em praça pública? Pois é! O que me dizem dessa velha novidade que parece ter sido retirada diretamente de um armário perdido nos séculos? Um religioso que não deveria sequer assumir uma Igreja, portador de opiniões antiquadas, defensor até mesmo da aplicação de castigos físicos sob a fala de que crianças precisam sentir dor. Para ser ministro deste (des)governo, aparentemente os requisitos são: Ignorância, pensamentos retrógrados, fascismo e uma exacerbada religiosidade que não passa de falsa moral, também conhecida como hipocrisia, e oportunismo. Possivelmente, a única notícia boa desta semana foi a quase liberdade da cobra escravizada pelo playboy do planalto central! Num ato heróico a serpente mordeu seu raptor e acabou levando a polícia a encontrar as outras espécies criadas clandestinamente, em condições insalubres e degradantes para a vida animal. Espero que as cobras sejam devidamente encaminhadas a um lugar confortável e adequado, afinal, vamos concordar que é muita tristeza ser seqüestrada, traficada e ainda viver no Brasil (des)governado pelo Bolsonaro – Aliás, talvez entregar para a naja nossa faixa presidencial fosse uma boa ideia, afinal ela não fala asneira, não pratica rachadinha, não aprecia suco de laranja e, principalmente, mata uma pessoa por vez, diferente do genocídio promovido pelo atual governo através do péssimo gerenciamento da pandemia e das políticas contínuas de desmonte da saúde pública e retirada de direitos básicos, e o melhor, após empossar a cobra, bastaria colocar um ser humano competente para tutelar o réptil e teríamos um início de recuperação para este país, que está na UTI apesar das manchetes irresponsáveis alardeando um falso novo normal. Sabe de uma coisa? O jeito é comer um bom pedaço de pizza (afinal, dia 10/07 foi o Dia da Pizza, segundo o calendário capitalista) e aguardar pacientemente o desenrolar da próxima semana.

Pró-vida?

Uma característica bem interessante da maioria dos eleitores do atual presidente é a bandeira “pró-vida” – Num primeiro olhar, pode parecer lindo atribuir-se esse título não é mesmo? Afinal, quem em sã consciência seria contra a vida? Entretanto, a passagem desse ano e meio de mandato deveria enojar qualquer pessoa que fosse realmente defensora da vida: Estamos em meio a uma pandemia, sem ministro da saúde e com uma ministra da mulher, da família e dos direitos empenhada em promover um concurso de máscaras para crianças – e a máscara campeã, com a ilustração e formato de uma vaquinha, só podem ser piada pronta ou a aceitação formal do título de “gado” atribuído aos que se deixam levar pelo berrante do Jair. Se isso é ser pró-vida, juro que eu gostaria de entender o que afinal significaria ser pró-morte – Afinal, na lei que estabelece a obrigatoriedade do uso de máscaras, o presidente vetou o artigo que exigia o uso do equipamento em estabelecimentos comerciais, industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais lugares fechados em que haja reunião de pessoas. Veja: Na prática as constantes omissões são um caminho a passos largos em direção a um precipício de novos casos de adoecimento e morte. Observando de perto, podemos utilizar aquela frase cuja autoria eu desconheço: Não é pró-vida, é pró-feto. Afinal, segundo Jair e seu rebanho, o aborto deve permanecer proibido (e isso não é uma atitude pró-vida, mas uma punição a toda e qualquer mulher que se permita viver o sexo de maneira livre e plena, como o homem já faz desde que o mundo é mundo), mas a milícia pode seguir matando, a COVID segue sem controle, a água está em vias de ser privatizada inviabilizando ainda mais o mínimo necessário a sobrevivência (é só ver o que aconteceu em outros países do mundo onde água e saneamento foram privatizados), os agrotóxicos liberados causam grande impacto na saúde humana e a educação segue sucateada – Afinal, no projeto de escravizar o povo e vender nossas riquezas, não há espaço para investir em um aperfeiçoamento intelectual do povo brasileiro, não é verdade? E para encerrar a semana com chave de ouro, é impossível não citar duas outras ocorrências marcantes: Um ciclone que causou destruição no Sul do país e um surto de peste na fronteira da Mongólia com a Rússia – Estaríamos vivendo um momento tão retrógrado que forçamos a Terra (plana?) a girar para trás, abandonando o caminhar em direção ao futuro e aportando logo ali na Idade Média? Se não tomarmos cuidado, em breve veremos bruxas queimadas em praças públicas.

#Pride

Menina que ama menina

Menino que ama menino

Menino que ama menino

E ama menina

Menina que ama menina

E ama menino também

O amor está na alma, meu bem

Está tudo certo, está tudo bem

Se na alma e no espelho

O reflexo não é o mesmo

Que está na certidão de nascimento

Pense um momento:

O que deve prevalecer

A realidade no âmago do ser

Ou um velho documento?

