Capítulo 6 – Uma noite de amor

 

BIANCA

“Podemos demorar uma vida para encontrar nosso grande amor, mas bastam alguns segundos para perdê-lo”

 

  

 

Carmilla e Emanuela se encontraram em um pequeno porém badalado barzinho. Havia música ao vivo – uma banda de rock pesado. Após algumas bebidas decidiram ir para um local mais tranqüilo. Apesar da insistência de Emanuela para que fossem de taxi, Carmilla fez questão de ir de carro como se o álcool não a afetasse…
No motel Carmilla parecia não ter nenhuma pressa: Beijava e acariciava Emanuela tranquilamente. Não a despiu logo como qualquer outra pessoa faria, colocou uma música suave e ficaram ali, por algumas horas apenas namorando … Emanuela estava achando maravilhosa essa ternura. Era a primeira vez que alguém a tratava daquela maneira na hora do sexo. Será que esse relacionamento teria futuro? Ou seriam apenas algumas noites como todos os outros?
Carmilla começou então a retirar delicadamente as roupas de Emanuela. Ficou um longo tempo a observá-la nua, deitada na cama, nívea, contrastando com os lençóis vermelhos… Era uma cena deliciosa. Acariciou seus seios, beijou-lhe o pescoço, o corpo, deixou que suas mãos passeassem pela barriga, brincassem com pelos pubianos, descendo depois até a parte interna das coxas. Depois começou a beijar-lhe todo o corpo. Há quantos séculos não tocava uma mulher. Que cheiro, que pele suave. Podia senti-la arrepiada, esfregando levemente o corpo contra o dela. Seu sexo úmido, pronto para ser tocado, penetrado pelos seus dedos, ávido de prazer. Os cabelos desalinhados, as faces já rosadas…
Bianca decidiu procurar Emanuela, fazia tempo que não via a amada. Onde estaria? Conseguiu localizar o motel para onde havia ido com uma garota desconhecida. Ao chegar ao quarto, Bianca ficou em choque ao ver sua amada nos braços de uma Vampira. Emanuela sentiu a presença de Bianca e não deixou que isso a incomodasse, sabia que já fora observada por ela outras vezes.
-Carmilla?
Ela até então não havia se dado conta da presença de Bianca, apesar de seus sentidos aguçados, estivera muito concentrada.
-Olá Bianca, finalmente nos reencontramos, não? É, acho que você perdeu.
-Do que vocês estão falando?
-De uma história que vai além, muito além do que você pode imaginar algo que começou na época feudal, e depois.
-Carmilla, você também é uma delas?
-Sim, uma vampira, ela me transformou nisso, sem ao menos perguntar se eu queria ser transformada. E eu jurei a mim mesma que um dia eu iria te arrebatar aos braços dela, assim como ela me arrebatou aos braços de meu único amor.
-Quero ir para casa, não vou acompanhar nenhuma de vocês, sou mortal e assim quero continuar!
-Acho que você não tem mais essa opção.
Numa rapidez incrível, Carmilla mordeu o pescoço de Emanuela, Bianca não conseguiu fazer nada para impedir.
Carmilla deixou que Emanuela perdesse muito sangue, pensava se a deixava morrer, ou se lhe dava o Beijo. Decidiu pelo Beijo, apesar dos esforços da garota, que preferia morrer a ser transformada.
 

 Alguns meses depois Emanuela acordou num casarão colonial, no sul dos Estados Unidos. Tratava-se da casa de Carmilla. Agora, ela era apenas uma serva de Carmilla. Não freqüentou a Escola de Vampiros. Aprendeu tudo o que deveria com sua Senhora. Era mantida presa durante dias e noites, tendo permissão apenas para sair e se alimentar. Vivendo desta forma, teve muito tempo para pensar. Se houvesse aceitado a proposta de Bianca estaria ao lado de um ser que a amava de verdade… Acima de tudo, sentia muita falta da família, da luz do Sol, do mar. Um banho de mar era tudo o que mais queria… Saudade, palavra dolorida… Dor indefinível, saudades do que vivemos e do que não vivemos… Das pessoas que amamos, de todas as vezes que quisemos dizer “eu te amo” e deixamos para depois. Às vezes, o depois não acontece nunca mais…
Bianca rondava o casarão de Carmilla durante várias e várias noites, acompanhava a amada de longe, mas sabia que, durante 113 longos anos, Emanuela seria uma serva de Carmilla, e nada poderia mudar isso.