Poema vegano (BEDA 16)

Num tapume qualquer da cidade
Um pedido. Uma ordem. Uma verdade:
Não mate.
Não coma. Não cozinhe.
Não desmate.
Não seja mesquinhe.
Não pare um coração
Não há razão
Pense verde
Pense cores
Alimento de verdade
Sabores
Sem morte
Sem crueldade
Com sorte
Mudando a realidade

Este post faz parte do BEDA (Blog Evert Day August)

Sexta Feira 13 (BEDA 13)

Sexta Feira 13

Imagina que azar
Morar num país desgovernado e ter medo de passar embaixo da escada, de cruzar com um gato preto, de levantar da cama com o pé esquerdo?
Imagina que azar, morar num país assolado pela fome e pelo vírus e ainda assim ter medo de sair de casa pois é sexta feira 13.
Imagina que sonho ter só um dia de azar no ano inteiro?
Seria bom, não?
Mas o povo brasileiro
Elegeu o capeta
Chamou de messias o genocida
E mesmo agora que tantos perdem a vida
Parecem continuar a histeria coletiva:Camisa da CBF e arminha com a mão.
Povo que em 2018 elegeu 4 anos de morte e trouxe pra nação essa má sorte
Que não sabemos quanto vai durar.

Devorar palavras [BEDA 09]

Devorar palavras

Nutrir-me de ideias

Férteis lavras

Talvez novas Odisséias

Imaginar, sonhar

Mundos criar

Canções de amor

Sem ninguém amar

Lágrimas sem dor

Sensualidade sem pudor

Castidade quase impura

Para as desilusões – cura

Realidade virtual

Igualdade desigual

Fujo do mundo

Mergulho fundo

Nas estradas que construo

Nos castelos que destruo

Minha realidade

Construída por amor e palavras

E saudade

(Mais um poema antigo e confuso que desenterro do caderno… )

Este post faz parte do BEDA (Blog Every Day April)

Visitem também: Adriana Aneli, Mariana Gouveia, Lunna Guedes, Ale Helga, Obdulio, Roseli Pedroso, Claudia Leonardi

Sobre Sinatra e o adeus a um amigo. [BEDA08/#tbt]

Ano de 2009. Eu trabalhava em um Parque Cultural em São Vicente. Lugar agradável, réplica da primeira Vila do Brasil. Aos finais de semana, música ao vivo, baile frequentado pela Melhor idade. Eram meus dias favoritos pela animação e pelas canções. Vestida com o uniforme – réplica de vestimentas do século XV – eu borboleteava entre as mesas e casais que dançavam. Entre tantos músicos, um deles era meu favorito: Roberto Salvatore. Ele fazia o melhor cover do Frank Sinatra que já vi. Fisicamente não havia semelhança nenhuma, mas a voz… Que voz! E que repertório bem selecionado, variando entre o dançante e o romântico. Ao final, um pouco de música brasileira. Eu sempre pedia para ele tocar “O grande baile da saudade”, uma valsa do Francisco Petrônio. My way eu nem precisava pedir, já era parte do repertório. Lembro de ter pedido “Gentil Borboleta”, do Carlos Galhardo, canção que ele não chegou a tocar: Morreu, vítima de um câncer no ano de 2010. Foi uma perda. Na época, escrevi um poema, que deixo ao final do texto. Ele merecia palavras mais belas, mas foi o que consegui escrever de momento. Sempre lembro dele quando ouço os primeiros acordes do Sinatra.

Amigo que tão cedo partiu
Sem dar tempo de dizer até breve
Deixou em seu lugar uma saudade que meu coração nunca sentiu
Tão profunda como a palavra adeus, e tristemente constante como a brisa leve
Amigo querido, sempre lembrado
Sobre a Terra, um anjo a menos a caminhar
Tu és agora mais uma estrela no céu estrelado
Que para sempre vai brilhar
Num coral de anjos estás agora a cantar
No paraíso vivendo a eternidade
Deixando-nos eterna saudade
Espero que no céu algum dia, possamos nos reencontrar...

Se quiserem conhecer o único vídeo dele disponível na rede, é só clicar aqui.

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Que teus beijos sejam açoite (BEDA 01)

Que teus beijos sejam açoite
A ferir meus lábios rosados
Que nossos dias sejam noite
Nossos corpos, desertos cálidos

Que nosso prazer seja tempestade
Nosso amor, longa jornada
Que tu sejas a fonte donde volto saciada
Quando tu me amas com intensidade

Que sobrevenha então a calmaria
Que o ímpeto seja substituído pela ternura
Que a noite torne-se aurora
E sob o Sol nascente adormeçamos envoltos em magia.

2/06/10






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Hoje é dia de #tbt e é o primeiro dia do BEDA (Blog Every Day April), para unir as duas coisas trouxe para vocês uma das minhas poesias antigas... Lá se vão onze anos! Espero que gostem! 

Participam do BEDA

Adriana Aneli  -  Ale Helga - Claudia - Lunna Guedes - Mariana Gouveia - Obdulio -

Roseli Pedroso  

Abraços!

