Fuga

A inspiração foge e se esconde
Corre sabe-se lá para onde
Brinca, baila, canta, corre
Diverte-se nessa alma que sem amor, morre

As palavras por vezes desaparecem
De me consolar, esquecem
Afogam-se nas lágrimas que descem
Perdem-se nos sonhos que esmorecem

E onde poderei a inspiração encontrar?
Como viver sem poder falar?
Sem conseguir expressar
Incapaz de escrever a dor de amar

Peço às musas inspiração
Tento e tento descrever a paixão
Mas esquecer dos teus olhos brilhantes
Impossível! Um coração quebrado jamais será como antes

Em sonhos te encontro e me perco
O amor que traz inspiração fecha o cerco
Trazendo também a dor
E pouco a pouco morro de amor

(07-07-2011)

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VivianeMariana Gouveia

Parasse o vento de soprar

Parasse o vento de soprar
Desaparecessem as ondas do mar
Secasse a chuva e todo pranto
Apagassem as estrelas, calassem meu canto

Morresse meu corpo consumido pela dor
Na fogueira da saudade meu coração queimasse
Olhos cerrados pela eternidade, sem temor
Uma alma livre para viver de amor

Quisera poder flutuar em tua direção
Como quem tudo e nada quer
Como quem deseja ser apenas mulher
Como se fosse possível afogar-me em tua paixão

Mas, não sei por que o destino insiste
Talvez goste de fazer-me sempre triste
Os deuses me negam tua presença
Fazendo-me sofrer esta dor intensa

Será que teu coração está selado?
Para tanto amor fechado?
Não gostaria de viver pelo amor embriagado
Deitando-se comigo ao luar, lado a lado?

Será muito o que peço, oh, vida cruel?
Livrar-me deste amor amargo como fel
Tê-lo ao meu lado para amar eternamente
Ou fechar meus olhos e esquecê-lo simplesmente

06-07-2011
(Escrito para uma concorrer a vaga em uma antologia de poemas sobre amor)

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Meu Amor (Acróstico/2010)

Minha vida sem você é uma luz que

Está sempre apagada

Um barco perdido em

Alto Mar

Mirante sem paisagem

Onde ninguém gosta de ficar, é flor sem

Raiz, pois seu amor é a raiz que me faz florescer

(Poema escrito em 2010 para o romance Valeska)

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O Vampiro

Sou andarilho solitário

Domino cada madrugada

Em cada obscuro atalho

Deixo minha marca registrada

Em cada corpo sem vida

Uma única ferida

Duas presas perfuraram

Todo o teu sangue drenaram

Não temo o chumbo ou a espada

Não é tão fácil minha vida ceifar

Sou criatura desalmada

Da tua alma posso me alimentar

Não apareço no espelho

Encho-me de desejo

Pelo teu sangue vermelho

Teu futuro prevejo

Desejo animal

Instinto

Um copo de sangue tinto

Refeição frugal

(04-04-12)

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#Pride

Menina que ama menina

Menino que ama menino

Menino que ama menino

E ama menina

Menina que ama menina

E ama menino também

O amor está na alma, meu bem

Está tudo certo, está tudo bem

Se na alma e no espelho

O reflexo não é o mesmo

Que está na certidão de nascimento

Pense um momento:

O que deve prevalecer

A realidade no âmago do ser

Ou um velho documento?

