Devorar palavras [BEDA 09]

Devorar palavras

Nutrir-me de ideias

Férteis lavras

Talvez novas Odisséias

Imaginar, sonhar

Mundos criar

Canções de amor

Sem ninguém amar

Lágrimas sem dor

Sensualidade sem pudor

Castidade quase impura

Para as desilusões – cura

Realidade virtual

Igualdade desigual

Fujo do mundo

Mergulho fundo

Nas estradas que construo

Nos castelos que destruo

Minha realidade

Construída por amor e palavras

E saudade

(Mais um poema antigo e confuso que desenterro do caderno… )

Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day April)

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Sobre Sinatra e o adeus a um amigo. [BEDA08/#tbt]

Ano de 2009. Eu trabalhava em um Parque Cultural em São Vicente. Lugar agradável, réplica da primeira Vila do Brasil. Aos finais de semana, música ao vivo, baile frequentado pela Melhor idade. Eram meus dias favoritos pela animação e pelas canções. Vestida com o uniforme – réplica de vestimentas do século XV – eu borboleteava entre as mesas e casais que dançavam. Entre tantos músicos, um deles era meu favorito: Roberto Salvatore. Ele fazia o melhor cover do Frank Sinatra que já vi. Fisicamente não havia semelhança nenhuma, mas a voz… Que voz! E que repertório bem selecionado, variando entre o dançante e o romântico. Ao final, um pouco de música brasileira. Eu sempre pedia para ele tocar “O grande baile da saudade”, uma valsa do Francisco Petrônio. My way eu nem precisava pedir, já era parte do repertório. Lembro de ter pedido “Gentil Borboleta”, do Carlos Galhardo, canção que ele não chegou a tocar: Morreu, vítima de um câncer no ano de 2010. Foi uma perda. Na época, escrevi um poema, que deixo ao final do texto. Ele merecia palavras mais belas, mas foi o que consegui escrever de momento. Sempre lembro dele quando ouço os primeiros acordes do Sinatra.

Amigo que tão cedo partiu
Sem dar tempo de dizer até breve
Deixou em seu lugar uma saudade que meu coração nunca sentiu
Tão profunda como a palavra adeus, e tristemente constante como a brisa leve
Amigo querido, sempre lembrado
Sobre a Terra, um anjo a menos a caminhar
Tu és agora mais uma estrela no céu estrelado
Que para sempre vai brilhar
Num coral de anjos estás agora a cantar
No paraíso vivendo a eternidade
Deixando-nos eterna saudade
Espero que no céu algum dia, possamos nos reencontrar...

Se quiserem conhecer o único vídeo dele disponível na rede, é só clicar aqui.

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Que teus beijos sejam açoite (BEDA 01)

Que teus beijos sejam açoite
A ferir meus lábios rosados
Que nossos dias sejam noite
Nossos corpos, desertos cálidos

Que nosso prazer seja tempestade
Nosso amor, longa jornada
Que tu sejas a fonte donde volto saciada
Quando tu me amas com intensidade

Que sobrevenha então a calmaria
Que o ímpeto seja substituído pela ternura
Que a noite torne-se aurora
E sob o Sol nascente adormeçamos envoltos em magia.

2/06/10






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Hoje é dia de #tbt e é o primeiro dia do BEDA (Blog Every Day April), para unir as duas coisas trouxe para vocês uma das minhas poesias antigas... Lá se vão onze anos! Espero que gostem! 

Participam do BEDA

Adriana Aneli  -  Ale Helga - Claudia - Lunna Guedes - Mariana Gouveia - Obdulio -

Roseli Pedroso  

Abraços!

Ode a memória

Ah, Liberdade! Como és fugidia!
O som maldito dos coturnos 
Pisoteando a frágil democracia
Iniciando vinte e um anos soturnos

Nossa terra diuturnamente vilipendiada
Diziam ser para o bem da Nação
Enquanto torturavam inocentes no porão
Rindo da dignidade humana violada

Aos abutres da ditadura: O lixo da história
O eterno o repúdio aos ignóbeis atos
Às vítimas o direito à verdade e à memória
Que nunca sejam esquecidos os tristes fatos

Que o terror desses anos nunca seja esquecido
Pois o passado nunca é apenas o tempo ido
Que reverbere pelos ares o brado: Foi golpe
Que persista a luta: 1964 nunca mais! 

Consciência Negra

 

 Alguns vão dizer
 Dia da Consciência Negra? Pra quê?
 Não recusa o feriadão prolongado
 Mas se é patrão, pra que dar folga pra empregada e pro empregado? 
 Paga o salário – Chorado, minguado, às vezes atrasado.
 Viaja no feriado, praia lotada, casa de campo
 Mas insiste em dizer: Consciência Negra? 
 Isso nem deveria existir! 
 E postam na internet qualquer baboseira
 “Tinha que ser dia da Consciência Humana”
 Tá de zoeira?
 A consciência humana falhou
 Quando o primeiro cercou
 Um pedaço de terreno e reivindicou
 A propriedade e o direito de viver sem produzir:
 Assim surgiu a divisão de classe social
 Nobres e servos
 Uns tudo recebiam e outros tudo produziam
 Daí por diante, vou te contar
 Só ladeira abaixo: 
 Servidão, guerras, escravidão
 Nazismo, fascismo, bolsonarismo
 Racismo
 Negacionismo científico
 Negacionismo histórico
 Mundo dominado
 Pelo capital acumulado
 Pirâmide social:
 Pequeno topo com peso de chumbo
 Esmaga a base que lhe carrega no ombro
 Ainda tem coragem em falar em consciência humana? 
 Numa sociedade tão desumana?
 Dá um tempo, senta ali no cantinho do pensamento
 Cala a boca um só momento, ok? 
 Aliás, me deixa te lembrar: 
 Sobre a consciência negra, deixa o povo negro falar
 Que eu também tenho muito que aprender, escutar
 Minha parte hoje foi só rememorar
 Que a tal “consciência humana” falhou há muito tempo
 E se você não enxerga isso, só lamento. 
   

