Capítulo 2

Valeska não podia acreditar no que via,era como se houvesse pegado a trilha errada e, ao invés de ir para a cachoeira da fazenda, houvesse entrado num túnel que a conduziu através do tempo e espaço até algum lugar perdido, na lendária Ilha de Avalon, na Terra das Fadas, ou, mais provavelmente, na Grécia antiga… Não era possível que aquela bela ninfa que nadava ali, tão distraída e alegre como se já fizesse parte da paisagem fosse a Melissa, de quem seus pais tanto falaram.
Sentou-se numa pedra um pouco distante, de onde podia observar à vontade quase sem o risco de ser flagrada; Melissa nadava de camiseta e short, pela transparência da roupa molhada podia-se notar um corpo perfeitamente torneado, seios de tamanho médio, rijos, cabelos negros como a noite, cacheados, formando uma cascata até os quadris, pele alva, quase rosada…
-Oi!Você deve ser a Valeska, não?
Eram os olhos mais lindos que Valeska já havia visto. Esverdeados e profundos, cheios de mistérios.
-É, Valeska, sou eu…
-Eu sou Melissa. O que faz parada aí?Vem nadar, a água está uma delícia!
-Ãh, é melhor não… Estou com um pouco de frio,prefiro ficar aqui sentada,vendo a paisagem…
Num movimento incrivelmente ágil, Melissa saiu da água e se colocou ao lado de Valeska, mostrando suas pernas longas e firmes, Valeska sentiu nesse momento o desejo de abraçar a nova amiga e possuí-la ali mesmo, com as árvores e seres encantados da floresta por testemunhas, mas tinha que se controlar, por mais difícil que fosse.
Começaram a conversar e, como não podia deixar de ser, falaram de suas vidas, do que gostavam. Melissa tinha apenas quinze anos, apesar do corpo bem desenvolvido. Ainda era pura como a água do riacho, tendo sido tocada apenas pelo vento… Não conhecia sequer o mel de um beijo de amor, mas seu olhar já demonstrava os primeiros e reluzentes raios do Desejo. Valeska tomou o cuidado de não citar em nenhum momento o nome da amiga Marjorie, temia que seus olhos pudessem traí-la. De si,disse apenas que já tinha namorado durante alguns meses,escondido dos pais.Em poucos instantes,tiveram a sensação de que já se conheciam há  anos. Melissa convenceu Valeska a cair na água e,em sua inocência,permitia que o corpo de Valeska encostasse de leve no seu e que as mãos de sua nova amiga tocassem seu corpo,sem perceber o prazer que Valeska sentia nesses pequenos gestos.
A mãe de Valeska veio chamá-las para almoçar, o que as deixou surpresas, como podia a manhã ter passado tão rapidamente?
As duas famílias almoçaram na casa de Seu Lucas, a comida era simples, mas fora preparada com muito carinho por D.Isabela, mãe de Melissa.
As meninas passaram a tarde todas juntas, cavalgaram pelo campo, correram e subiram em árvores até ficarem completamente exaustas. Durante todo o tempo, Valeska não conseguia desviar os olhos de Melissa, sabia que era loucura, mas não conseguia apagar de sua mente a idéia de ser a primeira a mostrar-lhe o sabor de um beijo, de uma noite de amor.
Despediram-se ao pôr do Sol. Ao chegar a casa, Valeska tomou um banho quente e, alegando estar muito cansada, recolheu-se cedo. Não conseguiu dormir, a idéia de que Melissa viria passar o dia seguinte com ela a deixava tensa, precisava se controlar. Lembrou-se também de Marjorie, como estaria ela?Certamente com saudades. E ela ali, pensando em viver um amor de verão com uma menina três anos mais nova. Era absurdo. Viver uma noite que fosse com Melissa seria jogar fora dois anos de fidelidade, confiança e amor entre ela e Marjorie. Ela não podia fazer isso. E não faria.

(Imagem: Internet)

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