Liberdade para amar

Liberdade para existir

Luta para resistir

Amor e força para lutar

Afinal

O mundo não é o seu quintal

Caia o muro do preconceito

Prevaleça o respeito

O problema a cada segundo

Deveria ser o ódio

E não o amor

Se alguém odeia

Semeia

Sofrimento e dor

Se o vermelho do arco-íris

Pode ser vermelho de amor

Sorria

Não deixe que a violência

Faça do vermelho – paixão

Um rio de luto e sangue

Derramado pelo chão

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Trabalhador

Quem produz a riqueza desse mundão?
Quem faz com que não falte o pão
O arroz, o feijão, o legume, o macarrão?
Quem constrói o prédio que arranha o céu?
Quem desafia o perigo e coleta o mel?
Quem fia a linha, costura a vestimenta
Quem vende aquela bala de menta?
É ele, o patrão. Sim ou não?
O patrão, imponente em sua sala
Ele manda, ordena, fala
Nada produz apenas goza o fruto da labuta
Do trabalhador que vive na luta
Da trabalhadora que morre na luta
Da trabalhadora que no fim do dia, cansada
Ainda encara pela frente outra jornada
Do trabalhador que no fim do dia, cansado
Não consegue um prato balanceado
O patrão usurpa o império
Que o sangue do trabalhador constrói
E na televisão, com semblante sério
Diz que é difícil empreender:
Que seu Zé tem muitos direitos
Que torna seus lucros rarefeitos
Que Dona Maria tem que ganhar menos
Que não aguenta lucros tão pequenos
Que é difícil a empresa sobreviver
Sem aumentar a jornada
Sem deixar quem trabalha sem direito a nada
E em lobby obscuro desconstrói
As já minguadas garantias de quem carrega
A economia do mundo nas costas
E mesmo doente, cansado, não arrega
Não desiste, persiste, ainda que triste
Ainda que faminto, ainda que sem estudo
Ainda que lhes falte tudo.
O patrão bate no peito, orgulhoso
Diz que é rico porque merece
Até parece que esquece
Do dinheiro que herdou
Do imposto que sonegou
Das pequenas corrupções
Das grandes devastações
Não pense em crise, trabalhe
Com a fome batendo na porta
Com a aposentadoria tão distante
Não pense em crise, trabalhe
Em meio a uma pandemia
Pro bem maior – Salvar a economia
Patrão em sua casa confortável
Tenta defender, incansável
A necropolítica genocida
Sangue derramado na pátria amada
Adormecida, devastada, vilipendiada
E daí se houver morte, se faltar caixão
Não pode é prejudicar o capital
Que moveu a campanha do capetão
Não pode faltar o dízimo do pastor falastrão
A rachadinha, a compra de votos, a sonegação
Primeiro de Maio, dia do trabalhador
Trabalhador é quem trabalha
Trabalhador que sente a dor
Que trabalha a dor, com dor
Trabalhador – E trabalhadora
Esquecida até título da comemoração
Que sequer tem o que comemorar
Mas que deve servir para lembrar
A frase dita no Manifesto
“Trabalhadores do mundo, uni-vos”
(Nota da poesia: Trabalhadoras, também)
Lembrem-se sempre da lição:
Sem o trabalhador fica vazia a mão do patrão
Sem trabalhadora, fica vazia a conta da patroa.

Mulher Deusa

“Seu corpo é um templo” eles dizem
Enquanto te vendem uma imagem ideal. Ou irreal?
Perfeição- Magra, alta, peitos durinhos  bunda empinada. Depilada. Maquiada.
Eles dizem enquanto te sufocam numa tripla jornada
Casa limpa? Obrigação dela
Filhos? Quem cuida? Ela!
Sem filhos? Como ela é malvada, individualista
Julgamentos sem final
Se não trabalha? Vigarista, folgada
Trabalha demais? Egoísta, mal amada.
Sem opinião. Te querem explorada, vítima.
Tantas vezes humilhada, noutras assassinada.
Mas fica tranquila! No dia 08 de Março tem flores, algumas vezes vinho e bombom
Vocês acham que tá bom?
Mulher deixa eu te contar:
Seu corpo é seu templo e seu altar. E você ? Você é uma Deusa poderosa
Sua vida não é cor de rosa
Você tem que ser forte
E pode se quiser ser vaidosa
Seu corpo é seu templo e você pode escolher
Quando, quantos e quais visitas deseja receber
Pois sexo é uma oferenda de afeto e prazer
Não é obrigação de entregar seu coração
Nem te faz fácil, devassa e outras coisas que falam esses sem noção
Sacerdotisa de si mesma, use a roupa que quiser
Calça comprida e cabelo curto não te faz menos mulher  e roupa curta não te faz puta
Levanta a cabeça e vai a luta
Segue
Você é sacerdotisa do seu corpo-templo-altar
Antes de escolher cuidar de alguém, escolha se cuidar. Antes de escolher amar alguém, escolha se amar! Você é uma Deusa, não se esqueça! Coloca isso na cabeça! Ninguém pode te julgar! Use seus poderes e se una com outras Deusas
Vocês podem ir pra rua passear, mas também devem ir pras ruas mostrar pro povo as verdades cruas do sistema que insiste em oprimir
Vocês podem aproveitar os frutos do trabalho de vocês, mas devem lutar por direitos iguais e justiça social
Vocês podem amar a família e também devem denunciar o machismo de cada dia escondido naquela piada, naquela música ou na frase presidencial
Mulher de lugar é na cozinha? Se ela quiser!
Cozinhar, amar, cuidar, nada disso te faz menos feminista!
Assim como saber que tem todo o direito de escolher não te faz menos mulher
Querem te dar o papel da princesa que come a maçã, mas você sabe como recusar. Pra que ser princesa se você pode ser Deusa?
#08M #DiaInternacionaldaMulher

Tive que censurar pq são apenas peitos, mas infelizmente há quem denuncie como conteúdo impróprio 😦

6 on 6: Por onda andei?

Caminhando… Caminhando… Caminhando

Encontrei sombras e luz e muita história pra contar

Pelas ruas da cidade que passa os dias a gritar

E tantas almas apressadas-quase-surdas sem escutar

O que encontrarei?