#TBT – A Fada (Minha primeira poesia)

Outubro. O “Mês da criança” vai chegando ao fim e com ele a maratona de compartilhamento de memórias da infância – A maioria em fotos postadas no Instagram (Me sigam por lá @poetisa_Darlene). Entretanto, guardei para hoje, última quinta feira de Outubro, uma memória muito especial: A primeira poesia que escrevi, no auge dos meus doze anos. Por sorte, estava em uma aula de digitação e por isso a poesia foi impressa com data (sim, eu fiz curso de informática no final da infância, e não, quem me vê utilizando atrapalhadamente um computador hoje não consegue nem imaginar que aos doze anos eu estudava informática em uma dessas escolas populares). Enfim, vamos ao meu primeiro poema?

A Fada

Entrou num velho jardim

Plantou várias flores:

Amor perfeito

Cravo vermelho

Dálias e orquídeas

Rosas azuis

Vermelhas

Amarelas e

Finalmente rosas brancas

Então com sua linda magia

Fez as flores florescerem em um instante

Depois entrou na casa abandonada

E limpou-a, pintou-a e organizou-a

Pintou a casa pelo lado de fora

Mas com a magia da fada

Não há lugar monstruoso

Que não se torne um lugar bonito

18/03/1998

_______

Como vocês podem perceber, esse meu primeiro poema não é exatamente um poema em suas estruturas – E eu não me orgulho muito disso pois acredito que uma leitora voraz de doze anos deveria produzir algo bem melhor – mas ainda assim, conservo como uma lembrança fofa da infância. Gostaram?

O dia em que te conheci

Nas primeiras horas da manhã te conheci

E no brilho do teu olhar eu vivi

Um amor que eu jamais tentei existir

E meu coração nem tentou resistir

*

Que loucura…Nem teu nome eu sabia e já te amava

E a cada momento te buscava

Querendo de ti me aproximar

Querendo em tua alma com meu amor navegar

*

E quando você me beijou, que doce magia

Pela primeira vez meu coração disparava

Meu corpo eu não sentia

Pelas nuvens flutuava

*

Quando separados fomos, que agonia

Aquelas breves horas tornaram-se tristes

Aquela noite foi então a mais escura e fria

E, em certa parte do caminho, ao teu lar chegastes

*

Ah, cavaleiro menino que hoje conheci

Com você pela primeira vez vivi

Um amor que jamais pensei existir

Lindo anjo… De te reencontrar jamais vou desistir

*

Pois sei que para sempre vou te amar

E muitas vezes juntos, desse doce dia vamos nos lembrar

Será eterno e puro esse amor

Que entre nós nasceu como delicada flor


Poema antigo, escrito em Setembro de 2009. É muito gostoso revirar papéis antigos e encontrar escritos dos tempos em que o amor romântico parecia ser a coisa mais importante do mundo.

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Poderia

O rádio toca a canção
Que poderia ser a nossa canção
São sombras d’um mundo
Que poderia ter sido o nosso mundo

E o ígneo céu neste fim de tarde
Tinge com o sangue que derrama
Este coração que solitário ama
Esta alma que no fogo da paixão arde

Sombras me invadem e eu não sei
Porque tanta tristeza? Pensei
Que fosse uma longa avenida
Mas o amor foi rua sem saída

E como dói não conversar
Você me fez sorrir e agora o vazio
Veio minha alma tomar
Oh, lágrimas sem estio

(08-11-11)

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Fuga

A inspiração foge e se esconde
Corre sabe-se lá para onde
Brinca, baila, canta, corre
Diverte-se nessa alma que sem amor, morre

As palavras por vezes desaparecem
De me consolar, esquecem
Afogam-se nas lágrimas que descem
Perdem-se nos sonhos que esmorecem

E onde poderei a inspiração encontrar?
Como viver sem poder falar?
Sem conseguir expressar
Incapaz de escrever a dor de amar

Peço às musas inspiração
Tento e tento descrever a paixão
Mas esquecer dos teus olhos brilhantes
Impossível! Um coração quebrado jamais será como antes

Em sonhos te encontro e me perco
O amor que traz inspiração fecha o cerco
Trazendo também a dor
E pouco a pouco morro de amor

(07-07-2011)

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VivianeMariana Gouveia

Parasse o vento de soprar

Parasse o vento de soprar
Desaparecessem as ondas do mar
Secasse a chuva e todo pranto
Apagassem as estrelas, calassem meu canto

Morresse meu corpo consumido pela dor
Na fogueira da saudade meu coração queimasse
Olhos cerrados pela eternidade, sem temor
Uma alma livre para viver de amor

Quisera poder flutuar em tua direção
Como quem tudo e nada quer
Como quem deseja ser apenas mulher
Como se fosse possível afogar-me em tua paixão

Mas, não sei por que o destino insiste
Talvez goste de fazer-me sempre triste
Os deuses me negam tua presença
Fazendo-me sofrer esta dor intensa

Será que teu coração está selado?
Para tanto amor fechado?
Não gostaria de viver pelo amor embriagado
Deitando-se comigo ao luar, lado a lado?

Será muito o que peço, oh, vida cruel?
Livrar-me deste amor amargo como fel
Tê-lo ao meu lado para amar eternamente
Ou fechar meus olhos e esquecê-lo simplesmente

06-07-2011
(Escrito para uma concorrer a vaga em uma antologia de poemas sobre amor)

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