Liberdade para amar

Liberdade para existir

Luta para resistir

Amor e força para lutar

Afinal

O mundo não é o seu quintal

Caia o muro do preconceito

Prevaleça o respeito

O problema a cada segundo

Deveria ser o ódio

E não o amor

Se alguém odeia

Semeia

Sofrimento e dor

Se o vermelho do arco-íris

Pode ser vermelho de amor

Sorria

Não deixe que a violência

Faça do vermelho – paixão

Um rio de luto e sangue

Derramado pelo chão

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Um suco de laranja, por favor.

Os últimos dias foram marcados por clima quente não apenas nos termômetros, mas também nas notícias, então, pegue seu suco de laranja bem azeda (para combinar com o panorama mundial) e vamos relembrar os principais fatos dessa semana que já começou fervendo: A prisão da ex-feminista, líder do Ku Klux Klan cover conhecido como 300, Sara Winter (Vocês sabem que ela copiou esse nome de uma nazista, certo?) causou uma onda de comemorações e repúdios nas redes. Em seguida, tivemos a prisão do Queiroz, aquele motorista das rachadinhas, que virou simpatia para dar sorte na virada do ano (Lembram? Pular 17 ondinhas e dizer “São Queiroz, são Queiroz, faz um depósito pra nós), pois é, gente, essa famía(lícia) tem funcionários tão dedicados que chegam ao ápice da solidariedade e depositam vários envelopes na conta do patrão. Agora precisamos mandar boas energias, afinal, sempre existe o risco do Queiroz contrair algumas doenças que andam na moda nesse país pandêmico pós moderno:COVID-19, COVID 8mm, acidente automobilístico, ou infarto. A cereja do bolo – Ou talvez a laranja do drink – é saber que a prisão ocorreu na casa do advogado que defende o deputado das rachadinhas (cujo sobrenome começa com Bol e termina com sonaro) – Resta saber se o advogado está inovando a profissão e oferecendo advocacia com hospedagem e suco de laranja grátis ou se ele levou a sério demais aquela máxima que a direita adora falar: “Tá com pena de bandido? Leva pra casa”. Também dissemos adeus a um incompetente ministro da educação – Não que faça uma grande diferença, pois sempre é possível vir alguém pior, ou algum interino como aconteceu na saúde. Quanto ao bumbum de fora do novo ministro da cultura, prefiro não comentar, afinal, a bunda é dele e ele tem todo direito de tirar fotos artísticas com ela de fora – Melhor a bunda de fora do que a bunda num calção cheio de talco sendo usada como explicação sobre o que é cultura, não é mesmo? Não que eu tenha grandes esperanças nos rumos da cultura. Para completar o pequeno giro da semana, peço-lhes que bebam o que restou do suco de laranja e façam alguns minutos de silêncio, afinal, em meio a medidas de flexibilização da quarentena (que sequer existiu para a maioria da população), atingimos 50 mil óbitos pela COVID-19. Façamos um silêncio prolongado e, talvez consigamos captar o som dos copos que o presidente e seu gabinete do ódio devem estar erguendo para brindar neste momento – Se com leite ou com suco de laranja, eu já não sei.

Hoje, apesar do caos, eu quero falar de amor.

Finalmente a chuva e o frio típicos do inverno estão dando as caras por aqui. E com o frio meu humor diário melhora e por alguns momentos, eu encaro a página em branco pensando: Não, hoje eu não vou falar sobre o governo jogando para ocultar o número de mortos da COVID (e dizendo que a intenção era melhorar o sistema), nem sobre as sinistras filas nos comércios que vão aos poucos reabrindo durante o pico da pandemia ou sobre o fato de que países europeus proibiram vôos vindos do Brasil ao ver o descontrole da situação por aqui… Pois é, eu realmente não quero falar sobre tudo isso, mas já acabei falando. Entretanto, no próximo parágrafo eu prometo ignorar o caos e falar de amor. Não porque foi o dia dos namorados na sexta feira – Coisa que eu esqueci e acabei não preparando uma listinha de músicas ou filmes fofos para postar aqui no blog. Quero falar de amor em um sentido que acompanhe meus textos de domingo: O amor que acontece no mundo e todo seu sentido social e politico.

E como o amor é bem mais que a relação romântica que ocorre entre pessoas começaremos falando logo de um tema polêmico – Nesta Quinta Feira foi exibido no canal Corpo Rastreado (youtube) a peça teatral “O Evangelho Segundo Jesus, A Rainha do Céu”, monólogo onde a atriz e ativista trans Renata Carvalho recria a vida de Cristo vindo ao mundo como uma travesti. A peça, exibida na emblemática data no feriado de Corpus Christi, reflete sobre o amor na sociedade, sobre empatia e sobre a forma como as minorias são tratadas – Afinal, como seria se Jesus realmente voltasse como uma pessoa trans? A autora transexual Jô Clifford consegue passar uma verdadeira imagem de amor.