O céu, o horizonte e um sem fim de emoções?

Não sei! O futuro só pertence a si próprio, afinal.

E o bom da vida é ir vivendo o caminhar até o final.

Por onde andei? Em qual busca? Em qual caminho?

Pensando bem, andei mais do que pensei ter andado

E bem menos do que desejaria ter caminhado…

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Já andei na chuva, já sonhei na chuva, só não dancei enquanto chovia

Já sorri na chuva, e já me abriguei olhando a água que escorria:

Lá dentro da alma, e lá fora na rua.

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Já vi o arco-íris depois da tempestade

Por entre os prédios da cidade

E já senti o arco-íris no coração

Quando um olhar despertou nele a paixão

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Por onde andei? O que encontrei?

A casa dos meus sonhos, onde nunca morei…

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Encontrei o antigo a se deparar com o novo

Numa briga muda por espaço, nas ruas onde passa o povo

arte na rua

Encontrei muita luta, e tantas vezes transformei em poesia…

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Por onde andei, esperei muitas vezes o raiar do dia:

Algumas vezes sozinha, algumas vezes com amigos

São tantas histórias de rolês épicos, atuais e antigos

E um conto de fadas com um beijo ao amanhecer

Tão doce quanto respirar, sonhar, viver….

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Outras caminhadas…

Lunna Guedes; Lucas Buchinger; Isabelle Brum; Mariana Gouveia; Obdulio Nunes Ortega

Diários da poetisa, #1de366

Como já dizia a canção: Ela tem alma de pipa avoada

Vai voar pela noite, caminhar pela areia molhada

E dizer pro ano que passou – Até nunca mais

Ela só quer sorriso, diversão e paz

Ela só quer ver o Sol nascer num novo amanhecer

Vem aí: Dia um de trezentos-e-sessenta-e-seis

Vou contar um segredo pra vocês:

Dois mil e vinte vai ser lindo, leve e louco

E a alma de pipa vai voar pelo vento

Se distraiu um pouco?

Já perdeu de vista – E ela não voa lento

Daqui pra lá, voa, dança: Alucinante

São mais de mil pensamentos por instante

Canção, política, culinária e poesia – Consegue acompanhar?

Ela escolhe por onde quer caminhar!

Toca o F*da-se e vai correr sozinha

Deusa, fada, bruxa, mulher e rainha

Pela noite, pelo dia, pela festa, pela vida

Sua viagem é passagem só de ida

Carrega amor na bagagem

Transforma em poesia enquanto olha pra paisagem

Um sorriso que esconde furacões

E um olhar brilhante de ilusões

Vai voar alto como os gaviões

Vai voar pela noite, pular sete ondas

Princesa do mundo de faz-de-conta

Meio maluquinha, deixou o cor de rosa

Pegou seu cavalo e foi escrever uma prosa

Sentou tranqüila na praia lotada

Bebendo uma água bem gelada

Só esperando o Sol nascer, só esperando o ano morrer

Só esperando o ano nascer outra vez:

Diários da poetisa: Um de trezentos e sessenta e seis

Diários da poetisa – #365de365

Olha pra essa boneca, jeito de princesa

Ela descobriu que não cabe na caixinha

Que desenharam como um castelo da rainha

Come a maçã envenenada

Mas com ela não acontece nada

Porque ela tem jeito de menina e alma de Dragão

Ela traz mar e fogo em seu coração

Ela mandou o mundo se f*der

Quem disse que poeta não fala palavrão?

Ela foi logo ali viver

Ela foi logo ali viver

Espera o Sol nascer

De dois mil e dezenove, leva umas lembranças

Uns sonhos, algumas esperanças

Embalados com cuidado em forma de canção

Um amor transformado em poesia

Um sonho pra um novo dia

De resto, deixou tanta gente pra trás

Sem olhar uma vez mais

Ela foi logo ali ser feliz

Ela foi ali lutar pelo que acreditou

Ela andou, protestou, viajou

Foi um ano tipo: Wow

Tirou a roupa, perdeu a vergonha

Despiu a razão

Foi sonho louco e coração

E finalmente chegou, a última noite

O ano chega ao fim, fica pra trás

E ela vai logo ali dizer “bye, bye”

Perdida entre compassos, ela vai

Pela noite iluminada, ela vai

Molhar os pés na água salgada

Ela não precisa dizer nada

Já guardou o que importa

Já abriu a porta

Encontrou a estrada pro novo amanhecer

Chegou a tempo de dizer:

2019 é aquele livro que já acabou

Numa história que ainda não findou

Continua enquanto ela viver

E hoje ela vai escrever:

Diários da poetisa, #365de365

Amanhã ela começa a escrever com afinco

Será dia um de trezentos e sessenta e seis

Páginas em branco outra vez!