Ode a memória

Ah, Liberdade! Como és fugidia!
O som maldito dos coturnos 
Pisoteando a frágil democracia
Iniciando vinte e um anos soturnos

Nossa terra diuturnamente vilipendiada
Diziam ser para o bem da Nação
Enquanto torturavam inocentes no porão
Rindo da dignidade humana violada

Aos abutres da ditadura: O lixo da história
O eterno o repúdio aos ignóbeis atos
Às vítimas o direito à verdade e à memória
Que nunca sejam esquecidos os tristes fatos

Que o terror desses anos nunca seja esquecido
Pois o passado nunca é apenas o tempo ido
Que reverbere pelos ares o brado: Foi golpe
Que persista a luta: 1964 nunca mais! 

Consciência Negra

 

 Alguns vão dizer
 Dia da Consciência Negra? Pra quê?
 Não recusa o feriadão prolongado
 Mas se é patrão, pra que dar folga pra empregada e pro empregado? 
 Paga o salário – Chorado, minguado, às vezes atrasado.
 Viaja no feriado, praia lotada, casa de campo
 Mas insiste em dizer: Consciência Negra? 
 Isso nem deveria existir! 
 E postam na internet qualquer baboseira
 “Tinha que ser dia da Consciência Humana”
 Tá de zoeira?
 A consciência humana falhou
 Quando o primeiro cercou
 Um pedaço de terreno e reivindicou
 A propriedade e o direito de viver sem produzir:
 Assim surgiu a divisão de classe social
 Nobres e servos
 Uns tudo recebiam e outros tudo produziam
 Daí por diante, vou te contar
 Só ladeira abaixo: 
 Servidão, guerras, escravidão
 Nazismo, fascismo, bolsonarismo
 Racismo
 Negacionismo científico
 Negacionismo histórico
 Mundo dominado
 Pelo capital acumulado
 Pirâmide social:
 Pequeno topo com peso de chumbo
 Esmaga a base que lhe carrega no ombro
 Ainda tem coragem em falar em consciência humana? 
 Numa sociedade tão desumana?
 Dá um tempo, senta ali no cantinho do pensamento
 Cala a boca um só momento, ok? 
 Aliás, me deixa te lembrar: 
 Sobre a consciência negra, deixa o povo negro falar
 Que eu também tenho muito que aprender, escutar
 Minha parte hoje foi só rememorar
 Que a tal “consciência humana” falhou há muito tempo
 E se você não enxerga isso, só lamento. 
   

#TBT – A Fada (Minha primeira poesia)

Outubro. O “Mês da criança” vai chegando ao fim e com ele a maratona de compartilhamento de memórias da infância – A maioria em fotos postadas no Instagram (Me sigam por lá @poetisa_Darlene). Entretanto, guardei para hoje, última quinta feira de Outubro, uma memória muito especial: A primeira poesia que escrevi, no auge dos meus doze anos. Por sorte, estava em uma aula de digitação e por isso a poesia foi impressa com data (sim, eu fiz curso de informática no final da infância, e não, quem me vê utilizando atrapalhadamente um computador hoje não consegue nem imaginar que aos doze anos eu estudava informática em uma dessas escolas populares). Enfim, vamos ao meu primeiro poema?

A Fada

Entrou num velho jardim

Plantou várias flores:

Amor perfeito

Cravo vermelho

Dálias e orquídeas

Rosas azuis

Vermelhas

Amarelas e

Finalmente rosas brancas

Então com sua linda magia

Fez as flores florescerem em um instante

Depois entrou na casa abandonada

E limpou-a, pintou-a e organizou-a

Pintou a casa pelo lado de fora

Mas com a magia da fada

Não há lugar monstruoso

Que não se torne um lugar bonito

18/03/1998

_______

Como vocês podem perceber, esse meu primeiro poema não é exatamente um poema em suas estruturas – E eu não me orgulho muito disso pois acredito que uma leitora voraz de doze anos deveria produzir algo bem melhor – mas ainda assim, conservo como uma lembrança fofa da infância. Gostaram?

#Pride

Menina que ama menina

Menino que ama menino

Menino que ama menino

E ama menina

Menina que ama menina

E ama menino também

O amor está na alma, meu bem

Está tudo certo, está tudo bem

Se na alma e no espelho

O reflexo não é o mesmo

Que está na certidão de nascimento

Pense um momento:

O que deve prevalecer

A realidade no âmago do ser

Ou um velho documento?

Liberdade para amar

Liberdade para existir

Luta para resistir

Amor e força para lutar

Afinal

O mundo não é o seu quintal

Caia o muro do preconceito

Prevaleça o respeito

O problema a cada segundo

Deveria ser o ódio

E não o amor

Se alguém odeia

Semeia

Sofrimento e dor

Se o vermelho do arco-íris

Pode ser vermelho de amor

Sorria

Não deixe que a violência

Faça do vermelho – paixão

Um rio de luto e sangue

Derramado pelo chão

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