A segunda notícia sobre o amor é mais romântica e polêmica: Um trisal de Sorocaba está esperando o nascimento do segundo bebê. Para quem não sabe, trisal é uma relação amorosa entre três pessoas. Diferente do que muitas pessoas pensam, a poligamia não é sinônimo de pessoas tendo relações aleatórias e sem cuidado. O poliamor ou poliafetividade é uma relação onde os envolvidos possuem a intenção de manter uma relação romântico-amorosa com respeito, atenção e carinho entre si, por longo prazo (sabe o “até que a morte os separe?”, então, imagine isso dito por três pessoas e vocês irão entender o conceito de trisal). A família de Sorocaba é formado por Marília Gabriela, Natali Júlia, Jonathan e o filho Raoni, além da menina que ainda irá nascer – De acordo com a reportagem, a relação teve início em 2011 e, como em muitos casos, as pessoas envolvidas não pensavam em formar um trisal. Infelizmente no Brasil as uniões poliafetivas são proibidas e as já existentes foram anuladas – O que não impede que, de fato, existam pessoas vivenciando essa rotina e tendo dia a dia seus direitos negados perante a legislação de um Estado que insiste em querer comandar o sentimento e o corpo das pessoas, ditando regras que não lhe caberiam ditar – Tudo em nome de moral e bons costumes – Conceitos que as bancadas do Boi, da Bala e da Bíblia e seus seguidores já jogaram pelo ralo há muito tempo e que, de verdade, jamais deveriam ter como balizas a maneira como os seres humanos decidem amar e utilizar seus próprios corpos.

Quem quiser ler a reportagem original sobre o trisal, é só clicar aqui no link.

Sobre pizza e sobre nunca ter feito amigos bebendo leite

O Domingo vai chegando ao fim. Que semana! Na cozinha, penso nos últimos acontecimentos – O caos mundial, por alguns momentos, toma o lugar da poesia, dos contos da menina, dos amores da mulher. Enquanto corto a berinjela, questiono, de mim para mim – O mundo não deveria ser um lugar belo, gentil, doce? E então, uma frase da Lou A. Salomé é sussurrada pela minha memória: “O mundo não lhe será gentil, creia-me. Se quiser ter uma vida, roube-a”. E assim, numa realidade onde as pessoas pertencentes às classes dominantes acordam e, antes mesmo de beber o primeiro gole de café, pensam “O que farei hoje para piorar a vida dos trabalhadores e destruir o meio ambiente?”, percebo que a grande maioria de nós tem feito muito pouco para “roubar” uma vida digna de ser vivida – E o sistema, embora não seja um ser vivo, vem roubando a nossa vida. E assim, vimos o Brasil aumentar descontroladamente o número de mortos pelo vírus, vimos o fechamento das bases do Projeto Tamar, vimos pessoas insanas imitando a Ku Klux Klan em apoio a um louco que ascendeu ao poder nas últimas eleições e, dia após dia, nos leva a um abismo. Nos Estados Unidos, um policial quebrou o pescoço de George Floyd, um homem negro já rendido no chão e o presidente de lá incita a polícia a atirar em manifestantes (O que esperar de quem separa mães e filhos na fronteira, além de barbárie). E não, não é o momento de tomar as ruas, existe um inimigo invisível capaz de dizimar populações inteiras, mas, por outro lado, “se queres ter uma vida, roube-a”, e é isso que essas pessoas que corajosamente estão nas ruas fazem: Tentam roubar de volta o direito a uma vida que o sistema capitalista nos tomou, e eles o fazem por eles e por nós. Meus olhos brilham ao ver a reação do povo norte americano e imagino que, se a cada jovem assassinado pela polícia brasileira, houvesse uma reação idêntica a que ocorre por lá, já não teríamos mais pedra sobre pedra ou já não teríamos mais tantos e tão freqüentes barbáries. Por lá, eles estão lutando e essa luta já se espalhou pela Alemanha. Quando chegará aqui? Outro caso interessante, pensado entre alho, cebola e uvas passas que irão para a panela: Hoje, brasileiros que desejam uma ditadura, foram às ruas e encontraram, nas mesmas ruas, brasileiros que lutam pela democracia – Quem apanhou? Os segundos, infelizmente. Fica aqui, neste texto, minha homenagem a eles e elas, que enfrentaram fascistas, polícia e vírus em nome do bem comum. Se não fosse o vírus, eu estaria nas ruas também, mas essa já é outra história. Por fim, enquanto coloco sobre a massa de pizza esse recheio de berinjela com passas, pedaços de pimentão e de tofu (quem quiser saber a receita da pizza, vá para o outro post, lá tem e o texto é menos indigesto), torço para que esse desgoverno não acabe em uma gigantesca pizza e ao mesmo tempo, lembro que preciso pesquisar sobre a relação entre beber leite e rituais de supremacia branca – Uma das últimas peripécias governamentais foi uma “live” bebendo leite e muitas pessoas dizem que há todo um escroto simbolismo no ato – Na dúvida, meus amigos, vos digo: Ainda bem que nunca fiz amigos bebendo leite!

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